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domingo, 15 de dezembro de 2013

A economia recupera, mas os americanos andam zangados

A popularidade do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anda pelas ruas da amargura. Segundo a última sondagem da Gallup, 49% dos norte-americanos não estão contentes com o trabalho do seu Chefe de Estado, ao invés dos apenas 42% que aprovam a prestação de Obama na Casa Branca. 
A insatisfação com o trabalho do Presidente é ainda acompanhada de uma percepção generalizada por parte do público de que a situação do país está a piorar e não a melhorar. De facto, de acordo com os dados fornecidos pela Rasmussen, 65% dos norte-americanos considera que a direcção seguida pelos Estados Unidos é errada, com apenas 28% a achar o contrário.
Curiosamente, o agravamento da percepção negativa por parte do público norte-americano em relação ao trabalho de Obama e ao rumo do seu país, surge numa altura em que a economia dos Estados Unidos dá sinais de uma franca recuperação, em claro contra-ciclo com outras regiões do mundo, sendo a Europa o exemplo mais flagrante. Em Novembro, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos cinco anos, estando agora nos 7% e os níveis de emprego nos EUA aproximam-se dos valores "normais" do período anterior à grande crise de 2008.
A confirmar-se esta tendência até ao final de 2016, então Barack Obama poderá até ter um grande argumento para utilizar como ponto-chave do seu mandato: a recuperação económica. Na verdade, o 44º Presidente dos Estados Unidos chegou à Casa Branca no olho do furacão que representou a crise económica e financeira de 2008. Contudo, e apesar do aumento do desemprego na primeira metade do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi capaz de evitar uma recessão como a que se verificou na Europa, salvou a indústria automóvel (um dos pilares da economia norte-americana), reformou (ainda que timidamente) a regulação financeira de Wall Street e lançou um programa de estímulos federais que, além de impedir níveis de desemprego ainda mais elevados, serviu de âncora para uma lenta mas notória recuperação económica. 
Contudo, e apesar de ter realizado todos estes feitos, Barack Obama não recebeu por eles todo o mérito que lhe era devido e, pior ainda, merece, actualmente, índices de popularidade francamente negativos. É difícil explicar as razões que levam os norte-americanos a entender que a situação do país está a piorar, quando todos os indicadores apontam o contrário. Talvez a polémica em torno da implementação da impopular reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos explique parte da insatisfação do público, mas certamente não o explica na sua totalidade. Assim, estou mais inclinado a considerar que é o actual clima de polarização política em Washington a estar na base do negativismo do público. 
Actualmente, democratas e republicanos mostram-se incapazes de se entenderem no que quer que seja e o país parece ingovernável. Como se vê pelos números das sondagens (Obama tem valores negativos e o índice de aprovação do Congresso ronda os 12%!), os norte-americanos não estão contentes com os políticos e não vêem uma luz ao fundo do túnel para a resolução do impasse na capital federal. Por isso, aos olhos do público, a recuperação económica acontece apesar dos políticos e não por causa dos políticos. E, assim sendo, Obama (que também tem a sua quota-parte de responsabilidades na polarização política actual) "leva por tabela" e vê a sua popularidade prejudicada.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Obama tenta reavivar o seu mandato


