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quarta-feira, 12 de março de 2014

Rude golpe para os democratas na Florida

As eleições para o Congresso estão ainda a oito meses de distância, mas, de momento, o cenário não é nada positivo para o Partido Democrata. A eleição especial que teve ontem lugar na Florida veio comprovar isso mesmo, com a derrota da candidata democrata, Alex Sink, às mãos do republicano David Jolly.
Na disputa pelo 13º distrito da Florida, os democratas perderam uma excelente oportunidade para recuperar um assento que se encontra na posse do GOP há mais de 40 anos. De facto, Sink era vista como a favorita à vitória, fruto de ser um nome conhecido (perdeu à tangente, em 2010, o cargo de Governador do Estado para Rick Scott), de contar com uma importante vantagem financeira e de concorrer contra um antigo lobbysta. Contudo, nada disto evitou que Jolly alcançasse uma vitória e que nem foi assim tão justa quanto isso (o republicano obteve 48,5% dos votos contra os 46,6% da sua opositora).
Este resultado, num Estado tão importante como é a Florida, é um rude golpe para o Partido Democrata  e deve fazer soar os alarmes no DCCC (estrutura democrata de apoio às eleições para a Câmara dos Representantes). O 13º distrito da Florida trata-se de um local tradicionalmente republicano, mas também é precisamente o tipo de distrito moderado, apenas ligeiramente republican leaning, que os democratas precisam de conquistar se querem ter alguma hipótese de anular o défice de 17 lugares na Cãmara dos Representantes que os afastam da maioria. 
A reconquista da câmara baixa do Congresso sempre foi um long shot para os democratas. Todavia, o desfecho de ontem na Florida indicia que essa meta é uma missão impossível para o partido de Obama. Por isso, parece cada vez mais acertada a opção alegadamente tomada pela liderança democrata de, em 2014, apostar todas as suas fichas nas corridas do Senado, onde a manutenção da maioria é uma tarefa complicada, mas exequível.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A corrida pela Florida

Na passada Sexta-feira, falei das eleições para o Congresso que se realizarão no próximo dia 4 de Novembro. Pelo seu impacto nacional, estas eleições são as que atraem mais atenção e mediatismo, mas não são as únicas a terem lugar nesse dia, já que também irão a votos vários governos estaduais um pouco por todo o território norte-americano. Entre essas eleições estaduais, algumas merecem especial destaque, como a que decidirá o nome do governador de um dos maiores Estados do país, a Florida.
A corrida do sunshine state é especialmente interessante por marcar o regresso de Charlie Crist um dos mais polémicos políticos da Florida nos últimos anos. Crist foi governador do Estado entre 2007 e 2011, na altura como membro do Partido Republicano. Todavia, quando em 2012 concorreu ao Senado, foi desafiado nas primárias pelo carismático Marco Rubio. Com as sondagens a mostrarem uma enorme vantagem para Rubio, Charlie Crist desistiu das primárias, abandonou o Partido Republicano e concorreu na eleição geral como independente. Mas nem assim o antigo Governador conseguiu a eleição para o Senado e Marco Rubio, derrotando copiosamente Crist e o candidato democrata, foi mesmo eleito para a câmara alta do Congresso.
Agora, Charlie Crist volta a tentar a sua sorte, desta vez concorrendo pelo Partido Democrata, em mais um twist político-partidário que está a dar muito que falar. Apesar da polémica desta incessante troca de partidos, Crist parece bem lançado para derrotar o actual ocupante do cargo, o impopular Rick Scott, que será o candidato do GOP. Todas as últimas sondagens mostram Crist na liderança da corrida, com uma vantagem para Scott que varia entre os três e os doze pontos percentuais.
Os números da taxa de popularidade de Rick Scott deixam antever uma reeleição muito complicada para o actual Governador da Florida. Contudo, essa impopularidade deve-se sobretudo a posições que Scott tomou e que desagradaram às classes sociais mais baixas (como, por exemplo, a instituição da obrigatoriedade de testes de drogas para quem recebe subsídios sociais). Ora, esses eleitores têm menor propensão para votar em eleições intercalares, como é o caso das eleições deste ano. Por seu lado, Charlie Crist é um político muito conhecido, relativamente bem visto na Florida e que contará com a excelente máquina democrata no Estado. Contudo, será certamente muito atacado pela sua constante troca de partidos.
A corrida pelo controlo do quarto mais populoso Estado da União (a Florida muito brevemente ultrapassará New York, actualmente em terceiro lugar) promete dar muito que falar e será seguida com atenção pelos possíveis candidatos à Casa Branca, pois trata-se, porventura, do mais importante Estado em eleições presidenciais. Por isso, aqui, no Máquina Política, iremos dar especial atenção à disputa entre Rick Scott e Charlie Crist.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O regresso de Charlie Crist?

