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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gingrich sobe; Perry desiste

Está a ser uma boa semana para Newt Gingrich, cuja candidatura parecia, há alguns dias, praticamente terminada. Contudo, uma boa prestação último debate e a cobertura negativa de que Romney tem sido alvo devido ao seus impostos (confessou que a maioria dos seus rendimentos são, na sua maioria, taxados a 15% por se tratarem de dividendos financeiros) valeram-lhe uma recuperação nas sondagens que já o colocam, inclusivamente, no topo da corrida na Carolina do Sul, onde decorre a próxima primária, já este Sábado.
Mas a melhor notícia para Newt é proveniente do campo de um dos seus adversários. Segundo o New York Times, Rick Perry prepara-se para desistir da sua campanha presidencial e apoiar Gingrich. Ora, a confirmar-se, este anúncio pode ser uma importante mais-valia para o antigo Speaker, já que Perry, um sulista, pode ajudá-lo a conquistar importantes votos na Carolina do Sul, onde Gingrich necessita de vencer para poder encarar a primária seguinte, na Florida, ainda com algumas esperanças de vir a ser o nomeado republicano.
Estará então a terminar a campanha de Rick Perry, que entrou em força na corrida, passando directamente para a liderança, mas que, devido às suas terríveis prestações nos debates televisivos, rapidamente caiu em desgraça e foi remetido para o fundo da tabela. Ainda assim, Perry foi porventura o único candidato que Romney verdadeiramente chegou a temer e a considerar uma ameaça para a sua candidatura. O Governador do Texas tinha currículo, dinheiro, apoios e estrutura, mas sucumbiu de forma retumbante devido aosseus  próprios erros. Pelo menos, Rick Perry pode dizer que a sua candidatura fica para a história, já que será alvo de análise em qualquer aula ou manual de marketing político, como o exemplo daquilo que não se deve fazer numa campanha eleitoral.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Depois do Iowa

Mitt Romney - O vencedor (ainda que por apenas 8 votos) no Iowa é, agora ainda mais, o grande favorito a conseguir a nomeação presidencial republicana. O próximo passo no processo de primárias é no New Hampshire, onde Romney tem surgido nas sondagens com vantagens gigantescas e onde a sua vitória é um dado adquirido há já largas semanas. Tem, por isso, uma aura de invencibilidade e o establishment do GOP continua a cerrar fileiras à sua volta. Até John McCain, com quem Romney não manteve uma relação muito positiva durante a campanha de 2008, estará a preparar-se para declarar o seu apoio ao antigo Governador do Massachusetts. 
Mas nem tudo é positivo para Romney. O seu resultado no Iowa, menos de 25%, é fraco para um vencedor e demonstra que a grande maioria dos eleitores republicanos não gosta de si ou ainda não se deixou convencer pelo político moderado do Nordeste americano. Assim sendo, com a previsível queda de alguns candidatados conservadores à medida que a corrida vai decorrendo, é possível que a congregação dos eleitores mais à Direita no GOP em torno de um ou dois concorrentes, possa dificultar um pouco a posição de Romney. Contudo, tudo se encaminha para que seja ele a defrontar Obama, em Novembro.

Rick Santorum - O antigo Senador pela Pensilvânia passou quase despercebido durante a grande maioria da campanha eleitoral até agora. Porém, depois da sucessiva ascensão e queda de todos os outros candidatos que se apresentaram como o "anti-Romney", Santorum tornou-se o último porta-estandarte do eleitorado mais conservador, ficando muito perto de vencer no Iowa. Ainda assim, o segundo lugar é um excelente resultado e garante-lhe momentum para encarar o New Hampshire com melhores perspectivas. Contudo, Santorum não tem uma grande estrutura por trás de si e teria bastantes dificuldades em disputar com Romney umas primárias longas e dispendiosas.

Ron Paul - Depois de várias sondagens o terem apontado como potencial vencedor no Iowa, o campeão da ala libertária do GOP quedou-se pela terceira posição. Mesmo assim, o resultado de Paul é digno de nota, ainda para mais quando nos lembramos, que, em 2008, apenas conseguiu 10% dos votos, tendo, em quatro anos, duplicado a sua votação. No New Hampshire ainda poderá ter uma palavra a dizer, mas Ron Paul não entra nas contas da disputa pela nomeação. Contudo, está a fazer uma excelente campanha, divulgando as suas (extravagantes) ideias políticas e, quem sabe, abrindo caminho para o seu filho, Rand Paul, que pode ser um candidato daqui a quatro ou oito anos.

