quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A estranha estratégia de Mitt Romney

É agora praticamente consensual (mesmo no seio do Partido Republicano) que Mitt Romney está à frente de uma campanha medíocre, que tem cometido muitos e significativos erros de palmatória na corrida pela Casa Branca. Erros esses que estão a comprometer seriamente as aspirações presidenciais de Romney. As falhas tácticas têm-se repetido a grande ritmo, como a incapacidade da campanha se manter na mensagem centrada na economia (os democratas têm conseguido mudar o assunto em destaque por várias vezes), ou as declarações menos conseguidas do próprio candidato. Contudo, parece-me que o principal problema da campanha republicana é de ordem estratégica.
Mitt Romney foi um Governador republicano num dos Estados mais democratas da União, o Massachusetts. Por isso, sempre pensei que, durante a campanha pela eleição geral, Romney utilizasse esse ponto do seu currículo como argumento fundamental para apresentar o seu caso aos norte-americanos. Numa altura em que os Estados Unidos estão mais polarizados politicamente do que nunca, isso podia ser um ponto forte da sua candidatura, especialmente se fosse sublinhado pela referência ao falhanço total de Barack Obama em reduzir a crispação política em Washignton, que foi, afinal, uma das suas grandes promessas eleitorais, em 2008.
Todavia, as referências ao seu passado como líder do governo estadual do Massachusetts estão praticamente ausentes do discurso de Mitt Romney, que prefere passar uma esponja por cima desse período da sua vida e virar de forma pronunciada à Direita. Provavelmente, Romney teme alienar parte da base republicana, ao lembrar que, em tempos, se assumiu como um republicano moderado, capaz de chegar a acordo com a larga maioria democrata na legislatura estadual do Massachusetts e que implementou mesmo um sistema de saúde no Estado muito semelhante ao agora vilipendiado Obamacare
De facto, é possível que as alas mais à Direita no GOP não ficassem muito agradados com a possibilidade de elegerem um Presidente republicano que governasse ao centro. Porém, se Romney definisse claramente a escolha dos eleitores norte-americanos como uma decisão entre um republicano moderado, que conseguiu ser eleito no liberal Massachusetts, e um democrata liberal, que, no Senado, teve um historial de votos claramente à Esquerda, alargaria, quase de certeza, o número de eleitores que seria capaz de alcançar. Além disso, ao romper definitivamente com o seu passado no Massachusetts, Romney fortaleceu a sua imagem de flip-flopper e de alguém que diz o que for preciso para ser eleito.
É verdade que Romney permaneceu bem ancorado à Direita, depois de umas primárias republicanas em que foi obrigado a manter um discurso mais conservador do que provavelmente gostaria. Muito mérito tem também de ser atribuído à campanha de Obama, que, desde 2011, ciente de que ia ser Romney o nomeado do GOP, conseguiu caracterizar o eventual nomeado republicano como um candidato muito conservador, incrivelmente rico e completamente desfasado da realidade do cidadão norte-americano comum. 
Contudo, parece-me evidente que a campanha de Romney tomou várias decisões erradas e escolheu uma estratégia que, para já, não está a dar frutos e que pode custar a Casa Branca ao Partido Republicano.

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