sexta-feira, 22 de junho de 2012

Encerrados para férias

Durante as próximas duas semanas, aproximadamente, o Máquina Política estará inactivo, por motivos de férias (bem merecidas) da gerência. Até ao meu regresso, já durante o mês de Julho, aconselho uma visita aos outros locais portugueses onde se pode ler sobre o mundo político dos Estados Unidos da América - a lista pode ser consultada na barra lateral. Até breve!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Obama vs Romney (by Mark Halperin)

Mark Halperin, o conceituado jornalista da TIME e co-autor do best seller sobre a campanha eleitoral de 2008, Game Change, compara, nesta tabela (clicar na imagem para aumentar), os dois candidatos presidenciais norte-americanos, com base em 10 critérios que podem decidir a corrida. Olhando para esta comparação, Mitt Romney parece levar alguma vantagem, já que, segundo Halperin, é quem vai na frente no que diz respeito à economia, à mensagem e ao dinheiro, três aspectos chaves para qualquer eleição dos Estados Unidos. Contudo, e como eu tenho afirmado, Obama lidera no critério do Colégio Eleitoral e, afinal de contas, é aí que se ganha ou perde a corrida.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um novo olhar sobre o mapa eleitoral


Como prometido, deixo aqui a minha visão actualizada sobre aquela que é a situação, no momento, do mapa eleitoral para as presidenciais norte-americanas de Novembro. Desde a minha última análise, em Abril, os números de votos eleitorais para cada lado quase não mudaram (na altura, dava vantagem a Barack Obama, com 258 votos eleitorais, face aos 190 de Mitt Romney. Contudo, houve algumas alterações importantes no que diz respeito aos battleground states da eleição que se aproxima.

O maior destaque vai, sem dúvida, para a passagem do Ohio para o estatuto de toss-up, já que acredito que este Estado poderá ser o local que decidirá o resultado da eleição, caso a corrida seja bastante renhida. Assim sendo, o swing state por excelência tem sempre de estar na coluna dos indecisos, mesmo que as sondagens continuem a mostrar um ligeiro favoritismo de Obama no the Buckeye State. Mas, além do Ohio, também o Wisconsin deixou a coluna democrata, passando também para toss-up, na sequência de várias sondagens que mostram um empate técnico e mesmo uma liderança para o nomeado republicano. Todavia, parece-me difícil que Obama não vença neste Estado e é possível que os últimos estudos de intenção de voto reflictam o momentum republicano proporcionado pela vitória de Scott Walker.

Mas nem todas as alterações no mapa eleitoral são negativas para os democratas, já que mudei o estado do Nevada para lean democrat e do New Hampshire e da Pensilvânia para likely democrat, depois de analisar as mais recentes sondagens relativas a estes Estados. Mas se a vitória de Obama nos dois últimos Estados não é propriamente uma novidade - o Partido Democrata é tradicionalmente bastante forte no nordeste dos Estados Unidos - já o movimento no Nevada traduz a actual grande importância do eleitorado latino no Oeste norte-americano, assim como a grande capacidade de mobilização dos democratas no Nevada, Estado onde o Senador Harry Reid, assim como os sindicatos de trabalhadores dos casinos, têm uma grande influência.

Com base neste mapa, e apesar de nenhum dos candidatos atingir o número mágico de 270 votos eleitorais necessários para ser o vencedor, parece correcto afirmar que Obama é ainda favorito para conseguir um segundo mandato, não obstante as últimas semanas não lhe terem corrido muito bem. Contudo, estamos ainda a mais de quatro meses da noite eleitoral e, até lá, o figurino do mapa eleitoral pode (e vai de certeza) dar algumas voltas. Para já, a corrida está ainda too close to call.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Obama contra-ataca

Como tenho vindo a dar conta neste blogue, Barack Obama tem vivido momentos difíceis nesta primeira fase da campanha para as eleições presidenciais de Novembro. Depois de ter começado a corrida bem lançado, tendo ganho vantagem sobre Mitt Romney fruto do desgaste que o republicano sofreu durante as primárias, o Presidente tem vindo a perder terreno e as sondagens mostram agora que a disputa pela Casa Branca está, de momento, muito renhida.