Newt Gingrich - Conseguiu segurar o 4º lugar no Iowa, o que lhe garante alguma margem de manobra para ir, pelo menos até à Carolina do Sul. E será nesse Estado que Gingrich terá a sua derradeira oportunidade, tendo de vencer para poder continuar a sonhar com a nomeação republicana. Para isso, o antigo Speaker terá de disputar com Santorum o eleitorado mais conservador, mas, neste momento, é o ex-senador que leva vantagem.

Rick Perry - Um dos grandes derrotados do Iowa, onde chegou a liderar as sondagens, antes de sucumbir devido às suas más prestações nos debates televisivos. Após o seu quinto lugar nos caucuses de ontem, Perry afirmou que ia regressar ao Texas e reflectir sobre a sua permanência na corrida. Contudo, hoje, via Twitter, o Governador texano veio mostrar que continua na corrida, afirmando que iria avançar para a Carolina do Sul, onde espera que o seu sotaque sulista o ajude a recuperar. Todavia, para Perry, a corrida já acabou, mesmo que ele ainda não o tenha percebido.

Michele Bachman - Depois do seu sexto e último lugar (já que Huntsman não conta) nos caucuses do Iowa, não restava a Bachmann outra opção que não a desistência da corrida à Casa Branca. No Verão, ainda chegou a liderar as sondagens no hawkeye state, onde apostou todas as suas fichas, mas provou não ter estaleca para estas andanças.

Jon Huntsman - Visto como o mais moderado dos candidatos republicanos, Huntsman preferiu não competir no conservador Estado do Iowa. Por isso, a sua prova de fogo é já para a semana, no New Hampshire, onde o antigo Governador do Utah deposita todas as esperanças da sua campanha.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rick Perry afunda-se

Rick Perry entrou na corrida pela nomeação presidencial como um dos principais favoritos à vitória final e, de facto, as primeiras sondagens demonstravam a força do Governador do Texas. Contudo, com a sua participação nos primeiros debates, onde teve prestações desastrosas e não pareceu estar preparado para uma campanha nacional, Perry foi perdendo simpatizantes e afundou-se nas sondagens, passando para os últimos lugares.
De qualquer forma, ainda havia quem considerasse que Rick Perry ainda era capaz de recuperar e voltar a entrar na luta pela vitória. Todavia, essas possibilidades, por pequenas que fossem, devem ter terminado ontem, com mais uma péssima prestação num debate televisivo. O seu pior momento (retratado no vídeo de cima), quando queria nomear as três agências que pretenderia acabar quando chegasse à Casa Branca, mas apenas conseguiu apontar dois (não se lembrou do Departamento de Energia), chega a meter dó. Depois disto, e das várias vezes que este vídeo irá ser repetido, dificilmente Rick Perry pode ser considerado um candidato viável.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O colapso de Rick Perry

