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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Iowa falou

Está dado o primeiro passo rumo à escolha do 45º Presidente dos Estados Unidos. Ontem (esta madrugada em Portugal), os eleitores do Iowa compareceram em números recordes (170 mil pessoas apenas no lado republicano) ao caucus e deram a primeira vitória deste ciclo eleitoral a Ted Cruz. Na corrida democrata, temos, até ver, um empate, ainda que, numa altura em que ainda não se conhecem os resultados definitivos, tenha uma minúscula vantagem sobre Bernie Sanders. Sem mais demoras, aqui ficam os resultados:

Partido Democrata
Hillary Clinton - 49,9%
Bernie Sanders - 49,5%
Martin O'Malley - 0,6%

Partido Republicano
Ted Cruz - 27,7%
Donald Trump - 24,3%
Marco Rubio - 23,1%
Ben Carson - 9,3%
Rand Paul - 4,5%
Jeb Bush - 2,8%
Carly Fiorina - 1,9%
John Kasich - 1,9%
Mike Huckabee - 1,8%
Chris Christie - 1,8%
Rick Santorum 1,0%
Jim Gilmore - 0%

No lado democrata, como se esperava, tivemos uma corrida muitíssimo equilibrada e que ainda não está totalmente decidida, mas em que Hillary parece levar vantagem. Estranhamente, Clinton declarou vitória (ou quase), sem que esse desfecho fosse conhecido na altura ( e ainda não o é). Ou os números internos da sua campanha lhe davam uma vantagem que não se veio a verificar, ou se trata de um táctica pouco ortodoxa por parte da ex-Secretária de Estado, já que uma eventual reviravolta nos resultados tornaria o cenário ainda pior para Hillary, que cairia no ridículo de perder uma eleição em que tinha declarado vitória. 
Seja quem for o vencedor final, isso apenas contará em termos de spinning por parte das campanhas, porque o resultado será sempre, na prática, um empate, ainda que HIllary deva conseguir mais delegados do que o Senador do Vermont. Com este resultado, a presumível nomeada democrata sustém o primeiro golpe de Bernie Sanders e ganha algum oxigénio para suportar a derrota esperada no New Hampshire, a acreditar nas sondagens que dão a Sanders uma larga vantagem no Granite State, cuja primária se realiza de hoje a oito dias. Quanto a Martin O'Malley, teve uma votação inexpressiva e já suspendeu a sua campanha.
Na disputa republicana, o destaque tem de ir para a vitória de Ted Cruz que aguentou a forcing final de Donald Trump, que o havia ultrapassado o senador do Texas nas sondagens, e conseguiu uma importante vitória num Estado em que apostou todas as suas fichas. Até há cerca de um mês, Cruz era o grande favorito a vencer no Iowa, mas uma forte investida de Trump e a subida de Marco Rubio prejudicaram os seus números. Com este triunfo, Cruz ganha momentum para melhor encarar o New Hampshire.
Donald Trump, que até obteve um bom resultado, não deixa de sair como derrotado, até porque no dia de ontem afirmou, no seu tom característico, que iria obter uma grande vitória. Por não ter sabido jogar o jogo das expectativas, Trump sai mal na fotografia e perdeu algum ímpeto e a aura de winner que sempre apontou a si próprio. 
No último lugar do pódio ficou Marco Rubio, que superou as expectativas e confirmou a tendência de subida que lhe apontavam recentemente. Com um excelente terceiro posto, muito perto de Trump, o senador da Florida assume-se como um sério candidato à nomeação presidencial e ofusca todos os outros candidatos mais tradicionais.
Em quarto lugar, Ben Carson até conseguiu um melhor resultado do que esperava, mas, com a sua campanha em clara perda, não deverá ser um verdadeiro contender nesta corrida. Ainda assim, ficou bem à frente de candidatos mais conhecidos e de quem se espera muito mais. Rand Paul teve um fraco resultado, ficando à frente de Jeb Bush (que teve uns ridículos 2,8% dos votos), de John Kasich e de Chris Christe, que passaram ao lado do Iowa e esperam fazer melhor no New Hampshire.
Os restantes candidatos confirmaram que não farão história nestas eleições e estarão de saída da corrida. Mike Huckabee e Rick Santorum, os últimos vencedores do caucus do Iowa não conseguiram melhor que 1,8% dos votos e o ex-Governador do Arkansas já suspendeu mesmo a sua campanha. Carly Fiorina e Jim Gilmore são, também, irrelevantes.
Todos os candidatos - aqueles que se mantiverem na corrida - terão agora uma semana para apresentar o seu caso perante os eleitores do New Hampshire. A primária decorrerá na próxima Terça-feira e fará uma nova selecção, clarificando, ou assim se espera, a corrida. Quanto ao Iowa, (e porque este será um Estado importante na eleição geral), vemo-nos no Outono!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

So it begins

Resultado de imagem para iowa caucus 2016

Começa hoje, com a realização dos caucuses do Iowa, o processo eleitoral que durará cerca de um ano, com a escolha do sucessor de Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos, na eleição geral de 8 de Novembro, e a sua eventual tomada de posse, a 20 de Janeiro do próximo ano.
Na fase que hoje tem início, os eleitores escolherão o candidato de cada um dos dois grandes partidos, num procedimento que poderá durar até ao Verão, quando tiverem lugar as convenções partidárias. E se a disputa democrata deverá ficar resolvida bem antes disso, já do lado republicano é muito possível que a história seja diferente e que tenhamos uma longa campanha até que se determine o nomeado do GOP. 
Seja como for, tudo indica que esta será uma das mais interessantes épocas de primárias de que há memória, com o fenómeno Trump, o maior e mais interessante leque de candidatos republicanos de sempre, a sensação Sanders e a possibilidade de termos em Hillar Clinton a primeira mulher nomeada por um grande partido. São, por isso, umas eleições que muito prometem e que seguiremos com muita atenção e interesse. A começar já hoje, no Iowa.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Hillary a tentar evitar que 2008 se repita

