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terça-feira, 3 de abril de 2012

Romney quer acabar com o jogo

Nova Terça-feira, nova noite de primárias nos Estados Unidos. Desta vez, irão a votos os Estados do Wisconsin e de Maryland, além da capital, a cidade de Washington D.C. E este pode ser um dia decisivo para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano. 
Mitt Romney, que irá vencer facilmente em Washington e em Maryland, espera um triunfo robusto no Wisconsin, onde, há não muito tempo atrás, era Rick Santorum que aparecia a liderar as sondagens, para poder selar de forma praticamente definitiva a corrida. As atenções estão por isso concentradas neste Estado do midwest, que pode representar a última oportunidade para os seus adversários (leia-se Santorum) impedirem Romney de conseguir a nomeação republicano.
Todavia, se Romney conseguir, como se espera, um hat-trick nas primárias de hoje, amealhando com isso um significativo número de delegados, é bem provável que os seus adversários não tenham outra hipótese que não a de abandonarem a corrida presidencial. Santorum poderá ainda querer fazer do seu Estado da Pensilvânia (que realiza a sua primária no próximo dia 24) o seu último bastião, mas sem uma vitória no Wsinconsin, a sua candidatura estará por um fio. Por sua vez, Newt Gingrich, comanda uma campanha que está já claramente a meio-gás, realizando umas selectivas acções de campanha (onde cobra 50 dólares por fotografia) e falando já na provável vitória de Romney. Se logo à noite obtiver mais um resultado medíocre (nos single digits), deverá mesmo equacionar a desistência. Ron Paul, como se sabe, corre por fora e com outros objectivos (fazer-se ouvir) que não a nomeação.
Assim, a noite de hoje pode muito bem marcar o fim das primárias republicanas de 2012. Pelo menos é esse, certamente, o desejo de Mitt Romney e da sua campanha, que cada vez se preocupa mais com a eleição geral frente a Barack Obama, em detrimento das primárias. Logo à noite, veremos se os eleitores do Wisconsin (assim como Santorum e Gingrich) lhe fazem a vontade.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Gingrich quer ir até Tampa

Infelizmente para Rick Santorum, Newt Gingrich parece determinado em não desistir da sua candidatura à presidência. Nesta sua entrevista no programa "This Morning", da CBS, o ex-Speaker afirmou novamente que irá continuar na corrida até à Convenção Nacional Republicana, em Tampa, na Florida. Apesar de já não ter qualquer hipótese de vir a ser o nomeado do GOP, Gingrich parece querer retirar o máximo de dividendos que puder desta sua aventura presidencial, nomeadamente ao nível da publicidade ao seu próprio nome, o que o pode ajudar, no futuro, a vender mais livros e a valer mais dinheiro no sempre lucrativo circuito de palestras norte-americano.

Sejam quais forem as suas intenções, a verdade é que a única importância que resta à candidatura de Newt Gingrich é a questão da sua desistência, se e quando acontecer. Como candidato, o georgiano é já totalmente irrelevante. Nos último dias, Newt tem justificado a sua permanência na corrida como uma forma de obrigar Mitt Romney a desdobrar os seus ataques, em vez de se concentrar apenas em Rick Santorum. Contudo, é já seguro que Romney apenas se tem de preocupar com Santorum e que Gingrich, ao não desistir, está a prejudicar as hipóteses de o antigo Senador pela Pensilvânia ainda poder ameaçar a nomeação de Romney. Mas Newt Gingrich é conhecido por ser um indivíduo pouco disposto a ouvir a razão e a lógica de terceiros, preferindo apostar tudo nas suas convicções e ideias. Mesmo que elas, como neste caso, façam pouco sentido.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Santorum varre o Sul

Resultados das primárias de ontem:

Alabama

Rick Santorum -  34,9%
Newt Gingrich - 29,5%
Mitt Romney - 28,4%
Ron Paul - 5,0%

Mississippi

Rick Santorum - 32,9%
Newt Gingrich - 31,4%
Mitt Romney - 30,3%
Ron Paul - 4,4%

Rick Santorum teve ontem uma excelente noite eleitoral, obtendo uma algo improvável "dobradinha" nas primárias dos dois Estados sulistas que ontem foram a votos: o Alabama e o Mississippi. A partir de agora, fica claro que a corrida pela nomeação presidencial republicana é uma luta a dois entre Santorum e Romney. Depois das vitórias de ontem, o ex-Senador da Pensilvânia volta a ganhar um novo fôlego para enfrentar Romney no trilho da campanha, apesar de não poder contar, nem de perto nem de longe, com uma estrutura de apoio e de fundos monetários como os do antigo Governador do Massachusetts. Santorum leva já dez vitórias nesta campanha, mas estas provêm de Estados pequenos e maioritariamente conservadores. Agora, precisa de triunfar num Estado urbano e populoso, de forma a provar que pode mesmo retirar a nomeação a Romney. E as primárias do Illinois, que decorrem na próxima Terça-feira, são um local ideal para o fazer.

