quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Obama não se resigna e vai à luta

Barack Obama esteve ontem no Congresso dos Estados Unidos para o seu quinto discurso do Estado da Nação, um momento sempre marcante numa Presidência mas que, nas últimas décadas, tem vindo perder relevância política, à medida que se transforma cada vez mais num espectáculo mediático. 
Em ano eleitoral, esperava-se que o Presidente tentasse marcar pontos políticos que permitissem ganhos eleitorais aos democratas. Contudo, foi um Obama mais preocupado com policys do que com politics aquele que surgiu ontem na Câmara dos Representantes. Não houve muitos crowd pleasers para a base liberal do Partido Democrata, mas o Presidente tocou em alguns temas queridos para os democratas e fez da igualdade porventura o principal destaque deste discurso.
Este State of the Union pode ser dividido em duas partes. Em primeiro lugar, Obama defendeu o seu historial na Casa Branca. Como não podia deixar de ser, apresentou uma forte defesa da reforma da saúde e desafiou os republicanos a apresentarem alternativas, num momento muito aplaudido pela ala democrata. Num tom sempre muito optimista, apontou para a recuperação económica dos Estados Unidos durante a sua Presidência, nomeadamente ao nível do emprego, da produção industrial e do mercado imobiliário.
Depois de defender o que já fez, Barack Obama partiu para o que pretende fazer. Anunciou o aumento do salário mínimo para os trabalhadores federais através de uma acção executiva presidencial e exortou o Congresso a aprovar legislação que alargue este aumento a todos os trabalhadores. Com este gesto, Obama quis mostrar que não se resignará perante a paralisia do Congresso dividido e que está disposto a usar o seu poder executivo para fazer avançar a sua agenda mesmo sem o apoio do órgão legislativo. O líder norte-americano também se referiu àquele que deverá ser o seu próximo objectivo legislativo: a reforma da imigração. Sem ser demasiado agressivo (Obama não quer antagonizar os republicanos que parecem estar agora dispostos a avançar neste tema), o Presidente foi claro ao insistir na necessidade desta reforma que poderá legalizar a situação de milhões de imigrantes ilegais.
O discurso de ontem, que durou pouco mais de uma hora, está a ser genericamente bem recebido, ainda que não deva representar um game changer que permita a Obama melhorar substancialmente os seus números de aprovação nas sondagens, que, nos últimos meses, andam insistentemente em terreno negativo. Todavia, o State of the Union serviu pelo menos para se perceber que Barack Obama não desiste da luta e não tenciona remeter-se à irrelevância à medida que o seu último mandato na Casa Branca se aproxima do fim.

Nota: Como acontece sempre em todos os discursos do Estado da Nação, um dos membros do Cabinet  do Presidente é escolhido para não marcar presença na cerimónia, precavendo, dessa forma, a linha de sucessão presidencial em caso de atentado terrorista ou catástrofe natural que decapite o governo federal. Curiosamente, desta vez, foi o Secretário da Energia, Ernest Moniz, o eleito. Como Moniz é filho de açorianos, podemos dizer que nunca esteve um luso-descendente tão perto da Presidência dos Estados Unidos como na noite de ontem.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

The Battleground States of America

Como mais vale tarde do que nunca, deixo aqui o link para acesso à minha dissertação de mestrado, intitulada The Battleground States of America - Onde se decidem as eleições presidenciais norte-americanas, apresentada à Universidade Fernando Pessoa, em Novembro de 2012 e classificada com 18 valores. Como o próprio nome indica, este trabalho define e caracteriza os Estados que, entre os 50 que compôem a nação norte-americana, decidem o vencedor das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Happy Birthday, Máquina Política

O Máquina Política comemora hoje o seu quarto aniversário. 686 posts depois, o blogue continua vivo e de boa saúde, ainda que a actualização tenha sido, no último ano, menos regular do que era normal. Contudo, o tempo é pouco e, além disso, o ano seguinte ao de umas eleições presidenciais é, por norma, um período com menos "sumo" no que diz respeito à política norte-americana. Como em 2014 têm lugar eleições intercalares, tentarei aumentar o ritmo de escrita, cobrindo ao máximo tudo o que de mais importante se passar do outro lado do Atlântico. Seja como for, hoje é dia de festa. Por isso, parabéns, Máquina Política!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As duras tarefas de Obama em 2014

