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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

State of the Union 2015

Barack Obama realizou ontem o habitual discurso do Estado da Nação perante o Congresso dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que o Presidente norte-americano discursou no órgão legislativo federal desde que os republicanos assumiram a maioria do Senado e terá sido o seu último State of the Union (SOTU) relevante para o que resta da sua Presidência (daqui a um ano já estarão a decorrer as primárias presidenciais e o SOTU perderá importância).
Foi um Presidente aguerrido e confiante aquele que compareceu na Câmara dos Representantes, ontem à noite. Desde a derrota democrata nas eleições intercalares, Obama parece renascido e com uma nova dinâmica. Os números das sondagens revelam isso mesmo e o actual ocupante da Sala Oval tem já índices de aprovação muito perto dos 50%, valores que, há pouco tempo, parecia que Obama nunca mais iria atingir neste seu último mandato na Casa Branca.
No seu discurso, Barack Obama apresentou uma clara defesa ao que a sua Administração alcançou nestes últimos seis anos e deixou bem claro que os seus principais feitos, como o Obamacare, a reforma de Wall Street ou a amnistia de imigrantes ilegais não serão revertidos pela oposição. Além disso, apresentou o seu plano para os seus dois últimos anos na Casa Branca, reafirmando a sua aposta na classe média, que considera o principal pilar da economia e da sociedade norte-americana, defendendo cortes fiscais para estes cidadãos, que serão possíveis com aumentos de impostos para os norte-americanos mais abastados.
Assim, assistiu-se, ontem, no Capitoll Hill, a um Presidente mais combativo do que apaziguador, ainda que Obama tenha recuperado um dos seus mais famosos discursos de sempre para afirmar que os críticos estão errados quando dizem que não cumpriu a sua ideia de uma América unida, em vez de uma América dividida em liberais e conservadores, ou em negros e brancos. 
Como é normal nestas ocasiões, a recepção ao seu discurso foi francamente positiva - uma sondagem da CNN mostrou que 81% dos norte-americanos deram uma nota positiva ao discurso do Presidente. Com este State of the Union, Barack Obama terá ganho ainda mais momentum, que lhe será, certamente, muito útil para enfrentar esta recta final da sua presidência. De facto, Obama volta a ser relevante e a ter capital político para fazer valer as suas ideias, mesmo perante um Congresso hostil e dominado pelo GOP. E isso também são boas notícias para Hillary Clinton, a provável nomeada presidencial para 2016 que logo após o final do SOTU deixou no Twitter o seu apoio a Barack.
Para o fim fica aquele que foi, no meu entender, o melhor momento de Barack Obama neste State of the Union. E, curiosamente, até foi improvisado...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Obama não se resigna e vai à luta

