terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A bitter McCain

John McCain construiu uma sólida e honrada carreira no Senado americano. Era um dos republicanos mais queridos do público e da imprensa, junto de quem possuía a fama de nunca deixar uma pergunta por responder. Em 2000, esteve mesmo muito perto de roubar a nomeação a George Bush, mas a campanha ultra-negativa e de baixíssimo nível montada pela máquina de Karl Rove, antes das primárias da Carolina do Sul, arruinou as suas hipóteses de ser o candidato do GOP, nesse ano.
McCain obteve a alcunha de maverick dentro do Partido Republicano, por ser alguém que não seguia rigidamente as linhas orientadoras do partido, mas antes delineando o seu próprio caminho. As suas posições, em dissonância com o establishment republicano, como em relação à reforma das campanhas ou à utilização da tortura, nunca o fizeram muito popular entre ala mais conservadora do GOP. Porém, nas eleições de 2008, onde o legado Bush prejudicaria qualquer republicano que concorresse à Casa Branca, McCain, dadas as suas credenciais de independência, parecia ser a melhor hipótese do partido.

Contudo, durante a campanha, algo parece ter mudado no senador do Arizona. Organizou uma campanha cinzenta e sem entusiasmo. Depois, e contrariando o seu passado de político responsável e verdadeiro, realizou algumas manobras que foram autênticos golpes políticos. A escolha de Sarah Palin como sua running mate, minando a sua estratégia de criticar a falta de experiência de Obama, ou a sua resposta errática e desesperada à crise económica foram excelentes exemplos disso mesmo.

Mas o pior ainda estava para vir. Após a derrota, de regresso ao Senado, McCain parece uma pálida sombra do que foi em tempos. Deixou de ser o senador bipartidário e preocupado em servir o povo e tornou-se em mais um apologista do "não" de bloqueio à administração. Aparentemente, alterou as suas posições em quase todas as matérias, pois, agora, vota contra propostas que já defendeu.

É certo que perder uma eleição nacional é duro. Voltar à normalidade depois de dois anos debaixo dos maiores holofotes do mundo não deve ser uma experiência nada fácil. Porém, já teve muito tempo para se readaptar à sua vida normal e outros políticos houve que conseguiram regressar e continuar a ser homens de Estado (John Kerry é um bom exemplo). McCain tem de pôr de parte o azedume e a frustração de ter falhado a presidência. O Senado americano não é propriamente um lugar qualquer e certamente que o GOP e o povo americano necessitam de um John McCain no seu melhor, em vez desta versão de menor qualidade, que parece ainda perdida, à procura de encontrar novamente o seu rumo.

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