Já começa a dar que falar a eleição presidencial de 2016, momento em que os norte-americanos escolherão o sucessor da Barack Obama à frente dos destinos dos Estados Unidos. Contudo, quase três anos nos separam desse marcante acontecimento e o actual ocupante da Casa Branca tem ainda mais de metade do seu mandato pela frente. Ora, a segunda metade do último mandato de um Presidente é normalmente caracterizada por uma perda de influência e de capacidade interventiva do Chefe de Estado que se torna um Lame Duck. Para Obama, este é um problema ainda maior, dado que o primeiro ano deste seu segundo mandato, o período em que teria, em teoria, mais margem para conseguir realizações importantes, foi marcado pela polémica em torno da implementação do programa que ficou conhecido como Obamacare, que ofuscou todos os outros temas e manchou de tal modo a sua imagem que impediu Obama de perseguir outros objectivos.
Agora, Barack Obama tenta recuperar o domínio da narrativa política, de forma a recuperar a opinião pública a tempo de alcançar ainda vitórias que marquem a sua passagem pela Casa Branca, com natural destaque para uma muito aguardada reforma da imigração. O discurso do Estado da Nação, marcado para daqui a duas semanas, é a oportunidade ideal para o fazer. Contudo, um discurso eficiente perante o Congresso não chegará para colocar Obama de novo nas boas graças da opinião pública. Com a reforma do sistema de saúde no centro das atenções, os democratas se podem dar ao luxo de ignorar o tópico. Assim, Obama e os membros do seu partido começam agora a fazer um novo pressing, tentando "vender" a sua mais importante vitória legislativa aos norte-americanos. Para serem bem sucedidos, é essencial que os problemas com o site do Obamacare sejam totalmente resolvidos, pois só assim poderão acalmar as críticas ao programa.
Finalmente, e mesmo que tudo isto seja alcançado por Barack Obama, chegará o mais decisivo dos objectivos para este ano: as eleições intercalares. Apesar de o Presidente não ir a votos nas eleições de Novembro, a verdade é que os seus dois últimos anos enquanto Presidente muito dependerão dos resultados desse momento eleitoral, já que uma vitória republicana em toda a linha, que significasse uma maioria nas duas câmaras do Congresso, teria um efeito devastador para o Presidente.Se, neste momento, quando ainda não é um Lame Duck e ainda conta com uma maioria democrata no Senado, Obama já sente enormes dificuldades em fazer avançar as suas iniciativas legislativas, então, no período final da sua estadia Casa Branca, com o GOP a controlar o Congresso, seria um Presidente isolado e totalmente paralisado.
Por isso, Obama e o Partido Democrata sabem que têm de se agarrar com unhas e dentes ao controlo do Senado, já que a recuperação da maioria na Câmara dos Representantes é algo muito difícil de ser conseguido. Acontece que o cenário é muito complicado para os democratas, que contam com 21 assentos  na câmara alta em jogo, contra apenas 14 do lado republicano. Além disso, muitos dos lugares democratas em jogo estão em perigo de trocarem de mãos, enquanto que os do GOP estão, maioritariamente, mais seguros na coluna vermelha. Desta forma, os democratas terão de jogar principalmente à defesa, defendendo a sua maioria de 55 senadores, sendo certo que perderão pelo menos alguns deles.
Assim sendo, em 2014, Barack Obama terá, simultaneamente, de conseguir voltar a controlar a narrativa política, recuperar a sua popularidade (e do "seu" Obamacare) aos olhos dos eleitores, tentar alguma vitória legislativa e evitar uma derrota eleitoral, empenhando-se no trilho da campanha (onde a sua presença for benéfica, claro) e na angariação de fundos em prol dos candidatos democratas. Será, certamente, um ano duro e trabalhoso para Obama. Falta saber se será também um ano bem sucedido.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O primeiro "gate" de Chris Christie

