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sábado, 5 de outubro de 2024

Os sete magníficos

Sim, ainda existem blogues e o Máquina Política é um desses dinossauros que sobrevivem à mudança dos tempos. Bem, pelo menos de quatro em quatro anos.

A exactamente um mês do dia das eleições nos Estados Unidos, o Máquina Política regressa da hibernação para acompanhar a mais importante, interessante e apaixonante eleição política do mundo, na opinião desta maquinista. 

Como não podia deixar de ser, o primeiro post sobre a corrida pela Casa Branca de 2024 é uma espécie de snapshot da disputa pelos 538 votos eleitorais que decidirão quem se sentará na Sala Oval a partir de 20 de Janeiro de 2025: Kamala Harris ou Donald Trump.

À imagem do que tem acontecido nas últimas duas eleições, em que Trump foi o candidato republicano, esta campanha pela presidência norte-americana está a ser marcada pelo equilíbrio e, neste momento, a corrida é um verdadeiro empate, sem que nenhum dos candidatos possa ser considerado favoritos. Se ouvirem ou lerem o contrário, trata-se apenas de wishful thinking, seja de um lado ou de outro.

Por causa do sui generis sistema eleitoral norte-americano, estas eleições serão decididas, como sempre acontece, num punhado de estados, já que em 43 dos 50 estados (sem contar com Washington DC, verdadeiro bastião democrata), o vencedor parece, à partida, mais ou menos decidido, salvo grandes surpresas ou erros de monta das sondagens. Se distribuirmos os votos eleitorais desses estados pelo seu presumível vencedor, percebemos que a vice-presidente Kamala Harris conta já com 226 votos eleitorais bem encaminhados e o ex-presidente Donald Trump tem 219 grandes eleitores relativamente seguros do seu lado. Ou seja, nenhum dos dois candidatos está perto de atingir o número mágico de 270 electoral votes necessários para a vitória. 

Assim sendo, as atenções estão viradas para os sete super swing states deste ciclo eleitoral: Wisconsin, Pennsylvania, Michigan, North Carolina, Georgia, Arizona e Nevada. Em qualquer um dos destes estados, o equilíbrio tem sido a nota dominante, com as sondagens a mostrarem empates técnicos em todos eles. Consequentemente, ambas as campanhas estão a apostar tudo nestes sete estados que decidirão, certamente, o vencedor da eleição presidencial.

Neste momento, e apesar de, segundo as sondagens, as diferenças entre Harris e Trump estarem, em todos estes estados, dentro da margem de erro, diria que, se tivesse de apostar, a candidata democrata terá uma minúscula vantagem no Michigan, no Nevada e no Wisconsin, enquanto Trump estará, por muito pouco, na frente na Georgia e no Arizona. Já na Pennsylvania e na North Carolina, ainda não arriscaria um favorito. 

Está, por isso, ainda tudo por decidir na corrida pela Casa Branca. Com o equilíbrio a ser a nota dominante, o mais provável é termos, de hoje a um mês, uma longa noite pela frente, sendo até provável que não seja a 5 de Novembro que ficaremos a saber quem sucederá a Joe Biden à frente dos destinos dos Estados Unidos da América. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