A primeira metade do segundo mandato de um presidente norte-americano é, tradicionalmente, um período bastante produtivo para o líder do executivo dos Estados Unidos. Com o ímpeto fornecido pela vitória eleitoral, o Presidente costuma ter todas as condições para, nesta fase, levar a sua agenda legislativa a bom porto. Contudo, com o actual ocupante da Sala Oval isso não está a acontecer e, desde que foi reeleito, Obama não conseguiu nenhuma vitória legislativa de relevo.
Consciente da estaganação da Casa Branca, o Presidente norte-americano realizou ontem, na Knox College, no Illinois, um discurso de fundo sobre a situação da economia do país. Com esta iniciativa, Obama tentou dar um novo impulso à sua Presidência, motivando as hostes democratas e colocando a economia, de novo, no topo das prioridades da sua administração e no epicentro da discussão política. Todavia, o seu discurso foi algo ambíguo. Recordou a melhoria da situação económica e sublinhou a necessidade da aposta na continuação da recuperação norte-americana, mas não apresentou ideias concretas para o conseguir. Além disso, destacou a importância da implementação reforma do sistema de saúde e destacou a urgência na aprovação da reforma da imigração pelo Congresso, fugindo, ainda que brevemente, ao tema principal do seu discurso.
Ao fazê-lo, Obama como que confirmou as previsões da maioria dos analistas em relação ao seu legado. Ao que tudo indica, o 44º Presidente norte-americano será recordado mais pelas suas vitórias em questões sociais (a reforma da saúde, a reforma da imigração [caso seja aprovada], os direitos dos homossexuais, etc.) do que pelo sua dedicação à recuperação económica do país. Pode ser algo injusto, especialmente se analisarmos o caminho percorrido pela economia dos Estados Unidos desde o início de 2009, quando Obama tomou posse. Porém, o legado de um Presidente é constituído, acima de tudo, em percepções e, neste caso, a perceção que chega ao público é a de um Presidente que não se empenha a 100% no que diz respeito às questões económicas.
Verdade seja dita, muita da responsabilidade da inoperância de Barack Obama neste seu segundo mandato tem de ser apontada aos republicanos do Congreso. Ontem, no seu discurso, Obama salientou isso mesmo, ainda que tenha elogiado a vontade de alguns republicanos em chegar a entendimentos com os democratas (a reforma da imigração é o caso de maior destaque). Com este discurso, de cariz relativamente partidário, Obama não terá ganho novos aliados no Congresso, mas pode ter conquistado pontos na opinião públicando, colocando pressão sobre a Câmara dos Representantes controlada pelos conservadores. Assim sendo, teremos de aguardar os próximos desenvolvimentos para perceber se, com o discurso de ontem, Obama conseguiu ou não dar um novo ímpeto ao seu mandato.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desemprego em queda

Foram anunciadas hoje boas notícias para os norte-americanos e para a Administração Obama. Segundo o Wall Street Journal, a economia dos Estados Unidos superou as expectativas e criou, em Abril, 165 mil novos empregos, com a taxa de desemprego a baixar para 7,5%, o valor mais baixo desde Dezembro de 2008. Continua, assim, a tendência de recuperação económica dos EUA (em contraponto com a Europa) e que, a manter-se, pode ser uma importante arma para os democratas na campanha eleitoral que se aproxima.

domingo, 3 de março de 2013

O sequestro fiscal

Infelizmente, por razões profissionais mas também de saúde, o Máquina Política não tem sido actualizado com a periodicidade do costume. Ainda assim, também é verdade que as últimas semanas não têm sido muito "agitadas", no que à actualidade política dos Estados Unidos da América diz respeito. Entre algumas outras questões, como a confirmação de Chuck Hagel como Secretário da Defesa ou a polémica em torno de alegadas ameaças da Casa Branca ao famoso jornalista Bob Woodward, o principal destaque noticioso tem recaído sobre o polémico "sequestro fiscal".
Importa recordar que, no final do ano passado, foi evitado o tão falado "precipício fiscal", que previa um grande aumento de impostos e brutais cortes na despesa federal de forma a reduzir o défice dos Estados Unidos. Contudo, esse precipício foi mais adiado do que evitado, já que a maioria dos cortes na despesa foram apenas adiados no tempo na esperança que democratas e republicanos chegassem a um entendimento antes que esses cortes entrassem definitivamente em vigor. Acontece que o prazo para um acordo entre os dois lados foi já ultrapassado e, no passado dia 1 de Março, entrou em vigor o tal "sequestro", que implementou uma série de cortes na despesa do Estado federal norte-americano, com especial ênfase em despesas militares.
Agora, com a redução na despesa federal efectivamente em vigor e sem que os dois partidos tenham chegado a um acordo, a principal batalha a decorrer é a da opinião pública. Barack Obama foi lesto a responsabilizar o GOP pelo falhanço negocial. Alertando para as consequências do "sequestro" para a economia americana, prevendo uma quebra do crescimento e um pequeno aumento do desemprego, Obama espera capitalizar com a actual grande impopularidade do Partido Republicano junto do eleitorado. Por seu lado, os republicanos culpam o Presidente pelo azedar das relações bipartidárias e vão dizendo que sempre foram defensores da redução da despesa como melhor forma de combater o défice.
Ainda que subsistam algumas esperanças num acordo tardio entre Barack Obama e John Boehner, o Speaker da Câmara dos Representantes controlado pelos republicanos, o mais provável que o "sequestro fiscal" continue em vigor, pelo menos durante as próximas semanas. Neste momento, a posição de Obama, com boas taxas de popularidade, parece melhor do que a dos republicanos, em baixa nas sondagens. Todavia, este cenário pode mudar rapidamente, especialmente se as consequências negativas do sequestro não forem muito sentidas pela maioria dos norte-americanos. Nesse caso, os republicanos veriam fortalecido o seu argumento da necessidade de reduzir a despesa federal para fazer face ao défice. Assim, o melhor é mesmo esperar para ver quem acabará por ficar refém deste sequestro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Desemprego abaixo dos 8%

