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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como a história julgará Obama

Ao entrarmos nos dois últimos anos do segundo e final mandato de Barack Obama na Casa Branca, é altura de se começar a perceber qual será o legado do 44º Presidente dos Estados Unidos. É certo que é ainda muito, muito cedo para ser clara a forma como a História julgará Obama. Contudo, é certo que o primeiro afro-americano a ocupar a Sala Oval deixará uma forte marca através da sua presidência. 
A reforma do sistema de saúde norte-americano constituirá, quase de certeza, o seu maior feito, mas a presidência de Obama tem vários outros destaques. O lançamento da recuperação económica norte-americana merece o primeiro plano, mas a legalização de milhões de imigrantes ilegais, a (tímida) reforma de Wall Street, a nomeação de duas mulheres (uma delas hispânica) para o Supremo Tribunal, a retoma das relações diplomáticas com Cuba, a eliminação de Bill Laden e a melhoria da imagem dos Estados Unidos no mundo também têm lugar na lista de principais feitos da Administração Obama.
Por outro lado, Barack Obama falhou rotundamente naquela que foi, porventura, a sua principal promessa eleitoral: 6 anos depois da sua eleição, o ambiente política em Washington está mais polarizado do que nunca e democratas e republicanos são incapazes de chegar a qualquer tipo de compromisso. Além disso, na frente externa, e apesar de Obama ter retirado as tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão, o Médio Oriente continua um barril de pólvora e a emergência do Estado Islâmico pode obrigar a um regresso das forças armadas dos Estados Unidos à península arábica. E Guantánamo continua em funcionamento...
Este é apenas um pequeno resumo dos principais destaques da presidência de Obama, sendo certo que, daqui a dois anos, será ocasião de aprofundarmos este assunto. Seja como for, este texto serviu como prelúdio para apresentar um artigo da New York que nos mostra um testemunho de 53 historiadores sobre o legado de Barack Obama. Vale a pena ler.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A 2ª emenda

A segunda emenda à Constituição dos Estados Unidos da América é o aspecto mais controverso do documento histórico que foi a Bill of Rights. Nesse aditamento, os founding fathers americanos estabeleceram o direito à posse e porte de armas de fogo, de forma a manter-se uma "milícia bem regulada, necessária para a segurança de um estado livre".

Apesar de na altura a medida parecer razoável como forma da nova nação americana manter uma força militar considerável, enquanto não formava um exército regular profissional estabilizado, a verdade é que ainda hoje (quase) todos os americanos têm o direito de possuir armas de fogo, a maioria deles sem qualquer tipo de regulação ou mesmo necessidade de registarem as suas armas - apenas 6 dos 50 Estados da União têm leis que obrigam ao seu registo. Depois, a definição da palavra "guns" é, actualmente, bastante mais larga do que há 220 anos, abrangendo, agora, armas de assalto, algumas delas com lançadores de granada que, obviamente, muito dificilmente poderão ser consideradas armas de defesa pessoal.

Estas questões dividem a sociedade norte-americana, mas a maioria dos cidadãos dos Estados Unidos defende a manutenção da liberdade garantida pela 2ª emenda. A nível político, os democratas tendem a favorecer medidas restritivas ao porte de armas, enquanto os republicanos defendem a liberdade de se possuir armas, como forma de defesa das famílias. Assim, não admira (apesar desta não ser a única razão) que os Estados Unidos sejam o país com mais mortalidade (entre homicídios, acidentes e suicídios) relacionada com armas de fogo, a larga distância da concorrência neste ranking infeliz.

Depois, há uma grande panóplia de pequenas questões em redor deste tema, como as variantes na liberdade de porte de arma visível ou escondida. Recentemente, aconteceram alguns casos caricatos, como os activistas de defesa da 2ª emenda que frequentavam os cafés da cadeia Starbucks com a sua arma bem à vista ou com a aprovação, hoje mesmo, de uma lei no Estado do Lousiana, assinada pelo Governador Bobby Jindal que permitirá o porte de armas de fogo nos locais de culto religioso, com a justificação que esta medida irá auxiliar os crentes que vivem em locais mais perigosos a deslocarem-se até à sua igreja, mesquita ou sinagoga.

