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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

As minhas apostas


Ora aqui está a minha previsão para o mapa eleitoral da corrida presidencial de 2024. Como se percebe, a minha aposta é que Kamala Harris será a próxima presidente dos Estados Unidos, conquistando 308 votos eleitorais face aos 230 amealhados por Donald Trump, e tornando-se a primeira mulher a presidir aos domínios da nação norte-americana. 

Prevejo que a candidata democrata vença em seis dos sete battleground states, apenas deixando o Arizona escapar para a coluna republicana. Sei que é uma aposta arriscada e não a faria há uma ou duas semanas, mas existem alguns sinais de que as sondagens estarão, desta vez, a subrepresentar o apoio à nomeada do Partido Democrata, que deverá ainda ganhar no voto nacional por cerca de quatro pontos percentuais relativamente a Trump.

Para alcançar este resultado, acredito que Kamala Harris consiga aumentar significativamente a participação eleitoral dos jovens e das mulheres, dois grupos que votarão em maior número do que as empresas de sondagens antecipam e que apoiarão, maioritariamente, a candidata democrata. Com o tema do aborto e da saúde da democracia americana a prevalecerem sobre a preocupação da situação económica que começa, agora, a mostrar sinais mais evidentes do seu bom desempenho, Harris manterá a coligação que, há quatro anos, elegeu Joe Biden, composta por eleitores urbanos, com educação universitária, mulheres, afro-americanos e hispânicos, ao mesmo tempo que melhorará o desempenho junto das mulheres brancas, um segmento essencial para a dimensão do seu triunfo.

Apesar de eleita para a Casa Branca, Kamala Harris terá de saber ultrapassar um Congresso não totalmente alinhado com a sua agenda política, pois prevejo que o Senado passe a ser controlado pelos republicanos, ainda que pela margem mínima. Com muitos lugares em terreno difícil para defender, os democratas, apesar de aguentarem assentos em corridas complicadas no Wisconsin, Michigan, Ohio, Pennsylvania, Arizona, Nevada e Pennsylvania (ajudados pelo desempenho acima do esperado de Kamala Harris que alavancará os restantes candidatos democratas), não serão capazes de segurar os lugares na West Virginia e no Montana, perdendo, assim, a maioria na câmara alta. 


Em sentido inverso, acredito que os democratas inverterão o cenário actual na câmara baixa do Congresso e conquistarão a maioria na Câmara dos Representantes. Nesse caso, também Hakeem Jeffries faria história ao tornar-se o primeiro negro a servir como Speaker of the House. Também empurrados pela "onda" de apoio a Kamala Harris, os democratas ficarão, ainda assim, com uma curta margem de manobra, pois não deverão contar com mais de uma dezena de congressistas de vantagem relativamente ao GOP.

Fica, assim, feita a minha previsão final para a muito antecipada noite e madrugada eleitoral. Que não falte café para nos manter acordados numa jornada que se antecipa longa, mas interessante e, até, emocionante. 

As previsões finais


Estamos na véspera do grande dia (noite e madrugada) e, por isso, está na altura de passar em revista as últimas previsões. Mais tarde, como não poderia deixar de ser, farei a minha aposta final.

FiveThirtyEight

Hipóteses de vitória: Trump 53% - Harris 46%

Votos eleitorais:  Trump 297 - Harris 241

The Silver Bulletin

Hipóteses de vitória: Trump 50,4% - Harris 49,2% 

Votos eleitorais: Trump 287 - Harris 251 

The Economist

Hipóteses de vitória: Harris 50% - Trump 50%

Votos eleitorais: Harris 270 - Trump 268

Real Clear Politics

Votos eleitorais: Trump 287 - Harris 251 

Larry Sabato's Crystal Ball

Votos eleitorais: Harris 276 - Trump 262

Cook Political Report

Votos eleitorais: Harris 226 - Trump 219 - Toss up 93

Como se vê, o equilíbrio é a nota dominante e se a eleição for, como se prevê, muito renhida e decidida por poucos votos eleitorais, as sondagens e os modelos de previsão terão motivos para cantar vitória. Contudo, se assistirmos a uma surpresa e um dos candidatos ganhar de forma relativamente confortável, então as sondagens terão voltado a falhar e ficarão (ainda mais) debaixo de fogo. Seja como for, já não falta muito para sabermos a resposta a esta questão. 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

As minhas apostas

 
















A poucas horas de abrirem as urnas nos Estados Unidos, deixo aqui a minha aposta para o figurino do Colégio Eleitoral depois de se contarem todos os votos. Este foi um exercício especialmente difícil de fazer, tão grande é o número de battleground states com sondagens a mostrarem diferenças entre os dois candidatos dentro da margem de erro. 

Entre eles, o mais difícil de prever foi a Florida, mas dadas as vitórias republicanas neste estado em 2016 e 2018, atribuo favoritismo mínimo a Donald Trump. Mas que isso não descanse os simpatizantes do GOP, já que, em 2012, apostei na vitória de Romney no sunshine state e, em 2016, num triunfo de Hillary Clinton. Por isso, o meu histórico na Florida não é o melhor.

A confirmar-se a minha previsão, Joe Biden será o próximo presidente norte-americano, relegando Trump para a condição de one term President. Com uma margem clara, mas não tão grande como se poderia prever, Biden conseguiria uma coligação alargada de estados do Nordeste, do Sul, do Midwest e do Oeste. 