Charlie Criste foi, em tempos, um dos mais promissores políticos republicanos. Moderado, com boa imagem e Governador do mais importante Estado em eleições presidenciais, a Florida, Crist tinha tudo para ser, a médio prazo, um fortíssimo candidato a mais altos voos, incluindo, claro está, à Presidência dos Estados Unidos.
Todavia, em 2009, o então Governador da Florida demonstrou o seu apoio ao programa de estímulos da Administração Obama e chegou mesmo a comparecer num evento com o Presidente. Ora, o abraço trocado entre os dois políticos foi fatal para Charlie Crist que, quando concorreu, no ano seguinte, ao cargo de Senador, teve de enfrentar a ira dos republicanos e a forte concorrência de uma estrela em ascensão no GOP, Marco Rubio. Com a derrota nessas eleições primárias, muitos pensaram que Crist estaria arrumado para a política e que acabaria por cair no esquecimento. 
Mas Crist, sempre ambicioso, respondeu à desfeita com uma viragem de rumo. Deixou o Partido Republicano, registou-se como independente e, após esta espécie de período de carência, filiou-se no Partido Democrata. Logo surgiram rumores de que o antigo Governador da Florida poderia juntar-se à Administração Obama ou mesmo concorrer ao seu antigo cargo, nas eleições de 2014. Rick Scott, o republicano que lhe sucedeu, tem uma fraca popularidade no Estado e, por isso, é considerado vulnerável na corrida para a reeleição. Ontem, foi conhecida uma sondagem da PPP que, num hipotético frente-a-frente entre Scott e Crist, dá vantagem de 14% ao (agora) democrata.
Estes números deverão levar Charlie Crist a ponderar um regresso à mansão do Governador do Sunshine State. Além disso, também a liderança democrata deverá pressionar Crist para que volte a concorrer, cientes de que o antigo republicano é a sua melhor hipótese para conquistar um dos mais importantes cargos estratégicos a nível nacional. Parece, assim, estarem a reunir-se todas as condições para assistirmos, no próximo ano, ao regresso político de um dos mais polémicos políticos norte-americanos da sua geração.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Obama com larga vantagem no Big Three

Como apontei ontem, Barack Obama tem, de momento, uma importante vantagem nos battleground states. E, entre todos os Estados decisivos em eleições presidenciais americanas, o destaque vai para os três que entregam mais votos eleitorais: a Florida, a Pennsylvania e o Ohio, um grupo muitas vezes apelidado de Big Three. Ora, a crer por um conjunto de sondagens da responsabilidade do New York Times, da CBS e da Quinnipiac, Obama está em grande forma no Big Three:

Florida
Obama - 53%
Romney - 44%

Pennsylvania
Obama - 54%
Romney - 42%

Ohio
Obama - 53%
Romney - 43%

A grande novidade destas sondagens é o facto de Obama surgir, em todas elas, com um resultado solidamente acima da barreira dos 50%, o que obriga a campanha republicana não só a conquistar os votos dos eleitores indecisos mas também de muitos votantes que, de momento, estão mais inclinados a votar em Obama. A tarefa de Mitt Romney é ainda mais complicada quando se percebe que, para se sagrar vencedor, necessita de vencer, pelo menos, em dois destes três Estados. Para já, Romney, ainda conta com os debates para mudar o rumo da maré a seu favor, mas começa a ter já pouco tempo para dar a volta à corrida.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Obama lidera no "Big Three"

