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quarta-feira, 7 de março de 2012

Romney vence mas não convence


Como se esperava, Mitt Romney saiu vencedor das eleições que decorreram na Super Tuesday de ontem. Venceu seis dos dez Estados (Ohio, Virginia, Idaho, Massachusetts, Alaska e Vermont) e amealhou mais de metade dos delegados em disputa. Todavia, a sua vitória no Ohio, a contenda mais importante da noite, foi à tangente, por apenas um ponto percentual, o que demonstra, uma vez mais, as debilidades do antigo Governador do Massachusetts no Midwest, um importante terreno na eleição geral contra Barack Obama. Além disso, foi claramente derrotado por Santorum no Sul, outra zona dos Estados Unidos, onde Romney tem sentido dificuldades de afirmação. Como se viu pelas exit polls de ontem, o favorito para conseguir a nomeação republicana continua com dificuldades em atrair os eleitores mais conservadores e com rendimentos mais baixos. Romney sai da Super Tuesday como o vencedor, mas nem o seu discurso de vitória pareceu convicente. Ainda tem um longo caminho pela frente até "fechar" a nomeação.

Quem acabou por não ter uma noite negativa foi Rick Santorum. Venceu no Oklahoma, como se previa, no Dakota do Norte, uma semi-surpresa, e no Tennesse, um importante Estado sulista, por uma larga margem. Além disso, perdeu o Ohio, onde investiu muitíssimo menos que Romney, por "uma unha negra". Estes resultados permitem ao ex-Senador pela Pensilvânia afirmar-se definitivamente como a grande e única alternativa a Mitt Romney e dão-lhe fôlego para encarar as próximas primárias (no Sul, o que o favorece) com mais optimismo. Por agora, o seu maior problema é a continuidade de Gingrich na campanha eleitoral, facto que lhe está a custar importantes votos que deveriam ser seus se o antigo Speaker saísse da corrida. Não admira, por isso, que se vão intensificando as pressões por parte da campanha de Santorum para que Newt abandone. 

Mas Newt Gingrich não deverá desistir tão cedo do seu sonho de se tornar Presidente dos Estados Unidos, mesmo que os resultados indiquem claramente que não tem qualquer hipóteses de o conseguir. Ontem, apenas venceu em casa, no Estado da Geórgia, e não alcançou, sequer, o segundo posto em qualquer um dos outros Estados em jogo. Nos últimos dias, Gingrich ia dizendo que teria de triunfar na Geórgia para ter hipóteses de alcançar a nomeação. Todavia, parece que nem com essa vitória será capaz de ainda ser uma força a ter em conta nesta campanha. Se desistisse, poderia ainda evitar que Romney fosse o nomeado, algo que deverá desejar, tendo em conta a animosidade entre os dois. Mas, conhecida a sua teimosia, é provável que continue na corrida, dividindo assim o eleitorado conservador com Santorum e ajudando, dessa forma, o seu grande rival na campanha em curso.

Para o fim fica Ron Paul, que voltou a não conseguir vencer em qualquer Estado (e, daqui para a frente, também já não o deverá conseguir fazer). À medida que a campanha vai avançando, o campeão da ala libertária do GOP vai perdendo fulgor e espaço mediático. Em poucos meses, Paul passou de candidato da moda a uma mera nota de rodapé na cobertura destas eleições. Para isso muito contribuiu a sua aliança não assumida com Romney, que prejudicou a sua imagem de candidato independente e de ruptura. Agora, resta-lhe continuar a transmitir a sua mensagem e a preparar terreno para o seu filho, o Senador Rand Paul, que, no futuro, continuará o trabalho do pai, quem sabe, com uma candidatura presidencial de sua parte.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Romney respira melhor

Resultados das primárias de ontem:

