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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O cair do pano

Terminou ontem o período de convenções nacionais, após ter decorrido o último dia da Convenção Democrata, marcada, claro está, pelo discurso de aceitação formal da nomeação presidencial por parte de Barack Obama. Antes do Presidente, porém, várias figuras discursaram, incluíndo alguns pesos-pesados da política norte-americana.
Charlie Christ, o antigo Governador da Florida que era republicano, concorreu em 2010 ao Senado como independente (depois de se ver ultrapassado nas primárias republicanas por Marco Rubio) e, agora, parece muito próximo dos democratas, surgiu no pódio a desempenhar o papel de republicano dissidente que apoia Barack Obama, depois deste ter salvo, segundo Christie, a economia do Estado da Florida. É duvidoso que este endorsement tenha grande influência na corrida pelo sunshine state, que, com os seus 29 votos eleitorais, é fundamental na disputa pela Casa Branca. Contudo, é possível que, em 2014, Charlie Christ volte a concorrer par ao cargo de Governador da Florida, desta vez como democrata.
Quem também parece interessado num novo cargo é John Kerry, que aponta à Secretaria de Estado num eventual segundo mandato de Obama. Já em 2008, o Senador pelo Massachusetts havia sido referenciado para o mais alto cargo da diplomacia norte-americana, tendo sido, contudo, ultrapassado por Hillary Clinton, que já anunciou não desejar cumprir um segundo mandato. O antigo candidato presidencial falou ontem na Convenção, servindo essencialmente para atacar Mitt Romney e o GOP em questões de política externa. Nessa função, saiu-se muito bem e, este ano, ao contrário do que é habitual, serão os democratas a levar vantagem na área da política externa. 
Antes de Obama, e fora do horário nobre, o que não é habitual para candidatos à Vice-Presidência, falou Joe Biden, que, como é seu apanágio, se dirigiu principalmente à classe média e apresentou um discurso mesclado entre a defesa do primeiro mandato de Barack Obama e o ataque ao candidato presidencial republicano. Com a sua conhecida capacidade para se dirigir num tom pessoal e directo ao eleitorado, Biden conseguiu um bom e emotivo desempenho e preparou o ambiente para o discurso seguinte: o de Barack Obama.
Depois dos excelentes discursos que marcaram a Convenção Democrata, em especial os de Michelle Obama e de Bill Clinton, as expectativas eram elevadas para quando fosse a vez de Obama subir ao pódio. Contudo, o Presidente dos Estados Unidos optou por, ao contrário do que fez há quatro anos, não realizar um discurso apaixonado, preferindo uma comunicação mais sóbria, reflectindo, talvez, o peso da responsabilidade do selo presidencial. Apesar de não ter sido um discurso memorável (o vídeo do discurso pode ser visualizado aqui), Obama evitou grandes riscos e cumpriu a sua parte, tentando demonstrar aos americanos que necessita de mais quatro anos na Casa Branca para resolver todos os problemas que herdou da administração republicana anterior.
No final de contas, e apesar de alguns percalços, a Convenção Democrata, foi, globalmente, superior à Convenção Republicana, em grande parte devido aos êxitos de Michelle e Clinton. Contudo, não deverá ser por isso que Obama vencerá a eleição e apenas nos próximos dias saberemos se o ticket democrata consegue ou não uma subida nas sondagens, depois destes dias positivos em Charlotte. Terminadas as convenções, a corrida está definitivamente lançada e entra, agora, na sua fase decisiva. 

Gaby Giffords emociona os democratas

A Convenção Nacional Democrata terminou bem, com vários e importantes discursos, como os de Charlie Christ, John Kerry, Joe Biden e, obviamente, Barack Obama. Contudo, o momento mais emocional da noite coube a Gabrielle Giffords, a congressista do Arizona (desde então retirada) que foi baleada na cabeça no decurso de uma acção política. Ontem, Gaby, como é tratada pelos amigos, subiu ao palco para liderar a Plegde of Alliance e a Time Warner Cable Arena quase veio abaixo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bill Clinton em grande forma

