quarta-feira, 2 de março de 2016

Super Tuesday: a noite democrata

Foi uma noite morna a da Super Tuesday de ontem no que diz respeito às primárias do Partido Democrata. No cômputo geral, e como se esperava, Hillary Clinton conseguiu uma sólida vitória, amealhando sete dos onze Estados em jogo, entre eles o maior prémio em jogo, o Texas, e o Massachussetts, que Bernie Sanders contaria conquistar para a sua coluna. A estes dois, Hillary juntou o Arkansas (onde foi Primeira-Dama, quando Bill Clinton foi Governador), o Alabama, a Georgia, o Tennessee e a Virginia. Por seu lado, Bernie Sanders ganhou nos caucuses do Colorado e Minnesota, no seu Estado do Vermont e no Oklahoma - aqui, de forma algo surpreendente e evitando o pleno de Hillary no Sul. 
Já se sabia que iria ser uma noite complicada para Sanders, que fez bem em baixar as expectativas da sua candidatura no que dizia respeito à Super Tuesday, mas é difícil de ver um caminho viável que leve o Senador do Vermont até à nomeação presidencial democrata. Até agora, Hillary venceu 10 das 15 eleições realizadas, tem uma vantagem esmagadora em termos de superdelegados e apoio da estrutura partidária, conta com os votos das minorias e dos blue collar workers e pode fechar a contenda ainda este mês.
Bernie Sanders, que tem vencido caucuses, formato que favorece a sua campanha, por contar com apoiantes organizados e entusiastas, conta ainda com muito dinheiro no banco (os últimos números de dinheiro angariado superam mesmo os da sua adversária) e deverá permanecer na corrida durante mais algum tempo. A vitória no Oklahoma amenizou o desaire sofrido a Nordeste, no Massachussetts, e permite-lhe dizer que não foi derrubado pela Super Tuesday. Ainda assim, e como já começou a dizer no discurso de ontem, a sua campanha é mais do que a eleição de um presidente, mas sim o forjar de um movimento liberal (ou socialista), porventura fazendo à Esquerda o que o Tea Party fez pelo movimento conservador.
Bernie Sanders, por ter tido um desempenho surpreendente e conseguido cativar milhares de eleitores, em especial jovens e com elevados níveis de escolaridade, será sempre uma figura a ter em conta no Partido Democrata e Hillary Clinton, ciente disso, não forçará a desistência do seu antigo colega no Senado e deverá passar mensagens de paz e união para a campanha de Sanders. Porque, agora, é já claro para a Hillaryland que a ex-Secretária de Estado será a nomeada democrata e terão de começar a pensar no grande desafio que os espera, em Outubro, quando tiverem de enfrentar o candidato escolhido pelos republicanos. 
Em resumo, a Super Tuesday não foi o ponto final parágrafo na corrida democrata, mas terá sido, ainda assim, um dos últimos capítulos decisivos antes do desfecho há muito aguardado: a vitória da super favorita Hillary Clinton.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Hillary vira a página

Hillary Clinton alcançou ontem a sua primeira grande vitória nas primárias presidenciais do Partido Democrata. Na Carolina do Sul, 73,5% dos eleitores votaram na antiga Primeira-Dama, deixando Bernie Sanders a quase 50 pontos percentuais de diferença, naquilo que foi uma vitória a que nos norte-americanos gostam de chamar de landslide.
E foi, de facto, um triunfo esmagador para Clinton, que já havia vencido no Iowa e no Nevada, mas sempre por margens pouco consonantes com o favoritismo que a candidatura da ex-Secretária de Estado sempre reuniu. Mas ontem, num Estado com uma grande presença de eleitores afro-americanos, Hillary conseguiu uma verdadeira demonstração de força, provando que o eleitorado negro, que a havia abandonado há oito anos por causa do carácter histórico da candidatura de Barack Obama, continua a confiar na marca Clinton. 
Por outro lado, Bernie Sanders, não conseguiu fazer chegar a sua mensagem aos eleitores afro-americanos, tendencialmente menos propensos a serem seduzidos por discursos idealistas como o do Senador do Vermont do que, por exemplo, os jovens universitários do Iowa. Para eles, Sanders é um perfeito desconhecido, enquanto que Hillary Clinton tem já uma história junto dos negros norte-americanos, desde os tempos em que defendeu o Movimento dos Direitos Civis e, principalmente, devido aos anos da presidência do seu marido. Bill Clinton chegou mesmo a ser apelidado de "o primeiro presidente negro da história" e a popularidade dos Clinton tem-se mantido, desde essa altura, em alta junto dos afro-americanos.
Com esta vitória esmagadora na Carolina do Sul, Hillary Clinton pode virar a página no que tinha sido o livro das primárias até agora, em que tinha ficado aquém das expectativas. Na Super Tuesday, dos 11 Estados que vão a votos, 7 são do Sul, com grande presença de eleitores afro-americanos. Assim sendo, e tendo a Carolina do Sul como amostra, tudo aponta para uma grande noite de Hillary que poderá tornar-se, já nessa noite de 1 de Março, como a presumível nomeada democrata, começando a apontar baterias para a eleição geral do Outono.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Donald vs Hillary?

