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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Gobama ou Nobama

É bem possível que a eleição presidencial de 2012 se transforme num verdadeiro referendo ao primeiro mandato de Barack Obama na Casa Branca. Se isso acontecer, veremos, por um lado, os democratas a defenderem o historial de Obama durante os últimos quatro anos, com destaque para os feitos realizados pelo Presidente em temas de defesa e relações externas, afinal a principal responsabilidade do Chefe de Estado norte-americano. E, neste domínio, a eliminação de Bin Laden estará em primeiro plano, como prova do bom desempenho do Commander in Chief das forças armadas dos Estados Unidos. Assim sendo, anúncios como este, com Bill Clinton no papel principal, deverão ser aposta frequente da campanha de Obama.



Por outro lado, os republicanos quererão demonstrar que o primeiro mandato de Obama se revelou um verdadeiro fiasco, depois das altíssimas expectativas que se geraram em 2008. Nesse sentido, a caracterização de Obama como um político com boa imagem, mas pouca substância pode funcionar a seu favor e, por isso, o caminho já seguido por John McCain em 2008, de comparar Obama a uma incelebridade inócua pode ser repetido por Mitt Romney, em 2012, como este anúncio (da autoria da Crossroads de Karl Rove) antecipa.

domingo, 22 de abril de 2012

Obama relembra Rosa Parks

Numa visita ao Estado do Michigan, na passada Quarta-feira, Barack Obama aproveitou para passar pelo Museu Henry Ford, onde está actualmente exposto o famoso autocarro em que Rosa Parks, em 1955, se recusou a levantar para ceder o seu lugar a uma passageira branca, entrando para a história como uma das fundadoras do movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos. Obama sentou-se mesmo no lugar de onde, há mais de meio século, Rosa Parks não se quis levantar e ficou, durante alguns momentos, em reflexão, talvez recordando a luta daqueles que permitiram que, já em pleno século XXI, um afro-americano chegasse à Casa Branca. Se há imagens que valem por mil palavras, esta é, definitivamente, uma delas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Obama lidera no "Big Three"

Dado o sistema de colégio eleitoral que rege as eleições presidenciais norte-americanas, os candidatos à Casa Branca concentram os seus esforços em determinados locais, os ditos swing states, Estados que podem cair para os democratas como para os republicanos. Entre esses, os mais importantes, dado a sua dimensão populacional e, consequentemente, o número de votos eleitorais em jogo, são a Florida, o Ohio e a Pensilvânia, o chamado Big Three das eleições presidenciais dos Estados Unidos.Importa, por isso, fazer referência às sondagens nestes três Estados, relativas à eleição geral, que foram ontem divulgadas pela Quinnipiac:

Florida
Obama - 49%
Romney - 42%

Pensilvânia: 
Obama - 45%
Romney 42%

Ohio:
Obama - 47%
Romney - 41%

São números extremamente positivos para Barack Obama, que caso consiga mesmo fazer o pleno no big three, à imagem do que fez em 2008, terá, certamente, a reeleição assegurada. O resultado na Florida é especialmente relevante, ficando perto da marca dos 50%, num Estado onde se chegou a pensar que não estaria ao seu alcance neste ciclo eleitoral. Por outro lado, na Pensilvânia, a sua vantagem para Mitt Romney é mais curta do que podia ser de esperar, visto que este Estado é, dos três, tradicionalmente o mais favorável aos democratas. Contudo, Romney está neste momento a investir fortemente em anúncios na Pensilvânia, no âmbito das primárias republicanas, o que pode explicar, pelo menos em parte, que esteja mais perto de Obama do que nos outros dois Estados.