Arizona

Mitt Romney - 47,3%
Rick Santorum - 26,6%
Newt Gingrich - 16,2%
Ron Paul - 8,4%

Michigan

Mitt Romney - 41,1%
Rick Santorum - 37,9%
Ron Paul - 11,6%
Newt Gingrich - 6,5%

Mitt Romney foi o grande vencedor da noite de ontem, tendo vencido as duas primárias em disputa. No Arizona, obteve o triunfo esperado, mas por uma larga margem (mais de 20 pontos percentuais), amealhando todos os delegados eleitos por este Estado do Sudoeste norte-americanos. Num Estado que, numa determinada altura, chegou a parecer competitivo, Romney foi dominador e destroçou a concorrência. Já a sua vitória Michigan, o seu home-state, foi bem mais suada e renhida. As cadeias televisivas demoraram a anunciar um vencedor, mas, no final, foi o antigo Governador do Massachusetts a obter o prémio mais apetecido da noite de ontem. 
Com estes resultados, Romney evita o que poderia ser um golpe fatal para a sua candidatura presidencial e volta a respirar melhor. Cortou o momentum a Santorum e parte em melhor posição para a Super-Tuesday
Rick Santorum, por sua vez, perdeu talvez a sua grande oportunidade para poder tornar-se o nomeado republicano. A última semana de campanha no Michigan correu-lhe mal e não esteve à altura no derradeiro debate televisivo. Agora, tem de apostar forte no Estado do Ohio para voltar a incomodar Romney. 
Newt Gingrich, que continua à espera de um milagre, teve resultados modestos, ficando mesmo em último lugar no Arizona. Ainda disputará a Super-Tuesday e tem os cofres recheados com mais uma grande contribuição do seu Super-PAC, mas é difícil de escrutinar um cenário em que Gingrich ainda volte a tornar-se relevante nesta campanha.
Para último lugar fica Ron Paul, que chegou a ser uma força no actual ciclo eleitoral, mas que foi perdendo fulgor até se tornar praticamente irrelevante. Actualmente, é visto como uma espécie de wing man de Romney, aliando-se a este para fazer frente a Santorum e Gingrich. Ora, essa fama não pode ser positiva para um candidato de franja e que lidera um movimento que se diz independente e inovador. 
De partida do Michigan e do Arizona, as atenções passam a estar centradas na Super-Tuesday do próximo dia 6 de Março, ainda que antes, no Sábado, decorram os caucuses do Estado de Washington. Na Terça-feira,10 Estados irão a votos, num dia que poderá ser decisivo para a escolha do candidato presidencial do Partido Republicano.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Os candidatos no debate de ontem

Mitt Romney - Apesar de não ter estado propriamente brilhante, Romney foi claramente o vencedor do debate de ontem. Consciente que o principal perigo vem agora da parte da Santorum, o antigo Governador do Massachusetts mostrou ter feito os trabalhos de casa e levou bastante material para atacar o seu adversário. O seu melhor momento foi quando encostou Santorum às cordas, criticando-o por ter apoiado Arlen Specter (Senador republicano que, mais tarde, se mudou para o lado democrata) e por ter várias vezes votado, no Senado, contra a sua consciência. A jogar num Estado favorável, teve a audiência do seu lado, o que ajuda sempre a transmitir a imagem de vitória. Pode ter conseguido, ontem à noite, um fôlego decisivo para vencer as primárias no Michigan e no Arizona, na próxima Terça-feira.

Rick Santorum - Foi, sem dúvida, o derrotado da noite. Sendo este o último debate antes das próximas primárias e talvez mesmo o último da campanha eleitoral, Santorum tinha aqui a grande oportunidade para desferir um golpe fatal em Romney. Contudo, as suas boas prestações em anteriores debates não se repetiram e Santorum pareceu nervoso e incapaz de se defender convincentemente dos ataques dos seus adversários. Ficaram ainda mais uma vez demonstradas as dificuldades que os candidatos membros do Congresso sentem em justificar e defender o seu historial de votos no Capitólio. Para alguém que tinha tudo a ganhar no debate de ontem, Santorum jogou demasiadamente à defesa e saiu derrotado por um Romney mais dinâmico e decidido.

Newt Gingrich - Teve uma sólida prestação e voltou a uma receita que lhe deu proveitos no passado: as críticas à comunicação social. Apesar de parecer calmo e seguro de si, a verdade é que foi praticamente irrelevante no debate. Por este andar, também a sua candidatura se tornará irrelevante nesta campanha eleitoral. 