Realiza-se hoje, na Carolina do Sul, as primárias do Partido Democrata nesse Estado, ficando concluída a ronda pelos early states, Iowa, New Hampshire, Nevada e South Carolina, que costumam ser determinantes na nomeação dos candidatos presidenciais dos dois grandes partidos norte-americanos. Em 2016, manteve-se essa tradição e deveremos chegar à Super Tuesday, do próximo dia 1 de Março, com dois grandes favoritos: Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, e Donald Trump, pelo GOP.
Depois da grande vitória de Bernie Sanders no New Hampshire, a campanha do Senador pelo Vermont perdeu algum gás e Hillary garantiu uma vitória (ainda que por curta margem) no Nevada e prepara-se para obter um triunfo folgado na primária de hoje na Carolina do Sul. Assim, tudo indica que a ex-Secretária de Estado vai chegar à Super Tuesday com três vitórias contra apenas uma de Bernie Sanders. 
A 1 de Março, com muitos Estados sulistas, uma zona onde os Clinton sempre foram fortes, a irem a votos, Hillary poderá garantir uma vantagem em delegados suficiente para se tornar, logo aí, a presumível nomeada democrata. Será também importante perceber como vota, na Super Tuesday, o Massachussetts, Estado vizinho do Vermont e bastante liberal. Se Hillary conseguir derrotar Sanders no seu próprio terreno, então a corrida estará mesmo terminada. 
E se a disputa no lado democrata parece começar a desequilibrar-se a favor daquela que era apontada desde o início como a grande favorita, já na ala republicana estamos perto de assistir a uma enorme surpresa. Donald Trump, o magnata do imobiliário nova-iorquino, garantiu vitórias na Carolina do Sul e no Nevada, o que, juntamente com o triunfo no New Hampshire, constitui um hat trick que o torna o frontrunner na disputa pela nomeação presidencial republicana.
Confesso que nunca levei muito a sério a candidatura de Trump, e só a partir do New Hampshire comecei a perceber que The Donald pode mesmo ir até ao fim e ser o adversário de Hillary Clinton em Novembro. Agora, porém, parece claro que a nomeação de Trump é perfeitamente possível e, se calhar, até provável. Aproveitando-se do enorme descontentamento dos eleitores republicanos com o establishment do seu partido e de um enorme leque de candidatos que dispersou o voto dos eleitores tradicionais, Donald Trump explorou todos os seus trunfos e qualidades, fazendo uma campanha baseada na sua notoriedade, usando e abusando de frases bombásticas e até disparatadas, garantindo tempo de antena e concentrando em si todas as atenções, retirando espaço aos políticos de carreira e levado a narrativa da campanha para longe dos temas políticos, que não domina.
No último debate, Trump foi alvo de todos os ataques, com Ted Cruz e Marco Rubio, os adversários que restam (Ben Carson continua na corrida, mas é um non factor), a unirem esforços contra o líder da corrida. Terá sido a primeira vez que Donald Trump se sentiu verdadeiramente acossado nos debates televisivos. Sofreu alguns duros golpes (em especial de Rubio), mas, ainda assim, não foi ao tapete. 
Ontem, no dia seguinte ao debate, Trump conseguiu imediatamente recuperar dos eventuais danos que havia sofrido no debate, com o anúncio do apoio de Chris Christie à sua candidatura. O actual Governador de New Jersey e ex-candidato presidencial (desistiu após o New Hampshire) tornou-se no primeiro grande nome do establishment republicano a apoiar o bilionário de New York. No mesmo dia, também Paul LePage, Governador do Maine, declarou o seu endorsement a Trump, o que demonstra que algumas figuras do GOP começam a perceber que Donald Trump será o vencedor das primárias e querem ser os primeiros a escolher o "cavalo" vencedor, com todo o significado que isso poderá ter, mais tarde, quando o nomeado tiver de escolher o seu vice-presidente ou, caso seja eleito, o seu cabinet.
Numa corrida tradicional, com as vitórias já amealhadas por Trump e com a vantagem que tem nas sondagens, Donald seria já o presumível nomeado republicano. Contudo, já vimos que esta é tudo menos uma corrida tradicional. Marco Rubio recuperou depois do péssimo debate no New Hampshire e conseguiu o segundo lugar na Carolina do Sul e no Nevada. O establishment republicano tem-lhe dado o seu apoio e Mitt Romney, porventura a maior figura actual do GOP, já anunciou o seu endorsement ao Senador da Florida. Ainda assim, Rubio não conseguiu subir o suficiente nas sondagens para destronar Donald Trump e, ainda por cima, os Estados que vão a votos na Super Tuesday não lhe são muito favoráveis. Por isso, precisará de minimizar os danos a 1 de Março e vencer as primárias da Florida e do Ohio, a 15 de Março se quiser manter vivas as suas hipóteses.
Ted Cruz ainda se mantém na corrida, mas, na Carolina do Sul, nem sequer conseguiu ser a primeira escolha do eleitorado evangélico, o seu grande alvo. E se, nesse Estado do Sul, com eleitores profundamente conservadores, o Senador do Texas não foi além do terceiro lugar, não vejo que rumo possa Cruz tomar em direcção à nomeação. Talvez a sua melhor opção seja manter-se o mais tempo possível na corrida, de forma a ganhar notoriedade e a estabelecer uma marca junto dos eleitores conservadores, com vista a uma segunda candidatura presidencial.
Mas não vale a pena adiantarmo-nos muito nas previsões, porque, como já vimos, tudo pode acontecer e as coisas, em política, mudam muito depressa. Veremos como corre, hoje, a primária democrata na Carolina do Sul e, na Terça-feira, a Super Tuesday. Depois disso, já podemos tirar melhores conclusões sobre quem irá disputar a Casa Branca na eleição geral do Outono. Contudo, se tivesse, neste momento, de apostar o meu dinheiro, teria de dizer que teremos um embate entre Hillary Clinton e Donald Trump. Quem diria...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A vitória dos outsiders

O New Hampshire é conhecido por premiar candidatos improváveis, ou, como lhe chamam os norte-americanos, os mavericks. Em 1992, Bill Clinton tornou-se o comeback kid ao conseguir um bom resultado no Estado; em 2000 foi John McCain que derrotou o super poderoso George W. Bush e em 2008 Hillary Clinton deu a volta às sondagens e derrotou Barack Obama. Este ano, os eleitores do granite state voltaram a demonstrar a sua faceta independente e irreverente ao escolherem para vencedores das suas primárias dois candidatos que correm por fora do establishment de cada um dos dois grandes partidos políticos dos Estados Unidos: Bernie Sanders, pelos democratas, e Donald Trump, pelo GOP. Os resultados oficiais ainda não estão totalmente apurados, mas nunca houve dúvidas quanto aos vencedores - foram declarados por todas as estações logo no fecho das urnas no New Hampshire. 
Bernie Sanders derrotou copiosamente Hillary Clinton, com uma vantagem de cerca de 20 pontos percentuais, confirmando as sondagens mais optimistas. Com este resultado, o senador do Vermont ganha momentum para enfrentar as próximas primárias, na Carolina do Sul e no Nevada. Para ser competitivo nesses Estados, Sanders tem de apelar ao voto das minorias (os afro-americanos no primeiro Estado e os hispânicos no segundo), coisa que não tem conseguido fazer de forma eficaz. Contudo, a sua enfática vitória no New Hampshire dá-lhe uma nova legitimidade política e eleitoral e isso pode fazer com que os eleitores democratas que contavam votar em Hillary (alguns deles por falta de alternativas viáveis) olhem com mais atenção para a candidatura de Bernie e se sintam atraídos pela sua mensagem anti-establishment, anti-Wall Street e marcadamente liberal - ou socialista.
Por sua vez, Hillary Clinton, sofreu um duro golpe no New Hampshire, um Estado que lhe trazia tão boas recordações. Terá mantido os seus eleitores de 2008, quando conseguiu 39% dos votos, mas parece ter sido incapaz de atrair novos votantes, perdendo de forma esmagadora o voto dos jovens e dos independentes, com este último grupo a deslocar-se às urnas em grande número e, na maioria dos casos, para votar em Sanders. Agora, Hillary terá de contrariar a narrativa negativa que se criará à volta da sua campanha e reafirmar a sua posição de destacada frontrunner. Para o fazer, nada melhor do que uma dupla vitória na Carolina do Sul e no Nevada, mas, para isso, terá de encarar mais seriamente a ameaça de Bernie Sanders pela sua Esquerda. Ontem, no seu discurso de concessão de derrota, a ex-Secretária de Estado esforçou-se por fazer passar uma mensagem liberal, tentando "chegar" ao eleitorado de Sanders. Veremos se isso será suficiente.
Do outro lado, no Partido Republicano, Donald Trump alcançou um sólido triunfo, com mais de um terço dos votos e compensou a sua derrota no Iowa. Decorridas as duas primeiras eleições, Trump ficou sempre nos dois primeiros lugares e reforçou o seu estatuto de frontrunner.
Mas as boas notícias para The Donald não se ficam pela sua vitória. Isto porque os resultados dos restantes candidatos foram praticamente perfeitos para as hipóteses da candidatura presidencial do bilionário nova-iorquino. Com os votos muito dispersos pelos candidatos do establishment, todos eles muito próximos uns dos outros, tudo indica que seguirão (quase) todos na corrida, o que continuará a dispersar os votos dos republicanos mais tradicionais e mais moderados. É um facto que o apoio de Trump atingiu o seu tecto máximo, mas se um terço dos votos for suficiente para ir ganhando eleições, então Donald Trump não precisará de mais votos para ser o nomeado republicano (algo que continuo a considerar improvável, ainda que cada vez mais possível).
New Hampshire também correu bem para John Kasich que terá alcançado o segundo posto, depois de um sprint final que lhe terá valido muitos apoios. Ainda assim, Kasich apostou tudo neste Estado e não conseguiu mais do que 16% dos votos. Com um discurso demasiado moderado para Estados como os que irão a votos nas próximas semanas e sem estruturas nesses locais, não vejo como o Governador do Ohio ainda possa ser uma força nestas primárias e deverá ter o mesmo percurso de Jon Huntsman, em 2012. 
Como havia antecipado, Ted Cruz conseguiu um resultado relativamente positivo, tendo em conta as suas expectativas no New Hampshire e pode mesmo, depois de estarem contados todos os votos, ocupar o último lugar do pódio. Depois do Iowa, o governador do Texas tornou-se o último verdadeiro representante do movimento conservador e isso é-lhe benéfico a nível eleitoral, garantindo-lhe uma base de apoio estável e que o levará a disputar a eleição até ao final, ou muito perto disso. 
Na interessante disputa pessoal entre Jeb Bush e Marco Rubio, temos, neste momento, um resultado muito próximo, com ligeira vantagem para o irmão de W. Um dos principais destaques da noite de ontem tem de ser, obrigatoriamente, a implosão de Marco Rubio que, depois do Iowa, parecia estar bem lançado para se tornar o principal opositor de Trump e Cruz e, porventura, o favorito a conseguir a nomeação presidencial republicana. O debate do passado Sábado, porém, tudo mudou e Rubio poderá não ter passado de um péssimo quinto posto no New Hampshire. Veremos, nos próximos tempos, se o senador da Florida é capaz de se reagrupar e voltar em força. O seu mau resultado teve, ainda assim, o condão de dar uma nova oportunidade a Jeb Bush, que, não alcançando um resultado que possa ser encarado como positivo, lhe permite continuar na corrida pelo menos até à Carolina do Sul.
Mas o New Hampshire deverá ter marcado o ponto final nas campanhas de Chris Christie, Carly Fiorina e Ben Carson. Christie, que chegou a ser um dos favoritos, nunca descolou nas sondagens e tinha muita bagagem para umas primárias republicanas (o bridgegate ou o abraço a Obama). A prestação no último debate em que arrasou Rubio deu-lhe ânimo, mas não foi suficiente. Ontem à noite, anunciou que vai reanalisar a sua campanha, o que significará, certamente, o final da candidatura à Casa Branca. Fiorina e Carson, abaixo dos 5%, sem apoios, dinheiro ou motivos para continuarem, deverão seguir o mesmo caminho.
Realizada mais uma primária, a corrida continuará e parece estar para durar, com a certeza que nada é certo e tudo pode acontecer. Afinal, se há uns meses alguém dissesse que Bernie Sanders e Donald Trump seriam os vendedores da primária do New Hampshire, seria rapidamente apelidado de louco.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Olá, New Hampshire