Visto isto, e sendo verdade que Obama surge, para já, em boa posição para assegurar a reeleição, é preciso, porém, relativizar estas sondagens, numa altura em que Romney ainda não selou a nomeação republicana e quando estamos a mais de sete meses da noite eleitoral. Ainda não sabemos, por exemplo, quem será o running mate do ex-Governador do Massachusetts, um dado que pode alterar substancialmente a dinâmica da corrida, em especial num destes Estados, caso o Veep escolhido por Romney seja oriundo de um deles (o Senador pela Florida, Marco Rubio, é o caso mais flagrante). Seja como for, dada a importância do Big Three, continuaremos a seguir com atenção o que de mais de importante se passar nesses decisivos Estados.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Melhores perspectivas para Obama

Enquanto decorre a disputa pela nomeação presidencial do GOP, as atenções estão viradas para o que acontece no lado republicano. Entretanto, porém, Barack Obama vai discretamente melhorando a sua posição à medida que se aproxima a eleição geral, que terá lugar a 6 de Novembro. Durante 2011, o Presidente foi relativamente impopular e parecia fragilizado, o que levou grande parte dos norte-americanos a pensarem que Obama seria um Presidente de um só mandato. Contudo, actualmente, a situação é outra, principalmente devido à ténue mas indesmentível melhoria económica, mas também graças à impopularidade dos seus opositores republicanos.
Na semana passada, foi anunciado que, durante o mês de Janeiro, a economia americana tinha criado 243 mil novos postos de trabalho, fazendo descer a taxa de desemprego para 8,3%. Se esta tendência de recuperação se mantiver, Obama poderá ter a reeleição facilitada, já que retira aos republicanos o seu principal argumento de campanha. Eles poderão ainda afirmar que a retoma económica da América sob o leme da administração Obama está a ser lenta demais, mas é duvidoso que essa mensagem seja eficiente.
Outra vantagem de Obama é o facto de a recuperação económica se fazer sentir de forma mais vincada no Midwest dos Estados Unidos, uma região tradicionalmente decisiva em eleições presidenciais. Não admira, por isso, que Obama esteja a subir nas sondagens dos Estados desta região, como o comprova um recente estudo no Ohio, que o coloca com uma considerável vantagem (49% - 42%) sobre Mitt Romney, o provável nomeado republicano. Ora, se Barack conseguir dominar no Midwest (mesmo que não vença no Indiana, onde ganhou em 2008) nem precisará de ir buscar votos eleitorais a Estados em outras regiões, como no Oeste ou no Sul, e derrotará, com maior ou menor dificuldade, o seu opositor republicano.
Além da retoma económica norte-americana, são também os próprios candidatos republicanos que favorecem as chances de Obama vencer em Novembro. Apesar de os números de aprovação do trabalho do Presidente não serem famosos e continuarem em terreno negativo, a verdade é que os índices dos concorrentes do GOP ainda são mais fracos. Mesmo Romney, que é o que consegue melhores resultados frente a Obama, tem, segundo a média do Pollster, um score altamente negativo de 33%-48% em taxa de favorabilidade. E estes valores têm tendência a piorar, à medida que prosseguem as primárias republicanas, marcada por uma campanha negativa que prejudica todos os candidatos, ao mesmo tempo que beneficia Barack Obama.
No entanto, faltam ainda nove longos meses até ao dia de todas as decisões. Até lá, muito pode suceder. Se a economia continuar a melhorar, ainda que lentamente, e se a campanha de Obama for eficaz ao "pintar" Romney negativamente, então é quase certo que o actual Presidente terá direito a cumprir um novo mandato. Mas se, por outro lado, a economia dos Estados Unidos estagnar e se Romney conseguir melhorar a sua imagem quando ultrapassar as primárias do seu partido, então será o republicano o favorito à vitória final. Seja como for, a verdade é que, neste início de 2012, as chances de Obama melhoraram consideravelmente.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

