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terça-feira, 14 de abril de 2020

Obama apoia Biden

Barack Obama e Joe Biden mantiveram sempre, ao longo dos seus oito anos em conjunto na Casa Branca, uma excelente relação, tanto pessoal como profissional. A química entre os dois foi evidente e permitiu uma convivência pacífica e sem os atritos que marcaram outras relações entre Presidente e Vice-presidente na história da política norte-americana.
Apesar de Biden ter sido o seu Veep e de serem amigos, Obama não quis nunca ser visto como a intrometer-se na decisão das primárias do seu partido, muito menos a declarar o seu favorecimento a qualquer candidato, nomeadamente ao seu antigo vice. Chegaram mesmo a circular alguns rumores que davam a entender que Obama não via Joe Biden como a pessoa mais indicada para fazer face a Trump e que não estava impressionado com a campanha do antigo senador do Delaware. 
Mas, agora que Joe é o presumível nomeado do Partido Democrata, Obama não tinha por que se manter na rectaguarda e veio, num vídeo divulgado hoje, anunciar publicamente o seu apoio a Biden, deixando um claro contraste para com Donald Trump e apontando para o extenso currículo do seu antigo running mate.
Ao alcançar a nomeação, Joe Biden "liberta", assim, um dos seus mais poderosos trunfos na campanha que se avizinha, pois Barack Obama conta com bons níveis de popularidade entre os norte-americanos, é um orador de excelência e será importante na mobilização do eleitorado democrata, em especial o afro-americano, o que poderá ser decisivo em Novembro. Nessa altura, veremos se o apoio de Obama fez ou não a diferença na luta pela Casa Branca.

domingo, 12 de abril de 2015

A imagem da semana


Barack Obama continua a apostar no desanuviamento das relações com alguns dos países tradicionalmente adversários dos Estados Unidos. Neste momento, decorrem as negociações para um acordo nuclear com o Irão, semanas depois de o Presidente norte-americano ter anunciado o reatar de relações diplomáticas com Cuba, uma nação desavinda com os EUA há quase 70 ano. Na Cimeira das Américas, Obama e Raul Castro cumprimentaram-se e fizeram história. É verdade que o mesmo já tinha sucedido em 2013, por ocasião do funeral de Nelson Mandela, mas, desta vez, o gesto foi menos espontâneo e mais significativo, pois simbolizou o início de uma nova página nas relações cubano-americanas. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

State of the Union 2015

Barack Obama realizou ontem o habitual discurso do Estado da Nação perante o Congresso dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que o Presidente norte-americano discursou no órgão legislativo federal desde que os republicanos assumiram a maioria do Senado e terá sido o seu último State of the Union (SOTU) relevante para o que resta da sua Presidência (daqui a um ano já estarão a decorrer as primárias presidenciais e o SOTU perderá importância).
Foi um Presidente aguerrido e confiante aquele que compareceu na Câmara dos Representantes, ontem à noite. Desde a derrota democrata nas eleições intercalares, Obama parece renascido e com uma nova dinâmica. Os números das sondagens revelam isso mesmo e o actual ocupante da Sala Oval tem já índices de aprovação muito perto dos 50%, valores que, há pouco tempo, parecia que Obama nunca mais iria atingir neste seu último mandato na Casa Branca.
No seu discurso, Barack Obama apresentou uma clara defesa ao que a sua Administração alcançou nestes últimos seis anos e deixou bem claro que os seus principais feitos, como o Obamacare, a reforma de Wall Street ou a amnistia de imigrantes ilegais não serão revertidos pela oposição. Além disso, apresentou o seu plano para os seus dois últimos anos na Casa Branca, reafirmando a sua aposta na classe média, que considera o principal pilar da economia e da sociedade norte-americana, defendendo cortes fiscais para estes cidadãos, que serão possíveis com aumentos de impostos para os norte-americanos mais abastados.
Assim, assistiu-se, ontem, no Capitoll Hill, a um Presidente mais combativo do que apaziguador, ainda que Obama tenha recuperado um dos seus mais famosos discursos de sempre para afirmar que os críticos estão errados quando dizem que não cumpriu a sua ideia de uma América unida, em vez de uma América dividida em liberais e conservadores, ou em negros e brancos. 
Como é normal nestas ocasiões, a recepção ao seu discurso foi francamente positiva - uma sondagem da CNN mostrou que 81% dos norte-americanos deram uma nota positiva ao discurso do Presidente. Com este State of the Union, Barack Obama terá ganho ainda mais momentum, que lhe será, certamente, muito útil para enfrentar esta recta final da sua presidência. De facto, Obama volta a ser relevante e a ter capital político para fazer valer as suas ideias, mesmo perante um Congresso hostil e dominado pelo GOP. E isso também são boas notícias para Hillary Clinton, a provável nomeada presidencial para 2016 que logo após o final do SOTU deixou no Twitter o seu apoio a Barack.
Para o fim fica aquele que foi, no meu entender, o melhor momento de Barack Obama neste State of the Union. E, curiosamente, até foi improvisado...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um amigo atrasado