Depois da sua medíocre prestação no debate da passada Quarta-feira, Barack Obama recebeu hoje uma boa notícia: a taxa de desemprego desceu de 8,1% para 7,8%, baixando, finalmente, da barreira simbólica dos 8%. O número de pessoas sem emprego nos Estados Unidos volta, assim, a níveis do início de 200, mas mantém-se ainda a um nível extremamente elevado e, desde a II Guerra Mundial, nunca um Presidente foi reeleito com a taxa de desemprego acima dos 7,2%, valor que se verificava em 1984, quando Ronald Reagan garantiu o seu segundo mandato.
Não obstante, trata-se de uma excelente notícia para a campanha de Barack Obama que pode utilizar estas novidades para contrabalançar o momento menos positivo que a sua campanha atravessa desde o debate televisivo em que foi copiosamente derrotado por Mitt Romney. A manter-se esta tendência para a diminuição do desemprego, os republicanos vêm o seu maior argumento na campanha eleitoral - a incapacidade da economia americana criar emprego a um ritmo aceitável durante a Administração Obama -  perder parte do seu impacto. Nos próximos dias, será interessante seguir as sondagens que forem sendo divulgadas, para se perceber como é que estes acontecimentos contraditórios, o debate e os números do emprego, se reflectem na intenção de voto dos eleitores americanos.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Obama contra-ataca

Como tenho vindo a dar conta neste blogue, Barack Obama tem vivido momentos difíceis nesta primeira fase da campanha para as eleições presidenciais de Novembro. Depois de ter começado a corrida bem lançado, tendo ganho vantagem sobre Mitt Romney fruto do desgaste que o republicano sofreu durante as primárias, o Presidente tem vindo a perder terreno e as sondagens mostram agora que a disputa pela Casa Branca está, de momento, muito renhida.

Contudo, esta tendência negativa de Obama deve ter feito soar os alarmes na sede da campanha democrata, em Washington, porque, finalmente, o Presidente parece estar a acertar agulhas e a responder ao seu momento menos positivo. E, como não podia deixar de ser, a reacção presidencial teria de passar, em primeira instância, por uma mensagem de cariz económica, mostrando aos norte-americanos que Obama é o homem certo para estar ao leme numa altura em que os Estados Unidos procuram uma recuperação económica mais acentuada.

Ontem, no Ohio (não é coincidência que se trate de um dos Estados mais decisivos em eleições presidenciais), o Presidente realizou um discurso exclusivamente dedicado à economia, onde delineou aquela que será a sua mensagem económica para a campanha presidencial. Em pouco menos de uma hora, Obama deixou bem marcadas as diferenças entre si e Mitt Romney (disse o nome do seu opositor oito vezes, tantas como no último ano e meio), afirmando que é o único candidato disposto a ajudar a classe média, enquanto que Romney representará o regresso às políticas republicanas (leia-se, de George W. Bush) que levaram à actual crise económica e financeira. Esta táctica de colar o nomeado do GOP ao ainda impopular 43º Presidente norte-americano resultou em 2008 para Obama. Contudo, quatro anos depois, teremos de esperar para ver se o mesmo acontece desta vez.

Mas nem só da economia se faz o contra-ataque da campanha de Obama. Também a imigração é uma questão que os democratas estão a tentar trazer para cima da mesa no que diz respeito aos temas centrais da campanha. Hoje mesmo, a Casa Branca assumiu a intenção de aligeirar as regras para os jovens e crianças que entraram ilegalmente nos Estados Unidos com os seus pais e que não tenham infringido a lei. Baseado no Dream Act, a proposta de lei apoiada por Obama e pelos democratas, mas rejeitada pelo republicanos do Congresso, esta ideia coloca um problema para Romney que se dividirá entre a posição tough on immigration do seu partido e a possibilidade de alienar ainda mais o grupo eleitoral em maior crescimento demográfico do país - os hispânicos. 