Dado o sistema de colégio eleitoral que rege as eleições presidenciais norte-americanas, os candidatos à Casa Branca concentram os seus esforços em determinados locais, os ditos swing states, Estados que podem cair para os democratas como para os republicanos. Entre esses, os mais importantes, dado a sua dimensão populacional e, consequentemente, o número de votos eleitorais em jogo, são a Florida, o Ohio e a Pensilvânia, o chamado Big Three das eleições presidenciais dos Estados Unidos.Importa, por isso, fazer referência às sondagens nestes três Estados, relativas à eleição geral, que foram ontem divulgadas pela Quinnipiac:

Florida
Obama - 49%
Romney - 42%

Pensilvânia: 
Obama - 45%
Romney 42%

Ohio:
Obama - 47%
Romney - 41%

São números extremamente positivos para Barack Obama, que caso consiga mesmo fazer o pleno no big three, à imagem do que fez em 2008, terá, certamente, a reeleição assegurada. O resultado na Florida é especialmente relevante, ficando perto da marca dos 50%, num Estado onde se chegou a pensar que não estaria ao seu alcance neste ciclo eleitoral. Por outro lado, na Pensilvânia, a sua vantagem para Mitt Romney é mais curta do que podia ser de esperar, visto que este Estado é, dos três, tradicionalmente o mais favorável aos democratas. Contudo, Romney está neste momento a investir fortemente em anúncios na Pensilvânia, no âmbito das primárias republicanas, o que pode explicar, pelo menos em parte, que esteja mais perto de Obama do que nos outros dois Estados.

Visto isto, e sendo verdade que Obama surge, para já, em boa posição para assegurar a reeleição, é preciso, porém, relativizar estas sondagens, numa altura em que Romney ainda não selou a nomeação republicana e quando estamos a mais de sete meses da noite eleitoral. Ainda não sabemos, por exemplo, quem será o running mate do ex-Governador do Massachusetts, um dado que pode alterar substancialmente a dinâmica da corrida, em especial num destes Estados, caso o Veep escolhido por Romney seja oriundo de um deles (o Senador pela Florida, Marco Rubio, é o caso mais flagrante). Seja como for, dada a importância do Big Three, continuaremos a seguir com atenção o que de mais de importante se passar nesses decisivos Estados.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Romney dominador

Resultados da primária da Florida:
 
Mitt Romney -46,4%
Newt Gingrich - 31,9%
Rick Santorum -13,4%
Ron Paul - 7%

Como os números indicam, Mitt Romney obteve ontem uma estrondosa vitória na primária da Florida, deixando o seu mais directo perseguidor, Newt Gingrich, a mais de 14 pontos percentuais de distância. Com este resultado, o antigo Governador do Massachusetts volta a parecer o inevitável nomeado presidencial pelo Partido Republicano. Uma vitória deste calibre no mais importante Estado em eleições presidenciais norte-americanas deve fazer cair as dúvidas que ainda existiam em alguns eleitores mais conservadores. Aliás, as sondagens não têm deixado margens para dúvidas: entre Romney e Gingrich é o primeiro que melhores resultados consegue nos hipotéticos embates face a Obama. Por isso, não admira que Mitt Romney, no seu discurso de vitória de ontem, tenha focado as suas atenções em Barack Obama e não nos seus adversários republicanos, dando a entender que está já mais preocupado com a eleição geral de Novembro, do que com o que resta das primárias do seu partido.
Mas Newt parece não querer desarmar e tenciona ficar na corrida até ao fim, esperando impedir Romney de conseguir uma maioria absoluta em delegados e levar a decisão para a Convenção Nacional Republicana. Contudo, é preciso que obtenha rapidamente alguns bons resultados, para que o dinheiro proveniente das contribuições financeiras continue a entrar nos cofres das suas campanhas. Gingrich já provou por várias vezes ao longo desta campanha que consegue ressurgir das cinzas. Poderá consegui-lo uma vez mais, mas o tempo começa a escassear e as próximas primárias não o favorecem. Apostará forte na Super-Tuesday, altura em que o seu Estado de origem, a Géorgia, irá a votos, mas é incerto que tenha capacidade para competir em vários locais ao mesmo tempo (nesse dia, dez Estados realizarão as suas primárias).
Quem também parece apostar numa última oportunidade é Rick Santorum, que, apesar do fraco resultado de ontem, tenciona capitalizar com uma possível queda de Gingrich, assumindo-se como o candidato preferido dos eleitores mais conservadores. Contudo, à imagem de Newt, é também difícil de idealizar um caminho rumo à nomeação para o antigo Senador da Pensilvânia. 
Finalmente, Ron Paul, que praticamente abdicou de competir na Florida, preferindo apostar em Estados mais pequenos e em que a votação seja feita através de caucuses, onde pode mais facilmente aproveitar a sua excelente estrutura de campanha, continuará até ao final. Tentará angariar o máximo de delegados possível, de forma a poder chegar à Convenção numa posição de força e que lhe permita optimizar a sua notoriedade, tanto do seu nome (preparando uma possível futura candidatura do seu filho, Rand), como dos seus ideiais libertários.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Florida decide