Há oito anos como agora, Hillary Clinton era a grande favorita a conseguir a nomeação presidencial pelo Partido Democrata. Contudo, um terceiro lugar no Iowa, perdendo para um surpreendente Barack Obama e para um John Edwards que cedo cairia em desgraça, fez soar os alarmes na Hillaryland e acabaria por marcar o início do fim das hipóteses da antiga Primeira-Dama nesse ciclo eleitoral.
Desta vez, Clinton é novamente vista como uma a inevitável nomeada democrata, mas voltou a ver a sua suposta imbatibilidade ser posta em causa por um improvável Senador. Em 2016, é Bernie Sander que com uma campanha em muito semelhante à de Obama (pela mensagem de mudança do status quo e pelos eleitores que atrai - principalmente os jovens) ameaça Hillar pela sua Esquerda. 
No New Hampshire, Bernie Sanders está bem lançado para derrotar a ex-Secretária de Estado, mas, no Iowa, Hillary tem surgido à frente nas sondagens e conta derrotar o Senador do Iowa para evitar que este ganhe momentum e que se diga que it's 2008 all over again. Até porque, de facto, 2016 não é em nada semelhante com a eleição de há oito anos. Sanders é um candidato mais marginal do que Obama (auto-denomina-se um democrata socialista, uma denominação com uma conotação muito negativa nos Estados Unidos), ao contrário do actual Presidente não conseguiu apoios no establishment do Partido Democrata e não tem um aparelho montado a nível nacional como aquela formidável estrutura que apoiava Obama em 2008.
Apesar disso, Bernie Sanders montou uma eficaz campanha, concentrando-se nos dois primeiros Estados das primárias, o Iowa e o New Hampshire, com uma mensagem populista anti-Wall Street que vale cada vez mais votos e com uma aposta nos grassroots que o levou a encher comícios com vários milhares de apoiantes entusiastas um pouco por todo o lado onde passou. Com isso, tornou-se uma ameaça para Hillary Clinton que se viu forçada a gastar mais tempo e dinheiro nos early states do que aquilo que eventualmente gostaria. 
Hoje, na véspera do início das primárias, percebe-se que é muito possível que Sanders consiga mesmo uma dupla vitória no Iowa e no New Hampshire, algo impensável até há pouco tempo atrás. Ainda assim, e mesmo que isso seja um grande contratempo para Hillary, é pouco provável que não seja a esposa de Bill Clinton a nomeada democrata, já que, ao contrário do seu principal adversário, conta com uma estrutura a nível nacional que lhe permitirá recuperar rapidamente dos desaires que possa sofrer nas primeiras contendas. Além disso, conta com o apoio em peso de todo o seu partido, o que lhe garante, à partida, uma grande vantagem nos superdelegados, que podem decidir a corrida caso esta seja muito equilibrada. Finalmente, é inegável que Hillary Clinton é uma das mais bem preparadas candidatas presidenciais da história do país, como recordou o New York Times no editorial em que anunciou o seu apoio à antiga Senadora do Estado de New York.
Assim, deveremos assistir a uma interessante disputa na fase inicial das primárias democratas, a começar já amanhã, no Iowa. Com as sondagens a mostrarem os dois adversários muito próximos, é difícil prever quem vencerá. O formato de caucus pode favorecer Bernie Sanders, cujos apoiantes se encontram muito motivados, mas Hillary conta com o apoio do eleitorado mais moderado e com um nome reconhecido por praticamente 100% dos eleitores.
Seja como for, e ao contrário do que sucede do lado republicano, parece-me que o Iowa não será decisivo na escolha do nomeado democrata para a corrida à Casa Branca. Isto porque, como expliquei atrás, parece-me muito improvável que Bernie Sanders consiga mais do que retardar a vitória de Hillary. Até porque o Senador do Vermont terá como principal objectivo obrigar Clinton a "manter-se honesta" na sua campanha, ou seja, fazer com que a presumível nomeada se mantenha ancorada a um discurso mais liberal (leia-se, de Esquerda) do que seria previsível caso não tivesse oposição nas primárias democratas.
Falta falar de Martin O'Malley, ex-Governador do Estado do Maryland, cuja campanha nunca descolou e que tem tido números insignificantes nas sondagens. À espera de um milagre que lhe permita obter oxigénio para se manter na corrida, O'Malley parece remetido para a irrelevância nestas eleições. 

Para o fim, fica a minha previsão para amanhã. Se não houver surpresas, acredito que Hillary ganhará, mas com uma curta margem para Bernie Sanders. O'Malley não deverá passar dos 3%.

A última sondagem

Foi conhecida na noite de ontem (madrugada em Portugal), a última sondagem do Des Moines Register antes da realização do caucus do Iowa. Este estudo de opinião, com larga tradição nas eleições presidenciais norte-americana, tem o hábito de ser muito certeiro e é sempre aguardado com muita expectativa pelas campanhas, que esperam sempre receber boas notícias para o esforço final antes de os eleitores se deslocarem até aos locais de voto durante o dia de amanhã. Este ano, os resultados foram os seguintes:

Democratas
Hillary Clinton - 45%
Bernie Sanders - 42%
Martin O'Malley - 3%

Republicanos
Donald Trump - 28%
Ted Cruz - 23%
Marco Rubio - 15%
Ben Carson - 10%
Rand Paul - 5%
Chris Christie - 3%
Jeb Bush - 2%
Carly Fiorina - 2%
Mike Huckabee - 2%
John Kasich - 2%
Rick Santorum - 2

