Como se esperava, o Senado aprovou ontem o aumento do tecto da dívida pública norte-americana e o plano de redução do défice que havia passado, na véspera, pela Câmara dos Representantes. 74-26 foi o resultado da votação e, ao contrário do que sucedeu na câmara baixa, apenas seis democratas (mais o independente liberal Bernie Sanders) votaram contra a proposta, tendo 19 senadores republicanos feito o mesmo, o que demonstra bem a resistência dos elementos mais conservadores do GOP a este plano. Pouco depois, o Presidente Barack Obama promulgou o projecto-lei, colocando um ponto final na mais recente batalha político-partidária nos Estados Unidos da América.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O regresso de Gabrielle Giffords
Apesar da extrema importância do voto de ontem à noite na Câmara dos Representantes, o maior destaque da noite foi, sem dúvida, o regresso da congressista democrata pelo Arizona, Gabrielle Giffords, à Câmara dos Representantes. Cerca de oito meses depois de ter sido baleada na cabeça no tristemente célebre massacre de Tucson, Giffords foi recebida em verdadeira apoteose pelos seus colegas na câmara baixa do Congresso e pelo Vice-presidente Joe Biden, tendo, depois, votado em sentido favorável ao aumento da dívida dos Estados Unidos. Entre o clima de discórdia e a intolerância que rodeou este debate, o regresso de Gabrielle trouxe alguma união e compaixão entre os políticos de Washington. Welcome back, Gaby!
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Aumento da dívida passa na House
Parece muito próximo o final da maior trapalhada na política norte-americana dos últimos anos. Ontem à noite, a Câmara dos Representantes aprovou o aumento do limite da dívida dos Estados Unidos, juntamente com um plano de redução do défice que prevê o corte de mais de 2 triliões de dólares durante os próximos dez anos.
Ao contrário do que se chegou a esperar, ao longo das longas e difíceis conversações rumo a um entendimento entre democratas e republicanos, a proposta passou folgadamente, com 269 favoráveis e apenas 161 contra. Entre as fileiras partidárias, os congressistas republicanos declararam-se maioritariamente a favor do plano, numa divisão entre 174 votos "sim" e 66 votos "não. Já entre os democratas a divisão foi total, com 95 votos positivos e outros 95 negativos. Em ambos os caso, os votos contra vieram das alas menos moderadas: no GOP, os congressistas mais conservadores, menos experientes e apoiados pelos Tea Party foram, por norma, aqueles que votaram contra o aumento da dívida; por sua vez, na bancada democrata, foram os elementos mais liberais, com destaque para o black caucus, que não acompanharam a liderança do seu partido e da sua bancada no apoio a este plano.
Agora caberá ao Senado, que deverá votar durante o dia de hoje, confirmar a votação da câmara baixa, de modo a evitar que os Estados Unidos entrem, à meia noite nos EUA, em default. Todavia, o pior parece ter já passado e ninguém imagina que possa ocorrer um qualquer golpe de teatro, ainda para mais quando é sabido que o Senado é, por tradição, um órgão formado por políticos de maior ponderação e sentido de responsabilidade do que a volátil Câmara dos Representantes.
Quanto a Barack Obama, consegue evitar a utilização da opção constitucional que lhe permitiria aumentar automaticamente e unilateralmente o tecto da dívida. Contudo, se o Presidente americano se visse forçado a isso, o mais provável é que os republicanos mais radicais avançassem com um processo de impeachment, o que proporcionaria uma disputa feia e intensa nas vésperas da campanha pela sua reeleição.
No fim de contas, todo o processo parece ter resultado numa vitória republicana, que consegue, como pretendido, uma substancial diminuição do Estado. Até por isso, é quase incompreensível a atitude da ala mais radical do GOP, que se comportou de forma irresponsável e indefensável, tomando de refém todo um processo negocial, quando, no fundo, o seu partido apenas domina a Câmara dos Representantes, estando o Senado e a Casa Branca nas mãos dos democratas.
Este acordo, apesar de ser penoso para o Partido Democrata - não incluí qualquer subida de impostos - tem pelo menos o condão de "empurrar" para 2013 (depois das eleições presidenciais) qualquer discussão sobre um novo aumento do limite da dívida e contempla, contra a vontade republicana, cortes no orçamento do Pentágono. Além disso, é provável que, devido ao plano que hoje deverá passar no Senado, os democratas não deixem passar a oportunidade de, no próximo ano, deixarem cair os cortes de impostos da era Bush. Assim, apesar do acordo final ser favorável ao GOP, é caso para dizer que os democratas live to fight another day.
Ao contrário do que se chegou a esperar, ao longo das longas e difíceis conversações rumo a um entendimento entre democratas e republicanos, a proposta passou folgadamente, com 269 favoráveis e apenas 161 contra. Entre as fileiras partidárias, os congressistas republicanos declararam-se maioritariamente a favor do plano, numa divisão entre 174 votos "sim" e 66 votos "não. Já entre os democratas a divisão foi total, com 95 votos positivos e outros 95 negativos. Em ambos os caso, os votos contra vieram das alas menos moderadas: no GOP, os congressistas mais conservadores, menos experientes e apoiados pelos Tea Party foram, por norma, aqueles que votaram contra o aumento da dívida; por sua vez, na bancada democrata, foram os elementos mais liberais, com destaque para o black caucus, que não acompanharam a liderança do seu partido e da sua bancada no apoio a este plano.
