segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um novo frontrunner?

Durante largos meses, Mitt Romney foi o incontestável favorito a conseguir, no próximo ano, a nomeação presidencial pelo Partido Republicano. Todavia, a entrada de Rick Perry na corrida veio mudar drasticamente o status quo anterior e, com as sondagens a apontarem o Governador do Texas como o melhor colocado a vencer as primárias do seu partido, já muitos o consideram o novo frontrunner.
Por outro lado, há quem recorde - e com razão - que, a quase seis meses de distância do caucus do Iowa (que deve ter lugar em Fevereiro do próximo ano), ainda muito se irá passar. Porém, não é por acaso que o Verão e Outono que antecedem as primárias presidenciais são apelidadas de "pré-primárias". Isto porque é nesta época que os candidatos angariam fundos que lhes permitem financiar as suas dispendiosas campanhas presidenciais e que amealham importantes apoios da estrutura partidárias, figuras emblemáticas, etc. Assim, é muito importante demonstrar a sua competitividade e viabilidade eleitoral, de modo a não afugentar os potenciais financiadores e apoiantes que serão primordiais para a longa campanha que se avizinha.
Há também quem defenda que o actual sucesso de Rick Perry nas sondagens é apenas um bump natural, decorrente do anúncio da sua candidatura. Contudo, a subida dos números do texano tem sido consistente e parece algo mais que isso. Até porque Perry não se limita a conseguir bons resultados em sondagens nacionais frente aos seus opositores republicanos, mas consegue também surgir à frente em Estados que estariam, à partida, seguros para Romney (como no Nevada) e mesmo em match-ups com Barack Obama.
Não quero com isto dizer que Rick Perry é o inevitável vencedor. Mitt Romney é ainda um formidável concorrente e conta com importantes vantagens do seu lado. Em primeiro lugar, o antigo Governador do Massachusetts beneficia do facto de a ala mais conservadora do GOP estar sobre-representada no leque de candidatos presidenciais (Perry, Bachmann, Santorum, eventualmente Sarah Palin, etc.). Assim, Perry terá de se bater pelo voto dos eleitores mais conservadores com uma data de concorrentes de segunda linha que, apesar de não terem hipóteses de chegar à nomeação, podem retirá-la ao Governador do Texas. Em sentido contrário, Romney está praticamente sem oposição na disputa pelo eleitorado mais moderado, visto que John Huntsman teima em não subir de um insignificante 1% nas sondagens.Depois, é preciso não esquecer que Romney já passou por uma campanha presidencial e, por isso, já experimentou o apertado escrutínio público e mediático. Rick Perry, pelo contrário, está agora a estrear-se nestas andanças e nunca se sabe o que poderá surgir quando a comunicação social e os seus opositores começaram a "vetar" todo o seu passado.
Ainda assim, é por demais evidente que Romney tem todas as razões para estar tremendamente preocupado com Rick Perry e que a sua campanha terá de reagir energicamente e de testar novas estratégias (o volte-face na decisão de não competir no Iowa já é, certamente, uma reacção à emergência de Perry) caso queira defrontar Barack Obama na eleição geral, em Novembro de 2012.

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