Sem surpresas, estes números vão de encontro ao esperado e deixam antever uma disputa muito apertada no lado democrata, com Hillary Clinton a perder muito terreno nos últimos dias e Bernie Sanders a ameaçar uma surpresa (sobre a corrida democrata, falarei mais em pormenor no próximo post). 
Nas fileiras do GOP, Trump continua na liderança, mas os níveis de participação serão cruciais. Uma afluência em massa deverá garantir uma vitória do entertainer, enquanto que números mais baixos de participação poderão significar boas notícias para Ted Cruz. Ben Carson consegue melhores números do que se estaria a contar, ao mesmo tempo que os dois últimos vencedores do caucus (Huckabee em 2008 e Santorum em 2012) não passam dos 2% das intenções de votos.
Amanhã confirmaremos se estes números batem certo com os resultados finais.

sábado, 30 de janeiro de 2016

O Iowa entre Trump e Cruz


A dois dias do caucus do Iowa, o arranque oficial das primárias presidenciais de 2016, a corrida pela nomeação republicana continua marcada pelo fenómeno Donald Trump, que tem ofuscado os restantes candidatos (incluindo democratas) e fazendo deste ciclo eleitoral um dos mais mediáticos de todos os tempos.
Sendo um campeão de notoriedade, Trump até se deu ao luxo de faltar ao último debate televisivo antes do Iowa, evitando um novo frente-a-frente com um dos seus (muitos) ódios de estimação, a pivot da Fox News, Megyn Kelly. Todavia, e apesar de nas sondagens a nível nacional The Donald dominar a toda a linha com grande vantagem, a sua liderança no Estado do Iowa é relativamente curta, com a última sondagem a indicar uma margem de apenas 4% a separar o mogul do imobiliário do Senador Ted Cruz. 
Tudo indica, por isso, que a corrida no Iowa será bastante renhida, até porque o modelo da votação, através de caucus - uma espécie de assembleias onde os apoiantes de todos os candidatos tentam atrair os eleitores e o voto é feito de forma informal, como, por exemplo, de braço no ar - resulta, normalmente, num reduzido universo eleitoral, mais restrito a eleitores muito motivados e tradicionalmente empenhados no mundo político-eleitoral. Ora, esse eleitor-tipo é diametralmente oposto ao perfil do votante em Trump, que costuma atrair eleitores dispersos, pouco motivados politicamente e muito propícios a fazer parte da abstenção, e esse facto pode prejudicar o resultado de Donald Trump no Iowa.
Ainda assim, tudo indica que Trump, mesmo que não vença, consiga um bom resultado e continue, depois dos caucus, a dominar o cenário da batalha pela nomeação. Por outro lado, há candidatos que dependem de uma boa prestação na noite da próxima Segunda-feira se querem manter viva a sua campanha. A começar logo por Ted Cruz, actualmente o principal rival de Trump, mas que precisa de conseguir um bom resultado no Iowa, um Estado que lhe é mais favorável do que o New Hampshire, palco da primeira primária, a 9 de Fevereiro. Se não vencer, Cruz necessita de um score sólido, para não perder momentum e manter-se como a alternativa mais viável a Donald Trump.
Também Marco Rubio, que vem surgindo no terceiro posto, conta com uma prestação positiva no dia 1, de preferência com uma votação acima de 15%. O senador da Florida precisa de um resultado desse género para se manter como um candidato do top tier e possivelmente vir a beneficiar das desistências dos candidatos que consigam fracos resultados no Iowa e no New Hampshire. Com o seu perfil "misto", de candidato que é bem visto pelo establishment, mas que o eleitorado não identifica com o business as usual de Washington, Rubio é um dos concorrentes que mais pode vir a ganhar quando a actual dispersão dos votos por quase uma dezena de candidatos terminar para dar lugar a um campo mais restrito de pretendentes à Casa Branca.
Ben Carson, cuja campanha se encontra em queda livre, espera ainda por um balão de oxigénio que o mantenha mais algum tempo na corrida. Contudo, se ficar pelos low single digits (e as últimas sondagens não lhe dão muito mais do que isso), é bem possível que a sua campanha não resista muito mais, até porque o New Hampshire não lhe é terreno favorável. Seja como for, o Dr. Carson está condenado a ser um also run neste ciclo eleitoral.
Por outro lado, Jeb Bush, Chris Christie e John Kasich deverão ter um mau resultado no Iowa, ainda que isso seja um desfecho normal, já que estes dois candidatos, representantes da ala mais moderada e tradicional do Partido Republicano, estão a guardar-se para o New Hampshire, onde o eleitorado, normalmente menos conservador, lhes dá mais garantias de um resultado digno e que lhes permita afirmarem-se como players nestas primárias. Também Rand Paul, que nunca se conseguiu afirmar durante a pré-campanha, poderá tentar uma pequena surpresa no granite state, já que este Estado costuma premiar candidatos da ala libertária, como ficou demonstrando em 2012, quando o seu pai, Ron Paul, alcançou um notável segundo lugar, apenas atrás de Mitt Romney.
Sobram, assim, os candidatos marginais (se bem que esse adjectivo também possa ser endereçado a, pelo menos, Rand Paul) e que cujas campanhas não deverão passar de asteriscos quando se contar a história das presidenciais de 2016: Carly Fiorina, Mike Huckabee, Rick Santorum e Gil Gilmore não deverão "contar para o totobola" quando se souberem os resultados do Estado do Iowa na noite da próxima Terça-feira.
Para o fim ficam as minhas previsões para a noite eleitoral republicana. Com o momentum do seu lado, Donald Trump deverá bater Ted Cruz, ainda que a margem de vitória possa ser mais curta do que dizem as sondagens, devido ao "efeito caucus" que referi anteriormente. Em terceiro, deve ficar Marco Rubio a uma distância segura do resto do pelotão.
Se estes resultados se confirmarem, deverão ser estes três candidatos e mais um quarto concorrente que saia do grupo dos moderados (aquele que conseguir um melhor resultado no New Hampshire) a disputarem durante as próximas semanas (e talvez meses) a nomeação presidencial republicana. A corrida promete!

