segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Happy new year!

O Máquina Política deseja a todos os seus leitores um fantástico 2013!

domingo, 30 de dezembro de 2012

2012 em revista

Com a chegada do final de 2012, é altura de se fazer o tradicional balanço do ano que agora termina. Nos Estados Unidos, a agenda política foi marcada, como não podia deixar de ser, pelas eleições presidenciais. Contudo, nem só da corrida pela Casa Branca se fez a história do ano que agora termina.
Ainda assim, os primeiros meses de 2012 foram dedicados principalmente à campanha pela nomeação presidencial republicana. Mitt Romney, o grande favorito a vencer as primárias do GOP, enfrentou um leque de opositores que pode ser considerado relativamente fraco. Todavia, acossado pelos candidatos conservadores, especialmente Rick Santorum, Romney foi obrigado a fazer uma campanha acentuadamente à Direita, com destaque para a sua posição muito dura relativamente à imigração, e isso foi-lhe fatal quando, mais à frente, teve de enfrentar Obama na eleição geral.
Eventualmente, Mitt Romney acabou por selar a nomeação republicana. Para derrotar o Presidente, o antigo Governador do Massachusetts centrou a sua mensagem na economia, já que a recuperação económica norte-americana continuava a ser anémica. Apesar de situação da economia dos Estados não ser a melhor, a verdade é que o PIB do país manteve-se em subida (ainda que ligeira) e a taxa de desemprego desceu finalmente abaixo da barreira dos 8%. Além disso, os cidadãos americanos continuavam a ver George W. Bush como o principal culpado pelo estado da economia dos EUA, o que dava a Barack Obama algum espaço de manobra para gerir as suas próprias responsabilidades na matéria.
Outra questão que voltou a estar na ordem do dia neste último ano foi a reforma do sistema de saúde, a grande marca do primeiro mandato de Obama enquanto Presidente. Sempre debaixo de imensa polémica, esta fulcral peça legislativa esteve em risco de ser anulada por via judicial. Porém, o Supremo Tribunal, numa histórica decisão, considerou constitucional a reforma, conhecida como Obamacare. A discussão na mais alta instância judicial norte-americana foi intensa e chegou mesmo a pensar-se que o Supreme Court iria anular o Obamacare, mas, numa reviravolta surpreendente, o Chief Justice John Roberts, normalmente conservador, alinhou com os juízes liberais e permitiu a passagem da reforma da saúde, numa apertada votação de cinco votos favoráveis e quatro votos contra.
Com a chegada do Verão, começou em força a campanha pela Presidência. Barack Obama e Mitt Romney enfrentaram-se para decidir quem seria o Chefe de Estado norte-americano a partir de 20 de Janeiro de 2013. Foi, em grande parte, uma corrida mais renhida do que parece, agora que conhecemos os resultados finais. Barack Obama foi, uma vez mais, um candidato muito forte, tendo apenas falhado aquando do primeiro debate, e liderou a mais eficaz, competente e inovadora campanha da história das eleições norte-americanas. Foi capaz de convencer os norte-americanos de que era o melhor candidato para liderar o país durante mais quatro anos, ao mesmo tempo que minou a credibilidade e a imagem do seu opositor. Por sua vez, Romney, apesar de ter conseguido o que muitos consideravam impossível, ou seja, ameaçar a reeleição de Obama, cometeu demasiados erros e deixou-se caracterizar como um milionário desligado da realidade do cidadão americano comum. A 6 de Novembro, com um empurrão final proporcionado pelo furacão Sandy, Obama venceu de forma relativamente folgada a eleição e conquistou o direito a um segundo mandato na Casa Branca.
A vitória de Obama, assim como os péssimos resultados do partido nas eleições para o Congresso, levaram a uma pequena convulsão no seio do Partido Republicano. Muitas vozes, mesmo internamente, se levantaram para criticar as posições ortodoxas e rígidas do GOP relativamente à imigração, que prejudica  os republicanos de forma particularmente intensa junto do eleitorado hispânico, e a questões sociais, que tem afastado os jovens e as mulheres do voto em candidatos republicanos, como ficou bem evidente nas últimas eleições. Na verdade, a crescente influência da ala mais conservadora do partido tem trazido alguns dissabores ao GOP, especialmente em eleições primárias, já que, em alguns casos, o Partido Republicano tem nomeado políticos demasiadamente conservadores, com consequências desastrosas, nomeadamente para os resultados republicanos em eleições para o Senado. Em 2012, ficou claro que o Partido Republicano tem de repensar a sua estratégia e a sua plataforma política, de forma a manter-se competitivo nas urnas, especialmente em anos de eleições presidenciais.
2012 ficou também marcado, infelizmente, por mais uma série de incidentes com armas de fogo. O mais mediático, e também o mais mortífero, foi a tragédia de Newtown, no Connecticut, em que perderam a vida 27 pessoas, incluindo 20 crianças. Este massacre voltou a colocar em cima da mesa a questão do posse de armas nos Estados Unidos, com Barack Obama a clamar por um sério debate sobre esta matéria, de modo a que se possam evitar incidentes deste género no futuro. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu em outras ocasiões, tudo indica que a discussão vai mesmo avançar e que o entendimento bipartidário que permita a criação de nova legislação que regule a compra e o porte de armas (pelo menos as de cariz militar) pode ser alcançado.
Por fim, a terminar o ano de 2012, é o fiscal cliff que tem dominado as atenções. Sem que os democratas e republicanos cheguem a um acordo, os Estados Unidos cairão, a 1 de Janeiro de 2013, num verdadeiro "precipício fiscal", com aumentos de impostos para todos os americanos e brutais cortes na despesa federal, com os previsíveis efeitos devastadores na economia do país. Até ao momento, e a poucas horas do deadline, não notícias de um entendimento entre os dois partidos e a situação é deveras preocupante. Resta, por isso, aguardar que um compromisso entre democratas e republicanos e entre a Casa Branca e o Congresso seja ainda possível e que o adeus a 2012 e as boas-vindas a 2013 possam ser comemorados de forma mais tranquila por todos os cidadãos dos Estados Unidos da América.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Merry Christmas!


