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quinta-feira, 2 de maio de 2013

A luta pelas armas

Apesar de a mais recente legislação que restringiria (muito pouco) a compra de armas de fogo nos Estados Unidos não ter passado no Senado, parece que este tema controverso não despareceu da agenda política norte-americana. Aliás, é bem provável que a proposta de lei ou outra muito semelhante volte a ser votada no Congresso, já que o chumbo anterior caiu que nem uma bomba entre os proponentes dessa medida.
Após o falhanço no Senado, os defensores do gun control têm realizado um autêntico blitz mediático, aproveitando-se da popularidade da proposta de lei chumbada entre a maioria dos eleitores norte-americanos. Assim, personalidades como Gabby Giffords (a congressista democrata baleada em Tucson) ou o Mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg têm feito uma intensiva campanha de lobbying de forma a garantir que a mais ambiciosa legislação para o controlo da compra de armas das últimas décadas se torne realidade. 
Parte da estratégia deste lobby anti-armas de fogo é a crítica aos republicanos que votaram contra e que representam Estados moderados. Por exemplo, a senadora Kelly Ayotte, do New Hampshire, está a ser alvo de duras críticas, ao mesmo tempo que é pressionada para modar o seu sentido de voto numa eventual nova votação. Em sentido contrário, um dos proponentes da legislação, o senador republicano Pat Toomey tem visto os seus índices de popularidade subirem na Pennsvylvania, o Estado que representa e que, em 2012, foi ganho por Obama com 52% dos votos.
Para compensar o esforço dos partidários do controlo de armas, o poderosíssimo lobby das armas, em especial a National Rifle Association, está também a colocar a sua própria campanha no terreno. Contudo, a estratégia da NRA passa mais por pressionar os senadores conservadores ao ameaçar descer o seu rating (a NRA possui um ranking onde classifica todos os congressistas de acordo com o seu historial de voto mais ou menos favorável à livre posse de armas de fogo) e a caracterizá-los como anti-armas do que a alterar a opinião da maioria dos cidadãos americanos que apoiam a proposta de lei. Por isso, há até quem fale de um atentado à democracia, quando se percebe que um poderoso lobby tem mais influência do que a opinião pública.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lei de controlo de armas chumba no Senado

Decorreu ontem, na câmara alta do Congresso dos Estados Unidos, a tão esperada votação de uma nova emenda à lei do controlo de armas no país que visava alargar e reforçar o background check dos compradores de armas e fechar uma falha na legislação que permitia a venda livre de armas em feiras especializadas (os chamados gun shows). Contudo, a proposta de lei obteve apenas 54 votos favoráveis, ficando, por isso, aquém dos 60 necessários para ultrapassar o previsível filibuster de bloqueio.
Apesar de ter cariz bipartidário - a proposta de lei foi patrocinada por dois senadores, o democrata Joe Manchin e o republicano Pat Toomey - a gun controll bill nem sequer conseguiu receber o apoio de todos os senadores democratas, já que foram cinco os membros do Partido Democrata que votaram contra a proposta (entre eles, Harry Reid, o líder democrata, que apenas o fez por razões procedimentais, podendo, assim, voltar a submeter a proposta a votação). Por outro lado, apenas quatro senadores republicanos votaram favoravelmente, o que foi insuficiente para que a proposta passasse no Senado.
Cumpriu-se, assim, o desfecho esperado, já que não era crível que o Senado votasse a favor desta medida. Dado que mesmo que a proposta passasse na Câmara Alta, era já um dado praticamente adquirido que a mesma iria chumbar na Câmara dos Representantes controlada pelo GOP. Ora, esse facto desmotivava qualquer senador que pudesse estar disposto a mudar de posição de forma a permitir a passagem da proposta. Sendo certa a derrota da medida, ninguém quereria prejudicar a sua posição política, fosse por ir contra os seus eleitores, fosse por ir contra a poderosa National Rifle Association.
E foi assim que morreu, pelo menos para já, mais uma proposta que pretendia controlar, ainda que muito timidamente, a compra e a posse de armas nos Estados Unidos. Mais uma vez, fica comprovado o poderio do lobby das armas que foi capaz de impedir uma medida apoiada pela esmagadora maioria dos norte-americanos e que contava com o alto patrocínio da Casa Branca e de nomes dos dois partidos.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tragédia em Denver

O trágico "massacre de Denver" foi ainda na semana passada, mas o acto de loucura de um indivíduo que desatou a disparar na estreia de um filme da saga Batman continua a dominar o ciclo noticioso nos Estados Unidos. Como se sabe, nestas ocasiões, é normal que os índices de popularidade do Presidente em exercício subam ligeiramente, fruto do sentimento de luto e união popular que se costuma gerar após dramas de cariz nacional. Contudo, esse pequeno bump, a existir, será certamente de curta duração e, após estes dias em que as emoções estão ainda mais "à flor da pele", os números voltarão ao normal.
Nos Estados Unidos, é relativamente comum, quando sucede um acontecimento deste género, marcado por um grande número de mortes causadas por armas de fogo, se reaviva o debate em torno da 2ª emenda e das leis que tornam bastante fácil, na grande maioria dos Estados norte-americanos, o acesso a armas de foto. Desta vez, porém, e à imagem do que aconteceu após o massacre de Tucson, pouco se tem falado desta questão e poucos são os políticos que tentam levantar mais alto a bandeira do controlo de armas de fogo. Isto porque esta questão cada vez divide menos os cidadãos norte-americanos, que são, actualmente, esmagadoramente a favor da posse de armas de defesa pessoal e, consequentemente, diminuem os políticos que defendem a causa do controlo de armas de fogo.
Assim sendo, sem grandes implicações na campanha eleitoral e à falta de grandes iniciativas políticas que visem combater a ocorrência deste flagelo que é o homicídio em massa com recurso a armas de fogo, as declarações dos candidatos presidenciais sobre esta tragédia são os elementos políticos mais concretos a que podemos fazer referência. Elas aqui ficam: