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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cavaco nos EUA

O Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, chegou ontem aos Estados Unidos para uma visita com uma semana de duração. Os pontos altos da sua estadia em solo americano serão hoje. De manhã, Cavaco presidirá à sessão plenária do Conselho de Segurança da ONU, que, durante o mês de Novembro é presidido por Portugal. À tarde, o Chefe de Estado português será recebido na Casa Branca pelo seu homólogo norte-americano, Barack Obama.
Com esta prolongada visita aos Estados Unidos, Cavaco pretende sublinhar a importância da presença portuguesa no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde Portugal tem assento durante dois anos, corrigir a imagem menos positiva do país que tem circulado no exterior devido à crise da dívida soberana que assola Portugal, mas também fazer uma aproximação à comunidade portuguesa na Costa Oeste dos Estados Unidos, principalmente na Califórnia, onde um Chefe de Estado português não se desloca há 21 anos. É, por isso, uma agenda preenchida, a de Cavaco nos EUA.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O primeiro discurso de Obama em Portugal

No Palácio de Belém, onde se encontrou com o Chefe de Estado português, Cavaco Silva, Barack Obama proferiu o seu primeiro discurso em solo nacional, onde reafirmou a forte parceria entre os dois países e agradeceu o esforço das forças armadas portuguesas no Afeganistão. Além do vídeo com os highlights, aqui fica a transcrição, íntegra, do discurso do Presidente dos Estados Unidos.

Thank you for your warm welcome. Thank you to the people of Lisbon and Portugal for welcoming us to this beautiful, ancient city.

It is very fitting that we are gathering here in Lisbon. It was from here that the great explorers set out to discover new worlds. It was here, a gateway of Europe, through which generations of immigrants and travelers have passed and bound our countries together. It was here that Europeans came together to sign the landmark treaty that strengthened their union.
Now we’ve come to Lisbon again to revitalize the NATO alliance for the 21st century and to strengthen the partnership between the United States and the European Union.

Mr. President, I thank you and all the people of Portugal for everything you’ve done to make these summits a success.
Our meeting was also an opportunity to reaffirm the strong partnership between the United States and Portugal. President Cavaco Silva is commander of Portugal’s armed forces, and will be representing Portugal at the NATO Summit.

We pledged to continue the excellent cooperation between our militaries, especially Lajes Field in the Azores, which provides critical support to American and NATO forces in Iraq and Afghanistan.

I expressed my gratitude to the Portuguese armed forces who are serving alongside us in Afghanistan. And here in Lisbon, I look forward to working with our NATO and our ISAF partners as we move towards a new phase, a transition to Afghan responsibility that begins in 2011, with Afghan forces taking the lead for security across Afghanistan by 2014.

So this summit is an important opportunity for us to align an approach to transition in Afghanistan.

Finally, we discussed ways to expand our bilateral cooperation. On the economic front, we’re looking to deepen our partnership in trade and investment, in science and technology. I am very impressed with the outstanding work that Portugal has done in areas like clean energy, and we think that we can collaborate more.
On the security front, Portugal’s upcoming seat at the U.N. Security Council will be an opportunity to advance peace and security that both our nations seek around the world.

So, Mr. President, I want to thank you and the Portuguese people for your hospitality. I’m confident that we’re going to have two successful summits and that we will continue to deepen an extraordinarily strong partnership between the United States and Portugal -- one that’s based not just on relations between heads of state, not just on the basis of treaties, but based on an enormous warmth between our two peoples; one that in part is forged by the wonderful contributions that are made by Portuguese Americans each and every day.

So thank you so much, Mr. President.

