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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quem será o próximo Secretário de Estado?

Há já muito tempo que Hillary Clinton afirmou que, caso Barack Obama fosse eleito para um segundo mandato, não quereria ser reconduzida como Secretária de Estado. Ao que tudo indica, a antiga Primeira-Dama não mudou de ideias e, por isso, o Presidente norte-americano estará à procura de um novo líder para a diplomacia dos Estados Unidos.
No topo da shortlist de candidatos ao lugar estará provavelmente John Kerry. Já em 2008, Kerry havia sido dado como certo na chefia do Departamento de Estado, mas, no último momento, Obama preferiu a sua rival das primárias, Hillary Clinton. Desta vez, o Senador pelo Massachusetts e candidato presidencial em 2004 volta a partir na frente da disputa por um dos lugares mais desejados em Washington. Contudo, as hipóteses de Kerry podem ser prejudicadas pelo facto de a sua escolha ter como efeito colateral a abertura de uma vaga no Senado e, consequentemente, a marcação de uma eleição especial, que podia muito bem ser aproveitada pelo republicano Scott Brown (que falhou, há dias, a sua reeleição, tendo sido derrotado por Elizabeth Warren) para voltar à câmara alta.
Se a escolha não recair no Senador John Kerry, então é bem possível que seja a actual Embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Susan Rice, a conseguir o cargo. Rice, uma veterana da administração Clinton é uma das preferidas de Obama a sua experiência nas relações internacionais pode valer-lhe o Departamento de Estado. Todavia, seria uma opção mais polémica por parte do Presidente, já que Susan Rice tem estado debaixo de fogo nos últimos tempos, tendo sido muito criticada no rescaldo do incidente na Líbia, de que resultou a morte de quatro americanos, incluindo o Embaixador Christopher Stevens. 
Outra escolha segura e pouco surpreendente para o lugar seria a nomeação de Tom Donilon, actual National Security Advisor de Obama. Esta seria uma opção considerada tradicional, já que é comum que os principais conselheiros de Segurança Nacional do Presidente sejam promovidos ao posto de Secretário de Estado. No passado mais recente, tivemos, por exemplo, os casos de Henry Kissinger e de Condoleeza Rice.
Contudo, se Obama quiser surpreender, pode optar por escolher um republicano para o cargo. Dessa forma, estaria a dar um sinal evidente e concreto de que deseja, no seu segundo mandato, alcançar uma relativa paz política com a oposição, patrocinando o bipartidarismo que apregoou durante a sua primeira campanha eleitoral. Se seguir este caminho, nomes como Jon Huntsman e Richard Lugar deverão estar em cima da mesa. Huntsman, antigo Govenador do Utah e candidato presidencial em 2012, já serviu na actual Administração como Embaixador na China e poderia estar disposto a trabalhar sob as ordens de Obama, o que até poderia ser uma boa forma de preparar terrenos para uma eventual nova corrida até à Casa Branca. Já o Senador Lugar, que este ano perdeu o seu lugar no Senado, derrotado nas primárias republicanas por um candidato ultra conservador que contou com o apoio do Tea Party, conquistou a amizade de Obama quanto estiveram juntos no Congresso e, como Presidente da Comissão de Relações Externas do Senado, tem as credenciais certas para o lugar (passe o trocadilho).
Estes são alguns dos nomes que têm sido falados para suceder a Hilary Clinton no Departamento de Estado norte-americano. Não obstante, é sempre possível que Obama surpreenda e escolha alguém que não foi aqui referido. Seja como for, não deverá demorar muito a saber-se quem é o nomeado do Presidente que terá ainda de ser confirmado no Senado. Por isso, o melhor é mesmo aguardarmos pela decisão do Presidente.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Huntsman perto de desistir

Ao que tudo indica, Jon Huntsman prepara-se para desistir da sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos e anunciar formalmente o seu apoio a Mitt Romney ainda durante o dia de hoje. Este decisão do antigo Governador do Utah vem fortalecer ainda mais a posição de Romney nas vésperas da primária da Carolina do Sul, que se tornou, após as vitórias do nortenho no Iowa e no New Hampshire, na última esperança dos seus adversários. É previsível que os apoiantes de Huntsman, ainda que em reduzido número, passem agora para o lado de Mitt Romney, cada vez mais o presumível nomeado pelo Partido Republicano.
Jon Huntsman sai de cena de forma algo discreta, depois de uma campanha que não produziu os efeitos desejados e cujo momento alto foi o terceiro lugar no New Hampshire, que não foi suficiente para tornar viável a candidatura do antigo embaixador de Obama na China. Tendo optado por se colocar como o candidato moderado na corrida, Huntsman afastou-se demasiado da corrente ideológica do GOP, o que lhe foi prejudicial, ainda para mais quando, hoje em dia, o Partido Republicano está algo desequilibrado para a sua Direita. Ainda assim, Jon Huntsman mostrou algumas qualidades e esta corrida deu-lhe visibilidade junto do grande público, o que lhe pode permitir, se assim o quiser, ser um actor relevante em 2016 (ou 2020, em caso de vitória de um republicano nas próximas eleições).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Depois do Iowa