O Máquina Política deseja a todos os seus leitores um feliz Natal!

sábado, 22 de dezembro de 2012

John Kerry sucederá a Hillary

Barack Obama anunciou formalmente que nomeará o Senador John Kerry para suceder a Hillary Clinton como Secretário de Estado norte-americano. Esta era a escolha anunciada, depois de Susan Rice, alegadamente a primeira escolha de Obama, ter saído da corrida para a liderança da diplomacia dos Estados Unidos, devido à polémica levantada pelo Partido Republicano relativamente à forma como Rice lidou com os acontecimentos em Benghazi.
Kerry, Senador pelo Massachusetts desde 1985, Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado nos últimos quatro anos e candidato presidencial democrata em 2004, é uma opção segura e lógica por parte do Presidente dos Estados Unidos. Aliás, já em 2008, após a primeira vitória de Obama, John Kerry havia sido apontado como presumível Secretário de Estado. Todavia, na altura, e de forma surpreendentemente, a escolha acabou por recair em Hillary Clinton, a grande adversária de Obama nas eleições primárias desse ciclo eleitoral. 
Esta notícia é também positiva para os republicanos que, além de terem conseguido derrubar Susan Rice, têm ainda a oportunidade de recuperar um lugar no Senado. Isto porque com a saída de Kerry da câmara alta, terá de se realizar uma eleição especial para substituir o futuro Secretário de Estado. Ora, o principal favorito para suceder a Kerry é precisamente um republicano. Scott Brown, que perdeu o seu lugar no Senado nas últimas eleições para a democrata Elizabeth Warren, tem todas as possibilidades de recuperar o seu lugar numa eleição especial, com uma afluência às urnas muito inferior àquela que se observa quando as eleições para o Senado coincidem com as eleições presidenciais, como foi o caso de 2012. 
Assim, e dado que John Kerry é mais do que qualificado para o cargo de Secretário de Estado, tudo indica que a sua confirmação pelo Senado será rápida e pouco atribulada, dado que a sua nomeação para o Departamento de Estado agrada aos dois partidos e, claro está, ao próprio Kerry que tem, desta forma, a oportunidade de fechar com chave de ouro uma distinta carreira política.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Time's Person of the Year 2012: Barack Obama

