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sábado, 2 de novembro de 2024

As campanhas

Estamos mesmo na recta final da campanha presidencial nos Estados Unidos e a indefinição mantém-se sobre quem ocupará a Sala Oval a partir de 20 de Janeiro do próximo ano. Todas as sondagens continuam a mostrar um grande equilíbrio, especialmente nos sete battleground states que decidirão a corrida. Entretanto, decorre voto antecipado e cerca de um terço do eleitorado já terá depositado o seu boletim de voto. Contudo, as campanhas continuam e intensificam a sua mensagem e o seu alcance, tentando, por todos os meios chegar aos (poucos) eleitores indecisos e convencer os seus apoiantes a irem às urnas. 

Kamala Harris conseguiu, neste ciclo eleitoral, deixar cair a imagem de fraca campaigner com que saiu da campanha de 2020 e revelou ser uma boa candidata que animou a base democrata a partir do anúncio da sua candidatura. Sem falhas nem gaffes, apostou numa campanha de vibes, tentando capitalizar o entusiasmo que a sua candidatura suscitou. Apresentou-se como a concorrente challenger e baseou a sua campanha numa mensagem de esperança e mudança - "Yes, we Kam" -, apesar de ser a actual vice-presidente. Esta estratégia não é disparatada, tendo em conta a impopularidade de Joe Biden e o clima anti-incumbência que se tem sentido um pouco por todo o mundo nos últimos tempos. Além disso, concorre contra um antigo presidente, com quase 80 anos, pelo que pode ser que consiga capitalizar com esta estratégia delineada pelo seu staff, composta por um misto de operativos da sua equipa, da de Biden e até de antigos staffers de Barack Obama.

Terá também apostado numa campanha menos centrada em políticas, porque, na verdade, os dois grandes temas que dominam a agenda são favoráveis a Trump e ao GOP - a economia e a imigração. Se sobre esta última é um facto que os democratas, por opção ou por incapacidade, não controlaram o aumento da imigração para os Estados Unidos, já a situação económica é mais uma questão de perceção do que de realidade, visto que a economia americana apresenta indicadores bastante positivos. Seja como for, Kamala Harris e os democratas optaram por centrar as suas atenções nas questões do aborto e da defesa da democracia, com a primeira a ser o seu grande trunfo eleitoral, nomeadamente junto das mulheres mais jovens, que têm reforçado a sua preferência pelos democratas desde a revogação da Roe v Wade.

Estas opções por parte de Harris parecem ter tido alguma repercussões na sua coligação eleitoral. As sondagens têm apontado para uma certa erosão do voto democrata nos negros e nos hispânicos (cada mais suscetíveis a mensagens económicas), mas que pode ser compensado por uma maior percentagem de voto no eleitorado branco, em especial das mulheres e daqueles que têm estudos superiores. No que ao colégio eleitoral diz respeito, isso podem ser más notícias para Kamala no Sul (Georgia) e no Oeste (Nevada e Arizona), mas boas notícias no Midwest (Michigan, Wisconsin e Pennsylvania) e ainda na North Carolina. 

Por sua vez, Donald Trump realizou uma campanha à sua imagem. Ao contrário de Kamala Harris, que contou com inúmeros surrogates, fossem eles do mundo da política (os Obama, os Clinton, ou o próprio Biden) ou do showbusiness (Bruce Springsteen, Oprah, Jennifez Lopez, Beyoncé, etc.), a campanha de Trump foi um one man show, como não podia deixar de ser. Apesar da idade, Donald Trump andou por todo o país e participou em dezenas de eventos e comícios, alguns com várias horas de duração, ainda que, nalguns casos, tenha demonstrado algum cansaço e falta de concentração.

Ao seu jeito, e talvez de forma ainda mais agressiva do que em 2016 e 2020, Trump não perdoou os seus opositores no trilho da campanha e os seus discursos foram, não raras vezes, chorrilhos de insultos, acusações e ameaças para os democratas e para quem o criticou ou, apenas, não o apoiou. Ainda assim, actualmente, e de acordo com as sondagens, Trump já não é tão impopular como nas duas últimas campanhas. Para isso, terá contribuído a tentativa de assassinato a que sobreviveu, que o tornou mais humano aos olhos dos eleitores e o facto de os americanos já se terem habituado ao perfil do candidato republicano. 

