terça-feira, 14 de setembro de 2010

Grandes decisões no fim das primárias

Hoje, nos Estados Unidos, é o último grande dia de primárias para as eleições intercalares do próximo dia 2 de Novembro. Apesar de ainda ficarem a faltar as primárias do Hawaii e uma segunda volta no Louisiana, hoje terão lugar as derradeiras grandes decisões até às eleições gerais no que diz respeito às nomeações dos candidatos pelos dois grandes partidos americanos. 
Serão oito os estados onde, hoje, os eleitores se dirigirão às urnas para votar e todos, à excepção do Wisconsin, se situam no Nordeste dos Estados Unidos. Mas, entre todas estas corridas, destacam-se as duas primárias republicanas para o Senado no Delaware e no New Hampshire. O cenário, muito semelhante nos dois casos, prende-se com a possibilidade de os candidatos insurgentes, mais conservadores apoiados pelo Tea Party, poderem derrotar os concorrentes moderados do establishment republicano, alterando radicalmente o panorama para as eleições gerais contra os democratas. 
No Delaware, Mike Castle, antigo governador do estado e congressista durante muitos anos, parecia estar a cumprir um percurso imparável rumo ao Senado americano, no lugar que foi de Joe Biden até este se ter mudado para a Casa Branca. Contudo, o Tea Party Express, uma organização conservadora, apostou forte na sua opositora, Christine O'Donnell, que conta também com o apoio de Sarah Palin e, agora, as sondagens indicam que a corrida está too close to call. Assim, hoje decide-se praticamente quem ficará com este lugar no Senado pelo estado do Delaware. Isto porque se Castle for o vencedor dificilmente será derrotado por Chris Coons, o candidato democrata, Coons, por sua vez, será o grande favorito à vitória no caso de ser O'Donnell a nomeada republicana.
Esta situação repete-se no New Hampshire, mas, aqui, uma vitória do candidato mais conservador não se afigura tão provável. Kelly Ayotte ainda é a grande favorita a conseguir a nomeação do GOP, mas, nos últimos tempos, as sondagens têm mostrado uma aproximação do seu opositor, Ovide Lamontagne. Lamontagne é apoiado por vários grupos Tea Party e por figuras do movimento conservador americano. Porém, Sarah Palin optou por apoiar Ayotte, a candidata mais moderada, talvez a pensar numa retribuição do favor quando chegarem as primárias do New Hampshire para a presidência. Como no Delaware, se uma surpresa acontecesse e Lamontagne derrotasse Ayotte, o grande favorecido seria o democrata Paulo Hodes que, ao contrário do que aconteceria se fosse Ayotte a nomeada, teria excelentes hipóteses de sucesso contra Lamontagne.
Hoje à noite no Estados Unidos (e já de madrugada em Portugal) dar-nos-ão a reposta a estas e outras questões que prometem ser cruciais para o desfecho das eleições intercalares deste ano. Se os candidatos republicanos moderados saírem vencedores, então as chances republicanas para "roubarem" o controlo do Senado aos democratas aumentam substancialmente. Se, pelo contrário, forem os políticos mais conservadores a saírem vencedores, tal cenário não passará de uma hipótese marginal.

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