O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está em Paris para demonstrar a solidariedade dos Estados Unidos para com os franceses, após os atentados terroristas da semana passada que assombraram a Europa e o mundo. Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, a sua visita serve para "dar um abraço a Paris" e transmitir todo o apoio do seu país para com a França em choque.
Contudo, este é um tímido lavar de face por parte da Administração Obama, que cometeu uma gigantesca e incompreensível gaffe ao não enviar nenhum representante à grande manifestação de Paris, realizada no passado Domingo em honra das vítimas do atentado e em repúdio ao terrorismo. De facto, Barack Obama foi o grande ausente da manifestação que reuniu praticamente toda a liderança europeu e contou até com os líderes turco, israelita e palestiniano. E se é compreensível que o  Secret Service tenha vetado a presença de Obama por não ter tempo suficiente para preparar e montar todo o esquema de segurança necessário para a a presença do Chefe de Estado norte-americano num evento deste género, também é verdade que a Casa Branca poderia ter enviado o Vice-Presidente Joe Biden ou mesmo John Kerry, que até tem boas ligações com os franceses (a sua reacção em francês aos atentados caiu bem no Eliseu). No mínimo dos mínimos, Obama poderia e deveria ter sido representado por Eric Holder, o Attorney-General dos Estados Unidos, que até estava em Paris nesse fim-de-semana. O que é certo é que o país que sofreu os atentados do 11 de Setembro e lidera a luta contra o terrorismo radical islâmico não poderia ter sido representado apenas pela sua embaixadora em Paris.
Como não poderia deixar de ser, esta falha da Administração Obama mereceu diversas críticas, o que obrigou mesmo a Casa Branca a admitir o erro e enviar John Kerry a Paris para minimizar os danos. Mas o Secretário de Estado não está sozinho a tentar compensar as falhas da liderança norte-americana e conta com um apoio de peso. O conceituado guitarrista James Taylor acompanhou Kerry numa visita aos responsáveis franceses e dedicou-lhes o tema "You've got a friend". Sim, os franceses têm nos Estados Unidos um amigo. Ainda que um amigo muito, muito atrasado...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como a história julgará Obama

Ao entrarmos nos dois últimos anos do segundo e final mandato de Barack Obama na Casa Branca, é altura de se começar a perceber qual será o legado do 44º Presidente dos Estados Unidos. É certo que é ainda muito, muito cedo para ser clara a forma como a História julgará Obama. Contudo, é certo que o primeiro afro-americano a ocupar a Sala Oval deixará uma forte marca através da sua presidência. 
A reforma do sistema de saúde norte-americano constituirá, quase de certeza, o seu maior feito, mas a presidência de Obama tem vários outros destaques. O lançamento da recuperação económica norte-americana merece o primeiro plano, mas a legalização de milhões de imigrantes ilegais, a (tímida) reforma de Wall Street, a nomeação de duas mulheres (uma delas hispânica) para o Supremo Tribunal, a retoma das relações diplomáticas com Cuba, a eliminação de Bill Laden e a melhoria da imagem dos Estados Unidos no mundo também têm lugar na lista de principais feitos da Administração Obama.
Por outro lado, Barack Obama falhou rotundamente naquela que foi, porventura, a sua principal promessa eleitoral: 6 anos depois da sua eleição, o ambiente política em Washington está mais polarizado do que nunca e democratas e republicanos são incapazes de chegar a qualquer tipo de compromisso. Além disso, na frente externa, e apesar de Obama ter retirado as tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão, o Médio Oriente continua um barril de pólvora e a emergência do Estado Islâmico pode obrigar a um regresso das forças armadas dos Estados Unidos à península arábica. E Guantánamo continua em funcionamento...
Este é apenas um pequeno resumo dos principais destaques da presidência de Obama, sendo certo que, daqui a dois anos, será ocasião de aprofundarmos este assunto. Seja como for, este texto serviu como prelúdio para apresentar um artigo da New York que nos mostra um testemunho de 53 historiadores sobre o legado de Barack Obama. Vale a pena ler.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Obama enfurece o GOP