Barack Obama foi escolhido pela revista Time como a Pessoa do Ano de 2012, tendo batido nomes Tim Cook, CEO da Apple ou Mohamed Morsi, Presidente do Egipto. O Presidente dos Estados Unidos já havia recebido igual honra em 2008, ano em que venceu pela primeira vez a corrida pela Casa Branca. Quatro anos depois, a conceituada revista norte-americana voltou a escolher Obama, principalmente devido à sua vitória eleitoral. Afinal, como explica a Time, apesar de ter concorrido à reeleição debaixo de condições adversas para um Presidente em exercício, Obama foi capaz de conquistar por duas vezes uma maioria absoluta do voto popular, feito que apenas quatro presidentes norte-americanos haviam alcançado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Daniel Inouye (1924-2012)

Morreu Daniel Inouye, Senador democrata pelo Estado do Hawaii e que era o mais velho membro da câmara alta do Congresso dos Estados Unidos. 
Além de uma carreira política longa e bem sucedida (o seu percurso no Senado foi o segundo mais longo da história), Inouye tinha também uma fantástica histórica de vida. Descendente de japoneses, estava em Pearl Harbor no infame dia de 7 de Dezembro de 1941 como voluntário médico, tendo-se alistado no Exército dois anos mais tarde (quando os EUA passaram a admitir norte-americanos com raízes nipónicas). Já nos dias finais da guerra, Inoye perdeu um braço em combate, tendo sido condecorado com a Medal of Honor pela bravura demonstrada.
De regresso aos Estados Unidos depois da guerra, o ex-soldado inscreveu-se na universidade, onde tirou Ciência Política e Direito. Depois dos estudos, Inouye interessou-se pela política, tendo sido congressista e senador na legislatura do Hawaii. Entretanto, em 1959, o Havaii tornou-se um Estado de pleno direito dos Estados Unidos e Daniel Inouye concorreu e ganhou a disputa pelo primeiro lugar de congressista pelo Estado no Congresso norte-americano. Pouco depois, em 1962, foi eleito para o Senado, onde permaneceu até ontem, data da sua morte, tendo servido quase 60 anos na câmara alta. Desde 2010, como membro mais antigo da maioria, Inouye era também o President pro tempore do Senado, cargo que passará agora a ser ocupado pelo Senador Patrick Leahy.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A tragédia americana

Os Estados Unidos foram, ontem, abalados por uma tragédia com contornos que, infelizmente, se vão tornando repetitivos em terras do Tio Sam. Numa escola do Estado do Connecticut, um jovem de 24 abriu fogo matando 26 pessoas (entre elas, 20 crianças e a própria mãe, professora na escola). Antes disso, o mesmo jovem tinha tirado a vida ao próprio irmão, noutro local. No final, suicidou-se, fazendo com que o saldo deste indescritível acto de terror se cifrasse em 28 vítimas mortais.
Sendo o segundo ataque com armas de fogo mais mortífero da história do país, a tragédia de ontem chocou os Estados Unidos e o mundo. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu em acontecimentos semelhantes num passado recente, como o ataque à Congressista Gabrielle Giffords ou o tiroteio na estreia do filme Batman no Colorado, o debate sobre o uso de armas de fogo nos EUA pode estar novamente em cima da mesa. Ainda ontem, na sua reacção ao sucedido, Barack Obama deu indícios disso mesmo. 
Nos próximos tempos, veremos se o emocionado discurso do Presidente serve ou não de rastilho para uma das mais antigas e calorosas discussões nos Estados Unidos. É verdade que o porte de armas de fogo é, desde sempre, uma característica intrínseca de grande parte do povo norte-americano. Contudo, este tipo de incidentes (que não podem nunca ser explicadas apenas pela facilidade de acesso a armas de fogo) são cada vez mais frequentes e assumem-se já como uma espécie de tragédia americana.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Obama em alta