Barack Obama esteve ontem no Congresso dos Estados Unidos para o seu quinto discurso do Estado da Nação, um momento sempre marcante numa Presidência mas que, nas últimas décadas, tem vindo perder relevância política, à medida que se transforma cada vez mais num espectáculo mediático. 
Em ano eleitoral, esperava-se que o Presidente tentasse marcar pontos políticos que permitissem ganhos eleitorais aos democratas. Contudo, foi um Obama mais preocupado com policys do que com politics aquele que surgiu ontem na Câmara dos Representantes. Não houve muitos crowd pleasers para a base liberal do Partido Democrata, mas o Presidente tocou em alguns temas queridos para os democratas e fez da igualdade porventura o principal destaque deste discurso.
Este State of the Union pode ser dividido em duas partes. Em primeiro lugar, Obama defendeu o seu historial na Casa Branca. Como não podia deixar de ser, apresentou uma forte defesa da reforma da saúde e desafiou os republicanos a apresentarem alternativas, num momento muito aplaudido pela ala democrata. Num tom sempre muito optimista, apontou para a recuperação económica dos Estados Unidos durante a sua Presidência, nomeadamente ao nível do emprego, da produção industrial e do mercado imobiliário.
Depois de defender o que já fez, Barack Obama partiu para o que pretende fazer. Anunciou o aumento do salário mínimo para os trabalhadores federais através de uma acção executiva presidencial e exortou o Congresso a aprovar legislação que alargue este aumento a todos os trabalhadores. Com este gesto, Obama quis mostrar que não se resignará perante a paralisia do Congresso dividido e que está disposto a usar o seu poder executivo para fazer avançar a sua agenda mesmo sem o apoio do órgão legislativo. O líder norte-americano também se referiu àquele que deverá ser o seu próximo objectivo legislativo: a reforma da imigração. Sem ser demasiado agressivo (Obama não quer antagonizar os republicanos que parecem estar agora dispostos a avançar neste tema), o Presidente foi claro ao insistir na necessidade desta reforma que poderá legalizar a situação de milhões de imigrantes ilegais.
O discurso de ontem, que durou pouco mais de uma hora, está a ser genericamente bem recebido, ainda que não deva representar um game changer que permita a Obama melhorar substancialmente os seus números de aprovação nas sondagens, que, nos últimos meses, andam insistentemente em terreno negativo. Todavia, o State of the Union serviu pelo menos para se perceber que Barack Obama não desiste da luta e não tenciona remeter-se à irrelevância à medida que o seu último mandato na Casa Branca se aproxima do fim.

Nota: Como acontece sempre em todos os discursos do Estado da Nação, um dos membros do Cabinet  do Presidente é escolhido para não marcar presença na cerimónia, precavendo, dessa forma, a linha de sucessão presidencial em caso de atentado terrorista ou catástrofe natural que decapite o governo federal. Curiosamente, desta vez, foi o Secretário da Energia, Ernest Moniz, o eleito. Como Moniz é filho de açorianos, podemos dizer que nunca esteve um luso-descendente tão perto da Presidência dos Estados Unidos como na noite de ontem.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Obama marca pontos no State of the Union

Como se esperava, foi um Obama combativo e na ofensiva que se apresentou ontem, no Congresso, para o discurso do Estado da Nação. Ao longo de cerca de uma hora no pódio, o Presidente demarcou os seus principais objectivos para os próximos tempos, destacando-se, sem surpresas, a reforma da imigração, mas havendo também referências ao controlo da compre e posse de armas de fogo (Obama pediu mesmo ao Congresso uma votação sobre legislação concreta que aborde esta questão), ao ambiente e aos cortes em programas sociais a que o ocupante da Casa Branca se opõe.
Desta vez, e ao contrário de discursos do State of the Union anteriores, Barack Obama não se focou no esforço bipartidário e na necessidade dos dois partidos chegarem a entendimentos. Com a experiência do seu primeiro mandato, onde nunca conseguiu cedências por parte do GOP, Obama abandona definitivamente a capa do Presidente conciliador, preferindo uma postura mais partidária, assertiva e lutadora. Nesse sentido, o discurso de ontem serviu para Obama tentar colocar os republicanos entre a espada e a parede, "atirando-lhes" temas em que os democratas contam com relativo apoio popular, de forma a obrigar os legisladores do GOP a votar com os democratas ou a contrariarem a vontade da maioria da população.
No fundo, foi um discurso que cumpriu os objectivos de Barack Obama e que deverá valer ao Presidente, pelo menos momentaneamente, uma pequena subida nos índices de aprovação do seu trabalho. Em sentido contrário, parece-me que o Partido Republicano teve uma má noite. John Boehner, o Speaker da Câmara dos Representantes, sentado atrás de Obama, demonstrou, ao longo do discurso uma atitude algo arrogante em relação ao seu Presidente, não demonstrando a habitual deferência para o líder do executivo que é habitual nestas ocasiões, mesmo para os políticos da oposição. 
Além disso, a resposta oficial do GOP ao discurso de Obama não correu muito bem a Marco Rubio, que pareceu nervoso e pouco à vontade. O Senador pela Florida é, normalmente, um excelente orador, mas, ontem, não esteve à altura do que é capaz de fazer e fez lembrar um outro discurso de resposta ao state of the Union, o de Bobby Jindal, de má memória para os republicanos. Houve mesmo um momento caricato durante a comunicação de Rubio, em que quase saiu do plano para beber um pouco de água.
Contudo, a noite do State of the Union é sempre complicada para o partido da oposição, que, nesta ocasião, se encontra inevitavelmente em desvantagem na forma de fazer passar a mensagem aos cidadãos norte-americanos. Assim, se aliarmos esse facto a uma boa prestação de Barack Obama e a uma fraca resposta por parte dos republicanos, só podemos estar na presença de uma noite bastante positiva para a Casa Branca e para os democratas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