Maior que a vitória de Biden no Colégio Eleitoral, deverá ser o seu triunfo no total de votos a nível nacional. Nesse campo, que não conta para o apuramento do resultado final, mas é sempre importante para a legitimação do mandato presidencial, Biden poderá mesmo conseguir uma margem de dois dígitos. No mínimo, conseguirá, pelo menos 5/6 pontos percentuais de vantagem. Na minha opinião, a diferença entre os dois concorrentes deverá rondar os 7/8%, o que demonstra bem a actual desvantagem dos democratas no Colégio Eleitoral - em 2008, Barack Obama, com uma margem de 7,2% no voto popular, amealhou 365 votos eleitorais.

















Passemos agora para a disputa pelo Senado, que, nos últimos dias, ganhou um maior equilíbrio fruto de uma ligeira recuperação dos candidatos republicanos em alguns estados. Com muitas corridas equilibradas, foi bastante difícil apresentar um mapa sem toss ups, pelo que este é cenário mapa com muitas interrogações. 

Em primeiro lugar, deixei ficar sem decisão as duas eleições na Georgia, já que ambas deverão obrigar a uma segunda volta. Depois, atribuí triunfos aos democratas no Maine, onde a republicana Susan Collins se tem aguentado, mas continua atrás nas sondagens, na North Carolina, onde o candidato democrata tem surgido constantemente na frente apesar de um escândalo sexual a semanas da eleição, e no Arizona. Para o GOP, ficaram os lugares no Kansas, no Montana, na South Carolina, estados profundamente republicanos, e os assentos no Iowa e no Texas. Nestes dois últimos estados, a minha decisão foi mais difícil: com as sondagens a dizerem que ambas as corridas estão muito equilibradas, favoreci os dois senadores do GOP, pois, tradicionalmente, o estatuto de incumbent confere alguma vantagem.

Com este cenário, os democratas têm vantagem na disputa pelo controlo da câmara alta, pois conseguem metade dos assentos e podem ainda alcançar pelo menos mais um lugar nas corridas da Georgia. Além disso, contarão, a confirmar-se a minha previsão de uma vitória de Joe Biden, com o voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris. 

Finalmente, na Câmara dos Representantes, o Partido Democrata deverá reforçar a sua maioria e conquistar mais uma dezena de assentos, podendo esse número variar entre cinco e quinze. Desta forma, os democratas completam o tri-factor, fazendo o pleno nas eleições para a Casa Branca, Senado e Câmara dos Representantes, o que poderá ser fundamental para o sucesso legislativo dos democratas nos próximos dois anos. 

Nota ainda para as eleições para Governador em alguns estados. Sem grandes motivos de interesse a este nível no presente ciclo eleitoral, as corridas mais interessantes estão no Montana, onde o candidato republicano é favorito, e na North Carolina, onde é o democrata que parte com vantagem. 

Terminadas as previsões, importa agora seguir as contagens dos votos e consultar os resultados finais. Para ajudar, apresentarei, mais logo, um resumo dos estados a seguir e os horários dos fechos das urnas em todos os estados. Afinal, este é o dia mais longo do ano e está apenas a começar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

As últimas previsões

É (finalmente) amanhã o grande dia das eleições nos Estados Unidos. Com mais de metade dos votos já submetidos, os restantes eleitores deslocam-se às urnas para escolher os seus governantes e legisladores. A pouco mais de 24 horas do fecho das urnas, é altura de fazer uma última ronda pelas previsões, sendo que a mais importante (a minha) ficará para o dia de amanhã.

FiveThirtyEight

Hipóteses de vitória: Biden 90%; Trump 10%

Votos eleitorais: Biden 351; Trump 187

Real Clear Politics

Votos eleitorais: Biden 335Trump 203

Cook Political Report

Votos eleitorais: Biden 290Trump 125; Toss up 123

The Economist

Hipóteses de vitória: Biden 95%Trump 5%

Votos eleitorais: Biden 351Trump 187

Electoral Polls

Hipóteses de vitória: Biden 96%; Trump 4%

Votos eleitorais: Biden 335; Trump 203

Larry Sabato's Crystal Ball

Biden 321Trump 217; 

Como se pode verificar, a vantagem de Joe Biden face a Donald Trump tem sido constante e estabilizou desde o último debate. Se confiarmos nas sondagens, então o ex-vice de Barack Obama será o 45º presidente dos Estados Unidos e substituirá Trump a partir de 20 de Janeiro de 2021. 

Contudo, como costumam dizer os políticos da nossa praça, "sondagens valem o que valem" e temos de esperar pelos resultados oficiais, que podem demorar alguns dias, para saber se, desta vez, os estudos de opinião acertaram ou se temos um novo golpe de teatro, como o que aconteceu em 2016. 


terça-feira, 20 de outubro de 2020

O que dizem as previsões

É já de hoje a duas semanas o dia das eleições nos Estados Unidos. Ao contrário do que é normal, é muito provável que não fiquemos a saber, nessa noite (ou madrugada em Portugal) quem é o vencedor de várias corridas, com destaque, claro está, para a disputa pela Casa Branca. Devido à pandemia, o enorme fluxo de votos por correspondência e a possibilidade de esses boletins enviados por correio serem aceites após o dia 3 de Novembro (desde que tenham o selo dos correios referente a esse dia), podemos ter que esperar mais alguns dias para que todos os votos estejam contados. 