Depois da sua reeleição, faz hoje precisamente um mês, Barack Obama atravessa agora o tradicional período de lua de mel e isso reflecte-se nos números das sondagens, que indicam que a taxa de aprovação do trabalho do Presidente está nos valores mais altos desde 2009. Isso mesmo é perceptível no gráfico de cima, que demonstra sem margem para dúvidas o momento positivo que atravessa a Presidência de Obama, pelo menos aos olhos da maioria dos norte-americanos. Ainda assim, este fenómeno de subida nas sondagens após um triunfo eleitoral não é novidade (afinal, para um político melhorar a sua imagem não há melhor do que vencer uma eleição) e se Obama se quiser manter nas boas graças do público terá que somar vitórias políticas e evitar que a situação económica dos Estados Unidos se degrade. Seja como for,  numa altura em que a Casa Branca precisa da maior margem de manobra possível para as negociações do fiscal cliff com os republicanos, esta popularidade de Obama só vem ajudar os democratas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O precipício fiscal aproxima-se

O Máquina Política está de volta, após um curto interregno, em que não tive muito tempo para escrever, devido, particularmente, à preparação da defesa da minha tese de mestrado e a um consequente período de descanso, mas também para evitar uma overdose de política norte-americana provocada pela sobreposição das eleições presidenciais de 6 de Novembro e da conclusão minha tese sobre o sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Com o país do Tio Sam ainda em ressaca pós-eleitoral e em período de holidays, a actividade política do outro lado do Atlântico não é muito substancial. Nos últimos dias, a sucessão de Hillary Clinton e o fiscal cliff têm sido os assuntos dominantes na agenda política norte-americana. Em relação ao primeiro tema, tudo indica que Barack Obama estará cada vez mais inclinado a escolher Susan Rice, actual Embaixadora dos Estados Unidos na ONU como a Secretária de Estado para o seu segundo mandato na Casa Branca. Apesar de várias críticas que Rice tem recebido devido à sua reacção aos atentados de Benghazi por parte do Partido Republicano, em especial de proeminentes senadores do GOP, como John McCain ou Lindsey Graham, o Presidente tem feito questão de repetidamente a elogiar e defender, o que dá a entender que Obama já escolheu a sua nova responsável pela diplomacia norte-americana.
No que diz respeito ao fiscal cliff, a incerteza é maior e aproxima-se o precipício fiscal que chegará com o final de 2012, quando expirarem os cortes fiscais da era Bush e entrarem em vigor grandes reduções nas despesas federais. Ora, sem um acordo entre os dois partidos que permita prolongar esses cortes de impostos e minimizar os cortes na despesa, a economia norte-americana corre sérios riscos de entrar em recessão, com todas as consequências que isso acarreta para milhões de pessoas.
Após a vitória democrata nas últimas eleições, o partido de Obama sente agora que tem maior legitimidade para fazer valer a sua vontade. Por isso, a posição dos democratas tem-se concentrado na extensão dos cortes fiscais, excepto para os cidadãos com maiores rendimentos e no corte em despesas militares. Contudo, o GOP, apesar de já ter dado alguns sinais de abertura, continua pouco disposto a fazer grandes cedências, nomeadamente no que diz respeito ao aumento de impostos. Há mesmo, no seio do Partido Republicano, quem fale em não ceder um milímetro para os democratas e deixar que se ultrapasse o fiscal cliff. Todavia, há vozes mais sensatas no GOP e que pretendem chegar a um acordo, até porque compreendem que seriam os republicanos os mais responsabilizados pelos cidadãos americanos no caso de uma ruptura nas negociações.
Assim sendo, o mês de Dezembro será dominado pelas negociações entre os dois partidos que terão de chegar a um acordo que evite o fiscal cliff, mas que não aumente de forma substancial a dívida externa norte-americana. Como se percebe, este é um frágil equilíbrio que não será facilmente alcançável, especialmente porque a actual polarização política nos Estados Unidos não favorece acordos bipartidários.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Happy Thanksgiving Day!