State of the Union 2013

Realiza-se esta noite (madrugada em Portugal) o tradicional discurso do estado da nação , ou State of the Union, com o Presidente dos Estados Unidos a deslocar-se até ao Congresso para apresentar ao órgão legislativo e aos cidadãos norte-americanos as linhas principais da sua agenda política para o ano de 2013.
Sendo o primeiro State of the Union deste segundo e último mandato de Obama na Casa Branca, espera-se que o democrata aposte num discurso assertivo e ofensivo, rompendo com a habitual tradição conciliatória e bipartidária que costuma marcar estes eventos. Fortalecido com a sua vitória de Novembro e com os actuais bons números nas sondagens, Obama quererá marcar pontos em temas onde conta ter o apoio da maioria dos norte-americanos, nomeadamente o controlo de posse de armas de fogo, a reforma da imigração e, quem sabe, o ambiente.
Contudo, Barack Obama terá de ter algum cuidado, pois se abusar da retórica partidária e acusatória em relação à oposição, pode muito bem merecer a reprovação dos milhões de telespectadores que seguirão em directo o discurso do Presidente. Assim sendo, espera-se que Obama adopte uma mensagem progressista e liberal na mesma linha do seu discurso inaugural, apostando, ao mesmo tempo, em alguns tópicos populistas, reforçando a sua intenção de melhorar as condições de vida da classe média em detrimento dos norte-americanos mais endinheirados.
Como é inevitável nestas ocasiões, o partido da oposição está em desvantagem, não contando com um púlpito da dimensão e imponência daquele que estará á disposição de Obama quando discursar no Congresso. Ainda assim, o Partido Republicano responderá à comunicação presidencial, cabendo à estrela em ascensão do GOP, o Senador Marco Rubio, a responsabilidade de rebater o discurso do Estado da Nação de Obama. Este ano, pela terceira vez consecutiva, também o Tea Party responderá ao discurso de Obama. Para o efeito, o nome escolhido por este movimento conservador foi o Senador Rand Paul.
Esta será, então, uma longa noite nos Estados Unidos, recheada de discursos importantes (com natural destaque para o de Obama) e que ditarão o futuro próximo da política norte-americana. Amanhã, como de costume, cá estarei para analisar aquilo que de mais relevante se passar na noite do State of the Union.
 