Após esta investida de Obama, os próximos dias serão importantes para avaliarmos se a estratégia seguida pelos democratas teve impacto junto do eleitorado. Quanto a mim, parece-me que Obama está a corrigir erros anteriores e que este é um rumo mais acertado. Contudo, Novembro está ainda muito longe e, entretanto, as férias de Verão, altura em que os americanos pouco ou nada ligam às notícias, estão quase à porta. Só depois disso, mais precisamente após o Labor Day, é que a campanha presidencial começa verdadeiramente. Para já, estamos apenas no aquecimento.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A América e a Casa Branca criam emprego

As primárias presidenciais do Partido Republicano têm dominado as atenções nas últimas semanas. Contudo, nem só de eleições é feito o quotidiano político dos Estados Unidos da América. Até porque, dada a situação económica mundial, a economia é uma preocupação bem mais premente para os norte-americanos do que propriamente a discussão eleitoral em curso. 
Na semana passada, surgiram boas notícias relativamente à criação de emprego nos Estados Unidos, com a taxa de desemprego a baixar para 8.5%, o valor mais baixo desde 2009 e já distante dos 9,4% dos números de Janeiro de 2011. Estes dados parecem indicar que a economia norte-americana está a recuperar, ainda que lentamente, o que pode ser uma preciosa ajuda para a campanha de reeleição de Obama, em 2012. A taxa de desemprego está já perto da fasquia dos 8%, apontada por muitos analistas como valor máximo que o desemprego poderá atingir de forma a permitir a reeleição de um Presidente. Contudo, existem ainda mais 1,4 milhões de americanos sem emprego do que na tomada de posse de Obama, o que poderá assombrar a sua campanha eleitoral.
Mas se a administração Obama é acusada de não criar emprego em níveis suficientes, a verdade é que pelo menos num caso isso não corresponde à verdade. De facto, o cargo de chief of staff de Obama está novamente livre, depois de Bill Daley ter, na semana passada, apresentado a demissão ao Presidente norte-americano. A sua saída não é uma surpresa, já que apesar das expectativas criadas em torna da sua escolha, Daley pareceu não se ter conseguido adaptar ao cargo e, recentemente, viu o seu portfolio de tarefas e responsabilidades reduzido. Apesar de se tratar uma posição de desgaste rápido, não deixa de ser relevante que Obama vá já para o seu quarto chefe de gabinete (a tradução para português não transmite a verdadeira importância do cargo nos EUA), depois de Rahm Emanuel, Pete Rouse (ainda que de forma interina) e Daley. Será interessante descobrir quem Obama escolherá para liderar a sua Casa Branca durante 2012, com a certeza que o eleito terá responsabilidades acrescidas durante o presente ano, já que com Barack Obama em campanha eleitoral, o seu chief of staff tornar-se-á, em alguma medida, o Presidente interino dos Estados Unidos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Regresso agitado

Depois do período de férias do Congresso norte-americano, durante o qual o destaque noticioso foi quase exclusivamente dedicado à campanha pela nomeação republicana e pelo furacão Irene, antecipa-se, agora, o regresso à "batalha" política em Washington D.C., entre democratas e republicanos, não esquecendo, claro está, o Presidente.
Para assinalar a reentré política, Barack Obama optou por agendar um discurso no Capitólio, perante as duas câmaras do Congresso, onde apresentará o seu novo plano para combater o desemprego e reduzir o défice. Mas a própria marcação da data desse discurso já gerou polémica, devido ao facto de a  Casa Branca ter marcado, inicialmente, a comunicação do Presidente para a mesma hora em que os candidatos presidenciais republicanos estariam a participar num debate televisivo. Provavelmente, a estratégia de Obama seria ofuscar os seus opositores, salientando as diferenças entre si e meros candidatos ao seu lugar. Contudo, depois da forte oposição do GOP, com o speaker John Boehner em destaque, e porventura temendo que a politics ofuscasse a policy (à falta de uma tradução competente em português), Obama desistiu dessa ideia e agendou o seu discurso para o dia seguinte, dia 8 de Setembro. Assim sendo, não se percebe a estratégia da Casa Branca, que rapidamente desistiu do seu intento inicial, e que apenas lhe valeu publicidade negativa.
Erros tácticos como este em nada ajudam Obama, que, depois de um Verão em que viu os seus números nas sondagens descerem a pique, atingindo os valores mais baixos desde que está na Casa Branca, necessita urgentemente de voltar a dominar a narrativa política e de evitar discussões fúteis que o distraiam das temáticas mais importantes da governação. Para o fazer, é fulcral transmitir a ideia de que a recuperação económica dos Estados Unidos é a sua principal prioridade e, depois, esperar que as suas políticas tenham resultados práticos. Até porque o que ainda o tem aguentado nos estudos de opinião é a noção de que não é o principal  culpado pela grave situação da economia norte-americana, mas sim o seu antecessor, George W. Bush. Se essa percepção mudar, então Obama estará mesmo em péssimos lençóis.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Boas e más notícias