Mitt Romney, por sua vez, sai como derrotado da noite de ontem, principalmente devido à forma como jogou (mal) o jogo das expectativas. Ainda que se tenha quedado pelo terceiro posto tanto no Alabama como no Mississippi, Romney ficou, em ambos os Estados, muito perto do topo, o que poderia ser entendido como um bom resultado num terreno que lhe é desfavorável. Todavia, nas vésperas destas votações, Romney afirmou que iria vencer pelo menos uma delas, elevando as expectativas, que, no final de contas, saíram goradas. Agora, volta a ser alvo de uma maré de comentários que afirmam o seu problema em seal the deal e atrair o grosso do eleitorado de base do Partido Republicano. O antigo Governador do Massachusetts continua a ser o grande favorito a enfrentar Obama em Novembro, mas terá de passar obrigatoriamente por uma época de primárias prolongadas e onde nunca se sabe o que pode suceder.

Mitt Romney poderá ainda ter a tarefa mais complicada se Newt Gingrich desistir da corrida e deixar o seu eleitorado à mercê de ser conquistado por Santorum. O ex-Speaker necessitava de vencer pelo menos um dos Estados que realizaram ontem as suas primárias de modo a poder afirmar-se ainda como um candidato credível e relevante nesta campanha eleitoral. Mas, mesmo a jogar em casa, Newt foi batido em ambos os casos por um Santorum que é definitivamente o porta-estandarte da ala mais conservadora do Partido Republicano. No seu discurso, Gingrich continuou a afirmar que permanecerá na corrida, mas mesmo a sua conhecida obstinação poderá não bastar para que a sua campanha, sem vitórias e, consequentemente, sem apoios e sem dinheiro, continue por muito mais tempo.

Para o final ficam os dados menos relevantes da noite de ontem. Ron Paul, que é cada vez mais uma mera nota de rodapé nestas eleições, obteve fracos resultados no Alabama e no Mississippi, Estados onde não teria, à partida, condições para conseguir fazer muito melhor. Entretanto, fora do território continental americano, Romney conseguiu vitórias nos caucuses do Hawaii e da Samoa americana e consegue alguns delegados com esses triunfos. Contudo, quando se faz o rescaldo da noite de ontem, o que se destaca são os excelentes resultados de Rick Santorum e as latentes fragilidades de Mitt Romney, que, para quem se descreve como o presumível nomeado, continua com enormes dificuldades em afastar candidatos relativamente fracos (relembre-se que Santorum perdeu, em 2006, a reeleição para o Senado por 20 pontos percentuais) e com fracos recursos. A corrida está mesmo para continuar.

terça-feira, 13 de março de 2012

Decisões no Sul profundo

Além dos pouco relevantes caucuses no Hawaii e na Samoa Americana, decorrem hoje as primárias em dois dos Estados mais conservadores da nação norte-americana, o Mississipi e o Alabama. 
E muito da disputa pela nomeação presidencial republicana se poderá decidir nestes dois Estados do Sul profundo. Durante os último dias, as sondagens têm mostrado que existe um grande equilíbrio nas duas corridas, com Mitt Romney, Newt Gingrich e Rick Santorum muito próximos uns dos outros e com qualquer um deles a poder triunfar em qualquer um dos Estados em disputa. 
Gingrich será porventura aquele que joga mais neste dia de primárias, já que a viabilidade da sua candidatura está praticamente dependente de uma vitória, se não mesmo de duas na noite de hoje. Se não ganhar nenhum destes Estados sulistas, terreno que lhe é teoricamente favorável, o ex-Speaker fica com poucas alternativas que não a desistência da corrida.
Quem também estará à espera de um bom resultado para manter vivas as suas aspirações será Santorum, que tem vencido nos Estados mais conservadores e tem nas primárias do Mississippi e no Alabama o desafio de provar que é a única alternativa conservadora a Mitt Romney. Terá de vencer em pelo menos um destes Estados e esperar que Gingrich tenha uma noite negativa, pressionando-o a desistir em seu favor e ficando, assim, numa luta a dois com Romney. 
Mas é Mitt Romney que tem mais a ganhar na noite de hoje. À partida, não seria de esperar que o antigo Governador do Massachusetts fosse competitivo no Sul profundo dos Estados Unido. Todavia, as sondagens têm sugerido que Romney pode mesmo vencer em um ou mesmo nos dois dos Estados que hoje vão a votos. Se o conseguir, terá praticamente selada a nomeação republicana, provando que é capaz de vencer mesmos nos locais mais conservadores da América. Afinal, se Romney é capaz de derrotar Gingrich e Santorum no Alabama ou no Mississippi, então isso é sinal que os pode vencer em qualquer lado.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Romney vence mas não convence


Como se esperava, Mitt Romney saiu vencedor das eleições que decorreram na Super Tuesday de ontem. Venceu seis dos dez Estados (Ohio, Virginia, Idaho, Massachusetts, Alaska e Vermont) e amealhou mais de metade dos delegados em disputa. Todavia, a sua vitória no Ohio, a contenda mais importante da noite, foi à tangente, por apenas um ponto percentual, o que demonstra, uma vez mais, as debilidades do antigo Governador do Massachusetts no Midwest, um importante terreno na eleição geral contra Barack Obama. Além disso, foi claramente derrotado por Santorum no Sul, outra zona dos Estados Unidos, onde Romney tem sentido dificuldades de afirmação. Como se viu pelas exit polls de ontem, o favorito para conseguir a nomeação republicana continua com dificuldades em atrair os eleitores mais conservadores e com rendimentos mais baixos. Romney sai da Super Tuesday como o vencedor, mas nem o seu discurso de vitória pareceu convicente. Ainda tem um longo caminho pela frente até "fechar" a nomeação.