Como os eleitores parecem ter boas recordações do mandato de Trump na Casa Branca, associado ao período pré-inflação, o concorrente do GOP aposta forte nesse tema, prometendo reduzir o custo de vida e melhorar a situação económica do país, ainda que faça promessas, como a de aumentar as tarifas de importação, que suscitam muitas dúvidas e possam mesmo ser contraproducentes. Também o controlo da imigração tem estado no centro da sua mensagem de campanha, ou não fosse esse o tema original de Trump que o levou ao topo do Partido Republicano. Porém, desta vez, o anterior build that wall endureceu e transformou-se num discurso bem mais xenófobo e mesmo racista, como ficou patente no recente comício de Trump no Madison Square Garden, em Nova Iorque, onde um comediante afecto ao GOP apelidou Porto Rico de "lixo". 

Apesar de todos os defeitos e excessos de Trump, muitos eleitores parecem continuar a contar com ele para melhorar a sua situação económica. São principalmente eleitores rurais e da classe trabalhadora sem estudos superiores - os blue collar workers. Muitos deles podem nem sequer gostar de Trump, mas acreditam no discurso isolacionista do America First e têm esperança que a América rural e industrial regresse aos seus tempos áureos. 

Por outro lado, Donald Trump tem sido relativamente bem sucedido no apelo ao eleitorado hispânico, que nas últimas décadas era um bastião democrata. Contudo, muitos deles são small business owners e a mensagem económica de Trump soa-lhes de forma favorável. Além disso, cada vez mais são já imigrantes de segunda ou terceira geração, pelo que o discurso pró-imigração dos democratas já não lhes é tão próximo, quando não é, até, contraproducente. 

No fim de contas, ambas as campanhas tiveram uma coisa em comum: falaram principalmente para o seu eleitorado. Numa América totalmente dividida politicamente, esta campanha não serviu para curar feridas ou fazer pontes entre os dois lados da barricada. Porém, daqui a poucos dias, um deles sairá obrigatoriamente vencedor e sabermos, nessa altura, qual das campanhas foi mais eficaz e alcançou o seu objectivo. Mas, até lá, ainda há muitos eleitores para cortejar e, numa corrida tão renhida, todos os votos contam. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hillary is getting started

Como era esperado, Hillary Clinton anunciou, ontem, o início oficial da sua candidatura à Casa Branca. Com uma mensagem no Twitter e este vídeo, com o título Getting Started, a grande favorita a selar a nomeação pelo Partido Democrata arrancou a sua campanha presidencial. Um anúncio simples e discreto, mas que termina com anos de indefinição sobre a candidatura presidencial da política mais conhecida, mas também mais controversa, dos Estados Unidos. Agora sim, já podemos dizer que a campanha presidencial de 2016 está lançada.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Obama, o indesejado

Com as eleições intercalares à porta, os democratas de topo desdobram-se no apoio aos candidatos do seu partido. Contudo, Barack Obama tem marcado uma discreta presença no terreno, já que, devido à sua impopularidade, os concorrentes democratas preferem manter a distância em relação ao Presidente dos Estados Unidos. Aliás, houve mesmo uma candidata do Partido Democrata ao Senado - Alison Grimes, no Kentucky - que recusou dizer se havia votado em Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Não admira, por isso, que quando os democratas precisam de uma "estrela" para animar a sua campanha, passem ao lado de Barack Obama e chamem alguém como Bill Clinton ou até a Primeira-Dama, Michelle Obama...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Como Obama venceu: os erros de Romney

