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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Os battleground states

Feita a minha previsão para os resultados das eleições norte-americanas, importa clarificar as minhas decisões e fazer um ponto de situação nos battleground states, aqueles onde os eleitores escolherão, na verdade, o próximo presidente dos Estados Unidos.

OS ESTADOS DECISIVOS

Flórida (29 votos eleitorais) - Sendo o derradeiro battleground state, a Florida tem sido, nas últimas décadas, o mais disputado dos estados em corridas presidenciais e, este ano, não é diferente. Com sondagens para todos os gostos, é muito difícil antever o vencedor no sunshine state. Se num primeiro momento, os democratas pareceram levar vantagem no voto antecipado, uma onda posterior de votantes do GOP, veio equilibrar as contas. Neste estado, o voto latino será decisivo, até porque existe um sub-grupo de eleitores, os cubano-americanos, que votam tendencialmente no GOP (ainda que essa tendência venha a esmorecer). Como habitualmente, o condado de Miami-Dade será decisivo, com Biden a ter que conseguir margens junto dos jovens e minorias nos centros urbanos para contrariar a força de Trump junto dos eleitores rurais. Sendo um estado muito envelhecido por ser destino de reforma para muitos idosos, a forma como o presidente geriu a pandemia pode favorecer Biden junto de uma facção do eleitorado que, há quatro anos, preferiu Trump a Hillary Clinton. Contudo, o histórico recente na Florida é favorável ao GOP, pelo que aposto, sem convicção, na sua vitória.

Pennsylvania (20 VE) - Provavelmente, será o tipping point state, ou seja, o estado que dará a vitória a um dos candidatos. Sem a Pennsylvania, Trump não tem chances de ser reeleito, mas, vencendo aqui, passa a ser o favorito à vitória. Para vencer, Joe Biden precisa de uma operação de turnout melhor do que a de Hillary há quatro anos, especialmente junto dos jovens e das minorias. Devido ao voto antecipado, pode demorar alguns dias até conhecermos o vencedor, particularmente se a corrida for muito equilibrada. As sondagens têm dado uma vantagem constante ao democrata, ainda que por uma margem relativamente curta. Aposto numa vitória Biden, já que Trump venceu por uma unha negra em 2016 e , este ano, num clima muito mais negativo para o actual presidente, duvido que consiga aguentar o seu score na Pennsylvania. 

Georgia (16 VE) - Um sonho antigo para os democratas, que já tentaram vencer aqui em 2016, a Georgia parece agora verdadeiramente em jogo. Em 2018, a democrata Stacey Abrams perdeu a corrida para Governador por 1,2% e provou a competitividade democrata no estado. Depois disso, o partido de Biden manteve a sua estrutura intacta e continuou a registar eleitores. Numa eleição mais concorrida, e por isso mais propensa a atrair jovens e eleitores das minorias, o Partido Democrata tem hoje uma grande possibilidade de vencer num estado que lhe foge desde 1992. A crer nas sondagens, a corrida será disputada até ao último voto.

North Carolina (15 VE) - Este é porventura o estado globalmente mais importante da noite, dado que tem corridas competitivas para a eleição do Presidente, de um lugar no Senado e do cargo de Governador do estado. Por isso, muitos milhões de dólares foram gastos, pelos dois lados, nas campanhas da Carolina do Norte. Barack Obama venceu o estado em 2008, mas perdeu-o em 2012. Há quatro anos, Trump voltou a dar a vitória aos republicanos. Sendo um estado com grandes mudanças demográficas, teima em não seguir o caminho que fez a sua vizinha Virginia, rumo ao domínio democrata. Este ano, Joe Biden parece ligeiramente à frente, mas não seria uma surpresa assistir a um triunfo de Donald Trump.

Arizona (11 VE) - Depois de as sondagens terem dado, durante largas semanas, uma vantagem relativamente confortável a Joe Biden no Arizona, os últimos estudos de opinião parecem indicar uma ligeira recuperação do actual presidente. Contudo, os democratas parecem ter já um pé firme no estado e são favoritos à vitória, fruto da sua vantagem em Phoenix, o grande centro urbano do Arizona, e entre os eleitores hispânicos, que representam uma importante fatia do eleitorado. Uma vitória democrata neste estado, poderá ser decisiva, pois permite a Biden um caminho para os 270 votos eleitorais sem precisar dos 20 votos eleitorais da Pennsylvania. 

