segunda-feira, 15 de março de 2010

O caso "General Armstrong"

Com este texto inauguro uma nova secção deste blogue, onde pretendo relatar alguns acontecimentos de maior relevância para a história dos Estados Unidos da América. E achei apropriado que o primeiro tema tratado fosse um que dissesse respeito às relações entre Portugal e os EUA - o caso "General Armstrong".
Esta história remonta a 1814, em plena guerra anglo-americana, quando um corsário americano, baptizado General Armstrong, que se encontrava ancorado no porto da Horta, na ilha do Faial, foi atacado e afundado por navios da marinha britânica. Este ataque britânico foi conduzido em território neutral português, ignorando os protestos veementes do governador local, Elias Ribeiro, que não tinha meios para impedir a acção das forças navais do Reino Unido. Na altura, o capitão do corsário americano, Samuel Reid, apresentou um protesto contra o governo português por este não ter sido capaz de defender a neutralidade do seu porto, mas o assunto não teve grande seguimento.
Porém, em 1849, 35 anos depois do ataque ao General Armstrong, o tema voltou a assumir preponderância nas relações dos dois países. Isto porque tinha chegado à Casa Branca um novo Presidente americano, Zachary Taylor, que deu instruções para que fosse exercida uma forte pressão sobre o governo português acerca deste caso, ameaçando mesmo com a suspensão das relações diplomáticas e outras represálias.
Mas qual era, afinal, a razão de tão grande interesse de Taylor nesta questão que parecia já esquecida? A resposta parece residir numa promessa pessoal feita pelo próprio Zachary Taylor, aquando da campanha militar no México que o elevou à condição de herói popular nos Estados Unidos. Antes da batalha de Monterrey, o filho do capitão Reid disse a Taylor que se vencesse a batalha seria o próximo presidente americano, ao que este respondeu que, se assim fosse, o capitão Reid venceria a sua reclamação contra Portugal.
Contudo, para sorte portuguesa, o Presidente Taylor faleceu subitamente, em 1850, depois de se ter sentido mal quando assistia às comemorações do 4 de Julho. Sucedeu-lhe o seu vice-presidente, Millard Fillmore, que assumiu uma postura mais moderada que permitiu chegar a um entendimento com o governo português. E assim terminou um incidente diplomático, baseado numa promessa feita por um presidente antes de assumir funções, que podia ter trazido graves consequências para as relações luso-americanas.

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