O resultado eleitoral do passado dia 6 representou uma vitória para Barack Obama, que teve muito mérito na sua reeleição, mas também uma derrota de Mitt Romney que tinha tudo para sair vencedor da corrida pela Casa Branca, ou não enfrentasse um Presidente algo fragilizado por uma economia que teima em não voltar à normalidade. Apesar de ter liderado uma campanha que foi globalmente positiva e competente, a verdade é que Romney cometeu alguns erros crassos e que contribuíram para a sua derrota final.
Logo nas primárias republicanas, o antigo Governador do Massachusetts terá falhado ao deixar-se encostar demasiado à Direita, ao ver-se acossado por adversários extremamente conservadores. As posições que assumiu na altura, nomeadamente nas questões do aborto e da imigração, iriam prejudicá-lo, mais tarde, na eleição geral, em grupos eleitorais fundamentais (nestes casos, as mulheres e os hispânicos, respectivamente). Além disso, Romney, que, durante um debate, chegou a dizer que foi um Governador do Massachusetts extremamente conservador, entregou de bandeja sounding bytes à campanha democrata, que aproveitou a deixa para caracterizar o nomeado republicano como um radical de Direita.
E é nessa sequência que surge um novo erro importante de Romney. Quando terminaram as primárias republicanas, no final da Primavera, a campanha de Obama tomou uma decisão invulgar, ao realizar uma espécie de ataque preventivo, lançando uma série de anúncios negativos que visavam "pintar" Romney aos olhos do eleitorado como um insensível capitalista, que fez fortuna e carreira, na Bain Capital, a destruir empresas e empregos americanos. Nessa altura, além de não responder efectivamente aos ataques da campanha democrata, Romney ainda atirou mais achas para a fogueira, tendo-se recusado a tornar públicos mais do que dois anos de declarações de impostos e ao tecer comentários que pareciam confirmar a tese democrata de que Romney estava alheado da realidade do cidadão comum, como quando afirmou que a sua esposa conduzia "um par de Cadillacs".
Mais tarde, já perto do auge da campanha nacional, Romney terá cometido, porventura, a sua maior gaffe durante a corrida. Num evento privado de angariação de fundos, o candidato republicano foi apanhado em vídeo a afirmar que os 47% dos norte-americanos que não pagavam impostos sobre os rendimentos nunca votariam em si, porque nunca nunca os conseguiria convencer a terem responsabilidade individual e a importarem-se com as suas vidas". Como seria de esperar, as críticas a estas declarações foram bastante duras para Romney, que, em consequência, se afundou nas sondagens. Foi um rude golpe para a sua campanha, que apenas conseguiu recuperar devido a uma grande vitória do nomeado republicano no primeiro debate presidencial.
Contudo, o principal erro de Romney foi a sua incapacidade em "conectar-se" com os eleitores. Não tendo o carisma nem os dotes oratórios de Barack Obama, Romney falhou em mostrar o seu lado emotivo, parecendo sempre muito mecânico e distante do cidadão comum. No fundo, concorreu mais como um tecnocrata do que como um estadista e isso foi-lhe fatal já que os norte-americanos, apesar de não estarem contentes com o primeiro mandato de Obama, preferiram dar uma nova oportunidade ao candidato que, há quatro anos, os fez sonhar com ideais de mudança e esperança.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Como Obama venceu - a campanha