As convenções servem, essencialmente, para que os partidos e as respectivas campanhas presidenciais possam fazer passar aos eleitores americanos a imagem que querem transmitir dos seus candidatos à Casa Branca. E, se no caso de candidatos que concorrem pela primeira vez o principal objectivo é dá-los a conhecer ao grande público, já os Presidentes em exercício, com quem os eleitores estão totalmente familiarizados, têm de demonstrar que o melhor para o país é a sua reeleição. No fundo, trata-se de responder à questão tornada famosa por Ronald Reagan, em 1980, quando concorria contra Jimmy Carter: "are we better of than we were four years ago?"
Até ontem, essa pergunta não havia sido verdadeiramente abordada na Convenção Democrata. As figuras mais ou menos secundárias preocuparam-se principalmente em atacar Mitt Romney, enquanto Michelle Obama serviu para mostrar o lado humano e pessoal de Obama, lembrando aos americanos as razões que os levam a gostar do Presidente a nível pessoal, mesmo que não apreciem as suas políticas. Contudo, Bill Clinton, num discurso muito aguardado, serviu para apresentar o caso a favor do primeiro mandato de Barack Obama. E, como é seu apanágio, o 42º Presidente não desiludiu.
Fugindo muitas vezes ao texto, Clinton falou convictamente, dirigindo-se de forma directa e clara aos eleitores, em especial aos da classe média, explicando as razões que, no seu entender, devem levar os eleitores a permitir a Barack Obama continuar na Sala Oval por mais quatro anos. Um dos melhores momentos do seu discurso foi quando referiu que o argumento republicano era "nós deixamos a Obama o país numa confusão, mas ele ainda não acabou de arrumar a casa, por isso despeçam-no e devolvam-nos o poder". 
Ainda que Bill Clinton não tenha, porventura, atingido o brilhantismo alcançado, na véspera, por Michelle Obama, é indiscutível que o ex-Presidente marcou pontos importantes para a campanha de Obama. No final, Obama subiu ao palco para agradecer e cumprimentar Clinton, mostrando aos democratas e ao país que as querelas antigas (geradas aquando das primárias de 2008) estão definitivamente para trás das costas.   
Hoje, no último dia da Convenção Nacional Democrata, sobem ao palco os dois nomes do ticket presidencial do partido, Barack Obama e Joe Biden. Contudo, como não podia deixar de ser, cabe a Obama o grande destaque. Com os seus conhecidos dotes oratórios, o Presidente aceitará a nomeação presidencial democrata e dirigir-se-à aos americanos. Se Obama tiver tanto sucesso como a sua esposa e como Bill Clinton, então a Convenção Democrata terá sido uma enorme ajuda para as suas hipóteses de reeleição.

Tropeções democratas

A Convenção Nacional Democrata está a ser um grande sucesso e, ontem, o discurso de Bill Clinton foi mais um grande momento para o partido e para Barack Obama. Contudo, e como não há bela sem senão, também tem havido alguns pontos negativos para os democratas neste seu evento em Charlotte. E, ontem, até houve dois.
Primeiro, foi o anúncio da decisão de passar o dia final da Convenção, marcado pelo discurso de Barack Obama, do Bank of America, com capacidade para 65 mil pessoas, para o interior da Time Warner Cable Arena, onde tem decorrido a Convenção Democrata. A razão apresentada pelos responsáveis democratas foi a possibilidade de ocorrência de trovoadas com relâmpagos, o que pode por em causa a segurança do evento. Contudo, os republicanos já sugeriram que a verdadeira causa da mudança dos planos democratas se deve ao facto de estes temerem que ficassem muitos lugares por preencher no estádio, o que daria uma má imagem à campanha de Obama. 
Dado que os democratas tinham já distribuído todos os bilhetes, havendo mesmo uma lista de espera, não deverá ter sido essa a razão, mas a verdade é que a alteração do local do evento é uma dor de cabeça para os democratas, que vêem o grande momento da sua Convenção diminuir drasticamente de dimensão, ao mesmo tempo que têm de lidar com milhares de democratas insatisfeitos por não puderem assistir ao discurso de Obama, apesar de terem bilhete para isso, já que a Time Warner Cable Arena apenas alberga cerca de 15 mil pessoas.
Outro momento menos positivo para os democratas, que chegou mesmo a ser caricato, foi a votação da reintrodução da palavra "Deus" e da definição de Jerusalém como capital do Estado de Israel (os EUA não reconhecem oficialmente a cidade santa como a capital israelita) na plataforma do partido. Apesar de, aparentemente, se terem ouvido votos "não" do que votos "sim" no floor da Convenção quando foram propostas essas alterações, a líder do Democratic National Committee declarou-as aprovadas, tendo-se ouvido, de seguida, alguns apupos. 
A reintrodução de Deus na plataforma democrata é uma pequena desilusão para o grande número de ateus do partido, mas uma medida natural em ano de eleições, num país onde a religião tem um importante peso político (a eleição de um Presidente ateu seria praticamente impossível nos EUA). Já a questão de Jerusalém é mais complexa ou não tocasse num ponto sensível da política externa norte-americana. Tanto George W. Bush como Barack Obama prometeram, em campanha eleitoral, reconhecer Jerusalém como a capital israelita, mas, até ao momento, nada aconteceu. Por isso, estamos na presença de uma forma dos democratas "piscarem o olho" ao eleitorado judaico, tradicionalmente aliado dos democratas, nas vésperas de uma corrida eleitoral que se prevê renhida e onde todos os votos serão importantes.
Estes foram pequenos percalços no segundo dia da Convenção, que, fora isso, está a ser uma grande mais-valia para Obama e os democratas. Mais tarde, falarei sobre o muito aguardado discurso de Bill Clinton, que, ontem, dominou as atenções, assim como o desfecho da Convenção, agendado para hoje, com a aceitação formal da nomeação democrata, por Joe Biden e Barack Obama.