Para nós, europeus, este é um dos aspectos mais estranhos e singulares da sociedade americana, como o são o basebol ou a fast-food, mas é preciso contextualizar este fenómeno com a história da América (veja-se o seu processo de independência da coroa britânica) e com a identidade cultural dos norte-americanos, tradicionalmente desconfiados do poder do Estado e contando consigo mesmos para zelar pelos seus interesses e pela sua própria defesa pessoal.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Virginia comemora a Confederação

O Governador da Virgínia, Bob McDonnell, lançou uma nova polémica no já de si agitado mundo político norte-americano ao anunciar que Abril será o Confederate History Month.
Esta comemoração, que acontece em alguns Estados do Sul, com o objectivo de recordar e honrar a história da Confederação não sucedia no Estado da Virgínia desde 2000, já que os dois últimos governadores, ambos democratas, tinham abandonado essa prática. McDonnel, que fez campanha e venceu identificando-se como um político moderado, recebe agora várias críticas da Esquerda e de associações afro-americanas e de defesas dos direitos civis. Mas, ao mesmo tempo, esta posição pode fortalecer a sua posição junto do eleitorado mais conservador.
Recorde-se que a Confederação consistiu numa aliança de onze Estados do Sul que, à revelia do governo federal de Washington, declarou a sua secessão dos Estados Unidos da América, o que provocou a Guerra Civil Americana (1861-65). Uma das principais razões para essa ruptura foi a questão da escravatura, que opunha os esclavagistas do Sul aos abolicionistas do Norte, liderados por Abraham Lincoln.
A meu ver, esta proclamação do governador do Estado que deu à América e ao mundo figuras como George Washington e Thomas Jefferson não é a mais correcta. Não digo isto porque considere que o passado deva ser escondido ou disfarçado, até porque a história de uma nação não é feita apenas de acontecimentos positivos e dignos de orgulho. E mais: a morte e os sacrifícios de milhares de sulistas durante a Guerra Civil deve ser honrada. Porém, parece-me errado fazer uma comemoração selectiva da história da Confederação como sugere o facto da proclamação de McDonnel, ao contrário da do seu último antecessor que celebrou o Confederate History Month, não fazer nenhuma referência à escravatura, que, como disse Lloyd Garrison, foi o "pecado nacional" americano.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O caso "General Armstrong"

Com este texto inauguro uma nova secção deste blogue, onde pretendo relatar alguns acontecimentos de maior relevância para a história dos Estados Unidos da América. E achei apropriado que o primeiro tema tratado fosse um que dissesse respeito às relações entre Portugal e os EUA - o caso "General Armstrong".
Esta história remonta a 1814, em plena guerra anglo-americana, quando um corsário americano, baptizado General Armstrong, que se encontrava ancorado no porto da Horta, na ilha do Faial, foi atacado e afundado por navios da marinha britânica. Este ataque britânico foi conduzido em território neutral português, ignorando os protestos veementes do governador local, Elias Ribeiro, que não tinha meios para impedir a acção das forças navais do Reino Unido. Na altura, o capitão do corsário americano, Samuel Reid, apresentou um protesto contra o governo português por este não ter sido capaz de defender a neutralidade do seu porto, mas o assunto não teve grande seguimento.
Porém, em 1849, 35 anos depois do ataque ao General Armstrong, o tema voltou a assumir preponderância nas relações dos dois países. Isto porque tinha chegado à Casa Branca um novo Presidente americano, Zachary Taylor, que deu instruções para que fosse exercida uma forte pressão sobre o governo português acerca deste caso, ameaçando mesmo com a suspensão das relações diplomáticas e outras represálias.
Mas qual era, afinal, a razão de tão grande interesse de Taylor nesta questão que parecia já esquecida? A resposta parece residir numa promessa pessoal feita pelo próprio Zachary Taylor, aquando da campanha militar no México que o elevou à condição de herói popular nos Estados Unidos. Antes da batalha de Monterrey, o filho do capitão Reid disse a Taylor que se vencesse a batalha seria o próximo presidente americano, ao que este respondeu que, se assim fosse, o capitão Reid venceria a sua reclamação contra Portugal.
Contudo, para sorte portuguesa, o Presidente Taylor faleceu subitamente, em 1850, depois de se ter sentido mal quando assistia às comemorações do 4 de Julho. Sucedeu-lhe o seu vice-presidente, Millard Fillmore, que assumiu uma postura mais moderada que permitiu chegar a um entendimento com o governo português. E assim terminou um incidente diplomático, baseado numa promessa feita por um presidente antes de assumir funções, que podia ter trazido graves consequências para as relações luso-americanas.