A campanha presidencial de 2012 foi longa e animada, e, no final, o vencedor foi Barack Obama, que foi eleito para um segundo mandato de quatro anos na Casa Branca. Agora, quando o grosso da poeira da noite eleitoral já assentou, é altura de fazer um breve balanço desta louca corrida e identificar as principais razões que levaram à vitória de Obama. O primeiro post de uma curta série, onde apresentarei as principais questões que estiveram na origem do triunfo do candidato democrata é dedicado à competente e eficaz campanha de Barack Obama.
Apesar de todas as dificuldades que pareciam complicar a reeleição do Presidente, como a alta taxa de desemprego ou a baixa taxa de aprovação do trabalho de Obama, a campanha liderada por David Axelrod, David Plouffe e Jim Messina foi extremamente eficaz a definir a sua mensagem e a obrigar a campanha de Romney a jogar segundo as suas regras.
A decisão de um ataque preventivo a Mitt Romney, logo no final das primárias republicanas, foi decisiva. Ao contrário do que é normal, a campanha democrata optou por muito cedo realizar uma grande barragem de ataques negativos, que conseguiu com sucesso caracterizar Romney como um milionário desligado da realidade do cidadão comum e que fez carreira (e fortuna) a destruir empregos nos Estados Unidos. O candidato republicano, que não contava e não estava preparado para um raid desta natureza quando acabava de sair de umas primárias desgastantes,  nunca conseguiu desses ataques.
A campanha democrata também foi capaz a convencer a maioria dos eleitores norte-americanos de que o Presidente encontrou a economia norte-americana num péssimo estado, após oito anos de George W. Bush e que um mandato não era suficiente para Obama ser capaz de "limpar a casa". A eficácia desta táctica fica comprovada pelo facto de 53% dos eleitores americanos considerar que Bush é o principal culpado pelo estado da economia e só 38% culparem principalmente Obama.
Outro aspecto importante da campanha de Obama foi o facto de nunca entrar em pânico, mesmo depois da desastrosa prestação do seu candidato no primeiro debate. Nessa ocasião, muitos foram os liberais que sobre-reagiram a essa derrota de Obama e clamaram pelo soar dos alarmes em Chicago. Contudo, a campanha do Presidente manteve-se serena conseguiu, pouco a pouco, fazer uma eficiente gestão dos danos causados pelo primeiro debate.
Finalmente, o ground game democrata foi o claro vencedor nestas eleições. À imagem do que sucedeu em 2008, o voto antecipado foi uma forte aposta da campanha de Obama que amealhou uma vantagem em votos depositados com antecedência, da qual os republicanos foram incapazes de recuperar. Houve quem pensasse que os democratas encaravam estas eleições com menor entusiasmos do que as de há quatro anos e que isso levaria a uma menor participação eleitoral de grupos que apoiam maioritariamente o Presidente. Todavia, essas previsões provaram-se totalmente erradas e a campanha democrata foi essencial ao mobilizar os seus eleitores e a levá-los às urnas. Também por isso, os os afro-americanos votaram em números idênticos aos de 2008, enquanto que, entre os hispânicos e os jovens, a participação foi ainda superior em relação à primeira eleição de Obama.
Estes são apenas as principais capacidades demonstradas pela campanha presidencial de Barack Obama, que provou, uma vez mais, que é a melhor e maior organização política e eleitoral da história dos Estados Unidos, batendo a estrutura do Partido Republicano que, durante os anos Bush, parecia imbatível. Não admira por isso, que Barack Obama se tenha emocionado a agradecer a alguns dos seus fiéis apoiantes e voluntários. Afinal, a sua vitória também se deve, e muito, a eles.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Closing arguments: Romney

Num forcing de última hora para colocar em jogo a Pennsylvania e os seus 20 votos eleitorais, a campanha de Mitt Romney tem concentrado os seus esforços neste Estado que pode permitir ao candidato republicano um caminho alternativo rumo aos 270 votos eleitorais necessários para alcançar a Casa Branca. Ontem, Romney esteve na localidade de Morrisville (no vídeo) e, hoje, aproveitará todos os segundos do dia eleitoral para tentar angariar novos votos, com visitas ao decisivo Ohio e, novamente, à Pennsylvania, onde estará na cidade de Piitsburgh. Depois disso, voará para Boston, onde está sediada a sua campanha e será a partir da capital do Masshusetts que acompanhará os resultados e reagirá ao veredicto eleitoral.