Obama chega hoje

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chega a hoje a Portugal para participar na cimeira da NATO, que se realiza até ao dia de amanhã, em Lisboa. Na sua primeira visita ao nosso país, Obama terá a sua agenda muito preenchida. Isto porque, além do programa da cimeira da Aliança Atlântica, o presidente norte-americano terá várias reuniões bilaterais, incluindo um almoço com o seu homólogo português, Cavaco Silva, e um encontro com o primeiro-ministro José Sócrates, onde um dos temas abordados será, seguramente, a crise financeira que assola Portugal.
A cimeira da NATO de Lisboa, afinal o motivo da presença de Obama no nosso país, tem, também, um programa extenso e ambicioso. Os aliados esperam aprovar o novo conceito estratégico da organização, continuar a sua política de aproximação à Rússia (durante décadas, o grande inimigo e a razão de existir da NATO) e avançar no projecto do escudo anti-míssil europeu. Contudo, em cima da mesa estará também a questão do Afeganistão, aquela que é já apelidada de "a guerra de Obama". Nesta cimeira, o presidente americano não deixará de apelar ao empenho dos europeus nesta teatro de guerra, pedindo-lhes um último esforço num conflito que se arrasta há já nove anos.
Apesar de não se saber o que resultará das reuniões de Lisboa, é já certo que esta será uma cimeira histórica, até porque ultrapassa o âmbito da NATO, com a presença, principalmente, do presidente russo, Dmitri Medvedev, mas também do presidente afegão, Hamid Karzai. Contudo, a verdadeira estrela da cimeira e o principal alvo das atenções será sempre, no fim de contas, Barack Obama.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

America votes

Os eleitores americanos vão hoje às urnas para tomarem várias e importantes decisões. Nas eleições de hoje estão em jogo todos os 435 lugares na Câmara dos Representantes, 37 assentos no Senado e 37 cargos de Governador, além de um grande número de outras eleições a nível estadual. Apesar das eleições intercalares não terem o destaque de que gozam as presidenciais, a verdade é que  as midterms são também fundamentais. Aliás, é provável que, este ano, se batam todos os recordes de afluência às urnas em eleições intercalares, esperando-se que cerca de 90 milhões de americanos cumpram o seu direito de voto.
Para nós, portugueses que acompanham estas andanças, a primeira boa notícia é que a hora ainda não mudou nos Estados Unidos, o que faz com que a diferença horária seja de "apenas" quatro horas para a costa Leste e sete para a costa Oeste. Assim, as primeiras urnas fecharão quando forem 22 horas em Portugal Continental, mas, nos estados mais distantes - Alasca e Hawaii - isso acontecerá apenas quando já forem cinco da manhã no nosso país. A noite promete, então, ser muito interessante, mas também longa e cansativa para quem, por cá, pretende acompanhar todos os desenvolvimentos eleitorais que terão lugar do outro lado do Atlântico. Mas, no fim de contas, o esforço valerá sempre a pena, ou não fosse a política norte-americana o maior espectáculo do mundo!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Entrevista ao Histórias da Casa Branca

No âmbito da rubrica "Histórias da Casa Branca", incluída na secção "Outros Mundos" do site do jornal "A Bola", o jornalista e colega blogger Germano Almeida entendeu por bem entrevistar-me, em jeito de balanço dos primeiros 18 meses de Barack Obama na Casa Branca.
Ao longo da entrevista, dou a minha opinião sobre as vitórias e derrotas da administração Obama, as suas hipóteses de reeleição para 2012, os seus principais oponentes nas próximas eleições, entre outros. Mas o melhor é mesmo lerem o conteúdo na integra e, por isso, aqui ficam os links:
Por fim, não posso deixar de agradecer ao Germano Almeida o interesse que demonstrou em ouvir-me e a oportunidade que me proporcionou.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mensagem de Hillary Clinton para Portugal

Ontem, 10 de Junho, foi Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e o Departamento de Estado americano, pela pessoa da Secretária de Estado Hillary Clinton, enviou uma mensagem ao povo português. Aqui fica:
On behalf of President Obama and the people of the United States, I congratulate the people of Portugal as you celebrate your National Day on June 10. The United States and Portugal have long enjoyed a vibrant partnership rooted in shared values, mutual interests, and common history. On this occasion, we celebrate the enduring friendship between our two countries.

From the age of exploration and discovery, to Portugal’s early recognition of a young United States, to the continued cultural contributions of Americans of Portuguese ancestry, Portugal has helped shaped the United States. Today, our nations continue to bridge the Atlantic as partners and allies. As a valued member of NATO and the Community of Democracies, Portugal provides leadership on a range of vital global challenges and common concerns. The United States appreciates Portugal’s support of the ISAF mission in Afghanistan, assistance in the resettlement of Guantanamo detainees, and efforts to combat climate change, among its many other contributions.

On this Portugal Day, I wish Portuguese people everywhere the very best, and look forward to our continued collaboration to advance the cause of peace, security, and prosperity in the 21st century.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sugestão: América em 30 segundos

A blogosfera portuguesa tem mais um espaço dedicado, em exclusivo, à política norte-americana. Trata-se do blogue América em 30 segundos, da autoria de Vega9000. O sítio tem a particularidade de abordar um dos temas mais interessantes e singulares da política que se faz nos Estados Unidos: os anúncios televisivos.