Comemora-se hoje o mais tradicional dos feriados norte-americanos, o Thanksgiving Day. Como não podia deixar de ser, o Máquina Política deseja a todos os seus leitores um feliz Thanksgiving!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Como Obama venceu: os erros de Romney

O resultado eleitoral do passado dia 6 representou uma vitória para Barack Obama, que teve muito mérito na sua reeleição, mas também uma derrota de Mitt Romney que tinha tudo para sair vencedor da corrida pela Casa Branca, ou não enfrentasse um Presidente algo fragilizado por uma economia que teima em não voltar à normalidade. Apesar de ter liderado uma campanha que foi globalmente positiva e competente, a verdade é que Romney cometeu alguns erros crassos e que contribuíram para a sua derrota final.
Logo nas primárias republicanas, o antigo Governador do Massachusetts terá falhado ao deixar-se encostar demasiado à Direita, ao ver-se acossado por adversários extremamente conservadores. As posições que assumiu na altura, nomeadamente nas questões do aborto e da imigração, iriam prejudicá-lo, mais tarde, na eleição geral, em grupos eleitorais fundamentais (nestes casos, as mulheres e os hispânicos, respectivamente). Além disso, Romney, que, durante um debate, chegou a dizer que foi um Governador do Massachusetts extremamente conservador, entregou de bandeja sounding bytes à campanha democrata, que aproveitou a deixa para caracterizar o nomeado republicano como um radical de Direita.
E é nessa sequência que surge um novo erro importante de Romney. Quando terminaram as primárias republicanas, no final da Primavera, a campanha de Obama tomou uma decisão invulgar, ao realizar uma espécie de ataque preventivo, lançando uma série de anúncios negativos que visavam "pintar" Romney aos olhos do eleitorado como um insensível capitalista, que fez fortuna e carreira, na Bain Capital, a destruir empresas e empregos americanos. Nessa altura, além de não responder efectivamente aos ataques da campanha democrata, Romney ainda atirou mais achas para a fogueira, tendo-se recusado a tornar públicos mais do que dois anos de declarações de impostos e ao tecer comentários que pareciam confirmar a tese democrata de que Romney estava alheado da realidade do cidadão comum, como quando afirmou que a sua esposa conduzia "um par de Cadillacs".
Mais tarde, já perto do auge da campanha nacional, Romney terá cometido, porventura, a sua maior gaffe durante a corrida. Num evento privado de angariação de fundos, o candidato republicano foi apanhado em vídeo a afirmar que os 47% dos norte-americanos que não pagavam impostos sobre os rendimentos nunca votariam em si, porque nunca nunca os conseguiria convencer a terem responsabilidade individual e a importarem-se com as suas vidas". Como seria de esperar, as críticas a estas declarações foram bastante duras para Romney, que, em consequência, se afundou nas sondagens. Foi um rude golpe para a sua campanha, que apenas conseguiu recuperar devido a uma grande vitória do nomeado republicano no primeiro debate presidencial.
Contudo, o principal erro de Romney foi a sua incapacidade em "conectar-se" com os eleitores. Não tendo o carisma nem os dotes oratórios de Barack Obama, Romney falhou em mostrar o seu lado emotivo, parecendo sempre muito mecânico e distante do cidadão comum. No fundo, concorreu mais como um tecnocrata do que como um estadista e isso foi-lhe fatal já que os norte-americanos, apesar de não estarem contentes com o primeiro mandato de Obama, preferiram dar uma nova oportunidade ao candidato que, há quatro anos, os fez sonhar com ideais de mudança e esperança.

sábado, 17 de novembro de 2012

O percurso até aos 270

Da autoria da The Economist, este vídeo apresenta-nos, resumidamente, a evolução do mapa eleitoral durante a campanha presidencial até à vitória final de Barack Obama. Em menos de dois minutos, cobre o que de mais importante se passou na disputa entre Obama e Romney e é ideal para os mais atarefados e que gostam de informação condensada e directa.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quem será o próximo Secretário de Estado?