Quem acabou por não ter uma noite negativa foi Rick Santorum. Venceu no Oklahoma, como se previa, no Dakota do Norte, uma semi-surpresa, e no Tennesse, um importante Estado sulista, por uma larga margem. Além disso, perdeu o Ohio, onde investiu muitíssimo menos que Romney, por "uma unha negra". Estes resultados permitem ao ex-Senador pela Pensilvânia afirmar-se definitivamente como a grande e única alternativa a Mitt Romney e dão-lhe fôlego para encarar as próximas primárias (no Sul, o que o favorece) com mais optimismo. Por agora, o seu maior problema é a continuidade de Gingrich na campanha eleitoral, facto que lhe está a custar importantes votos que deveriam ser seus se o antigo Speaker saísse da corrida. Não admira, por isso, que se vão intensificando as pressões por parte da campanha de Santorum para que Newt abandone. 

Mas Newt Gingrich não deverá desistir tão cedo do seu sonho de se tornar Presidente dos Estados Unidos, mesmo que os resultados indiquem claramente que não tem qualquer hipóteses de o conseguir. Ontem, apenas venceu em casa, no Estado da Geórgia, e não alcançou, sequer, o segundo posto em qualquer um dos outros Estados em jogo. Nos últimos dias, Gingrich ia dizendo que teria de triunfar na Geórgia para ter hipóteses de alcançar a nomeação. Todavia, parece que nem com essa vitória será capaz de ainda ser uma força a ter em conta nesta campanha. Se desistisse, poderia ainda evitar que Romney fosse o nomeado, algo que deverá desejar, tendo em conta a animosidade entre os dois. Mas, conhecida a sua teimosia, é provável que continue na corrida, dividindo assim o eleitorado conservador com Santorum e ajudando, dessa forma, o seu grande rival na campanha em curso.

Para o fim fica Ron Paul, que voltou a não conseguir vencer em qualquer Estado (e, daqui para a frente, também já não o deverá conseguir fazer). À medida que a campanha vai avançando, o campeão da ala libertária do GOP vai perdendo fulgor e espaço mediático. Em poucos meses, Paul passou de candidato da moda a uma mera nota de rodapé na cobertura destas eleições. Para isso muito contribuiu a sua aliança não assumida com Romney, que prejudicou a sua imagem de candidato independente e de ruptura. Agora, resta-lhe continuar a transmitir a sua mensagem e a preparar terreno para o seu filho, o Senador Rand Paul, que, no futuro, continuará o trabalho do pai, quem sabe, com uma candidatura presidencial de sua parte.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Romney respira melhor

Resultados das primárias de ontem:

Arizona

Mitt Romney - 47,3%
Rick Santorum - 26,6%
Newt Gingrich - 16,2%
Ron Paul - 8,4%

Michigan

Mitt Romney - 41,1%
Rick Santorum - 37,9%
Ron Paul - 11,6%
Newt Gingrich - 6,5%

Mitt Romney foi o grande vencedor da noite de ontem, tendo vencido as duas primárias em disputa. No Arizona, obteve o triunfo esperado, mas por uma larga margem (mais de 20 pontos percentuais), amealhando todos os delegados eleitos por este Estado do Sudoeste norte-americanos. Num Estado que, numa determinada altura, chegou a parecer competitivo, Romney foi dominador e destroçou a concorrência. Já a sua vitória Michigan, o seu home-state, foi bem mais suada e renhida. As cadeias televisivas demoraram a anunciar um vencedor, mas, no final, foi o antigo Governador do Massachusetts a obter o prémio mais apetecido da noite de ontem. 
Com estes resultados, Romney evita o que poderia ser um golpe fatal para a sua candidatura presidencial e volta a respirar melhor. Cortou o momentum a Santorum e parte em melhor posição para a Super-Tuesday
Rick Santorum, por sua vez, perdeu talvez a sua grande oportunidade para poder tornar-se o nomeado republicano. A última semana de campanha no Michigan correu-lhe mal e não esteve à altura no derradeiro debate televisivo. Agora, tem de apostar forte no Estado do Ohio para voltar a incomodar Romney. 
Newt Gingrich, que continua à espera de um milagre, teve resultados modestos, ficando mesmo em último lugar no Arizona. Ainda disputará a Super-Tuesday e tem os cofres recheados com mais uma grande contribuição do seu Super-PAC, mas é difícil de escrutinar um cenário em que Gingrich ainda volte a tornar-se relevante nesta campanha.
Para último lugar fica Ron Paul, que chegou a ser uma força no actual ciclo eleitoral, mas que foi perdendo fulgor até se tornar praticamente irrelevante. Actualmente, é visto como uma espécie de wing man de Romney, aliando-se a este para fazer frente a Santorum e Gingrich. Ora, essa fama não pode ser positiva para um candidato de franja e que lidera um movimento que se diz independente e inovador. 
De partida do Michigan e do Arizona, as atenções passam a estar centradas na Super-Tuesday do próximo dia 6 de Março, ainda que antes, no Sábado, decorram os caucuses do Estado de Washington. Na Terça-feira,10 Estados irão a votos, num dia que poderá ser decisivo para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Os candidatos no debate de ontem