O estado da corrida

A 19 dias do dia das eleições, o mapa eleitoral está cada vez mais definido e, por isso, apresento uma imagem que reflecte a minha opinião sobre o estado da corrida, ao dia de hoje, de acordo com as sondagens nacionais e, principalmente, estaduais.
Como se pode verificar pelos dados do mapa, a tendência é clara: Joe Biden tem tudo para ser o 46º presidente dos Estados Unidos, salvo algum acontecimento excepcional nos poucos dias que faltam ou a uma colossal falha das sondagens. Bem sei que há quatro anos as sondagens falharam de forma copiosa quando se pensava que Hillary Clinton derrotaria, com maior ou menor dificuldade, Donald Trump. Contudo, as sondagens da altura mostravam uma corrida mais equilibrada do que a deste ano e, além disso, tivemos a decisão do FBI em reabrir a investigação aos emails de Hillary Clinton a poucos dias da eleição, o que veio a revelar-se como um verdadeiro game changer na eleição de 2016. Este ano, salvo um novo momento James Comey (curiosamente, Trump voltou, recentemente a trazer o tema à baila), o actual ocupante da Casa Branca deverá ter dificuldades em repetir o upset.
À medida que se aproxima o dia das eleições - ou o última dia das eleições, já que, neste momento, vários milhões de eleitores já depositaram o seu voto - fecha-se a janela de oportunidade para que Trump reduza a desvantagem para Joe Biden e se coloque numa striking distance que lhe permita, com um eventual erro nas sondagens e uma eficaz operação de mobilização de eleitores por parte da máquina republicana, conquistar um novo mandato à frente dos destinos da nação norte-americana.
A favor de Donald Trump joga ainda a sua vantagem no colégio eleitoral, já que Joe Biden deverá ter de vencer por mais de 3% no voto popular para compensar o handicap do sistema eleitoral de que padece actualmente o Partido Democrata. Mas, nesta altura, tal vantagem parece não ser suficiente para evitar que Joe Biden ascenda à presidência. 
Como se pode ver no mapa, o democrata consegue ultrapassar os 270 votos eleitorais necessários para a vitória sem precisar de ganhar nenhum dos estados onde as sondagens mostram maior equilíbrio. Mesmo não vencendo o Arizona, onde Trump triunfou em 2016, Biden seria o próximo presidente dos Estados Unidos, pelo que se afigura como muito difícil o percurso do candidato republicano rumo a um novo mandato na Casa Branca. 
Em 2016, assistimos a uma das maiores surpresas eleitorais de que há memória. Eu próprio dei como certa a vitória de Hillary a poucos dias da eleição desse ano, sem saber que a famosa blue wall democrata estava a ruir de forma praticamente despercebida (apenas no Michigan houve alguns sinais e nas vésperas da eleição), pelo que, desta vez, se impõe maior cautela e ponderação antes de anunciar como decidida uma corrida que, ainda por cima, está rodeado de condições excepcionais. Assim sendo, façamos as nossas apostas, mas esperemos para ver quem conquista a Casa Branca.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mapa eleitoral - a minha previsão

Há quatro anos fui um verdadeiro Nate Silver e acertei no vencedor de 49 dos 50 Estados norte-americanos. Agora, volto a fazer uma previsão, ainda que me pareça que, desta vez, o mapa eleitoral é mais incerto e, como tal, mais difícil de prever. Com algumas dúvidas (principalmente na Florida, North Carolina e New Hampshire), aposto no seguinte mapa:
  
Teremos, assim, se estiver correcto, uma mulher na Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2017 e Hillary Clinton será a 45ª presidente dos EUA. Quanto ao voto popular, prevejo uma vitória de Hillary por 4%, com 49% dos votos, contra 45% de Donald Trump. O candidato libertário Gary Johnson receberá 4%, falhando assim o seu objectivo (5%). Amanhã (ou na madrugada de Quarta-feira), veremos como me saí neste "totobola".

Os Estados a seguir

Devido ao sistema eleitoral das presidenciais norte-americanas, a corrida decide-se num punhado de Estados, os chamados swing states, ou, como eu prefiro, os battleground states. Com o grande dia a chegar, deixo aqui uma espécie de guia para os Estados que decidirão quem será o 45º presidente dos Estados Unidos.

New Hampshire - O swing state perfeito, sendo um Estado que replica, nos últimos anos, quase a 100%, o voto a nível nacional. Hillary Clinton parecia levar uma vantagem confortável no granite state, mas tem vindo a perder terreno, talvez pela subida nas sondagens do candidato libertário Gary Johnson, cuja votação neste Estado conhecido pelas suas tendências libertárias pode chegar aos 10%. A democrata ainda é a (ligeira) favorita, mas, numa eleição decidida ao milímetro, o New Hampshire pode muito bem vir a atribuir os 4 votos eleitorais decisivos. Toss up.

Pennsylvania - Desde 1992 que a história se repete. Os republicanos sonham sempre com a vitória neste Estado que este ano atribui 18 votos eleitorais, mas, no final, são sempre os democratas que levam a melhor. Em 2016, o GOP volta a apostar numa vitória na Pennsylvania como forma de derrubar a blue wall. Até ao momento, porém, Trump não liderou uma única sondagem e seria uma grande surpresa se ultrapassasse Clinton na noite de amanhã. Como este Estado não tem voto antecipado, o ground game será decisivo e os democratas terão de contar com uma grande afluência às urnas nas grandes cidades (principalmente em Philadelphia) de forma a contrariar a vantagem republicana nos meios suburbanos e rurais. Com a participação afro-americana em queda relativamente há quatro anos, esse poderá ser um problema. Ainda que Hillary seja claramente favorita, este é um Estado a seguir com atenção: se Trump vencer aqui, poderá mesmo estar a caminho da Casa Branca. Leaning Democrat.

