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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Clinton quase convenceu Meek a desistir

Esteve muito perto de acontecer um decisivo golpe de teatro na corrida para o Senado na Florida. Segundo uma história do Politico,  Bill Clinton tentou convencer o candidato democrata, Kendrick Meek, a desistir a favor do independente Charlie Crist, de forma a impedir que o concorrente republicano, Marco Rubio, conquiste o assento no Senado em disputa. Meek terá, alegadamente, chegado a concordar com a ideia, mas desistiu no último momento, não querendo passar a imagem de desistente e, de acordo com o artigo, convencido pela esposa que ainda podia vencer a eleição.
Gorou-se a melhor e única hipótese de Rubio ser derrotado, já que, numa corrida a três, o republicano tem larga vantagem sobre os seus adversários. Se Meek tivesse desistido e apoiado o actual governador da Florida (em troca da promessa deste em juntar-se aos democratas no Senado), a eleição ganharia uma dinâmica totalmente diferente e a vitória estaria ao alcance de Charlie Crist. Além disso, esta "jogada" teria o condão de impedir a meteórica ascensão de Marco Rubio, que está a tornar-se um caso sério na política dos Estados Unidos e que, no futuro, pode ser um dos líderes do Partido Republicano.
A opção de Kendrick Meek é compreensível, até porque passou toda a campanha a atacar os flip-floppers e as manobras políticas de Crist. Contudo, ao não desistir, entrega a eleição a Rubio numa bandeja e resigna-se a um distante terceiro lugar. O seu futuro político é incerto, porque abdicou do seu assento na Câmara dos Representantes para concorrer ao Senado e esta sua decisão pode causar-lhe alguns anti-corpos no seio do seu partido. Mas, por outro lado, há alguém que, neste momento, está muito feliz e agradecido com a posição de Meek: Marco Rubio, pois claro.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Debate na Florida

O meu início de tarde do último Domingo foi passado a assistir, via CNN Internacional, ao debate entre os candidatos ao Senado dos Estados Unidos pela Florida, que decorreu no habitual talk-show daquela cadeia norte-americana, State of the Union. E devo dizer que não dei o tempo como perdido, já que a discussão foi interessante, animada e, por vezes, até bastante "quente".
Recorde-se que esta eleição é disputada pelo republicano Rubio, pelo Governador Charlie Crist, que, concorre como independente depois de perceber que não tinha hipóteses de vencer Rubio nas primárias do GOP, e pelo congressista democrata Kendrick Meek. Contudo, segundo as sondagens, a corrida está praticamente decidida a favor de Rubio que, desde o início do Verão, cavou uma diferença para os seus adversários que é, aparentemente, intransponível. Apesar disso, no debate de ontem, os três candidatos pareciam estar a lutar por uma corrida ditada pelo photo-finish, tal foi a intensidade com que decorreu a discussão e a troca de argumentos entre si.
Num debate onde os temas económicos, como o desemprego (com números particularmente altos na Florida), o corte de impostos, ou o défice, estiveram em destaque, travou-se uma acesa discussão ideológica entre Meek e Rubio, que Crist tentou aproveitar para se colocar como a voz moderada entre os três candidatos. A nível de posições políticas, não se assistiu a nada de novo. Marco Rubio criticou o big government e clamou pela continuação dos cortes de impostos e pelo liberalismo económico; Meek defendeu as medidas da administração Obama, como o pacote de estímulos à economia e tentou definir-se como o verdadeiro representante do Partido Democrata na corrida, defendendo-se das investidas de Crist ao tradicional eleitorado democrata; por sua vez, o ainda Governador da Florida mostrou-se aberto ao compromisso, tendo a particularidade de defender temas queridos aos conservadores, como o corte de impostos, e aos liberais, como o direito ao aborto.