Já abriram as urnas na Florida, Estado onde se desenrola hoje mais uma primária presidencial. Apesar de ter perdido metade dos delegados a que teria direito por ter adiantado a data da primária para Janeiro, a Florida continua a ser um importante prémio para os candidatos presidenciais, em especial por se tratar de uma primária no sistema de winner takes all, pelo que o seu vencedor arrecadará todos os 50 delegados do sunshine state.
Logo à noite (as urnas encerram à uma da madrugada de Lisboa), é praticamente certo que será Mitt Romney a festejar o triunfo, visto que todas as sondagens atribuem uma vantagem decisiva ao antigo Governador do Massachusetts sobre Newt Gingrich. Depois da Carolina do Sul, o ex-Speaker subiu em flecha nas intenções de voto no sunshine state, mas uma campanha agressiva e uma boa prestação nos debates por parte de Romney transformou novamente a corrida a seu favor.
A Florida pode, por isso, representar um momento crucial para a decisão destas primárias. Com uma vitória robusta, Romney pode arrancar decisivamente para a nomeação, ficando os seus opositores com menos possibilidades de ainda conseguirem chegar ao topo. Contudo, tanto Gingrich como Ron Paul já anunciaram a sua intenção de ficarem na corrida até à convenção republicana, no Verão.
Mas, pelo menos para já, a palavra está do lado dos eleitores da Florida.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O colapso de Rick Perry

Rick Perry entrou tarde na corrida presidencial, mas quando o fez foi em força e directamente para o topo das sondagens, acabando com o grande favoritismo de Mitt Romney e colocando um travão na ascensão de Michelle Bachmann, que parecia imbatível no Iowa. Contudo, depois das suas fracas prestações nos debates televisivos, o Governador do Texas começou a perder gás. Agora, conhecendo-se os resultados das sondagens mais recentes, parece que esse momento negativo é ainda pior do que se pensava.
Uma sondagem de âmbito nacional, da responsabilidade da Fox News, devolveu Romney à liderança, com 23% dos votos, ficando Perry na segunda posição, com 19%. Em terceiro lugar, surgiu, de forma surpreendente, Herman Cain (17%), que parece estar a ganhar uma segunda vida depois de ter vencido uma sraw poll na Florida. Estes números, mais que uma subida de Romney (subiu apenas um ponto percentual desde a última sondagem) mostram claramente que Perry está em declínio, tendo descido 10% nas intenções de voto.
Mas as más notícias para Rick Perry não se ficam por aqui. Outras sondagens de nível estadual representam ainda maiores problemas para o texano, que está também em perda em dois dos mais importantes Estados nas primárias, onde liderava até há pouco tempo, o Iowa e a Florida. No primeiro, uma sondagem da American Research Group, caiu mesmo para o terceiro posto, sendo ultrapassado por Romney e por Bachmann. Já no solarengo Estado da Florida, um estudo da PPP também indicou uma quebra de Perry, que foi regelado para a segunda posição e novamente por Mitt Romney.
Estes números são deveras preocupantes para Perry, cujas hipóteses de obter a nomeação parecem começar a estar comprometidas. Para inverter a tendência, a sua campanha terá de agir e depressa de forma a inverter esta tendência negativa. Uma medida sensata (e urgente) seria a de retirar o candidato do trilho da campanha durante alguns dias, de forma a que Perry pudesse ser melhor preparado para enfrentar as perguntas dos moderadores e os ataques dos seus adversários nos debates televisivos, que têm sido o seu grande calcanhar de Aquiles. Porque se mantiver o nível das suas prestações anteriores, a campanha de Perry poderá estar moribunda ainda antes de chegarem os caucus do Iowa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Florida, como sempre decisiva