À medida que se aproxima a data limite para o voto, diminuem os indecisos e também a margem de erro das sondagens. Importa, por isso, fazer um ponto de situação, percorrendo alguns modelos, agregadores de sondagens e previsões disponíveis, para melhor se perceber se devemos esperar a reeleição de Donald Trump ou se será Joe Biden a tornar-se o 46º presidente norte-americano. Assim:

538.com 

Probabilidade de vitória: Biden - 87%; Trump - 12%; Empate - 1%

Votos eleitorais - Biden - 335; Trump - 203

The Economist

Probabilidade de vitória: Biden - 92%; Trump - 8%

Votos eleitorais - Biden - 346; Trump - 192

Real Clear Politics

Votos eleitorais - Biden - 357; Trump - 181

Larry Sabato's Crystal Ball

Votos eleitorais - Biden - 290; Trump - 163; Toss-up - 85

Com base nestes dados, fica evidente que, neste momento, Joe Biden é o claro favorito a conquistar a Casa Branca. Contudo, há quatro anos, também Hillary Clinton parecia lançada rumo à presidência e, no fim de contas, foi Donald Trump a conseguir ultrapassar os 270 votos eleitorais necessários para se poder sentar na Sala Oval. 

Por isso, e ainda que as empresas de sondagens e os próprios modelos agregadores de sondagens tenham feito ajustes na sequência do upset de há quatro anos, é preciso ter alguma cautela quando se olha para estes números. A propósito deste tema, aconselho a leitura da análise do responsável da empresa Trafalgar Group, cujas sondagens têm sido bem mais favoráveis para Trump do que a média. Ainda que esta empresa tenha um claro bias republicano e uma classificação de apenas C- pelo FiveThirtyEight, a verdade é que, há quatro anos, previram correctamente o triunfo de Trump no Michigan. 

Daqui a umas duas semanas, veremos se a Trafalgar tem ou não razão. Mas uma coisa é certa: se Trump vencer, e depois do que aconteceu em 2016, as empresas de sondagens e os gurus da previsão como Nate Silver, terão os dias contados, ou, no mínimo, perderão toda a credibilidade. Para já, e confiando nas empresas e nas pessoas que, no passado, já demonstraram a sua competência, parece-me indiscutível que é o candidato democrata quem leva vantagem na corrida. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mapa eleitoral - a minha previsão

Há quatro anos fui um verdadeiro Nate Silver e acertei no vencedor de 49 dos 50 Estados norte-americanos. Agora, volto a fazer uma previsão, ainda que me pareça que, desta vez, o mapa eleitoral é mais incerto e, como tal, mais difícil de prever. Com algumas dúvidas (principalmente na Florida, North Carolina e New Hampshire), aposto no seguinte mapa:
  
Teremos, assim, se estiver correcto, uma mulher na Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2017 e Hillary Clinton será a 45ª presidente dos EUA. Quanto ao voto popular, prevejo uma vitória de Hillary por 4%, com 49% dos votos, contra 45% de Donald Trump. O candidato libertário Gary Johnson receberá 4%, falhando assim o seu objectivo (5%). Amanhã (ou na madrugada de Quarta-feira), veremos como me saí neste "totobola".

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apanhado de projecções

Depois da minha projecção, feita ontem, vale a pena fazer um apanhado de previsões das mais variadas fontes, entre especialistas, jornalistas ou entusiastas das eleições presidenciais americanas. Como se pode ver, há previsões para todos os gostos.

Nate Silver (FiveThirtyEight): Obama 303 - Romney 235

Larry Sabato (UVA Center for Politics): Obama 290 - Romney 248

Ezra Klein (Washinton Post): Obama 290 - Romney 248

Josh Putnam (Davidson College): Obama 332 - Romney 206

Filipe Ferreira (EUA2012): Obama 286 - Romney 252

José Gomes André (Era Uma Vez na América): Obama 294 - Romney 244

Michael Barone (The Examiner): Romney 315 - Obama 223

Karl Rove: Romney 285 - Obama 253

Dick Morris (FoxNews): Romney 325 - Obama 213

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Previsão final


Colégio Eleitoral: Obama 303 - Romney 235
 
Voto Popular: Obama 50% - Romney 49%
 
Senado: Democratas 53 - Republicanos 47
 
Câmara dos Representantes: Democratas ganham alguns lugares (entre 4 a 8), mas o GOP mantém a maioria
 