Amanhã farei o lançamento da corrida democrata.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Romney vence Santorum por 8(!) votos

Ontem disse que a vitória no Iowa ia ser decidida ao photo-finish. Estava, porém, longe de imaginar que a vitória do caucus se decidiria por meros oito votos, a mais curta distância de sempre a separar o primeiro e o segundo classificado nesta importante primeira ronda das primárias presidenciais. Mitt Romney saiu por cima e bateu Rick Santorum por apenas uma décima de ponto percentual, mas o resultado é, na prática, um empate entre ambos. Aqui ficam os resultados completos:

Mitt Romney - 24.6%
Rick Santorum - 24.5%
Ron Paul - 21.4%
Newt Gingrich - 13.3%
Rick Perry - 10.3%
Michelle Bachmann - 5%
Jon Huntsman - 1%

Depois do Iowa, é provável que o leque de candidatos diminua, pois é duvidoso que Perry e Bachmann tenham condições para continuar na corrida. Newt Gingrich, apesar do fraco resultado, tentará ainda a sua sorte na Carolina do Sul. Jon Huntsman, por sua vez, não sai muito beliscado destes caucuses, dado que ignorou (e até desdenhou) a contenda do Iowa. 
A partir daqui, é de prever que a disputa seja cada vez mais resumida a uma corrida entre dois políticos: Romney e o anti-Romney (provavelmente Santorum e não Gingrich). Ainda assim, não consigo imaginar outro cenário que não a vitória final de Mitt Romney, que pode ser bastante rápida e ficar decidida já este mês. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

As previsões de Nate Silver

São estas as projecções de Nate Silver, do excelente FiveThirtyEight, para a contenda, de logo à noite, no Iowa. De acordo com o seu modelo de tratamento de dados estatísticos, o analista, agora nos quadros do New York Times, Mitt Romney é o favorito, mas Ron Paul e Rick Santorum estão logo atrás do antigo Governador do Massachussetts e tudo pode acontecer.

Let's get ready to rumble

É esta a famosa expressão utilizada para dar início aos combates de boxe nos Estados Unidos. Todavia, também poderia ser usada para lançar a época de primárias presidenciais, que começa hoje com a realização dos caucuses do Iowa.
O sistema de caucus difere do método tradicional de voto secreto em urna, já que se trata de um género de assembleia, onde os eleitores se reúnem para discutir e debater todas as opções, havendo comités de apoiantes de cada candidato quem tentam convencer os eleitores indecisos a optarem pelo seu concorrente. No final, existe um qualquer tipo de votação, normalmente de braço no ar.
Ora, as particularidades do sistema de caucus podem tornar as sondagens menos precisas, havendo sempre a possibilidade de haver uma surpresa na noite eleitoral. Além disso, no Iowa os caucuses são abertos, querendo isto dizer que os eleitores registados como independentes ou mesmo como democratas também podem votar na eleição republicana. Pode, por isso, suceder que alguns democratas queiram sabotar a corrida dos seus adversários, votando, por exemplo, em Ron Paul, que quase todos consideram não ter hipóteses numa eventual eleição geral face a Barack Obama. 
E, já que falamos no Presidente americano, convém lembrar que também ele irá a votos, hoje, no Iowa, já que, em paralelo com os republicanos, também os democratas do hawkeye state organizam os seus caucuses. Contudo, neste caso, Obama concorre sozinho e a votação não terá qualquer significado prático. Até porque Obama e os seus apoiantes estarão mais interessados em saber o que se passará no campo adversário. 
Hoje à noite, ou madrugada em Portugal, começa, então, o maior espectáculo (é mesmo esta a palavra) político-eleitoral do mundo. Aqui, no Máquina Política, farei a cobertura possível do que de mais importante se passar nos caucuses do Iowa. Passem por cá!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Emoção até ao fim

É já amanhã o pontapé de saída oficial nas eleições primárias republicanas que ditarão quem será o adversário de Barack Obama na eleição geral de Novembro. Contudo, o desfecho está mais imprevisível do que nunca e a noite eleitoral promete ser longa, renhida e emocionante. Segunda uma sondagem da PPP, conhecida ontem, a corrida será decidida ao photo-finish, conforme podemos conferir pelos resultados deste estudo:

Ron Paul - 20%
Mitt Romney - 19%
Rick Santorum - 18%
Newt Gingrich - 14%
Rick Perry - 10%
Michelle Bachmann - 8%
Jon Huntsman - 4%

Com os três primeiros classificados separados por apenas dois pontos percentuais - dentro da margem de erro - é quase impossível apontar o vencedor. Contudo, o momentum parece estar do lado de Santorum que, nos últimos dias, tem subido a pique na sondagem, principalmente às custas de Gingrich que, depois de muito tempo no topo, desceu para a quarta posição. Além disso, os resultados de um caucus são sempre mais difíceis de prever pelas sondagens, que normalmente subvalorizam os números dos candidatos mais conservadores. Assim, Santorum, se conseguir assumir-se nesta recta final como o candidato anti-Romney (como Bachmann, Perry, Cain, Gingrich e Paul antes dele) pode mesmo assegurar a vitória.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