Já é tradição que a Florida seja um dos mais importantes Estados numa eleição presidencial norte-americana. O caso mais flagrante foi quando, em 2000, Bush alcançou a presidência depois de vencer, de forma muito contestada, Al Gore no sunshine state, ainda que tenha recebido menos votos a nível nacional do que o seu opositor. Contudo, a relevância da Florida parece estar a estender-se também para as eleições primárias.
Já em 2008, foi a vitoria na primária da Florida que lançou definitivamente John McCain para a nomeação republicana. Agora, o solarengo Estado do Sul dos Estados Unidos promete também desempenhar um importante papel nas primárias republicanas. Isto porque a Florida é o quinto Estado a ir a votos no calendário republicano, depois de Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul. Acontece que, pelo menos actualmente, é previsível que Rick Perry e Mitt Romney dividam esses Estados entre eles, com Perry a vencer no Iowa e na Carolina do Sul, ficando Romney com o New Hampshire e o Nevada. Assim, seria a Florida a desempatar a corrida antes da Super Tuesday, momento onde ocorrem várias eleições simultaneamente e onde, face à quantidade de Estados em jogo, o momentum com que se lá chega acaba por ser determinante.Para já, e segundo uma sondagem da Quinnipiac, é Rick Perry que leva vantagem, com 28% das intenções de voto, contra 22% de Romney. 
Contudo, há ainda muito tempo para que Romney consiga dar a volta a recuperar o terreno perdido para Perry, que, relembre-se, tem a vantagem de ser sulista. E a resposta do antigo Governador do Massachusetts na Florida pode começar já hoje, quando tiver lugar mais um debate entre os candidatos presidenciais do GOP, precisamente no sunshine state, na cidade de Orlando, num evento organizado pela Fox News e pela Google. Até porque se tivermos em conta as últimas prestações de Perry e Romney em debates televisivos, então o último tem motivos para estar optimista.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Clinton quase convenceu Meek a desistir

Esteve muito perto de acontecer um decisivo golpe de teatro na corrida para o Senado na Florida. Segundo uma história do Politico,  Bill Clinton tentou convencer o candidato democrata, Kendrick Meek, a desistir a favor do independente Charlie Crist, de forma a impedir que o concorrente republicano, Marco Rubio, conquiste o assento no Senado em disputa. Meek terá, alegadamente, chegado a concordar com a ideia, mas desistiu no último momento, não querendo passar a imagem de desistente e, de acordo com o artigo, convencido pela esposa que ainda podia vencer a eleição.
Gorou-se a melhor e única hipótese de Rubio ser derrotado, já que, numa corrida a três, o republicano tem larga vantagem sobre os seus adversários. Se Meek tivesse desistido e apoiado o actual governador da Florida (em troca da promessa deste em juntar-se aos democratas no Senado), a eleição ganharia uma dinâmica totalmente diferente e a vitória estaria ao alcance de Charlie Crist. Além disso, esta "jogada" teria o condão de impedir a meteórica ascensão de Marco Rubio, que está a tornar-se um caso sério na política dos Estados Unidos e que, no futuro, pode ser um dos líderes do Partido Republicano.
A opção de Kendrick Meek é compreensível, até porque passou toda a campanha a atacar os flip-floppers e as manobras políticas de Crist. Contudo, ao não desistir, entrega a eleição a Rubio numa bandeja e resigna-se a um distante terceiro lugar. O seu futuro político é incerto, porque abdicou do seu assento na Câmara dos Representantes para concorrer ao Senado e esta sua decisão pode causar-lhe alguns anti-corpos no seio do seu partido. Mas, por outro lado, há alguém que, neste momento, está muito feliz e agradecido com a posição de Meek: Marco Rubio, pois claro.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Debate na Florida