 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

State of the Union 2012

Barack Obama realizou ontem aquele que poderá ter sido o seu último discurso do estado da nação perante o Congresso dos Estados Unidos. No ano em que disputará a sua reeleição, o State of the Union de ontem representou o pontapé de saída da sua campanha eleitoral. Não admira, por isso, que o conteúdo da sua comunicação tenha tido contornos marcadamente políticos, delineando aquela que será o tom da sua mensagem durante a corrida pela Casa Branca.
No início, Obama apresentou logo duas das suas maiores vitórias do seu mandato: a morte de Bin Laden e a retirada do Iraque, glorificando os militares dos Estados Unidos, o que lhe valeu, como não podia deixar de ser, largos aplausos de todos os presentes. Todavia, o consenso foi sol de pouca dura, já que os principais temas abordados, como a economia e a política energética, pelo Presidente norte-americano dividem totalmente os dois grandes partidos.
Deixando definitivamente de lado a tónica do bipartidarismo que foi uma das suas grandes bandeiras na campanha de 2008, Obama foi assertivo ao colocar-se como o defensor do povo americano, alegando que os milionários e bilionários têm de pagar mais impostos. Trata-se da conhecida táctica populista de defender os desprotegidos "99%" dos favorecidos "1%", mas, em ano de eleições, esta é uma estratégia que pode muito bem ser bem sucedida (veja-se, por exemplo, o exemplo de Newt Gingrich).
Este ataque é também dirigido a Mitt Romney, ele próprio um milionário, e que não tem sido capaz de afastar a imagem que lhe está associada: a de um fat cat que está desconectado das preocupações do cidadão comum. Desta forma, Barack Obama tenciona não só melhorar a sua imagem junto dos americanos, mas também contribuir ainda mais para os problemas de Romney e, assim, preparar o terreno para enfrentar o mais provável nomeado republicano.
Este foi, então, um State of the Union claramente dominado (e até assombrado) pelas eleições presidenciais de Novembro. Basta ver que até os cidadãos tradicionalmente convidados para se sentarem junto da Primeira Dama eram oriundos dos chamados swing states. Assim se percebe que tudo neste discurso foi pensado ao mais pequeno pormenor, de forma a aumentar as hipóteses de Obama não vir a ser um presidente de um só mandato.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A (dividida) resposta da oposição

Como sempre acontece nos discursos do State of the Union, a oposição republicana preparou a sua reacção ao conteúdo da mensagem presidencial. Contudo, este ano não houve uma, mas duas mensagens de resposta. Apesar de o establishment partidário republicano ter escolhido o congressista Paul Ryan para apresentar o discurso de resposta do GOP, os movimentos Tea Party fizeram questão de também eles reagirem oficialmente à comunicação de Barack Obama ao Congresso, escolhendo, para esse efeito, a congressista Michele Bachmann, uma favorita do Tea Party e que tem sido falada como potencial candidata presidencial.
Este tipo de discurso de resposta é sempre uma tarefa ingrata para qualquer político, dado que é bastante curto e, por comparação com a grande cerimónia que é o State of the Union, parece sempre "pequeno". Mesmo que nenhuma das duas reacções tenha sido particularmente má, como aconteceu, por exemplo, com Bobby Jindal, em 2009, a verdade é que a divisão da resposta republicana retira força e estatura à mensagem que o Partido Republicano quereria transmitir. Tanto Ryan como Bachmann optaram por focar a questão do défice e da sustentabilidade financeira do país, mas a congressista do Minnesota foi mais crítica em relação à actuação de Obama do que o seu colega do Wisconsin. Contudo, o mais contundente de todos os republicanos na noite de ontem foi mesmo o representante da Geórgia, Paul Broun, que, via twitter, afirmou que Obama não acredita na Constituição dos Estados Unidos, mas sim no socialismo.

De qualquer forma, e voltando às mensagens oficiais, aqui ficam os vídeos da dupla reacção do GOP ao discurso do State of the Union de Barack Obama:


