sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os democratas apostam tudo no Senado

A menos de nove meses das eleições intercalares, as atenções começam a virar-se para as várias corridas que terão lugar um pouco por todo o território dos Estados Unidos. Ainda assim, nesta altura, o centro das decisões eleitorais ainda se mantém em Washington, à medida que os diversos candidatos vão angariando os tão necessitados fundos financeiros para as suas campanhas e que as estruturas partidárias vão alinhavando estratégias para alcançar o melhor resultado possível nas eleições do dia 4 de Novembro.
No Partido Democrata, a estratégia escolhida começa a ser evidente: com fundos e recursos limitados, os líderes e estrategas democratas apontam baterias para o Senado, deixando as corridas para a Câmara dos Representantes para segundo plano. Nos últimos tempos, esta táctica tem sido evidente e abertamente discutida em público, com muitos dos maiores financiadores do Partido Democrata a revelarem que a liderança do partido tem solicitado que concentrem as suas doações em eleições para a câmara alta. 
O rumo escolhido pelos democratas parece lógico. Se há um ano atrás, após a derrota republicana no shutdown, parecia possível os democratas estarem na luta pela reconquista da Câmara dos Representantes, agora, com o deterioração da imagem do Presidente Obama, a situação é bem diferente e os democratas têm poucas hipóteses de voltarem a ser a maioria na câmara baixa. De facto, o redesenho dos distritos eleitorais está actualmente tão desequilibrado a favor dos candidatos republicanos que, mesmo que os democratas consigam  uma percentagem total de votos nacionais para a House superior a dois pontos percentuais (como apontam as previsões actuais), isso não será suficiente para o Partido Democrata eleger mais congressistas que o GOP.
Assim, os democratas preferem ir all in nas corridas para o Senado, de modo a aumentarem as suas hipóteses de manter a maioria na câmara alta, já que a derrota nas duas câmaras significaria o fim de facto da presidência Obama, que ficaria sem qualquer possibilidade de interferir na agenda doméstica, ficando relegado para a política externa, quase que como um Secretário de Estado com o Air Force One só para si.
Contudo, nem essa estratégia é garantia de sucesso, já que o cenário em 2014 é muito desfavorável para o Partido Democrata. Dos 36 assentos no Senado em discussão no próximo Outono, 21 deles são actualmente ocupados por democratas, com apenas 15 na posse de republicanos.
Entre os 21 lugares democratas, os lugares em disputa no South Dakota, no Montana e na West Virginia estão muito inclinados para o lado republicano, ao passo que outras seis corridas  (Michigan, Arkansas, Alaska, Iowa, Louisiana e North Carolina) estão actualmente muito equilibradas. Por seu lado, o GOP tem apenas dois lugares em jogo, no Kentucky e na Georgia. Curiosamente, o primeiro corresponde precisamente a Mitch McConnell, o líder da minoria republicana no Senado, que, apesar da sua posição de liderança, é altamente impopular no seu Estado e pode muito bem não conseguir a reeleição.
Ora, como o Partido Democrata conta com 55 senadores face aos 45 republicanos, o GOP necessita de ganhar seis assentos aos democratas para se afirmar como a maioria no Senado. Se segurar os seus dois lugares no Kentucky e na Georgia e se se confirmarem as vitórias republicanas no South Dakota, no Montana e na West Virginia, o Partido Republicano fica a apenas três assentos de conquistar a maioria do Senado, que podem ser alcançada se vencer em três das seis corridas actualmente muito renhidas.
Fica, por isso, demonstrado que a conquista da maioria no Senado pelos republicanos é um cenário possível e que alguns consideram até provável num ano que se espera favorável para os candidatos do GOP. Todavia, é preciso não esquecer que em todos as eleições para o Senado desde 2006 os candidatos democratas à câmara alta do Congresso superaram as expectativas e alcançaram resultados acima do esperado. Será que em 2014 isso voltará a acontecer ou teremos um Congresso totalmente republicano? Teremos de esperar para ver.

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