Ron Paul - Como sempre, o congressista do Texas foi coerente e apresentou as suas ideias de forma clara. Os seus ataques tiveram como único destinatário Rick Santorum e fala-se já abertamente numa alegada aliança entre si e Mitt Romney. Será que poderemos ter Paul numa eventual administração Romney?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Noite de primárias

Continuam as eleições primárias nos Estados Unidos, com vista à escolha do político republicano que defrontará Obama, em Novembro. Hoje, decorrem caucuses no Colorado e no Minnesota, e um concurso de beleza no Missouri, já que a primária que tem lugar neste Estado do Midwest  não elege nenhum delegado (para esse efeito, serão realizadas caucuses no dia 17 de Março.
Foram hoje divulgadas sondagens da PPP nestes três Estados. No Colorado, espera-se uma vitória clara de Mitt Romney, de acordo com os números daquela empresa:  37% das intenções de voto para Romney, contra 27% de Rick  Santorum, 21% de  Newt Gingrich e 13% de Ron Paul. No Minnesotta, Santorum lidera com 33%, seguido de Romney, com 24%, Gingrich com 22% e Ron Paul, com 20%. Relativamente ao Missouri, a mesma empresa aponta para uma vitória folgada de Santorum, que surge com 45%, seguido de Romney, com 32%, e Ron Paul, com 19% (Gingrich não surge nos boletins de voto).
Se a PPP estiver correcta nas suas previsões, esta pode ser uma grande noite para Santorum, que venceria duas das três corridas e se colocaria como o grande adversário de Romney, relegando Newt para uma incómoda posição. Assim sendo, as eleições de hoje podem provocar mais uma reviravolta nesta campanha eleitoral, que, a cada dia que passa, nos continua a surpreender.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Oeste nada de novo

Resultados provisórios (45% dos votos apurados) dos caucuses do Nevada:

Mitt Romney - 42,6%
Newt Gingrich - 26,0%
Ron Paul - 18,4%
Rick Santorum - 13%

Como se esperava, Mitt Romney venceu facilmente os caucuses do Nevada, com um resultado que se espera chegar perto da marca dos 50%, após todos os votos estarem contados. Num Estado com uma forte comunidade mórmon e onde Romney tem uma organização de campanha montada há cinco anos, a sua vitória nunca esteve em causa e era antecipada como normal. Ainda assim, com este triunfo, o ex-Governador do Massachusetts consegue a terceira vitória em cinco eleições disputadas até ao momento e é cada vez mais o grande favorito a defrontar Obama na eleição geral de Novembro. 
Para já, a maior desilusão foi o score obtido por Ron Paul, que aposta nos caucuses e nos Estados mais pequenos, onde a sua entusiasta e jovem campanha pode ser mais eficaz. Contudo, parece que nem foi capaz de alcançar o segundo lugar, perdendo para Gingrich que, praticamente abdicando de competir no Nevada, deverá ter sido o candidato mais votado depois de Romney. E, por falar no antigo Speaker, diga-se que, afinal, os rumores que chegaram a circular sobre uma possível desistência eram infundados. Newt pretende continuar na corrida e na sua conferência de imprensa de ontem, onde atacou Mitt Romney ininterruptamente, deixou isso bem claro. 
Todavia, o voto conservador continua a ser dividido entre Gingrich e Santorum, sem que nenhum deles esteja, aparentemente, a pensar em desistir a favor do outro, de forma a criar uma mais forte e credível alternativa a Mitt Romney.  Assim sendo, Romney continua a perfilar-se como o presumível nomeado republicano. Ainda para mais quando se olha para o calendário das primárias e se percebe que Fevereiro deverá ser um mês altamente favorável para Romney, com poucas oportunidades de vitória para os seus opositores. Não seria, por isso, uma grande surpresa que Romney pudesse selar a nomeação na Super-Tuesday, a 6 de Março.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Romney dominador

Resultados da primária da Florida:
 
Mitt Romney -46,4%
Newt Gingrich - 31,9%
Rick Santorum -13,4%
Ron Paul - 7%

Como os números indicam, Mitt Romney obteve ontem uma estrondosa vitória na primária da Florida, deixando o seu mais directo perseguidor, Newt Gingrich, a mais de 14 pontos percentuais de distância. Com este resultado, o antigo Governador do Massachusetts volta a parecer o inevitável nomeado presidencial pelo Partido Republicano. Uma vitória deste calibre no mais importante Estado em eleições presidenciais norte-americanas deve fazer cair as dúvidas que ainda existiam em alguns eleitores mais conservadores. Aliás, as sondagens não têm deixado margens para dúvidas: entre Romney e Gingrich é o primeiro que melhores resultados consegue nos hipotéticos embates face a Obama. Por isso, não admira que Mitt Romney, no seu discurso de vitória de ontem, tenha focado as suas atenções em Barack Obama e não nos seus adversários republicanos, dando a entender que está já mais preocupado com a eleição geral de Novembro, do que com o que resta das primárias do seu partido.
Mas Newt parece não querer desarmar e tenciona ficar na corrida até ao fim, esperando impedir Romney de conseguir uma maioria absoluta em delegados e levar a decisão para a Convenção Nacional Republicana. Contudo, é preciso que obtenha rapidamente alguns bons resultados, para que o dinheiro proveniente das contribuições financeiras continue a entrar nos cofres das suas campanhas. Gingrich já provou por várias vezes ao longo desta campanha que consegue ressurgir das cinzas. Poderá consegui-lo uma vez mais, mas o tempo começa a escassear e as próximas primárias não o favorecem. Apostará forte na Super-Tuesday, altura em que o seu Estado de origem, a Géorgia, irá a votos, mas é incerto que tenha capacidade para competir em vários locais ao mesmo tempo (nesse dia, dez Estados realizarão as suas primárias).
Quem também parece apostar numa última oportunidade é Rick Santorum, que, apesar do fraco resultado de ontem, tenciona capitalizar com uma possível queda de Gingrich, assumindo-se como o candidato preferido dos eleitores mais conservadores. Contudo, à imagem de Newt, é também difícil de idealizar um caminho rumo à nomeação para o antigo Senador da Pensilvânia. 
Finalmente, Ron Paul, que praticamente abdicou de competir na Florida, preferindo apostar em Estados mais pequenos e em que a votação seja feita através de caucuses, onde pode mais facilmente aproveitar a sua excelente estrutura de campanha, continuará até ao final. Tentará angariar o máximo de delegados possível, de forma a poder chegar à Convenção numa posição de força e que lhe permita optimizar a sua notoriedade, tanto do seu nome (preparando uma possível futura candidatura do seu filho, Rand), como dos seus ideiais libertários.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Gingrich relança a corrida

Resultados finais da primária presidencial da Carolina do Sul:

