Mostrar mensagens com a etiqueta Terrorismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Terrorismo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um amigo atrasado

O Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, está em Paris para demonstrar a solidariedade dos Estados Unidos para com os franceses, após os atentados terroristas da semana passada que assombraram a Europa e o mundo. Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, a sua visita serve para "dar um abraço a Paris" e transmitir todo o apoio do seu país para com a França em choque.
Contudo, este é um tímido lavar de face por parte da Administração Obama, que cometeu uma gigantesca e incompreensível gaffe ao não enviar nenhum representante à grande manifestação de Paris, realizada no passado Domingo em honra das vítimas do atentado e em repúdio ao terrorismo. De facto, Barack Obama foi o grande ausente da manifestação que reuniu praticamente toda a liderança europeu e contou até com os líderes turco, israelita e palestiniano. E se é compreensível que o  Secret Service tenha vetado a presença de Obama por não ter tempo suficiente para preparar e montar todo o esquema de segurança necessário para a a presença do Chefe de Estado norte-americano num evento deste género, também é verdade que a Casa Branca poderia ter enviado o Vice-Presidente Joe Biden ou mesmo John Kerry, que até tem boas ligações com os franceses (a sua reacção em francês aos atentados caiu bem no Eliseu). No mínimo dos mínimos, Obama poderia e deveria ter sido representado por Eric Holder, o Attorney-General dos Estados Unidos, que até estava em Paris nesse fim-de-semana. O que é certo é que o país que sofreu os atentados do 11 de Setembro e lidera a luta contra o terrorismo radical islâmico não poderia ter sido representado apenas pela sua embaixadora em Paris.
Como não poderia deixar de ser, esta falha da Administração Obama mereceu diversas críticas, o que obrigou mesmo a Casa Branca a admitir o erro e enviar John Kerry a Paris para minimizar os danos. Mas o Secretário de Estado não está sozinho a tentar compensar as falhas da liderança norte-americana e conta com um apoio de peso. O conceituado guitarrista James Taylor acompanhou Kerry numa visita aos responsáveis franceses e dedicou-lhes o tema "You've got a friend". Sim, os franceses têm nos Estados Unidos um amigo. Ainda que um amigo muito, muito atrasado...

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Terror em Boston

Esta tarde (noite em Portugal), os Estados Unidos da América voltaram a ser alvo de um terrível atentado terrorista. Dois engenhos explosivos foram detonados na meta da maratona de Boston, causando pelo menos dois mortos e várias dezenas de feridos. A informação ainda é escassa e ainda pouco ou nada se sabe sobre os autores e os motivos por detrás deste atentado. Infelizmente, o dia 15 de Abril ficará para a história como o dia em que o terror voltou a atacar em solo norte-americano.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A doutrina Obama

Na sequência dos atentados terroristas do 11 de Setembro, George W. Bush moldou uma resposta americana forte e clara. No auge do sentimento de revolta e sede de vingança, após as mortes de 3 mil pessoas, vítimas do infame ataque no coração da América, Bush estabeleceu aquilo que ficaria conhecido como a "Doutrina Bush".
Esta doutrina defendia a legitimidade de uma guerra preventiva que evitasse futuros ataques ao território americano, como se veria no Iraque, além de outras medidas polémicas como o "Patriot Act", a utilização de torturas como o "water boarding", no interrogatório de terroristas, ou a criação da prisão de Guantanamo.
Bush fez da "war on terror" a sua principal prioridade, mas Obama parece mais preocupado com a questão da proliferação nuclear, temendo que um grupo terrorista consiga, com o recurso a esse tipo de armas, criar a sua própria Hiroshima. Foi nesse sentido que assinou o novo tratado START com a Rússia, com vista à redução dos arsenais nucleares dos dois países e que agora organiza a cimeira nuclear, onde participam 47 países.
No fundo, Bush e Obama têm duas visões opostas do mundo, das ameaças à segurança americana e do modo de melhor combater essas ameaças. Enquanto o anterior presidente apostou na guerra directa e global ao terrorismo, como uma batalha justa e necessária para manter a segurança e o modo de vida americano e evitar futuros ataques terroristas, o actual defende que a melhor forma de lidar com o terrorismo é encará-lo como um acto criminoso e um caso de polícia, evitando o escalar de violência que resulta de um conflito armado directo e mantendo as liberdades civis e os valores democráticos. Dentro desta óptica, enquadram-se o fim da denominação de "war on terror", quando se refere às guerras no Iraque e no Afeganistão, e também a intenção de julgar os suspeitos do 11 de Setembro em tribunais civis.
Esta abordagem de Obama, mais dialogante e flexível do que a de "connosco ou contra nós" de Bush e menos agressiva do que a do "Eixo do Mal" do 43º presidente pode, contudo, ser encarada como um sinal de fraqueza da actual administração. No fim, serão a história e os resultados a classificarem estas duas doutrinas: a de Obama e a de Bush.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ainda os julgamentos do 11 de Setembro

Em Novembro de 2009, a administração americana anunciou que os suspeitos de estarem por detrás dos atentados terroristas do 11 de Setembro seriam julgados num tribunal criminal federal em Nova Iorque. Esta decisão despoletou grandes críticas e forte oposição por parte das autoridades nova-iorquinas, dos republicanos e da maior parte da população, por não quererem ver os alegados terroristas serem julgados em tribunais civis e no interior das grandes cidades americanas. Porém, nas últimas semanas surgiram indícios que a administração está a ceder face às críticas e planeia mudar a localização prevista para os julgamentos.
Porém, esta vaga de protestos contra a decisão do Procurador-Geral Eric Holder parece-me totalmente injustificada. E passo a explicar as minhas razões:
Em primeiro lugar, porque ao julgar os alegados terroristas num tribunal militar o governo americano estaria a promovê-los ao estatuto de combatentes inimigos. Ora, na minha opinião, esta atitude não seria a mais correcta. Deveria reduzir-se o terrorismo a um "simples" acto criminoso e não a um acto de guerra, não atribuindo ainda mais importância e credibilidade a pessoas, organizações e métodos que não o merecem.
Depois, porque não vejo melhor local para realizar estes julgamentos do que na cidade de Nova Iorque, cuja silhueta os terroristas mudaram para sempre. Seria um poderoso gesto simbólico com que os americanos poderiam mostrar ao mundo e aos seus inimigos que a América não foi vergada por tão infame atentado. O medo de ver estes julgamentos terem lugar na baixa de Nova Iorque é uma forma de ceder face ao terrorismo e é precisamente o que pessoas como Bin Laden pretendem.
Também me parece, como já referi anteriormente, que pelo menos alguma parte desta discussão tem sido gerada por motivos políticos, tentando mostrar Obama e os democratas como sendo soft on terror. Contudo, não me parece correcto estar a fazer jogos políticos com esta tema que, mais que qualquer outro, deveria unir os americanos em vez de dividi-los.