segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Obamacare

Barack Obama anunciou o seu próprio plano, no valor de 950 biliões de dólares nos próximos dez anos, para a reforma do serviço de saúde americano. O presidente dos Estados Unidos, ao lançar a sua proposta no dia de hoje, tenciona marcar e dominar a agenda da cimeira de Quinta-feira, cujo propósito é discutir esta temática polémica e que tem dividido o espectro político americano. Além disso, o seu plano - dentro do que tem sido a sua estratégia desde o Estado da Nação - apresenta pontos para agradar a cada um dos partidos.

Porventura o aspecto mais importante desta proposta é a não inclusão da opção pública - um seguro de saúde gerido pelo Estado em concorrência com os privados -, que é uma questão essencial para muitos democratas (como Nancy Pelosi), mas que Obama já tinha dado a entender não ser uma prioridade. Esta decisão pretende agradar aos moderados, mas também há "rebuçados" para os liberais, como os impostos sobre os seguros dos muito abastados.

Com esta jogada, Obama faz passar a bola para o campo do GOP, incentivando-os a apresentar a sua proposta. Porém, os republicanos têm afirmado que pretendem começar o debate do zero, deitando os planos já aprovados nas duas câmaras do congresso, literalmente, para o caixote do lixo. Esta posição do Partido Republicano não me parece razoável, pois após meses de trabalho, nunca se esteve tão perto de uma reforma na saúde do país. O GOP aposta tudo num bloqueio sistemático das propostas democratas, conscientes do momento negativo que estes atravessam nas sondagens e na opinião pública.

Quinta-feira será um dia importante para a resolução (ou não) desta questão fundamental para a política americana, mas, mais que isso, para milhões de americanos sem acesso à saúde. Ainda não se percebeu se a cimeira, que contará com a presença de Obama, dos democratas e dos republicanos terá uma real importância ou se não passará de uma manobra política. O que é certo é que, em questões tão importantes como esta, nenhum dos lados devia jogar à política. Porque com a saúde não se brinca.

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