sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Shutdown em Washington

Washington D. C. está sob um dos maiores nevões da sua história e estas condições atmosféricas dantescas têm paralisado o governo federal americano. Contudo, não é apenas o snowmaggedon - como já é conhecida nos Estados Unidos esta intempérie - a bloquear a administração, já que também o Congresso americano aparenta estar em estado de hibernação. Só que este adormecimento do órgão legislativo por excelência do país não está relacionado com o Inverno intenso, mas sim com factores meramente políticos e eleitorais.
Durante os primeiros meses do seu mandato, Barack Obama tinha índices de popularidade muito altos, mas, durante o Verão de 2009, os seus números começaram a descer. Na altura, parecia um fenómeno normal em todas as presidências, ou seja, o fim do período de "lua-de-mel" entre o presidente e a população. Porém, nesse Verão, começou a surgir um forte sentimento de insatisfação e preocupação dos eleitores em relação à reforma no serviço de Saúde e muitos congressistas, ao voltarem para os seus Estados, durante as férias, viram-se confrontados com forte oposição dos seus constituintes em relação ao processo. Desde aí, os seus índices de aprovação não têm parado de descer...
Esse facto, aliado às derrotas eleitorais dos democratas nos Estados do Massachusetts, New Jersey e Virginia, mudaram completamente o panorama político americano. Desde 2006 que os democratas só conheciam a vitória, mas agora é o GOP que parece estar nas graças do público.
Assim, os republicanos acham ser boa política rejeitarem toda e qualquer medida vinda de Obama e dos democratas, pois os eleitores estão, aparentemente, a penalizar as políticas do partido no poder. Ao mesmo tempo, os democratas do Congresso, em ano de eleições, parecem com medo de fazer o que quer que seja, com receio de serem penalizados nas intercalares de Novembro.
Isto resulta numa espécie de auto-suspensão governativa, com um partido de bloqueio e outro a minimizar ao máximo a sua agenda. Mas, no fundo, quem sai a perder é o país, que, nos tempos conturbados que vive, necessitava, mais que nunca, de uma governação activa, responsável e empenhada em resolver os problemas da nação americana.

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