segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

As críticas à (pouca) diversidade da Administração Obama

Nos últimos tempos, Barack Obama tem recebido críticas oriundas de sectores liberais devido às suas mais recentes nomeações para os mais altos cargos da nação. Dizem estas franjas do Partido Democrata que Obama tem escolhido apenas homens branco, como são o caso de John Kerry (o nomeado para Secretário de Estado), Chuck Hagel (Secretário da Defesa) e Jack Lew (Secretário do Tesouro), não promovendo, por isso, a diversidade na sua Administração e não respeitando as minorias étnicas e as mulheres, que foram, no fim de contas, os grupos eleitorais responsáveis pela sua (re)eleição).
Todavia, estas críticas são, na minha opinião, exageradas e, diria até, injustas. É necessário recordar que o Cabinet de Obama conta com vário representantes de minorias (além do próprio Obama, claro está): o Attorney General, Eric Holder, é afro-americano; duas hispânicas, Janet Napolitano e Kathleen Sebelius, são, respectivamente, Secretárias da Segurança Interna e dos Serviço de Saúde e Humanos; dois asian-americans, Stevem Chu e Eric Shinseki são os responsáveis pela Energia e pelos Assuntos dos Veteranos. Além disso, importa não esquecer que a primeira escolha de Obama para o Departamento de Estado foi Susan Rice, uma mulher afro-americana. Finalmente, Obama poderá ainda silenciar ou acalmar as reprimendas que se têm ouvido, utilizando, para o efeito, as duas vagas ainda por preencher no seu Cabinet (Comércio e Trabalho) e que podem ser ocupadas com representantes das minorias.
Apesar de não passarem, na sua maioria, de ruído, estas críticas têm o condão de nos recordar um dos grandes feitos das campanhas presidenciais de Obama: a voz política das minorias e das mulheres subiu muito de tom desde que o 44º Presidente dos Estados Unidos chegou à Casa Branca. Há não muito tempo atrás, a falta de diversidade numa Administração não seria alvo de tanto burburinho e seria até considerado normal. Contudo, o grande movimento catapultado pelas duas corridas presidenciais de Obama, alicerçadas precisamente nas mulheres, nos jovens e nas minorias étnicas colocou estes grupos, outrora algo marginalizados politicamente, com uma efectiva presença na arena política. Não admira, por isso, que estes grupos do eleitorado, que votaram em grande número em Obama e sem os quais este não venceria, se sintam agora merecedores de se fazerem representar entre as mais altas figuras dos Estados Unidos.

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