Newt Gingrich - 40,4%
Mitt Romney - 27,8%
Rick Santorum - 17,0%
Ron Paul - 13,0%

Contados todos os votos, fica a certeza que Newt Gingrich obteve uma tremenda vitória, tendo alcançado a marca dos 40% e deixado Romney a quase 14 pontos percentuais de distância. 
Por esta altura, a campanha do antigo Governador do Massachusetts deve estar a fazer contas à vida e a preparar-se para uma campanha mais longa e complicada do que se previa há poucos dias atrás. De facto, ainda no início da semana, Romney tinha vencido o Iowa e o New Hampshire, liderava destacado na Carolina do Sul e Jon Huntsman desistia a seu favor. Contudo, um debate televisivo, alguma cobertura negativa, a desistência de Perry que passou a apoiar Gingrich e a declaração de Santorum como vencedor no Iowa foram elementos que mudaram por completo a narrativa da campanha.
Agora vem a Florida, que tem a sua primária no próximo dia 31 de Janeiro, e que deverá ser decisiva. Romney tinha vindo a mostrar muita força nas sondagens, mas, depois dos resultados de ontem, será curioso como evoluirão os números no Sunshine State. Gingrich tem momentum, mas falta-lhe o dinheiro que Romney tem em fartura. A não ser, claro está, que surjam contribuições avultadas de conservadores com muito dinheiro e que contribuam para o Super PAC do antigo Speaker. Pelo menos, Gingrich não terá de se preocupar com o eventual endorsement de Jeb Bush a Romney, como chegou a ser falado durante a noite eleitoral de ontem. O antigo Governador da Florida (e irmão de George W. Bush) já anunciou que não irá apoiar ninguém antes da primária do seu Estado.
Neste momento, a corrida parece estar reduzida a dois nomes, mas Rick Santorum não teve uma noite terrível e aguentou o último lugar do pódio. É verdade que 17% na Carolina do Sul, um Estado socialmente conservador e onde Santorum devia ser mais apelativo, não é um grande resultado, mas não me parece que o antigo Senador pela Pensilvânia esteja a pensar desistir. Numa campanha como esta, onde tudo é possível, Santorum deverá querer esperar para ver se a campanha de Gingrich implode novamente (o que não é propriamente um cenário inimaginável) ou se surge uma qualquer outra oportunidade para voltar à luta pela nomeação. Ron Paul, por sua vez, deverá ficar na corrida até ao fim, espalhando a sua mensagem e ideias libertárias.
Agora é tempo de os candidatos abandonarem a Carolina do Sul e rumarem a Sul, para a Florida, onde deverá ter lugar a mais importante primária até ao momento. Romney ainda é o favorito a vencer, mas terá de saber reagir à dura derrota de ontem. Da mesma maneira, Gingrich terá de ser capaz de lidar com a vitória, ao invés do que aconteceu quando, antes do Iowa, liderava isolado as sondagens e tomou uma série de decisões erradas que quase lhe custaram a sua candidatura presidencial. De qualquer forma, uma coisa parece certa: temos corrida!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Depois do Iowa

Mitt Romney - O vencedor (ainda que por apenas 8 votos) no Iowa é, agora ainda mais, o grande favorito a conseguir a nomeação presidencial republicana. O próximo passo no processo de primárias é no New Hampshire, onde Romney tem surgido nas sondagens com vantagens gigantescas e onde a sua vitória é um dado adquirido há já largas semanas. Tem, por isso, uma aura de invencibilidade e o establishment do GOP continua a cerrar fileiras à sua volta. Até John McCain, com quem Romney não manteve uma relação muito positiva durante a campanha de 2008, estará a preparar-se para declarar o seu apoio ao antigo Governador do Massachusetts. 
Mas nem tudo é positivo para Romney. O seu resultado no Iowa, menos de 25%, é fraco para um vencedor e demonstra que a grande maioria dos eleitores republicanos não gosta de si ou ainda não se deixou convencer pelo político moderado do Nordeste americano. Assim sendo, com a previsível queda de alguns candidatados conservadores à medida que a corrida vai decorrendo, é possível que a congregação dos eleitores mais à Direita no GOP em torno de um ou dois concorrentes, possa dificultar um pouco a posição de Romney. Contudo, tudo se encaminha para que seja ele a defrontar Obama, em Novembro.

Rick Santorum - O antigo Senador pela Pensilvânia passou quase despercebido durante a grande maioria da campanha eleitoral até agora. Porém, depois da sucessiva ascensão e queda de todos os outros candidatos que se apresentaram como o "anti-Romney", Santorum tornou-se o último porta-estandarte do eleitorado mais conservador, ficando muito perto de vencer no Iowa. Ainda assim, o segundo lugar é um excelente resultado e garante-lhe momentum para encarar o New Hampshire com melhores perspectivas. Contudo, Santorum não tem uma grande estrutura por trás de si e teria bastantes dificuldades em disputar com Romney umas primárias longas e dispendiosas.

Ron Paul - Depois de várias sondagens o terem apontado como potencial vencedor no Iowa, o campeão da ala libertária do GOP quedou-se pela terceira posição. Mesmo assim, o resultado de Paul é digno de nota, ainda para mais quando nos lembramos, que, em 2008, apenas conseguiu 10% dos votos, tendo, em quatro anos, duplicado a sua votação. No New Hampshire ainda poderá ter uma palavra a dizer, mas Ron Paul não entra nas contas da disputa pela nomeação. Contudo, está a fazer uma excelente campanha, divulgando as suas (extravagantes) ideias políticas e, quem sabe, abrindo caminho para o seu filho, Rand Paul, que pode ser um candidato daqui a quatro ou oito anos.