No Sábado, já antevi a vitória de Barack Obama na eleição presidencial que se decide amanhã. Contudo, na véspera do grande dia, deixo aqui a minha previsão para o mapa eleitoral das eleições de 2012. Como podem ver pela imagem de cima, prevejo a vitória de Obama por 303 votos eleitorais, cabendo a Mitt Romney os restantes 235. Para chegar a estes números, atribuí ao actual Presidente vitórias nos battleground states Ohio, New Hampshire, Virginia, Iowa, Colorado e Nevada, ficando Romney com a North Carolina e a Florida. Entre estes, as minhas principais dúvidas prenderam-se com o Colorado e com a Florida. Optei por atribuir cada um deles a um candidato: o Colorado para Obama, devido à forte comunidade hispânica que pode fazer a diferença a favor do democrata, e a Florida para Romney, porque é o republicano quem tem liderado na maior parte das sondagens sobre o sunshine state. Já o voto popular deve reflectir o equilíbrio da corrida, pelo que aponto um triunfo de Obama pela margem mínima.
Em relação às eleições do Congresso, mantenho a minha previsão anterior, onde tinha projectado que os democratas mantivessem o controlo da câmara alta, ficando com um número de senadores entre os 52 e os 54. Assim sendo, e para ser mais preciso, aponto que, após as eleições de amanhã, os democratas ficarão com 53 assentos, face aos 47 dos republicanos. Ou seja, se estiver correcto, o Senado ficará exactamente na mesma. Por sua vez, a constituição da Câmara dos Representantes também não deverá sofrer grandes alterações. É provável que o Partido Democrata ganhe alguns lugares, talvez uma mão cheia, actualmente detidos por republicanos. Todavia, isso não será suficiente para colocar em perigo a actual maioria do GOP na câmara baixa do Congresso.
Na Quarta-feira, quando forem conhecidos todos os resultados (se tudo correr bem), veremos como me saí nas minhas previsões. Mas, como não quero ser o único a arriscar, desafio também os leitores a deixarem as suas previsões na caixa de comentários, para que possamos comparar opiniões.
 

sábado, 3 de novembro de 2012

4 more years

A três dias do dia das eleições nos Estados Unidos, é esta a minha previsão: Barack Obama será reeleito para um novo mandato como Presidente norte-americano. Conseguirá mais do que 270 votos eleitorais (mais tarde farei a minha previsão do mapa eleitoral) e, penso eu, alcançará ainda o maior número de votos a nível nacional, evitando, assim, que se repita, à imagem do que sucedeu em 2000, um cenário de divisão entre o voto do Colégio Eleitoral e do voto popular.
Até há poucos dias, e apesar de atribuir um ligeiro favoritismo a Obama, recusava-me a indicar um vencedor nesta disputadíssima corrida pela Casa Branca. Contudo, neste momento, o actual ocupante da Sala Oval possui, segundo as sondagens, uma liderança sólida em Estados decisivos e que serão suficientes para que vença o Colégio Eleitoral. No Nevada, no Wisconsin e no Ohio, Obama tem surgido constantemente à frente de Mitt Romney e a única esperança para o nomeado republicano é que as sondagens estejam totalmente erradas. É possível, mas, a tão poucos dias da eleição e com tantas entidades a sondar estes Estados, é algo bastante improvável. Além disso, Obama recuperou terreno na Virginia e na Florida. No primeiro caso, o democrata parece estar mesmo a levar a melhor, enquanto que no Sunshine State, o equilíbrio é a nota dominante. Se vencer num destes Estados, então a eleição será decidida bastante cedo na noite eleitoral.
A vantagem de Obama no Colégio Eleitoral não é um dado novo e já tenho escrito muito sobre isso. Todavia, desde o primeiro debate, em Denver, e em que Romney foi o incontestado vencedor, que as sondagens nacionais tinham tendência para indicar que o antigo Governador do Massachusetts poderia vir a ser o candidato a receber mais votos no dia 6 de Novembro. Acontece que, nos últimos dias, essa tendência tem vindo a inverter-se e, agora, a maioria das sondagens nacionais mostram um empate ou uma ligeira vantagem de Obama. Até a tracking poll da Rasmussen, que chegou a dar cinco pontos de vantagem a Romney, mostra agora a corrida empatada. Segunda-feira, a véspera da eleição, regressará a mais famosa das tracking polls, a da Gallup, que interrempeu os seus trabalhos devido ao furacão Sandy. Aguarda-se com expectativa os números que a Gallup anunciará, já que esta tracking poll tem sido a mais favorável aos republicanos, tendo, a determinada altura, atribuido a Mitt Romney uma vantagem de 7% sobre Obama.
Mas, independentemente do que a Gallup vier a anunciar, mantenho a minha previsão de uma vitória para Barack Obama. Os últimos dias foram extremamente positivos para o Presidente, que correspondeu â altura do cargo que exerce por ocasião da crise provocada pelo Sandy e viu a economia americana criar um grande número de empregossegundo o relatório da passada Sexta-feira, segundo o relatório divulgado na passada Sexta-feira.
Contudo, as previsões, como as sondagens, valem o que valem e a verdadeira decisão caberá aos cidadãos norte-americanos, no dia 6 de Novembro. Se a minha previsão falhar, então cá estarei para me penitenciar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Se a eleição fosse hoje...