O meu início de tarde do último Domingo foi passado a assistir, via CNN Internacional, ao debate entre os candidatos ao Senado dos Estados Unidos pela Florida, que decorreu no habitual talk-show daquela cadeia norte-americana, State of the Union. E devo dizer que não dei o tempo como perdido, já que a discussão foi interessante, animada e, por vezes, até bastante "quente".
Recorde-se que esta eleição é disputada pelo republicano Rubio, pelo Governador Charlie Crist, que, concorre como independente depois de perceber que não tinha hipóteses de vencer Rubio nas primárias do GOP, e pelo congressista democrata Kendrick Meek. Contudo, segundo as sondagens, a corrida está praticamente decidida a favor de Rubio que, desde o início do Verão, cavou uma diferença para os seus adversários que é, aparentemente, intransponível. Apesar disso, no debate de ontem, os três candidatos pareciam estar a lutar por uma corrida ditada pelo photo-finish, tal foi a intensidade com que decorreu a discussão e a troca de argumentos entre si.
Num debate onde os temas económicos, como o desemprego (com números particularmente altos na Florida), o corte de impostos, ou o défice, estiveram em destaque, travou-se uma acesa discussão ideológica entre Meek e Rubio, que Crist tentou aproveitar para se colocar como a voz moderada entre os três candidatos. A nível de posições políticas, não se assistiu a nada de novo. Marco Rubio criticou o big government e clamou pela continuação dos cortes de impostos e pelo liberalismo económico; Meek defendeu as medidas da administração Obama, como o pacote de estímulos à economia e tentou definir-se como o verdadeiro representante do Partido Democrata na corrida, defendendo-se das investidas de Crist ao tradicional eleitorado democrata; por sua vez, o ainda Governador da Florida mostrou-se aberto ao compromisso, tendo a particularidade de defender temas queridos aos conservadores, como o corte de impostos, e aos liberais, como o direito ao aborto.

Mas, da discussão política e ideológica, passou-se, na parte final do debate, para uma veemente troca de acusações entre Charlie Crist e Marco Rubio. Já antes, Meek tinha evidenciado o óbvio, que Crist apenas tinha abandonado a luta pela nomeação republicana porque percebeu que não podia vencer Rubio. Porém, a disputa entre o candidato republicano e o candidato independente foi bem mais enérgica, enquanto o democrata, à parte da discussão, se limitava a sorrir. A certo ponto, Marco Rubio, depois de ser repetidamente interrompido por Charlie Crist, apelidou o Governador de heckler, ao que este replicou, dando a Rubio as boas vindas à NFL (como quem diz, bem-vindo à primeira divisão).
No fim do debate, ficou a ideia que Marco Rubio é um fortíssimo candidato, parecendo sempre à vontade diante das câmaras e com resposta pronta para todos os ataques dos seus adversários. Charlie Crist, por sua vez, jogou aqui aquela que seria, porventura, a sua última cartada nesta corrida. Foi eloquente, agressivo e utilizou a estratégia inteligente de se mostrar como o candidato moderado e aberto ao compromisso, numa época de polarização partidária. Contudo, sem apoio partidário e com as suas constantes manobras políticas (como o abandono do GOP) e mudanças de opinião com fins eleitorais, será um dos grandes derrotados de 2 de Novembro. Finalmente, Kendrick Meek, foi bastante competente e demonstrou que poderá ter um interessante futuro político à sua frente. Todavia, esta não é a sua batalha e o seu único objectivo é tentar ficar à frente de Crist, o que parece difícil de conseguir.

Os resultados finais indicarão, salvo uma enormíssima surpresa, que Marco Rubio será o novo Senador americano pelo estado da Florida. Rubio é, sem dúvida, uma das maiores promessas do Partido Republicano e esta eleição, onde defrontou dois fortíssimos opositores, é a prova viva disso mesmo. De amanhã a oito dias, termina, então, uma das mais peculiares e interessantes eleições de que há memória nos Estados Unidos, que, certamente, muitas saudades irá deixar a todos os political junkies que têm seguido com especial atenção esta apaixonante corrida no sunshine state.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Continuam as primárias