Há já muito tempo que Hillary Clinton afirmou que, caso Barack Obama fosse eleito para um segundo mandato, não quereria ser reconduzida como Secretária de Estado. Ao que tudo indica, a antiga Primeira-Dama não mudou de ideias e, por isso, o Presidente norte-americano estará à procura de um novo líder para a diplomacia dos Estados Unidos.
No topo da shortlist de candidatos ao lugar estará provavelmente John Kerry. Já em 2008, Kerry havia sido dado como certo na chefia do Departamento de Estado, mas, no último momento, Obama preferiu a sua rival das primárias, Hillary Clinton. Desta vez, o Senador pelo Massachusetts e candidato presidencial em 2004 volta a partir na frente da disputa por um dos lugares mais desejados em Washington. Contudo, as hipóteses de Kerry podem ser prejudicadas pelo facto de a sua escolha ter como efeito colateral a abertura de uma vaga no Senado e, consequentemente, a marcação de uma eleição especial, que podia muito bem ser aproveitada pelo republicano Scott Brown (que falhou, há dias, a sua reeleição, tendo sido derrotado por Elizabeth Warren) para voltar à câmara alta.
Se a escolha não recair no Senador John Kerry, então é bem possível que seja a actual Embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Susan Rice, a conseguir o cargo. Rice, uma veterana da administração Clinton é uma das preferidas de Obama a sua experiência nas relações internacionais pode valer-lhe o Departamento de Estado. Todavia, seria uma opção mais polémica por parte do Presidente, já que Susan Rice tem estado debaixo de fogo nos últimos tempos, tendo sido muito criticada no rescaldo do incidente na Líbia, de que resultou a morte de quatro americanos, incluindo o Embaixador Christopher Stevens. 
Outra escolha segura e pouco surpreendente para o lugar seria a nomeação de Tom Donilon, actual National Security Advisor de Obama. Esta seria uma opção considerada tradicional, já que é comum que os principais conselheiros de Segurança Nacional do Presidente sejam promovidos ao posto de Secretário de Estado. No passado mais recente, tivemos, por exemplo, os casos de Henry Kissinger e de Condoleeza Rice.
Contudo, se Obama quiser surpreender, pode optar por escolher um republicano para o cargo. Dessa forma, estaria a dar um sinal evidente e concreto de que deseja, no seu segundo mandato, alcançar uma relativa paz política com a oposição, patrocinando o bipartidarismo que apregoou durante a sua primeira campanha eleitoral. Se seguir este caminho, nomes como Jon Huntsman e Richard Lugar deverão estar em cima da mesa. Huntsman, antigo Govenador do Utah e candidato presidencial em 2012, já serviu na actual Administração como Embaixador na China e poderia estar disposto a trabalhar sob as ordens de Obama, o que até poderia ser uma boa forma de preparar terrenos para uma eventual nova corrida até à Casa Branca. Já o Senador Lugar, que este ano perdeu o seu lugar no Senado, derrotado nas primárias republicanas por um candidato ultra conservador que contou com o apoio do Tea Party, conquistou a amizade de Obama quanto estiveram juntos no Congresso e, como Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado, tem as credenciais certas para o lugar (passe o trocadilho).
Estes são alguns dos nomes que têm sido falados para suceder a Hilary Clinton no Departamento de Estado norte-americano. Não obstante, é sempre possível que Obama surpreenda e escolha alguém que não foi aqui referido. Seja como for, não deverá demorar muito a saber-se quem é o nomeado do Presidente que terá ainda de ser confirmado no Senado. Por isso, o melhor é mesmo aguardarmos pela decisão do Presidente.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como Obama venceu - a demografia