Contudo, esta tendência negativa de Obama deve ter feito soar os alarmes na sede da campanha democrata, em Washington, porque, finalmente, o Presidente parece estar a acertar agulhas e a responder ao seu momento menos positivo. E, como não podia deixar de ser, a reacção presidencial teria de passar, em primeira instância, por uma mensagem de cariz económica, mostrando aos norte-americanos que Obama é o homem certo para estar ao leme numa altura em que os Estados Unidos procuram uma recuperação económica mais acentuada.

Ontem, no Ohio (não é coincidência que se trate de um dos Estados mais decisivos em eleições presidenciais), o Presidente realizou um discurso exclusivamente dedicado à economia, onde delineou aquela que será a sua mensagem económica para a campanha presidencial. Em pouco menos de uma hora, Obama deixou bem marcadas as diferenças entre si e Mitt Romney (disse o nome do seu opositor oito vezes, tantas como no último ano e meio), afirmando que é o único candidato disposto a ajudar a classe média, enquanto que Romney representará o regresso às políticas republicanas (leia-se, de George W. Bush) que levaram à actual crise económica e financeira. Esta táctica de colar o nomeado do GOP ao ainda impopular 43º Presidente norte-americano resultou em 2008 para Obama. Contudo, quatro anos depois, teremos de esperar para ver se o mesmo acontece desta vez.

Mas nem só da economia se faz o contra-ataque da campanha de Obama. Também a imigração é uma questão que os democratas estão a tentar trazer para cima da mesa no que diz respeito aos temas centrais da campanha. Hoje mesmo, a Casa Branca assumiu a intenção de aligeirar as regras para os jovens e crianças que entraram ilegalmente nos Estados Unidos com os seus pais e que não tenham infringido a lei. Baseado no Dream Act, a proposta de lei apoiada por Obama e pelos democratas, mas rejeitada pelo republicanos do Congresso, esta ideia coloca um problema para Romney que se dividirá entre a posição tough on immigration do seu partido e a possibilidade de alienar ainda mais o grupo eleitoral em maior crescimento demográfico do país - os hispânicos. 

Após esta investida de Obama, os próximos dias serão importantes para avaliarmos se a estratégia seguida pelos democratas teve impacto junto do eleitorado. Quanto a mim, parece-me que Obama está a corrigir erros anteriores e que este é um rumo mais acertado. Contudo, Novembro está ainda muito longe e, entretanto, as férias de Verão, altura em que os americanos pouco ou nada ligam às notícias, estão quase à porta. Só depois disso, mais precisamente após o Labor Day, é que a campanha presidencial começa verdadeiramente. Para já, estamos apenas no aquecimento.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O mapa eleitoral de James Carville

James Carville, o histórico conselheiro de Bill Clinton e um dos principais mentores das vitórias políticas do 42º Presidente dos Estados Unidos, apresenta neste vídeo a sua opinião no que diz respeito ao mapa eleitoral para as eleições presidenciais de 2012. Na sua análise dos swing states (é curiosa e certeira a sua definição de swing state), Carville atribui uma ligeira vantagem a Barack Obama sobre Mitt Romney, fruto, sobretudo, dos triunfos virtuais nos Estados da Virgínia e do Ohio. Contudo, com o momentum aparentemente do lado do nomeado republicano, as cores do mapa eleitoral de Carville podem mudar rapidamente. Ainda esta semana, também eu darei a minha achega sobre o estado da corrida nos 50 Estados norte-americanos.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Romney is closing in on Obama