Após a esmagadora vitória nas eleições intercalares, muitos republicanos pensaram que Barack Obama não teria outro remédio senão admitir a derrota e aproximar-se das posições do GOP. Contudo, quem esperava um compromisso em Washington enganou-se, pois as posições estão, agora, mais extremadas do que nunca. Isto porque o Presidente dos Estados Unidos, em vez de tentar agradar à oposição, preferiu irritá-la, ao fazer saber que se prepara para tomar acções executivas (flanqueando, assim, o Congresso) que permitam legalizar alguns imigrantes ilegais.
Como era previsível, o Partido Republicano insurgiu-se rapidamente contra estes planos da Casa Branca, com algumas vozes mais radicais a falarem mesmo num eventual processo de impeachment (demissão forçada pelo Congresso) de Barack Obama. E se o impeachment é um hipótese muito remota (e o desencadeamento desse processo por parte do GOP seria uma verdadeira dádiva para os democratas), já um novo shutdown do governo federal, através da suspensão dos fundos necessários para o funcionamento do Estado por parte do Congresso republicano, é um cenário mais plausível. E, de facto, já alguns sectores republicanos - mais ligados ao Tea Party - têm falado, nos últimos dias, de um novo shutdown como forma de retaliação pelas possíveis acções do Presidente no campo da imigração. Naturalmente, a liderança republicana, ciente que os shutdowns anteriormente provocados pelo seu partido prejudicaram a imagem do GOP junto da opinião pública, está já a tomar as medidas necessárias para evitar tal possibilidade.
Quanto a Barack Obama, parece-me que esta é uma medida acertada a nível político e eleitoral. É verdade que está novamente a confrontar a oposição e que pode ser criticado por não respeitar os resultados das últimas eleições que foram altamente favoráveis aos republicanos. Mas também é um facto que Obama tem poucas hipóteses, faça o que fizer, de alcançar compromissos razoáveis com um Partido Republicano cada vez mais entrincheirado. Sem o apoio do Congresso, resta ao Presidente dos Estados Unidos optar por acções executivas se quiser deixar a sua marca no campo legislativo interno nestes dois anos finais do seu mandato.
Por outro lado, Barack Obama pretende forçar os republicanos a tomarem novamente uma posição vista como anti-imigração, o que alienará - mais ainda - o eleitorado hispânico que será, previsivelmente, decisivo no próximo ciclo eleitoral. Esta medida de Obama é especialmente prejudicial para os candidatos presidenciais republicanos que, face à assertiva oposição do GOP, serão obrigados a vir a público condenar as acções do presidente norte-americano. E, como se viu com Romney em 2012, essa postura anti-imigração do eventual nomeado republicano poderá custar-lhe muitos votos na eleição geral e, quem sabe, até a Presidência. 
Por isso, com esta medida, Obama estará a ajudar alguns milhões de imigrantes ilegais que poderão ficar nos Estados Unidos, pelo menos, por mais algum tempo, mas estará também a dar uma preciosa contribuição para a campanha do nomeado presidencial democrata. Hillary Clinton (who else?) agradece.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Os democratas perdem a maioria no Senado: e agora?

Como ontem referi, tudo aponta, na véspera do dia de todas as decisões, no sentido de os republicanos estarem muito perto de "roubarem" a maioria no Senado aos democratas, tornando-se, assim, a força maioritária nas duas câmaras do Congresso. A confirmar-se esta previsão (o que poderá suceder apenas em Janeiro do próximo ano, devida a possíveis segundas voltas), o que mudará no panorama político dos Estados Unidos?
Na verdade, não me parece que, formalmente, se verifique uma grande mudança, especialmente a nível legislativo. De facto, o Partido Republicano já controla a Câmara dos Representantes e, por isso, os democratas, para fazerem passar legislação, têm sempre de chegar a acordo com a oposição. Contudo, o mesmo já não acontece no que diz respeito a nomeações presidenciais, que, segundo a Constituição, necessitam apenas da confirmação do Senado. Assim, e caso a maioria na câmara alta seja republicana, Barack Obama terá mais dificuldades em fazer aprovar os seus nomeados políticos (eventuais substituições na sua Administração) e, principalmente judiciais. E isso, numa altura em que surgem rumores que apontam para uma possível vaga no Supremo Tribunal, pode ter um grande impacto.
Mas a maior consequência de uma derrota democrata de grandes proporções na noite de amanhã pode ser mesmo ao nível da percepção. Com os níveis de popularidade de Obama em queda livre, a perda do controlo do Senado implicaria um novo e grande rombo na credibilidade do Presidente norte-americano e debilitaria seriamente a sua posição em Washington. Sem apoio no Congresso e com uma imagem tão negativa junto do público que dissuadiria outros políticos de se verem associados ao Presidente, Obama teria enormes dificuldades em fazer passar algum pacote legislativo com alguma relevância. Nesse caso, a reforma da imigração poderia estar seriamente, senão definitivamente, comprometida. Em resumo, teríamos um Barack Obama, durante os dois últimos anos do seu mandato na Casa Branca, em modo lame duck.
Mas nem tudo são más notícias para o Partido Democrata. Mesmo que o partido de Obama perca, nestas eleições, a maioria no Senado, é praticamente certo que a recuperará já daqui a dois anos, aquando das eleições de 2016. Nessa altura, irão a votos os Senadores que foram eleitos na onda republicana de 2010 e, alguns deles, representam Estados fortemente democratas. Por isso, num ano de eleições presidenciais, que atraem mais eleitores democratas às urnas, é crível que o Partido Democrata amealhe assentos suficientes para destronarem novamente os republicanos da maioria na câmara alta. Em suma, as previsíveis vitórias do GOP na noite de amanhã serão, sem dúvida, saborosas para os republicanos, mas virão, todavia, com um prazo de validade.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Obama, o indesejado

Com as eleições intercalares à porta, os democratas de topo desdobram-se no apoio aos candidatos do seu partido. Contudo, Barack Obama tem marcado uma discreta presença no terreno, já que, devido à sua impopularidade, os concorrentes democratas preferem manter a distância em relação ao Presidente dos Estados Unidos. Aliás, houve mesmo uma candidata do Partido Democrata ao Senado - Alison Grimes, no Kentucky - que recusou dizer se havia votado em Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Não admira, por isso, que quando os democratas precisam de uma "estrela" para animar a sua campanha, passem ao lado de Barack Obama e chamem alguém como Bill Clinton ou até a Primeira-Dama, Michelle Obama...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Agenda em dia

Depois de umas merecidas férias, o Máquina Política está de regresso. Durante o período de descanso, muito se passou do lado de lá do Atlântico. Mas vamos por partes:

EUA atacam o ISIS - Depois de dois jornalistas norte-americanos terem sido decapitados pelo Islamic State in Iraq and Syria (ISIS), Barack Obama decidiu agir e, num discurso transmitido em directo pelas principais cadeias dos Estados Unidos, anunciou o seu plano para combater o ISIS, grupo radical que controla já grande parte do Iraque e da Síria. O Presidente informou os cidadãos norte-americanos que os ataques aéreos da Força Aérea dos Estados Unidos já em vigor no território iraquiano serão alargados a regiões da Síria ocupadas pelo ISIS. Além disso, Obama anunciou ainda que colocará mais conselheiros militares norte-americanos no terreno e que aumentará o apoio financeiro e militar às autoridades iraquianas e curdas que combatem o Estado Islâmico. Contudo, Barack Obama frisou que o conjunto de acções agora implementado não contempla o envio de tropas combatentes norte-americanas.
Estas novas medidas são a resposta de Obama ao choque sentido pela opinião pública dos Estados Unidos após a divulgação dos vídeos das decapitações dois dois jornalistas. Contudo, o 44º Presidente norte-americano está numa situação muito delicada, pois sempre defendeu a retirada do Iraque e, agora, está, de facto, a regressar àquele território para uma nova guerra de desgaste sem um fim à vista. Na verdade, este pode ter sido um momento decisivo para o legado de Obama que chegou ao poder como aquele que acabaria com o fim da presença norte-americana no Médio Oriente, mas que pode, como o seu antecessor, deixar a Casa Branca com um conflito em aberto e que terá de ser resolvido pelo seu sucessor.

Eleições intercalares - A menos de dois meses das eleições intercalares, as notícias não podiam ser piores para os democratas. Com uma maioria na Câmara dos Representantes a ser uma mera possibilidade matemática, está também cada vez mais complicada a tarefa do partido de Obama para manter a maioria no Senado. Se as eleições fossem hoje,  segundo tanto Nate Silver como Larry Sabato, o mais provável é que o GOP alcançasse o controlo da câmara alta do Congresso, relegando os democratas para a oposição. 
Nesse caso, o mais provável é que os dois últimos anos do mandato presidencial de Obama fossem praticamente irrelevantes no sector legislativo, dado que sem apoio do Congresso, será praticamente impossível para um presidente relativamente impopular conseguir amealhar apoios para qualquer peça legislativa de relevo (como, por exemplo, a reforma da imigração).

Corrida presidencial - Do lado democrata, não há novidades. Hillary Clinton continua a ser a presumível nomeada democrata e a antiga Primeira-Dama regressará, este Domingo, ao Iowa, o primeiro Estado a ir a votos nas primárias presidenciais. Esta será a primeira vez que Hillary se desloca ao Hawkeye State desde que, em Janeiro de 2008, foi surpreendentemente derrotada por Barack Obama (e também por John Edwards). Tudo indica que a ex-Secretária de Estado entrará mesmo na corrida, isto apesar de ter anunciado esta semana que apenas tomará uma decisão no início do próximo ano. Com todos os outros democratas de peso (que não são assim tantos como isso) a colocarem-se de fora das contas presidenciais para 2016 devido à presença de Clinton, o Partido Democrata não receberia nada bem uma decisão negativa da sua grande estrela quanto à sua candidatura à Casa Branca.
Do lado republicano, o destaque vai para Ted Cruz e para Rand Paul. O primeiro continua a dar mais indicações quanto à sua candidatura presidencial, com o seu chefe de gabinete a deixar esse cargo para assumir maiores responsabilidades políticas (leia-se, eleitorais). Todavia, o Senador pelo Texas foi também notícia pela negativa: numa gala organizada por um grupo de cristãos do Médio Oriente, Cruz abandonou o palco onde discursava, após as suas declarações vincadamente pró-Israel terem sido recebidas pela audiência com fortes vaias. Já em relação ao segundo é praticamente certo que será um candidato presidencial e as suas constantes presenças no New Hampshire, o primeiro Estado a realizar primárias indiciam que o Granite State será o centro da sua estratégia. Ora, tal facto não é surpreendente ou não fosse o eleitorado republicano do New Hampshire um dos mais favoráveis a candidaturas de candidatos com raízes libertárias, como se comprova pelo excelente resultado obtido, em 2012, por Ron Paul (pai de Rand), com 23% dos votos, apenas atrás do vencedor, Mitt Romney.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Hillary distancia-se de Obama