Como era esperado, os números de Barack Obama nas sondagens subiram consideravelmente desde que o Presidente dos Estados Unidos anunciou a morte de Osama Bin Laden. Contudo, apesar de estar actualmente a obter os melhores resultados nas suas taxas de aprovação dos últimos meses, a verdade é que a opinião dos americanos relativamente ao modo como Obama lida com a economia mantém-se inalterada e em terreno negativo. Acontece que apesar de toda a excitação e emoção em torno da eliminação do líder da Al-Qaeda, o inimigo número um da América, será sempre a situação económica do país a ditar as principais leis quando estiver em jogo a reeleição de Obama, em 2012. 
Assim sendo, o jobs report do mês, divulgado hoje, traz notícias agridoces para a actual Administração. Por um lado, há as más notícias, dado que, pela primeira vez nos últimos cinco meses, a taxa de desemprego subiu, passando de 8,8% para 9%. Mas, por outro lado, também há motivos para sorrir, tendo em conta que foram criados 244 mil novos empregos durante o mês passado, o valor mais elevado dos últimos cinco anos. Nos próximos dias, será interessante perceber se estes números terão alguma influência nas sondagens e se o bump de Obama veio para ficar ou se, pelo contrário, o efeito Bin Laden se desvanecerá depressa, à medida que as maiores preocupações dos norte-americanos - a economia, ainda e sempre - voltam à ordem do dia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O desemprego desce; a gasolina sobe

Foram conhecidos hoje os valores do desemprego nos Estados Unidos relativos a Fevereiro e as notícias são bastante positivas. No mês passado, a economia norte-americana acrescentou quase 200 mil novos empregos, alcançando assim a mais baixa taxa de desemprego desde Abril de 2009, quedando-se agora abaixo da barreira dos 9%, em 8,9%. 
No último ano, como o gráfico indica, a tendência tem sido de criação de emprego. Caso se mantenha esta tendência, Barack Obama poderá ter a reeleição facilitada e muitos analistas apontam para os 8% como um valor que, a ser atingido, poderá valer ao actual Presidente um novo mandato na Casa Branca. Contudo, também os republicanos, agora no controlo da Câmara dos Representantes, deverão querer ser incluídos na distribuição dos louros. 
Além disso, e se estes números poderão ser um alívio para Obama, a verdade é que um novo problema se levanta, já que a subida nos preços do petróleo, induzida pela crise no Norte de África, pode provocar, como já acontece no nosso país, uma  substancial onda de insatisfação entre a população norte-americana. E isso, como lembra Nate Silver, pode trazer graves dissabores para Barack Obama.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O virar de página

O discurso do presidente dos Estados Unidos da passada Terça-feira, transmitido directamente da Sala Oval (recentemente renovada a gosto dos Obama), serviu para o Chefe de Estado americano selar uma das principais promessas que fez durante a campanha presidencial: a retirada do Iraque. Apesar de ficarem ainda cerca de 50 mil homens e mulheres das  forças armadas americanas naquele país do Médio Oriente, as operações militares terminaram oficialmente e Obama concentra agora todas as atenções no Afeganistão, o palco de guerra onde sempre prometeu continuar a batalha contra a Al-Qaeda de Bin Laden.
Esta comunicação à nação, onde o presidente disse ser altura de virar a página, foi também aproveitada, de forma inteligente, para clarificar ao país que, agora (já o devia ser há muito), a principal prioridade será a recuperação económica e financeira dos Estados Unidos. Além disso, Obama, não deixou de lembrar que o estado das finanças públicas se deve, em grande parte, ao enorme esforço financeiro realizado, durante sete anos, no Iraque. Dessa forma, voltou a culpar, algo implicitamente, o seu antecessor pela crise que a nação atravessa.   
Foi um bom discurso de Obama, que lhe poderá valer a subida de alguns pontos percentuais nas próximas sondagens. Exaltou os valores americanos e elogiou as forças armadas, cumprindo à risca o seu papel de Commander-in-chief. Mais: o teor da mensagem foi susceptível de agradar tanto a democratas, como a republicanos, pois Obama foi de encontro ao exigido pela esquerda americana, ao terminar o conflito no Iraque, mas, ao mesmo tempo, não se desviou do rumo seguido por Bush desde o "surge", engendrado por Petraeus, em 2007.
Porém, Barack Obama não perdeu tempo a envolver-se numa nova grande empreitada diplomática na mesma zona geográfica. Agora, tenta levar a bom porto o processo de paz do Médio Oriente, algo que todos os últimos presidente americanos tentam, sem sucesso, conseguir (apesar de Bill Clinton, com Rabin e Arafat, ter estado muito perto). As negociações, com os líderes de Israel, da Palestina, da Jordânia e do Egipto, sob a égide do presidente americano, já começaram, mas o seu desfecho é, como sempre, incerto. 
Se Obama conseguir que as partes envolvidas se entendam e cheguem a um acordo sólido e com possibilidades de se manter (o que é algo de muito complexo), então terá conseguido justificar, plenamente, o seu Nobel da Paz de 2009. Caso contrário, será mais um presidente "queimado" por esta questão. O que não é certo é se os americanos concordam com esta nova grande intervenção americana, logo depois de o seu presidente ter prometido concentrar as suas atenções no interior das fronteiras do país.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Alarme geral para os democratas