Após uma complicada época de primárias, onde Mitt Romney conseguiu selar a nomeação, mas não sem uma grande dose de atritos com os seus adversários e sendo obrigado a encostar-se muito à Direita de forma a conquistar a simpatia e os votos do eleitorado republicano, o ex-Governador do Massachusetts era visto como um claro underdog no frente-a-frente com Barack Obama na eleição geral.
Todavia, Romney tem vindo a recuperar terreno e está, nesta altura, virtualmente empatado com o actual Presidente nas tracking polls da Rasmussen e da Gallup, que seguem o movimento diário dos eleitores norte-americanos. E, nos últimos dias, têm-se acumulado as notícias negativas para Obama, em especial no domínio da economia, que, como se sabe, será o factor decisivo das próximas eleições. Acontece que, últimos indicadores da economia dos Estados Unidos, em especial os números do desemprego, sugerem que a recuperação económica norte-americana está em quebra, com destaque para o aumento da taxa de desemprego, algo que não sucedia há vários meses. Ora, se esta tendência negativa estiver para ficar, então Romney não terá grandes dificuldades em assegurar o lugar na Casa Branca.
A economia pode ser a principal preocupação para a Obama, mas não é a única, já que também no trilho da campanha as coisas não andam a correr de feição para o Presidente. Alguns dos seus principais aliados têm cometido gaffes e proferido declarações que devem ter irritado Obama e os seus principais conselheiros. E se a tendência de Biden para falar demais (recentemente, foi apanhado a fazer comentários sobre a estratégia da campanha, afirmando que lhe tinham sido confiados seis Estados)  já é conhecida, mais estranhas foram algumas declarações de Bill Clinton que defendeu o passado empresarial de Romney e afirmou concordar com a extensão dos cortes fiscais da era Bush, contrariando a posição da Casa Branca.
Também a eleição no Wisconsin de ontem deve ter feito soar os alarmes na sede de campanha de Obama em Chicago. Isto porque, além da óbvia desilusão que acompanha uma derrota para um sempre importante cargo de Governador, as exit polls relativas a esta corrida demonstraram um retrato do eleitorado muito mais parecido com o ciclo eleitoral de 2010, favorável aos republicanos, do que com a onda democrata de 2008.
Ainda assim, Barack Obama tem ainda bastante tempo para cerrar fileiras e corrigir estes contratempos e voltar a ganhar vantagem na corrida presidencial. Até porque se encontra, a meu ver, em posição privilegiada no colégio eleitoral, tendo um caminho  mais favorável para os 270 votos eleitorais necessários para assegurar a Presidência do que Mitt Romney. Mas sobre isso falarei mais detalhadamente num post futuro, quando voltar a fazer o ponto da situação do mapa eleitoral.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Scott Walker aguenta-se

Sendo Terça-feira, ontem foi dia de eleições nos Estados Unidos, realizando-se primárias presidenciais em vários Estados norte-americanos. Contudo, com os nomeados de cada um dos partidos já mais que decididos, o grande ponto de interesse da noite de ontem foi a eleição recall para o Governador do Winsconsin, onde o actual dono do cargo, o republicano Scott Walker, enfrentou e venceu o challenger democrata, o Mayor de Milwaukee Tom Barret.
Esta eleição no Wisconsin teve uma grande dimensão nacional, logo pela particularidade de se tratar de um recall. Para quem não sabe, o recall é uma medida que permite, através de uma petição assinada por um número mínimo de cidadãos, a marcação de uma nova eleição durante o mandato de um político eleito. Representa, por assim dizer, uma espécie de moção de censura. Depois, Scott Walker tornou-se famoso aos olhos do grande público por ter enfrentado, numa escala sem precedentes, os sindicatos e os funcionários públicos do Estado do Winsconsin, numa batalha que assumiu proporções épicas e lhe valeu o estatuto de herói entre a Direita dos Estados Unidos e o ódio visceral dos norte-americanos mais à Esquerda.
Contudo, ontem, Scott Walker venceu, com 53% dos votos, o seu oponente democrata e completará, assim, o seu mandato. O triunfo de Walker deve-se sobretudo a uma incrível vantagem financeira sobre o seu adversário, mas também ao maior entusiasmo dos republicanos em relação a esta eleição, comparativamente com os eleitores democratas. Ora, tendo em conta que este recall partiu da iniciativa conjunta dos sindicatos e do Partido Democrata, não deixa de ser estranho que estas poderosas e influentes estruturas não tenham tido a capacidade de entusiasmar e mobilizar de forma mais eficaz o forte contingente democrata do Winsconsin.
Assim sendo, são os republicanos em geral, e Scott Walker em particular, que saem vencedores da noite eleitoral de ontem. Em sentido contrário, os democratas e os sindicatos não ficaram bem na fotografia e a derrota que lhes foi ontem infligida reflecte-se, indirectamente, em Barack Obama. Além disso, a vitória republicana de ontem junta-se ao triunfo do republicano Ron Johnson sobre o histórico senador democrata Russ Feingold, na eleição para o Senado de 2010, e isso pode fazer sinais de alarme na campanha presidencial de Obama em relação a um Estado em que o candidato republicano à Casa Branca não vence há 28 anos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