Até ontem, Chris Christie era um dos políticos mais populares dos Estados Unidos. Reeleito no ano passado com um resultado avassalador, o Governador republicano do Estado de New Jersey era visto como o principal candidato do GOP a conseguir a noemação presidencial em 2016.
Contudo, no dia de ontem, a sua imagem pública foi profundamente abalada por um escândalo que representa o seu primeiro grande contratempo como figura política de relevo. A revelação de uma troca de emails em que um assessor próximo de Christie parece ordenar o fecho de algumas faixas de tráfego numa ponte que serve de importante meio de acesso à cidade de Fort Lee, em New Jersey, reacendeu críticas antigas, ainda que, até agora, pouco fundamentadas, dos democratas do Estado, que acusam o Governador de castigar com longas filas de trânsito as cidades de New Jersey cujos Mayors não apoiaram a sua reeleição.
Nos emails, a Deputy Chief of Staff de Christie, Bridget Kelly, diz a um agente da Polícia Portuária de New Jersey que "é altura para alguns problemas de trânsito em Forte Lee", ao que o oficial responde "entendido". E de, facto, no mês seguinte, os acessos à ponte George Washington foram condicionados por duas vezes. Nesta altura, estava-se nas vésperas das eleições para o Governo Estadual de New Jersey e Chris Christie batia-se por conseguir o maior apoio possível no seio do Partido Democrata. Curiosamente, ou não, o Mayor de Fort Lee, um democrata, não se mostrou disponível para apoiar o Governador em exercício.
A reacção a este caso, já conhecido como bridgegate, está a ser muito prejudicial para Chris Christie e tornou-se ainda mais negativa quando os serviços de emergência médica revelaram que o trânsito caótico gerado pelo encerramento de diversas faixas de rodagem levou ao atraso na resposta a quatro casos de emergência, sendo que em um dos casos a vítima, com 91 anos de idade, acabaria por falecer.
O Governador de New Jersey foi lesto a vir a público condenar as acções do membro do seu staff, ao mesmo tempo que garantiu que tudo foi feito sem o seu conhecimento. Ainda assim, as críticas não desceram de tom e à medida que se vão conhecendo pormenores, é possível que a situação de Christie piore. Nesta fase, ainda é cedo para antever qual o nível dos dados que este gate irá infligir à imagem do republicano mais popular dos Estados Unidos. Seja como for, dificilmente será este contratempo a impedir as ambições presidenciais de Chris Christie. Como bem sabemos, muitos foram os políticas que, após estarem envolvidos em escândalos (vide Bill Clinton ou mesmo Barack Obama), conseguiram chegar, ainda assim, à Casa Branca.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Merry Christmas!

O Máquina Política deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Por dentro da campanha de Romney

Foi recentemente divulgado o trailer de apresentação do documentário da Netflix sobre a (inglória) campanha de Mitt Romney à Casa Branca, em 2012. Apesar de apenas ir para o ar a 24 de Janeiro do próximo ano, este sneak peak deixa água na boca para o que aí vem. Provalvemente, e como o documentário obteve beneplácito do candidato republicano à presidência, não serão revelados novos dados sobre a campanha do ano passado, mas, a julgar pelo trailer, é bem possível que o este documentário traga uma nova luz sobre Romney, mostrando o seu lado mais humano e pessoal, uma faceta que não conseguiu partilhar na sua corrida à Casa Branca. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

A economia recupera, mas os americanos andam zangados

A popularidade do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anda pelas ruas da amargura. Segundo a última sondagem da Gallup, 49% dos norte-americanos não estão contentes com o trabalho do seu Chefe de Estado, ao invés dos apenas 42% que aprovam a prestação de Obama na Casa Branca. 
A insatisfação com o trabalho do Presidente é ainda acompanhada de uma percepção generalizada por parte do público de que a situação do país está a piorar e não a melhorar. De facto, de acordo com os dados fornecidos pela Rasmussen, 65% dos norte-americanos considera que a direcção seguida pelos Estados Unidos é errada, com apenas 28% a achar o contrário.
Curiosamente, o agravamento da percepção negativa por parte do público norte-americano em relação ao trabalho de Obama e ao rumo do seu país, surge numa altura em que a economia dos Estados Unidos dá sinais de uma franca recuperação, em claro contra-ciclo com outras regiões do mundo, sendo a Europa o exemplo mais flagrante. Em Novembro, o desemprego atingiu o valor mais baixo dos últimos cinco anos, estando agora nos 7% e os níveis de emprego nos EUA aproximam-se dos valores "normais" do período anterior à grande crise de 2008.
A confirmar-se esta tendência até ao final de 2016, então Barack Obama poderá até ter um grande argumento para utilizar como ponto-chave do seu mandato: a recuperação económica. Na verdade, o 44º Presidente dos Estados Unidos chegou à Casa Branca no olho do furacão que representou a crise económica e financeira de 2008. Contudo, e apesar do aumento do desemprego na primeira metade do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi capaz de evitar uma recessão como a que se verificou na Europa, salvou a indústria automóvel (um dos pilares da economia norte-americana), reformou (ainda que timidamente) a regulação financeira de Wall Street e lançou um programa de estímulos federais que, além de impedir níveis de desemprego ainda mais elevados, serviu de âncora para uma lenta mas notória recuperação económica. 
Contudo, e apesar de ter realizado todos estes feitos, Barack Obama não recebeu por eles todo o mérito que lhe era devido e, pior ainda, merece, actualmente, índices de popularidade francamente negativos. É difícil explicar as razões que levam os norte-americanos a entender que a situação do país está a piorar, quando todos os indicadores apontam o contrário. Talvez a polémica em torno da implementação da impopular reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos explique parte da insatisfação do público, mas certamente não o explica na sua totalidade. Assim, estou mais inclinado a considerar que é o actual clima de polarização política em Washington a estar na base do negativismo do público. 
Actualmente, democratas e republicanos mostram-se incapazes de se entenderem no que quer que seja e o país parece ingovernável. Como se vê pelos números das sondagens (Obama tem valores negativos e o índice de aprovação do Congresso ronda os 12%!), os norte-americanos não estão contentes com os políticos e não vêem uma luz ao fundo do túnel para a resolução do impasse na capital federal. Por isso, aos olhos do público, a recuperação económica acontece apesar dos políticos e não por causa dos políticos. E, assim sendo, Obama (que também tem a sua quota-parte de responsabilidades na polarização política actual) "leva por tabela" e vê a sua popularidade prejudicada.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Obama homenageia Mandela e cumprimenta Castro