Há já poucas dúvidas em relação à presença de Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca, em 2016. Nas últimas semanas, a antiga Secretária de Estado tem-se comportado como uma concorrente presidencial e tudo indica que, em alguma altura do próximo ano, a esposa de Bill Clinton anunciará a sua candidatura ao cargo de Presidente dos Estados Unidos.
Com uma larga vantagem em todos os estudos de opinião sobre as primárias democratas e (ainda) sem um vislumbre de adversário nas eleições do seu partido, Hillary parece estar já a "piscar o olho" ao eleitorado independente, sempre fundamental numa corrida presidencial. Isso ficou evidente, nos últimos dias, com o distanciamento da ex-Senadora em relação a Barack Obama, Presidente e seu antigo patrão no que diz respeito à política externa. Ao dar a entender que considera que Obama tem sido demasiado prudente nas assuntos internacionais ("não fazer coisas estúpidas não é um princípio organizador"), Clinton está a querer transmitir que defende uma postura mais interventiva e agressiva dos Estados Unidos no mundo, algo que deve soar bem aos ouvidos dos eleitores independentes e até republicanos.
Hillary foi especialmente incisiva na questão da Síria, onde afirmou que foi o "falhanço" norte-americano em ajudar os rebeldes sírios no início da sua revolta contra o Presidente Assad que levou à ascensão do ISIS, movimento extremista islâmico que ameaça agora o Iraque. Além disso, mostrou-se totalmente alinhada com Israel e com Netanyahu, querendo mostrar que o seu nível de comprometimento com o aliado norte-americano é superior ao da Administração Obama (o que cai sempre bem entre o importante eleitorado judaico nos Estados Unidos).
Esta foi a primeira vez que Hillary Clinton se demarcou publicamente do líder do seu país (e do seu partido). Apesar de ter sido um desalinhamento educado e não muito "sonoro", a verdade é que não deixa de ser relevante e indicativo das intenções da mais conhecida política norte-americana. Sendo Obama um presidente relativamente impopular, é normal que Hillary se veja obrigada a distanciar-se de forma a não ser tão afectada pela má imagem do presidente democrata. Contudo, depois de ter servido como Secretária de Estado de Obama durante quatro anos, é inevitável a colagem de Hillary ao Chefe de Estado norte-americano e, certamente, os republicanos usarão isso para atacar Clinton durante uma eventual campanha presidencial. Veremos se isso será suficiente para afastar Hillary Clinton da Casa Branca. 

P.S. - Por diversos motivos, o Máquina Política tem estado inactivo. Tentarei, dentro dos possíveis, retomar reactivar a máquina e voltar a colocá-la a laborar a 100%.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Obama mexe na sua Administração, a pensar no presente e no futuro

Quando a primeira metade do segundo e último mandato de Barack Obama na Casa Branca se aproxima do fim, continua a dança de cadeiras na sua Administração. Nos últimos dias, merece destaque a mudança de Shaun Donovan, até agora director do Department of Housing and Urban Development, para ocupar o cargo de director do Office of Management and Budget, posto que (ainda) é ocupado por Sylvia Mathews Burwell, que por sua vez irá liderar o Department of Health and Human Services. 
A escolha de Shaun Donovan para este influente cargo, com importantes responsabilidades no orçamento federal, não era das mais óbvias. Contudo, na base da decisão de Obama terá estado o sucesso de Donovan em tomar acções por via de decisões executivas, deixando as medidas legislativas para segundo plano. Ora, esse é precisamente o caminho que o Presidente dos Estados Unidos procura tomar nos últimos anos à frente dos destinos da nação norte-americana, ciente que a oposição republicana no Congresso, porventura aumentada com a possível tomada do Senado pelo GOP, não poderá ser ultrapassada. Assim sendo, Obama chama para o seu lado personalidades com experiência de gestão e com provas dadas em acção executiva, como é o caso de Donovan.
Além disso, o cargo deixado em aberto no Department of Housing and Urban Development será preenchido por uma das principais estrelas em ascenção no Partido Democrata, o actual Mayor da cidade texana de San Antonio,Julián Castro. Castro, descendente de mexicanos, ganhou destaque com a Convenção Democrata de 2012, em que realizou o discurso keynote. Agora, com esta nomeação para a Administração, o ainda Mayor ganha mais notoriedade e bagagem política, que podem revelar-se mais-valias para eventuais voos mais altos. 
Voos esses que podem chegar mais cedo do que se pensa. Apesar de uma candidatura presidencial em 2016 estar praticamente fora de hipótese, Julián Castro seria, a meu ver, um excelente candidato à vice-presidência, especialmente se, como se espera, a nomeada presidencial democrata se chamar Hillary Clinton. Um ticket Clinton-Castro seria certamente fortíssimo, pois aliaria o eleitorado tradicional dos Clinton (mulheres, afro-americanos e blue collar workers) ao eleitorado hispânico (em que Hillary não deverá ser tão forte quanto Obama), que se sentiria encorajado a votar naquele que seria o primeiro Vice-Presidente hispânico dos Estados Unidos da América.
Com estas mudanças na sua Administração, Barack Obama mata, então, dois coelhos com uma só cajadada: adapta a sua equipa aos desafios que lhe são colocados na parte final da sua estadia na Casa Branca, ao mesmo tempo que coloca potenciais futuras figuras de proa seu partido sob os holofotes mediáticos. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Jantar dos Correspondentes da Casa Branca


Foi no passado Sábado o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, um dos eventos mais aguardados e mediáticos da capital norte-americana, Washington D. C. Tradicionalmente, o Presidente é o orador principal e, para não fugir à regra estabelecida para esta ocasião, Barack Obama vestiu a pele de Comedian-in-Chief. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sebelius de saída