Closing arguments: Obama

Barack Obama encerrou, ontem, a sua campanha presidencial, naquele que terá sido a última acção de campanha a seu favor da sua vida política. Simbolicamente, o Estado escolhido foi o Iowa, onde Obama, há quase cinco anos atrás, começou a sua improvável caminhada até à Casa Branca, batendo, surpreendentemente, Hillary Clinton e John Edwards nas primárias democratas. Terminada a sua participação no trilho da campanha, Barack Obama partiu para Chicago, onde seguirá o desenrolar dos acontecimentos e fará o seu discurso de vitória ou de derrota, dependendo do que for decidido pelos eleitores norte-americanos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O mapa eleitoral


A menos de três semanas da eleições presidenciais, a corrida pela Casa Branca está mais animada e equilibrada do que nunca. Após o primeiro debate, em que Mitt Romney saiu vitorioso, o republicano anulou a vantagem de que Obama vinha a beneficiar nas sondagens e colocou novamente em dúvida o vencedor da disputa. Nas sondagens nacionais, Romney chegou mesmo a ultrapassar o Presidente, ainda que, neste momento, os números estejam muito próximos. Contudo, o vencedor das eleições presidenciais norte-americanas é determinado pelo Colégio Eleitoral e, aí, Obama ainda é o favorito.
Na figura de cima, surge a minha opinião sobre o que é o actual estado da corrida nos 50 Estados norte-americanos. Neste mapa eleitoral, Obama já ultrapassou o número mágico de 270 votos eleitorais necesssários para alcançar um segundo mandato. Actualmente, no que diz respeito aos battleground states Barack leva vantagem nos no Ohio, no Iowa, no Wisconsin e no Nevada, o que é suficiente para sair vencedor na eleição, desde que não haja surpresas na Pennsylvania e no Michigan.
Mitt Romney, por sua vez, parece neste momento levar vantagem na Carolina do Norte (que pode estar já fora do alcance dos democratas) e na Florida, ainda que o destino do sunshine state continue em aberto. O Missouri, a Georgia e o Arizona, que em alguma altura desta campanha chegaram a parecer estar em jogo, estão agora bem encaminhados para se manterem na coluna de Romney.
Finalmente, neste momento, não arrisco prognósticos para o vencedor no Colorado, na Virginia e no New Hampshire, três verdadeiros Estados toss-up, em que as sondagens não indiciam uma liderança clara, ou mesmo tangencial, para qualquer dos candidatos à Presidência. Ainda assim, mesmo que Romney consiga atrair estes três Estados para o seu lado, isso não seria suficiente para, a 6 de Novembro, ser eleito como o próximo Presidente dos Estados Unidos. Por isso, neste momento, ainda que a corrida esteja equilibradíssima, considero que Obama está ligeiramente em melhor posição para se sagrar vencedor e, consequentemente, chegar a um segundo mandato na Casa Branca.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Obama domina a corrida

A eleição presidencial aproxima-se rapidamente - estamos a menos de mês e meio de 6 de Novembro - e a corrida parece cada vez mais inclinada para Barack Obama. É provável que, neste momento, os sinais de alarme estejam a soar na sede da campanha de Mitt Romney, que vê, a cada dia que passa, as suas hipóteses de vitória diminuírem. De facto, basta observar para se perceber que o candidato republicano terá de fazer algo para mudar a dinâmica da corrida.
Nas sondagens de nível nacional, Obama nem tem uma vantagem por aí além, especialmente se virmos de forma isolada as tracking polls da Gallup, onde o actual Presidente tem surgido com uma reduzida vantagem, ou da Rasmussen, onde Obama consegue hoje uma vantagem de apenas um ponto (um bom resultado, tendo em conta que, nesta sondagem, da autoria da republican leaning Rasmussen, o democrata tem ficado atrás de Rommney). Noutros estudos, Obama tem conseguido melhores resultados, distanciando-se do seu oponente por uma margem superior. Além disso, a taxa de aprovação do trabalho do Presidente também tem vindo a subir e, para o RealClearPolitics já atingiu mesmo a barreira psicológica dos 50%.
Mas é nas sondagens dos swing states que Obama marca claramente a diferença para Romney. Nos últimos dias, o candidato democrata tem surgido constantemente à frente de praticamente todos os Estados que parecem em disputa neste ciclo eleitoral, com excepção da Carolina do Norte, que parece um verdadeiro exemplo de um Estado too close to call. Correndo os principais sites que realizam uma média de sondagens e apresentam o estado actual do mapa eleitoral, vemos que o Pollster atribui 332 votos eleitorais a Obama e 191 a Romney, deixando apenas a Carolina do Norte na coluna dos toss up. O Politico, que não classifica Estados como indecisos, entrega 347 votos eleitorais ao Presidente e 191 ao challenger republicano. Finalmente, o RealClearPolitics, com um modelo mais conservador (ou seja, é mais rígido a atribuir Estados a um dos candidatos), coloca 247 votos eleitorais na coluna de Obama e os "habituais" 191 na de Romney. 
Tendo em conta que são 270 os votos eleitorais necessários para um dos candidatos se sagrar vencedor, torna-se perceptível que, de momento, Barack Obama leva uma importante vantagem no Colégio Eleitoral. Para já, Romney está a perder a luta pelos battleground states em toda a linha e isso obriga-o a virar o tabuleiro de jogo totalmente de pernas para o ar se quiser tornar-se o próximo Presidente dos Estados Unidos.