A precisamente nove semanas das eleições intercalares, os democratas já não podem esconder ou disfarçar o óbvio: perspectiva-se uma enorme derrota eleitoral em Novembro, que deverá significar a perda do controlo da Câmara dos Representantes e talvez do Senado (sendo certo que nesta câmara perderão sempre muitos lugares), além da derrota em corridas para o cargo de governador estadual em alguns dos mais importantes estados da União.
O último sinal que comprova a formação desta tempestade, que se aproxima a grande velocidade, veio da mais recente tracking poll semanal da Gallup, que concedeu a maior vantagem de sempre dos republicanos sobre os democratas no voto nacional para o congresso: nada menos que 10 pontos percentuais (51%-41%). Com tamanho choque, nem a ligeira recuperação democrata nos números da Rasmussen serve de consolo.
A grande impopularidade da liderança democrata no Congresso, com a speaker Nancy Pelosi e o líder da maioria no Senado Harry Reid à cabeça, e a manutenção dos números de aprovação do trabalho de Barack Obama bem abaixo da linha dos 50%, leva já a que, um pouco por todo o país, os candidatos democratas se distanciem da chefia do seu partido, com alguns deles a irem mais longe, criticando mesmo os seus líderes e as suas políticas. E mesmo entre os políticos democratas mais leais à liderança partidária surge com redobrada insistância a noção de que Obama precisa de começar a fazer rolar cabeças na sua administração, nomeadamente na esfera económica - o Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e o Conselheiro da Casa Branca para as questões económicas, Larry Summer, são os nomes mais falados.
Porém, parece-me que a melhor solução democrata não passa por uma mera mudança de caras na administração, mas sim pela melhor gestão da mensagem que transmitem ao público americano. É certo que surgiram problemas que fogem ao controlo de qualquer governo, como o desastre ambiental no Golfo do México. Mas, numa altura em que o emprego e a economia são os problemas que mais assolam o dia-a-dia dos americanos, a Casa Branca e o Congresso, controlados pelos democratas, têm falhado na tarefa de tranquilizar a população e de demonstrar que estão empenhados em melhorar a situação do país. Hoje mesmo, o presidente americano irá dirigir-se ao país e o tema é a retirada americana do Iraque. Esta é mais uma promessa cumprida de Obama e o presidente não irá deixar de lembrar isso mesmo. O problema é que este tema soa a George W. Bush, a pessimismo e a desilusão, numa altura em que os americanos precisam é de esperança e confiança.
O alarme continua a tocar e a maioria dos democratas já o ouviu. Será que Obama, Pelosi e companhia não o estão a ouvir? Ou será que o preferem ignorar?