Agora caberá ao Senado, que deverá votar durante o dia de hoje, confirmar a votação da câmara baixa, de modo a evitar que os Estados Unidos entrem, à meia noite nos EUA, em default. Todavia, o pior parece ter já passado e ninguém imagina que possa ocorrer um qualquer golpe de teatro, ainda para mais quando é sabido que o Senado é, por tradição, um órgão formado por políticos de maior ponderação e sentido de responsabilidade do que a volátil Câmara dos Representantes.
Quanto a Barack Obama, consegue evitar a utilização da opção constitucional que lhe permitiria aumentar automaticamente e unilateralmente o tecto da dívida. Contudo, se o Presidente americano se visse forçado a isso, o mais provável é que os republicanos mais radicais avançassem com um processo de impeachment, o que proporcionaria uma disputa feia e intensa nas vésperas da campanha pela sua reeleição.
No fim de contas, todo o processo parece ter resultado numa vitória republicana, que consegue, como pretendido, uma substancial diminuição do Estado. Até por isso, é quase incompreensível a atitude da ala mais radical do GOP, que se comportou de forma irresponsável e indefensável, tomando de refém todo um processo negocial, quando, no fundo, o seu partido apenas domina a Câmara dos Representantes, estando o Senado e a Casa Branca nas mãos dos democratas.
Este acordo, apesar de ser penoso para o Partido Democrata - não incluí qualquer subida de impostos - tem pelo menos o condão de "empurrar" para 2013 (depois das eleições presidenciais) qualquer discussão sobre um novo aumento do limite da dívida e contempla, contra a vontade republicana, cortes no orçamento do Pentágono. Além disso, é provável que, devido ao plano que hoje deverá passar no Senado, os democratas não deixem passar a oportunidade de, no próximo ano, deixarem cair os cortes de impostos da era Bush. Assim, apesar do acordo final ser favorável ao GOP, é caso para dizer que os democratas live to fight another day.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
Cartoon: O debate da dívida
Este cartoon, de M. Werner, do Politico, ilustra bem o que se passa actualmente em Washington, no que diz respeito ao debate sobre o aumento do limite da dívida pública norte-americana: enquanto a ala republicana mais conservadora domina a agenda política do seu partido, empurrando-o cada vez mais para a Direita, Barack Obama em particular e os democratas em geral, vão cedendo constantemente, apenas para verem novas exigências serem feitas por parte da oposição. Assim, do lado democrata assistimos a um claro exemplo de falta de liderança, enquanto que os republicanos demonstram uma clara irresponsabilidade, tentando ganhar dividendos políticos com um assunto que pode trazer consequências muito nefastas para o seu país.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Barómetro 2012 - Update
Barack Obama → Depois do bump nas sondagens na sequência da morte de Bin Laden, os números do Presidente nas sondagens voltaram ao habitual, estando situados nos high fortys. Veremos como se sai desta crise sobre o tecto da dívida, pois poderá ter forte impacto nas suas hipóteses de reeleição.
Mitt Romney ↑ Continua forte no New Hampshire, conseguindo mesmo "roubar" um staffer local a Tim Pawlenty. Os rumores sobre os seus possíveis running mates ajudam a construir a narrativa do vencedor antecipado. Contudo, sabemos como essa estratégia resultou com Hillary Clinton.
Newt Gingrich ↑ Tem passado despercebido durante as últimas semanas, o que, depois das catástrofes anteriores, só pode ser positivo.
Sarah Palin → Mantém-se a incógnita relativamente à sua entrada ou não na corrida. O documentário que recentemente estreou sobre a antiga Governadora do Alasca, atraiu fiel mas pequena legião de seguidores.
Tim Pawlenty → Continua sem se impor entre o campo de candidatos presidenciais republicanos.Já se apercebeu da ameaça que Michelle Bachmann representa para a sua candidatura e concentra-se, agora, em atacar a sua adversária.
John Huntsman ↓ A sua entrada na corrida provocou um considerável buzz mediático. Contudo, parece que esse fenómeno se verificou mais no seio da própria comunicação social do que propriamente entre os eleitores republicanos, já que nas sondagens o ex-Embaixador na China surge repetidamente nos últimos lugares.
Rick Santorum → O antigo Senador pela Pennsylvania aposta tudo no Iowa e, por isso, também está preocupado com a popularidade de Bachmann. Seja como for, as suas hipóteses são, no máximo, diminutas.
Rick Perry ↑ O Governador do Texas, que substitui Chris Christe (que se tem mostrado irredutível na sua decisão de não concorrer) neste barómetro, tem estudado uma possível candidatura à Casa Branca e passou imediatamente para os primeiros lugares nas sondagens. Pode abanar - e muito - a corrida.