domingo, 16 de setembro de 2012

A corrida muda de figura

As últimas semanas trouxeram, sem dúvida, muita actividade e uma nova dinâmica à corrida presidencial norte-americana. As convenções nacionais, o discurso de Bill Clinton e a crise no Médio Oriente transformaram a campanha eleitoral e alteraram o cenário da disputa pela Casa Branca, numa altura em que estamos a menos de dois meses da grande noite eleitoral.
Em primeiro lugar, as convenções dos dois partidos tiveram um forte impacto na campanha, com clara vantagem para os democratas. De facto, Barack Obama viu os seus números nas sondagens subirem significativamente depois da Convenção Nacional Democrata, e isto apesar de o seu discurso não ter sido empolgante nem brilhante. Contudo, até deverá ter sido essa a intenção de Obama, a querer assumir-se como Presidente, apostando numa postura sóbria e realista, em contraste com a imagem idealista e sonhadora da sua campanha de há quatro anos. 
Assim, da convenção democrata, sobressaiu especialmente o discurso de Bill Clinton, que foi o primeiro democrata a conseguir defender de forma efectiva o primeiro mandato de Obama na Casa Branca. No fundo, os democratas foram capazes de responder à pergunta que teimava em assombrar a campanha de Obama: estão os norte-americanos melhor agora do que há quatro anos? A julgar pela subida do Presidente nas sondagens, parece que Clinton conseguiu convencer a maioria dos cidadãos norte-americanos que a resposta a esta pergunta é sim.
Mais recentemente, surgiu a inesperada crise no Médio Oriente, com um ridículo filme amador divulgado no Youtube a incendiar os ânimos do mundo muçulmano, que se vingou, em muitos países, nas embaixadas dos Estados Unidos, levando mesmo à morte de cinco americanos, entre os quais o Embaixador na Líbia. No despoletar da crise, Mitt Romney foi rápido a criticar a resposta do Departamento de Estado, em especial uma nota da Embaixada norte-americana no Cairo divulgada antes dos ataques e que simpatizava com os protestos da comunidade islâmica e criticava o filme em questão. Todavia, o tiro de Romney saiu-lhe pela culatra, com os media a condenarem a campanha do nomeado republicano por tentar retirar dividendos políticos numa altura que deveria ser de união nacional. 
A posição da campanha republicana foi, a meu ver, precipitada. Terão visto nesta crise uma oportunidade para desafiarem a primazia de Obama num tema, a política externa, que, até há pouco tempo, "pertencia" aos republicanos. Acontece, porém, que o ataque político não teve o timing devido, já que é norma nos Estados Unidos que, aquando de um ataque externo, todos os agentes políticos se coloquem por detrás do Commander-in-Chief. Se as críticas de Mitt Romney tivessem vindo num momento posterior, talvez tivessem algum efeito. Assim, o que o candidato do GOP conseguiu foi minar ainda mais a sua imagem no campo da política externa, em contraste com a postural presidencial adoptada por Obama.
Todavia, não deixa de ser compreensível a precipitação da campanha republicana, que, após o bounce de Obama nas sondagens, após as convenções, necessitava urgentemente de algo que pudesse inverter o rumo dos acontecimentos. A jogada, ao que parece, não correu bem, o que veio sublinhar ainda mais a mudança do status quo da campanha pela presidência. Agora, e apesar da vitória estar ainda ao alcance de qualquer um dos candidatos, temos um claro frontrunner: Barack Obama.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Romney com momentum?