terça-feira, 27 de abril de 2010

A primeira batalha pela reforma de Wall Street

Ontem, no Senado americano, os democratas promoveram uma votação que, a passar, daria início ao debate sobre a anunciada reforma de Wall Street, defendida por Barack Obama e pelo seu partido. O resultado dessa votação foi de 57-41, com todos os republicanos presentes a votarem contra, tendo-se-lhes juntado o democrata Ben Nelson e o líder da maioria no Senado, Harry Reid - este por mero estratagema processual, de modo a poder realizar uma nova votação quando entender.
Esta votação surgiu num ponto ainda muito precoce do processo. Porém, o objectivo democrata não seria, provavelmente, o de conseguirem fazer passar, desde já, esta legislação que pretende regular o sector financeiro americano, visto saberem que ainda não tinham os votos necessários. Assim, a verdadeira intenção dos liberais seria o de conseguirem mais uma oportunidade para caracterizarem os republicanos como obstrucionistas e a soldo dos grandes interesses. No outro lado da barricada, os senadores do GOP queixam-se das tácticas utilizadas pelos democratas e, em particular, por Harry Reid. A moderada Olympia Snowe criticou esta votação, numa altura em que o democrata Chris Dodd e o republicano Richard Shelby tentam chegar a um acordo bipartidário.
Este primeiro "contar de espingardas" parece indicar um novo conflito legislativo entre os dois partidos americanos. A meu ver, ainda é possível chegar-se a um entendimento, mas o cenário não parece nada favorável. Por um lado, Obama tem sido cada vez mais pressionado pela Esquerda para seguir a sua agenda política com o mínimo de cedências possíveis para o GOP. Por outro lado, os republicanos não estarão muito interessados em conceder vitórias políticas aos seus adversários, quando se aproximam rapidamente as eleições de Novembro.
Mas, desta vez, e ao contrário do que aconteceu com a reforma da saúde, os democratas têm uma vantagem: o apoio popular. Uma sondagem recente indicou que dois terços da população americana favorece esta reforma. Veremos, então, se este sentimento se mantém e se os democratas conseguem fazer passar mais uma reforma de fundo, ainda na primeira metade do primeiro mandato de Obama.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Obama ataca os "fat cats"

Depois da vitória na reforma do sistema de saúde americano, Barack Obama vira agulhas para uma nova batalha: a reforma financeira. Desta vez, os visados não são as companhias de seguros, mas sim Wall Street e os seus "fat cats" - os homens de negócios do sector financeiro que enriquecem mesmo em tempos de crise.
Depois da crise económica de 2008, em que os métodos de regulação do sistema financeiro provaram ser totalmente ineficazes, Obama e os democratas querem implementar uma reforma que proteja as pessoas e as suas poupanças. Este assunto pode parecer um terreno fértil para o populismo e para o discurso anti-business, mas, neste tema, como em tantos outros, a população norte-americana é fértil em contradições. Ao mesmo tempo que se insurge contra o aumento da regulamentação da economia pelo governo federal, clama por medidas que, por exemplo, impeçam as grandes empresas de concederem generosas contribuições aos seus administradores.
Nesta reforma, à imagem do que aconteceu na da saúde, o presidente dos Estados Unidos movimenta-se para conseguir o apoio republicano. Porém, essa tarefa não se afigura nada fácil. Um dos problemas pode residir no facto de o responsável por este dossier ser o Senador Chris Dodd. Dodd, que é o presidente do comité do Senado para as questões relacionadas com a banca, é um verdadeiro lame duck, pois já anunciou a sua retirada em 2010 e esteve, recentemente, envolvido na polémica dos bónus concedidos pela gigante AIG aos seus administradores, depois desta ter recebido o bailout federal.
Além da questão Dodd, outro problema pode ser a rápida aproximação das eleições intercalares de Novembro, que tendem a ter um efeito de bloqueio em qualquer legislação mais relevante, dado que os senadores e representantes que vão a votos preferem não ter de tomar uma posição em questões mais fracturantes. Veremos, então, quem se sai melhor desta disputa. Se a Casa Branca e o Congresso, ambos dominados pelos democratas, ou se os ditos "fat cats" de Wall Street.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O "surge" de Obama?

Boas notícias para a administração Obama. Na primeira Sexta-feira de cada mês, são anunciados os valores do desemprego nos Estados Unidos e hoje, pela primeira vez desde que Obama chegou à Casa Branca, foram revelados números positivos relevantes: durante mês de Março, a economia americana criou 162 mil novos empregos.
Algumas expectativas apontavam para um número mais substancial, acima da barreira dos 200 mil, e alguns analistas apontam o regresso ao trabalho das pessoas que estiveram paradas em Fevereiro por causa dos nevões desse mês e a contratação de cerca de 50 mil trabalhadores temporários para a realização dos censos como as principais razões para estes valores, mas esta notícia não deixa de vir dar ainda mais ímpeto à agenda política de Obama, que parece ter ganho um novo ânimo.