Kendrick Meek venceu na Florida
Ontem à noite, nos Estados Unidos, disputou-se mais uma ronda de eleições primárias, tendo ido a votos os eleitores do Alasca, do Arizona, da Florida e do Vermont (no Oklahoma houve ainda uma segunda volta de uma primária republicana para o Congresso). E destas corridas saíram alguns resultados interessantes e relevantes para a grande decisão de 2 de Novembro, nas eleições intercalares de 2010.
No Arizona, John McCain, o candidato presidencial do GOP que, em 2008, foi derrotado por Obama, conseguiu a nomeação republicana para defender o seu próprio lugar no Senado, vencendo por larga margem J. D. Hayworth. Contudo, esta vitória - que há não muito tempo atrás chegou a parecer estar em risco - custou muitos pontos políticos a McCain, que foi obrigado a gastar uma grande soma de dinheiro e a promover uma viragem ideológica à direita para derrotar Hayworth, mais conservador e apoiado pelo Tea Party. De facto, McCain, outrora o maverick Partido Republicano, mudou de opinião em muitos temas para conseguir atrair o eleitorado mais conservador das primárias do seu partido, como, por exemplo, na questão da imigração, ou dos homossexuais nas Forças Armadas.
Mais a leste, na Florida, duas corridas merecem destaque: as primárias democratas para o Senado e as primárias republicanas para o cargo de governador estadual. No primeiro caso, o vencedor foi Kendrick Meek, o candidato apoiado pelo establishment democrata, derrotando o milionário Jeff Greene por uma margem confortável. Porém, este desfecho pode não ser o mais favorável para os destinos dos democratas na Florida. Isto porque Meek, um congressista com história no partido e próximo de grandes figuras democratas, como os Clinton, obrigará a estrutura partidária a conceder-lhe o seu apoio incondicional na eleição geral, onde não terá hipóteses de vencer contra o republicano Marco Rubio e o independente Charlie Crist. Se tivesse sido Greene o vencedor, os democratas poderiam apoiar Crist mais abertamente e esperar que o actual governador da Florida se juntasse a eles no Senado. Assim, o eleitorado moderado e liberal dividirá o seu voto entre Crist e Meek, aumentando exponencialmente as chances de vitória de Rubio.
Mas a grande surpresa da noite deu-se nas primárias do GOP para governador da Florida, com a vitória de Rick Scott sobre o favorito Bill McCollum. McCollum era visto como o candidato natural do GOP, com passado no partido e no Estado - foi congressista, duas vezes candidato ao Senado e Procurador-Geral da Florida. Mas Scott, que entrou tardiamente na corrida, veio alterar a situação e, com recurso à sua fortuna, bateu todos os recordes de dinheiro gasto numa campanha (39 milhões de dólares) e atacou, com sucesso, McCollum, caracterizando-o como um político de carreira, à velha maneira de Washington. 
Contados os votos, fica mais definido o cenário eleitoral para as midterms de Novembro, mas as primárias ainda vão continuar por mais um mês, até ao final de Setembro. Por essa altura, teremos uma melhor noção do que poderá acontecer. Por agora, a situação continua muito, muito desfavorável para os democratas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Podem os democratas apoiar Crist?


Desde que Charlie Crist, o actual Governador da Florida, anunciou a sua decisão de concorrer ao Senado americano como candidato independente tudo indicava que, na eleição de Novembro, os eleitores do sunshine state tivessem pela frente uma decisão entre três candidatos: o próprio Crist, o republicano Marco Rubio e o democrata Kendrick Meek.

Meek, um congressista afro-americano, apoiado pelo establishment democrata, parecia o inevitável nomeado pelo partido de Obama, mas, agora, surgiu um novo nome pela corrida à nomeação democrata, o bilionário Jeff Greene que pode intrometer-se nesta luta. Se Meek for mesmo o candidato oficial na eleição geral, o Partido Democrata ver-se-á obrigado a colocar atrás de si toda a estrutura partidária, mesmo que o congressista tenha minúsculas hipóteses de ganhar (as sondagens colocam-no muito longe de Rubio e Crist). Contudo, uma vitória nas primárias de Greene, que não tem qualquer passado no partido, proporcionaria um cenário bem diferente, com muitos dos principais democratas da Florida e do país a poderem sentir-se tentados a apoiar Charlie Crist que, coincidência ou não, até tem realizado, desde que deixou o GOP, uma curiosa viragem à Esquerda.