... este seria o mapa eleitoral em que eu apostaria. Se tivesse razão, Barack Obama ganharia folgadamente a Mitt Romney no colégio eleitoral, ainda que ficasse aquém dos 365 votos eleitorais que conseguiu em 2008.
Esta meu mapa eleitoral, baseado nos resultados actuais das sondagens nos diversos Estados norte-americanos, é bastante semelhante com o panorama da eleição de há quatro anos, com apenas duas excepções: o Indiana e a Carolina do Norte, que passam da coluna democrata para a republicana. E se a vitória de Romney no primeiro Estado é praticamente um dado adquirido, já a Carolina do Norte, é outra questão, com os dois candidatos praticamente empatados nas sondagens. Contudo, neste momento, parece-me que é o nomeado do GOP quem leva ligeira vantagem.
Contudo, a minha maior dúvida ao realizar a minha previsão foi relativa ao caso Florida, que é, a meu ver, o exemplo perfeito de um toss-up, um Estado de vencedor imprevisível. Acabei por colocar as minhas fichas numa vitória de Obama, apesar de estar ciente que a corrida no sunshine state está ainda too close to call e que um novo dado, como, por exemplo, a escolha de Marco Rubio para VP de Romney pode alterar completamente o panorama.
Em menor medida, também os Estados do Colorado, da Virgínia e do Ohio me obrigaram a colocar alguns pontos de interrogação. No Colorado, parecia que Obama seguia bem encaminhado para uma vitória, fruto da sua popularidade junto do eleitorado hispânico, comunidade com forte implementação neste Estado do Oeste. Todavia, as duas últimas sondagens vieram mostrar que o Colorado pode estar mais equilibrado do que se previa: a Quinnipiac deu vantagem de 5% a Romney, enquanto que a Rasmussen mostrou a corrida empatada. De qualquer forma, e como em 2010, num ano extremamente favorável ao GOP, os democratas conseguiram bons resultados no Colorado, mantive este Estado pintado de azul.
Seguindo para Leste, vamos até ao Ohio, palco tradicional das grandes decisões das eleições presidenciais, onde continuo a pensar que é Barack Obama quem leva vantagem, em parte devido à popularidade do bailout realizado pelo governo federal dos EUA às grandes empresas do sector automóvel, que empregam muitos dos eleitores nesta zona do país. Além disso (e é provável que estes dois factos estejam relacionados), o southwest dos Estados Unidos tem tido uma recuperação económica mais rápida do que a média nacional, com uma taxa de desemprego relativamente reduzida.
Por fim, na Virgínia, uma das apostas de sucesso da campanha de Obama em 2008, o momentum continua, aparentemente, do lado democrata, com as sondagens a mostrarem um ligeiro ascendente de Obama neste Estado, o que se pode explicar pela expansão dos subúrbios de Washington D.C., para onde vão viver muitos funcionários públicos, que, tradicionalmente, preferem o Partido Democrata.
Ficam, assim, justificadas as minhas decisões mais difíceis ao realizar esta aposta para o mapa eleitoral das próximas eleições presidenciais. Estamos, porém, a muitos dias da verdadeira noite eleitoral e tudo pode mudar. Até lá, irei fazendo novas projecções, com a derradeira aposta a ficar prometida para a véspera do dia de todas as decisões.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um novo olhar sobre o mapa eleitoral


Como prometido, deixo aqui a minha visão actualizada sobre aquela que é a situação, no momento, do mapa eleitoral para as presidenciais norte-americanas de Novembro. Desde a minha última análise, em Abril, os números de votos eleitorais para cada lado quase não mudaram (na altura, dava vantagem a Barack Obama, com 258 votos eleitorais, face aos 190 de Mitt Romney. Contudo, houve algumas alterações importantes no que diz respeito aos battleground states da eleição que se aproxima.

O maior destaque vai, sem dúvida, para a passagem do Ohio para o estatuto de toss-up, já que acredito que este Estado poderá ser o local que decidirá o resultado da eleição, caso a corrida seja bastante renhida. Assim sendo, o swing state por excelência tem sempre de estar na coluna dos indecisos, mesmo que as sondagens continuem a mostrar um ligeiro favoritismo de Obama no the Buckeye State. Mas, além do Ohio, também o Wisconsin deixou a coluna democrata, passando também para toss-up, na sequência de várias sondagens que mostram um empate técnico e mesmo uma liderança para o nomeado republicano. Todavia, parece-me difícil que Obama não vença neste Estado e é possível que os últimos estudos de intenção de voto reflictam o momentum republicano proporcionado pela vitória de Scott Walker.

Mas nem todas as alterações no mapa eleitoral são negativas para os democratas, já que mudei o estado do Nevada para lean democrat e do New Hampshire e da Pensilvânia para likely democrat, depois de analisar as mais recentes sondagens relativas a estes Estados. Mas se a vitória de Obama nos dois últimos Estados não é propriamente uma novidade - o Partido Democrata é tradicionalmente bastante forte no nordeste dos Estados Unidos - já o movimento no Nevada traduz a actual grande importância do eleitorado latino no Oeste norte-americano, assim como a grande capacidade de mobilização dos democratas no Nevada, Estado onde o Senador Harry Reid, assim como os sindicatos de trabalhadores dos casinos, têm uma grande influência.

Com base neste mapa, e apesar de nenhum dos candidatos atingir o número mágico de 270 votos eleitorais necessários para ser o vencedor, parece correcto afirmar que Obama é ainda favorito para conseguir um segundo mandato, não obstante as últimas semanas não lhe terem corrido muito bem. Contudo, estamos ainda a mais de quatro meses da noite eleitoral e, até lá, o figurino do mapa eleitoral pode (e vai de certeza) dar algumas voltas. Para já, a corrida está ainda too close to call.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um olhar sobre o mapa eleitoral (2)