OS ESTADOS LEANING BIDEN

Michigan (16 VE) e Wisconsin (10 VE) - Juntei estes dois estados, por terem muito em comum. São ambos da zona do midwest, com muitos blue collar works e deram a vitória a Trump, há quatro anos. Além disso, é muito provável que, desta vez, repitam a tendência e apostem no mesmo candidato. Segundo as sondagens, estes dois estados estão relativamente seguros para Joe Biden, que consegue melhores resultados com os eleitores brancos do que aqueles que Clinton alcançou há quatro anos. Em particular no Michigan, com uma forte comunidade afro-americana, a presença de Kamala Harris no ticket democrata pode ajudar a motivar os eleitores negros a comparecer às urnas e a votar democrata. Um triunfo de Trump nestes estados (ou apenas num), ainda que muito improvável, será, certamente, sinal que continuará na Casa Branca. 

New Hampshire (4 VE) e Nevada (5 VE) - Dois estados pequenos, mas que são, por normal, muito importantes nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Ambos são early states nas primárias e ambos deverão atribuir os seus votos eleitorais aos democratas, como tem acontecido desde 2008. Contudo, as semelhanças acabam aí. O New Hampshire é um estado do nordeste, maioritariamente branco e com um eleitorado tendencialmente independente e moderado. Segundo as sondagens, Biden segue confortavelmente para a vitória. Ainda que no Nevada a corrida parece relativamente mais equilibrada, acredito que o eleitorado hispânico e a grande influência dos sindicatos de trabalhadores de casinos, aliados dos democratas, serão suficientes para garantir a vitória de Joe Biden.

OS ESTADOS LEANING TRUMP

Texas (38 VE) - Este será um dos estados mais interessantes de seguir, mais logo. Com uma grande comunidade hispânica e vários centros urbanos em rápido crescimento, o Texas já alguns ciclos eleitorais que vem sendo apontado, erroneamente, como possível battleground state. Parece, porém, que chegou finalmente a vez do The Lone Star State merecer esse título, pois as sondagens indicam uma clara aproximação de Joe Biden. Ainda antes de chegar o dia de hoje, já os texanos tinham batido os anteriores recordes de participação eleitoral, pelo que será muito difícil prever o resultado no Texas com base nos dados de eleições anteriores. A prudência diz-me para esperar uma vitória republicana, mas, se tivesse que apostar numa surpresa, seria no Texas que colocaria as minhas fichas.

Ohio (18 VE) e Iowa (6 VE) - O Ohio tem a fama de votar sempre no candidato que vence a eleição geral, mas poderá muito bem perder o título nesta eleição. Nos últimos anos, o estado tem virado à Direita, fruto do declínio dos seus centros urbanos e do ressentimento de muitos eleitores brancos pelo desaparecimento de postos de trabalho ligados à indústria e à extracção de recursos minerais. Esse ressentimento foi aproveitado por Donald Trump que, com o seu discurso proteccionista, atraiu muitos blue collar workers para as suas fileiras. Este ano, a corrida deverá ser mais apertada do que em 2016, mas Trump parte na frente. O Iowa, um estado predominantemente rural e branco, é terreno favorável para o perfil do Presidente, ainda que tenha perdido popularidade devido à sua gestão da pandemia, pois o Iowa tem sido especialmente fustigado pelo vírus nas últimas semanas. Contudo, se, no final da noite, Donald Trump não tiver vencido estes dois estados, então é porque deixará a Casa Branca em Janeiro de 2021.

E AINDA...

1 VE no Maine e 1 VE no Nebraska - O Maine e o Nebraska quebram o tradicional winner takes all e atribuem os seus votos eleitorais de uma forma mista: 2 votos ao vencedor no estado e 1 voto ao vencedor em cada distrito. Por isso, e apesar de os estados em si não parecerem estar em disputa, um distrito em cada um dos estados pode diferir do resultado do estado como um todo. No Nebraska, Joe Biden parece bem colocado para conquistar o voto eleitoral do 2º distrito do estado, que abrange a cidade de Omaha. No Maine, também no 2º distrito, existe um maior equilíbrio, mas eu atribuo melhores possibilidades para o candidato democrata. São apenas dois votos eleitorais, mas, numa corrida muito equilibrada, podem fazer a diferença.