Um hipotético apoio democrata a Charlie Crist seria a escolha do mal menor, tendo em conta que Rubio, vencendo a eleição, representaria, certamente, um voto bem mais conservador do que Crist. Assim, a pergunta que encabeça este post é colocada cada vez mais frequentemente nos Estados Unidos. Porém, a resposta é ainda uma incógnita e terá de esperar, muito provavelmente, pelo resultado das primárias democratas de Agosto. Mas uma coisa parece certa: o apoio a Charlie Crist é a única possibilidade de o Partido Democrata conseguir uma vitória na Florida.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Indy Crist

Segundo os media americanos confirma-se aquilo que já era aguardado: o actual governador da Florida e candidato pelo Partido Republicano ao Senado, Charlie Crist, anunciará hoje a sua desistência das primárias republicanas e a sua candidatura como independente.
Crist, que em todas as sondagens surgia muito atrás do seu opositor, o conservador Marco Rubio, tenta, desta forma, ainda conseguir chegar ao Senado americano, utilizando uma táctica que, antes de si, permitiu, por exemplo, a Joe Lieberman manter-se na câmara alta do Congresso. Porém, esta sua "traição" ao partido que o lançou para os grandes palcos, pode prejudicar a sua imagem junto do eleitorado, que não costumam gostar destas manobras políticas.
Com este cenário, a eleição passa a estar definitivamente em aberto. Rubio ainda é o favorito, mas numa corrida a três tudo pode acontecer. Assim, o grande beneficiado desta situação pode ser Kendrick Meek, o candidato democrata que, numa decisão a dois não teria qualquer hipótese de vitória, mas que desta forma pode-se intrometer na luta. Meek, um congressista pelo Estado da Florida, mas ainda pouco conhecido a nível estadual, foi o candidato encontrado pelos democratas que nunca prestaram muita atenção a esta disputa por um lugar no Senado, pois partiram do princípio que Crist seria imbatível. Mas, afinal, estavam muito enganados.

sexta-feira, 19 de março de 2010

The curious case of Florida

Nas midterms de Novembro, a Florida será um dos Estados a estar em destaque, com a corrida para substituir o senador republicano George LeMieux a ganhar contornos de grande interesse e mediatismo.
Inicialmente, este lugar no Senado parecia ir directamente para Charlie Crist, o actual governador republicano do sunshine state. Porém, o seu maior opositor, Mark Rubio, ex-Speaker da Câmara dos Representantes, ganhou momentum e tem agora, segundo as sondagens, uma incrível vantagem sobre Crist. Isto deve-se ao carisma de Rubio e ao facto de estar a conseguir cativar o eleitorado mais conservador do GOP, enquanto Crist é um republicano mais moderado e tomou medidas, como o apoio ao pacote de estímulos à economia de Obama, que desagradaram às bases do seu partido.
Apesar de estas primárias apenas terem lugar em Agosto, parece que a vantagem de Rubio, uma estrela em ascensão no GOP, pode ser irrecuperável para o actual governador. Caso este cenário se confirme, fala-se já na possibilidade de Charlie Christ concorrer na eleição geral como independente, ou mesmo mudando de partido e concorrendo como democrata. Ambas as situações não seriam inéditas e existem até casos recentes: em 2006, o senador Joe Lieberman perdeu a sua primária no partido democrata, mas venceu a eleição geral, concorrendo como independente. Já em 2009, o senador Arlen Specter, sabendo que não conseguiria ganhar a nomeação pelo GOP, mudou-se para o lado democrata, partido pelo qual tenta, este ano, a sua reeleição.
Mas, no caso de Crist, o mais provável, caso perca a nomeação e decida tentar a sua sorte na eleição geral - o que não é líquido, visto que manter-se na mansão do Governador é uma possibilidade - será concorrer como independente. Este dado poderia resultar numa das eleições mais disputadas e equilibradas do panorama eleitoral de 2010. Uma campanha com Rubio, Crist e ainda o candidato democrata - provavelmente o congressista Kendrick Meek - poderia beneficiar este último, devido à divisão da direita, e faria desta eleição uma three-way-race, de resultado imprevisível. Tudo isto fará com que este ciclo eleitoral na Florida vá ser seguido com muita atenção.