Mas, da discussão política e ideológica, passou-se, na parte final do debate, para uma veemente troca de acusações entre Charlie Crist e Marco Rubio. Já antes, Meek tinha evidenciado o óbvio, que Crist apenas tinha abandonado a luta pela nomeação republicana porque percebeu que não podia vencer Rubio. Porém, a disputa entre o candidato republicano e o candidato independente foi bem mais enérgica, enquanto o democrata, à parte da discussão, se limitava a sorrir. A certo ponto, Marco Rubio, depois de ser repetidamente interrompido por Charlie Crist, apelidou o Governador de heckler, ao que este replicou, dando a Rubio as boas vindas à NFL (como quem diz, bem-vindo à primeira divisão).
No fim do debate, ficou a ideia que Marco Rubio é um fortíssimo candidato, parecendo sempre à vontade diante das câmaras e com resposta pronta para todos os ataques dos seus adversários. Charlie Crist, por sua vez, jogou aqui aquela que seria, porventura, a sua última cartada nesta corrida. Foi eloquente, agressivo e utilizou a estratégia inteligente de se mostrar como o candidato moderado e aberto ao compromisso, numa época de polarização partidária. Contudo, sem apoio partidário e com as suas constantes manobras políticas (como o abandono do GOP) e mudanças de opinião com fins eleitorais, será um dos grandes derrotados de 2 de Novembro. Finalmente, Kendrick Meek, foi bastante competente e demonstrou que poderá ter um interessante futuro político à sua frente. Todavia, esta não é a sua batalha e o seu único objectivo é tentar ficar à frente de Crist, o que parece difícil de conseguir.

Os resultados finais indicarão, salvo uma enormíssima surpresa, que Marco Rubio será o novo Senador americano pelo estado da Florida. Rubio é, sem dúvida, uma das maiores promessas do Partido Republicano e esta eleição, onde defrontou dois fortíssimos opositores, é a prova viva disso mesmo. De amanhã a oito dias, termina, então, uma das mais peculiares e interessantes eleições de que há memória nos Estados Unidos, que, certamente, muitas saudades irá deixar a todos os political junkies que têm seguido com especial atenção esta apaixonante corrida no sunshine state.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Continuam as primárias

Kendrick Meek venceu na Florida
Ontem à noite, nos Estados Unidos, disputou-se mais uma ronda de eleições primárias, tendo ido a votos os eleitores do Alasca, do Arizona, da Florida e do Vermont (no Oklahoma houve ainda uma segunda volta de uma primária republicana para o Congresso). E destas corridas saíram alguns resultados interessantes e relevantes para a grande decisão de 2 de Novembro, nas eleições intercalares de 2010.
No Arizona, John McCain, o candidato presidencial do GOP que, em 2008, foi derrotado por Obama, conseguiu a nomeação republicana para defender o seu próprio lugar no Senado, vencendo por larga margem J. D. Hayworth. Contudo, esta vitória - que há não muito tempo atrás chegou a parecer estar em risco - custou muitos pontos políticos a McCain, que foi obrigado a gastar uma grande soma de dinheiro e a promover uma viragem ideológica à direita para derrotar Hayworth, mais conservador e apoiado pelo Tea Party. De facto, McCain, outrora o maverick Partido Republicano, mudou de opinião em muitos temas para conseguir atrair o eleitorado mais conservador das primárias do seu partido, como, por exemplo, na questão da imigração, ou dos homossexuais nas Forças Armadas.
Mais a leste, na Florida, duas corridas merecem destaque: as primárias democratas para o Senado e as primárias republicanas para o cargo de governador estadual. No primeiro caso, o vencedor foi Kendrick Meek, o candidato apoiado pelo establishment democrata, derrotando o milionário Jeff Greene por uma margem confortável. Porém, este desfecho pode não ser o mais favorável para os destinos dos democratas na Florida. Isto porque Meek, um congressista com história no partido e próximo de grandes figuras democratas, como os Clinton, obrigará a estrutura partidária a conceder-lhe o seu apoio incondicional na eleição geral, onde não terá hipóteses de vencer contra o republicano Marco Rubio e o independente Charlie Crist. Se tivesse sido Greene o vencedor, os democratas poderiam apoiar Crist mais abertamente e esperar que o actual governador da Florida se juntasse a eles no Senado. Assim, o eleitorado moderado e liberal dividirá o seu voto entre Crist e Meek, aumentando exponencialmente as chances de vitória de Rubio.
Mas a grande surpresa da noite deu-se nas primárias do GOP para governador da Florida, com a vitória de Rick Scott sobre o favorito Bill McCollum. McCollum era visto como o candidato natural do GOP, com passado no partido e no Estado - foi congressista, duas vezes candidato ao Senado e Procurador-Geral da Florida. Mas Scott, que entrou tardiamente na corrida, veio alterar a situação e, com recurso à sua fortuna, bateu todos os recordes de dinheiro gasto numa campanha (39 milhões de dólares) e atacou, com sucesso, McCollum, caracterizando-o como um político de carreira, à velha maneira de Washington. 
Contados os votos, fica mais definido o cenário eleitoral para as midterms de Novembro, mas as primárias ainda vão continuar por mais um mês, até ao final de Setembro. Por essa altura, teremos uma melhor noção do que poderá acontecer. Por agora, a situação continua muito, muito desfavorável para os democratas.