As primárias republicanas: um balanço natalício

Com o Natal à porta, não há muito tempo para escrever. Todavia, com o início das primárias à porta - os caucuses do Iowa são já dia 3 de Janeiro - a corrida republicana está mais agitada do que nunca. E é precisamente no hawkeye state que se centram as atenções da campanha eleitoral, já que o vencedor da primeira eleição da época de primárias é uma incógnita completa.
Até há uns dias atrás, Newt Gingrich parecia imparável rumo à vitória no Iowa. Contudo, uma cerrada ronda de ataques liderada por Ron Paul prejudicou os seus números nas sondagens, tendo sido ultrapassado pelo congressista do Texas, mas também pelo principal favorito a conseguir a nomeação, Mitt Romney. Só que o feitiço parece ter-se virado para o feiticeiro e agora é Paul que se encontra debaixo de fogo, acusado de comentários racistas, mas não só, como se pode conferir por este artigo do Politico.
Por detrás da chuva de críticas a Paul, o campeão da ala libertária do GOP, podem estar as campanhas dos seus adversários, mas também de alguns sectores do Partido Republicano do Iowa. Isto porque Ron Paul, sendo um candidato de franja, com algumas ideias totalmente opostas às da plataforma política republicana (Paul defende a não intervenção no estrangeiro, a diminuição das forças armadas, o aborto ou a legalização das drogas leves), não tem qualquer hipótese de conseguir a nomeação republicana. Assim, a sua vitória no Iowa tornaria esse Estado praticamente irrelevante no processo de escolha do candidato presidencial do GOP e isso é algo que preocupa os responsáveis republicanos locais que não querem ver a credibilidade dos seus caucuses ameaçada.
Por outro lado, a ascensão de Paul no Iowa, ás custas de Gingrich, beneficia claramente Mitt Romney que não se importaria de ver Ron Paul vencer nesse Estado, anulando assim a possibilidade de um outro candidato viável ganhar momentum e ameaçar o seu estatuto de grande favorito nas primárias seguintes, em New Hampshire. Mais: com os ataques negativos centrados em Paul e em Gingrich, Romney pode, por contraste,  sobressair como o único candidato capaz de derrotar Obama em Novembro do próximo ano. E isso parece já estar a acontecer, com uma recente sondagem a dar-lhe a liderança no Iowa. Ora, com uma vitória no Iowa, seguir-se-ia, quase de certeza, um novo triunfo no New Hampshire. Com essas duas vitórias "no saco", muito dificilmente não seria Romney o nomeado republicano.
De momento, as estrelas parecem estar a alinhar-se de forma a favorecerem Mitt Romney. Porém, dada a natureza incerta de todas as campanhas eleitorais (e esta em particular), o melhor é mesmo esperar para ver o que acontece no dia 3 de Janeiro. Depois dos caucuses do Iowa, certamente que teremos mais certezas. Ou não.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Herman Cain lidera no Iowa

Os caucuses do Iowa já têm data marcada - 3 de Janeiro - e, a dois meses e meio de distância desse momento que dará início às primárias presidenciais, saiu hoje uma sondagem da Rasmussen sobre as intenções de voto entre os eleitores republicanos desse Estado que se traduziu nos seguintes resultados:

Herman Cain - 28%
Mitt Romney - 21%
Ron Paul - 10 %
Newt Gingrich - 9%
Michelle Bachmann - 8%
Rick Perry - 7%
Rick Santorum - 4%
John Huntsman - 2%

Em primeiro lugar, importa sublinhar a liderança destacada de Cain, que confirma o excelente momento que a sua campanha atravessa. Romney também continua em boa posição, porque, apesar de ter sido relegado para a segunda posição, esse é um resultado que não desdenharia conseguir num Estado onde os eleitores mais conservadores são dominantes. A meio da tabela não há novidades, com Paul, Gingrich e Bachmann a obterem números considerados normais. Contudo, logo a seguir, Perry surpreende pela negativa, ao surgir num distante sexto lugar e com apenas 7% dos votos, o que parece indicar que a sua campanha está em queda vertiginosa. Na cauda do pelotão continua Santorum, que nem no Iowa, onde o seu conservadorismo social lhe poderia granjear maiores simpatias, consegue números razoáveis, e Huntsman, que, precisamente pelos motivos contrários, nunca esperaria bons resultados no hawkeye state.  
Contudo, para já, estamos apenas a analisar números teóricos que nos chegam através de sondagens. Daqui a 75 dias, aí sim, saberemos os resultados que verdadeiramente contam. Já não falta muito...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Rick Perry entra em força

Rick Perry é candidato à Presidência dos Estados Unidos há pouco mais de uma semana. Contudo, a sua entrada tem mexido (e muito!) com a corrida. Agora, uma sondagem relativa à intenção de voto dos republicanos do Iowa - relembre-se, o primeiro Estado a dizer de sua justiça nas primárias presidenciais - comprova o impacto que o Governador do Texas provocou na campanha. Mas consultemos os resultados apresentados:

Rick Perry - 22%
Mitt Romney - 19%
Michelle Bachman - 18%
Ron Paul- 16%
Herman Cain - 7%
Newt Gingrich - 5%
Rick Santorum - 5%
John Huntsman - 3%

Assim sendo, estes números devem ser especialmente preocupantes para Michelle Bachman, que tem no Iowa a sua grande oportunidade de brilhar e de ganhar ímpeto para as primárias que se seguem ao Hawkeye State. Caso perca para Perry, terá grandes dificuldades em segurar o voto da ala mais conservadora do Partido Republicano, que verá no Texano um candidato mais viável. Também Romney parece estar a perder votos para Rick Perry, mas o antigo Governador do Massachusetts tem uma maior margem de manobra, decorrente da sua grande vantagem no New Hampshire e no Nevada.
Destaque ainda para o excelente resultado de Ron Paul, que, em 2008, não foi além de 10% dos votos e um correspondente quinto lugar. Quanto às restantes candidaturas, tudo indica que não passarão de meras notas de rodapé neste ciclo eleitoral, se bem que John Huntsman não irá competir no Iowa (com um eleitorado demasiadamente conservador para a sua ideologia moderada), preferindo apostar tudo no New Hampshire.

P.S. - Uma outra versão desta sondagem inclui Sarah Palin entre as hipóteses de voto. Contudo, dado que a candidata à vice-presidência em 2008 não está oficialmente na corrida à Casa Branca, optei por apresentar a versão "sem-Palin".