1144

Quase cinco meses depois dos caucuses do Iowa, que marcaram o início da época de primárias, Mitt Romney conseguiu finalmente alcançar o número mágico de 1144 delegados, conseguindo, assim, selar oficiosamente a nomeação presidencial pelo Partido Republicano. A marca foi obtida depois de, ontem, ter vencido, com 69% dos votos, a primária do Texas, o que lhe permitiu ultrapassar a fasquia dos tais 1144 delegados que valem a nomeação. Agora, com as primárias definitivamente para trás das costas, resta a Romney concentrar-se na eleição geral e em derrotar Barack Obama.

Ridiculous

Donald Trump está definitivamente de volta à ribalta política. Depois de, durante 2011, muito se ter falado de uma possível candidatura presidencial do multimilionário e criador de reality-shows, agora, em plena campanha eleitoral, Trump volta a dar que falar, desta vez devido à sua convicção de que Barack Obama não nasceu nos Estados Unidos. E ontem teve mesmo uma acesa discussão com Wolf Blitzer, depois de este lhe ter dito que começava a parecer ridículo, tendo Trump respondido na mesma moeda. Mas, para se perceber o tom ríspido da troca de argumentos, o melhor é mesmo verem o vídeo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Off message

Para uma campanha política ser bem sucedida é essencial que o candidato que a encabeça se mantenha focado na mensagem que pretende transmitir ao público, evitando as fugas ao discurso previamente definido e escapando a temas e assuntos que afastem a campanha do rumo que previamente definiu ser o mais acertado para a vitória.
 Contudo, a campanha presidencial está a ser marcada, pelo menos para já, por uma constante fuga à mensagem, e logo por parte das duas campanhas. De um lado, Barack Obama, tem sido recentemente criticado, inclusivamente no seio do seu próprio partido, por estar a apostar em ataques contra o passado empresarial do seu adversário, Mitt Romney. Em anúncios de campanha e declarações, Obama tem apontado o dedo aos milhares de empregos que Romney terá, diz o Presidente, destruído, aquando do seu tempo na Bain Capital. Esta é uma estratégia que se percebe, tendo em conta a ainda elevada taxa de desemprego que se regista nos Estados Unidos. Contudo, o ataque populista de Obama não parece estar a ser eficaz, da mesma forma, aliás, que não o foi, quando Newt Gingrich e Rick Santorum utilizaram a mesma táctica durante as primárias republicanas. 
 Por sua vez, Mitt Romney, que até estava a ter um período positivo, parecendo estar a ganhar ímpeto na corrida, foi forçado, recentemente, a desviar-se da sua mensagem essencialmente centrada na economia. Isto porque Donald Trump, actualmente um dos seus mais ferozes apoiantes voltou a dizer que Obama nasceu no Quénia e não nos Estados Unidos, não sendo, por isso, elegível para o cargo de Presidente. Acossado pelos jornalistas, que tentam obter uma reacção sobre as novas acusações do milionário Trump, Romney não condenou a posição do seu apoiante, apesar de ter dito que não concorda com tudo o que as pessoas que o apoiam dizem. Seja como for, a verdade é que uma nova polémica birther era a última coisa que o candidato republicano necessitaria, numa altura em que tenta atrair o eleitorado independente que poderá estar menos inclinado a votar em si, depois de umas primárias marcadas por um discurso encostado à Direita.
 Com os dois candidatos a viverem um momento menos positivo no trilho da campanha, cabe agora aos seus conselheiros a tarefa de redobrarem esforços no sentido de colocarem novamente os seus líderes no rumo certo, ou, como dizem os norte-americanos, back on message.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Latinos (ainda) com Obama