Michelle Bachmann ↓ As histórias sobre as suas enxaquecas e como essa condição pode afectar a sua disponibilidade para o cargo de Presidente dos EUA contrariaram, ainda que ligeiramente, o momentum que vinha a conseguir depois da sua prestação no último debate.
Ron Paul → Anunciou que em 2012 não concorrerá novamente ao Congresso. Assim sendo, esta candidatura presidencial deverá ser a última campanha política do texano e representará a passagem de testemunho para o seu filho Rand, actual Senador pelo Kentucky.
Herman Cain ↓ Tem perdido fulgor e não parece capaz de ganhar novo ânimo, de forma a aproximar-se do grupo dos principais favoritos.
Romney já pensa em VPs
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| Christie, McDonnell e Rubio |
Apesar de ainda faltarem cerca de seis meses para o início das primárias presidenciais e cerca de um ano para que o vencedor desse processo tenha de escolher a pessoa que consigo irá formar o ticket republicano, começam já a surgir alguns rumores relativamente à shortlist de Mitt Romney para o cargo de Vice-Presidente. Ao que consta, o actual favorito a conseguir a nomeação pelo GOP já reduziu as suas preferências para apenas três nomes: o Governador da Virgínia, Bob McDonnell, o Governador de New Jersey, Chris Christie e Marco Rubio, Senador pela Florida.
São opções seguras e convencionais, de políticos que se destacaram na senda de vitórias do Partido Republicano em 2009 e 2010. A intenção de Romney ao "deixar escapar" esta notícia poderá ser a de atrair os eleitores mais conservadores, dado que estes três nomes figuram entre os políticos favoritos dos movimentos Tea Party. Dos três, talvez seja Marco Rubio o mais provável candidato vice-presidencial, dado que representa a Florida, porventura o mais importante Estado numa eleição presidencial, e porque é hispânico (cubano-americano), um eleitorado decisivo e entre o qual o GOP tem perdido votos de forma preocupante. Todavia, a escolha final de Romney, ou de quem quer que seja o nomeado republicano, no que diz respeito ao seu vice-presidente, será sempre influenciada por tudo aquilo que se passar durante as primárias e por todo um conjunto de variáveis circunstanciais. Assim, a uma tão grande distância do momento de decisão, este tipo de análise, ainda que seja interessante, não passa de mera especulação.
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terça-feira, 26 de julho de 2011
O impasse mantém-se
A questão da dívida externa norte-americana continua a marcar a agenda mediática nos Estados Unidos e não só, já que a possibilidade de o gigante americano entrar em incumprimento, o que pode acontecer já no próximo dia 2 de Agosto, tem repercussões na economia global. No centro da discussão está a questão do limite da dívida pública norte-americana, que necessita de ser aumentado para que os Estados Unidos possam continuar a financiar-se no exterior. Esse é um procedimento relativamente comum, tendo sido várias vezes realizado, inclusivamente por presidentes republicanos. Apesar de ambos os partidos estarem de acordo relativamente ao facto de um eventual aumento do tecto da dívida ter de ser acompanhado com um importante conjunto de medidas que visam reduzir o défice do país, os democratas defendem que entre essas medidas conste um aumento de impostos para os mais ricos, enquanto que os republicanos rejeitam tal hipótese.
Ontem à noite, Barack Obama falou aos norte-americanos, tentando conquistar a opinião pública, de forma a ganhar maior poder negocial nas arrastadas e inconclusivas negociações que se arrastam há já varias semanas. Todavia, ao que parece, a sua comunicação, em tom decidido (ou agressivo, dizem alguns), afastou-o do centro das decisões, visto que o Congresso decidiu lançar mãos à obra e tomar conta da questão, apresentando as suas próprias propostas, algo que o Presidente ainda não fez. Contudo, isso não significa o fim da disputa, já que a maioria democrata no Senado apresentou um plano, enquanto que a maioria republicana na Câmara dos Representantes tenciona votar a favor da sua própria proposta.
Normalmente, o aumento do limite da dívida não seria um tema que levantasse uma polémica com estas dimensões. Contudo, assistimos a um período na história da política norte-americana em que a polarização ideológica e partidária é extremamente acentuada, em especial no seio do GOP, onde grupos como os movimentos Tea Party conseguiram um importante poder e influência. Assim, não admira que o Speaker John Boehner, o líder de facto do partido, e que durante algum tempo se mostrou receptivo a um acordo com Obama, tema não conseguir os votos necessários na sua bancada para garantir o aumento do tecto da dívida, ao mesmo tempo que recusa utilizar a palavra compromisso.
É ainda evidente que as eleições presidenciais de 2012 marcam, também, as negociações. Por um lado, Barack Obama pretende ter aqui uma vitória retumbante, mostrando-se aos cidadãos americanos como o Estadista responsável que zela pelos interesses do país - algo como aquilo que se passou quando Bill Clinton venceu o "braço de ferro" com Newt Gingrich relativamente ao shutdown federal a meio do seu primeiro mandato. Por seu lado, os republicanos preferem um plano que obrigue a novas negociações em 2012, altura em que Obama seria obrigado a defender novamente um aumento de impostos, mas, desta vez, em plena campanha eleitoral.