Ao contrário do que acontece por cá, onde os tempos de antenas destinados a anúncios e propaganda política são enfadonhos, cinzentos e praticamente irrelevantes para as decisões eleitorais, no gigante do lado de lá do Atlântico os anúncios televisivos são uma das armas políticas mais letais e decisivas e, dessa forma, a sua concepção e utilização são pensadas ao pormenor pelas campanhas. Actualmente, com a expansão da Internet e de fenómenos como o Youtube ou o Facebook, a propagação destes vídeos é ainda maior, o que faz com que tenham ainda mais impacto. Assim, um anúncio original, com uma ideia central bem definida e que seja bem explanada no curto tempo de duração do vídeo, pode tornar-se um êxito instântaneo e ajudar à eleição do político em causa.

Veja-se, por exemplo, o anúncio da campanha de Hillary Clinton, em 2008, que pretendia salientar a experiência da antiga Primeira-dama, face à juventude e pouca preparação de Obama. O vídeo, apesar de não ter alterado o vencedor da corrida, teve um grande sucesso e deu um novo alento à candidatura de Hillary.

Aconselho, por isso, a visita atenta a este novo espaço, onde os vídeos são bem escolhidos, alternando entre uns com grande impacto político e outros que, pelo seu conteúdo, se tornam uma sátira à própria sociedade americana. Bons cliques!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Os americanos em Portugal

Há uma semana atrás, referi-me à comunidade de emigrantes portugueses nos Estados Unidos. Da mesma forma, será justo e pertinente fazer o mesmo em relação à presença de norte-americanos no nosso país.
Ao contrário do que acontece com a comunidade portuguesa no gigante do outro lado do Atlântico, os números de americanos em Portugal são diminutos. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, existiam, em 2008, 2228 americanos com estatuto legal de residência em solo nacional português. Estes dividem-se entre o continente (1864 americanos), os Açores (313) e a Madeira (51).

Mas se a comunidade americana em Portugal é residual, o mesmo já não acontece em relação à visita ao nosso país de cidadãos americanos em viagens de turismo, visto que os EUA são o oitavo maior país emissor de turistas para Portugal. Este facto é natural, ou não fossem os Estados Unidos o segundo país do mundo que mais gasta em turismo (e aquele que mais dinheiro recebe com esta actividade).

Nos últimos anos, o número de turistas americanos no nosso país vinha aumentando consistentemente, mas, em 2008, porventura fruto da crise económica mundial, verificou-se uma acentuada quebra neste fluxo e nas receitas arrecadadas com o turistas "yankees". Actualmente, o cenário é de recuperação e, no ano passado, cerca de 250 mil americanos visitaram Portugal.

Portugal tem nos Estados Unidos um mercado que ainda pode ser muito mais e melhor explorado. Para isso, muito pode contribuir a presença, no nosso país, do americano mais famoso do mundo, quando Barack Obama visitar Portugal para participar na cimeira da Nato, já em Novembro próximo.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Lançamento do "Histórias da Casa Branca"

Foi hoje a apresentação nortenha do livro de Germano Almeida, "Histórias da Casa Branca", na Fnac do MarShopping, em Matosinhos, à qual tive o prazer de assistir. A apresentação esteve a cargo do jornalista Carlos Daniel, que salientou a importância da política norte-americana para todos nós e que discorreu sobre o autor e sobre o significado singular da eleição e da presidência de Barack Obama. Germano Almeida, por sua vez, apresentou a sua visão sobre o actual presidente norte-americano, que é, afinal, o principal objecto desta obra. De uma forma informada e bem fundamentada, mas, ao mesmo tempo, breve e clara, referiu-se ao fenómeno Obama, repleto de dicotomias, entre o sonho e a realidade, a esperança e o pragmatismo.
Depois do lançamento de hoje, o livro será ainda apresentado em Lisboa, no dia 10 de Maio, pelas 18 horas, na Bertrand do Picoas Plaza e contará com a participação do General Loureiro dos Santos e do director do jornal "A Bola", Vítor Serpa.

Por fim, resta-me dar, mais uma vez, os parabéns ao Germano Almeida e agradecer-lhe a simpática referência a este blogue que colocou nos agradecimentos deste "Histórias da Casa Branca".