As eleições primárias estão de volta, hoje, com a realização da primária do New Hampshire, a primeira neste formato, já que, na semana passada, no Iowa, realizou-se uma eleição em formato de caucus. Agora, num Estado mais homogéneo politicamente - os eleitorados democratas e republicanos não são tão polarizados - teremos uma primária que poderá ser importante na definição da corrida.
Do lado democrata, tudo indica que teremos uma vitória de Bernie Sanders, com todas a sondagens a darem uma vantagem folgada ao senador do vizinho Estado de Vermont. Hillary Clinton já praticamente desistiu de disputar a primária que lhe deu uma surpreendente vitória sobre Barack Obama, há oito anos, e que a lançou para uma longa e renhida disputa com o actual presidente norte-americano. 
Segundo as últimas notícias, Hillary não está contente com o modo como a sua campanha está a decorrer e já se fala em mexidas no seu staff, em especial no sector da comunicação digital, que está a ser claramente ultrapassada pela mensagem de Sanders. Ora, esse sucesso da campanha de Sanders nos meios digitais tem muito a ver com a penetração de Bernie no eleitorado jovem, que apoia maciçamente o único senador declaradamente socialista nos Estados Unidos. Se esse sucesso nos jovens é causa ou efeito das campanhas digitais, é mais difícil de saber. Contudo, David Axelrod, o guru da estratégia de comunicação de Obama terá alguma razão no que diz sobre a campanha de Clinton.
Será que, como em 2008, as sondagens voltarão a estar erradas ou Hillary sofrerá mesmo uma dura derrota no The Granite State? A crer na atitude de Clinton e nas sondagens - a média do Pollster dá uma vantagem de cerca de 14% a Bernie Sanders - será mesmo o senador do Vermont a declarar vitória. Ainda assim, Hillary Clinton conta com uma larga vantagem a nível nacional e nos próximos Estados a ir votos, fruto da sua enorme superioridade estrutural e organizacional. Continuará, por isso, a ser a grande favorita a obter a nomeação presidencial pelo Partido Democrata.
Na facção republicana, as coisas não são tão simples e, em vez de termos uma corrida bipolarizada, temos uma disputa que conta ainda com oito concorrentes. Depois da vitória de Ted Cruz no Iowa, o cenário muda de figura no Iowa, onde o eleitorado republicano é bem mais moderado e com menos incidência de votantes evangélicos. Assim, o senador do Texas não repetirá a vitória do caucus do Iowa e deveremos assistir ao primeiro triunfo do grande animador deste ciclo eleitoral: Donald Trump.
The Donald tem liderado com larga vantagem em todas as sondagens no New Hampshire e, apesar de os seus números a nível nacional terem perdido algum fulgor depois do Iowa, no Granite State mantiveram-se praticamente inalterados. É possível, porém, que a sua vitória não seja tão expressiva como indicam os números das sondagens, porque, como se viu no Iowa, o seu apoio eleitoral é extremamente volátil. Em contrapartida, os eleitores que ainda não decidiram o seu sentido de voto, têm poucas probabilidades de optar pelo mogul do imobiliário. Se Trump obtiver uma vitória curta, poderemos assistir ao início do fim da sua campanha.
Com o primeiro lugar praticamente assegurado, interessa perceber quem ficará com o segundo posto. Esse lugar deverá ser disputado por Marco Rubio e John Kasich, com Ted Cruz e Jeb Bush a espreitarem uma surpresa. Até há poucos dias atrás, esperava-se que Rubio solidificasse o seu bom resultado no Iowa, mas a sua desastrosa participação no último debate antes desta primária travou o seu momentum e estagnou os seus ganhos face a Trump. Em sentido contrário, Chris Christe pode aproveitar a sua forte prestação no debate para catapultar a sua campanha que parecia em queda livre rumo à desistência após o New Hampshire e pode ser uma das surpresas da noite.
John Kasich tem feito um forcing final no New Hampshire, fruto da moderação do seu discurso e das centenas de membros do seu staff que importou do Ohio, onde é Governador. Também Jeb Bush recuperou alguma coisa nos últimos dias e um resultado acima dos 10% pode manter viva a sua campanha, que conta ainda com forte apoio financeiro por parte dos Super PACs por detrás da sua candidatura. 
Com o voto moderado e do establishment dividido entre Rubio, Christie, Kasich e Bush, Ted Cruz corre sozinho pelo voto ultraconservador, o que lhe valerá sempre um resultado nos quatro primeiros e o manterá bem lançado na corrida. Ben Carson não repetirá o quarto lugar do Iowa e ficará nos low single digits, à imagem de Carly Fiorina que continuará a ser um non factor nestas eleições.
Resumindo, a corrida democrata pouco se definirá depois do New Hampshire, com Bernie Sanders a fazer pela vida de primária em primária, enquanto que Hillary Clinton continuará a sua maratona rumo à nomeação, salvo uma enorme surpresa. No GOP, poderemos assistir a mais duas ou três desistências, mas com o travão na ascensão de Marco Rubio, outros candidatos como Jeb Bush, John Kasich ou Chris Christe poderão ter votos suficientes para se manterem mais um pouco na corrida. Estamos, todavia, no campo das especulações e as decisões que realmente importam serão tomadas mais logo pelos eleitores do New Hampshire. E nós cá estaremos para assistir.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Rubio travado no debate

Realizou-se ontem o último debate televisivo entre os candidatos presidenciais republicanos antes da primária do New Hampshire, que, para muitos deles, é totalmente decisiva e pode significar a última oportunidade de se imporem na corrida. E isso ficou bem patente ao longo da noite, com os concorrentes a mostrarem-se mais empenhados do que nunca a deixarem uma forte impressão aos eleitores. Terá sido, porventura, o melhor dos debates republicanos até ao momento.
Foi um debate com muitos momentos marcantes - o Politico reúne aqui os 11 mais explosivos - mas, sem dúvida que o que está a marcar a actualidade é a implosão de Marco Rubio, que sucumbiu ao ataque certeiro e sem piedade de Chris Christie. Num momento que ficará para a história dos debates presidenciais, o Governador de New Jersey acusou Rubio de ser totalmente inexperiente para ser presidente e referiu que o Senador da Florida pouco dizia de substancial, limitando-se a recorrer a um soundbyte previamente decorado. Marco Rubio não conseguiu rebater o ataque e piorou ainda a situação ao usar a mesma frase que havia levado à acusação por parte de Christie três vezes ao longo do debate. Mais tarde, tentou contra atacar Christie, mas o tiro saiu pela culatra, como se pode ver no vídeo que encabeça o post.
Marco Rubio, normalmente forte nos debates, saiu claramente a perder da noite de ontem e pode vir a prejudicar o momentum que conseguiu após o seu forte 3º lugar no Iowa. Terá tido a sua pior prestação de sempre em debates e pareceu acusar a pressão de estar debaixo de fogo por parte dos candidatos do establishment, que viram em Rubio o seu principal adversário pelo voto dos republicanos mais tradicionais e moderados. Chris Christie destacou-se, mas também Jeb Bush lançou alguns golpes ao seu (ex) amigo e outros ainda a Donald Trump. The Donald esteve relativamente tranquilo no debate, saindo-se bem e mostrando uma faceta menos agressiva do que o habitual (ainda que tenha mandado calar Jeb Bush), talvez fruto da sua derrota no Iowa. Por sua vez, Ted Cruz, um peixe fora de água no New Hampshire, tentou passar entre os pingos da chuva, esperando por Estados com eleitorados mais conservadores e onde a sua mensagem possa ser melhor recebida.
A dois dias da primária do granite state, falta saber qual a influência que este debate terá nos resultados finais. É possível que Donald Trump tenha feito o suficiente para aguentar a sua vantagem (que se mantém segura, mas a diminuir, segundo as últimas sondagens) e que Marco Rubio sofra alguma coisa após a sua péssima prestação - que não foi, ainda assim, um momento ups. No sentido contrário, Chris Christe poderá receber um tão desejado balão de oxigénio, ao mesmo tempo que Jeb Bush, com uma recente tímida subida nas sondagens, também poderá ver algum apoio a correr na sua direcção. John Kasich, esse, continua a não aproveitar as oportunidades para marcar pontos e dar uma nova vida à sua recandidatura. Veremos, na Terça-feira, quem sairá do New Hampshire a sorrir e quem sairá... da corrida.

Para o fim, fica um dos momentos mais curiosos e hilariantes do debate de ontem. Um vídeo a não perder:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

As desistências

Depois de uma longa época de pré-campanha que durou praticamente todo o ano de 2015 (num período que costuma ser conhecido como a "primária invisível", o Iowa marcou o início oficial das eleições presidenciais norte-americanas. E, com os primeiros resultados a serem conhecidos, começaram, sem surpresa, as desistências da corrida por parte daqueles que não conseguiram passar a sua mensagem.
Logo na noite do caucus do Iowa, Martin O'Malley anunciou a suspensão da sua campanha, o que significa sempre a desistência. Numa corrida a dois entre Hillary Clinton e Bernie Sanders, o ex-Governador da Virginia nunca se conseguiu afirmar e viu Sanders a assumir o papel que estaria a pensar que seria o seu: o de representante da ala mais liberal do Partido Democrata. Com esse espaço ideológico ocupado pelo senador do Vermont e com Hillary a dominar as preferências do establishment democrata, a campanha de O'Malley, que chegou a ser apontado como um forte candidato, nunca teve qualquer hipótese.
Ainda na noite de 1 de Fevereiro, também Mike Huckabee saiu da corrida, depois de um péssimo resultado num caucus que havia vencido de forma surpreendente em 2008. Contudo, desta vez, o antigo Governador do Arkansas não contava com o factor novidade e não conseguiu voltar a contar com o voto evangélico, que votou preferencialmente em Ted Cruz. 
Curiosamente, Huckabee teve exactamente o mesmo resultado (1,8% dos votos) que Rick Santorum, o último vencedor no caucus do Iowa, em 2012. Santorum, que só teve o destaque que teve há quatro anos porque o leque de candidatos era dos mais fracos de sempre, não repetiu a graça e confirmou a irrelevância da sua candidatura. Ontem, também anunciou a sua desistência.
Se todas estas desistências eram esperadas devido aos maus resultados que o Iowa trouxe a estes ex-candidatos, já a desistência anunciada ontem por Rand Paul é um pouco mais surpreendente. O actual senador do Kentucky, eleito na onda republicana de 2010, partiu como uma das principais figuras para esta campanha eleitoral. Contudo, os seus números nas sondagens nunca descolaram e nem sequer foi capaz de atrair o voto do eleitorado libertário que apoiou entusiasticamente o seu pai Ron Paul em 2012. Contudo, Rand podia ainda tentar um pequeno surge no New Hampshire, precisamente o Estado com um bloco libertário mais importante e onde o seu pai conseguiu um segundo lugar há quatro anos. Assim, esperava-se que Paul fizesse uma última tentativa antes de sair da corrida. Não foi essa, porém, a decisão de Rand Paul que, com problemas em angariar dinheiro, relegado para os debates secundários e preocupado com a sua reeleição para o Senado em Novembro, preferiu desistir já e minimizar os riscos.
No New Hampshire, daqui a cinco dias, far-se-á uma nova selecção de candidatos, em especial do lado republicano, já que no campo democrata a corrida está limitada a dois concorrentes. Com o leque de candidatos da ala do establishment republicano ainda largo (além do agora favorito Rubio, ainda seguem Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich), é bem provável que depois da primária do granite state ocorram mais desistências até porque a Super Tuesday de 1 de Março aproxima-se e os candidatos precisarão de muito dinheiro para disputarem 14 Estados simultaneamente. Veremos, por isso, quem serão os próximos dropouts da classe de 2016.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Iowa falou

Está dado o primeiro passo rumo à escolha do 45º Presidente dos Estados Unidos. Ontem (esta madrugada em Portugal), os eleitores do Iowa compareceram em números recordes (170 mil pessoas apenas no lado republicano) ao caucus e deram a primeira vitória deste ciclo eleitoral a Ted Cruz. Na corrida democrata, temos, até ver, um empate, ainda que, numa altura em que ainda não se conhecem os resultados definitivos, tenha uma minúscula vantagem sobre Bernie Sanders. Sem mais demoras, aqui ficam os resultados:

Partido Democrata
Hillary Clinton - 49,9%
Bernie Sanders - 49,5%
Martin O'Malley - 0,6%

Partido Republicano
Ted Cruz - 27,7%
Donald Trump - 24,3%
Marco Rubio - 23,1%
Ben Carson - 9,3%
Rand Paul - 4,5%
Jeb Bush - 2,8%
Carly Fiorina - 1,9%
John Kasich - 1,9%
Mike Huckabee - 1,8%
Chris Christie - 1,8%
Rick Santorum 1,0%
Jim Gilmore - 0%