Newt Gingrich - Conseguiu segurar o 4º lugar no Iowa, o que lhe garante alguma margem de manobra para ir, pelo menos até à Carolina do Sul. E será nesse Estado que Gingrich terá a sua derradeira oportunidade, tendo de vencer para poder continuar a sonhar com a nomeação republicana. Para isso, o antigo Speaker terá de disputar com Santorum o eleitorado mais conservador, mas, neste momento, é o ex-senador que leva vantagem.

Rick Perry - Um dos grandes derrotados do Iowa, onde chegou a liderar as sondagens, antes de sucumbir devido às suas más prestações nos debates televisivos. Após o seu quinto lugar nos caucuses de ontem, Perry afirmou que ia regressar ao Texas e reflectir sobre a sua permanência na corrida. Contudo, hoje, via Twitter, o Governador texano veio mostrar que continua na corrida, afirmando que iria avançar para a Carolina do Sul, onde espera que o seu sotaque sulista o ajude a recuperar. Todavia, para Perry, a corrida já acabou, mesmo que ele ainda não o tenha percebido.

Michele Bachman - Depois do seu sexto e último lugar (já que Huntsman não conta) nos caucuses do Iowa, não restava a Bachmann outra opção que não a desistência da corrida à Casa Branca. No Verão, ainda chegou a liderar as sondagens no hawkeye state, onde apostou todas as suas fichas, mas provou não ter estaleca para estas andanças.

Jon Huntsman - Visto como o mais moderado dos candidatos republicanos, Huntsman preferiu não competir no conservador Estado do Iowa. Por isso, a sua prova de fogo é já para a semana, no New Hampshire, onde o antigo Governador do Utah deposita todas as esperanças da sua campanha.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

As primárias republicanas: um balanço natalício

Com o Natal à porta, não há muito tempo para escrever. Todavia, com o início das primárias à porta - os caucuses do Iowa são já dia 3 de Janeiro - a corrida republicana está mais agitada do que nunca. E é precisamente no hawkeye state que se centram as atenções da campanha eleitoral, já que o vencedor da primeira eleição da época de primárias é uma incógnita completa.
Até há uns dias atrás, Newt Gingrich parecia imparável rumo à vitória no Iowa. Contudo, uma cerrada ronda de ataques liderada por Ron Paul prejudicou os seus números nas sondagens, tendo sido ultrapassado pelo congressista do Texas, mas também pelo principal favorito a conseguir a nomeação, Mitt Romney. Só que o feitiço parece ter-se virado para o feiticeiro e agora é Paul que se encontra debaixo de fogo, acusado de comentários racistas, mas não só, como se pode conferir por este artigo do Politico.
Por detrás da chuva de críticas a Paul, o campeão da ala libertária do GOP, podem estar as campanhas dos seus adversários, mas também de alguns sectores do Partido Republicano do Iowa. Isto porque Ron Paul, sendo um candidato de franja, com algumas ideias totalmente opostas às da plataforma política republicana (Paul defende a não intervenção no estrangeiro, a diminuição das forças armadas, o aborto ou a legalização das drogas leves), não tem qualquer hipótese de conseguir a nomeação republicana. Assim, a sua vitória no Iowa tornaria esse Estado praticamente irrelevante no processo de escolha do candidato presidencial do GOP e isso é algo que preocupa os responsáveis republicanos locais que não querem ver a credibilidade dos seus caucuses ameaçada.
Por outro lado, a ascensão de Paul no Iowa, ás custas de Gingrich, beneficia claramente Mitt Romney que não se importaria de ver Ron Paul vencer nesse Estado, anulando assim a possibilidade de um outro candidato viável ganhar momentum e ameaçar o seu estatuto de grande favorito nas primárias seguintes, em New Hampshire. Mais: com os ataques negativos centrados em Paul e em Gingrich, Romney pode, por contraste,  sobressair como o único candidato capaz de derrotar Obama em Novembro do próximo ano. E isso parece já estar a acontecer, com uma recente sondagem a dar-lhe a liderança no Iowa. Ora, com uma vitória no Iowa, seguir-se-ia, quase de certeza, um novo triunfo no New Hampshire. Com essas duas vitórias "no saco", muito dificilmente não seria Romney o nomeado republicano.
De momento, as estrelas parecem estar a alinhar-se de forma a favorecerem Mitt Romney. Porém, dada a natureza incerta de todas as campanhas eleitorais (e esta em particular), o melhor é mesmo esperar para ver o que acontece no dia 3 de Janeiro. Depois dos caucuses do Iowa, certamente que teremos mais certezas. Ou não.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Newt domina em (quase) toda a linha