Por tudo isto, fica claro que a situação não é nada propícia a um acordo. Contudo, e apesar de ambos os lados esperarem que o outro seja o primeiro a ceder, num autêntico jogo de chicken, no fim o bom senso deverá imperar e acredito que se chegue a um entendimento. Seja como for, muito brevemente saberemos como termina esta longa história, até porque o dia 2 de Agosto aproxima-se rapidamente.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
A última viagem do Atlantis
Uma imagem (retirada do New York Times) histórica: o vaivém Atlantis aterra no mítico Kennedy Space Center, em Cape Canaveral, na Florida, pouco depois das 6 da manhã locais (11h em Portugal), colocando um ponto final no programa da frota de vaivéns espaciais da NASA, após cerca de 30 anos de serviço. Como disse o comandante da missão, Christopher Ferguson, "mission complete, Houston".
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terça-feira, 19 de julho de 2011
Rick Perry aponta a 2012
Não é novidade para ninguém que o actual campo de candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos é quase unanimemente considerado como fraco. Em especial, duas "facções" do GOP encontram-se pouco representadas pelos concorrentes já conhecidos: o establishment do partido e os sulistas. Todavia, tem vindo a ganhar consistência a hipótese de uma candidatura que seria capaz de seduzir estes dois grupos, já que Rick Perry, actual Governador do Texas, parece cada vez mais perto de entrar oficialmente na corrida.
Nos últimos dias, têm subido de tom os rumores que indicam que Perry estará próximo de se candidatar à Casa Branca, particularmente depois de o próprio ter dito a um jornal do Iowa que se sentia chamado a concorrer. Aliás, é precisamente nesse Estado (onde, recorde-se, tem lugar o primeiro momento das primárias presidenciais) que Rick Perry tem concentrado as suas abordagens preliminares com vista a uma eventual candidatura, tendo contactado vários membros proeminentes do Partido Republicano local.
Se chegar mesmo a entrar na corrida, Perry poderá ter uma palavra a dizer. É natural que contasse com fortes apoios dentro da estrutura republicana, onde o favorito Mitt Romney é visto com alguma desconfiança, enquanto que Tim Pawlenty continua a não parecer uma alternativa viável. A sua capacidade de angariar dinheiro seria apreciável, contando com a sua grande base de doadores no Texas, um Estado onde proliferam os magnatas do petróleo e que já deu aos Estados Unidos os presidentes Lyndon Johnson, George Bush e George W. Bush. Mais: o facto de ser proveniente do Sul dos Estados Unidos dar-lhe-ia uma excelente hipótese de vencer na Carolina do Sul e de conseguir um bom resultado na Super Tuesday, onde vão a votos vários Estados sulistas. Isto porque o Sul é o principal bastião do Partido Republicano e, como tal, os seus eleitores representam um grupo fundamental numas primárias do GOP. Porém, depois do colapso da campanha de Newt Gingrich, o Sul ficou sem qualquer seu representante na luta pela nomeação republicana (Ron Paul e Herman Cain são oriundos do Sul, mas não serão os nomeados), o que faria de Rick Perry o favorite son dos ex-Estados confederados.
Visto isto, fica claro que a entrada de Perry na corrida traria ainda mais emoção à disputa pela nomeação republicana e que o actual Governador do Texas seria um nome a ter em atenção pelos seus adversários. Contudo, tenho muitas dúvidas que Rick Perry fosse competitivo numa eleição geral face a Barack Obama. Um republicano do Texas seria um alvo fácil para a campanha de Obama o caracterizar como um novo Bush. Além disso, o facto de Perry ser substancialmente conservador poderia complicar a sua tarefa de apelar ao eleitorado independente, o tal que decide todas as eleições.
Nos últimos dias, têm subido de tom os rumores que indicam que Perry estará próximo de se candidatar à Casa Branca, particularmente depois de o próprio ter dito a um jornal do Iowa que se sentia chamado a concorrer. Aliás, é precisamente nesse Estado (onde, recorde-se, tem lugar o primeiro momento das primárias presidenciais) que Rick Perry tem concentrado as suas abordagens preliminares com vista a uma eventual candidatura, tendo contactado vários membros proeminentes do Partido Republicano local.