Mitt Romney - O vencedor (ainda que por apenas 8 votos) no Iowa é, agora ainda mais, o grande favorito a conseguir a nomeação presidencial republicana. O próximo passo no processo de primárias é no New Hampshire, onde Romney tem surgido nas sondagens com vantagens gigantescas e onde a sua vitória é um dado adquirido há já largas semanas. Tem, por isso, uma aura de invencibilidade e o establishment do GOP continua a cerrar fileiras à sua volta. Até John McCain, com quem Romney não manteve uma relação muito positiva durante a campanha de 2008, estará a preparar-se para declarar o seu apoio ao antigo Governador do Massachusetts. 
Mas nem tudo é positivo para Romney. O seu resultado no Iowa, menos de 25%, é fraco para um vencedor e demonstra que a grande maioria dos eleitores republicanos não gosta de si ou ainda não se deixou convencer pelo político moderado do Nordeste americano. Assim sendo, com a previsível queda de alguns candidatados conservadores à medida que a corrida vai decorrendo, é possível que a congregação dos eleitores mais à Direita no GOP em torno de um ou dois concorrentes, possa dificultar um pouco a posição de Romney. Contudo, tudo se encaminha para que seja ele a defrontar Obama, em Novembro.

Rick Santorum - O antigo Senador pela Pensilvânia passou quase despercebido durante a grande maioria da campanha eleitoral até agora. Porém, depois da sucessiva ascensão e queda de todos os outros candidatos que se apresentaram como o "anti-Romney", Santorum tornou-se o último porta-estandarte do eleitorado mais conservador, ficando muito perto de vencer no Iowa. Ainda assim, o segundo lugar é um excelente resultado e garante-lhe momentum para encarar o New Hampshire com melhores perspectivas. Contudo, Santorum não tem uma grande estrutura por trás de si e teria bastantes dificuldades em disputar com Romney umas primárias longas e dispendiosas.

Ron Paul - Depois de várias sondagens o terem apontado como potencial vencedor no Iowa, o campeão da ala libertária do GOP quedou-se pela terceira posição. Mesmo assim, o resultado de Paul é digno de nota, ainda para mais quando nos lembramos, que, em 2008, apenas conseguiu 10% dos votos, tendo, em quatro anos, duplicado a sua votação. No New Hampshire ainda poderá ter uma palavra a dizer, mas Ron Paul não entra nas contas da disputa pela nomeação. Contudo, está a fazer uma excelente campanha, divulgando as suas (extravagantes) ideias políticas e, quem sabe, abrindo caminho para o seu filho, Rand Paul, que pode ser um candidato daqui a quatro ou oito anos.

Newt Gingrich - Conseguiu segurar o 4º lugar no Iowa, o que lhe garante alguma margem de manobra para ir, pelo menos até à Carolina do Sul. E será nesse Estado que Gingrich terá a sua derradeira oportunidade, tendo de vencer para poder continuar a sonhar com a nomeação republicana. Para isso, o antigo Speaker terá de disputar com Santorum o eleitorado mais conservador, mas, neste momento, é o ex-senador que leva vantagem.

Rick Perry - Um dos grandes derrotados do Iowa, onde chegou a liderar as sondagens, antes de sucumbir devido às suas más prestações nos debates televisivos. Após o seu quinto lugar nos caucuses de ontem, Perry afirmou que ia regressar ao Texas e reflectir sobre a sua permanência na corrida. Contudo, hoje, via Twitter, o Governador texano veio mostrar que continua na corrida, afirmando que iria avançar para a Carolina do Sul, onde espera que o seu sotaque sulista o ajude a recuperar. Todavia, para Perry, a corrida já acabou, mesmo que ele ainda não o tenha percebido.

Michele Bachman - Depois do seu sexto e último lugar (já que Huntsman não conta) nos caucuses do Iowa, não restava a Bachmann outra opção que não a desistência da corrida à Casa Branca. No Verão, ainda chegou a liderar as sondagens no hawkeye state, onde apostou todas as suas fichas, mas provou não ter estaleca para estas andanças.

Jon Huntsman - Visto como o mais moderado dos candidatos republicanos, Huntsman preferiu não competir no conservador Estado do Iowa. Por isso, a sua prova de fogo é já para a semana, no New Hampshire, onde o antigo Governador do Utah deposita todas as esperanças da sua campanha.