Sendo o grupo étnico (se é que se pode chamar assim) em maior crescimento nos Estados Unidos, os latinos - ou hispânicos - representam um eleitorado fundamental em eleições presidenciais. Aliás, muitos analistas consideram mesmo que os latinos são o fiel da balança na escolha do Presidente norte-americano, já que servem de desempate entre a minoria afro-americana (que prefere, por margem esmagadora, os democratas) e a maioria branca não-latina (com quem os republicanos levam curta vantagem).

Nas eleições de 2004, George W. Bush, que defendia políticas de imigração moderadas e até pró-integração, conseguiu bons resultados (terá obtido cerca de 45% do voto hispânico) junto dos latinos, o que lhe terá valido a reeleição. Contudo, em 2008, o candidato democrata, Barack Obama, arrasou completamente o republicano John McCain neste grupo eleitoral, obtendo perto de dois terços dos votos dos eleitores latinos, conseguindo, dessa forma, vencer em Estados como o Colorado, o Novo México, ou o Nevada. Dois anos depois, nas eleições intercalares de 2010, e num ciclo eleitoral em que o Partido Republicano foi absolutamente dominador, as poucas vitórias democratas surgiram, precisamente, em Estados com fortes comunidades latinas, destacando-se as vitórias em eleições para o Senado no Nevada e no Colorado.

Desta forma, é com grandes expectativas que se segue o movimento do eleitorado hispânico, com vista à decisão das eleições presidenciais deste ano. Durante as primárias republicanas, marcadas por um discurso marcadamente "encostado" à Direita, Mitt Romney proferiu algumas declarações, vistas como anti-imigração, que prejudicaram a sua imagem junto dos eleitores hispânicos. Não obstante, com o fim da época de primárias e com a consequente e natural inversão de marcha rumo ao centro do espectro político, esperava-se que o nomeado republicano conseguisse melhorar os seus números entre os latinos. 

Contudo, e segundo uma sondagem da NBC e do Wall Sreet Journal, os hispânicos continuam, de forma esmagadora, a preferir Barack Obama em detrimento de Mitt Romney para a presidência dos Estados Unidos. Com um score de 61-27% a seu favor, Obama mantém uma margem confortável e que lhe permite antever as eleições de Novembro com mais optimismo. Em sentido contrário, Mitt Romney, necessita urgentemente de inverter esta tendência, sob perigo de ver as suas hipóteses de chegar à Casa Branca francamente comprometidas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O vocabulário desportivo das eleições americanas