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Os portugueses nos EUA

Como se sabe, Portugal é, historicamente, um país de emigração. E, como é natural, os Estados Unidos sempre foram um dos principais destinos dos emigrantes portugueses.
A presença portuguesa em solo norte-americano remonta ao século XVI, quando o navegador João Cabrilho explorou a costa da Califórnia. No século seguinte, um grupo significativo de judeus portugueses instalou-se em Nova Iorque, formando a primeira grande comunidade judaica na América. Mais tarde, no século XVIII, deu-se o início da emigração verdadeiramente expressiva de portugueses para o território americano, que se dedicaram, principalmente, à agricultura e à pesca. Este fluxo era, maioritariamente, oriundo dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Já no século XX, houve dois grandes momentos de emigração portuguesa para os EUA: nos anos que antecederam o isolacionismo decorrente da Grande Depressão, em 1929, e após a erupção do vulcão das Capelinhas, em 1957, quando os EUA mudaram as suas leis em relação à migração oriunda de Portugal, de modo a receber as populações afectadas por essa catástrofe natural.
Calcula-se que entre 1820 e 1978, cerca de 440 mil portugueses tenham migrado para os Estados Unidos. Porém, este fluxo está agora mais estabilizado. Em 2000, segundo os últimos censos americanos, existiam cerca de 1,3 milhões de portugueses espalhados pelos 50 estados americanos, mas com destaque para a Califórnia (330 mil), Massachusetts (280 mil), Rhode Island (91 mil) e New Jersey (72 mil).
A nível político, já se podem encontrar alguns descendentes portugueses com cargos políticos locais e com perspectivas de virem a realizar uma carreira interessante. Além disso, existe o "Portuguese-American Leadership Council of the United States" que é o único lobby político luso-americano a actuar nos EUA de dimensão nacional. No interior do Congresso americano existem o "Portuguese Caucus" e o "Friend of Portugal", dois grupos que associam, na Câmara dos Representantes e no Senado, respectivamente, os políticos que contam com um grande número de luso-americanos entre os seus constituintes.
Esta importante comunidade portuguesa tem, contudo, pouca influência política, visto que a maioria dos cidadãos nacionais ainda não adquiriu a nacionalidade americana e, assim, está impossibilitada de votar e de ter uma participação activa na vida cívica americana. É uma situação que é preciso alterar e que merece já a atenção do governo português e de outras instituições, como a Fundação Luso-Americana e o Instituto Camões.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Histórias da Casa Branca"

Chegou à minha atenção a notícia da publicação da obra "Histórias da Casa Branca", da autoria de Germano Almeida, jornalista, colega blogger e entusiasta da política norte-americana. O livro, que conta com prefácio do General Loureiro dos Santos e com posfácio de Vítor Serpa, reune as crónicas que o autor publica, semanalmente, no site do jornal "A Bola", assim como outros textos que remontam à campanha presidencial de 2008.
A obra terá um duplo lançamento. A primeira apresentação terá lugar na FNAC do MarShopping, em Matosinhos, no dia 5 de Maio, pelas 21:30 e contará com a presença do jornalista Carlos Daniel. Depois, no dia 10 de Maio, decorrerá o lançamento da obra em Lisboa, em local e hora ainda a definir.
É, sem dúvida, um momento importante para todos os interessados pela política que se faz no gigante do outro lado do Atlântico. Por isso, não queria deixar de transmitir os meus parabéns ao Germano Almeida. A 5 de Maio, lá lhe pedirei que assine a minha cópia destas "Histórias da Casa Branca".

quarta-feira, 17 de março de 2010

Obama em Portugal

Segundo a informação avançada pelo jornal i, o presidente americano, Barack Obama, visitará o nosso país em Novembro deste ano. Esta visita terá como propósito a cimeira da NATO que se realizará nesse mês, em Lisboa. O líder dos Estados Unidos deverá ainda encontrar-se com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o Presidente da República, Cavaco Silva.
É a primeira viagem de Obama a Portugal e é previsível que esta sua presença em território nacional seja objecto de uma exaustiva cobertura mediática e de fortes medidas de segurança. À medida que vá surgindo mais informação, irei dedicar-me a este tema com maior profundidade.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O caso "General Armstrong"

