quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os vencedores e derrotados das midterms

Os vencedores
GOP - Há dois anos, quando os democratas juntaram a Casa Branca, uma grande maioria no Congresso - que, no Senado, era mesmo à prova de fillibuster - e a maior parte dos governadores estaduais, muitos pensaram que isto seria o princípio do fim do Partido Republicano. Pois bem, se mais provas eram necessárias, depois das vitórias de 2009 na Virginia, New Jersey e Massachusetts, os republicanos voltaram a demonstrar, ontem, que ainda estão aí para as curvas.
John Boehner - Foi, porventura, o grande vencedor da noite eleitoral. Apesar de ainda ser pouco conhecido a nível nacional, o até agora líder da minoria na Câmara dos Representantes eleva-se à condição de uma das principais figuras políticas norte-americanas, já que será o novo Speaker, substituindo Nancy Pelosi. Da sua relação com Barack Obama (boa ou má) depende o futuro próximo da política dos Estados Unidos.
Marco Rubio - O recém-eleito Senador pelo estado da Florida realizou um percurso brilhante para derrotar (duplamente) Charlie Crist. Numa a corrida a três, conseguiu mesmo mais de 50% dos votos, o que, num estado moderado como a Florida, é um facto assinalável. Pode estar aqui um dos futuros líderes do Partido Republicano.
Harry Reid - Quando já poucos esperavam, o Senador do Nevada conseguiu garantir a reeleição, podendo continuar, pelo menos durante mais dois anos, como líder da maioria no Senado. Contudo, a sua vitória deveu-se mais aos defeitos de Sharron Angle, a sua adversária, do que propriamente à sua popularidade entre o eleitorado.
Democratas da Califórnia - Para os democratas, as eleições na Califórnia representaram uma espécie de oásis no meio de um enorme deserto que foram os seus resultados a nível nacional. Jerry Brown venceu folgadamente o governo do estado, sucedendo ao republicano Schwarzenneger, e Barbara Boxer foi reeleita para o Senado também sem dificuldades.

Os derrotados

Barack Obama - O nome do Presidente dos Estados Unidos não aparecia nos boletins de voto das eleições de ontem. Contudo, parece claro que muitos dos eleitores que se deslocaram às urnas fizeram-no com Barack Obama no pensamento, decididos a expressarem o seu descontentamento com o rumo que o país leva sob o leme do Chefe de Estado.

Nancy Pelosi - A ainda Speaker of the House é uma figura altamente impopular nos Estados Unidos. Assim, não admira que a liderança republicana tenha utilizado a sua imagem para atacar os candidatos democratas um pouco por todo o país. E, tendo em conta os resultados na Câmara dos Representantes, parece que essa estratégia resultou. Pelosi cede a Boehner o lugar de Speaker, mas ninguém pode negar que, nesse cargo, foi uma das mais influentes e bem-sucedidas de sempre.

Russ Feingold e Blanche Lincoln - Estes foram os dois senadores democratas que perderam ontem o seu lugar na câmara alta do Congresso (Arlen Specter já tinha sido derrotado nas primárias). Se o caso de Lincoln é mais compreensível, visto que representa o Arkansas, um estado bastante conservador, já a situação de Feingold é mais surpreendente, dado tratar-se de um senador conceituado e com fama de independente. Porém, num ano em que o sentimento anti-Washington e anti-incumbentes esteve presente de forma muito intensa, a campanha inteligente e sem erros do seu adversário foi suficiente para o derrotar.

Candidatos senatoriais do Tea Party - É um facto que os movimentos Tea Party foram bastante importantes para o rebranding do Partido Republicano e para a onda de entusiasmo entre os conservadores que resultou na vitória de ontem para o GOP. Contudo, não fossem as desastrosas vitórias de candidatos apoiados pelos Tea Party em algumas primárias republicanas, como no Delaware, no Colorado e no Nevada, é quase certo que o mapa do Senado teria ainda mais lugares pintados de vermelho.

Charlie Crist - Quando o Governador da Florida se candidatou ao Senado, a sua vitória parecia um dado adquirido. Contudo, um tal de Marco Rubio surgiu a disputar consigo a nomeação republicana. Quando Crist percebeu que seria incapaz de o bater nas primárias do GOP, deixou o seu partido de sempre para concorrer na eleição geral como independente, onde foi mesmo copiosamente derrotado pelo mesmo Rubio.

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