Como grande parte dos líderes mundiais, Barack Obama esteve presente na sentida homenagem a Nelson Mandela. Sendo o primeiro presidente dos Estados Unidos descendente de africanos, Obama é muito querido nesse continente e o seu discurso em Pretoria foi calorosamente recebido pelos milhares de sul-africanos presentes no estádio Soccer City. O discurso de Obama foi emotivo e, como não podia deixar de ser, muito elogioso para Madiba, a quem comparou a outras grandes figuras como Ghandi, Martin Luther King e Abraham Lincoln. Aliás, o Presidente norte-americano classificou mesmo o antigo Presidente sul-africano como o último grande libertador do século XX. 
A presença de Barack Obama na homenagem ao lendário Nelson Mandela ficou também marcada pelo seu cumprimento ao líder cubano, Raul Castro, um momento especialmente importante ou não estivessem as nações cubana e norte-americana desavindas há mais de 50 anos. É difícil perceber se o gesto teve algum significado especial ou se o líder norte-americano apenas evitou um incidente protocolar, mas é certo que os assistentes de Obama saberiam de antemão quem estaria no caminho do Presidente entre o seu lugar e o pódio e teriam, por isso, formas de evitar tal encontro se o desejassem. É, por isso, possível especular que Obama tenha cumprimentado o irmão de Fidel por livre e espontânea vontade, um gesto que, convenhamos, encaixa que nem uma luva no espírito de conciliação advogado por Mandela (e que foi também seguido pelas suas duas mulheres, que, também na cerimónia, deixaram para trás guerras antigas, e se cumprimentaram carinhosamente).
Contudo, o aperto de mãos entre Obama e Castro pode trazer consequências políticas para o Presidente dos Estados Unidos no seu próprio país. Parte dos norte-americanos vêem com maus olhos a deferência dos seus Presidentes perante líderes estrangeiros (por exemplo, Obama foi muito criticado por alguns republicanos por ter cumprimentado Hugo Chavez e por ter feito uma vénia ao Rei Abdullah da Arábia Saudita). Ainda durante o dia de ontem, o senador republicano John McCain comparou mesmo o aperto de mãos de Obama e Castro ao cumprimento entre Neville Chamberlain e Adolf Hilter, em 1938. 
Seja como for, o cumprimento entre Obama e Castro no homenagem a Mandela só terá um verdadeiro significado se for acompanhado de uma mudança na política dos Estados Unidos em relação a Cuba. Apesar de, no seu discurso de ontem, Obama ter lançado algumas farpas aos líderes mundiais que homenageavam o libertador Nelson Mandela ao mesmo tempo que reprimiam o seu povo, também falou na necessidade de confiança, perdão e reconciliação na relação entre os povos. Recentemente, Obama alcançou um acordo com o Irão, um histórico inimigo dos Estados Unidos, em relação ao programa nuclear deste país do Médio Oriente. Por isso, é possível que Obama se esteja a preparar para, na parte final do seu mandato, se concentrar no plano externo, procurando alcançar acordos com tradicionais adversários norte-americanos, como Cuba. Esse modus operandi, utilizado, no passado, por outros presidentes norte-americanos (veja-se Clinton e o acordo israelo-palestiniano), teria o condão de garantir um legado importante e duradouro. 
Se a apaziguação entre os Estados Unidos e Cuba for mesmo um objectivo de Obama e se um acordo entre os dois países for mesmo possível, então de certeza que Nelson Madela gostaria de saber que, até na sua morte, conseguiu promover a reconciliação entre os povos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ObamaCare, conquista e falhanço

A convite do Germano Almeida, comentei a situação actual da reforma do sistema de saúde norte-americano, mundialmente conhecido como Obamacare. A peça está disponível aqui.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Thanksgiving Day