Com este texto inauguro uma nova secção deste blogue, onde pretendo relatar alguns acontecimentos de maior relevância para a história dos Estados Unidos da América. E achei apropriado que o primeiro tema tratado fosse um que dissesse respeito às relações entre Portugal e os EUA - o caso "General Armstrong".
Esta história remonta a 1814, em plena guerra anglo-americana, quando um corsário americano, baptizado General Armstrong, que se encontrava ancorado no porto da Horta, na ilha do Faial, foi atacado e afundado por navios da marinha britânica. Este ataque britânico foi conduzido em território neutral português, ignorando os protestos veementes do governador local, Elias Ribeiro, que não tinha meios para impedir a acção das forças navais do Reino Unido. Na altura, o capitão do corsário americano, Samuel Reid, apresentou um protesto contra o governo português por este não ter sido capaz de defender a neutralidade do seu porto, mas o assunto não teve grande seguimento.
Porém, em 1849, 35 anos depois do ataque ao General Armstrong, o tema voltou a assumir preponderância nas relações dos dois países. Isto porque tinha chegado à Casa Branca um novo Presidente americano, Zachary Taylor, que deu instruções para que fosse exercida uma forte pressão sobre o governo português acerca deste caso, ameaçando mesmo com a suspensão das relações diplomáticas e outras represálias.
Mas qual era, afinal, a razão de tão grande interesse de Taylor nesta questão que parecia já esquecida? A resposta parece residir numa promessa pessoal feita pelo próprio Zachary Taylor, aquando da campanha militar no México que o elevou à condição de herói popular nos Estados Unidos. Antes da batalha de Monterrey, o filho do capitão Reid disse a Taylor que se vencesse a batalha seria o próximo presidente americano, ao que este respondeu que, se assim fosse, o capitão Reid venceria a sua reclamação contra Portugal.
Contudo, para sorte portuguesa, o Presidente Taylor faleceu subitamente, em 1850, depois de se ter sentido mal quando assistia às comemorações do 4 de Julho. Sucedeu-lhe o seu vice-presidente, Millard Fillmore, que assumiu uma postura mais moderada que permitiu chegar a um entendimento com o governo português. E assim terminou um incidente diplomático, baseado numa promessa feita por um presidente antes de assumir funções, que podia ter trazido graves consequências para as relações luso-americanas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Deste lado do Atlântico

A política norte-americana, uma temática algo específica, mas sempre muito importante dada a sua influência no resto do mundo, tem recebido uma crescente cobertura mediática no nosso país. Para isso muito contribuiu a emergência do fenómeno Obama que atraiu as atenções globais, Portugal incluído.
Assim, é um facto que a comunicação social portuguesa, de um modo geral, tem aumentado a sua cobertura à política americana. Porém, nem sempre essa mesma cobertura tem a qualidade que se esperaria e desejaria. Essas lacunas foram bem visíveis aquando da campanha presidencial de 2008, com a informação prestada por vários órgãos informativos portugueses a incorrer em erros de análise da corrida e em falta de conhecimento sobre o processo eleitoral americano. Claro que houve excepções à regra. Por exemplo, a cobertura de Rita Siza do Público, foi um bom modelo de um trabalho competente e bem executado.
Já na blogosfera portuguesa a coisa correu melhor e os interessados tiveram a possibilidade de ir acompanhado as incidências da extraordinária campanha de 2008 em locais de grande qualidade, recheados de informação. Por minha parte, fui um atento seguidor de três blogues em particular: o Política2008 de Nuno Gouveia, o Era uma vez na América, de José Gomes André e o Valor das Ideias, de Carlos Santos.
Actualmente, e passado mais de um ano da histórica eleição de Barack Obama, o interesse de alguns portugueses pela política dos Estados Unidos parece não ter esmorecido. Nuno Gouveia e José Gomes André uniram esforços e fundaram um espaço comum, o Era uma vez na América, um local que acompanho fielmente e que admiro pela constante actualização e qualidade da análise. Por outro lado, existe o constante e completo Casa Branca 2008, de Germano Almeida, cuja visita se tornou obrigatória pela diversidade dos temas tratados e pelos conteúdos multimédia, cujo acesso proporciona aos seus visitantes.
Claro que esta é uma análise pessoal das minhas preferências e corro o risco de não conhecer outros locais de interesse sobre esta temática na internet. Se os há, espero vir a conhecê-los, da mesma forma que desejo que esta Máquina Política também se torne uma referência para o leque de entusiastas do universo político do outro lado do Atlântico.