Obama em grande forma

A noite até nem começou bem para Barack Obama, com uma fuga de informação a permitir que o seu discurso fosse conhecido na íntegra um par de horas antes de o proferir pessoalmente diante do Congresso. Contudo, quando Obama subiu ao pódio para se dirigir aos congressistas, convidados e, no fundo, à nação americana, pareceu estar como peixe na água, transmitindo confiança e vigor, e a fazer lembrar alguns dos seus melhores momentos, como o discurso da Convenção democrata de 2004, que o elevou ao patamar de super estrela, ou a sua vitoriosa campanha presidencial.
A cerimónia foi marcada, pelo menos inicialmente, pelo tom de conciliação partidária, com democratas e republicanos, senadores e congressistas, a sentarem-se lado a lado. Logo no começo do seu discurso, o Presidente saudou o renovado elenco do Congresso e, em particular, o novo Speaker da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner. Imediatamente a seguir, Barack Obama lembrou a cadeira vazia da congressista Gabrielle Giffords, ainda a recuperar dos graves ferimentos que sofreu aquando do trágico ataque em Tucson, no Arizona. Estava dado  o mote para um discurso moderado, com um tom positivo e encorajador.
O conteúdo da comunicação presidencial versou vários e diferentes temas: começou com uma secção "patriótica", em que enalteceu a excelência da nação americana; abordou a reforma de educação, sublinhando a importância dos professores, mas também a responsabilidade das famílias; referiu a necessidade de se desenvolverem as energias limpas, como as renováveis (vento, água, etc.), mas também a energia nuclear; passou igualmente pelos temas militares, onde pontificaram a retirada do Iraque e a progressiva transferência de poder no Afeganistão para os Afegãos; a reforma da saúde foi ainda mencionada, breve mas incisivamente, com o Presidente a mostrar-se disponível para melhorar algumas pequenas coisas na legislação, mas a pôr de parte qualquer possibilidade de revogar a sua maior realização nos dois anos que já passou na Casa Branca. Porém, a temática omnipresente no discurso foi a economia, tendo Barack Obama defendido a necessidade de novos investimentos, mas, ao mesmo tempo, lembrando o imperativo de controlar o défice.
Como se vê pelo conteúdo do seu discurso, globalmente centrista e com poucas ou nenhumas "linhas" dirigidas à ala mais liberal do Partido Democrata, Barack Obama manteve neste State of the Union a postura que adoptou nos últimos meses (e que lhe tem valido a subida nas sondagens), adaptando-se às novas circunstâncias ditadas pelas eleições intercalares de Novembro passado e com o claro objectivo de agradar ao eleitorado independente. O Presidente, ciente que tem de governar em cooperação com uma Câmara dos Representantes nas mãos da oposição e com uma parca maioria no Senado, tenta promover a moderação e o bipartidarismo. Além disso (ou porventura mais importante ainda), parece evidente que Obama lançou ontem, no discurso do Estado da Nação, o pontapé de saída da sua campanha de reeleição.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"He shall from time to time"

Hoje à noite, no Capitólio, o Presidente Barack Obama realizará o seu segundo discurso do Estado da Nação (em 2009, dirigiu-se ao Congresso num formato parecido, mas, formalmente, o seu primeiro State of the Union Adress foi em 2010), uma das tradições mais importantes da política norte-americana. Mas, mais que um costume, este discurso é uma obrigação determinada pela Constituição dos Estados Unidos, onde se encontra definido que o líder do Executivo deve ("from time to time") comunicar ao Congresso quais as prioridades legislativas que pretende ver implementadas.
Depois da tragédia no Arizona, este deve ser um State of the Union (SOTU) marcado pela moderação e pelo apaziguamento partidário. Para dar o exemplo, democratas e republicanos sentar-se-ão lado a lado, em vez das tradicionais fileiras partidárias. A intenção é boa, mas o SOTU perderá algum do seu interesse, pois será mais difícil ter uma correcta percepção das reacções ao discurso presidencial, normalmente facilmente visíveis pelas standing ovations de toda a sala ou de apenas um dos lados. Outra diferença neste State of the Union comparativamente ao do ano passado será relativa a quem se sentará nas costas de Obama: o Vice-Presidente Joe Biden lá estará novamente, mas, desta vez, John Boehner, o novo Speaker republicano, substituirá a democrata Nancy Pelosi.
O discurso do Presidente deverá focar aquela que é a principal preocupação dos americanos na actualidade: a economia. Aliás, no preview do seu SOTU que lançou na Internet (voltando aos bons velhos tempos da sua campanha eleitoral, onde usou exaustivamente - com sucesso - os novos meios de comunicação), Obama deixou antever isso mesmo. Numa altura em que as sondagens mostram que os americanos têm vindo a melhorar a sua opinião relativamente ao trabalho do Presidente, Barack Obama não deverá perder esta excelente oportunidade para, do púlpito da sala da Câmara dos Representantes, aproveitar as suas capacidades oratórias e marcar mais alguns pontos políticos.