As minhas apostas

 
















A poucas horas de abrirem as urnas nos Estados Unidos, deixo aqui a minha aposta para o figurino do Colégio Eleitoral depois de se contarem todos os votos. Este foi um exercício especialmente difícil de fazer, tão grande é o número de battleground states com sondagens a mostrarem diferenças entre os dois candidatos dentro da margem de erro. 

Entre eles, o mais difícil de prever foi a Florida, mas dadas as vitórias republicanas neste estado em 2016 e 2018, atribuo favoritismo mínimo a Donald Trump. Mas que isso não descanse os simpatizantes do GOP, já que, em 2012, apostei na vitória de Romney no sunshine state e, em 2016, num triunfo de Hillary Clinton. Por isso, o meu histórico na Florida não é o melhor.

A confirmar-se a minha previsão, Joe Biden será o próximo presidente norte-americano, relegando Trump para a condição de one term President. Com uma margem clara, mas não tão grande como se poderia prever, Biden conseguiria uma coligação alargada de estados do Nordeste, do Sul, do Midwest e do Oeste. 

Maior que a vitória de Biden no Colégio Eleitoral, deverá ser o seu triunfo no total de votos a nível nacional. Nesse campo, que não conta para o apuramento do resultado final, mas é sempre importante para a legitimação do mandato presidencial, Biden poderá mesmo conseguir uma margem de dois dígitos. No mínimo, conseguirá, pelo menos 5/6 pontos percentuais de vantagem. Na minha opinião, a diferença entre os dois concorrentes deverá rondar os 7/8%, o que demonstra bem a actual desvantagem dos democratas no Colégio Eleitoral - em 2008, Barack Obama, com uma margem de 7,2% no voto popular, amealhou 365 votos eleitorais.

















Passemos agora para a disputa pelo Senado, que, nos últimos dias, ganhou um maior equilíbrio fruto de uma ligeira recuperação dos candidatos republicanos em alguns estados. Com muitas corridas equilibradas, foi bastante difícil apresentar um mapa sem toss ups, pelo que este é cenário mapa com muitas interrogações. 

Em primeiro lugar, deixei ficar sem decisão as duas eleições na Georgia, já que ambas deverão obrigar a uma segunda volta. Depois, atribuí triunfos aos democratas no Maine, onde a republicana Susan Collins se tem aguentado, mas continua atrás nas sondagens, na North Carolina, onde o candidato democrata tem surgido constantemente na frente apesar de um escândalo sexual a semanas da eleição, e no Arizona. Para o GOP, ficaram os lugares no Kansas, no Montana, na South Carolina, estados profundamente republicanos, e os assentos no Iowa e no Texas. Nestes dois últimos estados, a minha decisão foi mais difícil: com as sondagens a dizerem que ambas as corridas estão muito equilibradas, favoreci os dois senadores do GOP, pois, tradicionalmente, o estatuto de incumbent confere alguma vantagem.

Com este cenário, os democratas têm vantagem na disputa pelo controlo da câmara alta, pois conseguem metade dos assentos e podem ainda alcançar pelo menos mais um lugar nas corridas da Georgia. Além disso, contarão, a confirmar-se a minha previsão de uma vitória de Joe Biden, com o voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris. 

Finalmente, na Câmara dos Representantes, o Partido Democrata deverá reforçar a sua maioria e conquistar mais uma dezena de assentos, podendo esse número variar entre cinco e quinze. Desta forma, os democratas completam o tri-factor, fazendo o pleno nas eleições para a Casa Branca, Senado e Câmara dos Representantes, o que poderá ser fundamental para o sucesso legislativo dos democratas nos próximos dois anos. 

Nota ainda para as eleições para Governador em alguns estados. Sem grandes motivos de interesse a este nível no presente ciclo eleitoral, as corridas mais interessantes estão no Montana, onde o candidato republicano é favorito, e na North Carolina, onde é o democrata que parte com vantagem. 

Terminadas as previsões, importa agora seguir as contagens dos votos e consultar os resultados finais. Para ajudar, apresentarei, mais logo, um resumo dos estados a seguir e os horários dos fechos das urnas em todos os estados. Afinal, este é o dia mais longo do ano e está apenas a começar.

domingo, 25 de outubro de 2020

O Estado tipping point


























Uma das noções mais importantes na definição das estratégias das campanhas presidenciais é a do Estado tipping point, isto é, o Estado com maior probabilidade de ser, quando se contarem os votos, aquele que atribui o voto decisivo ao vencedor no colégio eleitoral. Ou seja, se colocarmos todos os estados por ordem de diferença na margem de vitória, começando naquele em que o vencedor venceu por maior diferença, aquele Estado que fizer o candidato vencedor alcançar os 270 votos eleitorais é o tipping point state. 