O universo do desporto está intrinsecamente ligado à política, como defende o Prof. Dr. António da Silva Costa (professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Desporto da Universidade de Porto), que afirma que "comparando estes dois fenómenos, o desportivo e o político, não é difícil constatar que eles são profundamente semelhantes. O seu funcionamento é idêntico, a sua lógica é fundamentalmente a mesma e o seu discurso rege-se pela mesma gramática". 
Ora, no caso específico das eleições americanas, essa ligação é por demais evidente, como se pode comprovar por algumas das expressões mais frequentemente encontradas na gíria das campanhas políticas dos Estados Unidos.
Senão vejamos: a palavra mais utilizada para fazer referência a uma eleição é a palavra race (corrida). Ainda no campo das referências a corridas (como se estivéssemos a falar de um evento do atletismo e não da política), existem expressões muito conhecidas, como frontrunner, quando nos referimos ao candidato favorito à vitória, ou to have the inside track, quando queremos dizer que um candidato parece levar vantagem sobre outro.
Momentum, uma palavra várias vezes repetida para transmitir a dinâmica de vitória de um dos lados, e que foi "pescada" na gíria desportiva, é um dos maiores exemplos desta promiscuidade entre o vocabulário do desporto e da política. Mas existem outros. quando um político não é tão agressivo ou incisivo num debate como se esperava, diz-se que he did not pull his punches, numa clara alusão ao box; numa ocasião em que um candidato aposta todas as suas hipóteses  num determinado Estado, local ou grupo do eleitorado, diz-se que ele está all in, como no poker. As expressões home-run, do basebol, slam dunk, do basquetebol, ou kick-off, do futebol, são também presença assídua no vocabulário da política norte-americana.
Estes são alguns exemplos, mas muitos outros poderiam ser utilizados para demonstrar a grande afinidade a nível de vocabulário entre a política e o desporto. No fundo, esta semelhança ao nível do discurso reflecte, pelo menos em parte, a necessidade sentida pela comunicação social e pelos próprios políticos de tornarem a política um fenómeno mais atraente e familiar para as grandes massas. Afinal, a política também pode ser divertida.

domingo, 20 de maio de 2012

Final da Champions interrompe G8

É bem conhecido o gosto e entusiasmo de Barack Obama pelo desporto, em particular pelo basquetebol, modalidade que continua a praticar, tendo mesmo instalado um campo para o efeito em plena Casa Branca. Contudo, como sabemos, o futebol (ou o soccer, como é conhecido nos Estados Unidos) não tem do outro lado do Atlântico o destaque que merece no resto do mundo. Ainda assim, a final da Champions League de ontem não passou despercebida para Obama, que, em Camp David, onde estão reunidos os Estados-membros do G8, fez questão de seguir a decisão por penaltis, acompanhado dos líderes dos países (Alemanha e Inglaterra) que estavam representados na final da maior competição de clubes do planeta. Para a história fica mais esta excelente fotografia de Pete Souza, que retrata o momento da vitória dos britânicos do Chelsea e as reacções dos líderes mundiais, apanhados num momento de descontracção.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bush apoia Romney

Depois do patriarca, George H. W. Bush, e do seu filho  Jeb Bush, terem anteriormente declarado o seu apoio a Mitt Romney na corrida pela Presidência dos Estados Unidos, esta semana foi a vez de George W. Bush, o 43º Presidente norte-americano, anunciar publicamente, ainda que de forma algo tímida, o candidato republicano que desafia Barack Obama. 
Apanhado pela ABC News a entrar num elevador depois de um discurso em Washington, Bush declarou com uma simples frase: "I'm for Romney". Este anúncio, apesar de ter sido feito de forma informal e "fora do guião", não é nenhuma surpresa, já que os antigos Presidentes apoiam sempre os nomeados do seu partido. Contudo, dada a ainda impopularidade do antecessor de Obama junto dos eleitores, este endorsement terá sempre algum impacto na campanha. Como seria de esperar, os democratas já estão a utilizar o apoio de Bush como arma de arremesso contra Romney, tentando colar o nomeado republicano ao antigo Presidente. Por sua vez, a campanha de Mitt Romney já emitiu uma sóbria e curta mensagem a agradecer o apoio de Bush, que daqui para a frente,deverá manter uma presença discreta na campanha, de forma a não prejudicar as hipóteses de Romney.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O rescaldo do anúncio de Obama