No lado democrata, como se esperava, tivemos uma corrida muitíssimo equilibrada e que ainda não está totalmente decidida, mas em que Hillary parece levar vantagem. Estranhamente, Clinton declarou vitória (ou quase), sem que esse desfecho fosse conhecido na altura ( e ainda não o é). Ou os números internos da sua campanha lhe davam uma vantagem que não se veio a verificar, ou se trata de um táctica pouco ortodoxa por parte da ex-Secretária de Estado, já que uma eventual reviravolta nos resultados tornaria o cenário ainda pior para Hillary, que cairia no ridículo de perder uma eleição em que tinha declarado vitória. 
Seja quem for o vencedor final, isso apenas contará em termos de spinning por parte das campanhas, porque o resultado será sempre, na prática, um empate, ainda que HIllary deva conseguir mais delegados do que o Senador do Vermont. Com este resultado, a presumível nomeada democrata sustém o primeiro golpe de Bernie Sanders e ganha algum oxigénio para suportar a derrota esperada no New Hampshire, a acreditar nas sondagens que dão a Sanders uma larga vantagem no Granite State, cuja primária se realiza de hoje a oito dias. Quanto a Martin O'Malley, teve uma votação inexpressiva e já suspendeu a sua campanha.
Na disputa republicana, o destaque tem de ir para a vitória de Ted Cruz que aguentou a forcing final de Donald Trump, que o havia ultrapassado o senador do Texas nas sondagens, e conseguiu uma importante vitória num Estado em que apostou todas as suas fichas. Até há cerca de um mês, Cruz era o grande favorito a vencer no Iowa, mas uma forte investida de Trump e a subida de Marco Rubio prejudicaram os seus números. Com este triunfo, Cruz ganha momentum para melhor encarar o New Hampshire.
Donald Trump, que até obteve um bom resultado, não deixa de sair como derrotado, até porque no dia de ontem afirmou, no seu tom característico, que iria obter uma grande vitória. Por não ter sabido jogar o jogo das expectativas, Trump sai mal na fotografia e perdeu algum ímpeto e a aura de winner que sempre apontou a si próprio. 
No último lugar do pódio ficou Marco Rubio, que superou as expectativas e confirmou a tendência de subida que lhe apontavam recentemente. Com um excelente terceiro posto, muito perto de Trump, o senador da Florida assume-se como um sério candidato à nomeação presidencial e ofusca todos os outros candidatos mais tradicionais.
Em quarto lugar, Ben Carson até conseguiu um melhor resultado do que esperava, mas, com a sua campanha em clara perda, não deverá ser um verdadeiro contender nesta corrida. Ainda assim, ficou bem à frente de candidatos mais conhecidos e de quem se espera muito mais. Rand Paul teve um fraco resultado, ficando à frente de Jeb Bush (que teve uns ridículos 2,8% dos votos), de John Kasich e de Chris Christe, que passaram ao lado do Iowa e esperam fazer melhor no New Hampshire.
Os restantes candidatos confirmaram que não farão história nestas eleições e estarão de saída da corrida. Mike Huckabee e Rick Santorum, os últimos vencedores do caucus do Iowa não conseguiram melhor que 1,8% dos votos e o ex-Governador do Arkansas já suspendeu mesmo a sua campanha. Carly Fiorina e Jim Gilmore são, também, irrelevantes.
Todos os candidatos - aqueles que se mantiverem na corrida - terão agora uma semana para apresentar o seu caso perante os eleitores do New Hampshire. A primária decorrerá na próxima Terça-feira e fará uma nova selecção, clarificando, ou assim se espera, a corrida. Quanto ao Iowa, (e porque este será um Estado importante na eleição geral), vemo-nos no Outono!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

So it begins

Resultado de imagem para iowa caucus 2016

Começa hoje, com a realização dos caucuses do Iowa, o processo eleitoral que durará cerca de um ano, com a escolha do sucessor de Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos, na eleição geral de 8 de Novembro, e a sua eventual tomada de posse, a 20 de Janeiro do próximo ano.
Na fase que hoje tem início, os eleitores escolherão o candidato de cada um dos dois grandes partidos, num procedimento que poderá durar até ao Verão, quando tiverem lugar as convenções partidárias. E se a disputa democrata deverá ficar resolvida bem antes disso, já do lado republicano é muito possível que a história seja diferente e que tenhamos uma longa campanha até que se determine o nomeado do GOP. 
Seja como for, tudo indica que esta será uma das mais interessantes épocas de primárias de que há memória, com o fenómeno Trump, o maior e mais interessante leque de candidatos republicanos de sempre, a sensação Sanders e a possibilidade de termos em Hillar Clinton a primeira mulher nomeada por um grande partido. São, por isso, umas eleições que muito prometem e que seguiremos com muita atenção e interesse. A começar já hoje, no Iowa.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Hillary a tentar evitar que 2008 se repita

Há oito anos como agora, Hillary Clinton era a grande favorita a conseguir a nomeação presidencial pelo Partido Democrata. Contudo, um terceiro lugar no Iowa, perdendo para um surpreendente Barack Obama e para um John Edwards que cedo cairia em desgraça, fez soar os alarmes na Hillaryland e acabaria por marcar o início do fim das hipóteses da antiga Primeira-Dama nesse ciclo eleitoral.
Desta vez, Clinton é novamente vista como uma a inevitável nomeada democrata, mas voltou a ver a sua suposta imbatibilidade ser posta em causa por um improvável Senador. Em 2016, é Bernie Sander que com uma campanha em muito semelhante à de Obama (pela mensagem de mudança do status quo e pelos eleitores que atrai - principalmente os jovens) ameaça Hillar pela sua Esquerda. 
No New Hampshire, Bernie Sanders está bem lançado para derrotar a ex-Secretária de Estado, mas, no Iowa, Hillary tem surgido à frente nas sondagens e conta derrotar o Senador do Iowa para evitar que este ganhe momentum e que se diga que it's 2008 all over again. Até porque, de facto, 2016 não é em nada semelhante com a eleição de há oito anos. Sanders é um candidato mais marginal do que Obama (auto-denomina-se um democrata socialista, uma denominação com uma conotação muito negativa nos Estados Unidos), ao contrário do actual Presidente não conseguiu apoios no establishment do Partido Democrata e não tem um aparelho montado a nível nacional como aquela formidável estrutura que apoiava Obama em 2008.
Apesar disso, Bernie Sanders montou uma eficaz campanha, concentrando-se nos dois primeiros Estados das primárias, o Iowa e o New Hampshire, com uma mensagem populista anti-Wall Street que vale cada vez mais votos e com uma aposta nos grassroots que o levou a encher comícios com vários milhares de apoiantes entusiastas um pouco por todo o lado onde passou. Com isso, tornou-se uma ameaça para Hillary Clinton que se viu forçada a gastar mais tempo e dinheiro nos early states do que aquilo que eventualmente gostaria. 
Hoje, na véspera do início das primárias, percebe-se que é muito possível que Sanders consiga mesmo uma dupla vitória no Iowa e no New Hampshire, algo impensável até há pouco tempo atrás. Ainda assim, e mesmo que isso seja um grande contratempo para Hillary, é pouco provável que não seja a esposa de Bill Clinton a nomeada democrata, já que, ao contrário do seu principal adversário, conta com uma estrutura a nível nacional que lhe permitirá recuperar rapidamente dos desaires que possa sofrer nas primeiras contendas. Além disso, conta com o apoio em peso de todo o seu partido, o que lhe garante, à partida, uma grande vantagem nos superdelegados, que podem decidir a corrida caso esta seja muito equilibrada. Finalmente, é inegável que Hillary Clinton é uma das mais bem preparadas candidatas presidenciais da história do país, como recordou o New York Times no editorial em que anunciou o seu apoio à antiga Senadora do Estado de New York.
Assim, deveremos assistir a uma interessante disputa na fase inicial das primárias democratas, a começar já amanhã, no Iowa. Com as sondagens a mostrarem os dois adversários muito próximos, é difícil prever quem vencerá. O formato de caucus pode favorecer Bernie Sanders, cujos apoiantes se encontram muito motivados, mas Hillary conta com o apoio do eleitorado mais moderado e com um nome reconhecido por praticamente 100% dos eleitores.
Seja como for, e ao contrário do que sucede do lado republicano, parece-me que o Iowa não será decisivo na escolha do nomeado democrata para a corrida à Casa Branca. Isto porque, como expliquei atrás, parece-me muito improvável que Bernie Sanders consiga mais do que retardar a vitória de Hillary. Até porque o Senador do Vermont terá como principal objectivo obrigar Clinton a "manter-se honesta" na sua campanha, ou seja, fazer com que a presumível nomeada se mantenha ancorada a um discurso mais liberal (leia-se, de Esquerda) do que seria previsível caso não tivesse oposição nas primárias democratas.
Falta falar de Martin O'Malley, ex-Governador do Estado do Maryland, cuja campanha nunca descolou e que tem tido números insignificantes nas sondagens. À espera de um milagre que lhe permita obter oxigénio para se manter na corrida, O'Malley parece remetido para a irrelevância nestas eleições. 