Segundo o 538.com de Nate Silver, o tipping point state deste ciclo eleitoral é a Pennsylvania com os seus 20 votos eleitorais. Há quatro anos, quando todos esperavam uma vitória de Hillary Clinton, Donald Trump venceu no keystone state e esse foi um dos factores decisivos para o triunfo do republicano no colégio eleitoral (juntamente com as suas vitórias no Michigan e no Wisconsin).

A Pennsylvania começou como o centro da América. Tendo sido uma das primeiras colónias, cedo ganhou protagonismo e atraiu milhares de Britânicos de várias confissões religiosas e Alemães. Philadelphia tornou-se a maior cidade norte-americana e foi aí que se reuniu o Congresso Continental, em 1776, e que decorreu a Convenção Constitucional, em 1787. Nessa época, Philadelphia parecia destinada a tornar-se a Londres da América e o seu centro económico, comercial e financeiro.

Contudo, tanto Philadelphia como a Pennsylvania não conseguiram manter o papel fulcral que desempenharam no início da União. Perdida a capital federal, que se mudou para Washington D.C., cidade edificada propositadamente para albergar o governo dos Estados Unidos, a Pennsylvania tornou-se a capital da indústria do aço e da indústria energética, principalmente devido ao carvão, matéria-prima abundante no território do estado. O crescimento industrial foi acompanhado pela chegada de grandes vagas de imigração para o estado e, em 1910, a Pennsylvania era o segundo estado mais populoso da União.

O crescimento da Pennsylvania seria interrompido pela Grande Depressão de 1929 e, em algumas regiões do estado, nunca seria retomado e isso teve como resultado a mais baixa taxa de crescimento populacional entre os maiores estados da União. Por isso, se em 1930 este estado atribuía 36 votos eleitorais, agora, esse número está reduzido a 20. Nos últimos anos, essa tendência alterou-se ligeiramente, devido à taxa de impostos praticada na Pennsylvania, que é mais baixa do que na maioria dos estados vizinhos, à chegada de idosos oriundos de New York que procuram uma região mais sossegada para viver a sua reforma, à imigração de hispânicos para trabalharem nas indústrias da Pennnsylvania e à reemergência da zona rural do estado como produtor energético por excelência.

Politicamente, a Pennsylvania constituiu-se, após a Guerra Civil, como o mais pró-republicano dos maiores estados norte-americanos. Em 1932, foi mesmo o único dos grandes estados a preferir o republicano Herbert Hoover em detrimento de Franklin Roosevelt. Todavia, o New Deal e os movimentos sindicais alteraram o panorama político do Estado e tornaram a Pennsylvania industrial dos anos 30 e 40 quase tão democrata como, nas décadas anteriores, havia sido republicana. Mesmo assim, algumas zonas menos industriais do estado mantiveram-se fortemente republicanas e serviram de contrapeso à preponderância democrata em Philadelphia e noutros centros urbanos. 

Nos anos 80, o Leste do estado, mais próspero tinha uma tendência pró-republicana, ao passo que o Oeste tendia para o lado democrata. A situação inverteu-se na década seguinte, quando o Leste virou à Esquerda em questões culturais e passou a apoiar o Partido Democrata, enquanto que o Oeste, mais conservador, se passou para o GOP. Como o Leste do estado é mais populoso e, consequentemente, tem maior peso eleitoral, os candidatos republicanos dominaram o estado nos anos 80 e os democratas saíram vencedores a partir da década de 90.

Em 2008 e 2012, Barack Obama venceu na Pennsylvania de forma relativamente fácil, usufruindo da vantagem democrata proporcionada pelo crescimento das áreas urbanas e suburbanas de Philadelphia, um bastião democrata. Contudo, em 2016, Trump conseguiu um esmagador apoio nas zonas rurais do estado, o que foi suficiente para ultrapassar as margens das vitórias democratas nas zonas urbanas. 