Ohio - Este Estado, sempre altamente competitivo e disputado em eleições presidenciais, parece ter virado à direita neste ciclo eleitoral. Com um grande número de eleitores brancos de classe média, em especial de blue collar workers muito afectados pela crise económica de 2008 e pela fuga de empregos de manufactura para países com mão-de-obra mais barata, o Ohio é terreno fértil para o discurso populista de Trump. Assim, depois de ter votado duas vezes em Obama, é bem possível que o buckeye state seja "pintado" a vermelho na noite de amanhã, ainda que, nos últimos dias, as sondagens mostrem uma corrida equilibrada. O GOP parece em vantagem, mas, numa eleição muito renhida, o ground game pode ser decisivo e nisso os democratas são superiores. Toss up.

Michigan - Em 2008, o Michigan esteve na origem de uma polémica no seio da candidatura de John McCain, quando Sarah Palin se pronunciou contra a desistência da campanha neste Estado. Agora, em 2016, o cenário é quase inverso, com os democratas a terem de apostar forte num Estado que parecia decidido a seu favor. Apesar de as sondagens mostrarem uma corrida a apertar (com diferenças que chegam a apenas quatro pontos percentuais), é pouco crível que o Michigan vote em Trump. Porém, com os democratas a enviaram para o grate lake state todos os seus pesos pesados (a própria candidata, Obama e Michelle Obama, Bill Clinton e Joe Biden), tudo indica que os seus números internos estão a preocupar os democratas. Leaning Democrat.

Iowa - Foi este o Estado que catapultou Barack Obama para a Casa Branca, depois da vitória do actual Presidente no caucus do Iowa. Todavia, e apesar de Obama ter vencido aqui em 2008 e 2012, tudo indica que, desta vez, os democratas sairão derrotados, já que Trump tem surgido constantemente na frente das sondagens do hawkeye state. De facto, o Iowa, com uma população quase exclusivamente branca e tradicionalmente rural, é um perfect match para o apelo de Donald Trump que deve amealhar aqui 6 votos eleitorais. Se amanhã o Iowa for equilibrado ou cair para Hillary Clinton, então é porque teremos uma vitória folgada da antiga Secretária de Estado. Leaning Republican.

North Carolina - Outrora um Estado fortemente republicano, a North Carolina é, agora, um verdadeiro swing state, tendo votado Obama em 2008 e em Romney há quatro anos. A forte imigração de jovens com elevada instrução para o Estado, conjugada com uma grande comunidade afro-americana e cada vez mais eleitores hispânicos, tem tornado o Estado cada vez mais democrata. Se Hillary vencer aqui, tem a eleição ganha, por isso este é um Estado obrigatório para Trum - Toss up.

Florida - O sunshine state é, por norma, o prémio mais apetecível nas eleições presidenciais. Com 29 votos eleitorais, a Florida, por si só, garante mais de 1/10 dos votos necessários para se chegar à Casa Branca. Tendo uma população muito heterogénea, fruto da elevada imigração para o Estado, a Florida é sempre um battleground state por excelência e é disputado ao máximo por ambas as partes. Se Hillary conseguir motivar a comunidade hispânica a votar e se conseguir imitar Obama e retirar o voto dos cubano-americanos (tendencialmente republicanos) a Trump, então será a próxima Presidente norte-americana, pois Trump não tem como substituir os votos eleitorais em disputa na Florida. Toss up.

Nevada - As sondagens mostram que o equilíbrio é a nota dominante no Estado dominado por Las Vegas. Contudo, os números do voto antecipado, contam outra história, já que a participação hispânica disparou e pode mesmo acontecer que este eleitorado venha a representar 20% do total, o que, por si só, deverá ser suficiente para Hillary conquistar estes 5 votos eleitorais. Harry Reid, o líder democrata no Senado, que se reforma este ano, montou uma poderosa máquina neste Estado, contando com a preciosa colaboração dos sindicatos dos trabalhadores dos casinos. Com um ground game muito superior, os democratas poder\ao levar vantagem. Leaning Democrat.

Arizona - Estive para não colocar o Arizona como um Estado decisivo, porque, normalmente, uma vitória de um democrata num Estado tradicionalmente republicano significaria um triunfo folgado no Colégio Eleitoral, com este Estado a ser apenas um extra. Todavia, o Arizona é um Estado especial porque a recuperação democrata neste Estado deve-se, quase exclusivamente, ao aumento da população hispânica e ao sucesso do Partido Democrata em registar os elementos desta comunidades como eleitores. Assim, é possível que, num cenário em que Donald Trump vença Estados do Este e do midwest com grandes maiorias brancas, Hillary Clinton alcance, ainda assim, o triunfo, com uma coligação de Estados com forte presença latina como o Colorado, o New Mexico, o Nevada e, claro, o Arizona. Ainda assim, Trump parte em clara vantagem. Leaning Republican. 