Se chegar mesmo a entrar na corrida, Perry poderá ter uma palavra a dizer. É natural que contasse com fortes apoios dentro da estrutura republicana, onde o favorito Mitt Romney é visto com alguma desconfiança, enquanto que Tim Pawlenty continua a não parecer uma alternativa viável. A sua capacidade de angariar dinheiro seria apreciável, contando com a sua grande base de doadores no Texas, um Estado onde proliferam os magnatas do petróleo e que já deu aos Estados Unidos os presidentes Lyndon Johnson, George Bush e George W. Bush. Mais: o facto de ser proveniente do Sul dos Estados Unidos dar-lhe-ia uma excelente hipótese de vencer na Carolina do Sul e de conseguir um bom resultado na Super Tuesday, onde vão a votos vários Estados sulistas. Isto porque o Sul é o principal bastião do Partido Republicano e, como tal, os seus eleitores representam um grupo fundamental numas primárias do GOP. Porém, depois do colapso da campanha de Newt Gingrich, o Sul ficou sem qualquer seu representante na luta pela nomeação republicana (Ron Paul e Herman Cain são oriundos do Sul, mas não serão os nomeados), o que faria de Rick Perry o favorite son dos ex-Estados confederados.
Visto isto, fica claro que a entrada de Perry na corrida traria ainda mais emoção à disputa pela nomeação republicana e que o actual Governador do Texas seria um nome a ter em atenção pelos seus adversários. Contudo, tenho muitas dúvidas que Rick Perry fosse competitivo numa eleição geral face a Barack Obama. Um republicano do Texas seria um alvo fácil para a campanha de Obama o caracterizar como um novo Bush. Além disso, o facto de Perry ser substancialmente conservador poderia complicar a sua tarefa de apelar ao eleitorado independente, o tal que decide todas as eleições.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Sarah Palin, "The Undefeated"
Estreou hoje nos Estados Unidos um documentário sobre a vida e a carreira política de Sarah Palin, intitulado "The Undefeated" e realizado por Stephen Bannon. Apesar de a antiga Governadora do Alasca não ter participado directamente na película, a verdade é que este documentário é propaganda pura e dura em favor da causa de Palin que, nos últimos tempos, tem-se esforçado por melhorar a sua negativa imagem pública. Contudo, a fazer crer pelas críticas que têm sido feitas ao "The Undefeated" e mesmo às suas fracas audiências, é possível que Palin não saia muito bem na fotografia, ou, neste caso, no filme.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
A sensação Michelle Bachmann
Com a pré-campanha eleitoral relativa à luta pela nomeação presidencial republicana já em pleno andamento, o grande destaque, pelo menos nos últimos tempos, tem de ser atribuído a uma concorrente improvável: Michelle Bachmann. De facto, a congressista do Minnesota tem dominado as atenções, em particular desde a sua boa prestação no debate televisivo do New Hampshire. Depois disso, tem conseguido manter aceso o seu momentum, com as sondagens a colocarem-na já no topo das intenções de voto para o caucus do Iowa, o primeiro momento das primárias presidenciais republicanas.
Em oposição à subida de Bachmann, candidatos como Tim Pawlenty ou Newt Gingrich, que lutam pelo mesmo eleitorado, estão em sérios problemas. Gingrich já praticamente ditou o seu (novo) suicídio político, mas de T-Paw esperava-se que fosse um dos principais candidatos à nomeação do GOP. Contudo, a fraca prestação no debate e a ascensão da sua conterrânea do Minnesota têm prejudicado a sua angariação de fundos, ao mesmo tempo que teima em não descolar dos single digits nos estudos de opinião.
Por outro lado, Mitt Romney, o grande favorito à vitória final, tem motivos para estar satisfeito com a perspectiva de uma luta a dois com Bachmann, já que isso significaria que a estrutura, os principais nomes e maiores doadores do Partido republicano não teriam outra solução, face a uma escolha entre Romney e Bachmann, a não ser colocarem-se por detrás do antigo Governador do Massachusetts. Todavia, também John Huntsman poderia sair beneficiado deste cenário, visto que, com Pawlenty ofuscado por Michelle Bachmann, passaria a ser o principal adversário de Romney no New Hampshire, podendo disputar mais folgadamente o voto do eleitores republicanos moderados.
Entre as bases republicanas e os movimentos Tea Party, Michelle Bachmann é já um fenómeno de popularidade e tem consegui ofuscar a outra super estrela da Direita americana, Sarah Palin. Aliás, Bachmann parece mesmo, de uma certa forma, um upgrade da antiga candidata à vice-presidência, que, por sua vez, está cada vez mais longe de uma candidatura à Casa Branca.
A aposta de Bachmann numa campanha como insurgente, distanciando-se do establishment republicano (se é que isso ainda existe) deu azo a comparações com as campanhas do democrata Howard Dean, em 2000 e do republicano Mike Huckabee, em 2008. Contudo, como aconteceu anteriormente com Dean e Huckabee, Michelle Bachmann está ideologicamente muito distante do centro político norte-americano e, por isso, poderá entusiasmar as bases do seu partido, mas não será a nomeada republicana.
Entre as bases republicanas e os movimentos Tea Party, Michelle Bachmann é já um fenómeno de popularidade e tem consegui ofuscar a outra super estrela da Direita americana, Sarah Palin. Aliás, Bachmann parece mesmo, de uma certa forma, um upgrade da antiga candidata à vice-presidência, que, por sua vez, está cada vez mais longe de uma candidatura à Casa Branca.
