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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A mini noite eleitoral de 2013

A primeira Terça-feira de Novembro é, nos Estados Unidos, o dia tradicional para a realização de eleições. Apesar de estarmos num ano ímpar, não havendo, por isso, eleições presidenciais e/ou legislativas, decorreram, ontem, três actos eleitorais relevantes para a realidade política nacional norte-americana com os eleitores da Virginia e de New Jersey a escolherem os governos estaduais e os da cidade de New York a deslocarem-se às urnas para indicarem um novo Mayor.
A eleição no Estado da Virginia era, porventura, a corrida mais importante, por ser, à partida, a mais equilibrada e onde os dois partidos iriam apostar forte. Contudo, nas últimas semanas, o candidato democrata, Terry McAuliffe, descolou nas sondagens para uma vantagem confortável sobre o seu adversário, o republicano Ken Cuccinelli. Assim, esperava-se que, na noite eleitoral, McAuliffe alcancasse uma vitória tranquila, com uma margem de vitória na ordem dos dois dígitos. Conhecidos os resultados, verificou-se, porém, uma curtíssima margem de vitória para o candidato democrata, que derrotou Cuccinelli por menos de três pontos percentuais.
Trata-se de um resultado normal para a Vírgina, um Estado muito equilibrado politicamente nos dias de hoje, mas que surpreendeu por ir contra o momentum democrata que as sondagens vinham mostrando. Terry McAuliffe cedo ganhou vantagem devido à grande superioridade financeira com que contava (e que se acentuou pela posterior desistência do GOP nacional face aos maus resultados de Cuccinelli nas sondagens) e pelos danos que o shutdown casou à candidatura republicana. Mas, nos últimos dias, Ken Cuccinelli conseguiu recuperar algum terreno perdido, recorrendo ao ataque sistemático à reforma do sistema de saúde conhecido como Obamacare. Num Estado onde a maioria da população se opõe à reforma, o seu discurso colheu frutos e terá impedido McAuliffe de vencer por um landslide. Não obstante a curta margem de vitória, o triunfo democrata neste Estado mostra, uma vez mais, que a Virginia está, cada vez mais, a fugir do controlo republicano.
Em New Jersey não houve surpresas e o Governador Chris Christie venceu folgadamente com 60% dos votos. O resultado desta corrida era previsível e a candidata democrata, a senadora estadual Barbara Buono, nunca teve reais hipóteses de vitória, já que o Partido Democrata nunca mostrou ter intenção de disputar a eleição no Garden State. Com este triunfo, Christie passa a ser um dos principais (se não o principal) favoritos à nomeação presidencial republicana em 2016. A confirmar-se esse cenário, Chris Christie nem deverá cumprir na totalidade o mandato para o qual foi eleito na noite de ontem pela maioria dos seus constituintes.
Do outro lado do rio Hudson, em New York City, o candidato democrata, Bill de Blasio, derrotou o republicano Joe Lhota por números esclarecedores: 73,3% contra 24,,3% dos votos. Com este resultado, os democratas voltam a controlar a City Hall de New York, algo que não acontecia há 20 anos. Depois do republicano Rudy Giuliani e do independente Michael Bloomberg, ambos com uma estreita ligação ao mundo dos negócios, os cidadãos da Big Apple decidiram mudar de rumo e escolheram o perfeito desconhecido de Blasio para comandar os destinos da cidade. Com uma agenda muito liberal e progressista, o democrata terá uma árdua tarefa pela frente, já que terá de continuar o bom trabalho dos seus antecessores, no que diz respeito ao combate ao crime e à melhoria das condições de vida, ao mesmo tempo que baixa o custo de vida na cidade, tema que marcou a campanha eleitoral.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Battleground Virginia