State of the Union 2012

Barack Obama realizou ontem aquele que poderá ter sido o seu último discurso do estado da nação perante o Congresso dos Estados Unidos. No ano em que disputará a sua reeleição, o State of the Union de ontem representou o pontapé de saída da sua campanha eleitoral. Não admira, por isso, que o conteúdo da sua comunicação tenha tido contornos marcadamente políticos, delineando aquela que será o tom da sua mensagem durante a corrida pela Casa Branca.
No início, Obama apresentou logo duas das suas maiores vitórias do seu mandato: a morte de Bin Laden e a retirada do Iraque, glorificando os militares dos Estados Unidos, o que lhe valeu, como não podia deixar de ser, largos aplausos de todos os presentes. Todavia, o consenso foi sol de pouca dura, já que os principais temas abordados, como a economia e a política energética, pelo Presidente norte-americano dividem totalmente os dois grandes partidos.
Deixando definitivamente de lado a tónica do bipartidarismo que foi uma das suas grandes bandeiras na campanha de 2008, Obama foi assertivo ao colocar-se como o defensor do povo americano, alegando que os milionários e bilionários têm de pagar mais impostos. Trata-se da conhecida táctica populista de defender os desprotegidos "99%" dos favorecidos "1%", mas, em ano de eleições, esta é uma estratégia que pode muito bem ser bem sucedida (veja-se, por exemplo, o exemplo de Newt Gingrich).
Este ataque é também dirigido a Mitt Romney, ele próprio um milionário, e que não tem sido capaz de afastar a imagem que lhe está associada: a de um fat cat que está desconectado das preocupações do cidadão comum. Desta forma, Barack Obama tenciona não só melhorar a sua imagem junto dos americanos, mas também contribuir ainda mais para os problemas de Romney e, assim, preparar o terreno para enfrentar o mais provável nomeado republicano.
Este foi, então, um State of the Union claramente dominado (e até assombrado) pelas eleições presidenciais de Novembro. Basta ver que até os cidadãos tradicionalmente convidados para se sentarem junto da Primeira Dama eram oriundos dos chamados swing states. Assim se percebe que tudo neste discurso foi pensado ao mais pequeno pormenor, de forma a aumentar as hipóteses de Obama não vir a ser um presidente de um só mandato.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A América e a Casa Branca criam emprego

As primárias presidenciais do Partido Republicano têm dominado as atenções nas últimas semanas. Contudo, nem só de eleições é feito o quotidiano político dos Estados Unidos da América. Até porque, dada a situação económica mundial, a economia é uma preocupação bem mais premente para os norte-americanos do que propriamente a discussão eleitoral em curso. 
Na semana passada, surgiram boas notícias relativamente à criação de emprego nos Estados Unidos, com a taxa de desemprego a baixar para 8.5%, o valor mais baixo desde 2009 e já distante dos 9,4% dos números de Janeiro de 2011. Estes dados parecem indicar que a economia norte-americana está a recuperar, ainda que lentamente, o que pode ser uma preciosa ajuda para a campanha de reeleição de Obama, em 2012. A taxa de desemprego está já perto da fasquia dos 8%, apontada por muitos analistas como valor máximo que o desemprego poderá atingir de forma a permitir a reeleição de um Presidente. Contudo, existem ainda mais 1,4 milhões de americanos sem emprego do que na tomada de posse de Obama, o que poderá assombrar a sua campanha eleitoral.
Mas se a administração Obama é acusada de não criar emprego em níveis suficientes, a verdade é que pelo menos num caso isso não corresponde à verdade. De facto, o cargo de chief of staff de Obama está novamente livre, depois de Bill Daley ter, na semana passada, apresentado a demissão ao Presidente norte-americano. A sua saída não é uma surpresa, já que apesar das expectativas criadas em torna da sua escolha, Daley pareceu não se ter conseguido adaptar ao cargo e, recentemente, viu o seu portfolio de tarefas e responsabilidades reduzido. Apesar de se tratar uma posição de desgaste rápido, não deixa de ser relevante que Obama vá já para o seu quarto chefe de gabinete (a tradução para português não transmite a verdadeira importância do cargo nos EUA), depois de Rahm Emanuel, Pete Rouse (ainda que de forma interina) e Daley. Será interessante descobrir quem Obama escolherá para liderar a sua Casa Branca durante 2012, com a certeza que o eleito terá responsabilidades acrescidas durante o presente ano, já que com Barack Obama em campanha eleitoral, o seu chief of staff tornar-se-á, em alguma medida, o Presidente interino dos Estados Unidos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Obama vs Romney