Depois do SOTU, e como é também tradicional, os republicanos terão a sua oportunidade para responder à comunicação do Presidente. Este ano, o GOP escolheu o congressista Paul Ryan, do Wisconsin, para se dirigir ao país e reagir aos principais tópicos abordados por Obama no seu discurso. Este é um momento sempre sensível para a oposição e há, no passado, exemplos de discursos de resposta menos conseguidos e que prejudicaram a carreira de quem os proferiu, como foi o caso do republicano Bobby Jindal, em 2009 (no tal Estado da Nação oficioso de Obama). 
Mais logo, quando já for madrugada em Portugal, teremos então uma das mais importantes e esperadas cerimónias do ano em Washington D.C. No Capitólio estará praticamente toda a fina-flor da política norte americana. Digo praticamente porque nestas ocasiões, onde se reúne toda a liderança americana, é sempre escolhido um elemento da linha de sucessão presidencial (normalmente, um Secretário) para servir de designated survivor, ficando protegido numa localização desconhecida, de forma a garantir que, no caso de um eventual atentado ou outro tipo de desastre no edifício do Capitólio, o governo dos Estados Unidos não seja totalmente decapitado. Essa é, porém, uma medida que se espera que nunca seja necessária. 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

State of the Union, 2011

A comunicação anual do Presidente dos Estados Unidos ao Congresso do seu país, normalmente realizada no início de cada ano civil já tem data marcada para 2011. O discurso do State of the Union deste ano será já no próximo dia 25 de Janeiro, uma Terça-feira, como é habitual. A data já há muito que estava oficiosamente definida, mas o convite formal do Speaker John Boehner a Barack Obama oficializa a cerimónia. Esta será a primeira vez que Obama se dirige ao Congresso americano tendo atrás de si, e ao lado de Joe Biden, não Nancy Pelosi, mas sim Boehner, o novo presidente da câmara baixa. Contudo, devido ao sucedido no Arizona, a ocasião deverá ser marcada por um ambiente de moderação e até de reconciliação.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

The supremes

Além dos membros do Congresso, do corpo diplomático de Washington D.C., do Cabinet e dos convidados do Presidente, também os nove membros do Supremo Tribunal têm assento destacado no discurso do State of the Union. Mas, apesar de estarem sempre presentes, a postura dos juízes é sempre serena e imparcial.
Contudo, ontem, houve uma excepção. Quando Obama criticou a recente decisão do órgão máximo da justiça americana, que acabou com os limites nos valores que as empresas podem gastar com contribuições para campanhas políticas, o juiz Samuel Alito abanou a cabeça e disse "not true".

Os membros do Supremo Tribunal norte-americano são nomeados pelo presidente (têm ainda de ser confirmados pelo Senado). Isto leva a que os ocupantes da Casa Branca, no momento em que vaga um assento no Supreme Court (os cargos são vitalícios), tudo façam para preencher essa vaga com um juiz que partilhe as ideias do seu partido. Assim, os presidentes Democratas nomeiam juízes liberais e os Republicanos nomeiam juízes conservadores. No máximo, nomeadamente quando sabem que terão dificuldades em ver os seus nomeados preferidos serem confirmados pelo Senado, indicam juristas moderados. Obama, numa das vitórias do seu mandato (provavelmente a maior), já colocou uma liberal no Supremo Tribunal, a juíza Sonia Sotomayor, que é a primeira latina a ocupar o cargo. Porém, os liberais continuam em franca desvantagem, pois os juízes nomeados por presidentes Republicanos ainda estão em maioria (6-3).