Rick Perry entrou tarde na corrida presidencial, mas quando o fez foi em força e directamente para o topo das sondagens, acabando com o grande favoritismo de Mitt Romney e colocando um travão na ascensão de Michelle Bachmann, que parecia imbatível no Iowa. Contudo, depois das suas fracas prestações nos debates televisivos, o Governador do Texas começou a perder gás. Agora, conhecendo-se os resultados das sondagens mais recentes, parece que esse momento negativo é ainda pior do que se pensava.
Uma sondagem de âmbito nacional, da responsabilidade da Fox News, devolveu Romney à liderança, com 23% dos votos, ficando Perry na segunda posição, com 19%. Em terceiro lugar, surgiu, de forma surpreendente, Herman Cain (17%), que parece estar a ganhar uma segunda vida depois de ter vencido uma sraw poll na Florida. Estes números, mais que uma subida de Romney (subiu apenas um ponto percentual desde a última sondagem) mostram claramente que Perry está em declínio, tendo descido 10% nas intenções de voto.
Mas as más notícias para Rick Perry não se ficam por aqui. Outras sondagens de nível estadual representam ainda maiores problemas para o texano, que está também em perda em dois dos mais importantes Estados nas primárias, onde liderava até há pouco tempo, o Iowa e a Florida. No primeiro, uma sondagem da American Research Group, caiu mesmo para o terceiro posto, sendo ultrapassado por Romney e por Bachmann. Já no solarengo Estado da Florida, um estudo da PPP também indicou uma quebra de Perry, que foi regelado para a segunda posição e novamente por Mitt Romney.
Estes números são deveras preocupantes para Perry, cujas hipóteses de obter a nomeação parecem começar a estar comprometidas. Para inverter a tendência, a sua campanha terá de agir e depressa de forma a inverter esta tendência negativa. Uma medida sensata (e urgente) seria a de retirar o candidato do trilho da campanha durante alguns dias, de forma a que Perry pudesse ser melhor preparado para enfrentar as perguntas dos moderadores e os ataques dos seus adversários nos debates televisivos, que têm sido o seu grande calcanhar de Aquiles. Porque se mantiver o nível das suas prestações anteriores, a campanha de Perry poderá estar moribunda ainda antes de chegarem os caucus do Iowa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Florida, como sempre decisiva

Já é tradição que a Florida seja um dos mais importantes Estados numa eleição presidencial norte-americana. O caso mais flagrante foi quando, em 2000, Bush alcançou a presidência depois de vencer, de forma muito contestada, Al Gore no sunshine state, ainda que tenha recebido menos votos a nível nacional do que o seu opositor. Contudo, a relevância da Florida parece estar a estender-se também para as eleições primárias.
Já em 2008, foi a vitoria na primária da Florida que lançou definitivamente John McCain para a nomeação republicana. Agora, o solarengo Estado do Sul dos Estados Unidos promete também desempenhar um importante papel nas primárias republicanas. Isto porque a Florida é o quinto Estado a ir a votos no calendário republicano, depois de Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul. Acontece que, pelo menos actualmente, é previsível que Rick Perry e Mitt Romney dividam esses Estados entre eles, com Perry a vencer no Iowa e na Carolina do Sul, ficando Romney com o New Hampshire e o Nevada. Assim, seria a Florida a desempatar a corrida antes da Super Tuesday, momento onde ocorrem várias eleições simultaneamente e onde, face à quantidade de Estados em jogo, o momentum com que se lá chega acaba por ser determinante.Para já, e segundo uma sondagem da Quinnipiac, é Rick Perry que leva vantagem, com 28% das intenções de voto, contra 22% de Romney. 
Contudo, há ainda muito tempo para que Romney consiga dar a volta a recuperar o terreno perdido para Perry, que, relembre-se, tem a vantagem de ser sulista. E a resposta do antigo Governador do Massachusetts na Florida pode começar já hoje, quando tiver lugar mais um debate entre os candidatos presidenciais do GOP, precisamente no sunshine state, na cidade de Orlando, num evento organizado pela Fox News e pela Google. Até porque se tivermos em conta as últimas prestações de Perry e Romney em debates televisivos, então o último tem motivos para estar optimista.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mitt vs Rick