Com Mitt Romney cada vez mais perto de conseguir a nomeação presidencial republicana, começa a ser interessante ver os números das sondagens que vão surgindo e que dizem respeito a um eventual match up entre o antigo Governador do Massachusetts e o actual Presidente norte-americano. Como podemos ver através deste gráfico do Pollster, o equilíbrio é a nota dominante e tudo indica que a eleição geral será muito disputada e equilibrada. 
Todavia, é preciso ter em conta que a maioria das sondagens que dão a liderança a Romney são da responsabilidade da empresa Rasmussen Reports, que apresenta uma certa tendência pró-republicana nos seus números. Por outro lado, a maior parte dos estudos de opinião que mostram Obama na frente são feitas com amostragens de eleitores registados, ao contrário do que faz a Ramussen, que apenas entrevista eleitores que afirmar ir votar nas eleições. E isso faz uma diferença significativa, já que os eleitores das minorias e das camadas mais desfavorecidas, normalmente mais propícias a votarem no Partido Democrata, têm uma maior tendência para a abstenção.
Seja como for, a verdade é que estamos ainda muito longe da eleição geral e não sabemos se o que falta cumprir das primárias republicanas desgastarão a imagem de Romney, ou se o tornarão mais "presidencial" aos olhos dos norte-americanos. Ainda assim, gráficos como o de cima serão uma presença cada vez assíduas em artigos sobre as eleições presidenciais de 2012. Isto porque só uma grande surpresa impedirá que sejam Obama e Romney a disputar a Casa Branca, em Novembro.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal da família Obama


Como já começa a ser tradição do Máquina Política, aqui fica a mensagem de Natal da first family norte-americana.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cavaco nos EUA

O Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, chegou ontem aos Estados Unidos para uma visita com uma semana de duração. Os pontos altos da sua estadia em solo americano serão hoje. De manhã, Cavaco presidirá à sessão plenária do Conselho de Segurança da ONU, que, durante o mês de Novembro é presidido por Portugal. À tarde, o Chefe de Estado português será recebido na Casa Branca pelo seu homólogo norte-americano, Barack Obama.
Com esta prolongada visita aos Estados Unidos, Cavaco pretende sublinhar a importância da presença portuguesa no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde Portugal tem assento durante dois anos, corrigir a imagem menos positiva do país que tem circulado no exterior devido à crise da dívida soberana que assola Portugal, mas também fazer uma aproximação à comunidade portuguesa na Costa Oeste dos Estados Unidos, principalmente na Califórnia, onde um Chefe de Estado português não se desloca há 21 anos. É, por isso, uma agenda preenchida, a de Cavaco nos EUA.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Gaffe presidencial

Ontem, em Cannes, num encontro à margem da reunião do G20, Barack Obama e Nicolas Sarkozy foram intervenientes num embaraçoso incidente de open mic. Não se apercebendo que tinha o microfone ligado, o Presidente francês disse ao seu homólogo americano que não suportava o Primeiro Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelidando-o de mentiroso. Obama replicou, afirmando que Sarkozy estava farto de Bibi, mas que ele tinha de lidar com o israelita diariamente.
Estas gaffes, que acontecem com alguma frequência para infortúnio dos seus intervenientes, são a maior parte das vezes inofensivas. Todavia, este incidente não podia vir em pior altura para Obama, que tem tido frequentes problemas com a comunidade judia norte-americana, que o acusa de não ser tão favorável à sua causa como os seus antecessores na Casa Branca. Apercebendo-se desse problema, o Presidente dos Estados Unidos já reforçou o seu apoio a Israel, como se viu através da sua tomada de posição em relação à formação de um Estado Palestiniano. Mas, a um ano das eleições presidenciais, onde o eleitorado judeu pode desempenhar um importante papel, a gaffe de ontem não ajuda em nada as hipóteses de reeleição de Obama.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Obama recupera

Na semana passada, falei de uma reacção de Obama que visava recuperar a sua imagem junto dos norte-americanos e, consequentemente, melhorar os seus números nas sondagens. E, pelo que sugere uma sondagem da Quinnipiac, a sua estratégia parece estar mesmo a ser bem sucedida. Senão vejamos: de uma taxa de aprovação do trabalho do Presidente de 41-55% no anterior estudo do mesmo organismo, Obama passa agora para uns bem menos assustadores 47-49%. É certo que está ainda em terreno negativo, mas esta é já uma marca que lhe permite ser reeleito.
Obama também surge, na mesma sondagem, mais forte nos vários confrontos com os seus possíveis adversários republicanos, conforme comprovam os seguintes resultados:

Obama 47% - Romney 42%
Obama 52% - Perry 36%
Obama 50% - Cain 40%
Obama 52% - Gingrich 37%