Este ano, as tendências deverão ser as mesmas e os democratas tudo farão para alargar ao máximo as suas margens nos centros urbanos. Para isso acontecer terão de apostar forte na comparência às urnas dos eleitores afro-americanos. A presença de Kamala Harris no ticket democrata poderá dar um importante empurrão para que o voto negro volte aos números dos anos Obama e melhore as hipóteses democratas. Mas, por sua vez, os republicanos deverão continuar a contar com um apoio maioritário nas zonas rurais da Pennsylvania, terreno que pode ser chamado de Trumpland

Com as cidades do lado democrata e os campos no sector de Trump, as zonas suburbanas deverão ser decisivas para a vitória no Estado, representando uma espécie de swing state dentro de um swing state. A julgar pelas sondagens, Joe Biden leva vantagem na Pennsylvania suburbana, o que se pode revelar decisivo para a vitória do democrata no estado e, consequentemente, na eleição geral, já que, ao que tudo indica, quem vencer na Pennsylvania será o ocupante da Casa Branca a partir de 20 de Janeiro de 2021.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

O estado da corrida

A 19 dias do dia das eleições, o mapa eleitoral está cada vez mais definido e, por isso, apresento uma imagem que reflecte a minha opinião sobre o estado da corrida, ao dia de hoje, de acordo com as sondagens nacionais e, principalmente, estaduais.
Como se pode verificar pelos dados do mapa, a tendência é clara: Joe Biden tem tudo para ser o 46º presidente dos Estados Unidos, salvo algum acontecimento excepcional nos poucos dias que faltam ou a uma colossal falha das sondagens. Bem sei que há quatro anos as sondagens falharam de forma copiosa quando se pensava que Hillary Clinton derrotaria, com maior ou menor dificuldade, Donald Trump. Contudo, as sondagens da altura mostravam uma corrida mais equilibrada do que a deste ano e, além disso, tivemos a decisão do FBI em reabrir a investigação aos emails de Hillary Clinton a poucos dias da eleição, o que veio a revelar-se como um verdadeiro game changer na eleição de 2016. Este ano, salvo um novo momento James Comey (curiosamente, Trump voltou, recentemente a trazer o tema à baila), o actual ocupante da Casa Branca deverá ter dificuldades em repetir o upset.
À medida que se aproxima o dia das eleições - ou o última dia das eleições, já que, neste momento, vários milhões de eleitores já depositaram o seu voto - fecha-se a janela de oportunidade para que Trump reduza a desvantagem para Joe Biden e se coloque numa striking distance que lhe permita, com um eventual erro nas sondagens e uma eficaz operação de mobilização de eleitores por parte da máquina republicana, conquistar um novo mandato à frente dos destinos da nação norte-americana.
A favor de Donald Trump joga ainda a sua vantagem no colégio eleitoral, já que Joe Biden deverá ter de vencer por mais de 3% no voto popular para compensar o handicap do sistema eleitoral de que padece actualmente o Partido Democrata. Mas, nesta altura, tal vantagem parece não ser suficiente para evitar que Joe Biden ascenda à presidência. 
Como se pode ver no mapa, o democrata consegue ultrapassar os 270 votos eleitorais necessários para a vitória sem precisar de ganhar nenhum dos estados onde as sondagens mostram maior equilíbrio. Mesmo não vencendo o Arizona, onde Trump triunfou em 2016, Biden seria o próximo presidente dos Estados Unidos, pelo que se afigura como muito difícil o percurso do candidato republicano rumo a um novo mandato na Casa Branca. 
Em 2016, assistimos a uma das maiores surpresas eleitorais de que há memória. Eu próprio dei como certa a vitória de Hillary a poucos dias da eleição desse ano, sem saber que a famosa blue wall democrata estava a ruir de forma praticamente despercebida (apenas no Michigan houve alguns sinais e nas vésperas da eleição), pelo que, desta vez, se impõe maior cautela e ponderação antes de anunciar como decidida uma corrida que, ainda por cima, está rodeado de condições excepcionais. Assim sendo, façamos as nossas apostas, mas esperemos para ver quem conquista a Casa Branca.

sábado, 7 de março de 2020

Bernie can't win?






