Barack Obama aceitou, ontem, a demissão de Kathleen Sebelius, a Secretária dos Serviços de Saúde (Health and Human Services)  desde a tomada de posse da Administração Obama, em Janeiro de 2009. A imagem de Sebelius ficou inevitavelmente marcada pela negativa devido ao fiasco do site healthcare.gov, o sítio na internet onde os cidadãos norte-americanos se devem candidatar aos novos seguros de saúde criados pela reforma de saúde que ficou conhecida como Obamacare. Aquando do lançamento do site, vários foram os problemas e que levaram mesmo a um pedido de desculpas público do Presidente Obama.
Desde essa altura, o lugar da Secretária foi sucessivamente dado como muito estando em perigo, mas a verdade é que Barack Obama foi aguentando Sebelius no cargo, numa demonstração de lealdade para com aquela que foi uma das primeiras figuras proeminentes do Partido Democrata a apoiaram publicamente a sua candidatura à Casa Branca, em 2008 (na altura, Kathleen Sebelius era Governadora do Kansas). Agora, ao que tudo indica, será a actual directora do Office of Management and Budget, Sylvia Mathews Burwell a ser nomeada por Barack Obama para substituir a demissionária Sebelius.
Curiosamente (ou talvez não), a saída da Secretária dos Serviços de Saúde surge numa altura em que começam a aparecer os primeiros sinais positivos da implementação da reforma do sistema de saúde norte-americano. Com os problemas no healthcare.gov aparentemente resolvidos e com os primeiros milhões de cidadãos a aderirem ao Obamacare, é de esperar que a opinião dos norte-americanos comece a ser progressivamente (ainda que lentamente) mais favorável em relação à histórica peça legislativa assinada por Obama. Isso mesmo já terá percebido o Partido Republicano, que desde o início se mostrou intransigente na defesa da revogação da reforma, mas que, agora, já alterou o discurso, clamando pela melhoria e aperfeiçoamento da lei que permitiu o acesso a cuidados de saúde a milhões de norte-americanos.
Caberá agora a Sylvia Mathews Burwell a responsabilidade de alargar a implementação do Obamacare, uma tarefa de grande importância, em especial quando se aproxima a fase final da estadia de Obama na Casa Branca. Sendo a reforma da saúde a grande bandeira da presidência de Barack, é essencial que o Obamacare cumpra efectivamente a promessa de benificiar dezenas de milhões de norte-americanos que não tinham, até agora, acesso a cuidados de saúde O legado de Barack Obama depende disso.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Obama não se resigna e vai à luta

Barack Obama esteve ontem no Congresso dos Estados Unidos para o seu quinto discurso do Estado da Nação, um momento sempre marcante numa Presidência mas que, nas últimas décadas, tem vindo perder relevância política, à medida que se transforma cada vez mais num espectáculo mediático. 
Em ano eleitoral, esperava-se que o Presidente tentasse marcar pontos políticos que permitissem ganhos eleitorais aos democratas. Contudo, foi um Obama mais preocupado com policys do que com politics aquele que surgiu ontem na Câmara dos Representantes. Não houve muitos crowd pleasers para a base liberal do Partido Democrata, mas o Presidente tocou em alguns temas queridos para os democratas e fez da igualdade porventura o principal destaque deste discurso.
Este State of the Union pode ser dividido em duas partes. Em primeiro lugar, Obama defendeu o seu historial na Casa Branca. Como não podia deixar de ser, apresentou uma forte defesa da reforma da saúde e desafiou os republicanos a apresentarem alternativas, num momento muito aplaudido pela ala democrata. Num tom sempre muito optimista, apontou para a recuperação económica dos Estados Unidos durante a sua Presidência, nomeadamente ao nível do emprego, da produção industrial e do mercado imobiliário.
Depois de defender o que já fez, Barack Obama partiu para o que pretende fazer. Anunciou o aumento do salário mínimo para os trabalhadores federais através de uma acção executiva presidencial e exortou o Congresso a aprovar legislação que alargue este aumento a todos os trabalhadores. Com este gesto, Obama quis mostrar que não se resignará perante a paralisia do Congresso dividido e que está disposto a usar o seu poder executivo para fazer avançar a sua agenda mesmo sem o apoio do órgão legislativo. O líder norte-americano também se referiu àquele que deverá ser o seu próximo objectivo legislativo: a reforma da imigração. Sem ser demasiado agressivo (Obama não quer antagonizar os republicanos que parecem estar agora dispostos a avançar neste tema), o Presidente foi claro ao insistir na necessidade desta reforma que poderá legalizar a situação de milhões de imigrantes ilegais.
O discurso de ontem, que durou pouco mais de uma hora, está a ser genericamente bem recebido, ainda que não deva representar um game changer que permita a Obama melhorar substancialmente os seus números de aprovação nas sondagens, que, nos últimos meses, andam insistentemente em terreno negativo. Todavia, o State of the Union serviu pelo menos para se perceber que Barack Obama não desiste da luta e não tenciona remeter-se à irrelevância à medida que o seu último mandato na Casa Branca se aproxima do fim.