Além de demonstrarem que as notícias da inevitabilidade da derrota do actual ocupante da Casa Branca são totalmente prematuras, estes números comprovam, uma vez mais, que Mitt Romney é, de muito longe, o adversário mais difícil para Obama. Ao olharem para estes números, os eleitores republicanos que ainda desconfiam de Romney terão de se interrogar sobre se preferem ser pragmáticos, votando no republicano com mais hipóteses contra Obama, ou se desejam ser idealistas, optando por outro qualquer candidato, mais fiel aos seus princípios e ideias, mas, ao mesmo tempo, entregando quase de mão beijada a reeleição ao actual Presidente. Com base na história e naquilo que é normalmente apanágio nas primárias republicanas, inclino-me mais para a primeira hipótese.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A reacção de Obama

Barack Obama tem vivido tempos difíceis, com a sua popularidade a atingir, muito recentemente, os seus níveis mais baixos de sempre. Todavia, o Presidente dos Estados Unidos parece estar a esboçar uma reacção a esse mau momento, montando uma nova investida de forma a reconquistar os eleitores, principalmente os independentes, que votaram em si em 2008, mas que agora estão descontentes com a forma como tem liderado a nação norte-americana.
Na Sexta-feira passada, Obama anunciou a retirada total dos militares americanos do Iraque, cumprindo um acordo que o seu antecessor havia formado com a liderança iraquiana e uma promessa sua que remontava à sua campanha eleitoral, quando prometeu transferir recursos do Iraque para a mais consensual guerra no Afeganistão. Com esta decisão, Barack Obama deverá retirar dividendos políticos, pois o conflito iniciado em 2003, através da operação Iraqui Freedom é já há muitos anos altamente impopular, tendo já ceifado milhares de vidas americanas e obrigado a enormes gastos monetários que contribuíram para o actual défice do Estado Federal. Assim, mesmo que após a saída das tropas norte-americanas do território iraquiano se verifique um aumento da violência no terreno, dificilmente Obama verá a opinião pública a recriminá-lo pela sua decisão de retirar daquele país do Médio Oriente. E, se juntarmos a retirada do Iraque às várias eliminações de inimigos dos Estados Unidos que decorreram durante a administração Obama (com Bin Laden à cabeça), chegamos à conclusão que o actual Presidente será praticamente imbatível em questões de política externa quando tiver que enfrentar o eventual nomeado republicano.
Contudo, as matérias de política externa são um caso completamente diferente e bastante mais decisivo, já que a economia será certamente o tópico que dominará a campanha eleitoral do próximo ano. Durante muito tempo, Barack Obama foi criticado por dar menos importância às questões da economia e do emprego do que seria desejável na actual conjuntura mundial. Mas, agora, o Chefe de Estado americano parece querer contrariar essas criticas. Os seus périplos por vários locais dos Estados Unidos mais afectados pela crise económica (mas também Estados ou distritos decisivos nas eleições presidenciais) provam a sua vontade em demonstrar que está empenhado na melhoria da situação económica do país. 
Nessas viagens, Obama promoveu o seu plano de combate ao desemprego. Plano esse que foi bloqueado no Senado, tendo todos os senadores republicanos votado contra (além de três fragilizados democratas). Esse era um desfecho previsível, mas ainda assim a Casa Branca não abdicou de forçar a sua votação no Congresso, sabendo que dessa forma teria mais possibilidades de caracterizar a oposição como uma força de bloqueio que impede qualquer iniciativa democrata unicamente por motivos políticos. Essa estratégia, principalmente numa altura em que a taxa de aprovação do Congresso anda pelas ruas da amargura, não chegando sequer aos single digits, é bem capaz de ser uma das mais acertadas e com mais possibilidade de êxito.
Finalmente, Obama utiliza o facto de os norte-americanos, apesar de não estarem satisfeitos com o seu trabalho, ainda gostarem de si pessoalmente para marcar pontos em situações onde se sente como peixe na água, como é bom exemplo a sua presença, ontem, no Tonight Show, de Jay Leno. Nesse registo, Obama consegue soltar-se e lembrar aos eleitores americanos as razões que os levaram a votar nele, em 2008. Contudo, a principal dúvida é se estes factores serão suficientes para os convencer a fazer o mesmo, mas em 2012.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"O regime de Khadafi chegou ao fim"