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Um Sábado em cheio

O Sábado que passou foi um dia recheado de importantes novidades relativas à disputa pela nomeação presidencial do Partido Republicano. Começou logo pela manhã, com a Ames Straw Poll, que resultaria numa consistente vitória para Michelle Bachmann, estendeu-se pela tarde, com o anúncio da candidatura de Rick Perry, e terminou já na madrugada e manhã do dia seguinte, com a desistência de Tim Pawlenty da corrida à Casa Branca.
No Iowa, ou, para ser mais preciso, em Ames, Michelle Bachmann provou que é a principal favorita a triunfar, no início do próximo ano, o caucus do Iowa, depois de vencer a Straw Poll, que, apesar de não passar de um evento informal, costuma ser um bom indicador do futuro vencedor do primeiro momento das primárias presidenciais. Com  4823 dos 16892 votos, a congressista do Minnesota bateu a concorrência, apesar de Ron Paul ter ficado a uma curta distância, angariando 4671 votos. Em terceiro lugar ficou Pawlenty que hipotecou, assim, a hipótese de conseguir um novo ímpeto para a sua campanha, que, devido aos fracos números que vinha a obter nas sondagens, estava necessitada de uma vitória, ou, pelo menos, de um forte segundo lugar neste evento no Iowa. Fora do Top 3 ficaram, por esta ordem, Rick Santorum, Herman Cain, Rick Perry (como write-in), Mitt Romney, Newt Gingrich e John Huntsman.
Ao mesmo tempo que decorria a Straw Poll no Iowa, Rick Perry anunciava a sua candidatura à presidência, tal como era esperado há já alguns dias. O seu timing foi perfeito, visto que ofuscou parcialmente o triunfo de Bachmann, com quem, ao que tudo indica, disputará a vitória no caucus do Iowa. O Governador do Texas entra automaticamente para o topo dos favoritos para conseguir a nomeação republicana. Estando à frente do segundo maior Estado da União e contando com bons contactos e apoios tanto no establishment republicano como entre os eleitores mais conservadores, Perry deverá ser o grande adversário de Mitt Romney na luta pela nomeação do GOP.
Tim Pawlenty é que é já uma carta fora do baralho. Depois do decepcionante terceiro lugar na Ames Straw Poll, não restava ao antigo Governador do Minnesota mais nenhum caminho que o pudesse levar à nomeação. Sem dinheiro e sem momentum, Pawlenty, depois de uma conference call com os seus principais assessores e de uma conversa com a sua esposa, anunciou que desistia da sua candidatura presidencial. Terminou assim a campanha de um candidato que chegou a ser apontado como um dos principais favoritos à vitória, mas que se mostrou incapaz de se tornar uma referência nacional e um concorrente credível pela nomeação presidencial republicana. 
No fim de contas, este fim-de-semana veio, sem dúvida, clarificar o estado da corrida presidencial republicana. Agora, parece evidente que o nomeado do GOP será, salvo qualquer surpresa, Mitt Romney ou Rick Perry, restando a Michelle Bachmann o papel de favorita da direita religiosa, à imagem de Mike Huckabee em 2008. Contudo, se vencer no Iowa e conseguir atrair muitos eleitores conservadores, Bachmann pode tornar-se uma ameaça para Rick Perry, que também almeja convencer o eleitorado de Direita. Temos, portanto, muitos pontos de interesse para seguir nos já menos de seis meses que faltam até ao caucus do Iowa. A corrida está lançada!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ames Straw Poll

Decorre amanhã um dos mais peculiares e interessantes eventos que antecedem o caucus do Iowa, que, no início do próximo ano, dará o pontapé de saída nas primárias presidenciais: a Ames Straw Poll. Na pequena cidade de Ames terá lugar uma grande festa do Partido Republicano do Estado, com o principal objectivo de angariar fundos para o GOP local. Incluído no evento, está a Straw Poll, uma espécie de sondagem informal, onde os participantes indicam qual o seu candidato preferido para as primárias presidenciais de 2012.
Apesar da importância relativa deste acontecimento, a verdade é que muitos candidatos apostam forte no dia de amanhã, pagando a entrada, o transporte e a alimentação dos seus apoiantes, de modo a conseguir um resultado positivo que demonstre a viabilidade das suas candidaturas aos eleitores, aos meios de comunicação social e fundamentalmente aos possíveis contribuidores financeiros.
Desta vez, a Ames Straw Poll afigura-se como fundamental para Tim Pawlenty, que aposta tudo no Iowa, e que tem tido muitas dificuldades em afirmar-se como um possível vencedor da nomeação republicana. Porém, também Michelle Bachmann pretende mostrar que é a melhor colocada para vencer o caucus do Iowa, onde os eleitores mais conservadores têm uma importante palavra a dizer. Depois, também o  inevitável Ron Paul poderá ter uma palavra a dizer, já que, devido à sua fiel e organizada legião de seguidores, costuma obter bons resultados neste género de eventos. Tanto Mitt Romney (curiosamente, o último vencedor, em 2007) como John Huntsman (que não vai competir no Iowa) optaram por não participar, amanhã, na Ames Straw Poll. Assim sendo, a disputa pela vitória deverá limitar-se a Bachmann, Pawlenty e Paul.


Agora já é a sério

O debate de ontem à noite no Iowa ficou marcado, sem dúvida, pelo abrir das hostilidades entre os dois políticos oriundos do Minnesota, Tim Pawlenty e Michelle Bachmann. Logo na primeira hora do debate transmitido pela Fox News, os ânimos aqueceram, com ambos a trocarem acusações entre si, tendo sido Pawlenty a desferir os primeiros ataques à sua opositora, que representa a principal ameaça às suas hipóteses de um bom resultado no caucus do Iowa, no arranque das primárias republicanas.
O antigo Governador do Minnesota pareceu ter trazido a lição bem estudada de casa, não repetindo os mesmos erros do debate anterior, onde se absteve de atacar Romney e a concorrência. Desta vez, não se coibiu de chamar à reforma do serviço de saúde norte-americano "Obamneycare", numa alusão às semelhanças entre a histórica legislação aprovada pelo Presidente e a reforma da saúde do Massachusetts, que Romney, enquanto Governador, apoiou e promulgou.
Todos os candidatos, com a excepção (e ainda assim tímida) de John Huntsman, se preocuparam em adequar o seu discurso de modo a agradar aos republicanos mais conservadores e que são os mais propensos a votarem nas primárias do partido. Mais particularmente, no que diz respeito ao debate sobre o aumento da dívida pública norte-americana, pareceu-me que a mensagem geral utilizada foi demasiadamente radical e irresponsável e até Romney criticou o acordo conseguido à última hora pelo Congresso. Nas primárias, este discurso pode trazer votos, mas, na eleição geral, poderá ser bastante prejudicial quando um deles disputar a Casa Branca com Obama.
No cômputo geral, e apesar de Bachmann se ter aguentado e de Pawlenty ter limpo a fraca imagem que deixou no New Hampshire, penso que depois do debate de ontem se acentuou a ideia de que o campo de candidatos republicanos à presidência é relativamente fraco. Houve muitas contradições (Rick Santorum até chegou a vociferar contra a falta de direitos dos gays no Irão!), irritações (Gingrich parece zangado com o mundo e não gostou de algumas perguntas que lhe foram feitas) e confusões (Huntsman a defender as uniões civis entre casais do mesmo sexo e, logo a seguir, a afirmar que os seus adversários que se opõem a isso não estão errados). Assim, Rick Perry, que não participou no debate, mas deve entrar a qualquer momento na corrida, e Barack Obama, que ainda não entra nestas contas, podem ter sido os grandes vencedores deste debate.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Game on