Mitt Romney - Apesar de não ter estado propriamente brilhante, Romney foi claramente o vencedor do debate de ontem. Consciente que o principal perigo vem agora da parte da Santorum, o antigo Governador do Massachusetts mostrou ter feito os trabalhos de casa e levou bastante material para atacar o seu adversário. O seu melhor momento foi quando encostou Santorum às cordas, criticando-o por ter apoiado Arlen Specter (Senador republicano que, mais tarde, se mudou para o lado democrata) e por ter várias vezes votado, no Senado, contra a sua consciência. A jogar num Estado favorável, teve a audiência do seu lado, o que ajuda sempre a transmitir a imagem de vitória. Pode ter conseguido, ontem à noite, um fôlego decisivo para vencer as primárias no Michigan e no Arizona, na próxima Terça-feira.

Rick Santorum - Foi, sem dúvida, o derrotado da noite. Sendo este o último debate antes das próximas primárias e talvez mesmo o último da campanha eleitoral, Santorum tinha aqui a grande oportunidade para desferir um golpe fatal em Romney. Contudo, as suas boas prestações em anteriores debates não se repetiram e Santorum pareceu nervoso e incapaz de se defender convincentemente dos ataques dos seus adversários. Ficaram ainda mais uma vez demonstradas as dificuldades que os candidatos membros do Congresso sentem em justificar e defender o seu historial de votos no Capitólio. Para alguém que tinha tudo a ganhar no debate de ontem, Santorum jogou demasiadamente à defesa e saiu derrotado por um Romney mais dinâmico e decidido.

Newt Gingrich - Teve uma sólida prestação e voltou a uma receita que lhe deu proveitos no passado: as críticas à comunicação social. Apesar de parecer calmo e seguro de si, a verdade é que foi praticamente irrelevante no debate. Por este andar, também a sua candidatura se tornará irrelevante nesta campanha eleitoral. 

Ron Paul - Como sempre, o congressista do Texas foi coerente e apresentou as suas ideias de forma clara. Os seus ataques tiveram como único destinatário Rick Santorum e fala-se já abertamente numa alegada aliança entre si e Mitt Romney. Será que poderemos ter Paul numa eventual administração Romney?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um debate decisivo

Como já tenho dito, os debates televisivos têm sido fundamentais na campanha presidencial em curso. Boas prestações nestes eventos têm permitido a ascensão (casos de Gingrich ou Santorum) ou a queda de candidatos (com Rick Perry a ser o exemplo mais flagrante) diante da opinião pública norte-americana. Assim sendo, o debate de hoje à noite, organizado pela CNN e realizado no Arizona, reveste-se de uma importância acrescida por ser o último antes das primárias da próxima Terça-feira - no Michigan e no Arizona - e da Super Tuesday que se realiza a 6 de Março.
Mais logo, veremos então se Rick Santorum consegue manter a pressão sobre Mitt Romney, de forma a continuar a representar uma ameaça para a nomeação do ex-Governador do Massachusetts, ou se é Romney que é capaz de afastar a principal concorrência e, finalmente, conseguir apelar aos corações e mentes dos eleitores mais conservadores. Por outro lado, é sempre conveniente prestar atenção a Newt Gingrich, que já provou ser capaz de voltar à luta pela nomeação através das suas prestações arrojadas nos debates.
O debate, com moderação de John King, tem transmissão na CNN, a partir da 1 hora da madrugada em Portugal.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A ascenção de Santorum