Numa altura em que Mitt Romney está cada vez mais perto de confirmar a nomeação presidencial republicana e se aproxima o fim das primárias, é de todo o interesse dar uma nova vista de olhos ao mapa eleitoral norte-americano de 2012. No mapa de cima, podemos observar aquela que é a minha análise do estado da corrida, no momento actual, e partindo do princípio de que será Romney a bater-se com Obama, na eleição geral de Novembro.
Em relação à minha última análise, há quatro meses atrás, o cenário está significativamente mais favorável para Barack Obama, que está já muito perto do número de votos eleitorais necessários para garantir a reeleição (270). Os principais ganhos para Obama situam-se no midwest, zona onde Ohio, o Michigan e o Wisconsin passaram de toss ups (onde o resultado é demasiado incerto para se poder fazer uma previsão) para leaning democrat, fruto de sondagens que têm mostrado vantagem para o Presidente e porque Romney terá dificuldades em justificar a sua oposição ao bailout da indústria automóvel, um sector fundamental nesta região dos Estados Unidos. Também a Vírginia passou de toss-up para leaning democrat, enquanto que a Florida apenas continua como toss-up porque Marco Rubio é um grande candidato à presença no ticket republicano, o que seria uma grande mais-valia para os republicanos no sunshine state. Por fim, também um dos votos eleitorais do Nebraska passou a constar na lista dos toss-ups, visto que tenho lido que Obama tem fortes hipóteses de conseguir vencer no distrito eleitoral da cidade de Omaha, como fez em 2008. 
Segundo o meu cenário (que vale o que vale), Obama consegue 258 votos eleitorais, face aos 190 de Romney, ficando 90 votos eleitorais em disputa. De momento, o favoritismo está do lado do actual ocupante da Casa Branca, cujos números têm tido tendência para subir. Contudo, falta ainda muito tempo para as eleições e, até lá, é bem provável que este mapa vá sofrendo várias alterações.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

As previsões de Nate Silver

São estas as projecções de Nate Silver, do excelente FiveThirtyEight, para a contenda, de logo à noite, no Iowa. De acordo com o seu modelo de tratamento de dados estatísticos, o analista, agora nos quadros do New York Times, Mitt Romney é o favorito, mas Ron Paul e Rick Santorum estão logo atrás do antigo Governador do Massachussetts e tudo pode acontecer.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

As previsões da bola de cristal de Larry Sabato

A cerca de ano e meio de distância das eleições presidenciais de 2012, continuam a surgir as primeiras previsões dos principais especialistas. Hoje foi a vez de Larry J. Sabato apresentar, na sua bola de cristal, o  primeiro ponto de situação, através do mapa de cima. Esta é uma previsão segura, sem surpresas e que pode ter duas leituras. Enquanto que Barack Obama tem motivos para estar optimista relativamente à sua reeleição se contar como certos os Estados que surgem como likely e lean, o que lhe daria uma vantagem de 247 contra 180 votos eleitorais, já os republicanos terão mais razões para sorrir se olharem para os Estados lean como potenciais alvos de disputa, o que reduz a margem democrata para 196-170 votos eleitorais. Recordo que são 270 os votos eleitorais necessários para a vitória numa eleição presidencial nos Estados Unidos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um primeiro olhar sobre o mapa eleitoral

A quase dois anos de distância das eleições presidenciais de 2012, o site Cook Political Report lançou já a sua primeira análise à tendência de voto de cada Estado norte-americano. Segundo a equipa de Charlie Cook, o cenário encontra-se, por esta altura, muito equilibrado, com os democratas a terem 186 votos eleitorais seguros, enquanto os republicanos contam com 196. Se juntarmos ainda os Estados colocados na categoria "Lean", obtemos um verdadeiro empate, com 221 votos eleitorais para o candidato democrata (certamente Barack Obama) e 219 para o concorrente do GOP. Finalmente, ficam 7 Estados na coluna dos Toss-ups, os verdadeiros swing-states e que totalizam 98 votos eleitorais.
A meu ver, esta é uma previsão segura, sem grandes surpresas, mas talvez demasiadamente pessimista para as perspectivas democratas. O Cook Political Report coloca a Carolina do Norte, o Indiana e a Virgínia, três Estados que Obama venceu em 2008, no lado republicano. Apesar de concordar com a posição do Indiana, parece-me que a Carolina do Norte e a Virgínia são toss-ups, dadas as mudanças demográficas que se têm verificado nesses dois Estados e que favorecem os democratas.
Claro que este é um exercício meramente conjectural, dada a grande distância temporal até Novembro de 2012 e não sabermos como evoluirá a situação económica do país, a popularidade do Presidente Obama junto do eleitorado e, obviamente, sem se conhecer o ticket republicano. Porém, para political junkies como eu, este tipo de "palpites" são sempre interessantes.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Primeiras previsões para 2012

Numa altura em que ainda se analisam as eleições intercalares deste ano, começam já a surgir as primeiras previsões para 2012. Como seria de esperar, as presidenciais têm merecido a grande maioria das atenções, mas, hoje, o conceituado site The Cook Political Report lançou os primeiros indicadores para as outras corridas que terão lugar daqui a dois anos, para o Senado, Câmara dos Representantes e Governadores estaduais.
Apesar de ser ainda muito cedo e de faltarem alguns dados para a análise ser mais conclusiva, em especial conhecer a decisão de muitos políticos que estão a ponderar a reforma e os resultados do processo de redistricting, este ponto da situação que é feito por Charlie Cook permite retirar as primeiras ilações daquilo que poderão ser as eleições de 2012, onde os republicanos terão de defender muitos lugares conquistados em 2010 na Câmara dos Representantes, enquanto que no Senado a grande maioria dos assentos em jogo pertencem a democratas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Projecções finais: Senado


