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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tiro no porta-aviões

A base das Lajes, também conhecida como o porta-aviões do Atlântico, cedida por Portugal aos norte-americanos no âmbito do Acordo de Cooperação e Defesa celebrado pelos dois países tem estado, nos últimos dias, no centro do debate político no nosso país. Isto porque a decisão dos Estados Unidos, há muito anunciada, de reduzir drasticamente a presença na ilha Terceira foi agora confirmada pelo Pentágono.
Com os norte-americanos presentes na ilha desde a década de 40 do século passado, a enorme redução do efectivo militar dos Estados Unidos na Base das Lajes terá vastas repercussões na realidade sócio-económica da ilha, que depende, em grande parte, da actividade da base aérea. Por isso, a reacção por parte das autoridades locais e regionais não se fez esperar e o Presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, classificou a decisão norte-americana como "hostil" e deslocou-se ao continente para apelar ao Governo e ao Presidente da República que encetem todos os esforços para reverter a posicão de Washington. 
É compreensível que Vasco Cordeiro, como líder da Região Autónoma dos Açores, faça tudo o que estiver ao seu alcance para reverter ou minimizar o downscale norte-americano nas Lajes, dadas as consequências negativas que se prevêem para a Terceira. Contudo, também é verdade que Vasco Cordeiro tem exagerado na retórica e nos argumentos utilizados para fazer valer o seu ponto de vista, especialmente quanto sugeriu, de forma algo atabalhoada, que Portugal poderia ceder a base das Lajes aos chineses.
Portugal pode e deve defender os seus interesses junto das autoridades norte-americanas. Contudo, roça o ridículo estarmos a ameaçar ou a fazer chantagem junto da maior potência económica e mundial do planeta. Terão de ser a diplomacia e o soft power nacionais a funcionar para que a posição norte-americana seja, pelo menos, suavizada. Mas não ajuda que o actual líder diplomático português seja Rui Machete, alguém de quem os norte-americanos não têm propriamente a melhor imagem, depois do seu mandato à frente da Fundação Luso-Americana, que desagradou, de sobremaneira, aos Estados Unidos.
Além disso, se o Presidente do Governo Regional dos Açores está a defender os interesses dos açorianos, também o governo norte-americano está, com a decisão de reduzir a presença nas Lajes, a procurar zelar pelos interesses do seu país e dos seus cidadãos. Há já alguns anos que o governo dos Estados Unidos e o Pentágono têm vindo a apostar no fecho de várias bases militares, nacionais e internacionais, como forma de reduzir os custos operacionais das forças armadas norte-americanas e de responder às mudanças da realidade geoestratégica mundial.
O encerramento de várias bases militares nos Estados Unidos tem resultado numa repetição, em vários locais, daquilo que se passa actualmente na Terceira: contestação, consequências na economia local e estadual e um forte lobby contra essas medidas. Por isso, se o governo norte-americano tem prosseguido nesse caminho, apesar dos fortes protestos de eleitores e políticos do seu país, será que o protesto de eleitores e políticos portugueses o farão mudar de ideias?

terça-feira, 5 de março de 2013

Um luso-descendente no Cabinet de Obama

Barack Obama anunciou ontem que Ernest Moniz é a sua escolha para substituir Steven Chu na liderança do Departamento de Energia da sua administração. Moniz, filho de pais açorianos que emigraram para o Massachusetts, será, caso seja confirmado pelo Senado, o próximo Secretário da Energia dos Estados Unidos. Especialista em energia nuclear, o luso-descendente é físico no conceituado MIT, tendo já servido como Subsecretário da Energia na Administração Clinton. Como o seu antecessor, Moniz tem grandes preocupações sobre a questão das alterações climáticas e é um defensor da energia nuclear. 
As políticas energéticas estão, actualmente, no centro da discussão política, pelo que se espera que a confirmação de Ernest Moniz (assim como a da nova directora da Agência de Protecção Ambiental, também nomeada ontem) possa provocar alguma discussão no Senado. Contudo, com Obama a solicitar uma rápida confirmação por parte da câmara alta do Congresso, é expectável que Moniz não tenha de esperar muito tempo para se tornar oficialmente no único luso-descendente no Cabinet de Barack Obama.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cavaco nos EUA

O Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, chegou ontem aos Estados Unidos para uma visita com uma semana de duração. Os pontos altos da sua estadia em solo americano serão hoje. De manhã, Cavaco presidirá à sessão plenária do Conselho de Segurança da ONU, que, durante o mês de Novembro é presidido por Portugal. À tarde, o Chefe de Estado português será recebido na Casa Branca pelo seu homólogo norte-americano, Barack Obama.
Com esta prolongada visita aos Estados Unidos, Cavaco pretende sublinhar a importância da presença portuguesa no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde Portugal tem assento durante dois anos, corrigir a imagem menos positiva do país que tem circulado no exterior devido à crise da dívida soberana que assola Portugal, mas também fazer uma aproximação à comunidade portuguesa na Costa Oeste dos Estados Unidos, principalmente na Califórnia, onde um Chefe de Estado português não se desloca há 21 anos. É, por isso, uma agenda preenchida, a de Cavaco nos EUA.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Obama elogia Souto Moura

Barack Obama discursou na cerimónia de entrega do prémio Pritzker, realizada ontem, em Washington, sendo apenas o segundo presidente americano a fazê-lo na história deste galardão que é conhecido como o "Nobel da Arquitectura". Na sua comunicação, o Presidente dos Estados Unidos não deixou de fazer rasgadas elogios ao vencedor, o arquitecto português, Eduardo Souto Moura, caracterizando-o como alguém que "nunca se satisfaz com soluções fáceis" e comparando-o mesmo ao histórico presidente americano, Thomas Jefferson. Souto Moura já era um dos mais conceituados arquitectos do mundo, mas, agora, depois deste discurso de elogio de Obama,a sua fama e cotação aumentarão exponencialmente. E isso é sempre um motivo de orgulho para o povo português.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O caso "General Armstrong"

Com este texto inauguro uma nova secção deste blogue, onde pretendo relatar alguns acontecimentos de maior relevância para a história dos Estados Unidos da América. E achei apropriado que o primeiro tema tratado fosse um que dissesse respeito às relações entre Portugal e os EUA - o caso "General Armstrong".
Esta história remonta a 1814, em plena guerra anglo-americana, quando um corsário americano, baptizado General Armstrong, que se encontrava ancorado no porto da Horta, na ilha do Faial, foi atacado e afundado por navios da marinha britânica. Este ataque britânico foi conduzido em território neutral português, ignorando os protestos veementes do governador local, Elias Ribeiro, que não tinha meios para impedir a acção das forças navais do Reino Unido. Na altura, o capitão do corsário americano, Samuel Reid, apresentou um protesto contra o governo português por este não ter sido capaz de defender a neutralidade do seu porto, mas o assunto não teve grande seguimento.
Porém, em 1849, 35 anos depois do ataque ao General Armstrong, o tema voltou a assumir preponderância nas relações dos dois países. Isto porque tinha chegado à Casa Branca um novo Presidente americano, Zachary Taylor, que deu instruções para que fosse exercida uma forte pressão sobre o governo português acerca deste caso, ameaçando mesmo com a suspensão das relações diplomáticas e outras represálias.
Mas qual era, afinal, a razão de tão grande interesse de Taylor nesta questão que parecia já esquecida? A resposta parece residir numa promessa pessoal feita pelo próprio Zachary Taylor, aquando da campanha militar no México que o elevou à condição de herói popular nos Estados Unidos. Antes da batalha de Monterrey, o filho do capitão Reid disse a Taylor que se vencesse a batalha seria o próximo presidente americano, ao que este respondeu que, se assim fosse, o capitão Reid venceria a sua reclamação contra Portugal.
Contudo, para sorte portuguesa, o Presidente Taylor faleceu subitamente, em 1850, depois de se ter sentido mal quando assistia às comemorações do 4 de Julho. Sucedeu-lhe o seu vice-presidente, Millard Fillmore, que assumiu uma postura mais moderada que permitiu chegar a um entendimento com o governo português. E assim terminou um incidente diplomático, baseado numa promessa feita por um presidente antes de assumir funções, que podia ter trazido graves consequências para as relações luso-americanas.