Rick Santorum varreu completamente as primárias da passada Terça-feira, amealhando vitórias nos caucuses do Colorado e do Minnesota, assim como na primária do Missouri, ainda que esta não atribuísse qualquer delegado. 
Foi, sem dúvida, um resultado brutal para o antigo Senador pela Pensilvânia, que, nos últimos dias de campanha no Minnesota e no Missouri, conseguiu destacar-se dos seus opositores. Já a sua vitória no Colorado, que se supunha ser terreno seguro para Mitt Romney, foi uma grande surpresa e representou a cereja no topo do bolo para Santorum que se tornou, assim, o candidato com mais triunfos (quatro), ultrapassando Romney (que conta com três) e Gingrich (apenas venceu na Carolina do Sul).
Depois de um 2011 muito apagado - até finais de Dezembro, estava constantemente no último lugar das sondagens -, Santorum conseguiu ganhar tracção no Iowa, triunfando mesmo neste Estado, ainda que apenas tenha sido declarado vencedor depois de uma recontagem dos votos. Todavia, o momentum pós-Iowa não foi sentido de forma muita intensa e a estrela do ex-Senador foi perdendo brilho, tendo-se chegado mesmo a falar numa possível desistência. Mas Santorum não desistiu e, apelando aos eleitores mais conservadores com base nos seus valores religiosos e familiares, foi capaz de voltar ao topo e ser agora a maior ameaça para Mitt Romney.
Ainda assim, Romney é ainda o grande favorito a conseguir a nomeação republicana. Conta uma estrutura altamente capaz e profissional  e tem o apoio do establishment do partido. Mas, principalmente, tem uma enorme vantagem financeira, o que, numa campanha marcada pelo negativismo, lhe dá a capacidade de atacar sem tréguas os seus adversários, através de anúncios televisivos, na rádio, nos jornais, ou na Internet.
Mas a principal vítima da ascensão de Santorum foi Newt Gingrich, que teve uma noite péssima na Terça-feira e perdeu a possibilidade de continuar a afirmar ser a única alternativa a Romney. O antigo Speaker, que já provou nesta campanha ser capaz do mais improvável dos regressos à disputa pela nomeação, procura agora bons resultados na Super-Tuesday, apostando no Ohio e no seu home-state da Geórgia, um prémio muito apetecível, já que o seu vencedor, através do sistema de winner-takes-all, arrecada automaticamente os 70 delegados em discussão.
O calendário das primárias segue já amanhã, com a realização de uns pouco relevantes caucuses no Maine, mas, nas próximas semanas, as atenções estarão viradas para as primárias do Arizona e do Michigan, que têm lugar no dia 28. Romney parte como favorito nos dois Estados, fruto importante comunidade mórmon no primeiro Estado e de ser uma espécie de favorite-son no segundo, já que o seu pai foi Governador do Michigan na década de 60. Porém, como já se viu tantas vezes nesta campanha, o melhor é não fazer muitas apostas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Noite de primárias

Continuam as eleições primárias nos Estados Unidos, com vista à escolha do político republicano que defrontará Obama, em Novembro. Hoje, decorrem caucuses no Colorado e no Minnesota, e um concurso de beleza no Missouri, já que a primária que tem lugar neste Estado do Midwest  não elege nenhum delegado (para esse efeito, serão realizadas caucuses no dia 17 de Março.
Foram hoje divulgadas sondagens da PPP nestes três Estados. No Colorado, espera-se uma vitória clara de Mitt Romney, de acordo com os números daquela empresa:  37% das intenções de voto para Romney, contra 27% de Rick  Santorum, 21% de  Newt Gingrich e 13% de Ron Paul. No Minnesotta, Santorum lidera com 33%, seguido de Romney, com 24%, Gingrich com 22% e Ron Paul, com 20%. Relativamente ao Missouri, a mesma empresa aponta para uma vitória folgada de Santorum, que surge com 45%, seguido de Romney, com 32%, e Ron Paul, com 19% (Gingrich não surge nos boletins de voto).
Se a PPP estiver correcta nas suas previsões, esta pode ser uma grande noite para Santorum, que venceria duas das três corridas e se colocaria como o grande adversário de Romney, relegando Newt para uma incómoda posição. Assim sendo, as eleições de hoje podem provocar mais uma reviravolta nesta campanha eleitoral, que, a cada dia que passa, nos continua a surpreender.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Oeste nada de novo

Resultados provisórios (45% dos votos apurados) dos caucuses do Nevada:

Mitt Romney - 42,6%
Newt Gingrich - 26,0%
Ron Paul - 18,4%
Rick Santorum - 13%

Como se esperava, Mitt Romney venceu facilmente os caucuses do Nevada, com um resultado que se espera chegar perto da marca dos 50%, após todos os votos estarem contados. Num Estado com uma forte comunidade mórmon e onde Romney tem uma organização de campanha montada há cinco anos, a sua vitória nunca esteve em causa e era antecipada como normal. Ainda assim, com este triunfo, o ex-Governador do Massachusetts consegue a terceira vitória em cinco eleições disputadas até ao momento e é cada vez mais o grande favorito a defrontar Obama na eleição geral de Novembro. 
Para já, a maior desilusão foi o score obtido por Ron Paul, que aposta nos caucuses e nos Estados mais pequenos, onde a sua entusiasta e jovem campanha pode ser mais eficaz. Contudo, parece que nem foi capaz de alcançar o segundo lugar, perdendo para Gingrich que, praticamente abdicando de competir no Nevada, deverá ter sido o candidato mais votado depois de Romney. E, por falar no antigo Speaker, diga-se que, afinal, os rumores que chegaram a circular sobre uma possível desistência eram infundados. Newt pretende continuar na corrida e na sua conferência de imprensa de ontem, onde atacou Mitt Romney ininterruptamente, deixou isso bem claro. 
Todavia, o voto conservador continua a ser dividido entre Gingrich e Santorum, sem que nenhum deles esteja, aparentemente, a pensar em desistir a favor do outro, de forma a criar uma mais forte e credível alternativa a Mitt Romney.  Assim sendo, Romney continua a perfilar-se como o presumível nomeado republicano. Ainda para mais quando se olha para o calendário das primárias e se percebe que Fevereiro deverá ser um mês altamente favorável para Romney, com poucas oportunidades de vitória para os seus opositores. Não seria, por isso, uma grande surpresa que Romney pudesse selar a nomeação na Super-Tuesday, a 6 de Março.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Romney dominador

