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sábado, 14 de agosto de 2010

A mesquita do Ground Zero

Os projectos de construção de um centro islâmico e de uma mesquita no centro de Manhattan, perto do Ground Zero, o local onde se encontrava o World Trade Center, destruído pelos ataques terroristas do 11 de Setembro, continuam na ordem do dia. Este é um tema sensível, com os detractores deste plano a insurgirem-se contra a instalação de um local de culto da religião islâmica, que era a praticada (de forma radical) pelos terroristas que, em 2001, atacaram os centros financeiro e militar da América, tirando cerca de três milhares de vidas.
Do lado republicano, sempre apostado a mostrar-se empenhado  e forte em temas de segurança nacional, figuras como Sarah Palin ou Newt Gingrich quase se atropelam para protestar contra tal projecto, enquanto que o candidato do GOP à mansão de governador de Nova Iorque, Rick Lazio, tem feito do tema uma das sua principais bandeiras de campanha. Aliás, a única surpresa é não termos ouvido mais de Rudy Giuliani  (Mayor de Nova Iorque na altura dos atentados) que, durante a sua desastrosa candidatura presidencial, praticamente monopolizou qualquer assunto relacionado com o 11 de Setembro.
Mais surpreendente foi a corajosa posição de Barack Obama que, por ocasião do jantar comemorativo  do Ramadão na Casa Branca, defendeu a concretização do projecto, lembrando que a primeira emenda à Constituição americana institui a liberdade de culto sem distinções entre religiões. Esta postura, assumida numa apropriada ocasião, é uma pedrada no charco no panorama do Partido Democrata, já que a maioria dos políticos deste partido tem optado por se manter afastado desta tão complicada questão, ainda para mais quando esta ocorre tão perto de um período eleitoral.
Quanto a mim, penso que impedir a construção deste centro islâmico em Manhattan, que além da mesquita contará com outras instalações, como uma biblioteca, um restaurante, um auditório e um ginásio, seria uma grande machadada no ideal americano, um país fundado por imigrantes que fugiam, eles próprios, da perseguição religiosa nos seus países de origem. Além disso, é errado associar a grande religião islâmica à minoria radical que apoiou e concretizou os bárbaros actos de há nove anos atrás. Na verdade, tal proibição, além de carecer totalmente de qualquer base legal, consistiria numa vitória para os terroristas de Bin Laden, que, assim, teriam conseguido minar com sucesso a essência dos Estados Unidos da América.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um tweet polémico

Mesmo depois de, surpreendentemente, se ter demitido do cargo de Governadora do Estado do Alasca, Sarah Palin nunca mais abandonou a arena mediática americana e mesmo mundial. Para se manter, então, debaixo dos holofotes, a candidata vice-presidencial de John McCain contou com diversos veículos, como a tournée de lançamento do seu livro, "Going Rogue" ou o seu programa na Fox News. Contudo, um dos métodos que mais eficazmente tem utilizado para divulgar as suas mensagens e pensamentos ao povo americano tem sido o recurso às redes sociais, como o Facebook e o Twitter.
A sua mais recente mensagem via Twitter causou muita polémica. Referindo-se aos planos de construção de uma mesquita perto do "Ground Zero", o local onde estavam situadas as Torres Gémeas, Palin apelou à rejeição de tal projecto, considerando que este constitui uma provocação desnecessária e prejudicial à recuperação das relação dos norte-americanos com o Islamismo, gravemente afectada pelos atentados de 11 de Setembro de 2001. Opinião contrária teve o Mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, que decidiu aprovar a construção da mesquita precisamente com o objectivo de melhorar essas mesmas relações inter-religiosas.
Além do conteúdo do tweet, também a forma fez furor, pois Palin utilizou uma palavra que não consta do dicionário inglês - "refudiate" - para incitar à recusa da mesquita. É mais uma gaffe que prejudica a imagem nacional de Sarah Palin, já muito "queimada" por anteriores deslizes que contribuíram para que grande parte da população americana a veja como incapaz de vir um dia a ocupar a presidência. Mas, por outro lado, o destaque concedido a este simples tweet demonstra (se mais provas fossem ainda necessárias) que Palin é mesmo uma super-estrela da política americana, apenas comparável ao próprio Presidente Obama.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ainda os julgamentos do 11 de Setembro

Em Novembro de 2009, a administração americana anunciou que os suspeitos de estarem por detrás dos atentados terroristas do 11 de Setembro seriam julgados num tribunal criminal federal em Nova Iorque. Esta decisão despoletou grandes críticas e forte oposição por parte das autoridades nova-iorquinas, dos republicanos e da maior parte da população, por não quererem ver os alegados terroristas serem julgados em tribunais civis e no interior das grandes cidades americanas. Porém, nas últimas semanas surgiram indícios que a administração está a ceder face às críticas e planeia mudar a localização prevista para os julgamentos.
Porém, esta vaga de protestos contra a decisão do Procurador-Geral Eric Holder parece-me totalmente injustificada. E passo a explicar as minhas razões:
Em primeiro lugar, porque ao julgar os alegados terroristas num tribunal militar o governo americano estaria a promovê-los ao estatuto de combatentes inimigos. Ora, na minha opinião, esta atitude não seria a mais correcta. Deveria reduzir-se o terrorismo a um "simples" acto criminoso e não a um acto de guerra, não atribuindo ainda mais importância e credibilidade a pessoas, organizações e métodos que não o merecem.
Depois, porque não vejo melhor local para realizar estes julgamentos do que na cidade de Nova Iorque, cuja silhueta os terroristas mudaram para sempre. Seria um poderoso gesto simbólico com que os americanos poderiam mostrar ao mundo e aos seus inimigos que a América não foi vergada por tão infame atentado. O medo de ver estes julgamentos terem lugar na baixa de Nova Iorque é uma forma de ceder face ao terrorismo e é precisamente o que pessoas como Bin Laden pretendem.
Também me parece, como já referi anteriormente, que pelo menos alguma parte desta discussão tem sido gerada por motivos políticos, tentando mostrar Obama e os democratas como sendo soft on terror. Contudo, não me parece correcto estar a fazer jogos políticos com esta tema que, mais que qualquer outro, deveria unir os americanos em vez de dividi-los.