Quando foi eleito Presidente pela primeira vez, em 2008, Barack Obama teve uma excelente votação em praticamente todos os escalões do eleitorado, fossem eles relativos ao sexo, à idade, à raça ou mesmo ao nível económico. Ainda assim, a coligação de Obama baseou-se sobretudo em grupos eleitorais chave: os negros, os hispânicos, os jovens, as mulheres solteiras e os eleitores urbanos. Dessa forma, e apesar de ter perdido entre o voto branco, Obama conseguiu o melhor resultado no voto popular das últimas décadas para um candidato democrata, alcançando 53% dos votos.
Quatro anos depois, para as eleições de 2012, era expectável que Obama não conseguisse uma vitória tão expressiva como a que tinha obtido frente a John McCain. Após o seu primeiro mandato na Casa Branca, Obama tinha perdido apoio entre alguns grupos do eleitorado, em especial os eleitores brancos de zonas rurais, onde o domínio republicano é cada vez mais notório. Assim, para vencer, Obama teria de segurar ou mesmo aumentar a sua votação entre a base da sua coligação. Contudo, isso poderia não chegar, pois era preciso ainda garantir que esses eleitores se deslocariam às urnas para depositar o seu boletim de voto a favor do candidato democrata. De facto, a campanha republicana (e muitos analistas conservadores) esperavam que a participação eleitoral dos afro-americanos, dos latinos e dos jovens não fosse tão significativa como em 2008, ou que, segundo algumas previsões ainda mais optimistas, fosse mais semelhante à da eleição de 2004.
Contudo, como hoje sabemos, estas previsões saíram furadas. Os afro-americanos mantiveram a sua afluência às urnas (constituíram 13% do eleitorado), enquanto que a participação dos jovens e dos hispânicos aumentou (19% e 10% dos eleitores, respectivamente). Além disso, Obama conseguiu um melhor resultado entre o eleitorado hispânico do que aquele que tinha obtido há quatro anos, já que 71% dos eleitores latinos votaram pela reeleição do Presidente. Importa ainda apontar que, entre os eleitores de origem asiática, uma minoria também com tendência para crescer, também foi Obama a vencer a maioria dos votos (73%). Assim sendo, no total de todos os votos depositados a favor de Obama, 45% foram provenientes de eleitores de minorias étnicas, o que é bem elucidativo da importância destes eleitores para a reeleição do 44º Presidente dos Estados Unidos. Finalmente, se juntarmos a estes números, o apoio de 55% das mulheres a Obama (e as mulheres representam 53% do eleitorado), percebe-se que muito dificilmente a vitória poderia ter escapado ao actual ocupante da casa Branca.
Por tudo isto, fica claro que a demografia teve um papel fundamental na reeleição de Obama. Com maiorias claras nos grupos eleitorais em maior crescimento nos Estados Unidos, o Presidente compensou as perdas entre os eleitores brancos. Fica também evidente o problema demográfico do Partido Republicano que, se quiser continuar a ser competitivo em eleições presidenciais, tem obrigatoriamente de alargar a sua base de apoio. Se persistirem os maus resultados do GOP entre os jovens, as mulheres e, principalmente, os hispânicos, os republicanos arriscam-se a somar derrotas em corridas pela Casa Branca.

sábado, 10 de novembro de 2012

Petraeus deixa a CIA por causa de adultério

De modo inesperado, David Petraeus demitiu-se do cargo de Director da Central Intelligence Agency (CIA), posto que ocupava há cerca de um ano, por nomeação presidencial. Na origem desta decisão esteve  um caso extra-conjugal que o general vinha mantendo com a autora da sua biografia, o que representa, segundo Petraeus, um comportamento inaceitável para um marido e para o líder da principal agência de espionagem norte-americana. Barack Obama aceitou a demissão do general que ficou famoso por ter sido o mentor e principal executante da estratégia de surge que foi um sucesso no Iraque e o FBI está já a investigar as eventuais falhas de segurança que possam ter sido causadas por este caso - Petraeus poderia ter sido alvo de chantagem e, ao que consta, a amante do general terá tido acesso a informação confidencial.
Nos últimos anos, muito se falou do potencial político de David Petraeus (chegou mesmo a ser considerado como um possível candidato presidencial em 2012). Contudo, depois deste escândalo sexual - o género mais suculento para a comunicação social - a sua carreira militar chega ao fim e as suas eventuais esperanças políticas saem prejudicadas. É verdade que, actualmente, já nem nos Estados Unidos é impossível para um político adúltero ou divorciado concorrer a um cargo público (veja-se, por exemplo, o exemplo de Newt Gringrich), mas este caso vem manchar, e muito, a imagem pública do mais proeminente militar norte-americano dos últimos anos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Como Obama venceu - a campanha