A aposta de Bachmann numa campanha como insurgente, distanciando-se do establishment republicano (se é que isso ainda existe) deu azo a comparações com as campanhas do democrata Howard Dean, em 2000 e do republicano Mike Huckabee, em 2008. Contudo, como aconteceu anteriormente com Dean e Huckabee, Michelle Bachmann está ideologicamente muito distante do centro político norte-americano e, por isso, poderá entusiasmar as bases do seu partido, mas não será a nomeada republicana.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Jon Stewart na Fox News
Nas edições do programa de Jon Stewart, o Daily Show, uma das principais vítimas das suas críticas corrosivas é a Fox News, a emissora televisiva de linha editorial notoriamente conservadora. Contudo, Stewart, um dos principais símbolos da América liberal, aceitou o convite endereçado pelo programa Fox News Sundays para que participasse na emissão de ontem. O vídeo da entrevista ao famoso comediante, a não perder, aqui fica.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Barómetro 2012 - Update
Barack Obama ↓ Terminado que está o seu momento de alta nas sondagens devido à morte de Bin Laden, os seus números já voltaram a baixar da marca dos 50% e os fracos resultados da economia norte-americana também não ajudam.
Mitt Romney ↑ O seu estatuto de frontrunner da corrida republicana continua intocável. A sua segura prestação no debate de New Hampshire também contribui para que seja o ultra-favorito a vencer no granite state.
Newt Gingrich ↓ A debandada geral o seu staff e algumas decisões bizarras de sua parte, como a de insistir em passar duas semanas num cruzeiro, deixam antever que a sua candidatura à presidência terminou mesmo antes de ter começado.
Sarah Palin → Continua a ser uma estrela de nível planetário, conseguindo atenção mediático por tudo aquilo que faz (ou não faz). Contudo, o seu espaço no campo presidencial republicano está sob cerrado ataque de Michelle Bachmann.
Tim Pawlenty ↓ Foi o grande derrotado do debate televisivo desta semana e isso pode afastar muitos potenciais financiadores e apoiantes da sua campanha.
John Huntsman → O arranque oficial da sua candidatura à Casa Branca está para breve e já anunciou que não irá concorrer no Iowa. Assim sendo, terá de apostar tudo no New Hampshire, onde Romney parece imbatível. Não será tarefa fácil.
Rick Santorum ↓ Esteve discreto no debate e continua sem descolar das últimas posições e dos single digits nas sondagens.
Chris Christie → Muito se tem discutido sobre a possibilidade de mais um candidato entrar na corrida pela nomeação presidencial republicana e o Governador de New Jersey é um dos nomes mais falados. Todavia, Christis, continua a enviar sinais contraditórios: tão depressa nega qualquer hipótese de ser candidato, como a seguir se encontra com representantes republicanos dos early states.
Michelle Bachmann ↑ Saiu vencedora do debate republicano e anunciou o lançamento oficial da sua candidatura presidencial. Tem ganho popularidade entre o eleitorado conservador e, sem Huckabee, Palin e com Gingrich caído em desgraça, pode mesmo conseguir o rótulo de candidata favorita do Tea Party.
Ron Paul → Esteve bem, como é habitual, no debate, mas a sua candidatura ainda não conseguiu atingir os níveis de entusiasmo que obteve em 2008.
Herman Cain ↓ Esteve melhor no primeiro debate e alguns comentários, como quando disse que não contrataria um islâmico, têm prejudicado a sua imagem junto do eleitorado.
terça-feira, 14 de junho de 2011
A surpresa Bachman e a desilusão Pawlenty
Apesar de faltarem ainda oito meses para o caucus do Iowa, o primeiro momento das primárias presidenciais norte-americanas, podem já ser retiradas algumas ilações do debate de ontem à noite, onde estiveram frente-a-frente os já assumidos candidatos a conseguir a nomeação pelo Partido Republicano.
Michelle Bachman foi, quase unanimemente, considerada a vencedora do debate. Começou bem e conseguiu chamar as atenções para si, ao anunciar oficialmente a sua candidatura à Casa Branca e foi autora de uma das frases mais aplaudidas da noite, quando afirmou decisivamente que Barack Obama será um presidente de um só mandato. Depois da prestação da congressista do Minnesota, parecendo sempre confiante e assertiva, Sarah Palin deverá ter muitas razões para estar preocupada, visto que ambas disputariam o mesmo grupo do eleitorado republicano.
Em sentido contrário, Tim Pawlenty foi a desilusão da noite. Depois de, na véspera, ter atacado duramente a reforma da saúde aprovada por Mitt Romney enquanto Governador do Massachusetts, não deu seguimento a essa táctica agressiva, optando por se esquivar das perguntas dos jornalistas da CNN, que lhe tentaram arrancar novas tiradas mais "picantes". Assim, o antigo Governador do Minnesota perdeu uma excelente oportunidade para se colocar como o candidato anti-Romney, visto com desconfiança por muitos eleitores conservadores, e, pelo contrário, pareceu fraco e incapaz de se impor no palco principal da política norte-americana.