Para o fim, fica a minha previsão para amanhã. Se não houver surpresas, acredito que Hillary ganhará, mas com uma curta margem para Bernie Sanders. O'Malley não deverá passar dos 3%.

A última sondagem

Foi conhecida na noite de ontem (madrugada em Portugal), a última sondagem do Des Moines Register antes da realização do caucus do Iowa. Este estudo de opinião, com larga tradição nas eleições presidenciais norte-americana, tem o hábito de ser muito certeiro e é sempre aguardado com muita expectativa pelas campanhas, que esperam sempre receber boas notícias para o esforço final antes de os eleitores se deslocarem até aos locais de voto durante o dia de amanhã. Este ano, os resultados foram os seguintes:

Democratas
Hillary Clinton - 45%
Bernie Sanders - 42%
Martin O'Malley - 3%

Republicanos
Donald Trump - 28%
Ted Cruz - 23%
Marco Rubio - 15%
Ben Carson - 10%
Rand Paul - 5%
Chris Christie - 3%
Jeb Bush - 2%
Carly Fiorina - 2%
Mike Huckabee - 2%
John Kasich - 2%
Rick Santorum - 2

Sem surpresas, estes números vão de encontro ao esperado e deixam antever uma disputa muito apertada no lado democrata, com Hillary Clinton a perder muito terreno nos últimos dias e Bernie Sanders a ameaçar uma surpresa (sobre a corrida democrata, falarei mais em pormenor no próximo post). 
Nas fileiras do GOP, Trump continua na liderança, mas os níveis de participação serão cruciais. Uma afluência em massa deverá garantir uma vitória do entertainer, enquanto que números mais baixos de participação poderão significar boas notícias para Ted Cruz. Ben Carson consegue melhores números do que se estaria a contar, ao mesmo tempo que os dois últimos vencedores do caucus (Huckabee em 2008 e Santorum em 2012) não passam dos 2% das intenções de votos.
Amanhã confirmaremos se estes números batem certo com os resultados finais.

sábado, 30 de janeiro de 2016

O Iowa entre Trump e Cruz


A dois dias do caucus do Iowa, o arranque oficial das primárias presidenciais de 2016, a corrida pela nomeação republicana continua marcada pelo fenómeno Donald Trump, que tem ofuscado os restantes candidatos (incluindo democratas) e fazendo deste ciclo eleitoral um dos mais mediáticos de todos os tempos.
Sendo um campeão de notoriedade, Trump até se deu ao luxo de faltar ao último debate televisivo antes do Iowa, evitando um novo frente-a-frente com um dos seus (muitos) ódios de estimação, a pivot da Fox News, Megyn Kelly. Todavia, e apesar de nas sondagens a nível nacional The Donald dominar a toda a linha com grande vantagem, a sua liderança no Estado do Iowa é relativamente curta, com a última sondagem a indicar uma margem de apenas 4% a separar o mogul do imobiliário do Senador Ted Cruz. 
Tudo indica, por isso, que a corrida no Iowa será bastante renhida, até porque o modelo da votação, através de caucus - uma espécie de assembleias onde os apoiantes de todos os candidatos tentam atrair os eleitores e o voto é feito de forma informal, como, por exemplo, de braço no ar - resulta, normalmente, num reduzido universo eleitoral, mais restrito a eleitores muito motivados e tradicionalmente empenhados no mundo político-eleitoral. Ora, esse eleitor-tipo é diametralmente oposto ao perfil do votante em Trump, que costuma atrair eleitores dispersos, pouco motivados politicamente e muito propícios a fazer parte da abstenção, e esse facto pode prejudicar o resultado de Donald Trump no Iowa.
Ainda assim, tudo indica que Trump, mesmo que não vença, consiga um bom resultado e continue, depois dos caucus, a dominar o cenário da batalha pela nomeação. Por outro lado, há candidatos que dependem de uma boa prestação na noite da próxima Segunda-feira se querem manter viva a sua campanha. A começar logo por Ted Cruz, actualmente o principal rival de Trump, mas que precisa de conseguir um bom resultado no Iowa, um Estado que lhe é mais favorável do que o New Hampshire, palco da primeira primária, a 9 de Fevereiro. Se não vencer, Cruz necessita de um score sólido, para não perder momentum e manter-se como a alternativa mais viável a Donald Trump.
Também Marco Rubio, que vem surgindo no terceiro posto, conta com uma prestação positiva no dia 1, de preferência com uma votação acima de 15%. O senador da Florida precisa de um resultado desse género para se manter como um candidato do top tier e possivelmente vir a beneficiar das desistências dos candidatos que consigam fracos resultados no Iowa e no New Hampshire. Com o seu perfil "misto", de candidato que é bem visto pelo establishment, mas que o eleitorado não identifica com o business as usual de Washington, Rubio é um dos concorrentes que mais pode vir a ganhar quando a actual dispersão dos votos por quase uma dezena de candidatos terminar para dar lugar a um campo mais restrito de pretendentes à Casa Branca.
Ben Carson, cuja campanha se encontra em queda livre, espera ainda por um balão de oxigénio que o mantenha mais algum tempo na corrida. Contudo, se ficar pelos low single digits (e as últimas sondagens não lhe dão muito mais do que isso), é bem possível que a sua campanha não resista muito mais, até porque o New Hampshire não lhe é terreno favorável. Seja como for, o Dr. Carson está condenado a ser um also run neste ciclo eleitoral.
Por outro lado, Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich deverão ter um mau resultado no Iowa, ainda que isso seja um desfecho normal, já que estes dois candidatos, representantes da ala mais moderada e tradicional do Partido Republicano, estão a guardar-se para o New Hampshire, onde o eleitorado, normalmente menos conservador, lhes dá mais garantias de um resultado digno e que lhes permita afirmarem-se como players nestas primárias. Também Rand Paul, que nunca se conseguiu afirmar durante a pré-campanha, poderá tentar uma pequena surpresa no granite state, já que este Estado costuma premiar candidatos da ala libertária, como ficou demonstrando em 2012, quando o seu pai, Ron Paul, alcançou um notável segundo lugar, apenas atrás de Mitt Romney.
Sobram, assim, os candidatos marginais (se bem que esse adjectivo também possa ser endereçado a, pelo menos, Rand Paul) e que cujas campanhas não deverão passar de asteriscos quando se contar a história das presidenciais de 2016: Carly Fiorina, Mike Huckabee, Rick Santorum e Gil Gilmore não deverão "contar para o totobola" quando se souberem os resultados do Estado do Iowa na noite da próxima Terça-feira.
Para o fim ficam as minhas previsões para a noite eleitoral republicana. Com o momentum do seu lado, Donald Trump deverá bater Ted Cruz, ainda que a margem de vitória possa ser mais curta do que dizem as sondagens, devido ao "efeito caucus" que referi anteriormente. Em terceiro, deve ficar Marco Rubio a uma distância segura do resto do pelotão.
Se estes resultados se confirmarem, deverão ser estes três candidatos e mais um quarto concorrente que saia do grupo dos moderados (aquele que conseguir um melhor resultado no New Hampshire) a disputarem durante as próximas semanas (e talvez meses) a nomeação presidencial republicana. A corrida promete!

