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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Corrida empatada

Pois é, a actual disputa pela Casa Branca não pára de nos surpreender. Antes do debate da passada Quarta-feira, Barack Obama parecia bem encaminhado para a reeleição, com as sondagens a mostrarem o candidato democrata na dianteira a nível nacional, mas, principalmente, com uma vantagem aparentemente decisiva em quase todos os battleground states.
Contudo, o resultado do debate televisivo em Denver mudou drasticamente o cenário da corrida. Logo nos primeiros dias seguintes ao frente-a-frente, algumas sondagens começaram a dar a entender que Mitt Romney poderia estar a recuperar terreno face ao Presidente. Inicialmente, esses indicadores poderiam não passar de ruído estatístico, ou um bump natural e decorrente da boa prestação no debate do nomeado republicano. Porém, neste momento, quase uma semana depois do debate, é já possível perceber que a recuperação de Mitt Romney ultrapassa mesmo as melhores expectativas do mais optimista dos republicanos.
As sondagens nacionais mostram agora que a corrida pode muito bem estar empatada. Esse é, aliás, o resultado da última tracking poll da Rasmussen, que mostra os dois candidatos com 48% dos votos. Na Gallup, Obama surge ainda com 5% de avanço em relação ao seu opositor, mas, com esta entidade e alterar, hoje mesmo, a sua amostra (passando de eleitores registados para apenas eleitores prováveis), é bem possível que os próximos números indiquem, também, um empate entre Obama e Romney. Outra sondagem nacional, da Pew Research, é ainda mais negativa para o actual ocupante da Sala Oval, já que aponta agora para uma vantagem de quatro pontos percentuais para o republicano, em grande contraste com a anterior sondagem da mesma empresa, que atribuia a Obama uma liderança com 8% de diferença relativamente a Romney. Com estes dados, a média das sondagens do RealClearPolitics já atribui a Obama uma vantagem de apenas 0,5% (no Pollster, Obama ainda lidera por 2 pontos percentuais).
Também nas sondagens estaduais se assistiu a uma acentuada recuperação de Mitt Romney, ainda que Obama mantenha, na maior parte dos casos, uma ligeira vantagem. Estados como a Florida e a Virginia, onde Obama vinha a solidificar a sua posição, parecem agora totalmente empatados ou mesmo a inclinarem-se novamente para o candidato republicano. Noutros locais, onde Barack Obama tinha lideranças firmes, como no Ohio, no Wisconsin e mesmo na Pennsylvania, voltam agora a estar ao alcance de Mitt Romney. Ou seja, o Colégio Eleitoral, que há uma semana parecia um pesadelo para Romney, volta a estar totalmente em aberto.
É possível que o inevitável contra-ataque democrata sirva para compensar parte das perdas de Obama no pós-debate. Além disso,  dificilmente o debate vice-presidencial de Quinta-feira (assim como os posteriores dois debates entre os "chefes de fila") correrá tão mal aos democratas como o da semana passada. Até porque, agora, o jogo das expectativas está virado do avesso e espera-se que o ticket do GOP volte a derrotar copiosamente o adversário. Ainda assim, é realmente notável a mudança brutal numa corrida que já leva largos meses de duração devido ao impacto de um evento de 90 minutos. Costuma-se dizer que os debates raramente têm grande influência numa campanha eleitoral. Todavia, a manter-se a dinâmica actual, é bem possível que esse mito venha a cair em 2012.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Debate confirma a tendência da corrida