Nota: Como acontece sempre em todos os discursos do Estado da Nação, um dos membros do Cabinet  do Presidente é escolhido para não marcar presença na cerimónia, precavendo, dessa forma, a linha de sucessão presidencial em caso de atentado terrorista ou catástrofe natural que decapite o governo federal. Curiosamente, desta vez, foi o Secretário da Energia, Ernest Moniz, o eleito. Como Moniz é filho de açorianos, podemos dizer que nunca esteve um luso-descendente tão perto da Presidência dos Estados Unidos como na noite de ontem.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As duras tarefas de Obama em 2014

Já começa a dar que falar a eleição presidencial de 2016, momento em que os norte-americanos escolherão o sucessor da Barack Obama à frente dos destinos dos Estados Unidos. Contudo, quase três anos nos separam desse marcante acontecimento e o actual ocupante da Casa Branca tem ainda mais de metade do seu mandato pela frente. Ora, a segunda metade do último mandato de um Presidente é normalmente caracterizada por uma perda de influência e de capacidade interventiva do Chefe de Estado que se torna um Lame Duck. Para Obama, este é um problema ainda maior, dado que o primeiro ano deste seu segundo mandato, o período em que teria, em teoria, mais margem para conseguir realizações importantes, foi marcado pela polémica em torno da implementação do programa que ficou conhecido como Obamacare, que ofuscou todos os outros temas e manchou de tal modo a sua imagem que impediu Obama de perseguir outros objectivos.
Agora, Barack Obama tenta recuperar o domínio da narrativa política, de forma a recuperar a opinião pública a tempo de alcançar ainda vitórias que marquem a sua passagem pela Casa Branca, com natural destaque para uma muito aguardada reforma da imigração. O discurso do Estado da Nação, marcado para daqui a duas semanas, é a oportunidade ideal para o fazer. Contudo, um discurso eficiente perante o Congresso não chegará para colocar Obama de novo nas boas graças da opinião pública. Com a reforma do sistema de saúde no centro das atenções, os democratas se podem dar ao luxo de ignorar o tópico. Assim, Obama e os membros do seu partido começam agora a fazer um novo pressing, tentando "vender" a sua mais importante vitória legislativa aos norte-americanos. Para serem bem sucedidos, é essencial que os problemas com o site do Obamacare sejam totalmente resolvidos, pois só assim poderão acalmar as críticas ao programa.
Finalmente, e mesmo que tudo isto seja alcançado por Barack Obama, chegará o mais decisivo dos objectivos para este ano: as eleições intercalares. Apesar de o Presidente não ir a votos nas eleições de Novembro, a verdade é que os seus dois últimos anos enquanto Presidente muito dependerão dos resultados desse momento eleitoral, já que uma vitória republicana em toda a linha, que significasse uma maioria nas duas câmaras do Congresso, teria um efeito devastador para o Presidente.Se, neste momento, quando ainda não é um Lame Duck e ainda conta com uma maioria democrata no Senado, Obama já sente enormes dificuldades em fazer avançar as suas iniciativas legislativas, então, no período final da sua estadia Casa Branca, com o GOP a controlar o Congresso, seria um Presidente isolado e totalmente paralisado.
Por isso, Obama e o Partido Democrata sabem que têm de se agarrar com unhas e dentes ao controlo do Senado, já que a recuperação da maioria na Câmara dos Representantes é algo muito difícil de ser conseguido. Acontece que o cenário é muito complicado para os democratas, que contam com 21 assentos  na câmara alta em jogo, contra apenas 14 do lado republicano. Além disso, muitos dos lugares democratas em jogo estão em perigo de trocarem de mãos, enquanto que os do GOP estão, maioritariamente, mais seguros na coluna vermelha. Desta forma, os democratas terão de jogar principalmente à defesa, defendendo a sua maioria de 55 senadores, sendo certo que perderão pelo menos alguns deles.
Assim sendo, em 2014, Barack Obama terá, simultaneamente, de conseguir voltar a controlar a narrativa política, recuperar a sua popularidade (e do "seu" Obamacare) aos olhos dos eleitores, tentar alguma vitória legislativa e evitar uma derrota eleitoral, empenhando-se no trilho da campanha (onde a sua presença for benéfica, claro) e na angariação de fundos em prol dos candidatos democratas. Será, certamente, um ano duro e trabalhoso para Obama. Falta saber se será também um ano bem sucedido.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A economia recupera, mas os americanos andam zangados