Resultados da primária da Florida:
 
Mitt Romney -46,4%
Newt Gingrich - 31,9%
Rick Santorum -13,4%
Ron Paul - 7%

Como os números indicam, Mitt Romney obteve ontem uma estrondosa vitória na primária da Florida, deixando o seu mais directo perseguidor, Newt Gingrich, a mais de 14 pontos percentuais de distância. Com este resultado, o antigo Governador do Massachusetts volta a parecer o inevitável nomeado presidencial pelo Partido Republicano. Uma vitória deste calibre no mais importante Estado em eleições presidenciais norte-americanas deve fazer cair as dúvidas que ainda existiam em alguns eleitores mais conservadores. Aliás, as sondagens não têm deixado margens para dúvidas: entre Romney e Gingrich é o primeiro que melhores resultados consegue nos hipotéticos embates face a Obama. Por isso, não admira que Mitt Romney, no seu discurso de vitória de ontem, tenha focado as suas atenções em Barack Obama e não nos seus adversários republicanos, dando a entender que está já mais preocupado com a eleição geral de Novembro, do que com o que resta das primárias do seu partido.
Mas Newt parece não querer desarmar e tenciona ficar na corrida até ao fim, esperando impedir Romney de conseguir uma maioria absoluta em delegados e levar a decisão para a Convenção Nacional Republicana. Contudo, é preciso que obtenha rapidamente alguns bons resultados, para que o dinheiro proveniente das contribuições financeiras continue a entrar nos cofres das suas campanhas. Gingrich já provou por várias vezes ao longo desta campanha que consegue ressurgir das cinzas. Poderá consegui-lo uma vez mais, mas o tempo começa a escassear e as próximas primárias não o favorecem. Apostará forte na Super-Tuesday, altura em que o seu Estado de origem, a Géorgia, irá a votos, mas é incerto que tenha capacidade para competir em vários locais ao mesmo tempo (nesse dia, dez Estados realizarão as suas primárias).
Quem também parece apostar numa última oportunidade é Rick Santorum, que, apesar do fraco resultado de ontem, tenciona capitalizar com uma possível queda de Gingrich, assumindo-se como o candidato preferido dos eleitores mais conservadores. Contudo, à imagem de Newt, é também difícil de idealizar um caminho rumo à nomeação para o antigo Senador da Pensilvânia. 
Finalmente, Ron Paul, que praticamente abdicou de competir na Florida, preferindo apostar em Estados mais pequenos e em que a votação seja feita através de caucuses, onde pode mais facilmente aproveitar a sua excelente estrutura de campanha, continuará até ao final. Tentará angariar o máximo de delegados possível, de forma a poder chegar à Convenção numa posição de força e que lhe permita optimizar a sua notoriedade, tanto do seu nome (preparando uma possível futura candidatura do seu filho, Rand), como dos seus ideiais libertários.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Florida decide

Já abriram as urnas na Florida, Estado onde se desenrola hoje mais uma primária presidencial. Apesar de ter perdido metade dos delegados a que teria direito por ter adiantado a data da primária para Janeiro, a Florida continua a ser um importante prémio para os candidatos presidenciais, em especial por se tratar de uma primária no sistema de winner takes all, pelo que o seu vencedor arrecadará todos os 50 delegados do sunshine state.
Logo à noite (as urnas encerram à uma da madrugada de Lisboa), é praticamente certo que será Mitt Romney a festejar o triunfo, visto que todas as sondagens atribuem uma vantagem decisiva ao antigo Governador do Massachusetts sobre Newt Gingrich. Depois da Carolina do Sul, o ex-Speaker subiu em flecha nas intenções de voto no sunshine state, mas uma campanha agressiva e uma boa prestação nos debates por parte de Romney transformou novamente a corrida a seu favor.
A Florida pode, por isso, representar um momento crucial para a decisão destas primárias. Com uma vitória robusta, Romney pode arrancar decisivamente para a nomeação, ficando os seus opositores com menos possibilidades de ainda conseguirem chegar ao topo. Contudo, tanto Gingrich como Ron Paul já anunciaram a sua intenção de ficarem na corrida até à convenção republicana, no Verão.
Mas, pelo menos para já, a palavra está do lado dos eleitores da Florida.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Herman Cain apoia o Speaker

Em resposta à onda de apoios que Mitt Romney tem recebido por parte do establishment republicano, e que se multiplicaram nos últimos dias, Newt Gingrich contou ontem com o apoio formal de Herman Cain, o candidato presidencial que, depois de ter andado no topo das sondagens, caiu em desgraça devido a um escândalo sexual. 
É pouco provável que este anúncio venha alterar substancialmente a dinâmica da corrida na Florida, que vai a votos já daqui a dois dias, mas representa, pelo menos, uma notícia positiva que Gingrich pode utilizar para dar um pouco a volta à narrativa noticiosa dos últimos dias, que lhe tem sido prejudicial. 
Entre os antigos candidatos presidenciais, Cain junta-se assim a Rick Perry no leque de apoiantes de Gingrich, enquanto Tim Pawlenty e Jon Huntsman deram o seu endorsement. Resta, por isso, Michelle Bachmann, que, até ao momento, ainda não assumiu a sua preferência na disputa pela nomeação republicana.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Romney volta a estar por cima