Com um novo debate a ter lugar ontem, em Tampa Bay, na Florida, patrocinado pela CNN e pelo Tea Party Express, a disputa pela nomeação republicana está já a todo o vapor. E, apesar de ainda faltar muito tempo até ao início oficial das primárias, a verdade é que a corrida começa a ficar cada vez mais definida. Neste momento, tudo indica que iremos assistir a uma luta a dois, entre Rick Perry, que entrou directamente para o topo das sondagens, e Mitt Romney, que parece ser o único capaz de travar o momentum do Governador do Texas. 
Estes dois concorrentes têm dominado as atenções e, conscientes de que a nomeação deverá ir para um deles, aproveitaram os dois últimos debates para vincarem bem as diferenças que os separam, em especial nas suas ideias relativamente à Segurança Social, programa que Romney defende, mas que Perry caracteriza como um esquema fraudulento. E, de facto, estes dois candidatos são bastante diferentes um do outro, a começar logo pelo local de onde são provenientes: Romney do Nordeste e Perry do Sul. Mas também a nível ideológico - e apesar de pertencerem ao mesmo partido - se encontram algo afastados. Enquanto que Mitt é um republicano relativamente moderado, de tal forma que conseguiu ser eleito Governador do Massachusetts, um dos Estados mais liberais da União, Rick é um verdadeiro conservador, tendo substituído George W. Bush como Governador do Texas, um Estado solidamente republicano. 
Ambos são concorrentes formidáveis, mas com forças e fraquezas também diametralmente distintas. Mitt Romney conta com um importante currículo em matérias de gestão e economia, o que, nos tempos que correm, é realmente vantajoso. Além disso, a sua (falhada) candidatura presidencial em 2008 trouxe-lhe uma importante experiência em campanhas desta dimensão, assim como um reconhecimento a nível nacional. Finalmente, é capaz de manter uma mensagem constante e sai-se bem nos debates, como tem demonstrado ultimamente. Por outro lado, é visto como um flip-flopper, ou seja, um político que dirá o que for preciso para ser eleito, mesmo que isso signifique adaptar ou mudar as suas ideias de modo a vencer a eleição e tem na reforma de saúde que aprovou enquanto Governador (semelhante ao diabolizado "Obamacare") um grande calcanhar de Aquiles na luta pela nomeação do seu partido.
Por sua vez, Rick Perry, é um político experimentado, com um currículo político invejável e digno de um Presidente dos Estados Unidos, fruto dos onze anos que leva à frente dos destinos do segundo maior Estado norte-americano. As suas credenciais conservadoras fazem dele um favorito dos Tea Party, o que, numas primárias republicanas desequilibradas à Direita, pode fazer toda a diferença. Conta ainda com abrangentes apoios no seio da estrutura republicana e com uma extraordinária capacidade de angariação de fundos, elementos fundamentais para uma campanha política nos Estados Unidos. Contra si tem o facto de não ter ainda um nome completamente solidificado na arena política nacional e de nunca ter passado por todo o processo de escrutínio público e mediático de um candidato presidencial. É ainda alguém com uma certa tendência para gaffes e para intervenções explosivas que podem, de um momento para o outro, prejudicar seriamente as suas hipóteses. Por fim, o seu conservadorismo pode também ser uma desvantagem, já que em doses radicais (como quando ataca a Segurança Social ou nega o aquecimento global) pode afastar os republicanos mais moderados e os independentes.
Daqui para a frente, é de esperar que a tendência para a bipolarização da corrida se acentue, à medida que os dois frontrunners vão ganhando ímpeto e que os restantes concorrentes vão perdendo gás e viabilidade. Ontem, já tivemos uma pequena amostra, com o anúncio de dois importantes endorsments, um para cada lado. Primeiro, foi Tim Pawlenty, que há poucas semanas saiu da corrida à Casa Branca, a comunicar o seu apoio a Mitt Romney. Mais tarde, foi a vez de Bobby Jindal, Governador do Louisiana e uma das maiores promessas políticas do GOP, anunciar que apoia Rick Perry para a presidência dos Estados Unidos. No futuro, será interessante perceber para que lado vão caindo os apoios das grandes figuras do Partido Republicano. Perry tem a vantagem de já ter sido Presidente da Associação dos Governadores Republicanos e de ser um jogador importante no establishment do GOP. Todavia, Romney pode beneficiar da  percepção de que será um candidato mais forte na eleição geral frente a Obama do que o texano. E isso, como se pode comprovar pela história das nomeações republicanas, pode ser um importante factor.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um novo frontrunner?

