sexta-feira, 30 de abril de 2010

Os portugueses nos EUA

Como se sabe, Portugal é, historicamente, um país de emigração. E, como é natural, os Estados Unidos sempre foram um dos principais destinos dos emigrantes portugueses.
A presença portuguesa em solo norte-americano remonta ao século XVI, quando o navegador João Cabrilho explorou a costa da Califórnia. No século seguinte, um grupo significativo de judeus portugueses instalou-se em Nova Iorque, formando a primeira grande comunidade judaica na América. Mais tarde, no século XVIII, deu-se o início da emigração verdadeiramente expressiva de portugueses para o território americano, que se dedicaram, principalmente, à agricultura e à pesca. Este fluxo era, maioritariamente, oriundo dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Já no século XX, houve dois grandes momentos de emigração portuguesa para os EUA: nos anos que antecederam o isolacionismo decorrente da Grande Depressão, em 1929, e após a erupção do vulcão das Capelinhas, em 1957, quando os EUA mudaram as suas leis em relação à migração oriunda de Portugal, de modo a receber as populações afectadas por essa catástrofe natural.
Calcula-se que entre 1820 e 1978, cerca de 440 mil portugueses tenham migrado para os Estados Unidos. Porém, este fluxo está agora mais estabilizado. Em 2000, segundo os últimos censos americanos, existiam cerca de 1,3 milhões de portugueses espalhados pelos 50 estados americanos, mas com destaque para a Califórnia (330 mil), Massachusetts (280 mil), Rhode Island (91 mil) e New Jersey (72 mil).
A nível político, já se podem encontrar alguns descendentes portugueses com cargos políticos locais e com perspectivas de virem a realizar uma carreira interessante. Além disso, existe o "Portuguese-American Leadership Council of the United States" que é o único lobby político luso-americano a actuar nos EUA de dimensão nacional. No interior do Congresso americano existem o "Portuguese Caucus" e o "Friend of Portugal", dois grupos que associam, na Câmara dos Representantes e no Senado, respectivamente, os políticos que contam com um grande número de luso-americanos entre os seus constituintes.
Esta importante comunidade portuguesa tem, contudo, pouca influência política, visto que a maioria dos cidadãos nacionais ainda não adquiriu a nacionalidade americana e, assim, está impossibilitada de votar e de ter uma participação activa na vida cívica americana. É uma situação que é preciso alterar e que merece já a atenção do governo português e de outras instituições, como a Fundação Luso-Americana e o Instituto Camões.

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