A seguir à sua grande vitória na Carolina do Sul, Newt Gingrich parecia num momento avassalador, tendo passado para a frente nas sondagens nacionais, mas também na Florida (Estado que recebe a próxima primária, na Terça-feira), onde recuperou mais de 20 pontos percentuais em relação a Mitt Romney. Todavia, nos últimos dias, a tendência da corrida alterou-se novamente e Romney voltou a surgir com uma vantagem relativamente confortável sobre Gingrich.
Os debates televisivos podem explicar grande parte destas mudanças. Depois de parecer dominador nos confrontos entre os candidatos, e até de fazer das suas prestações nos debates um dos pontos fortes da sua candidatura à Casa Branca (Newt chegou mesmo a dizer que apenas ele podia fazer frente a Obama neste capítulo), Gingrich esteve muitos furos abaixo do que aquilo que nos habituou a fazer nos últimos dois debates. No de ontem em particular, o antigo Speaker foi totalmente cilindrado por Mitt Romney, que, fazendo o papel tradicionalmente protagonizado por Gingrich, partiu para o ataque e, ao longo das duas horas de duração do debate, não deixou o seu principal adversário respirar. Assim, e como os debates têm sido muito importantes nesta campanha eleitoral, é de prever que Romney dê um novo salto nas sondagens dos próximos dias.
Por sua vez, a postura de Gingrich durante o debate de ontem foi a mesma que falhou quando, no final do ano passado, se colocou destacado na frente da corrida. Deixou de ser o Gingrich habitual, agressivo e pronto a desferir ataques contra os seus adversário, passando a tentar ser magnânimo, consensual e "presidenciável". Ora, já se viu que não é ao fugir da sua essência que o antigo Speaker não consegue bons resultados. A "marca" Gingrich funciona enquanto candidato insurgente, polémico e intuitivo. Pelo que se tem visto esta semana, Gingrich não aprendeu com os erros anteriores. Só que, desta vez, isso pode ser-lhe fatal.
Para piorar a situação de Newt Gingrich, soou o alarme no establishment do GOP, depois da Carolina do Sul. Ciente de que com Gingrich como nomeado a Casa Branca estaria praticamente perdida para mais quatro anos de Obama (além dos danos efeitos secundários que isso poderia causar nas restantes eleições estaduais e para o Congresso), o Partido Republicano saiu em força para atacar o Speaker, ajudando, dessa forma, a causa de Romney, que volta agora a estar em boa posição para ser o nomeado presidencial republicano. Mas, com todas as reviravoltas que a corrida já sofreu, o melhor é mesmo esperar para ver.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Gingrich relança a corrida

Resultados finais da primária presidencial da Carolina do Sul:

Newt Gingrich - 40,4%
Mitt Romney - 27,8%
Rick Santorum - 17,0%
Ron Paul - 13,0%

Contados todos os votos, fica a certeza que Newt Gingrich obteve uma tremenda vitória, tendo alcançado a marca dos 40% e deixado Romney a quase 14 pontos percentuais de distância. 
Por esta altura, a campanha do antigo Governador do Massachusetts deve estar a fazer contas à vida e a preparar-se para uma campanha mais longa e complicada do que se previa há poucos dias atrás. De facto, ainda no início da semana, Romney tinha vencido o Iowa e o New Hampshire, liderava destacado na Carolina do Sul e Jon Huntsman desistia a seu favor. Contudo, um debate televisivo, alguma cobertura negativa, a desistência de Perry que passou a apoiar Gingrich e a declaração de Santorum como vencedor no Iowa foram elementos que mudaram por completo a narrativa da campanha.
Agora vem a Florida, que tem a sua primária no próximo dia 31 de Janeiro, e que deverá ser decisiva. Romney tinha vindo a mostrar muita força nas sondagens, mas, depois dos resultados de ontem, será curioso como evoluirão os números no Sunshine State. Gingrich tem momentum, mas falta-lhe o dinheiro que Romney tem em fartura. A não ser, claro está, que surjam contribuições avultadas de conservadores com muito dinheiro e que contribuam para o Super PAC do antigo Speaker. Pelo menos, Gingrich não terá de se preocupar com o eventual endorsement de Jeb Bush a Romney, como chegou a ser falado durante a noite eleitoral de ontem. O antigo Governador da Florida (e irmão de George W. Bush) já anunciou que não irá apoiar ninguém antes da primária do seu Estado.
Neste momento, a corrida parece estar reduzida a dois nomes, mas Rick Santorum não teve uma noite terrível e aguentou o último lugar do pódio. É verdade que 17% na Carolina do Sul, um Estado socialmente conservador e onde Santorum devia ser mais apelativo, não é um grande resultado, mas não me parece que o antigo Senador pela Pensilvânia esteja a pensar desistir. Numa campanha como esta, onde tudo é possível, Santorum deverá querer esperar para ver se a campanha de Gingrich implode novamente (o que não é propriamente um cenário inimaginável) ou se surge uma qualquer outra oportunidade para voltar à luta pela nomeação. Ron Paul, por sua vez, deverá ficar na corrida até ao fim, espalhando a sua mensagem e ideias libertárias.
Agora é tempo de os candidatos abandonarem a Carolina do Sul e rumarem a Sul, para a Florida, onde deverá ter lugar a mais importante primária até ao momento. Romney ainda é o favorito a vencer, mas terá de saber reagir à dura derrota de ontem. Da mesma maneira, Gingrich terá de ser capaz de lidar com a vitória, ao invés do que aconteceu quando, antes do Iowa, liderava isolado as sondagens e tomou uma série de decisões erradas que quase lhe custaram a sua candidatura presidencial. De qualquer forma, uma coisa parece certa: temos corrida!