Durante largos meses, Mitt Romney foi o incontestável favorito a conseguir, no próximo ano, a nomeação presidencial pelo Partido Republicano. Todavia, a entrada de Rick Perry na corrida veio mudar drasticamente o status quo anterior e, com as sondagens a apontarem o Governador do Texas como o melhor colocado a vencer as primárias do seu partido, já muitos o consideram o novo frontrunner.
Por outro lado, há quem recorde - e com razão - que, a quase seis meses de distância do caucus do Iowa (que deve ter lugar em Fevereiro do próximo ano), ainda muito se irá passar. Porém, não é por acaso que o Verão e Outono que antecedem as primárias presidenciais são apelidadas de "pré-primárias". Isto porque é nesta época que os candidatos angariam fundos que lhes permitem financiar as suas dispendiosas campanhas presidenciais e que amealham importantes apoios da estrutura partidárias, figuras emblemáticas, etc. Assim, é muito importante demonstrar a sua competitividade e viabilidade eleitoral, de modo a não afugentar os potenciais financiadores e apoiantes que serão primordiais para a longa campanha que se avizinha.
Há também quem defenda que o actual sucesso de Rick Perry nas sondagens é apenas um bump natural, decorrente do anúncio da sua candidatura. Contudo, a subida dos números do texano tem sido consistente e parece algo mais que isso. Até porque Perry não se limita a conseguir bons resultados em sondagens nacionais frente aos seus opositores republicanos, mas consegue também surgir à frente em Estados que estariam, à partida, seguros para Romney (como no Nevada) e mesmo em match-ups com Barack Obama.
Não quero com isto dizer que Rick Perry é o inevitável vencedor. Mitt Romney é ainda um formidável concorrente e conta com importantes vantagens do seu lado. Em primeiro lugar, o antigo Governador do Massachusetts beneficia do facto de a ala mais conservadora do GOP estar sobre-representada no leque de candidatos presidenciais (Perry, Bachmann, Santorum, eventualmente Sarah Palin, etc.). Assim, Perry terá de se bater pelo voto dos eleitores mais conservadores com uma data de concorrentes de segunda linha que, apesar de não terem hipóteses de chegar à nomeação, podem retirá-la ao Governador do Texas. Em sentido contrário, Romney está praticamente sem oposição na disputa pelo eleitorado mais moderado, visto que John Huntsman teima em não subir de um insignificante 1% nas sondagens.Depois, é preciso não esquecer que Romney já passou por uma campanha presidencial e, por isso, já experimentou o apertado escrutínio público e mediático. Rick Perry, pelo contrário, está agora a estrear-se nestas andanças e nunca se sabe o que poderá surgir quando a comunicação social e os seus opositores começaram a "vetar" todo o seu passado.
Ainda assim, é por demais evidente que Romney tem todas as razões para estar tremendamente preocupado com Rick Perry e que a sua campanha terá de reagir energicamente e de testar novas estratégias (o volte-face na decisão de não competir no Iowa já é, certamente, uma reacção à emergência de Perry) caso queira defrontar Barack Obama na eleição geral, em Novembro de 2012.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Um Sábado em cheio

O Sábado que passou foi um dia recheado de importantes novidades relativas à disputa pela nomeação presidencial do Partido Republicano. Começou logo pela manhã, com a Ames Straw Poll, que resultaria numa consistente vitória para Michelle Bachmann, estendeu-se pela tarde, com o anúncio da candidatura de Rick Perry, e terminou já na madrugada e manhã do dia seguinte, com a desistência de Tim Pawlenty da corrida à Casa Branca.
No Iowa, ou, para ser mais preciso, em Ames, Michelle Bachmann provou que é a principal favorita a triunfar, no início do próximo ano, o caucus do Iowa, depois de vencer a Straw Poll, que, apesar de não passar de um evento informal, costuma ser um bom indicador do futuro vencedor do primeiro momento das primárias presidenciais. Com  4823 dos 16892 votos, a congressista do Minnesota bateu a concorrência, apesar de Ron Paul ter ficado a uma curta distância, angariando 4671 votos. Em terceiro lugar ficou Pawlenty que hipotecou, assim, a hipótese de conseguir um novo ímpeto para a sua campanha, que, devido aos fracos números que vinha a obter nas sondagens, estava necessitada de uma vitória, ou, pelo menos, de um forte segundo lugar neste evento no Iowa. Fora do Top 3 ficaram, por esta ordem, Rick Santorum, Herman Cain, Rick Perry (como write-in), Mitt Romney, Newt Gingrich e John Huntsman.
Ao mesmo tempo que decorria a Straw Poll no Iowa, Rick Perry anunciava a sua candidatura à presidência, tal como era esperado há já alguns dias. O seu timing foi perfeito, visto que ofuscou parcialmente o triunfo de Bachmann, com quem, ao que tudo indica, disputará a vitória no caucus do Iowa. O Governador do Texas entra automaticamente para o topo dos favoritos para conseguir a nomeação republicana. Estando à frente do segundo maior Estado da União e contando com bons contactos e apoios tanto no establishment republicano como entre os eleitores mais conservadores, Perry deverá ser o grande adversário de Mitt Romney na luta pela nomeação do GOP.
Tim Pawlenty é que é já uma carta fora do baralho. Depois do decepcionante terceiro lugar na Ames Straw Poll, não restava ao antigo Governador do Minnesota mais nenhum caminho que o pudesse levar à nomeação. Sem dinheiro e sem momentum, Pawlenty, depois de uma conference call com os seus principais assessores e de uma conversa com a sua esposa, anunciou que desistia da sua candidatura presidencial. Terminou assim a campanha de um candidato que chegou a ser apontado como um dos principais favoritos à vitória, mas que se mostrou incapaz de se tornar uma referência nacional e um concorrente credível pela nomeação presidencial republicana. 
No fim de contas, este fim-de-semana veio, sem dúvida, clarificar o estado da corrida presidencial republicana. Agora, parece evidente que o nomeado do GOP será, salvo qualquer surpresa, Mitt Romney ou Rick Perry, restando a Michelle Bachmann o papel de favorita da direita religiosa, à imagem de Mike Huckabee em 2008. Contudo, se vencer no Iowa e conseguir atrair muitos eleitores conservadores, Bachmann pode tornar-se uma ameaça para Rick Perry, que também almeja convencer o eleitorado de Direita. Temos, portanto, muitos pontos de interesse para seguir nos já menos de seis meses que faltam até ao caucus do Iowa. A corrida está lançada!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Rick Perry aponta a 2012