Costuma-se dizer que os generais estão sempre preparados para travar a guerra anterior e não a próxima. Mas isso acontece também com os analistas políticos que anteveem a próxima eleição com base nas anteriores. Eu mesmo cometi esse erro há quatro anos quando menosprezei as hipóteses de vitória de Donald Trump. Da mesma forma, este ano, são muitos aqueles que defendem que Bernie Sanders não tem possibilidades de derrotar o actual ocupante da Sala Oval numa eventual disputa pela presidência. Larry Sabato, por exemplo, defende que se for Bernie o nomeado, Trump será favorito à vitória.
Na verdade, a maioria das sondagens até têm tendência para apontar no sentido contrário, pois  nestes estudos de opinião Sanders tem sido, de uma forma geral, o candidato democrata a conseguir melhores resultados num frente-a-frente virtual com Trump. Porém, é preciso ter em consideração que as sondagens relativas à eleição geral têm pouca importância nesta fase e que, mais do que as sondagens nacionais, importa perceber a posição de cada candidato nos battleground states. Basta recordar que, há quatro anos, Hillary Clinton teve mais três milhões de votos do que Donald Trump, mas saiu derrotada devido a alguns milhares de votos nos estados decisivos, em particular no Midwest. 
Assim sendo, parece-me muito cedo para tecer considerações definitivas e absolutas relativamente às hipóteses de qualquer um dos candidatos no resultado final do Colégio Eleitoral. Podemos, contudo, perceber as nuances de cada candidatura e parece-me evidente que a nomeação de Bernie Sanders reduziria o tabuleiro de jogo para os democratas no que diz respeito aos estados em jogo. Em primeiro lugar, o resultado na Florida deixaria de ser um toss up e passaria a estar na coluna dos estados com favoritismo para os republicanos, já que o sunshine state é um dos estados mais envelhecidos do país e o grupo social dos idosos é um daqueles onde Sanders consegue piores resultados. Além disso, com o seu posicionamento ideológico bem mais à esquerda do eleitoral médio norte-americano, o senador pelo Vermont poderia ter piores resultados junto do eleitorado independente, pelo que estados com eleitorados moderados (a Virginia, por exemplo) ou onde os democratas têm conseguido, mais recentemente, aproximar-se dos republicanos, podem ficar numa posição menos favorável para o partido Democrata, casos da Georgia, do Arizona e da Carolina do Norte.
Por outro lado, a nomeação de Sanders poderia reforçar a posição democrata junto dos hispânicos, grupo em que Bernie tem conseguido bons resultados nas primárias. Mas o principal argumento a favor do Senador do Vermont seria a possibilidade de conseguir esvaziar algum do discurso de Trump que mais agradou ao operariado branco do Midwest e que foi o mais prejudicado pela globalização e pela crise económica e, assim, fazer regressar à coluna democrata os estados do Michigan, Pennsylvania e Wisconsin (e, quem sabe, o Iowa). Se o conseguir, ficará muito perto de ser o 46º presidente dos Estados Unidos. 
Em resumo, apesar de ser muito cedo para tecer grandes considerações sobre a corrida pela eleição geral de Novembro, parece-me que existe um caminho para a vitória de Sanders contra Trump. Será, porventura, uma via mais estreita do que aquelas com que contaram Barack Obama e Hillary Clinton, mas isso até poderá nem ser negativo, pois permite uma alocação de recursos mais eficaz, ainda que represente uma espécie de all in, sem direito a plano B.
De qualquer forma, este exercício é meramente teórico, em especial numa altura em que é até pouco provável que seja Bernie Sanders o nomeado presidencial do Partido Democrata - o 538 de Nate Silver atribui-lhe apenas 2% de chances de vitória. Mas o mesmo aconteceu já a Biden, e há muito pouco tempo, por isso o melhor é mesmo esperar para ver se Bernie can win.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Colégio Eleitoral (em actualização)

Barack Obama - 303 votos eleitorais (Vermont, Connecticut, Delaware, Washington, D.C., Illinois, Maryland, Massachusetts, Maine, Rhode Island, New Jersey, New York, Michigan, Pennsylvania, Wisconsin, New Hampshire, New Mexico, Minnesota, California, Havaii, Washington, Nevada, Oregon, Ohio, Iowa, Nevada, Colorado, Virginia)

Mitt Romney - 206 votos eleitorais (Kentucky, Indiana, South Carolina, West Virginia, Oklahoma, Georgia, Arkansas, Tennessee, Louisiana, Alabama, Mississippi, Kansas, Texas, Nebraska, South Dakota, North Dakota, Wyoming, Utah, Montana, Arizona, Idaho, North Carolina, Missouri, Alaska)

Nota: São necessários 270 votos eleitorais para se ser eleito Presidente dos Estados Unidos.