Mitt Romney, que carrega o estatuto de principal favorito à vitória final, foi também um dos vencedores da noite, já que, ao contrário do que seria de esperar, nenhum dos seus adversários optou por lhe fazer frente, preferindo Barack Obama como o principal alvo de críticas. Outra conclusão que pode ser retirada do debate é que há ainda espaço para uma outra candidatura, porventura de alguém com credenciais conservadoras, mas que possa contar com o apoio do establishment republicano. Nesse sentido, o Governador do Texas, Rick Perry, é um nome cada vez mais falado.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
Debate no New Hampshire
Realiza-se hoje o segundo debate entre os candidatos à nomeação presidencial pelo Partido Republicano. Contudo, este é o primeiro a reunir todos os principais nomes da corrida, já que Mitt Romney, Newt Gingrich e Michelle Bachmann não participaram no debate de estreia, que teve lugar na Carolina do Sul, no início de Maio.
Desta vez, o evento decorrerá no fundamental Estado do New Hampshire, sendo transmitido pela CNN (1h da madrugada em Portugal) e apoiado pelo influente jornal New Hampshire Union Leader. Assim, as atenções estão viradas para Mitt Romney, o grande favorito a vencer as primárias do granite state e, como tal, o alvo a abater por parte dos restantes concorrentes. Tim Pawlenty parece ser o mais propenso a atacar Romney, em especial a reforma da saúde do Estado do Massachussets que Romney aprovou enquanto Governador daquele Estado. Newt Gingrich, por seu lado, tentará provar que a sua campanha é para continuar depois da implosão da semana passada, enquanto Bachmann, Rick Santorum e Herman Cain lutarão pelo estatuto de número um entre os candidatos mais à Direita. Last but not least, Ron Paul será o representante da ala libertária, sendo, tradicionalmente, um dos mais fortes participantes em debates, como provou durante a campanha presidencial de 2008.
Apesar de o debate ser apenas para os candidatos republicanos - Barack Obama não tem, que se saiba, oponentes nas primárias do seu partido - os democratas não deixarão aos seus adversários o monopólio da narrativa política. Assim sendo, o Partido Democrata preparou uma resposta, em pleno New Hampshire, àquilo que se disser no debate de logo à noite, através de Robert Gibbs, antigo porta-voz de Obama e que volta, desta forma, à primeira linha do combate político. E a Gibbs não deverá faltar a que responder e contra-atacar, já que é previsível que Obama seja alvo de duros e constantes críticas durante o debate de hoje.
Apesar de o debate ser apenas para os candidatos republicanos - Barack Obama não tem, que se saiba, oponentes nas primárias do seu partido - os democratas não deixarão aos seus adversários o monopólio da narrativa política. Assim sendo, o Partido Democrata preparou uma resposta, em pleno New Hampshire, àquilo que se disser no debate de logo à noite, através de Robert Gibbs, antigo porta-voz de Obama e que volta, desta forma, à primeira linha do combate político. E a Gibbs não deverá faltar a que responder e contra-atacar, já que é previsível que Obama seja alvo de duros e constantes críticas durante o debate de hoje.
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Newt, Hillary e Palin
Depois da loucura da última semana de aulas, espero retomar a laboração em pleno da Máquina Política, até porque já tenho algumas saudades de escrever sobre o "maior espectáculo do mundo", como, em tempos, um comentador deste espaço aqui descreveu a dinâmica da política dos Estados Unidos da América. Entre trabalhos e frequências para o mestrado e o emprego em full time, pouco tempo me sobrou para comentar o que de mais importante se vai passando no país do Tio Sam, cuja agenda mediática continua marcada pelo inenarrável escândalo Weiner. Ainda assim, outros temas também merecem uma breve menção.
Em relação à luta pela nomeação presidencial republicana, as atenções estiveram focadas no colapso da campanha de Newt Gingrich, que viu a maioria do seu staff (alguns deles estavam já há vários anos ao lado do antigo speaker) demitir-se em bloco, devido, alegadamente, à excessiva influência da esposa de Gingrich na gestão da campanha e à decisão de Newt em passar as duas últimas semanas num cruzeiro, como havia prometido à sua mulher. Se as hipóteses de Newt Gingrich ser o nomeado pelo GOP eram já reduzidas, depois disto ficam praticamente reduzidas a zero, visto quer será muito difícil ao político do Estado da Georgia voltar a montar uma estrutura capaz de o ajudar a encetar uma miraculosa recuperação.
Entretanto, voltaram a circular novos rumores relativamente ao futuro de Hillary Clinton, que já revelou publicamente a sua vontade em não servir um eventual segundo mandato no Departamento de Estado. Desta vez, o cargo falado foi o de Presidente do Banco Mundial, facto prontamente desmentido por fontes próximas da Secretária de Estado. Seja como for, a verdade é que uma experiência deste género seria bastante aliciante tendo em conta uma possível candidatura de Hillary à presidência em 2016, proporcionando-lhe experiência na sempre fulcral área económica e financeira, depois de ter passado pela Casa Branca, pelo Senado e pelo Departamento de Estado. Seria, sem dúvida, um currículo impressionante e impossível de igualar por qualquer adversário.