A campanha presidencial de 2012 foi longa e animada, e, no final, o vencedor foi Barack Obama, que foi eleito para um segundo mandato de quatro anos na Casa Branca. Agora, quando o grosso da poeira da noite eleitoral já assentou, é altura de fazer um breve balanço desta louca corrida e identificar as principais razões que levaram à vitória de Obama. O primeiro post de uma curta série, onde apresentarei as principais questões que estiveram na origem do triunfo do candidato democrata é dedicado à competente e eficaz campanha de Barack Obama.
Apesar de todas as dificuldades que pareciam complicar a reeleição do Presidente, como a alta taxa de desemprego ou a baixa taxa de aprovação do trabalho de Obama, a campanha liderada por David Axelrod, David Plouffe e Jim Messina foi extremamente eficaz a definir a sua mensagem e a obrigar a campanha de Romney a jogar segundo as suas regras.
A decisão de um ataque preventivo a Mitt Romney, logo no final das primárias republicanas, foi decisiva. Ao contrário do que é normal, a campanha democrata optou por muito cedo realizar uma grande barragem de ataques negativos, que conseguiu com sucesso caracterizar Romney como um milionário desligado da realidade do cidadão comum e que fez carreira (e fortuna) a destruir empregos nos Estados Unidos. O candidato republicano, que não contava e não estava preparado para um raid desta natureza quando acabava de sair de umas primárias desgastantes,  nunca conseguiu desses ataques.
A campanha democrata também foi capaz a convencer a maioria dos eleitores norte-americanos de que o Presidente encontrou a economia norte-americana num péssimo estado, após oito anos de George W. Bush e que um mandato não era suficiente para Obama ser capaz de "limpar a casa". A eficácia desta táctica fica comprovada pelo facto de 53% dos eleitores americanos considerar que Bush é o principal culpado pelo estado da economia e só 38% culparem principalmente Obama.
Outro aspecto importante da campanha de Obama foi o facto de nunca entrar em pânico, mesmo depois da desastrosa prestação do seu candidato no primeiro debate. Nessa ocasião, muitos foram os liberais que sobre-reagiram a essa derrota de Obama e clamaram pelo soar dos alarmes em Chicago. Contudo, a campanha do Presidente manteve-se serena conseguiu, pouco a pouco, fazer uma eficiente gestão dos danos causados pelo primeiro debate.
Finalmente, o ground game democrata foi o claro vencedor nestas eleições. À imagem do que sucedeu em 2008, o voto antecipado foi uma forte aposta da campanha de Obama que amealhou uma vantagem em votos depositados com antecedência, da qual os republicanos foram incapazes de recuperar. Houve quem pensasse que os democratas encaravam estas eleições com menor entusiasmos do que as de há quatro anos e que isso levaria a uma menor participação eleitoral de grupos que apoiam maioritariamente o Presidente. Todavia, essas previsões provaram-se totalmente erradas e a campanha democrata foi essencial ao mobilizar os seus eleitores e a levá-los às urnas. Também por isso, os os afro-americanos votaram em números idênticos aos de 2008, enquanto que, entre os hispânicos e os jovens, a participação foi ainda superior em relação à primeira eleição de Obama.
Estes são apenas as principais capacidades demonstradas pela campanha presidencial de Barack Obama, que provou, uma vez mais, que é a melhor e maior organização política e eleitoral da história dos Estados Unidos, batendo a estrutura do Partido Republicano que, durante os anos Bush, parecia imbatível. Não admira por isso, que Barack Obama se tenha emocionado a agradecer a alguns dos seus fiéis apoiantes e voluntários. Afinal, a sua vitória também se deve, e muito, a eles.

Cartoons: Election Night 2012


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Colóquio sobre as eleições norte-americanas UFP

Amanhã, pelas 18 horas, estarei, no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, para fazer o rescaldo das eleições presidenciais norte-americanas, num colóquio que contará ainda com a presença do Prof. Doutor Rui Miguel Ribeiro e do Germano Almeida, do blogue Casa Branca 2012. A moderação estará a cargo da Prof. Dr.ª Isabel Costa Leite.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Último combate de blogues sobre as eleições de 2012

Como tudo é que é bom acaba depressa, chegou ao fim a série de Combate de Blogues, em versão hangout, em que tive o prazer de participar, juntamente com o Nuno Gouveia e o José Gomes André, do Era Uma Vez na América, e o Filipe Ferreira e o Carlos Manuel Castro, do EUA2012. Na emissão final, a conversa foi entre mim, o Nuno Gouveia e o Carlos Manuel Castro, com o Filipe Caetano a moderar de forma competente, como é seu apanágio. Apesar de eu ter chamado casa de banho à Casa Branca, a discussão que serviu de rescaldo à noite eleitoral foi interessante e produtiva. Daqui a quatro anos há mais!