Foi assim que Barack Obama reagiu à morte de Muammar Khadafi, o ditador líbio que foi hoje morto pelas forças rebeldes que se insurgiram contra o seu regime que durava há mais de 40 anos.  O Governo dos Estados Unidos também canta vitória, pois a participação militar da NATO, iniciada sob liderança norte-americana, foi decisiva para a queda do regime líbio. 
Em menos de seis meses, os Estados Unidos viram desaparecer três grandes inimigos, depois das mortes de Bin Laden, al-Awlaky e, agora, Khadafi, o que comprova, uma vez mais, a senda de sucessos da actual administração no que diz respeito à política externa. Sobre isto, Andrew Sullivan diz que se Obama fosse republicano já teria lugar no Mount Rushmore. É um exagero, mas sem dúvida que na campanha presidencial que se avizinha, o candidato democrata não pode ser acusado de ser soft on terror. É que em questões de defesa e segurança Obama já provou, e de que forma, ser bastante tough.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Money, money, money!

Barack Obama continua a descer nas sondagens, o que indica que a sua reeleição não se afigura como uma tarefa nada fácil. Contudo, é ainda muito cedo para afirmar que Obama será um Presidente de um só mandato. Isto porque, além da vantagem óbvia a nível de estatuto (o selo presidencial é uma arma formidável), o antigo Senador do Illinois conta ainda com uma grande vantagem a nível financeiro relativamente aos seus adversários republicanos.
Se atentarmos aos números divulgados pela campanha sua campanha, vemos que a candidatura de Obama conseguiu amealhar, no terceiro trimestre de 2011, uns fantásticos 42 milhões de dólares. Mais: se somarmos a estes números os valores que o Democratic National Committe angariou no mesmo período chegamos ao estonteante resultado de 70 milhões de dólares que Obama poderá utilizar na sua campanha de reeleição. A discrepância entre a capacidade financeira do candidato democrata e dos seus oponentes fica totalmente clara quando se percebe que o dinheiro angariado pelo Presidente ultrapassa largamente as somas de todos os concorrentes republicanos em conjunto! Além disso, é preciso não esquecer que os republicanos que estão na corrida à Casa Branca têm de lutar em duas frentes, primárias e eleição geral, enquanto que Obama poderá concentrar os seus recursos na eleição geral.
Já em 2008 Barack Obama se mostrou um formidável angariador de fundos, o que o levou mesmo a abdicar das contribuições públicas para a campanha, optando pelo financiamento privado, indo contra uma sua promessa anterior. Na altura, Obama angariou cerca de 750 milhões de dólares, mas, agora, espera-se que consiga atingir os mil milhões, o que, numa altura de crise, seria algo de incrível (para não dizer obsceno). Historicamente, a angariação de fundos era tradicionalmente uma vantagem dos candidatos republicanos,  fruto da maior proximidade do GOP com o mundo empresarial. Contudo, desta vez, a vantagem está no lado democrata.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Reforma da Saúde no Supremo Tribunal

Como se previa há algum tempo, desde que vários Estados recorreram da sua constitucionalidade, a reforma da saúde, aprovada em 2010 pelos democratas, está agora nas mãos do Supremo Tribunal norte-americano, que deverá anunciar uma decisão algures durante o Verão de 2012, ou seja, em plena campanha presidencial. Assim, a maior vitória legislativa de Barack Obama, mas também o maior ponto de discórdia em relação à sua presidência, promete ser um dos principais destaques da corrida pela Casa Branca.
É difícil antever a decisão do mais importante órgão judicial dos Estados Unidos, mas é praticamente certo que deverá caber ao habitual fiel da balança do Supremo Tribunal, o juiz Anthony Kennedy, o voto decisivo, já que, devido à divisão ideológica deste tribunal (e sobre isso já falei aqui), é de prever que os quatro juízes conservadores votem pela inconstitucionalidade da reforma também conhecida como Obamacare, enquanto os quatro juízes liberais defendam a sua legalidade.
Seja como for, é um dado adquirido que esta disputa nos tribunais irá marcar de forma vincada a campanha eleitoral do próximo ano. Se o Supreme Court se decidir pela constitucionalidade da reforma da saúde, então Barack Obama poderá conseguir um poderoso argumento para dar a volta à relativa impopularidade do Patient Protection and Affordable Care Act, o nome oficial da reforma. Caso contrário, serão os republicanos os beneficiados, já que terá o peso da decisão do Supremo Tribunal a dar razão às suas posições sobre o overreach do braço do Estado Federal sobre a vida do cidadão comum. Porém, nesse cenário, Obama não fica totalmente sem opções, já que pode optar por atacar a excessiva influência de um Supremo dominado por uma maioria de conservadores, táctica já utilizada por Franklin Roosevelt e mesmo por Obama, quando criticou a posição da mais alta instância judicial relativamente às contribuições financeiras para as campanhas políticas.
Está então nas mãos do Supremo Tribunal aquele que será, muito provavelmente, o destino da mais importante peça legislativa das últimas décadas nos Estados Unidos. Se for considerada inconstitucional, Obama perde a principal bandeira do seu primeiro mandato e sofre um enorme rombo no seu legado como Presidente. Por outro lado, a ser validada pelo Supremo, a reforma da saúde torna-se praticamente impossível de reverter no futuro.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Obama 2012: thank God for the republican candidates