Comemora-se hoje aquele que é, porventura, o mais tradicional dos feriados norte-americanos, o Thanksgiving Day. Um pouco por todos os Estados Unidos, as famílias reunem-se à mesa para comer o tão característico perú. Em Portugal, o Dia de Acção de Graças tem ainda pouca expressão, mas, com massificação da cultura norte-americana que nos chega através de filmes, séries televisivas e livros, o dia já não passa despercebido. Por isso, Happy Thanksgiving Day!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

50 anos da morte de Kennedy

Assinala-se hoje o 50º aniversário do assassinato do 35º Presidente dos Estados Unidos. A 22 de Novembro de 1963, John Fitzgerald Kennedy foi morto a tiro em plena luz do dia, na cidade de Dallas, no Texas. Esse dia ficou marcado no imaginário de todo o mundo e terá tido o impacto que o 11 de Setembro teria muitos anos depois.
Após a sua morte, o mais novo Presidente norte-americano de sempre tornou-se um ícone mundial e, apesar de não ter estado sequer três anos na Casa Branca, é um dos líderes dos Estados Unidos mais admirados de todos os tempos, tanto interna como externamente. De grande promessa política, JFK tornou-se numa verdadeira lenda. O facto de, 50 anos depois, ainda se discutir o seu assassinato e existirem diversas teorias de conspiração, é prova disso mesmo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O ano horribilis de Obama

Há pouco mais de um ano, quando Barack Obama foi reeleito para a Casa Branca com um resultado relativamente folgado e de uma forma bem mais fácil do que se julgava antes da noite eleitoral, o Presidente dos Estados Unidos parecia estar em velocidade de cruzeiro rumo a um mandato tranquilo e rico em vitórias legislativas.
Contudo, hoje, tudo é diferente e Obama vive um dos seus piores momentos desde que, em 20 de Janeiro de 2009, chegou à Sala Oval. Curiosamente, esse mau momento tem origem naquela que foi, até à data, a sua maior conquista enquanto Presidente. A polémica reforma da saúde norte-americana, que marcou o primeiro mandato de Obama, começa agora a ser implementada, mas com notórios e importantes sobressaltos que minam a imagem do Presidente e da Administração que fizeram da reforma mais conhecida como Obamacare a sua grande bandeira política.
Em primeiro lugar, foram os problemas com o site onde os cidadãos se deveriam inscrever para conseguir os novos seguros de saúde ao abrigo do Obamacare. Informação errónea e contraditória, incapacidade para responder à elevada procura e candidaturas realizadas de forma indevida foram algumas das acusações que foram feitas ao healthcare.gov. A onda de protestos foi de tal ordem que chegou a estar em causa o cargo de Katheleen Sebelius, a Secretária da Saúde e dos Serviços Humanos da Administração Obama. 
Depois, as críticas subiram de tom com a revelação de que alguns norte-americanos não estavam a conseguir manter o seu seguro de saúde, ao contrário da anterior promessa de Obama que havia garantido que qualquer cidadão que gostasse do seu seguro o poderia manter quando aderisse ao Obamacare. Com o momentum negativo a avolumar-se, o Presidente foi obrigado a vir a público para pedir desculpa aos norte-americanos pela verdadeira trapalhada que representou o início da implementação da reforma e prometeu empenhar-se ao máximo para resolver os problemas detectados.
Todavia, o mal estava feito e a reforma da saúde, já polémica e polarizadora, viu a sua imagem ficar ainda mais denegrida aos olhos da opinião pública. Consequentemente, também Obama sentiu na pele os efeitos desta crise e os seus números desceram a pique nas sondagens. Segundo a Gallup, 53% dos norte-americanos desaprovam o trabalho do Presidente, contra os apenas 41% que têm uma opinião favorável. Ora, estes números são, imagine-se, semlhantes aos de George W. Bush na mesma altura do seu mandato.
Obama está, portanto, em muitos maus lençóis e esta crise ameaça paralizar seriamente a Casa Branca e compromete a capacidade política do Presidente. Obviamente, é ainda muito cedo para afirmarmos que o segundo mandato de Barack Obama está comprometido e é ainda mais prematuro caracterizarmos a sua presidência como falhada. Contudo, o 44º Presidente norte-americano precisa urgentemente de reagir e inverter a situação, porque, com os ciclos políticos e eleitorais a serem cada vez mais curtos, o rótulo de lame duck ameaça colar-se a Obama de forma irreversível.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A mini noite eleitoral de 2013