Amanhã farei o lançamento da corrida democrata.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Scott Walker sai da corrida

E a mais de três meses do início das primárias temos a primeira desistência de peso na corrida. Scott Walker, Governador do Wisconsin e visto, até há pouco tempo, como um dos principais favoritos a conseguir a nomeação presidencial pelo Partido Republicano, anunciou ontem a sua saída da corrida pela Casa Branca.
Walker, um herói dos conservadores pela sua luta frente aos sindicados no Wisconsin, parecia destinado a ser o principal obstáculo de Jeb Bush e Marco Rubio na campanha, em particular por poder posicionar-se como o candidato anti-establishment. Contudo, o destaque conseguido por candidatos que nunca foram políticos - Donald Trump, Ben Carson e Carly Fiorina - ofuscou a candidatura de Scott Walker que também não foi capaz de aproveitar os debates para recuperar notoriedade.
Com os números no Iowa, o Estado fulcral para as suas hipóteses nas primárias, em derrapagem e sem dinheiro a entrar em valores suficientes para manter a sua campanha competitiva, Scott Walker tomou a mesma decisão de Rick Perry há algumas semanas e anunciou a desistência. Fala-se agora que o Governador do Wisconsin ainda pode regressar à corrida caso se chegue à Convenção Nacional Republicana sem um vencedor claramente definido, assumindo-se como uma figura de estabilidade e consenso. 
O mais provável, porém, é que Walker procure manter o seu lugar de Governador, procurando a reeleição em 2018. No imediato, e no que à disputa pela nomeação presidencial republicana diz respeito, Marco Rubio pode beneficiar desta desistência, absorvendo os poucos votos que Scott Walker estava a reunir, e, mais importante do que isso, os seus apoios financeiros e institucionais.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A escolha acertada


Quando, na semana passada, escrevi sobre o actual frontrunner da corrida pela nomeação presidencial republicana, deixei bem claro que Donald Trump seria uma péssima escolha do GOP para representar o partido na eleição geral, onde seria facilmente derrotado pelo candidato(a) democrata. Pelo contrário, hoje escolhi falar sobre aquele que seria, na minha opinião, a melhor opção do Partido Republicano para voltar a controlar a Casa Branca: Marco Rubio.
Rubio é uma estrela em ascensão no GOP desde que foi eleito para o Senado pelo Estado da Florida, na onda republicana de 2010. Na altura, o jovem político derrotou um consagrado e experiente Charlie Crist, que tinha a vantagem de concorrer enquanto Governador da Florida, frente a um então desconhecido Rubio. Ainda assim, o republicano derrotou copiosamente a concorrência e a sua campanha assertiva, eloquente e isenta de erros catapultou-o para a ribalta nacional. Logo aí, ficou claro que Marco Rubio, que mostrou ter um discurso sólido e ser excelente a debater, estaria destinado a voos mais altos. Foi, assim, sem surpresa que o senador júnior da Florida lançou a sua candidatura à Casa Branca, constituindo-se como um dos principais adversários do seu amigo e mentor, Jeb Bush.
Rubio, de 44 anos, é um cara nova no panorama políticos dos Estados Unidos e a sua entrada em cena recorda a de Barack Obama. É jovem e carrega um simbolismo paralelo ao do 44º Presidente: como filho de cubanos, seria o primeiro presidente hispânico dos Estados Unidos. Com os republicanos cada vez mais distantes do eleitorado latino, a escolha de Rubio como nomeado poderia representar uma nova oportunidade junto deste segmento do eleitorado tão decisivo em eleições presidenciais. Mais: num campo de candidatos republicanos muito homogéneo, Rubio destaca-se.
Sendo jovem e uma cara nova em Washington, Marco Rubio seria um excelente contraponto à provável nomeada democrata, Hillary Clinton, podendo utilizar a cartada da dinastia, algo que, naturalmente, não está à disposição de Jeb Bush, um dos favoritos a conseguir a nomeação republicana.  
Além disso, com o seu estatuto de Senador pela Florida, Rubio partiria na pole-position no sunshine state que é, sem dúvida alguma, um dos Estados mais importantes na disputa pela presidência, sendo mesmo o swing state com mais votos eleitorais à disposição do seu vencedor - 29.
Finalmente, Rubio também seria uma escolha ideologicamente coerente. Não pertencendo a nenhuma franja limitada do Partido Republicano, como o libertário Rand Paul ou o cristão Evangélico Mike Huckabee, o senador da Florida é um conservador que agrada ao Tea Party ao mesmo tempo que consegue atrair alguns eleitores mais moderados. É certo que é mais conservador do que o nomeado republicano tradicional, mas, numa época em que o GOP guinou à direita, isso não é propriamente algo de surpreendente.
Contudo, até ao momento, Rubio não tem confirmado o seu potencial e os seus números nas sondagens não têm sequer conseguido atingir os dois dígitos.Ainda assim, nada está ainda perdido para Marco Rubio que tem ainda tempo para se assumir como um dos favoritos a obter a nomeação. Para o fazer, é imperioso que recorde aos eleitores republicanos (normalmente pragmáticos na escolha do seu nomeado), que, caso seja nomeado, seria uma escolha fortíssima para derrotar os democratas quando chegar o dia 8 de Novembro de 2016.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

The Donald Show

Ainda que não tenha escrito sobre isso (24 horas por dia não chegam, nem nada que se pareça), tenho seguido atentamente a campanha para as eleições primárias para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano e todo o espectáculo gerado pela presença do mais polémico candidato de que há memória: Donald Trump. O magnata do imobiliário - e eterno candidato a candidato presidencial - desta vez avançou mesmo com uma candidatura à Casa Branca. E que candidatura! O efeito do "The Donald" tem sido tal que transformou estas primárias num autêntico circo mediático, bem à imagem do excêntrico bilionário.
Com a sua forma de estar polémica e o seu discurso agressivo e politicamente incorrecto (e não raras vezes a resvalar para o mal educado e insultuoso), Trump tomou conta da campanha e conquistou admiradores entusiásticos e críticos ferozes. Com a sua notoriedade, Trump subiu rapidamente nas sondagens e é, há largas semanas, o líder incontestado da corrida. É, neste momento, o frontrunner e o alvo a abater por parte dos restantes candidatos.
Todavia, não acredito (ainda) que Donald Trump possa vir a ser o candidato presidencial do GOP. Em primeiro lugar porque o Verão que antecede as primárias é conhecido, em especial do lado republicano, por ser uma espécie de silly season. Nesta altura, a vários meses do início das primárias, a maioria dos norte-americanos está ainda pouco atenta ao trilho da campanha, ao passo que os eleitores mais entusiastas, que, no caso do GOP, são, por norma, os mais conservadores, estão já ligados a tudo o que se passa na corrida. Ora, esses eleitores costumam procurar um candidato fora do establishment e que represente a ala-dura do partido. Foi isso que aconteceu há quatro anos, quando Michelle Bachman e Rick Perry dominaram as sondagens nesta fase da campanha, sem que nenhum deles se viesse a tornar um verdadeiro contender na fase "a doer" das eleições. Em 2016, pode ser a vez de Donald Trump. Mas, como Perry e Bachman, o mais provável é que à medida que o grosso dos eleitores comece a prestar verdadeira atenção à disputa pela nomeação (e não apenas a todo o show off actual), Donald Trump seja ultrapassado por concorrentes mais institucionais e melhor posicionados para a eleição geral.
Por outro lado, é um facto que Trump tem dominado por mais tempo do que qualquer outros dos candidatos "anti-Romney" o fez em 2012, o que pode levar a crer que Trump veio para ficar e não é um fenómeno de circunstância, especialmente porque tem reinado entre um grande e forte leque de candidatos. Mas The Donald tem beneficiado, e muito, precisamente do facto de concorrer entre quase duas dezenas de republicanos que procuram a nomeação do partido. Trump, sempre polémico e sem papas na língua, é um homem de extremos e provoca essa mesma reacção: ou se adora, ou se detesta. Assim, com o seu discurso fracturante, conseguiu uma franja de apoiantes (os que o adoram) que lhe tem valido cerca de 30/35% das intenções de, voto de acordo com as sondagens, com os restantes eleitores (os que o detestam) a dividirem-se pelas restantes candidaturas.
Assim sendo, é provável que à medida que o tempo passa e que a corrida se vai definido, os eleitores que não gostam de Trump se vão posicionando atrás de um ou dois candidatos melhor posicionados para obter a nomeação, ao mesmo tempo que os concorrentes secundários e que ficam sem dinheiro e apoios se vão retirando da corrida. O empresário ficará, assim, "agarrado" à sua franja eleitoral, sem grandes hipóteses de ver crescer a sua base de apoio.
Contra Donald Trump funcionará também o aparelho do Partido Republicano, que não quer, de forma alguma, que seja o excêntrico e polémico bilionário a representar o GOP na eleição geral, com a consciência que isso significaria entregar de bandeja a Casa Branca aos democratas por mais quatro anos. O establishment do partido tem conseguido manter o controlo do processo de nomeação, pois não é habitual ver um outsider a concorrer sob a égide dos republicanos - o último caso terá sido Barry Goldwater em 1964 - e quererá que assim continue desta vez.
Por tudo isto, considero muito pouco provável que Trump venha a conseguir a nomeação. Ainda assim, convém continuar a prestar atenção a este ilustre candidato (o que não será difícil). Primeiro, porque, nesta fase das campanhas presidenciais os candidatos procuram essencialmente duas coisas: dinheiro e notoriedade. Ora, Donald Trump não precisa nem de uma coisa nem de outra, pois é um bilionário e pode financiar pessoalmente a sua campanha e é uma figura pública, conhecido nos Estados Unidos e no mundo. Finalmente, porque costuma dizer-se que nesta fase não se ganham eleições, mas podem perder-se. E, para já, Trump ainda não as perdeu.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Conversas Cruzadas da RR