O início do calendário das primárias aproxima-se rapidamente, estando os caucuses do Iowa marcados para dia 3 de Janeiro. Dessa forma, os resultados das sondagens têm um cada vez maior significado e servem para medir a temperatura da corrida. E, segundo os mais recentes estudos de opinião, Newt Gingrich continua a cativar os eleitores republicanos, conseguindo uma vantagem clara sobre o seu principal adversário, Mitt Romney, nas seguintes sondagens de âmbito nacional:

Economist/YouGov: Gingrich 31%, Romney 15%, Paul 11%, Perry 9%, Santorum 7%, Huntsman 6%, Bachmann 5%
Gallup: Gingrich 36%, Romney 23%, Paul 9%, Perry 6%, Bachman 6%, Santorum 3%, Huntsman 1%

Estes números não deixam margem para dúvidas: Gingrich é, neste momento, o frontrunner da corrida republicana, com Romney a ser relegado para o segundo posto. O libertário Ron Paul continua a ter números interessantes que provam a eficácia da sua campanha, que está a ser bem organizada e que conta com voluntários e seguidores entusiastas. Todos os outros não parecem entrar para as contas, excepto no caso de uma eventual desistência e de uma consequente "movimentação" dos seus (poucos) eleitores para outras candidaturas.
Todavia, no contexto de umas primárias presidenciais americanas, que decorrem num largo período de tempo e com um ou poucos Estados a votarem de cada vez, as sondagens nacionais são bem menos significativas do que os estudos realizados nos primeiros Estados do calendário das primárias. Mas, mesmo assim, analisando os números das sondagens nesses locais, continua a ser Gingrich o grande destaque, já que, segundo a CNN e a Time, o antigo Speaker lidera em três dos quatro primeiros Estados a irem a votos:

Iowa: Gingrich 33%, Romney 20%, Paul 17%, Perry 9%, Bachmann 7%, Santorum 5%, Huntsman 1%
New Hampshire: Romney 35%, Gingrich 26%, Paul 17%, Huntsman 8%, Bachmann 3%, Perry 2%, Santorum 2%
Carolina do Sul: Gingrich 43%, Romney 20%, Perry 8%, Bachmann 6%, Paul 6%, Santorum 4%, Huntsman 1%
 Florida: Gingrich 48%, Romney 25%, Paul 5%, Bachmann 3%, Hunstman 3%, Perry 3%, Santorum 1%

Também aqui os números são inequívocos e demonstram a posição de força actualmente ocupada por Newt Gingrich, que terá sido o grande beneficiário da desistência de Cain e da implosão de Perry. Favorito no Iowa e esmagador no Sul, Newt tem tudo para ganhar um importante ímpeto de vitória nos primeiros Estados que o ajudará a ultrapassar melhor os desafios seguintes. Romney, por sua vez, necessita de aguentar o segundo posto no Iowa e de vencer claramente no New Hampshire, de forma a conseguir minimizar as previsíveis derrotas nos Estados sulistas. 
A disputa pela nomeação republicana é cada vez mais uma corrida a dois, entre Romney e Gingrich, com Ron Paul a intrometer-se apenas nos dois primeiros Estados (Iowa e New Hampshire). Todos os outros, repito, são actualmente quase que irrelevantes no contexto da campanha presidencial. Por agora, New parece levar vantagem, mas, como já viu ao longo desta corrida, Romney não pode ser menosprezado, já que, sendo um candidato seguro, experiente e com grandes recursos financeiros, pode recuperar a liderança a qualquer momento.