A primeira Terça-feira de Novembro é, nos Estados Unidos, o dia tradicional para a realização de eleições. Apesar de estarmos num ano ímpar, não havendo, por isso, eleições presidenciais e/ou legislativas, decorreram, ontem, três actos eleitorais relevantes para a realidade política nacional norte-americana com os eleitores da Virginia e de New Jersey a escolherem os governos estaduais e os da cidade de New York a deslocarem-se às urnas para indicarem um novo Mayor.
A eleição no Estado da Virginia era, porventura, a corrida mais importante, por ser, à partida, a mais equilibrada e onde os dois partidos iriam apostar forte. Contudo, nas últimas semanas, o candidato democrata, Terry McAuliffe, descolou nas sondagens para uma vantagem confortável sobre o seu adversário, o republicano Ken Cuccinelli. Assim, esperava-se que, na noite eleitoral, McAuliffe alcancasse uma vitória tranquila, com uma margem de vitória na ordem dos dois dígitos. Conhecidos os resultados, verificou-se, porém, uma curtíssima margem de vitória para o candidato democrata, que derrotou Cuccinelli por menos de três pontos percentuais.
Trata-se de um resultado normal para a Vírgina, um Estado muito equilibrado politicamente nos dias de hoje, mas que surpreendeu por ir contra o momentum democrata que as sondagens vinham mostrando. Terry McAuliffe cedo ganhou vantagem devido à grande superioridade financeira com que contava (e que se acentuou pela posterior desistência do GOP nacional face aos maus resultados de Cuccinelli nas sondagens) e pelos danos que o shutdown casou à candidatura republicana. Mas, nos últimos dias, Ken Cuccinelli conseguiu recuperar algum terreno perdido, recorrendo ao ataque sistemático à reforma do sistema de saúde conhecido como Obamacare. Num Estado onde a maioria da população se opõe à reforma, o seu discurso colheu frutos e terá impedido McAuliffe de vencer por um landslide. Não obstante a curta margem de vitória, o triunfo democrata neste Estado mostra, uma vez mais, que a Virginia está, cada vez mais, a fugir do controlo republicano.
Em New Jersey não houve surpresas e o Governador Chris Christie venceu folgadamente com 60% dos votos. O resultado desta corrida era previsível e a candidata democrata, a senadora estadual Barbara Buono, nunca teve reais hipóteses de vitória, já que o Partido Democrata nunca mostrou ter intenção de disputar a eleição no Garden State. Com este triunfo, Christie passa a ser um dos principais (se não o principal) favoritos à nomeação presidencial republicana em 2016. A confirmar-se esse cenário, Chris Christie nem deverá cumprir na totalidade o mandato para o qual foi eleito na noite de ontem pela maioria dos seus constituintes.
Do outro lado do rio Hudson, em New York City, o candidato democrata, Bill de Blasio, derrotou o republicano Joe Lhota por números esclarecedores: 73,3% contra 24,,3% dos votos. Com este resultado, os democratas voltam a controlar a City Hall de New York, algo que não acontecia há 20 anos. Depois do republicano Rudy Giuliani e do independente Michael Bloomberg, ambos com uma estreita ligação ao mundo dos negócios, os cidadãos da Big Apple decidiram mudar de rumo e escolheram o perfeito desconhecido de Blasio para comandar os destinos da cidade. Com uma agenda muito liberal e progressista, o democrata terá uma árdua tarefa pela frente, já que terá de continuar o bom trabalho dos seus antecessores, no que diz respeito ao combate ao crime e à melhoria das condições de vida, ao mesmo tempo que baixa o custo de vida na cidade, tema que marcou a campanha eleitoral.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A inevitabilidade de Hillary Clinton