Esta manipulação da Justiça com fins políticos é praticada por ambos os partidos e não deixa de ser de lamentar. O único critério para a escolha dos juízes mais proeminentes do país deveria ser, única e exclusivamente, a competência. E isto serve tanto para a Casa Branca que os nomeia, como para o Senado que os confirma.

A resposta republicana

Ontem, durante o discurso do Estado da Nação, os republicanos tiveram um comportamento exemplar, na totalidade da comunicação do Presidente. Ao que consta, a liderança do GOP deu indicações às suas bancadas para que não se repetissem situações como a que sucedeu no último discurso de Obama, perante o Congresso. Dessa vez, um Representante republicano da Carolina do Sul, Joe Wilson, interrompeu o presidente americano com um grito que ficou tristemente célebre: "you lie!". Mas, ontem, nada disso se passou. Quando as declarações de Obama eram do agrado das hostes republicanas, estas não se coibiram de aplaudir, muitas vezes de pé, e quando ouviam algo que não lhes agradava, os republicanos, apenas mantinham um imperturbável silêncio.

Mas, obviamente, que este comportamento civilizado dos Republicanos não significa que Obama tenha ficado sem resposta. Como é normal nestas situações, o partido da oposição rapidamente emitiu uma declaração com a sua reacção ao discurso do presidente. Na política americana tudo é pensado ao pormenor e o porta-voz desta mensagem é sempre escolhido a dedo. Ontem, Bob McDonnell, recém-eleito Governador do Estado da Virgínia, foi o seleccionado. McDonnel, um dos Republicanos do momento, representa o futuro do GOP e é um dos principais rostos da recuperação do partido, após o desastre de 2008.

Num discurso curto, mas incisivo, McDonnel incidiu, como é habitual, nas críticas ao tamanho e ao peso excessivos do Governo na vida dos americanos, defendendo um maior corte nas despesas públicas do que aquele que foi anunciado por Obama. Em relação à reforma na Saúde, deixou claro que os Republicanos não vão cooperar com os Democratas e afirmou o GOP não vai permitir que o melhor serviço de saúde do mundo [sic] caia nas mãos do governo federal.

A resposta dos republicanos foi simples, reduzida em termos de substância, mas poderá ter sido eficaz. É preciso ter em conta que esta é sempre uma tarefa ingrata, já que esta declaração é realizada apenas poucos minutos depois dos discurso do presidente e o político que o faz não conta, de forma alguma, com o peso e a importância que o selo presidencial confere ao chefe de Estado.

Sem surpresas


Barack Obama proferiu, ontem, o seu primeiro discurso do Estado da Nação. Teve uma prestação, como é seu apanágio, competente e agradável de seguir. Mas, apesar de ter sido um bonito discurso, a verdade é que não trouxe grandes novidades e veio de encontro ao que se esperava.
Como era expectável, os principais destaques da sua longa comunicação (69 minutos) foram para os assuntos domésticos, nomeadamente a economia e a saúde. Reassumiu a sua promessa de tudo fazer por melhorar a situação económica do país e garantiu não ir desistir da reforma do Serviço de Saúde americano. Nesta fase, lembrou aos Democratas que, apesar dos maus resultados nos últimos tempos, ainda possuem a maior maioria das últimas décadas e, num laivo de bipartidarismo, afirmou estar disponível para ouvir as propostas dos Republicanos, desde que estas tivessem como objectivo o bem estar dos cidadãos.
O presidente americano também se tentou defender das acusações de não estar a cumprir as promessas feitas durante a campanha e de não estar a atingir as elevadas expectativas que criou em relação à sua presidência. I never said change would be easy, declarou.

