sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010 em revista

2010 foi um ano histórico, no que diz respeito à política norte-americana. Foram 365 dias repletos de pontos de interesse, emoções, derrotas e vitórias, tanto para democratas como republicanos. Agora, no último dia do ano, é altura de fazermos um pequeno balanço de tudo o que de mais importante se passou no panorama político dos Estados Unidas da América.
Para o Presidente Obama, 2010 ficará na memória como um ano agridoce. No que diz respeito a realizações legislativas, os últimos doze meses foram-lhe muito prolíferos. A reforma do sistema de saúde é um highlight óbvio, mas também a reforma financeira, o fim do "Don't Ask, Don't Tell", a assinatura e ratificação do novo tratado START, a nomeação de Elena Kagan para o Supremo Tribunal, entre várias outras, fazem deste ano um dos mais conseguidos a nível legislativo da história presidencial americana. Contudo, os índices de aprovação do trabalho do Presidente mantiveram-se, durante todo o ano, em terreno negativo, sendo Obama prejudicado pela impopular reforma de saúde que conseguiu que o Congresso aprovasse, pelo clima de conflituosidade partidária que imperou em Washington, pelo desastre ambiental no Golfo no México, mas, principalmente, pela tímida recuperação económica do país.
2010 foi também o ano do renascimento do Partido Republicano. Depois das enormes derrotas sofridas pelo GOP em 2006 e 2008, muitos previram que os republicanos estavam condenados à irrelevância política. Porém, logo no início do ano, a chocante vitória de Scott Brown no Massachusetts, um dos mais liberais Estados americanos, veio provar que esses vaticínios estavam errados. No fim do ano, as eleições intercalares trouxeram uma vitória republicana de grandes proporções: o ganho de mais de 60 assentos na Câmara dos Representantes permitiu a John Boehner substituir Nancy Pelosi como Speaker; no Senado, a conquista de seis lugares pelos republicanos praticamente impede que os democratas consigam alcançar uma maioria à prova de fillibuster em qualquer votação decisiva, obrigando-os a procurar um compromisso com a minoria republicana na câmara alta; por fim, nas eleições para os governos estaduais, o GOP "roubou" importantes Estados aos democratas, como o Ohio, ou a Pennsylvania, o Michigan ou o Iowa, o que mais que compensou a vitória democrata na Califórnia.
Para esta onda vitoriosa do Partido Republicano contribuiu, e muito, a ascensão de um novo movimento sociopolítico  nos Estados Unidos. Recuperando o nome do Tea Party de Boston, há quase 240 atrás, o movimento conservador que nasceu da contestação ao plano de estímulos à economia e à reforma da saúde de Barack Obama conseguiu, este ano, um destaque e uma importância que foi fundamental para os bons resultados eleitorais do GOP em Novembro, ao animar e mobilizar as bases conservadoras do partido. Todavia, o Tea Party foi também responsável por algumas escolhas duvidosas de candidatos nas primárias republicanas, o que impediu que a dimensão da vitória do Partido Republicano tivesse sido ainda maior.
2010 foi um ano em grande para os seguidores da política que se faz do outro lado do Atlântico, mas, agora, é tempo de nos despedirmos do ano velho e darmos as boas vindas a 2011, que promete também ser um ano bastante interessante. Durante os próximos 365 dias, assistiremos ao início da corrida pela nomeação presidencial republicana, à forma como Obama lidará com uma Câmara dos Representantes controlada pela oposição e a muitas, muitas outras situações que certamente surgirão. Mas, por agora, a ocasião é de celebração. Por isso, boas entradas e um fantástico 2011!

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