Esta é a minha projecção relativamente ao figurino do Senado que resultará das eleições de amanhã. Como na minha última previsão, os democratas mantém a sua maioria por uma unha negra, ficando com 51 assentos, perdendo oito para os republicanos. A única mudança operada é a mudança do Nevada para a coluna do GOP, enquanto que a West Virginia fez o percurso inverso. Ainda assim, há algumas corridas que merecem uma maior atenção:
Califórnia - O golden state parece um dos poucos estados em que a hecatombe democrata não se deve fazer sentir. Assim sendo, a Senadora Barbara Boxer aparece cada vez mais confortável na disputa face à republicana Carly Fiorina. Salvo uma enorme surpresa, a democrata continua no Senado.
Washington - A democrata Pat Murray estava a fazer um percurso semelhante ao de Barbara Boxer. Porém, nos últimos dias, as sondagens indicam um equilibrar da corrida que coloca em perigo a sua reeleição. Esta é uma das eleições que terá de ser seguida mais atentamente na madrugada e manhã de Quarta-feira e cujo desfecho pode demorar vários dias a ser conhecido.
Nevada- Na minha previsão anterior ainda atribuí a vitória a Harry Reid. Contudo, desde essa altura, a republicana Sharron Angle tem surgido constantemente à frente das sondagens. Para piorar a situação do líder da maioria no Senado, foram mais os republicanos do que os democratas que votaram antecipadamente. Assim, tudo indica que o Partido Democrata terá de escolher um novo líder para a sua bancada.
Colorado - A mais equilibrada e imprevisível de todas as corridas de amanhã. Decidi atribuir esta vitória ao candidato do GOP, Ken Buck, mas, de todos os estados onde previ um triunfo republicano, é este que mais facilmente pode virar para o lado democrata.
Wisconsin - Parece que o Senador Russ Feingold não vai ser capaz de recuperar da desvantagem relativamente ao republicano Ron Johnson. Dessa forma, a eleição de amanhã significará a despedida de um dos mais conhecidos e conceituados senadores democratas.
Illinois - As sondagens mais recentes têm sido favoráveis a Mark Kirk, o candidato republicano. Todavia, esta é uma corrida que ainda está longe de estar decidida, tendo em conta o elevado número de indecisos que as mesmas sondagens indicam. 
Pennsylvania - Depois de uma surpreendente recuperação de Joe Sestak (D), o candidato do GOP, Pat Toomey, conseguiu estabilizar a sua vantagem, ainda que curta, face ao seu adversário. Essa diferença deverá bastar para ser eleito para o Senado, mas esta é uma corrida que merece ser acompanhada ao pormenor.
West Virginia - Poderá ser a eleição-chave para o controlo do Senado. Num ciclo eleitoral normal, o Governador democrata, Joe Manchin, seria eleito numa landslide. Porém, a sua associação a Barack Obama, altamente impopular neste estado, está a causar-lhe grandes problemas. O mais provável é que Manchin consiga, ainda assim, o triunfo, mas, como já disse aqui, esta poderá ser apenas uma meia-vitória para o Partido Democrata.

Projecções finais: Governadores

Distribuição actual, por partido, dos governadores
Existem hoje, entre os 50 governadores de cada um dos estados americanos, 26 democratas, 23 republicanos e o (agora) independente Charlie Crist, na Florida. E, há cerca de um ano atrás, o Partido Democrata contava com ainda mais dois governadores, mas, entretanto, foi derrotado nas urnas em New Jersey e na Virginia. Contudo, amanhã, o mais provável é o cenário alterar-se profundamente a favor do GOP.
Os democratas até deverão recuperar algumas state houses, com destaque para a provável vitória na Califórnia, onde o Governator, Arnold Schwarzenneger, muito impopular no estado, deverá ceder o seu lugar ao democrata Jerry Brown, que surge nas sondagens com uma confortável vantagem sobre a sua opositora republicana, Meg Whitman. Também no Minnesota e no Hawaii os candidatos democratas têm boas chances de vencer. Por fim, o Vermont e o Connecticut são ainda toss-ups, mas onde uma vitória democrata é um cenário perfeitamente possível. 
Contudo, os republicanos têm ao seu alcance um grande número de governos estaduais até agora na posse dos democratas. O Iowa, o Kansas, o Maine, o Michigan, o New Mexico, o Wisconsin e a Pennsylvania deverão todos mudar de mãos a favor do GOP. 
Contudo, as corridas que merecem mais atenção são aquelas que se disputam nos gigantes Florida, Illinois e Ohio. Destes, os dois últimos são actualmente controlados pelos democratas, mas, em todos, os candidatos republicanos partem como favoritos, apesar que muito ligeiramente, para a noite eleitoral. Dada a importância destes três estados, os resultados das suas  eleições serão uma parte fulcral da narrativa eleitoral.
Assim, é possível que os republicanos consigam ficar perto da marca das três dezenas de governos estaduais, com os democratas a rondar as 20. É também provável que continue a existir um governador independente, mas, agora, no Rhode Island, já que o ex-republicano Lincoln Chafee saiu, aparentemente, a ganhar da polémica envolvendo Barack Obama e a eleição neste pequeno estado.
Por fim, é importante sublinhar que, apesar das eleições para os governadores terem um cariz primordialmente local, elas são também determinantes a nível nacional. Em primeiro lugar, porque cabe aos governos estaduais o redesenho dos distritos eleitorais e já se sabe que o partido no poder se esforça por definir um mapa que favoreça os seus interesses. Depois, porque neste ciclo eleitoral estão em jogo alguns dos maiores battlegrounds em eleições presidenciais, como a Florida, o Ohio e a Pennsylvania, e a vantagem de contar com o Governador do estado do seu lado (com o seu apoio, influência e organização) não é nada negligenciável para um candidato presidencial. Assim sendo, importa seguir com muita atenção o que se vai passar nestas eleições.