Estamos ainda a três anos das próximas eleições presidenciais norte-americanas, que terão lugar no dia 8 de Novembro de 2016. Contudo, parece que os ciclos eleitorais começam cada vez mais cedo e a sucessão de Barack Obama já dá que falar, independentemente da grande distância a que nos encontramos da eleição que se adivinha muito interessante.
Inevitavelmente, o primeiro nome que vem à baila quando se discutem as eleições de 2016 é o de Hillary Clinton. Hoje, a antiga Primeira-Dama, Senadora e Secretária de Estado é, sem margem para dúvidas, a preferida entre os democratas para concorrer à Casa Branca. E é fácil de perceber porquê: com uma capacidade financeira invejável, Hillary tem um currículo que fala por si e não há ninguém, em qualquer dos lados (nem Joe Biden), com tão vasta experiência política. Com um reconhecimento nacional praticamente nos 100% e com a sua popularidade em máximos de sempre, a esposa de Bill Clinton é a clara favorita para conseguir a nomeação democrata.
Cientes de que Hillary é a sua melhor candidata para manterem a Casa Branca, os democratas têm feito um forte lobby para assegurar que a antiga Senadora de Nova Iorque entra mesmo na corrida. Senão vejamos: muitas figuras de peso do partido têm clamado por Hillary Clinton (Charles Schumer foi a última voz a levantar-se a seu favor); existe até uma petição a pedir a sua candidatura presidencial e, na semana passada, soube-se de uma carta secreta em que as senadoras democratas terão alegadamente encorajado Hillary a concorrer.
Apesar do actual tom consensual à volta de Hillary Clinton, é preciso não esquecer que, num passado não muito distante, a ex-Primeira-Dama era uma das figuras mais polarizantes da política norte-americana. Mesmo durante as primárias de 2008, Hillary, apesar de favorita, tinha um elevado índice de opiniões negativas sobre si. Só mais tarde, com a sua actuação na liderança da diplomacia dos Estados Unidos, é que a sua imagem se suavizou e alcançou números bem mais positivos. Ainda assim, é previsível que, quando (e se) entrar na corrida, o regresso à política partidária e os ataques da campanha terão efeitos negativos na sua imagem. Além disso, o estado de saúde da antiga Secretária de Estado levanta algumas preocupações, o que, aliado à sua idade (terá 69 anos em 2016), pode prejudicar as suas hipóteses numa longa e desgastante campanha. Finalmente, pode ainda sofrer o problema de carregar o nome Clinton, o que, não obstante a popularidade do seu marido, pode levar os eleitores norte-americanos a temerem uma nova dinastia política, depois das poucas saudades que deixaram os dois presidentes da família Bush.
Mas, pesados os prós e os contras, Hillary Clinton tem nas próximas eleições uma excelente oportunidade para se tornar a primeira Presidente dos Estados Unidos. E, ao que tudo indica, irá mesmo tentar chegar à Casa Branca, a julgar pela sua marcada presença no circuito de palestras norte-americano, onde vai ensaiando a mensagem a utilizar numa eventual campanha. A confirmar-se a sua candidatura, a vitória de Hillary é possível e até provável. Todavia, é melhor não afirmarmos que é inevitável, porque já se sabe como isso resultou em 2008.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A divisão republicana ilustrada

Com a divisão que reina actualmente no seio do Partido Republicano em destaque após o acordo para o fim do shutdown, o New York Times criou um gráfico/mapa interactivo que ilustra as diferentes facções do GOP, de acordo com o sentido de voto dos congressistas republicanos no que diz respeito à proposta que resolveu, por enquanto, o impasse em Washington. A consulta deste gráfico, ajuda, e muito, a tomarmos consciência da realidade actual dos dois partidos norte-americanos: de um lado, os democratas, unidos e a votar como um bloco praticamente inexpugnável, e, do outro, os republicanos, divididos pela discórdia das suas várias facções.

sábado, 19 de outubro de 2013

Que futuro para o GOP depois do shutdown?

