Os projectos de construção de um centro islâmico e de uma mesquita no centro de Manhattan, perto do Ground Zero, o local onde se encontrava o World Trade Center, destruído pelos ataques terroristas do 11 de Setembro, continuam na ordem do dia. Este é um tema sensível, com os detractores deste plano a insurgirem-se contra a instalação de um local de culto da religião islâmica, que era a praticada (de forma radical) pelos terroristas que, em 2001, atacaram os centros financeiro e militar da América, tirando cerca de três milhares de vidas.
Do lado republicano, sempre apostado a mostrar-se empenhado e forte em temas de segurança nacional, figuras como Sarah Palin ou Newt Gingrich quase se atropelam para protestar contra tal projecto, enquanto que o candidato do GOP à mansão de governador de Nova Iorque, Rick Lazio, tem feito do tema uma das sua principais bandeiras de campanha. Aliás, a única surpresa é não termos ouvido mais de Rudy Giuliani (Mayor de Nova Iorque na altura dos atentados) que, durante a sua desastrosa candidatura presidencial, praticamente monopolizou qualquer assunto relacionado com o 11 de Setembro.
Mais surpreendente foi a corajosa posição de Barack Obama que, por ocasião do jantar comemorativo do Ramadão na Casa Branca, defendeu a concretização do projecto, lembrando que a primeira emenda à Constituição americana institui a liberdade de culto sem distinções entre religiões. Esta postura, assumida numa apropriada ocasião, é uma pedrada no charco no panorama do Partido Democrata, já que a maioria dos políticos deste partido tem optado por se manter afastado desta tão complicada questão, ainda para mais quando esta ocorre tão perto de um período eleitoral.
Quanto a mim, penso que impedir a construção deste centro islâmico em Manhattan, que além da mesquita contará com outras instalações, como uma biblioteca, um restaurante, um auditório e um ginásio, seria uma grande machadada no ideal americano, um país fundado por imigrantes que fugiam, eles próprios, da perseguição religiosa nos seus países de origem. Além disso, é errado associar a grande religião islâmica à minoria radical que apoiou e concretizou os bárbaros actos de há nove anos atrás. Na verdade, tal proibição, além de carecer totalmente de qualquer base legal, consistiria numa vitória para os terroristas de Bin Laden, que, assim, teriam conseguido minar com sucesso a essência dos Estados Unidos da América.