Nos últimos tempos, os índices de aprovação do trabalho do Presidente não têm parado de descer, o que não podem ser boas notícias para o actual ocupante da Sala Oval. Como se vê no gráfico de cima, a média do Real Clear Politics (RCP) coloca já a taxa de eleitores que estão descontentes com o trabalho do Presidente acima da fasquia dos 50%, número que, a manterem-se, podem significar que será um republicano a ocupar a Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2013.
Quando vemos as sondagens que colocam Obama frente a um opositor republicano genérico, sem ser nomeado qualquer candidato específico, as notícias continua a ser negativas para o Presidente, já que, segundo a média do RCP, mais norte-americanos escolheriam votar no candidato republicano do que em Obama - ainda que a diferença seja apenas de meio ponto percentual (44% contra 43,5%). 
Todavia, quando é dado um nome e uma cara ao adversário de Obama nas eleições do próximo ano, as coisas mudam de figura e todos os candidatos republicanos ficam atrás atrás do actual Presidente. Mitt Romney é quem consegue os melhores resultados, surgindo (sempre de acordo com as médias do RCP) a apenas 1.9% de Barack Obama. Ron Paul é, depois de antigo Governador do Massachusetts quem mais perto fica de Obama, a apenas 3.3 pontos percentuais. Por sua vez, Rick Perry, fica a uns algo distantes 6.7%, o que talvez signifique que poderá não ser o candidato republicano mais elegível num possível confronto com Obama na eleição geral. Todos os outros concorrentes do GOP ficam muito distantes de Barack Obama, a mais de 10 pontos.
Assim, e apesar de haver quem diga que o antigo Senador do Illinois é já o underdog da corrida (por exemplo, a Intrade já coloca as suas hipóteses de reeleição abaixo dos 50%), Barack Obama ainda é um forte candidato à reeleição. Contudo, isso deve-se, em grande medida, ao facto de os norte-americanos, que estão cada vez menos satisfeitos com o seu Presidente, também não morrerem de amores pelos candidatos republicanos. Assim, e por irónico que pareça, Barack Obama tem muito que agradecer aos seus adversários, pois podem ser eles (e as suas fragilidades) a garantirem-lhe um segundo mandato na Casa Branca.

domingo, 11 de setembro de 2011

Obama no Ground Zero

Barack Obama, que nas anteriores comemorações do 11 de Setembro durante o seu mandato nunca se tinha deslocado ao Ground Zero, em Nova Iorque, participou nas comemorações dos ataques ao World Trade Center, há dez anos atrás. Não sendo uma ocasião política, Obama absteve-se de discursar, mas leu uma passagem de um salmo em honra das vítimas dos maiores atentados terroristas da história.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Regresso agitado