Quem quiser aprofundar um pouco mais esta questão, poderá consultar a minha dissertação de mestrado, precisamente sobre os Battleground States of America, disponível aqui.

sábado, 17 de novembro de 2012

O percurso até aos 270

Da autoria da The Economist, este vídeo apresenta-nos, resumidamente, a evolução do mapa eleitoral durante a campanha presidencial até à vitória final de Barack Obama. Em menos de dois minutos, cobre o que de mais importante se passou na disputa entre Obama e Romney e é ideal para os mais atarefados e que gostam de informação condensada e directa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

That's all, folks!

Foi um longo dia, ainda que a madrugada não tenha sido tão comprida como se chegou a pensar. No final de contas, Barack Obama conquistou o direito a um segundo mandato e o Partido Republicano teve uma noite francamente negativa e que muito dará que falar nos próximos tempos. Para terminar, fica o estado actual do mapa eleitoral, ainda com alguns Estados por apurar definitivamente (deverão todos cair para o lado de Obama), mas já com um vencedor encontrado. Por hoje, o Máquina Política encerra as suas portas, para um merecido descanso. Resta-me agradecer a companhia a todos que, durante as últimas horas (e foram muitos) passaram por aqui e enviar uma mensagem especial ao grande vencedor da noite: congratulations, Mr. President!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O mapa eleitoral


A menos de três semanas da eleições presidenciais, a corrida pela Casa Branca está mais animada e equilibrada do que nunca. Após o primeiro debate, em que Mitt Romney saiu vitorioso, o republicano anulou a vantagem de que Obama vinha a beneficiar nas sondagens e colocou novamente em dúvida o vencedor da disputa. Nas sondagens nacionais, Romney chegou mesmo a ultrapassar o Presidente, ainda que, neste momento, os números estejam muito próximos. Contudo, o vencedor das eleições presidenciais norte-americanas é determinado pelo Colégio Eleitoral e, aí, Obama ainda é o favorito.
Na figura de cima, surge a minha opinião sobre o que é o actual estado da corrida nos 50 Estados norte-americanos. Neste mapa eleitoral, Obama já ultrapassou o número mágico de 270 votos eleitorais necesssários para alcançar um segundo mandato. Actualmente, no que diz respeito aos battleground states Barack leva vantagem nos no Ohio, no Iowa, no Wisconsin e no Nevada, o que é suficiente para sair vencedor na eleição, desde que não haja surpresas na Pennsylvania e no Michigan.
Mitt Romney, por sua vez, parece neste momento levar vantagem na Carolina do Norte (que pode estar já fora do alcance dos democratas) e na Florida, ainda que o destino do sunshine state continue em aberto. O Missouri, a Georgia e o Arizona, que em alguma altura desta campanha chegaram a parecer estar em jogo, estão agora bem encaminhados para se manterem na coluna de Romney.
Finalmente, neste momento, não arrisco prognósticos para o vencedor no Colorado, na Virginia e no New Hampshire, três verdadeiros Estados toss-up, em que as sondagens não indiciam uma liderança clara, ou mesmo tangencial, para qualquer dos candidatos à Presidência. Ainda assim, mesmo que Romney consiga atrair estes três Estados para o seu lado, isso não seria suficiente para, a 6 de Novembro, ser eleito como o próximo Presidente dos Estados Unidos. Por isso, neste momento, ainda que a corrida esteja equilibradíssima, considero que Obama está ligeiramente em melhor posição para se sagrar vencedor e, consequentemente, chegar a um segundo mandato na Casa Branca.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Obama domina a corrida