Até ao momento, verificava-se uma tendência na corrida presidencial norte-americana: as sondagens nacionais traduziam um grande equilíbrio entre os dois candidatos, mas, por outro lado, as sondagens estaduais nos chamados battleground states mostravam Barack Obama numa posição favorável para vencer o Colégio Eleitoral e, consequentemente, garantir mais um mandato na Casa Branca.
Contudo, durante o dia de hoje, a Purple Strategies revelou novos estudos de opinião em quatro Estados fundamentais: Colorado, Florida, Ohio e Virginia. E, algo surpreendentemente, ficámos a saber que, segundo estas sondagens, Obama apenas lidera no Colorado, ficando atrás de Romney nos restantes três Estados.

Colorado
Obama 49%
Romney 46%

Florida
Romney 48%
Obama 47%

Ohio
Romney 46%
Obama 44%

Virginia
Romney 48%
Obama 45%

Como se pode ver pelos números de cima, o equilíbrio é a nota dominante, mas não deixa de ser significativo que, de um momento para o outro, Obama perca, aparentemente, terreno para Romney em vários Estados decisivos para o desfecho da eleição. Mas, afinal de contas, o que quererão dizer estes resultados: serão apenas outliers? Serão efeito positivo da escolha de Paul Ryan para running mate de Romney? Para já, a resposta a estas questão é um incógnita. Teremos de esperar pelos próximos dias para ver se a corrida está mesmo a mudar a favor do nomeado republicano.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As boas-vindas dos democratas a Romney

Numa altura em que Mitt Romney está de volta aos Estados Unidos, depois do seu périplo europeu, o DNC (Democratic National Committee), lançou um novo anúncio de ataque ao nomeado republicano. De forma a que o público não esqueça as diversas gaffes cometidas por Romney no estrangeiro, o anúncio faz uma compilação de diversas reacções de órgãos de comunicação social locais às afirmações mais controvérsias do candidato presidencial.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Obama contra-ataca

Como tenho vindo a dar conta neste blogue, Barack Obama tem vivido momentos difíceis nesta primeira fase da campanha para as eleições presidenciais de Novembro. Depois de ter começado a corrida bem lançado, tendo ganho vantagem sobre Mitt Romney fruto do desgaste que o republicano sofreu durante as primárias, o Presidente tem vindo a perder terreno e as sondagens mostram agora que a disputa pela Casa Branca está, de momento, muito renhida.

Contudo, esta tendência negativa de Obama deve ter feito soar os alarmes na sede da campanha democrata, em Washington, porque, finalmente, o Presidente parece estar a acertar agulhas e a responder ao seu momento menos positivo. E, como não podia deixar de ser, a reacção presidencial teria de passar, em primeira instância, por uma mensagem de cariz económica, mostrando aos norte-americanos que Obama é o homem certo para estar ao leme numa altura em que os Estados Unidos procuram uma recuperação económica mais acentuada.

Ontem, no Ohio (não é coincidência que se trate de um dos Estados mais decisivos em eleições presidenciais), o Presidente realizou um discurso exclusivamente dedicado à economia, onde delineou aquela que será a sua mensagem económica para a campanha presidencial. Em pouco menos de uma hora, Obama deixou bem marcadas as diferenças entre si e Mitt Romney (disse o nome do seu opositor oito vezes, tantas como no último ano e meio), afirmando que é o único candidato disposto a ajudar a classe média, enquanto que Romney representará o regresso às políticas republicanas (leia-se, de George W. Bush) que levaram à actual crise económica e financeira. Esta táctica de colar o nomeado do GOP ao ainda impopular 43º Presidente norte-americano resultou em 2008 para Obama. Contudo, quatro anos depois, teremos de esperar para ver se o mesmo acontece desta vez.

