sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As duras tarefas de Obama em 2014

Já começa a dar que falar a eleição presidencial de 2016, momento em que os norte-americanos escolherão o sucessor da Barack Obama à frente dos destinos dos Estados Unidos. Contudo, quase três anos nos separam desse marcante acontecimento e o actual ocupante da Casa Branca tem ainda mais de metade do seu mandato pela frente. Ora, a segunda metade do último mandato de um Presidente é normalmente caracterizada por uma perda de influência e de capacidade interventiva do Chefe de Estado que se torna um Lame Duck. Para Obama, este é um problema ainda maior, dado que o primeiro ano deste seu segundo mandato, o período em que teria, em teoria, mais margem para conseguir realizações importantes, foi marcado pela polémica em torno da implementação do programa que ficou conhecido como Obamacare, que ofuscou todos os outros temas e manchou de tal modo a sua imagem que impediu Obama de perseguir outros objectivos.
Agora, Barack Obama tenta recuperar o domínio da narrativa política, de forma a recuperar a opinião pública a tempo de alcançar ainda vitórias que marquem a sua passagem pela Casa Branca, com natural destaque para uma muito aguardada reforma da imigração. O discurso do Estado da Nação, marcado para daqui a duas semanas, é a oportunidade ideal para o fazer. Contudo, um discurso eficiente perante o Congresso não chegará para colocar Obama de novo nas boas graças da opinião pública. Com a reforma do sistema de saúde no centro das atenções, os democratas se podem dar ao luxo de ignorar o tópico. Assim, Obama e os membros do seu partido começam agora a fazer um novo pressing, tentando "vender" a sua mais importante vitória legislativa aos norte-americanos. Para serem bem sucedidos, é essencial que os problemas com o site do Obamacare sejam totalmente resolvidos, pois só assim poderão acalmar as críticas ao programa.
Finalmente, e mesmo que tudo isto seja alcançado por Barack Obama, chegará o mais decisivo dos objectivos para este ano: as eleições intercalares. Apesar de o Presidente não ir a votos nas eleições de Novembro, a verdade é que os seus dois últimos anos enquanto Presidente muito dependerão dos resultados desse momento eleitoral, já que uma vitória republicana em toda a linha, que significasse uma maioria nas duas câmaras do Congresso, teria um efeito devastador para o Presidente.Se, neste momento, quando ainda não é um Lame Duck e ainda conta com uma maioria democrata no Senado, Obama já sente enormes dificuldades em fazer avançar as suas iniciativas legislativas, então, no período final da sua estadia Casa Branca, com o GOP a controlar o Congresso, seria um Presidente isolado e totalmente paralisado.
Por isso, Obama e o Partido Democrata sabem que têm de se agarrar com unhas e dentes ao controlo do Senado, já que a recuperação da maioria na Câmara dos Representantes é algo muito difícil de ser conseguido. Acontece que o cenário é muito complicado para os democratas, que contam com 21 assentos  na câmara alta em jogo, contra apenas 14 do lado republicano. Além disso, muitos dos lugares democratas em jogo estão em perigo de trocarem de mãos, enquanto que os do GOP estão, maioritariamente, mais seguros na coluna vermelha. Desta forma, os democratas terão de jogar principalmente à defesa, defendendo a sua maioria de 55 senadores, sendo certo que perderão pelo menos alguns deles.
Assim sendo, em 2014, Barack Obama terá, simultaneamente, de conseguir voltar a controlar a narrativa política, recuperar a sua popularidade (e do "seu" Obamacare) aos olhos dos eleitores, tentar alguma vitória legislativa e evitar uma derrota eleitoral, empenhando-se no trilho da campanha (onde a sua presença for benéfica, claro) e na angariação de fundos em prol dos candidatos democratas. Será, certamente, um ano duro e trabalhoso para Obama. Falta saber se será também um ano bem sucedido.

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