Estive, no passado Domingo, no programa Conversas Cruzadas, para falar um pouco da actualidade política internacional, nomeadamente sobre o acordo nuclear com o Irão, o estado da campanha presidencial nos Estados Unidos e a difícil situação política brasileira. Os restantes convidados foram o Embaixador Seixas da Costa e os jornalistas Germano Almeida e José Alberto Lemos, com a moderação a cargo de José Bastos. Fica o link da conversa, com a certeza de que vale bem a pena ouvir.

Link "roubado" ao Germano Almeida.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hillary is getting started

Como era esperado, Hillary Clinton anunciou, ontem, o início oficial da sua candidatura à Casa Branca. Com uma mensagem no Twitter e este vídeo, com o título Getting Started, a grande favorita a selar a nomeação pelo Partido Democrata arrancou a sua campanha presidencial. Um anúncio simples e discreto, mas que termina com anos de indefinição sobre a candidatura presidencial da política mais conhecida, mas também mais controversa, dos Estados Unidos. Agora sim, já podemos dizer que a campanha presidencial de 2016 está lançada.

domingo, 12 de abril de 2015

A imagem da semana


Barack Obama continua a apostar no desanuviamento das relações com alguns dos países tradicionalmente adversários dos Estados Unidos. Neste momento, decorrem as negociações para um acordo nuclear com o Irão, semanas depois de o Presidente norte-americano ter anunciado o reatar de relações diplomáticas com Cuba, uma nação desavinda com os EUA há quase 70 ano. Na Cimeira das Américas, Obama e Raul Castro cumprimentaram-se e fizeram história. É verdade que o mesmo já tinha sucedido em 2013, por ocasião do funeral de Nelson Mandela, mas, desta vez, o gesto foi menos espontâneo e mais significativo, pois simbolizou o início de uma nova página nas relações cubano-americanas. 

sábado, 11 de abril de 2015

Começou a corrida à Casa Branca

A menos de um ano do início oficial das primárias presidenciais, já foi dado o tiro de partida para a corrida que culminará com a eleição do Presidente dos Estados Unidos que sucederá a Barack Obama e ocupará a Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2017. 
Ao que tudo indica, Hillary Clinton anunciará a formalmente a sua candidatura presidencial este fim-de-semana, provavelmente através das redes sociais, não sendo esperado um grande evento mediático para o arranque da sua campanha. Ao contrário de Obama, a presumível nomeada democrata prefere um início mais discreto, por se sentir menos à vontade do que o actual Presidente em eventos de grande escala, mas também para poder fazer uma campanha em crescendo e não perder balanço com o passar do tempo. 
Hillary deverá passar as próximas semanas nos early states (Iowa, New Hampshire e South Carolina), de forma a preparar as primárias do Partido Democrata, ainda que, até ao momento, não se vislumbre oposição de relevo para a sua segunda candidatura presidencial. Os pesos pesados que poderiam ameaçar a sua nomeação deverão deixar o caminho aberto para a antiga Secretária de Estado - nem a Senadora Elizabeth Warren, nem o Veep Joe Biden, nem o Governador de New York, Andrew Cuomo, são esperados na corrida em 2016. Por outro lado, os democratas que consideram concorrer contra Clinton (Martin O'Malley, Governador de Maryland, Jim Webb, Senador da Virginia e Lincoln Chafee, antigo Governador e Senador de Rhode Island) não têm notoriedade nem dinheiro suficientes para beliscar Hillary. Assim sendo, tudo aponta para um passeio da ex-Primeira-Dama rumo à nomeação democrata. Se isso é bom ou mau para os democratas será tema para um texto futuro.
Do lado republicano, o cenário é exactamente o oposto, com um leque de candidatos em quantidade e de qualidade. Até ao momento, o senador do Texas, Ted Cruz, e o senador pelo Kentucky, Rand Paul, já anunciaram a sua candidatura. Muito em breve, também Marco Rubio, Senador pelo Estado da Florida, deverá anunciar formalmente a sua candidatura à Casa Branca, sendo, então, adversário do seu grande amigo Jeb Bush (antigo Governador da Florida e irmão de George W. Bush) que será, certamente, outro dos concorrentes pela nomeação do GOP. Além destes, também Scott Walker, Governador do Wisconsin, Rick Perry, Governador do Texas, Chris Christie, Governador de New Jersey e Bobby Jindal, Governador do Louisiana deverão entrar na corrida. Há ainda outros possíveis candidatos, já repetentes destas andanças, como Mike Huckabee e Rick Santorum, que poderão animar a campanha.
Ou seja, são muitos os nomes que têm de ser referidos quando falamos nas primárias presidenciais republicanas para 2016. Há mesmo quem fale no mais forte leque de candidatos de sempre para uma campanha à Casa Branca. Contudo, de todos estes nomes, os principais favoritos a serem o escolhido pelos republicanos para defrontarem Hillary Clinton numa eleição geral são Jeb Bush, Scott Walker e Marco Rubio, provalvemente por esta ordem. Figuras como Rand Paul e Chris Christie podem ter uma palavra a dizer, mas dificilmente serão os nomeados. 
Neste momento, se tivesse de apostar, e a muito tempo do início das primárias, colocaria o meu dinheiro numa eleição geral disputada entre Hillary Clinton e Jeb Bush ou Scott Walker. Mas, até Janeiro do próximo ano, muito água vai passar debaixo da ponte e o cenário poder sofrer uma grande reviravolta. Durante os próximos tempos, falarei mais detalhadamente sobre cada um dos principais candidatos à Casa Branca. Mas, por agora, let the game begin!

P.S. - Infelizmente, e por vários motivos, tem sido impossível,a minha participação nesta Máquina Política. Espero, nos próximos tempos, alterar essa situação e conseguir voltar a escrever mais regular, especialmente agora, que vai começar aquele que considero ser o maior e mais importante espectáculo do mundo: a eleição presidencial norte-americana.