domingo, 31 de outubro de 2010

Projecções finais: Câmara dos Representantes

Este é o actual figurino da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos. Contudo, após as eleições da próxima Terça-feira, a sua constituição deverá ser profundamente modificada, devendo mesmo alterar-se o partido maioritário, com os democratas a perderem o controlo da House.
Neste caso, tratando-se de 435 eleições diferenciadas, torna-se quase impossível fazer a minha previsão independente do possível resultado da noite de 2 de Novembro. Dessa forma, o melhor é mesmo citar as várias projecções dos especialistas. E todos perspectivam um grande número de lugares conquistados pelos republicanos aos democratas:  Nate Silver: + 53; Larry Sabato: + 55; Cook Political Report: entre + 48 e + 60. Dado que os democratas contam, actualmente com uma vantagem de 39 congressistas, qualquer uma destas previsões aponta para um ganho de assentos pelos republicanos que será mais que suficiente para que assumam o controlo da Câmara dos Representantes.
A último e derradeiro factor que pode permitir ao Partido Democrata manter a sua maioria na House é que as empresas de sondagens tenham previsto erroneamente aquilo a que se costuma referir como entusiasm gap. Ou seja, pode suceder que, afinal, os tradicionais eleitores democratas (como os jovens ou os afro-americanos) não se abstenham em tão altos números como está a ser suposto pelos analistas, o que poderia proporcionar melhores resultados aos democratas do que os que estão a ser traduzidos pelas sondagens. Porém, esse é o melhor cenário possível para o Partido Democrata e nada indica que se venha a cumprir. Pode acontecer, pelo contrário, que esse entusiasm gap seja ainda maior do que o previsto e que, dessa forma, os republicanos tenham ganhos estrondosos, retirando aos democratas mais de 60 lugares na câmara baixa e talvez conseguindo mesmo o controlo do Senado (que terá, em breve, direito a nova projecção). 
Esses são cenários extremos e que provavelmente não se realizarão. O mais provável é assistirmos, ainda assim, a uma estrondosa republicana na Câmara dos Representantes que levará à mudança da maioria e, em última instância, à saída de Nancy Pelosi como Speaker of the House.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nova projecção para o Senado


A menos de um mês das eleições intercalares, que decorrerão no próximo dia 2 de Novembro, volto a fazer uma previsão do mapa eleitoral que resultará depois de apurados os resultados de todas as 37 corridas  relativas aos assentos no Senado em disputa este ano.
Em comparação com a minha última projecção, o cenário piorou bastante para o Partido Democrata, tendo passado de 54 lugares no Senado para apenas 51. Segundo esta actualização, os democratas passaram de favoritos para underdogs em três corridas fulcrais. No Wisconsin, o senador democrata Russ Feingold aparece em clara desvantagem em todas as mais recentes sondagens, o que me faz colocar este estado na coluna republicana, apesar de, no início, me ter custado a acreditar que Feingold, um dos mais poderosos democratas no Senado, pudesse estar em perigo. Continuando no Midwest, também no Illinois poderá residir uma surpresa, se o lugar que outrora pertenceu a Barack Obama passar para o GOP. Esta corrida está, porém, longe de estar decidida (existe ainda um grande número de eleitores indecisos) e apenas o facto de me parecer que esta zona dos EUA se inclina, este ano, para os republicanos me fez colocar o Illinois a vermelho. Por fim, o último estado que mudei para o lado republicano foi a West Virginia. Aqui, apesar de o candidato democrata ser o governador e, por sinal, bastante popular, as sondagens indicam que a corrida se está a inclinar, porventura definitivamente, para o GOP.
Para os democratas rareiam as boas notícias e as que existem não chegam para animar as hostes.  Neste momento, restam aos democratas os tradicionais bastiões do Nordeste e do Pacífico. No Delaware, Christine O'Donnel parece mesmo a opositora de sonho para os democratas, que deverão vencer facilmente esta corrida. Mais a norte, os últimos dados mostram que as eleições no Connecticut e em Nova Iorque (a eleição especial, onde concorre Kirsten Gillibrand) não deverão fugir aos candidatos democratas, algo que, a um dado momento, chegou a parecer estar em causa. No outro lado do continente, ergue-se aquilo a que já chamam a barreira do Pacífico, pois as disputas na Califórnia e em Washington tendem nitidamente para o lado democrata. Já o caso do Nevada é, como no Illinois, de um verdadeiro empate técnico. Porém, arrisco dizer que Harry Reid deverá bater a sua adversária, Sharron Angle, nem que seja ao photo-finish.
Mesmo que, como é minha convicção, os democratas consigam manter o controlo do Senado, fá-lo-ão sempre por uma margem reduzida. Isso poderá levar os republicanos a tentar aliciar senadores que alinham com os democratas a mudarem de lado e, assim, constituírem-se como a nova maioria. Num cenário desse género, o independente Joe Lieberman ou o democrata moderado Ben Nelson seriam, previsivelmente, potenciais alvos do Partido Republicano. Não se esgotam, portanto, no dia 2 de Novembro, as hipóteses republicanas no Senado. Mas esse será, sem dúvida alguma, o momento decisivo.