quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A vitória dos Tea Party... e dos democratas

Christine O'Donnel celebra a vitória (Foto NYTimes)
Ontem à noite, na última e decisiva ronda de primárias antes das eleições gerais de Novembro, confirmaram-se os piores receios dos republicanos mais moderados e pragmáticos, tendo-se assistido a um verdadeiro tsunami por parte dos candidatos apoiados pelos Tea Party, para prejuízo dos políticos conectados com o establishment do GOP.
E a vitória das franjas mais conservadoras do Partido Republicano foi praticamente em toda a linha, faltando apenas saber se, no New Hampshire, Lamontagne conseguiu ou não derrotar Kelly Ayotte.  Com cerca de 15% dos votos para contar, ainda não se sabe quem é o vencedor desta corrida. Contudo, o facto de estarmos a assistir a uma disputa tão renhida já é uma grande surpresa, visto que, até há pouco tempo, ninguém preveria que Ayotte  fosse sequer incomodada no seu rumo até à nomeação. 
No Delaware, Christine O'Donnel assegurou a nomeação republicana, após uma recta final impressionante em que conseguiu ultrapassar o super-favorito Mike Castle. Com este resultado, os democratas passam a ser os grandes favoritos para a vitória na eleição geral, o que não aconteceria se fosse Castle o nomeado. Em Nova Iorque, na corrida para o cargo de governador, aconteceu outra surpresa, com a vitória de Carl Paladino, também ele apoiado pelos Tea Party, frente a Rick Lazio, o candidato do aparelho partidário republicano. Porém, neste caso, o triunfo de Paladino não trará grandes consequências, pois o democrata Andrew Cuomo seria sempre praticamente impossível de derrotar.
Depois desta onda de derrotas dos candidatos mais moderados frente a outros muito mais conservadores, a tarefa do GOP complica-se dramaticamente. Com O'Donnel, o Delaware passa a estar quase certo na coluna democrata e o mesmo pode acontecer no New Hampshire, se Lamontagne for declarado vencedor. Depois do Nevada e do Kentucky (estados em que as chances eleitorais do Partido Republicano saíram prejudicadas depois da nomeação dos candidatos), as notícias são péssimas para o GOP que, para sonharem com o controlo do Senado, precisam, agora, de jogar num tabuleiro ainda maior, tentando vencer corridas em que as suas hipóteses são mais remotas, como no Connecticut ou na West Virginia.
Além disso, estas vitórias de candidatos extremamente conservadores podem ajudar os democratas a construir uma narrativa, fazendo passar a mensagem de que o Partido Republicano foi tomado de assalto por extremistas. Assim, é possível que os resultados de ontem tenham repercussões a nível nacional e prejudiquem as ambições do GOP noutras eleições para o Senado, mas também para a Câmara dos Representantes. No fim de contas, estas divisões no seio do Partido Republicano, outrora um partido conhecido por ser pragmático e escolher os candidatos mais facilmente elegíveis, só vêm beneficiar os democratas.

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