Ontem à noite, em New Hampshire, decorreu mais um debate entre os candidatos presidenciais republicanos. Este, organizado pelo Washington Post e pela Bloomberg, foi muito semelhante aos anteriores (em conteúdo, já que adoptou um formato diferente, em jeito de mesa redonda) e confirmou a actual tendência da corrida rumo à nomeação presidencial.
Mitt Romney esteve, mais uma vez, irrepreensível e voltou a ser o vencedor da noite. Sem erros, beneficiou ainda de uma certa timidez (ou temor) dos seus adversários, que não foram capazes de o atacar eficazmente. Na verdade, o antigo Governador do Massachusetts parece estar a um nível acima da concorrência, o que não pode ser dissociado do facto de já ter tentado a sua sorte em 2008 e de ter passado os últimos cinco anos a concorrer à Presidência dos Estados Unidos.
Por sua vez, Rick Perry repetiu mais uma prestação medíocre, parecendo pouco à vontade e sem novas armas para voltar a mudar o rumo da campanha a seu favor. As expectativas que cria para as suas presenças em debates são agora baixíssimas, mas nem assim é capaz de as superar. Não foi terrível, mas certamente que não será assim que ameaçará o estatuto de Romney. Aliás,o seu segundo lugar parece agora estar inclusivamente em risco, fruto de uma fulgurante recuperação de Herman Cain.
Cain é, de facto, a figura do momento na campanha republicana, surgindo já na primeira posição em algumas sondagens, e a sua prestação no debate de ontem pode contribuir para o seu momento positivo. Depois de Romney, Cain foi quem esteve melhor no encontro de New Hampshire, apostando forte no seu programa fiscal denominado plano 9-9-9, que promete tornar-se um dos mais fortes soundbytes da campanha. Se Rick Perry não tiver cuidado, Herman Cain pode mesmo colocar-se como a maior alternativa a Romney.
Por fim, naquilo a que podemos chamar de "resto do grupo", Newt Gingrich foi quem mais brilhou, mantendo o seu tom provocador e polémico, chegando mesmo a sugerir que os democratas autores da reforma financeira deviam ir presos. Ron Paul, Rick Santorum e John Huntsman estiveram discretos e não me parece que ainda possam ressurgir em força na campanha de 2012 (mas o mesmo já foi dito sobre Herman Cain). Finalmente, Michelle Bachmann, cuja campanha parece estar quase sem oxigénio, esteve muito distante das suas excitantes prestações nos primeiros debates e não entusiasmou ninguém, provavelmente nem ela própria. 
Está assim cumprido mais um debate na quase interminável lista deste tipo de eventos que terão lugar durante a grande maratona que é a campanha presidencial nos Estados Unidos - estão ainda marcados mais onze debates, até Março de 2012. Por agora, a sua importância é relativa, mas, com o aproximar das primárias, as suas audiências e, consequentemente, o impacto nos eleitores, aumentarão significativamente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mais um debate

Com a campanha para as eleições primárias republicanas em plena carburação, sucedem-se os debates televisivos entre os candidatos à nomeação presidencial pelo GOP. Na passada Quarta-feira, teve lugar o mais recente destes encontros, num evento organizado pela MSNBC e pelo Politico. Como estive de férias, não acompanhei este debate, que tinha como grande ponto de interesse o facto de se tratar da estreia de Rick Perry nos frente-a-frente com os seus adversários. Pelo que li, o Governador do Texas não esteve mal e conseguiu evitar eventuais gaffes que prejudicassem seriamente as suas hipóteses junto do eleitorado. Ainda assim, Mitt Romney terá sido o vencedor, conseguindo demarcar bem a diferença entre si e Perry no que diz respeito à defesa da Segurança Social, um programa muito criticado pelas alas mais conservadoras do Partido Republicano, mas acarinhado pela grande maioria da população norte-americana. Apesar de discordâncias como esta entre os candidatos republicanos, a verdade é que existem dois denominadores comuns no discurso de todos eles, como nos demonstra este curioso vídeo retirado do Political Wire: cortes nos impostos e Ronald Reagan.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Debate no New Hampshire

Realiza-se hoje o segundo debate entre os candidatos à nomeação presidencial pelo Partido Republicano. Contudo, este é o primeiro a reunir todos os principais nomes da corrida, já que Mitt Romney, Newt Gingrich e Michelle Bachmann não participaram no debate de estreia, que teve lugar na Carolina do Sul, no início de Maio.
Desta vez, o evento decorrerá no fundamental Estado do New Hampshire, sendo transmitido pela CNN (1h da madrugada em Portugal) e apoiado pelo influente jornal New Hampshire Union Leader. Assim, as atenções estão viradas para Mitt Romney, o grande favorito a vencer as primárias do granite state e, como tal, o alvo a abater por parte dos restantes concorrentes. Tim Pawlenty parece ser o mais propenso a atacar Romney, em especial a reforma da saúde do Estado do Massachussets que Romney aprovou enquanto Governador daquele Estado. Newt Gingrich, por seu lado, tentará provar que a sua campanha é para continuar depois da implosão da semana passada, enquanto Bachmann, Rick Santorum e Herman Cain lutarão pelo estatuto de número um entre os candidatos mais à Direita. Last but not least, Ron Paul será o representante da ala libertária, sendo, tradicionalmente, um dos mais fortes participantes em debates, como provou durante a campanha presidencial de 2008.
Apesar de o debate ser apenas para os candidatos republicanos - Barack Obama não tem, que se saiba, oponentes nas primárias do seu partido - os democratas não deixarão aos seus adversários o monopólio da narrativa política. Assim sendo, o Partido Democrata preparou uma resposta, em pleno New Hampshire, àquilo que se disser no debate de logo à noite, através de Robert Gibbs, antigo porta-voz de Obama e que volta, desta forma, à primeira linha do combate político. E a Gibbs não deverá faltar a que responder e contra-atacar, já que é previsível que Obama seja alvo de duros e constantes críticas durante o debate de hoje.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Debate na Florida