Depois da Carolina do Sul e do New Hampshire, hoje é a vez do Iowa albergar o seu debate com os candidatos presidenciais pelo Partido Republicano. O evento, organizado pelo Washington Examiner e pela Fox, representa o arranque definitivo e a todo o gás da campanha pela vitória no caucus do Iowa, que, em Janeiro ou Fevereiro do próximo ano, assinalará o início das primárias presidenciais.
Será deveras interessante ver como os diferentes candidatos enfrentarão este terceiro debate. A estreia de John Huntsman, que entrou mais tarde na corrida e não participou nos debates anteriores, é uma das principais expectativas. O antigo Governador do Utah, que já anunciou não ir competir no Iowa, cujo eleitorado, tendencialmente conservador, não lhe é favorável, terá aqui uma oportunidade (quem sabe, a última) para reanimar a sua campanha, actualmente quase que moribunda. Para isso, é provável que ataque Mitt Romney, o seu maior adversário na luta pela vitória no New Hampshire e pela conquista dos eleitores mais moderados.
Por sua vez, Mitt Romney, com o seu estatuto de favorito, terá de se defender da ofensiva não só de Huntsman, mas também dos outros candidatos, bem conscientes da ameaça que o antigo Governador do Massachusetts representa às suas candidaturas. Não admira, por isso, que nas últimas horas tenham surgido várias histórias que indiciam alguns comportamentos menos lícitos entre os apoios financeiros à campanha de Romney.
À imagem de Huntsman, concorrentes como Tim Pawlenty, Rick Santorum e Newt Gingrich, cujas campanhas não têm tido o sucesso esperado, necessitam de conseguir um qualquer balão de oxigénio que lhes permita continuar a sonhar com a nomeação. Entre eles, Pawlenty é o que mais terá a provar, depois da sua prestação negativa no debate anterior. Em sentido contrário está Michelle Bachmann, que superou as expectativas no encontro do New Hampshire e se tornou uma força a ser reconhecida na campanha presidencial.Mas, também por isso, mais se esperará dela na noite de hoje. Já Ron Paul e Herman Cain não deverão trazer nada de muito relevante à discussão além dos seus tradicionais discursos dirigidos à limitada mas fiel franja de seguidores que possuem. Outra figura que poderá marcar o debate, ainda que ausente, será Rick Perry, que ainda não anunciou formalmente a sua candidatura, mas que promete ser um dos principais competidores pela nomeação republicana.
O debate de logo à noite será ainda marcado pela aproximação da Ames Straw Poll do próximo Sábado, um evento do GOP no Iowa que acontece sempre que a nomeação republicana está em jogo e que, no fundo, representa uma espécie de sondagem informal à intenção de voto dos republicanos locais. Mas sobre isso falarei mais profundamente amanhã.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

2012: Iowa caucus

Será neste pequeno Estado do Midwest americano que, a 6 de Fevereiro de 2012, será dado o pontapé de saída no longo processo de escolha dos candidatos de cada partido às eleições presidenciais desse ano. O Iowa utiliza o sistema de caucus, com bastantes diferenças entre o que modelo adoptado pelos democratas e pelos republicanos. Enquanto que nos caucuses democratas o método de voto é algo arcaico, com os eleitores a discutirem as suas preferências e intenções de voto e a tomarem posição ao juntarem-se por grupos de apoio a cada candidato, no caso republicano o mais comum é haver uma votação por voto secreto, embora em alguns distritos se utilize o voto por braço no ar. De qualquer forma, como as primárias democratas serão apenas uma formalidade para nomear Barack Obama, o principal interesse recai na disputa do lado do GOP.
Os eleitores republicanos do Iowa são tendencialmente conservadores e isso deverá ditar que será um candidato saído da ala direita do GOP a vencer estes caucuses, em especial numa época em que os movimentos conservadores, como o Tea Party, se revestem de uma crescente influência. Em 2008, Mike Huckabee foi o vencedor no Iowa e se o antigo Governador do Arkansas voltar a concorrer à presidência, é bem possível que volte a ganhar no Hawkeye State, dada a sua popularidade no Estado. Contudo, é tudo menos líquido que Huck entre na corrida em 2012, o que abrirá ainda mais o campo de possibilidades no Iowa.
Assim, espera-se que haja uma enorme luta pelos representantes do movimento conservador, já que o Iowa é decisivo para que possam permanecer na corrida, mesmo após eventuais maus resultados no New Hampshire (no granite state Mitt Romney parece quase imbatível), onde o eleitorado republicano é substancialmente mais moderado. Figuras como New Gingrich, Michele Bachmann ou mesmo Sarah Palin terão de conseguir excelentes resultados nestes caucuses se desejarem sonhar com a nomeação republicana. Por outro lado, é possível que nomes como Romney (que, em 2008, mesmo após gastar uma verdadeira fortuna no Iowa não foi além de um desapontante segundo lugar), Mitch Daniels ou John Huntsman poderão optar por não apostar a 100% aqui, guardando os seus esforços para outros locais onde poderão conseguir melhores performances.