A eleição presidencial aproxima-se rapidamente - estamos a menos de mês e meio de 6 de Novembro - e a corrida parece cada vez mais inclinada para Barack Obama. É provável que, neste momento, os sinais de alarme estejam a soar na sede da campanha de Mitt Romney, que vê, a cada dia que passa, as suas hipóteses de vitória diminuírem. De facto, basta observar para se perceber que o candidato republicano terá de fazer algo para mudar a dinâmica da corrida.
Nas sondagens de nível nacional, Obama nem tem uma vantagem por aí além, especialmente se virmos de forma isolada as tracking polls da Gallup, onde o actual Presidente tem surgido com uma reduzida vantagem, ou da Rasmussen, onde Obama consegue hoje uma vantagem de apenas um ponto (um bom resultado, tendo em conta que, nesta sondagem, da autoria da republican leaning Rasmussen, o democrata tem ficado atrás de Rommney). Noutros estudos, Obama tem conseguido melhores resultados, distanciando-se do seu oponente por uma margem superior. Além disso, a taxa de aprovação do trabalho do Presidente também tem vindo a subir e, para o RealClearPolitics já atingiu mesmo a barreira psicológica dos 50%.
Mas é nas sondagens dos swing states que Obama marca claramente a diferença para Romney. Nos últimos dias, o candidato democrata tem surgido constantemente à frente de praticamente todos os Estados que parecem em disputa neste ciclo eleitoral, com excepção da Carolina do Norte, que parece um verdadeiro exemplo de um Estado too close to call. Correndo os principais sites que realizam uma média de sondagens e apresentam o estado actual do mapa eleitoral, vemos que o Pollster atribui 332 votos eleitorais a Obama e 191 a Romney, deixando apenas a Carolina do Norte na coluna dos toss up. O Politico, que não classifica Estados como indecisos, entrega 347 votos eleitorais ao Presidente e 191 ao challenger republicano. Finalmente, o RealClearPolitics, com um modelo mais conservador (ou seja, é mais rígido a atribuir Estados a um dos candidatos), coloca 247 votos eleitorais na coluna de Obama e os "habituais" 191 na de Romney. 
Tendo em conta que são 270 os votos eleitorais necessários para um dos candidatos se sagrar vencedor, torna-se perceptível que, de momento, Barack Obama leva uma importante vantagem no Colégio Eleitoral. Para já, Romney está a perder a luta pelos battleground states em toda a linha e isso obriga-o a virar o tabuleiro de jogo totalmente de pernas para o ar se quiser tornar-se o próximo Presidente dos Estados Unidos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Se a eleição fosse hoje...

... este seria o mapa eleitoral em que eu apostaria. Se tivesse razão, Barack Obama ganharia folgadamente a Mitt Romney no colégio eleitoral, ainda que ficasse aquém dos 365 votos eleitorais que conseguiu em 2008.
Esta meu mapa eleitoral, baseado nos resultados actuais das sondagens nos diversos Estados norte-americanos, é bastante semelhante com o panorama da eleição de há quatro anos, com apenas duas excepções: o Indiana e a Carolina do Norte, que passam da coluna democrata para a republicana. E se a vitória de Romney no primeiro Estado é praticamente um dado adquirido, já a Carolina do Norte, é outra questão, com os dois candidatos praticamente empatados nas sondagens. Contudo, neste momento, parece-me que é o nomeado do GOP quem leva ligeira vantagem.
Contudo, a minha maior dúvida ao realizar a minha previsão foi relativa ao caso Florida, que é, a meu ver, o exemplo perfeito de um toss-up, um Estado de vencedor imprevisível. Acabei por colocar as minhas fichas numa vitória de Obama, apesar de estar ciente que a corrida no sunshine state está ainda too close to call e que um novo dado, como, por exemplo, a escolha de Marco Rubio para VP de Romney pode alterar completamente o panorama.
Em menor medida, também os Estados do Colorado, da Virgínia e do Ohio me obrigaram a colocar alguns pontos de interrogação. No Colorado, parecia que Obama seguia bem encaminhado para uma vitória, fruto da sua popularidade junto do eleitorado hispânico, comunidade com forte implementação neste Estado do Oeste. Todavia, as duas últimas sondagens vieram mostrar que o Colorado pode estar mais equilibrado do que se previa: a Quinnipiac deu vantagem de 5% a Romney, enquanto que a Rasmussen mostrou a corrida empatada. De qualquer forma, e como em 2010, num ano extremamente favorável ao GOP, os democratas conseguiram bons resultados no Colorado, mantive este Estado pintado de azul.
Seguindo para Leste, vamos até ao Ohio, palco tradicional das grandes decisões das eleições presidenciais, onde continuo a pensar que é Barack Obama quem leva vantagem, em parte devido à popularidade do bailout realizado pelo governo federal dos EUA às grandes empresas do sector automóvel, que empregam muitos dos eleitores nesta zona do país. Além disso (e é provável que estes dois factos estejam relacionados), o southwest dos Estados Unidos tem tido uma recuperação económica mais rápida do que a média nacional, com uma taxa de desemprego relativamente reduzida.
Por fim, na Virgínia, uma das apostas de sucesso da campanha de Obama em 2008, o momentum continua, aparentemente, do lado democrata, com as sondagens a mostrarem um ligeiro ascendente de Obama neste Estado, o que se pode explicar pela expansão dos subúrbios de Washington D.C., para onde vão viver muitos funcionários públicos, que, tradicionalmente, preferem o Partido Democrata.
Ficam, assim, justificadas as minhas decisões mais difíceis ao realizar esta aposta para o mapa eleitoral das próximas eleições presidenciais. Estamos, porém, a muitos dias da verdadeira noite eleitoral e tudo pode mudar. Até lá, irei fazendo novas projecções, com a derradeira aposta a ficar prometida para a véspera do dia de todas as decisões.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um novo olhar sobre o mapa eleitoral


Como prometido, deixo aqui a minha visão actualizada sobre aquela que é a situação, no momento, do mapa eleitoral para as presidenciais norte-americanas de Novembro. Desde a minha última análise, em Abril, os números de votos eleitorais para cada lado quase não mudaram (na altura, dava vantagem a Barack Obama, com 258 votos eleitorais, face aos 190 de Mitt Romney. Contudo, houve algumas alterações importantes no que diz respeito aos battleground states da eleição que se aproxima.