O meu início de tarde do último Domingo foi passado a assistir, via CNN Internacional, ao debate entre os candidatos ao Senado dos Estados Unidos pela Florida, que decorreu no habitual talk-show daquela cadeia norte-americana, State of the Union. E devo dizer que não dei o tempo como perdido, já que a discussão foi interessante, animada e, por vezes, até bastante "quente".
Recorde-se que esta eleição é disputada pelo republicano Rubio, pelo Governador Charlie Crist, que, concorre como independente depois de perceber que não tinha hipóteses de vencer Rubio nas primárias do GOP, e pelo congressista democrata Kendrick Meek. Contudo, segundo as sondagens, a corrida está praticamente decidida a favor de Rubio que, desde o início do Verão, cavou uma diferença para os seus adversários que é, aparentemente, intransponível. Apesar disso, no debate de ontem, os três candidatos pareciam estar a lutar por uma corrida ditada pelo photo-finish, tal foi a intensidade com que decorreu a discussão e a troca de argumentos entre si.
Num debate onde os temas económicos, como o desemprego (com números particularmente altos na Florida), o corte de impostos, ou o défice, estiveram em destaque, travou-se uma acesa discussão ideológica entre Meek e Rubio, que Crist tentou aproveitar para se colocar como a voz moderada entre os três candidatos. A nível de posições políticas, não se assistiu a nada de novo. Marco Rubio criticou o big government e clamou pela continuação dos cortes de impostos e pelo liberalismo económico; Meek defendeu as medidas da administração Obama, como o pacote de estímulos à economia e tentou definir-se como o verdadeiro representante do Partido Democrata na corrida, defendendo-se das investidas de Crist ao tradicional eleitorado democrata; por sua vez, o ainda Governador da Florida mostrou-se aberto ao compromisso, tendo a particularidade de defender temas queridos aos conservadores, como o corte de impostos, e aos liberais, como o direito ao aborto.

Mas, da discussão política e ideológica, passou-se, na parte final do debate, para uma veemente troca de acusações entre Charlie Crist e Marco Rubio. Já antes, Meek tinha evidenciado o óbvio, que Crist apenas tinha abandonado a luta pela nomeação republicana porque percebeu que não podia vencer Rubio. Porém, a disputa entre o candidato republicano e o candidato independente foi bem mais enérgica, enquanto o democrata, à parte da discussão, se limitava a sorrir. A certo ponto, Marco Rubio, depois de ser repetidamente interrompido por Charlie Crist, apelidou o Governador de heckler, ao que este replicou, dando a Rubio as boas vindas à NFL (como quem diz, bem-vindo à primeira divisão).
No fim do debate, ficou a ideia que Marco Rubio é um fortíssimo candidato, parecendo sempre à vontade diante das câmaras e com resposta pronta para todos os ataques dos seus adversários. Charlie Crist, por sua vez, jogou aqui aquela que seria, porventura, a sua última cartada nesta corrida. Foi eloquente, agressivo e utilizou a estratégia inteligente de se mostrar como o candidato moderado e aberto ao compromisso, numa época de polarização partidária. Contudo, sem apoio partidário e com as suas constantes manobras políticas (como o abandono do GOP) e mudanças de opinião com fins eleitorais, será um dos grandes derrotados de 2 de Novembro. Finalmente, Kendrick Meek, foi bastante competente e demonstrou que poderá ter um interessante futuro político à sua frente. Todavia, esta não é a sua batalha e o seu único objectivo é tentar ficar à frente de Crist, o que parece difícil de conseguir.

Os resultados finais indicarão, salvo uma enormíssima surpresa, que Marco Rubio será o novo Senador americano pelo estado da Florida. Rubio é, sem dúvida, uma das maiores promessas do Partido Republicano e esta eleição, onde defrontou dois fortíssimos opositores, é a prova viva disso mesmo. De amanhã a oito dias, termina, então, uma das mais peculiares e interessantes eleições de que há memória nos Estados Unidos, que, certamente, muitas saudades irá deixar a todos os political junkies que têm seguido com especial atenção esta apaixonante corrida no sunshine state.