Foi, acima de tudo, um discurso para todos os gostos, numa tentativa de criar um clima de reconciliação, não só com o GOP, mas também com a ala mais liberal do Partido Democrata, que parece cada vez mais desiludida consigo. Assim, o presidente americano apresentou ideias que terão agradado aos liberais, como o fim da política do "don't ask, don't tell", que irá acabar com a discriminação dos gays, nas forças armadas, e o anúncio da retirada do Iraque, até Agosto deste ano. Por outro lado, também se referiu a medidas mais ao gosto dos conservadores, como alguns cortes fiscais ou a redução do défice.

Com este discurso, centrista e politicamente seguro, Obama tenta recuperar algum do ímpeto que teve no início do seu mandato e dar a volta ao momento mais negativo da sua presidência. Mas é certo que não irá lá apenas com discursos, pois será julgado, acima de tudo, pelos seus actos e pelas suas políticas.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

State of the union

Hoje, Barack Obama, dirige-se à nação americana, no famoso State of the Union. Neste discurso, solene e carregado de simbolismo, o Presidente dos Estados Unidos anuncia a sua agenda política, para o ano seguinte, às duas câmara legislativas que formam o Congresso norte-americano: a Câmara dos Representantes e o Senado.
Este será uma ocasião importante para Obama, que atravessa o momento mais negativo da sua presidência, após uma dura derrota Democrata no Massachusetts e com os seus números nas sondagens a continuarem a descer. Mas Obama já provou, especialmente durante a campanha, que é capaz de utilizar a oratória como uma poderosa arma política, até mesmo nos momentos mais complicados. Este facto ficou bem demonstrado quando, na altura do auge da polémica com o Reverendo Jeremiah Wright, proferiu um excepcional discurso sobre a Raça e a América, que fez com que conseguisse ultrapassar esse assunto que lhe estava a ser prejudicial.

Agora, Obama tentará fazer o mesmo e cativar o público americano com um discurso inspirador e motivador. Acredito que insistirá com o Congresso para que aprove a reforma do Serviço de Saúde, ao mesmo tempo que tentará agradar aos Republicanos com a sua proposta de redução do défice. No fundo, deverá ser um momento de união e não de discórdia, com Obama a querer mostrar-se como o Presidente de todos os americanos e a tentar regressar aos seus melhores dias. E, de facto, não há melhor ocasião para isso do que o state of the union.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Obama na defensiva

Segundo o Politico, o presidente Obama pretende anunciar, amanhã, no discurso do state of the union, um corte na despesa pública de cerca de 250 biliões de dólares, durante os próximos três anos.

Esta parece ser a resposta da Casa Branca à derrota-choque no Massachusetts, na passada Terça-Feira, ao mesmo tempo que contraria os ataques populistas que acusam Barack Obama de ser um big spender, ou seja de utilizar excessivamente o dinheiro dos contribuintes, e de aumentar o peso e o tamanho do governo federal.

Um dos principais alvos destes ataques foi o seu pacote de estímulos, de quase um trilião de dólares, destinado a ajudar a economia americana a ultrapassar a crise financeira económica que o país e o mundo atravessam. A maior parte dos economistas garante que este pacote de estímulos foi determinante para evitar o colapso da economia americana, e alguns deles, sobretudo o liberal e Nobel da Economia, Paul Krugman, têm clamado por uma continuação e fortalecimento dessas ajudas. Assim, esta redução na despesa do Estado virá contra estas ideias.

Por outro lado, esta medida vem de encontro à opinião da maioria dos americanos, que , nos últimos anos, têm visto o défice do seu país aumentar exponencialmente. Com esta proposta, Obama tenta deslocar-se para terreno seguro, mais ao centro, jogando nitidamente à defesa depois das últimas derrotas Democratas. Terá de fazer algum jogo de cintura com a ala mais liberal do Partido Democrata, que poderá não ficar muito agradada com esta medida, mas poderá acalmar, pelo menos durante algum tempo, os seus mais acérrimos críticos e opositores, ganhando, assim, algum tempo para respirar e preparar-se para as batalhas que aí vêm.