Durante anos, o Estado da Virginia foi um bastião republicano em eleições presidenciais, já que, entre 1968 e 2004, foi sempre o candidato do GOP a sair vencedor na Virginia. Em 2008, porém, Barack Obama não se coibiu de apostar desde cedo neste Estado do Sul, baseando-se na forte estrutura que montou para disputar a primária local contra Hillary Clinton. Na altura, este investimento democrata na Virginia parecia mais um tiro no escuro do que uma aposta com reais possibilidades de êxito. Todavia, a estratégia da campanha de Obama revelou-se certeira, já que o actual Presidente conquistou mesmo o Estado, batendo John McCain por sete pontos percentuais de diferença.
A forte aposta de Obama na Virginia é apenas uma das razões da vitória democrata em 2008. A parte Nordeste do Estado tem-se tornado, ao longo dos anos, progressivamente mais democrata, em consequência da expansão dos subúrbios de Washngton D.C., repletos de funcionários públicos (um grupo eleitoral tendencialmente mais próximo do Partido Democrata). Além disso, o Estado tem uma importante comunidade afro-americana (que vota, de forma esmagadora, nos democratas), ao mesmo tempo que as comunidades latinas e asiáticas (que tendem a favorecer os candidatos democratas) vão aumentando de dimensão.
Ainda assim, houve quem achasse que a vitória de Obama na Virginia fosse fruto das circunstâncias excepcionais da eleição de 2008, em que a pesada herança de George Bush levou a que Barack Obama tivesse o melhor resultado de sempre de um democrata (em percentagem do voto popular) desde 1968. Contudo, todas as sondagens mais recentes indicam que a Virginia tornou-se, de facto, num battleground state e que será, muito provavelmente, um dos mais disputados "prémios" na campanha presidencial que se aproxima. A sondagem mais recente, da autoria do Washington Post, atribui a liderança a Obama, que consegue 51% das intenções de voto, ficando Mitt Romney com 44%. Assim, tudo indica que a Virginia será um dos mais disputados "prémios" da campanha presidencial que se aproxima, com ambos os candidatos a concentrarem os seus esforços e recursos neste Estado. Nesse ponto, Obama tem a vantagem da proximidade da Virginia em relação à Casa Branca: não é todos os dias que um Presidente tem apenas de atravessar o Rio Potomac para chegar a um swing state.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Virginia comemora a Confederação

O Governador da Virgínia, Bob McDonnell, lançou uma nova polémica no já de si agitado mundo político norte-americano ao anunciar que Abril será o Confederate History Month.
Esta comemoração, que acontece em alguns Estados do Sul, com o objectivo de recordar e honrar a história da Confederação não sucedia no Estado da Virgínia desde 2000, já que os dois últimos governadores, ambos democratas, tinham abandonado essa prática. McDonnel, que fez campanha e venceu identificando-se como um político moderado, recebe agora várias críticas da Esquerda e de associações afro-americanas e de defesas dos direitos civis. Mas, ao mesmo tempo, esta posição pode fortalecer a sua posição junto do eleitorado mais conservador.
Recorde-se que a Confederação consistiu numa aliança de onze Estados do Sul que, à revelia do governo federal de Washington, declarou a sua secessão dos Estados Unidos da América, o que provocou a Guerra Civil Americana (1861-65). Uma das principais razões para essa ruptura foi a questão da escravatura, que opunha os esclavagistas do Sul aos abolicionistas do Norte, liderados por Abraham Lincoln.
A meu ver, esta proclamação do governador do Estado que deu à América e ao mundo figuras como George Washington e Thomas Jefferson não é a mais correcta. Não digo isto porque considere que o passado deva ser escondido ou disfarçado, até porque a história de uma nação não é feita apenas de acontecimentos positivos e dignos de orgulho. E mais: a morte e os sacrifícios de milhares de sulistas durante a Guerra Civil deve ser honrada. Porém, parece-me errado fazer uma comemoração selectiva da história da Confederação como sugere o facto da proclamação de McDonnel, ao contrário da do seu último antecessor que celebrou o Confederate History Month, não fazer nenhuma referência à escravatura, que, como disse Lloyd Garrison, foi o "pecado nacional" americano.