A popularidade do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anda pelas ruas da amargura. Segundo a última sondagem da Gallup, 49% dos norte-americanos não estão contentes com o trabalho do seu Chefe de Estado, ao invés dos apenas 42% que aprovam a prestação de Obama na Casa Branca. 
A insatisfação com o trabalho do Presidente é ainda acompanhada de uma percepção generalizada por parte do público de que a situação do país está a piorar e não a melhorar. De facto, de acordo com os dados fornecidos pela Rasmussen, 65% dos norte-americanos considera que a direcção seguida pelos Estados Unidos é errada, com apenas 28% a achar o contrário.
Curiosamente, o agravamento da percepção negativa por parte do público norte-americano em relação ao trabalho de Obama e ao rumo do seu país, surge numa altura em que a economia dos Estados Unidos dá sinais de uma franca recuperação, em claro contra-ciclo com outras regiões do mundo, sendo a Europa o exemplo mais flagrante. Em Novembro, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos cinco anos, estando agora nos 7% e os níveis de emprego nos EUA aproximam-se dos valores "normais" do período anterior à grande crise de 2008.
A confirmar-se esta tendência até ao final de 2016, então Barack Obama poderá até ter um grande argumento para utilizar como ponto-chave do seu mandato: a recuperação económica. Na verdade, o 44º Presidente dos Estados Unidos chegou à Casa Branca no olho do furacão que representou a crise económica e financeira de 2008. Contudo, e apesar do aumento do desemprego na primeira metade do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi capaz de evitar uma recessão como a que se verificou na Europa, salvou a indústria automóvel (um dos pilares da economia norte-americana), reformou (ainda que timidamente) a regulação financeira de Wall Street e lançou um programa de estímulos federais que, além de impedir níveis de desemprego ainda mais elevados, serviu de âncora para uma lenta mas notória recuperação económica. 
Contudo, e apesar de ter realizado todos estes feitos, Barack Obama não recebeu por eles todo o mérito que lhe era devido e, pior ainda, merece, actualmente, índices de popularidade francamente negativos. É difícil explicar as razões que levam os norte-americanos a entender que a situação do país está a piorar, quando todos os indicadores apontam o contrário. Talvez a polémica em torno da implementação da impopular reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos explique parte da insatisfação do público, mas certamente não o explica na sua totalidade. Assim, estou mais inclinado a considerar que é o actual clima de polarização política em Washington a estar na base do negativismo do público. 
Actualmente, democratas e republicanos mostram-se incapazes de se entenderem no que quer que seja e o país parece ingovernável. Como se vê pelos números das sondagens (Obama tem valores negativos e o índice de aprovação do Congresso ronda os 12%!), os norte-americanos não estão contentes com os políticos e não vêem uma luz ao fundo do túnel para a resolução do impasse na capital federal. Por isso, aos olhos do público, a recuperação económica acontece apesar dos políticos e não por causa dos políticos. E, assim sendo, Obama (que também tem a sua quota-parte de responsabilidades na polarização política actual) "leva por tabela" e vê a sua popularidade prejudicada.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Obama homenageia Mandela e cumprimenta Castro

Como grande parte dos líderes mundiais, Barack Obama esteve presente na sentida homenagem a Nelson Mandela. Sendo o primeiro presidente dos Estados Unidos descendente de africanos, Obama é muito querido nesse continente e o seu discurso em Pretoria foi calorosamente recebido pelos milhares de sul-africanos presentes no estádio Soccer City. O discurso de Obama foi emotivo e, como não podia deixar de ser, muito elogioso para Madiba, a quem comparou a outras grandes figuras como Ghandi, Martin Luther King e Abraham Lincoln. Aliás, o Presidente norte-americano classificou mesmo o antigo Presidente sul-africano como o último grande libertador do século XX. 
A presença de Barack Obama na homenagem ao lendário Nelson Mandela ficou também marcada pelo seu cumprimento ao líder cubano, Raul Castro, um momento especialmente importante ou não estivessem as nações cubana e norte-americana desavindas há mais de 50 anos. É difícil perceber se o gesto teve algum significado especial ou se o líder norte-americano apenas evitou um incidente protocolar, mas é certo que os assistentes de Obama saberiam de antemão quem estaria no caminho do Presidente entre o seu lugar e o pódio e teriam, por isso, formas de evitar tal encontro se o desejassem. É, por isso, possível especular que Obama tenha cumprimentado o irmão de Fidel por livre e espontânea vontade, um gesto que, convenhamos, encaixa que nem uma luva no espírito de conciliação advogado por Mandela (e que foi também seguido pelas suas duas mulheres, que, também na cerimónia, deixaram para trás guerras antigas, e se cumprimentaram carinhosamente).
Contudo, o aperto de mãos entre Obama e Castro pode trazer consequências políticas para o Presidente dos Estados Unidos no seu próprio país. Parte dos norte-americanos vêem com maus olhos a deferência dos seus Presidentes perante líderes estrangeiros (por exemplo, Obama foi muito criticado por alguns republicanos por ter cumprimentado Hugo Chavez e por ter feito uma vénia ao Rei Abdullah da Arábia Saudita). Ainda durante o dia de ontem, o senador republicano John McCain comparou mesmo o aperto de mãos de Obama e Castro ao cumprimento entre Neville Chamberlain e Adolf Hilter, em 1938. 
Seja como for, o cumprimento entre Obama e Castro no homenagem a Mandela só terá um verdadeiro significado se for acompanhado de uma mudança na política dos Estados Unidos em relação a Cuba. Apesar de, no seu discurso de ontem, Obama ter lançado algumas farpas aos líderes mundiais que homenageavam o libertador Nelson Mandela ao mesmo tempo que reprimiam o seu povo, também falou na necessidade de confiança, perdão e reconciliação na relação entre os povos. Recentemente, Obama alcançou um acordo com o Irão, um histórico inimigo dos Estados Unidos, em relação ao programa nuclear deste país do Médio Oriente. Por isso, é possível que Obama se esteja a preparar para, na parte final do seu mandato, se concentrar no plano externo, procurando alcançar acordos com tradicionais adversários norte-americanos, como Cuba. Esse modus operandi, utilizado, no passado, por outros presidentes norte-americanos (veja-se Clinton e o acordo israelo-palestiniano), teria o condão de garantir um legado importante e duradouro. 
Se a apaziguação entre os Estados Unidos e Cuba for mesmo um objectivo de Obama e se um acordo entre os dois países for mesmo possível, então de certeza que Nelson Madela gostaria de saber que, até na sua morte, conseguiu promover a reconciliação entre os povos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ObamaCare, conquista e falhanço

A convite do Germano Almeida, comentei a situação actual da reforma do sistema de saúde norte-americano, mundialmente conhecido como Obamacare. A peça está disponível aqui.