O maior destaque vai, sem dúvida, para a passagem do Ohio para o estatuto de toss-up, já que acredito que este Estado poderá ser o local que decidirá o resultado da eleição, caso a corrida seja bastante renhida. Assim sendo, o swing state por excelência tem sempre de estar na coluna dos indecisos, mesmo que as sondagens continuem a mostrar um ligeiro favoritismo de Obama no the Buckeye State. Mas, além do Ohio, também o Wisconsin deixou a coluna democrata, passando também para toss-up, na sequência de várias sondagens que mostram um empate técnico e mesmo uma liderança para o nomeado republicano. Todavia, parece-me difícil que Obama não vença neste Estado e é possível que os últimos estudos de intenção de voto reflictam o momentum republicano proporcionado pela vitória de Scott Walker.

Mas nem todas as alterações no mapa eleitoral são negativas para os democratas, já que mudei o estado do Nevada para lean democrat e do New Hampshire e da Pensilvânia para likely democrat, depois de analisar as mais recentes sondagens relativas a estes Estados. Mas se a vitória de Obama nos dois últimos Estados não é propriamente uma novidade - o Partido Democrata é tradicionalmente bastante forte no nordeste dos Estados Unidos - já o movimento no Nevada traduz a actual grande importância do eleitorado latino no Oeste norte-americano, assim como a grande capacidade de mobilização dos democratas no Nevada, Estado onde o Senador Harry Reid, assim como os sindicatos de trabalhadores dos casinos, têm uma grande influência.

Com base neste mapa, e apesar de nenhum dos candidatos atingir o número mágico de 270 votos eleitorais necessários para ser o vencedor, parece correcto afirmar que Obama é ainda favorito para conseguir um segundo mandato, não obstante as últimas semanas não lhe terem corrido muito bem. Contudo, estamos ainda a mais de quatro meses da noite eleitoral e, até lá, o figurino do mapa eleitoral pode (e vai de certeza) dar algumas voltas. Para já, a corrida está ainda too close to call.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O mapa eleitoral de James Carville

James Carville, o histórico conselheiro de Bill Clinton e um dos principais mentores das vitórias políticas do 42º Presidente dos Estados Unidos, apresenta neste vídeo a sua opinião no que diz respeito ao mapa eleitoral para as eleições presidenciais de 2012. Na sua análise dos swing states (é curiosa e certeira a sua definição de swing state), Carville atribui uma ligeira vantagem a Barack Obama sobre Mitt Romney, fruto, sobretudo, dos triunfos virtuais nos Estados da Virgínia e do Ohio. Contudo, com o momentum aparentemente do lado do nomeado republicano, as cores do mapa eleitoral de Carville podem mudar rapidamente. Ainda esta semana, também eu darei a minha achega sobre o estado da corrida nos 50 Estados norte-americanos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Battleground Virginia

Durante anos, o Estado da Virginia foi um bastião republicano em eleições presidenciais, já que, entre 1968 e 2004, foi sempre o candidato do GOP a sair vencedor na Virginia. Em 2008, porém, Barack Obama não se coibiu de apostar desde cedo neste Estado do Sul, baseando-se na forte estrutura que montou para disputar a primária local contra Hillary Clinton. Na altura, este investimento democrata na Virginia parecia mais um tiro no escuro do que uma aposta com reais possibilidades de êxito. Todavia, a estratégia da campanha de Obama revelou-se certeira, já que o actual Presidente conquistou mesmo o Estado, batendo John McCain por sete pontos percentuais de diferença.
A forte aposta de Obama na Virginia é apenas uma das razões da vitória democrata em 2008. A parte Nordeste do Estado tem-se tornado, ao longo dos anos, progressivamente mais democrata, em consequência da expansão dos subúrbios de Washngton D.C., repletos de funcionários públicos (um grupo eleitoral tendencialmente mais próximo do Partido Democrata). Além disso, o Estado tem uma importante comunidade afro-americana (que vota, de forma esmagadora, nos democratas), ao mesmo tempo que as comunidades latinas e asiáticas (que tendem a favorecer os candidatos democratas) vão aumentando de dimensão.
Ainda assim, houve quem achasse que a vitória de Obama na Virginia fosse fruto das circunstâncias excepcionais da eleição de 2008, em que a pesada herança de George Bush levou a que Barack Obama tivesse o melhor resultado de sempre de um democrata (em percentagem do voto popular) desde 1968. Contudo, todas as sondagens mais recentes indicam que a Virginia tornou-se, de facto, num battleground state e que será, muito provavelmente, um dos mais disputados "prémios" na campanha presidencial que se aproxima. A sondagem mais recente, da autoria do Washington Post, atribui a liderança a Obama, que consegue 51% das intenções de voto, ficando Mitt Romney com 44%. Assim, tudo indica que a Virginia será um dos mais disputados "prémios" da campanha presidencial que se aproxima, com ambos os candidatos a concentrarem os seus esforços e recursos neste Estado. Nesse ponto, Obama tem a vantagem da proximidade da Virginia em relação à Casa Branca: não é todos os dias que um Presidente tem apenas de atravessar o Rio Potomac para chegar a um swing state.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um olhar sobre o mapa eleitoral (2)