Depois do período de férias do Congresso norte-americano, durante o qual o destaque noticioso foi quase exclusivamente dedicado à campanha pela nomeação republicana e pelo furacão Irene, antecipa-se, agora, o regresso à "batalha" política em Washington D.C., entre democratas e republicanos, não esquecendo, claro está, o Presidente.
Para assinalar a reentré política, Barack Obama optou por agendar um discurso no Capitólio, perante as duas câmaras do Congresso, onde apresentará o seu novo plano para combater o desemprego e reduzir o défice. Mas a própria marcação da data desse discurso já gerou polémica, devido ao facto de a  Casa Branca ter marcado, inicialmente, a comunicação do Presidente para a mesma hora em que os candidatos presidenciais republicanos estariam a participar num debate televisivo. Provavelmente, a estratégia de Obama seria ofuscar os seus opositores, salientando as diferenças entre si e meros candidatos ao seu lugar. Contudo, depois da forte oposição do GOP, com o speaker John Boehner em destaque, e porventura temendo que a politics ofuscasse a policy (à falta de uma tradução competente em português), Obama desistiu dessa ideia e agendou o seu discurso para o dia seguinte, dia 8 de Setembro. Assim sendo, não se percebe a estratégia da Casa Branca, que rapidamente desistiu do seu intento inicial, e que apenas lhe valeu publicidade negativa.
Erros tácticos como este em nada ajudam Obama, que, depois de um Verão em que viu os seus números nas sondagens descerem a pique, atingindo os valores mais baixos desde que está na Casa Branca, necessita urgentemente de voltar a dominar a narrativa política e de evitar discussões fúteis que o distraiam das temáticas mais importantes da governação. Para o fazer, é fulcral transmitir a ideia de que a recuperação económica dos Estados Unidos é a sua principal prioridade e, depois, esperar que as suas políticas tenham resultados práticos. Até porque o que ainda o tem aguentado nos estudos de opinião é a noção de que não é o principal  culpado pela grave situação da economia norte-americana, mas sim o seu antecessor, George W. Bush. Se essa percepção mudar, então Obama estará mesmo em péssimos lençóis.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Commander-in-Chief

Durante a histórica campanha presidencial de 2008, um dos principais talking points de Hillary Clinton, durante as primárias democratas, e de John McCain, antes da eleição geral, foi acusar Barack Obama de ser inexperiente e até ingénuo nas questões de segurança nacional e relações externas. O anúncio red phone de Hillary marcou a campanha democrata e até Joe Biden, na altura já candidato vice-presidencial, assumiu que o mundo testaria Obama durante os primeiros seis meses da sua presidência. Assim, estas matérias eram consideradas uma liability para a campanha de barack Obama.
Contudo, actualmente, tudo mudou. Depois do modo como Obama actuou relativamente à presença norte-americana no Iraque e no Afeganistão, retirando do primeiro país para reforçar o investimento no segundo, depois de ter eliminado Osama Bin Laden e de, agora, ter participado no esforço da NATO que, com sucesso, conseguiu derrubar o ditador líbio Muammar al-Kadaffi, o Presidente dos Estados Unidos tem já um importante currículo em matérias de defesa e relações externas e dificilmente poderá por aí ser criticado pelos seus opositores republicanos na campanha para as eleições presidenciais de 2012. Alías, isso ficou bem evidente nas tímidas e defensivas reacções dos candidatos presidenciais republicanos após a queda de Kadaffi, cientes de que neste ciclo eleitoral não poderão utilizar a política externa como arma de arremesso ao candidato democrata.
Ainda assim, e para infortúnio de Barack Obama, não deverão ser estas questões a decidir o desfecho da eleição de 2012. As vitórias militares e de política externa, apesar de importantes, serão rapidamente esquecidas pelos norte-americanos enquanto a economia do país não sair da estagnação e o desemprego se mantiver em níveis tão elevados. As eleições de 1992 foram um exemplo disso mesmo, quando George Bush, saído de uma vitória retumbante sobre Saddam Hussein na primeira Guerra do Golfo, foi derrotado por um pouco conhecido Bill Clinton que tinha como lema de campanha o lendário It's the economy, stupid! Mas também durante a presidência de Obama ficou já demonstrada a volatilidade das vitórias externas, visto que a subida do Presidente nas sondagens, após a morte de Bin Laden, foi de curta duração.
Seja como for, não se pode desprezar o comportamento de Barack Obama enquanto líder das forças armadas norte-americanas e apesar de esses triunfos não lhe valerem de muito quando for altura de lutar pela sua reeleição, o 44º Presidente dos EUA provou, pelo menos, que um civil sem experiência militar é perfeitamente capaz de cumprir o papel de Commander in Chief.