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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Castle fica de fora

Uma das corridas para o Senado que mais tinta tem feito correr é a do Delaware, onde está em disputa o lugar que, até 2008, era ocupado pelo agora Vice-presidente, Joe Biden. Esta era uma eleição que parecia garantida para os republicanos. Porém, nas primárias de 14 de Setembro, Christine O'Donnel, apoiada pelos Tea Party e por Sarah Palin, derrotou o favorito do establishment republicano. Dessa forma, a escolha de uma política extremamente conservadora em detrimento de um moderado num estado que vota, por norma, nos democratas praticamente entregou a eleição aos democratas.
Depois da derrota nas primárias, Mike Castle colocou a hipótese de concorrer na eleição geral como candidato write in. Ou seja, o nome do concorrente não aparece no boletim de voto, mas os eleitores podem escrever o nome do candidato no boletim e, dessa forma, o voto será considerado válido. Como se percebe facilmente, esta  forma de concorrer dificilmente dá bons resultados a quem a utiliza. Aliás, o último a conseguir ser eleito para o Senado como um candidato write in foi Strom Thurmand, em 1954. Depois, a candidatura write in traz ainda outras complicações, decorrentes de serem os próprios eleitores a escreverem o nome da figura em questão. Um desses problemas está a ser visto no Alasca, com a candidatura da senadora Murkosky, que também perdeu a nomeação nas primárias republicanas. Ora, Murkosky não é propriamente um nome fácil de soletrar e isso está já a causar polémica no estado mais a norte dos Estados Unidos.
Assim, não admira que Mike Castle, um político histórico no Delaware - foi Lieutanant Governor,  Governador e congressista do estado - já com 71 anos de idade, tenha optado por não concorrer, de modo a não comprometer o seu legado e a sua reputação numa eleição que dificilmente venceria, como o prova esta sondagem, onde surgia com apenas 5% das intenções de voto. Além disso, a sua candidatura viria abrir novas brechas na conturbada relação entre a ala mais conservadora e a mais moderada do Partido Republicano, o que só beneficiaria os democratas.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Grandes decisões no fim das primárias

Hoje, nos Estados Unidos, é o último grande dia de primárias para as eleições intercalares do próximo dia 2 de Novembro. Apesar de ainda ficarem a faltar as primárias do Hawaii e uma segunda volta no Louisiana, hoje terão lugar as derradeiras grandes decisões até às eleições gerais no que diz respeito às nomeações dos candidatos pelos dois grandes partidos americanos. 
Serão oito os estados onde, hoje, os eleitores se dirigirão às urnas para votar e todos, à excepção do Wisconsin, se situam no Nordeste dos Estados Unidos. Mas, entre todas estas corridas, destacam-se as duas primárias republicanas para o Senado no Delaware e no New Hampshire. O cenário, muito semelhante nos dois casos, prende-se com a possibilidade de os candidatos insurgentes, mais conservadores apoiados pelo Tea Party, poderem derrotar os concorrentes moderados do establishment republicano, alterando radicalmente o panorama para as eleições gerais contra os democratas. 
No Delaware, Mike Castle, antigo governador do estado e congressista durante muitos anos, parecia estar a cumprir um percurso imparável rumo ao Senado americano, no lugar que foi de Joe Biden até este se ter mudado para a Casa Branca. Contudo, o Tea Party Express, uma organização conservadora, apostou forte na sua opositora, Christine O'Donnell, que conta também com o apoio de Sarah Palin e, agora, as sondagens indicam que a corrida está too close to call. Assim, hoje decide-se praticamente quem ficará com este lugar no Senado pelo estado do Delaware. Isto porque se Castle for o vencedor dificilmente será derrotado por Chris Coons, o candidato democrata, Coons, por sua vez, será o grande favorito à vitória no caso de ser O'Donnell a nomeada republicana.
Esta situação repete-se no New Hampshire, mas, aqui, uma vitória do candidato mais conservador não se afigura tão provável. Kelly Ayotte ainda é a grande favorita a conseguir a nomeação do GOP, mas, nos últimos tempos, as sondagens têm mostrado uma aproximação do seu opositor, Ovide Lamontagne. Lamontagne é apoiado por vários grupos Tea Party e por figuras do movimento conservador americano. Porém, Sarah Palin optou por apoiar Ayotte, a candidata mais moderada, talvez a pensar numa retribuição do favor quando chegarem as primárias do New Hampshire para a presidência. Como no Delaware, se uma surpresa acontecesse e Lamontagne derrotasse Ayotte, o grande favorecido seria o democrata Paulo Hodes que, ao contrário do que aconteceria se fosse Ayotte a nomeada, teria excelentes hipóteses de sucesso contra Lamontagne.
Hoje à noite no Estados Unidos (e já de madrugada em Portugal) dar-nos-ão a reposta a estas e outras questões que prometem ser cruciais para o desfecho das eleições intercalares deste ano. Se os candidatos republicanos moderados saírem vencedores, então as chances republicanas para "roubarem" o controlo do Senado aos democratas aumentam substancialmente. Se, pelo contrário, forem os políticos mais conservadores a saírem vencedores, tal cenário não passará de uma hipótese marginal.