Numa altura em que Mitt Romney está cada vez mais perto de confirmar a nomeação presidencial republicana e se aproxima o fim das primárias, é de todo o interesse dar uma nova vista de olhos ao mapa eleitoral norte-americano de 2012. No mapa de cima, podemos observar aquela que é a minha análise do estado da corrida, no momento actual, e partindo do princípio de que será Romney a bater-se com Obama, na eleição geral de Novembro.
Em relação à minha última análise, há quatro meses atrás, o cenário está significativamente mais favorável para Barack Obama, que está já muito perto do número de votos eleitorais necessários para garantir a reeleição (270). Os principais ganhos para Obama situam-se no midwest, zona onde Ohio, o Michigan e o Wisconsin passaram de toss ups (onde o resultado é demasiado incerto para se poder fazer uma previsão) para leaning democrat, fruto de sondagens que têm mostrado vantagem para o Presidente e porque Romney terá dificuldades em justificar a sua oposição ao bailout da indústria automóvel, um sector fundamental nesta região dos Estados Unidos. Também a Vírginia passou de toss-up para leaning democrat, enquanto que a Florida apenas continua como toss-up porque Marco Rubio é um grande candidato à presença no ticket republicano, o que seria uma grande mais-valia para os republicanos no sunshine state. Por fim, também um dos votos eleitorais do Nebraska passou a constar na lista dos toss-ups, visto que tenho lido que Obama tem fortes hipóteses de conseguir vencer no distrito eleitoral da cidade de Omaha, como fez em 2008. 
Segundo o meu cenário (que vale o que vale), Obama consegue 258 votos eleitorais, face aos 190 de Romney, ficando 90 votos eleitorais em disputa. De momento, o favoritismo está do lado do actual ocupante da Casa Branca, cujos números têm tido tendência para subir. Contudo, falta ainda muito tempo para as eleições e, até lá, é bem provável que este mapa vá sofrendo várias alterações.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um primeiro olhar sobre o mapa eleitoral de 2012

Como se sabe, as eleições presidenciais nos Estados Unidos são decididas através de um colégio eleitoral, arrecadando o candidato vencedor em cada Estado o número de votos eleitorais que esse Estado atribui (número esse atribuído pelo número de senadores e congressistas que representam esse mesmo Estado no Congresso). Dessa forma, mais que uma disputa nacional, as eleições presidenciais norte-americanas são várias corridas locais e estaduais, com os candidatos a darem o seu melhor para atingir o número mágico de votos eleitorais que permite a vitória final: 270.
270towin é precisamente o nome da minha mais recente aquisição para o iPad - uma aplicação que permite criar e recriar cenários do mapa eleitoral norte-americana. Utilizando esta fantástica ferramenta, começarei a partir de hoje a fazer o ponto da situação do mapa eleitoral americano, no que diz respeito às presidenciais de 2012. Na imagem de cima surge a minha primeira análise, numa altura em que ainda não é conhecido o adversário de Barack Obama. Ainda assim, esta é a minha visão do mapa eleitoral, ciente que, quando se souber qual o ticket republicano que irá defrontar Obama/Biden, esta imagem pode-se alterar substancialmente, fruto das características próprias dos candidatos escolhidos pelo GOP.
Neste meu primeiro mapa eleitoral, o equilíbrio é a nota dominante, com Obama a conseguir 201 votos eleitores, ficando o candidato republicano com 190. Uns impressionantes 147 votos eleitorais ficam em branco, na categoria de toss up, ou indeciso, o que demonstra a indefinição da corrida. Todavia, dentro dos votos eleitorais atribuídos a cada um dos lados, o grau de certeza do resultado final é variável, com a tonalidade da cor a ser mais forte à medida que é também maior a probabilidade de esse partido vencer num Estado em particular. Veremos, com o aproximar do dia das decisões (6 de Novembro do próximo ano) qual é a cor que ganha predominância: o azul, dos democratas, ou o vermelho, dos republicanos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um primeiro olhar sobre o mapa eleitoral