Finalmente, e depois de muito tempo de espera, foram divulgados cerca de 24 mil emails de Sarah Palin enquanto Governadora do Alasca. Apesar da enorme ansiedade dos meios de comunicação social norte-americanos, sempre ávidos de assuntos relacionados com Palin, a montanha pariu um rato, já que entre os milhares de emails não surgiu nenhuma "bomba", escândalo, ou polémica. Pelo contrário, e segundo o que tenho lido, os correios electrónicos fazem transparecer uma imagem positiva da antiga Mayor de Wasilla, não obstante as suas múltiplas questiúnculas e conflitos com os media. Palin pode ver neste ciclo de notícias favorável (uma novidade) uma janela de oportunidade para ponderar seriamente uma candidatura presidencial. Contudo, quando se trata de Sarahcuda, é sempre difícil fazer previsões.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
Cartoon: Twittergate
Cartoon relativo ao mais recente escândalo político-sexual nos Estados Unidos, envolvendo Anthony Weiner, congressista democrata pelo Estado de Nova Iorque, que terá alegadamente enviado uma fotografia sua, via Twitter, tirada abaixo da cintura e vestindo apenas uns boxers, a uma jovem estudante do Estado de Washington. Apesar de, em primeira instância ter alegado que a sua conta havia "hackeada", Weiner já veio dizer que não pode afirmar que não seja mesmo ele na foto em causa. Este é mais um típico escândalo de Washington D.C., especialmente "sumarento" por aliar dois elementos que vendem muitos jornais: a política e o sexo.
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Obama elogia Souto Moura
Barack Obama discursou na cerimónia de entrega do prémio Pritzker, realizada ontem, em Washington, sendo apenas o segundo presidente americano a fazê-lo na história deste galardão que é conhecido como o "Nobel da Arquitectura". Na sua comunicação, o Presidente dos Estados Unidos não deixou de fazer rasgadas elogios ao vencedor, o arquitecto português, Eduardo Souto Moura, caracterizando-o como alguém que "nunca se satisfaz com soluções fáceis" e comparando-o mesmo ao histórico presidente americano, Thomas Jefferson. Souto Moura já era um dos mais conceituados arquitectos do mundo, mas, agora, depois deste discurso de elogio de Obama,a sua fama e cotação aumentarão exponencialmente. E isso é sempre um motivo de orgulho para o povo português.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
E depois de Obama?
Apesar de as próximas eleições presidenciais estarem marcadas para o próximo ano, podemos pensar um pouco mais adiantado e fazer um pouco de futurologia sobre o que irá acontecer em 2016, no caso de Barack Obama vencer em 2012. Ora, um eventual cenário desse género seria muito semelhante ao de 2008, quando não havia nenhum claro favorito à vitória, sem Presidente ou Vice-Presidente a concorrerem à Casa Branca, já que Obama não poderá tentar um terceiro mandato e não é provável que Joe Biden, que em 2016 completará 74 anos de idade, entre na corrida pela Presidência.
No início da corrente campanha eleitoral, tem sido muito discutido o facto de várias figuras de destaque do Partido Republicano estarem a rejeitar candidaturas presidenciais em 2012, com a justificação de que 2016 as possibilidades de vitória serão maiores. Nomes como Chris Christie, Bobby Jindal ou Jeb Bush optaram (até ao momento) por ficar de fora da corrida actual, mas é expectável que, daqui a cinco anos, estejam nos boletins de votos das primárias republicanas.
No lado democrata o cenário é naturalmente ainda menos claro. Com o VP fora da corrida e Hillary Clinton a declarar peremptoriamente de que não voltará a concorrer à Casa Branca, o campo fica totalmente em aberto. O Governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, e o antigo Governador da Virgínia Tim Kaine (que concorrerá ao Senado, em 2012) são nomes sonantes no seio do Partido Democrata e é possível que estejam em destaque quando for altura de substituir Obama.
Contudo, o favorite son do partido do burro para 2016 será, muito provavelmente, Rahm Emanuel, o actual Mayor de Chicago. "Rahmbo" tem um currículo mais que completo, pois possui experiência legislativa (proporcionada pelos seus anos na Câmara dos Representantes),experiência executiva (geriu a Casa Branca de Obama e, agora, a city hall da windy city) e experiência de campanhas eleitorais (esteve nas campanhas presidenciais de Clinton e Obama e à frente do comité democrata de campanhas ao Congresso). Até há pouco tempo atrás, Emanuel rejeitava qualquer pensamento de candidatura, mas, ontem, numa entrevista à ABC News, já não foi tão categórico quando George Stephanopoulos o questionou sobre o assunto. Assim, é bem possível que Rahm Emanuel ambicione tornar-se, dentro de mais de cinco anos, no primeiro Presidente judeu da história dos Estados Unidos.
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