Falta, então, menos de um ano para que comece, no Iowa, a fantástica corrida que será a disputa pela Presidência dos Estados Unidos. Nessa ocasião, nada deverá ficar decidido, mas é certo que no Hawkey State será feita a primeira grande triagem entre os candidatos a derrotarem Barack Obama, em Novembro de 2012. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Early states"

O sistema de primárias, processo pelo qual os dois grandes partidos americanos escolhem, de quatro em quatro anos, os seus candidatos presidenciais é um dos aspectos mais interessantes do sistema político dos Estados Unidos. E uma das singulares características das primárias é a importância concedida aos chamados early states. Segundo a tradição, o Iowa e o New Hampshire têm a honra de serem os primeiros a dizerem de sua justiça relativamente aos candidatos presidenciais.

Apesar de os habitantes do Iowa e do New Hampshire  levarem muito a sério a sua responsabilidade, os críticos apontam o poder excessivo que estes dois pequenos Estados detêm na escolha dos presidentes americanos e o facto de serem dois Estados predominantemente brancos, com pouca presença de minorias étnicas. Assim, dois outros Estados passaram a votar antes da Super Tuesday (o dia onde muitos Estados vão a votos): a Carolina do Sul, com uma grande comunidade afro-americana, e o Nevada, que conta com um grande número de hispânicos.

Qualquer um destes Estados é consideravelmente pequeno e atribui muito menos delegados nas primárias do que gigantes como a Califórnia, Nova Iorque ou Texas. Contudo, os candidatos que obtêm bons resultados nas primeiras primárias ganham um importante ímpeto, assegurado pela cobertura mediática positiva, o que lhes permite angariar mais dinheiro e apoios para o resto da campanha. O exemplo recente mais paradigmático é o de Barack Obama, que, após a sua vitória no Iowa, mudou a história da luta pela nomeação democrata de 2008, que, à partida, parecia destinada para Hillary Clinton.

Também em 2008, Rudy Giuliani tentou desafiar a tradição e negligenciar os primeiros Estados em detrimento das primárias que proporcionavam um maior número de delegados, como a Florida. Porém, essa estratégia falhou redondamente e Giuliani, que durante 2007 era considerado o principal favorito a conquistar a nomeação do GOP, foi votado à irrelevância depois dos péssimos resultados nos primeiros Estados.

Desta forma, as movimentações (visitas, contratação de staff, etc.) dos principais nomes nestes decisivos Estados podem ser um bom indicador das suas intenções relativamente à entrada ou não na corrida presidencial. Todavia, como se tratam de Estados bastante diferentes um dos outros, as estratégias dos candidatos divergirão bastante, tendo em conta as suas próprias características políticas e eleitorais. Assim sendo, abordarei brevemente aquilo que podemos esperar das campanhas dos presumíveis concorrentes republicanos em cada um dos early states. Campanhas essas que deverão começar a qualquer momento.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A 18 meses do Iowa

Quando estamos a sensivelmente ano e meio de distância do caucus do Iowa, o primeiro e decisivo acto do processo de primárias, a situação no campo republicano continua bastante tranquila, com o leque de candidatos a candidatos a pretender adiar ao máximo o pontapé de saída na campanha eleitoral para as presidenciais de 2012. Contudo, além de "incontornáveis", como Sarah Palin, Mitt Romney ou Mike Huckabee, outros nomes começam a surgir com mais insistência, como são os casos de Mitch Daniels, Haley Barbour ou John Thune.
Os concorrentes ao lugar actualmente na pertença de Barack Obama estão, então, a aguardar o desfecho das eleições intercalares de Novembro, mas isso não impede que continuem a surgir sondagens sobre as primárias do GOP que irão decidir quem desafiará Obama na eleição geral. Saiu hoje um novo estudo de opinião, da autoria do The Iowa Republican, que coloca Mike Huckabee na frente da corrida  no Iowa com 22% dos votos, ficando Romney a 4 pontos percentuais, Newt Gingrich (algo surpreendentemente) em terceiro com 14% e só depois Palin com 11% das intenções de voto. No campeonato dos pequenos, o libertário Ron Paul consegui 5%, enquanto Tim Pawlenty e John Thune quedaram-se pelo 1%.
A vitória de Huckabee não surpreende, visto que o antigo governador do Arkansas foi o vencedor do caucus do Iowa em 2008, mas estes números permitem tirar algumas indicações, especialmente a má prestação de Sarah Palin e o bom resultado de Gingrich. Fazendo um pouco de futurologia, é provável que após os dois primeiros momentos das primárias - o caucus do Iowa e as primárias de New Hampshire - a corrida esteja em grande parte limitada a dois candidatos principais: um moderado, como Romney ou Pawlenty, e um representante da ala mais conservadora do GOP, como Palin, Huckabee ou Gingrich. Desta feita, tendo em conta que Mitt Romney é o grande favorito no New Hampshire, Estado vizinho do seu Massachusetts, o Iowa assume-se como o momento-chave para os candidatos mais conservadores. Assim, estes números não são nada animadores para Sarah Palin, mas, por outro lado, podem entusiasmar Gingrich a uma eventual candidatura.
Claro que estas sondagens têm um valor limitado, numa altura em que ainda não há candidatos oficiais e em que as grandes figuras beneficiam do facto de o seu nome ser reconhecido pela maioria, enquanto que possíveis outsiders, como Pawlenty ou Mitch Daniels, pouco conhecidos a nível nacional, podem vir a beneficiar de uma campanha de proximidade, como é norma no Iowa. De qualquer forma, é sempre bom irmos vendo alguns dados, que comecem a abrir o apetite para as importantes e emocionantes decisões que estão para vir.