De facto, desde a aprovação da reforma da saúde, a Casa Branca tem apostado numa campanha agressiva com várias iniciativas relevantes consecutivas, de forma a destacar o presidente americano ciclo noticioso após ciclo noticioso. Senão vejamos: Obama assinou o acordo de não proliferação nuclear com a Rússia; fez uma visita surpresa às tropas americanas no Afeganistão; anunciou uma nova política, permitindo a perfuração petrolífera nas costas americanas (uma medida popular e louvada pelos republicanos e que pode beneficiar a nova legislação ambiental que está a ser preparada pelo democrata John Kerry, pelo independente Joe Liberman e pelo republicano Lindsey Graham) e agora prepara o lançamento de novas acções, como ao nível da educação e da reforma financeira.

Mas, no final, será sempre o estado da economia que determinará o sucesso e o destino de Barack Obama e da sua administração. Se a situação económica melhorar e o nível de emprego aumentar, o presidente americano verá o apoio às suas políticas subir, ao mesmo tempo que as perspectivas democratas para as eleições de Novembro se tornarão menos pessimistas. Mas este é apenas um cenário hipotético, pois trata-se de um grande "se" que tolda o futuro da presidência de Obama.

quarta-feira, 17 de março de 2010

It's the economy, stupid!

O Senado norte-americano aprovou hoje uma proposta de lei que prevê isenções fiscais para empregadores que contratem trabalhadores que tenham estado no desemprego pelo menos 60 dias. Esta proposta passou com o voto sim de 68 senadores, incluindo onze republicanos, permitindo que tenha o selo do bipartidarismo. Agora, falta apenas o carimbo do presidente para a sua promulgação.
É intenção dos legisladores democratas que esta seja apenas a primeira de um conjunto de propostas que promovam a criação de emprego. Parece que os democratas começam finalmente a apontar as suas agulhas para o tema que, actualmente, mais preocupa a população dos Estados Unidos: a economia. Com a taxa de desemprego a teimar não descer dos 9,7%, a criação de emprego e a recuperação financeira e económica tem de ser a principal prioridade da administração. Contudo, toda a polémica que se gerou à volta da reforma do sistema de Saúde fez com que o governo americano parecesse estar a centrar-se em outros problemas que não os económicos.
Este breakthrough em legislação sobre emprego e economia, combinado com uma eventual aprovação da reforma do healthcare, poderá marcar o início de uma nova fase da administração democrata, marcada por uma maior dinamização, por mais resultados concretos, e indo de encontro ao que muitas vozes têm clamado - a definição da economia como o ponto principal da agenda política. Afinal, parece que o velho ditado se mantém e it's still the economy, stupid!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Obama na defensiva

Segundo o Politico, o presidente Obama pretende anunciar, amanhã, no discurso do state of the union, um corte na despesa pública de cerca de 250 biliões de dólares, durante os próximos três anos.

Esta parece ser a resposta da Casa Branca à derrota-choque no Massachusetts, na passada Terça-Feira, ao mesmo tempo que contraria os ataques populistas que acusam Barack Obama de ser um big spender, ou seja de utilizar excessivamente o dinheiro dos contribuintes, e de aumentar o peso e o tamanho do governo federal.

Um dos principais alvos destes ataques foi o seu pacote de estímulos, de quase um trilião de dólares, destinado a ajudar a economia americana a ultrapassar a crise financeira económica que o país e o mundo atravessam. A maior parte dos economistas garante que este pacote de estímulos foi determinante para evitar o colapso da economia americana, e alguns deles, sobretudo o liberal e Nobel da Economia, Paul Krugman, têm clamado por uma continuação e fortalecimento dessas ajudas. Assim, esta redução na despesa do Estado virá contra estas ideias.

Por outro lado, esta medida vem de encontro à opinião da maioria dos americanos, que , nos últimos anos, têm visto o défice do seu país aumentar exponencialmente. Com esta proposta, Obama tenta deslocar-se para terreno seguro, mais ao centro, jogando nitidamente à defesa depois das últimas derrotas Democratas. Terá de fazer algum jogo de cintura com a ala mais liberal do Partido Democrata, que poderá não ficar muito agradada com esta medida, mas poderá acalmar, pelo menos durante algum tempo, os seus mais acérrimos críticos e opositores, ganhando, assim, algum tempo para respirar e preparar-se para as batalhas que aí vêm.