Assentado o pó que se levantou depois de, na passada Quarta-feira, Barack Obama ter anunciado o seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, importa agora analisar possíveis consequências desse seu acto.
Do lado democrata, o anúncio do Presidente animou, como seria de esperar, a base do partido.  Normalmente, os homossexuais (particulares, lobbies ou grupos) são já um grupo eleitoral afecto aos democratas, mas é de esperar que a posição de Obama - o primeiro sitting Presidente a defender publicamente o casamento gay - estimule, e de que maneira, o apoio e as contribuições financeiras deste sector do eleitorado. Além disso, a nova posição de Obama em relação a este assunto serve também para refutar algumas críticas que vinham surgindo da ala mais liberal do Partido Democrata, e que acusavam o Presidente de não ser demasiado ambicioso e progressista. Do seu lado, Obama apenas poderá temer alguns problemas com os afro-americanos, já que esta comunidade, muito religiosa, é maioritariamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, dado os níveis de popularidade de que Obama goza junto dos afro-americanos, é muito duvidoso que este assunto lhe retire parte do voto negro, nas eleições do Outono.
Entre as fileiras republicanas, a reacção ao anúncio presidencial tem sido bem menos audível do que seria de esperar. Na verdade, os principais líderes republicanos têm preferido não comentar muito o assunto, cientes de que necessitam de voltar à mensagem em torno dos problemas da economia. E são sensatos ao fazê-lo, dado que - dizem as sondagens - o único tema em que Romney leva vantagem sobre Obama aos olhos dos eleitores é precisamente a economia. Por isso, sempre que os democratas forem capazes de desviar as atenções do público da situação económica do país os republicanos sairão a perder. E, como nos últimos dias os destaques noticiosos têm ido para o apoio do Presidente ao casamento gay, temos de considerar que isso favorece mais os democratas do que o GOP.
No que diz respeito às consequências eleitorais, é possível que Obama perca uns quantos votos junto dos eleitores independentes e em Estados importantes, mas essa perdas poderão ser anuladas por um aumento do número de eleitores jovens, que se sentirão mais propensos a votar num candidato que partilha das suas convicções sociais e pelas grandes contribuições financeiras que deverão chegar por parte de associações ou lobbies de defesa dos homossexuais. No fim de contas, duvido que o anúncio presidencial da última Quarta-feira tenha um grande impacto na eleição que se aproxima a passos largos. Afinal de contas, it's still about the economy, stupid!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Obama apoia casamento homossexual

Barack Obama, numa entrevista à ABC News, acaba de se declarar apoiante do casamento homossexual. Depois de vários anos em que nunca marcou uma posição clara e decisiva em relação a este assunto (chegou mesmo, durante a sua campanha de reeleição para o Sendo do Illinois, em 1998, a confessar-se "indeciso"), Obama considera agora que a sua opinião "evoluiu" e que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo deve ser legal, tornando-se, assim, o primeiro Presidente dos Estados Unidos a anunciar publicamente tal posição. Em ano de eleições eleitorais, teremos de esperar para ver que consequências políticas terá este anúncio de Obama, sendo certo que Obama terá garantido o apoio, mais entusiasta do que nunca, dos homossexuais norte-americanos.

3 destaques da noite de ontem

Ontem à noite, nos Estados Unidos, realizaram-se eleições das mais variadas formas e feitios. Desde primárias para a Presidência, para o Senado ou para cargos de nível estadual, até referendos sobre o casamento pessoas do mesmo sexo, houve votações para todos os gostos. Entre elas, porém, importa realçar os três maiores pontos de interesse:

1) Nas primárias para a eleição presidencial, não houve surpresas do lado republicano. Mitt Romney, que corre agora sem oposição (com excepção do caso especial que é Ron Paul), venceu com cerca de dois terços dos votos no Indiana, na Carolina do Norte e na West Virginia. Contudo, neste último Estado, registou-se uma meia surpresa na primária democrata, com Barack Obama a vencer, mas cedendo 41% dos votos para concorrente que se encontra actualmente a servir pena de prisão (!) no Novo México por ameaças feitas à universidade desse Estado.
Este incrível resultado demonstra uma vez mais que a West Virginia é terreno agreste para Obama, onde foi copiosamente derrotado em 2008, tanto nas primárias contra Hillary Clinton, como na eleição geral frente a John McCain. As características demográficas deste Estado, com uma grande percentagem de eleitores rurais, pouco instruidos e blue collar workers, não favorecem Obama, cuja administração também tão tem sido muito amigável para com a indústria do carvão, uma das principais actividades da West Virginia. Assim, em 2012, o ticket Obama não escapará a uma pesada derrota no Mountain State.