A quase dois anos de distância das eleições presidenciais de 2012, o site Cook Political Report lançou já a sua primeira análise à tendência de voto de cada Estado norte-americano. Segundo a equipa de Charlie Cook, o cenário encontra-se, por esta altura, muito equilibrado, com os democratas a terem 186 votos eleitorais seguros, enquanto os republicanos contam com 196. Se juntarmos ainda os Estados colocados na categoria "Lean", obtemos um verdadeiro empate, com 221 votos eleitorais para o candidato democrata (certamente Barack Obama) e 219 para o concorrente do GOP. Finalmente, ficam 7 Estados na coluna dos Toss-ups, os verdadeiros swing-states e que totalizam 98 votos eleitorais.
A meu ver, esta é uma previsão segura, sem grandes surpresas, mas talvez demasiadamente pessimista para as perspectivas democratas. O Cook Political Report coloca a Carolina do Norte, o Indiana e a Virgínia, três Estados que Obama venceu em 2008, no lado republicano. Apesar de concordar com a posição do Indiana, parece-me que a Carolina do Norte e a Virgínia são toss-ups, dadas as mudanças demográficas que se têm verificado nesses dois Estados e que favorecem os democratas.
Claro que este é um exercício meramente conjectural, dada a grande distância temporal até Novembro de 2012 e não sabermos como evoluirá a situação económica do país, a popularidade do Presidente Obama junto do eleitorado e, obviamente, sem se conhecer o ticket republicano. Porém, para political junkies como eu, este tipo de "palpites" são sempre interessantes.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mudanças no mapa eleitoral

Como se sabe, a eleição presidencial americana é, em teoria, um sufrágio indirecto porque os eleitores votam para um colégio eleitoral que decide o vencedor. Cada Estado tem um determinado número de "grandes eleitores", que corresponde à soma do número de senadores e representantes no Congresso. Todos os Estados possuem o mesmo número de senadores, dois, mas os representantes são proporcionais à sua população, seguindo os valores indicados pelos censos que se realizam de 10 em 10 anos. Assim, as mudanças demográficas alteram a quantidade de representantes de que cada Estado e também o seu número de votos eleitorais.
Actualmente, novos censos estão a ser realizados, o que levou mesmo à criação de vários milhares de postos de trabalho temporários, e os resultados que deverão sair em 2011, terão efeitos já para as presidenciais de 2012. Entretanto, já existem alguns dados que permitem fazer algumas projecções, como a que é apresentada pelo 270towin.com. Na imagem de cima, podem ver-se as flutuações no número de votos eleitorais de cada Estado, estando pintados a azul os Estados onde Obama venceu em 2008 e a vermelho aqueles em que foi McCain o vencedor.
Esta previsão parece favorecer o Partido Republicano, pois Estados que são autênticos bastiões democratas, como New York ou o Illinois perdem votos eleitorais, enquanto alguns "red states", como o Texas (e logo com mais 3 votos eleitorais!) vêm o seu peso ser aumentado. Além disso, a confirmar-se esta previsão, será apenas a segunda vez na história que a Califórnia não aumentará o seu número de grandes eleitores.
Porém, é preciso ter também em conta que estas alterações no mapa eleitoral resultam, em primeiro lugar, de mudanças demográficas, sejam elas de fluxos populacionais internos ou da imigração. E estes movimentos têm também influência nos presumíveis resultados eleitorais nos Estados receptores. Por exemplo, a grande imigração latina, uma comunidade que tende a favorecer os democratas, para os estados fronteiriços tem transformado Estados como o New Mexico, o Colorado, o Nevada e o Arizona, anteriormente dominados pelos republicanos, em autênticos swing-states. Inclusivamente, muitos analistas têm indicado o Texas, actualmente terreno mais que seguro para o GOP, como um Estado onde o Partido Democrata pode, no futuro, conseguir realizar incursões com sucesso.
De qualquer forma, as mudanças no mapa eleitoral não são tão relevantes quanto isso. Com este mapa eleitoral, o resultado no colégio eleitoral da eleição de 2008, entre Obama e McCain, seria ligeiramente menos favorável ao actual presidente, que mudaria a sua votação de 365 votos eleitorais contra 173 para 359-179. A diferença é pouca e apenas seria decisiva no caso de uma eleição extremamente renhida.