Gingrich vence na Carolina do Sul

Segundo a Associated Press e algumas cadeias televisivas norte-americanas, Newt Gingrich terá vencido a primária da Carolina do Sul, relegando Mitt Romney para o segundo posto, com Ron Paul e Rick Santorum a disputarem o terceiro lugar. Ainda não se sabe a dimensão do triunfo, mas o facto de a vitória de Gingrich ter sido declarada bastante cedo deve indicar que ganhou com larga margem. Se, por exemplo, a diferença se situar nos double digits, então o antigo Speaker terá conseguido uma grande vitória e a corrida estará relançada. Depois da Carolina do Sul, segue-se a Florida, que deverá desempenhar um importante papel nas primárias presidenciais do GOP. Mas isso é algo com que Newt Gingrich apenas se preocupará a partir de amanhã. Hoje, para ele, é dia de celebração.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Carolina do Sul vai a votos

Chegou a tão aguardada primária da Carolina do Sul, a terceira etapa do processo de escolha do opositor de Barack Obama na eleição geral, em Novembro. Depois do Iowa (onde, afinal, foi Rick Santorum o vencedor, e não Mitt Romney) e do New Hampshire, este é o primeiro Estado do Sul a dizer de sua justiça nas primárias presidenciais. As urnas encerram às 19 horas locais (meia-noite em Portugal), e isso, aliado ao facto de hoje ser Sábado, fará com que seja mais fácil seguirmos os acontecimentos neste dia de decisões nos Estados Unidos.
Nos últimos dias, assistiu-se a uma fantástica recuperação de Newt Gingrich, que é agora o principal favorito a vencer na Carolina do Sul - Nate Silver atribui-lhe 80% de possibilidade de vitória. Depois de ter ficado em quarto lugar no Iowa em quinto no New Hampshire, a campanha do antigo Speaker foi dada (uma vez mais) como perdida. Contudo, surpreendendo tudo e todos, Newt volta à ribalta e uma vitória consistente hoje pode voltar a semear dúvidas acerca da inevitabilidade da vitória de Romney. Além disso, se Rick Santorum ficar em quarto e último lugar, atrás de Ron Paul - o que é bem possível de acontecer - é provável que abandone a corrida, deixando o caminho aberto para os seus apoiantes se deslocarem para o campo de Gingrich.
Todavia, Romney ainda terá uma palavra a dizer e não é certo que saia derrotado logo à noite. Se vencer, o antigo Governador do Massachusetts torna-se o nomeado de facto e a corrida praticamente termina. E mesmo ficando em segundo lugar, desde que muito perto de Gingrich, o jogo das expectativas pode jogar a seu favor, visto que, dadas as últimas sondagens, todos esperam um triunfo algo folgado (mais de 5% de vantagem) de Newt. 
É preciso ainda lembrar que, até há poucas semanas atrás, não se pensava que Romney pudesse competir na Carolina do Sul contra os candidatos mais conservadores. Contudo, depois do apoio da Governador do Estado, Nikky Haley, e dos triunfos anteriores (apesar de, como se sabe agora, não ter ganho no Iowa), Romney passou para a frente nas sondagens e decidiu apostar forte no The Palmetto State. É provável que essa decisão não tenha sido, afinal de contas, a mais acertada, mas, mais logo, saberemos a resposta a essa questão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Diz que é uma espécie de endorsement

Sarah Palin andava estranhamente ausente da campanha republicana presentemente em curso. Contudo, numa entrevista à Fox News, a candidata vice-presidencial em 2008 quebrou o silêncio e declarou o seu apoio a Newt Gingrich. Contudo, este não foi um anúncio de endorsement tradicional a um candidato (como foi o do seu marido, Todd Palin, também a Gingrich), já que Palin se limitou a dizer que, com o objectivo de prolongar por mais algum tempo a corrida, votaria em Newt caso fosse uma eleitora da Carolina do Sul. Ainda assim, este é um importante apoio para Gingrich, que precisa de toda a ajuda que puder encontrar para derrotar o super-favorito Mitt Romney.