Na passada Quarta-feira, democratas e republicanos chegaram finalmente a um entendimento que levou ao fim do shutdown e trouxe a normalidade de volta a Washington e aos Estados Unidos. O acordo foi originalmente anunciado pelos líderes do Senado, o democrata Harry Reid e o republicano Mitch McConnell e, mais tarde, o Senado votava esmagadoramente a favor do acordo para retomar o financiamento do governo federal, com apenas 18 senadores (todos republicanos) a votarem contra o fim do shutdown. De seguida, também a Câmara dos Representantes aprovou o acordo, com os votos favoráveis de todos os democratas e 87 republicanos (144 congressistas do GOP votaram contra).
16 dias depois, chegou ao fim, pelo menos por agora, um longo e desgastante impasse que provocou grandes tumultos políticos e económicos na nação norte-americana. Contudo, o acordo agora alcançado não resolve o problema do orçamento federal, limitando-se a adiar o debate para daqui a cerca de três meses. Nessa altura, democratas e republicanos terão de chegar a um novo entendimento para que o o governo continue a funcionar.
Ainda assim, um novo shutdown deverá estar fora da mesa, já que os republicanos não quererão repetir a receita que, desta vez, lhes trouxe tantos dissabores. De facto, este frente-a-frente foi altamente prejudicial para o Partido Republicano, que saiu da crise como o grande derrotado. Considerados pela opinião pública como os principais responsáveis pelo shutdown e sem terem conseguido ganhar nada com a sua tomada de posição, os republicanos estão agora numa posição muito fragilizada e terão de correr atrás do prejuízo causado pela sua actuação ao longo da crise que agora termina.
Em sentido inverso, os democratas e Barack Obama em particular estão a ser caracterizados como os vencedores do despique. É um facto que conseguiram obrigar os republicanos a ceder sem "entregar" nada ao outro lado. Todavia, não é totalmente claro que o Presidente dos Estados Unidos tenha ganho alguma coisa com esta sua vitória. Isto porque é bem possível que, após esta derrota, os republicanos se tornem ainda mais intransigentes e ainda menos dispostos a negociar com Obama e com os democratas. E isso pode inviabilizar quaisquer novas conquistas legislativas da Casa Branca durante este segundo e último mandato de Barack Obama. A reforma da imigração, cuja aprovação no Congresso parecia, há uns meses atrás, parecia praticamente inevitável, pode ser a grande prejudicada e arrisca-se a ficar na "gaveta".
Contudo, a estratégia a seguir pelos republicanos é ainda um pouco dúbia e deverá depender do resultado da batalha interna pelo controlo do partido que se trava actualmente no seio do GOP. De um lado, os republicanos mais radicais, liderados pelos políticos mais próximos do Tea Party e, do outro, os membros do GOP mais moderados. No Congresso, essa disputa tem sido vencida pelos mais radicais e a liderança republicana, constituída principalmente por políticos mais próximos do centro, tem tido enorme dificuldade em controlar as suas bancadas, hoje em dia sob grande influência dos Tea Party. 
Ora, a posição demasiado intransigente dos republicanos do Congresso tem levado à contínua degradação da imagem do partido a nível nacional. As últimas sondagens colocam os a aprovação do trabalho dos congressistas republicanos por parte dos eleitores nos níveis mais baixo de sempre e mostram os democratas a fugir nas intenções de voto para as eleições intercalares de 2014. Assim sendo, e apesar de faltar ainda mais de um ano para este momento eleitoral, tudo aponta para que os republicanos não tenham um 2014 tão positivo como esperariam.
Em suma, o GOP atravessa, hoje, um mau momento, com o extremismo da ala mais conservadora e a impopularidade dos seus membros do Congresso a arrastarem o partido para o fundo. Assim, e com as presidenciais de 2016 cada vez mais perto, aquilo que os republicanos precisam desesperadamente a precisar é de encontrar um líder moderado, que não tenha sido "tocado" pelos vícios de Washington e que tenha experiência de governação. Neste momento, quem encaixa que nem uma luva nesta descrição é, claro está, Chris Christie.

domingo, 13 de outubro de 2013

Os republicanos em maus lençóis

Como se esperava, as consequências políticas do shutdown estão a ser muito negativas para o Partido Republicano e as sondagens mostram que a maioria dos americanos culpa principalmente os republicanos pelo impasse em Washington que levou ao encerramento parcial do governo federal norte-americano. Esta semana, uma sondagem para o Wall Street Journal e para a NBC News revelou que 53% dos norte-americanos atribuiem as culpas do shutdown ao GOP, enquanto que apenas 31% assacam as principais responsabilidades desta crise política ao Presidente Barack Obama.
Ora, a um ano das eleições intercalares, este percepção pública sobre a responsabilidade pelo shutdown poderá ter importantes consequências eleitorais para o Partido Republicano. Tradicionalmente, o GOP é mais forte em eleições intercalares do que em anos de eleições presidenciais, beneficiando da maior abstenção entre grupos eleitorais tendencialmente democratas, como os jovens ou as minorias, em eleições que não contam com o mediatismo das eleições em que se escolhe o ocupante da Casa Branca.
Contudo, os estudos de opinião mostram agora um rápido crescimento das intenções de voto para os democratas nas eleições para o Congresso. Uma sondagem da Greenberg Quinlan Rosner Research (com ligações aos democratas) indicou uma vantagem democrata que já atingiu os dois dígitos. De acordo com esta sondagem, 46% dos eleitores tencionam votar num candidato democrata e 36% preparam-se para votar num republicano para o Congresso.
É certo que falta ainda muito tempo para as eleições intercalares (terão lugar em Novembro de 2014), mas estas são péssimas notícias para os republicanos que tinham como principal objectivo político a breve prazo recuperar a maioria no Senado. Todavia, a manter-se este cenário, não só não conseguirão alcançar esse objectivo, como se arriscam a perder o controlo da Câmara dos Representantes para os democratas, algo que, há poucas semanas, parecia praticamente impossível. 
Os alarmes deverão estar a soar entre a liderança do GOP e os republicanos mais moderados. Porém, estes terão uma árdua tarefa pela frente para resgatar o partido, que se encontra actualmente refém dos sectores mais radicais e que, apesar de serem uma minoria, têm um grande poder político. Contudo, para controlar os danos, é obrigatório que o partido se desvie da retórica mais extremista e belicosa e regresse à sua mensagem tradicional que tão bons resultados lhe costuma trazer em eleições intercalares. Caso contrário, o GOP arrisca-se a sofrer uma derrota estrondosa no próximo ano.