2) No Indiana, houve também lugar a eleições primárias para o Senado. E, aqui, registou-se um resultado importante, com a derrota do histórico senador republicano, Richard Lugar, frente ao challenger Richard Mourdock, Secretário do Tesouro do Indiana, e que contou com o apoio dos líderes partidários locais e também dos movimentos Tea Party (incluindo Sarah Palin). Dick Lugar, que conta já com 80 anos de idade, estava no Senado desde 1977, e é um dos mais respeitados senadores do GOP. Apesar de não ser propriamente um dos membros mais moderados da câmara alta do Congresso, Lugar mostrou várias vezes ser capaz de se entender com os democratas e de chegar a acordos bipartidários. Contudo, foi incapaz de responder a uma tenaz e bem montada campanha do seu opositor e tornou-se, ontem, no primeiro senador em exercício a perder a nomeação pelo seu partido.

3) Nos boletins de voto da Carolina do Norte constava uma proposta de emenda à Constituição do estado, em jeito de referendo, que pretendia definir o casamento como uma união entre um homem e uma mulher, ou, por outras palavras, banir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Como se esperava, num Estado ainda tendencialmente conservador, a emenda foi aprovada e a Carolina do Norte tornou-se no 29º Estado norte-americano a conter na sua Constituição uma provisão que proíbe o casamento homossexual.
Ora, o tema tem dado que falar nos Estados Unidos, em especial a posição algo dúbia de Barack Obama em relação a este assunto. Apesar de nos Estados Unidos o número de apoiantes do casamento entre pessoas do mesmo sexo estar em clara ascensão, existe ainda uma grande oposição a esse conceito em vários dos Estados decisivos nas eleições presidenciais (como, por exemplo, a própria Carolina do Norte). Por isso, Barack Obama move-se em terreno movediço em relação a este tema: por um lado, não pode alienar a sua base (a comunidade gay é uma grande apoiante dos democratas), mas por outro, tem de evitar desagradar aos eleitores dos swing states e aos independentes.

Edit: Obama, numa entrevista à ABC News, acabou de se declarar a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cartoon: The President's new best friend

Em 2008, durante a histórica campanha pela nomeação democrata, entre Barack Obama e Hillary Clinton, a relação entre o actual Presidente e Bill Clinton foi bastante tensa, com o 42º ocupante da Casa Branca a referir-se, algumas vezes, em tons pouco abonatórios para o candidato que acabaria por ser o nomeado do Partido Democrata. Contudo, quatro anos depois, tudo mudou e Bill Clinton é um dos principais apoiantes de Obama, marcando presença em vários eventos de apoio e de angariação de fundos da campanha. Por isso, este cartoon não podia ser mais certeiro e divertido.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Six months to go; too close to call

Quando faltam exactamente seis meses para a tão esperada noite eleitoral que decidirá quem ocupará a Casa Branca entre Janeiro de 2013 e 2017, a corrida entre Barack Obama e Mitt Romney dá sinais de estar a aquecer. Hoje mesmo, David Axelrod, um dos principais conselheiros do Presidente anunciou que a campanha democrata irá investir 25 milhões de dólares em anúncios nos swing-states. Para já, a publicidade utilizada será positiva, realçando os feitos da administração  Obama ao nível da economia, ao mesmo tempo que se lembra aos americanos a pesada herança recebida de George W. Bush.

Com esta imponente investida, a campanha de Obama pretende garantir desde já uma vantagem importante nos mais decisivos Estados em eleições presidenciais. Curiosamente, saíram hoje duas sondagens realizadas nos swing-states que demonstram que a corrida pela Casa Branca está renhida. Uma, do Politico, coloca Romney com uma pequena vantagem (48%-47%) sobre Obama, enquanto outra, da autoria da NBC, dá vantagem ao democrata (47%-45%).  Em ambas, a diferença entre os dois candidatos está perfeitamente dentro da margem de erro. Assim, os números demonstram que, a meio ano das eleições, é ainda cedo demais para antecipar um vencedor.