Não é novidade para ninguém que o actual campo de candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos é quase unanimemente considerado como fraco. Em especial, duas "facções" do GOP encontram-se pouco representadas pelos concorrentes já conhecidos: o establishment do partido e os sulistas. Todavia, tem vindo a ganhar consistência a hipótese de uma candidatura que seria capaz de seduzir estes dois grupos, já que Rick Perry, actual Governador do Texas, parece cada vez mais perto de entrar oficialmente na corrida.
Nos últimos dias, têm subido de tom os rumores que indicam que Perry estará próximo de se candidatar à Casa Branca, particularmente depois de o próprio ter dito a um jornal do Iowa que se sentia chamado a concorrer. Aliás, é precisamente nesse Estado (onde, recorde-se, tem lugar o primeiro momento das primárias presidenciais) que Rick Perry tem concentrado as suas abordagens preliminares com vista a uma eventual candidatura, tendo contactado vários membros proeminentes do Partido Republicano local.
Se chegar mesmo a entrar na corrida, Perry poderá ter uma palavra a dizer. É natural que contasse com fortes apoios dentro da estrutura republicana, onde o favorito Mitt Romney é visto com alguma desconfiança, enquanto que Tim Pawlenty continua a não parecer uma alternativa viável. A sua capacidade de angariar dinheiro seria apreciável, contando com a sua grande base de doadores no Texas, um Estado onde proliferam os magnatas do petróleo e que já deu aos Estados Unidos os presidentes Lyndon Johnson, George Bush e George W. Bush. Mais: o facto de ser proveniente do Sul dos Estados Unidos dar-lhe-ia uma excelente hipótese de vencer na Carolina do Sul e de conseguir um bom resultado na Super Tuesday, onde vão a votos vários Estados sulistas. Isto porque o Sul é o principal bastião do Partido Republicano e, como tal, os seus eleitores representam um grupo fundamental numas primárias do GOP. Porém, depois do colapso da campanha de Newt Gingrich, o Sul ficou sem qualquer seu representante na luta pela nomeação republicana (Ron Paul e Herman Cain são oriundos do Sul, mas não serão os nomeados), o que faria de Rick Perry o favorite son dos ex-Estados confederados.
Visto isto, fica claro que a entrada de Perry na corrida traria ainda mais emoção à disputa pela nomeação republicana e que o actual Governador do Texas seria um nome a ter em atenção pelos seus adversários. Contudo, tenho muitas dúvidas que Rick Perry fosse competitivo numa eleição geral face a Barack Obama. Um republicano do Texas seria um alvo fácil para a campanha de Obama o caracterizar como um novo Bush. Além disso, o facto de Perry ser substancialmente conservador poderia complicar a sua tarefa de apelar ao eleitorado independente, o tal que decide todas as eleições.