Mas nem só da economia se faz o contra-ataque da campanha de Obama. Também a imigração é uma questão que os democratas estão a tentar trazer para cima da mesa no que diz respeito aos temas centrais da campanha. Hoje mesmo, a Casa Branca assumiu a intenção de aligeirar as regras para os jovens e crianças que entraram ilegalmente nos Estados Unidos com os seus pais e que não tenham infringido a lei. Baseado no Dream Act, a proposta de lei apoiada por Obama e pelos democratas, mas rejeitada pelo republicanos do Congresso, esta ideia coloca um problema para Romney que se dividirá entre a posição tough on immigration do seu partido e a possibilidade de alienar ainda mais o grupo eleitoral em maior crescimento demográfico do país - os hispânicos. 

Após esta investida de Obama, os próximos dias serão importantes para avaliarmos se a estratégia seguida pelos democratas teve impacto junto do eleitorado. Quanto a mim, parece-me que Obama está a corrigir erros anteriores e que este é um rumo mais acertado. Contudo, Novembro está ainda muito longe e, entretanto, as férias de Verão, altura em que os americanos pouco ou nada ligam às notícias, estão quase à porta. Só depois disso, mais precisamente após o Labor Day, é que a campanha presidencial começa verdadeiramente. Para já, estamos apenas no aquecimento.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Off message

Para uma campanha política ser bem sucedida é essencial que o candidato que a encabeça se mantenha focado na mensagem que pretende transmitir ao público, evitando as fugas ao discurso previamente definido e escapando a temas e assuntos que afastem a campanha do rumo que previamente definiu ser o mais acertado para a vitória.
 Contudo, a campanha presidencial está a ser marcada, pelo menos para já, por uma constante fuga à mensagem, e logo por parte das duas campanhas. De um lado, Barack Obama, tem sido recentemente criticado, inclusivamente no seio do seu próprio partido, por estar a apostar em ataques contra o passado empresarial do seu adversário, Mitt Romney. Em anúncios de campanha e declarações, Obama tem apontado o dedo aos milhares de empregos que Romney terá, diz o Presidente, destruído, aquando do seu tempo na Bain Capital. Esta é uma estratégia que se percebe, tendo em conta a ainda elevada taxa de desemprego que se regista nos Estados Unidos. Contudo, o ataque populista de Obama não parece estar a ser eficaz, da mesma forma, aliás, que não o foi, quando Newt Gingrich e Rick Santorum utilizaram a mesma táctica durante as primárias republicanas. 
 Por sua vez, Mitt Romney, que até estava a ter um período positivo, parecendo estar a ganhar ímpeto na corrida, foi forçado, recentemente, a desviar-se da sua mensagem essencialmente centrada na economia. Isto porque Donald Trump, actualmente um dos seus mais ferozes apoiantes voltou a dizer que Obama nasceu no Quénia e não nos Estados Unidos, não sendo, por isso, elegível para o cargo de Presidente. Acossado pelos jornalistas, que tentam obter uma reacção sobre as novas acusações do milionário Trump, Romney não condenou a posição do seu apoiante, apesar de ter dito que não concorda com tudo o que as pessoas que o apoiam dizem. Seja como for, a verdade é que uma nova polémica birther era a última coisa que o candidato republicano necessitaria, numa altura em que tenta atrair o eleitorado independente que poderá estar menos inclinado a votar em si, depois de umas primárias marcadas por um discurso encostado à Direita.
 Com os dois candidatos a viverem um momento menos positivo no trilho da campanha, cabe agora aos seus conselheiros a tarefa de redobrarem esforços no sentido de colocarem novamente os seus líderes no rumo certo, ou, como dizem os norte-americanos, back on message.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Six months to go; too close to call

Quando faltam exactamente seis meses para a tão esperada noite eleitoral que decidirá quem ocupará a Casa Branca entre Janeiro de 2013 e 2017, a corrida entre Barack Obama e Mitt Romney dá sinais de estar a aquecer. Hoje mesmo, David Axelrod, um dos principais conselheiros do Presidente anunciou que a campanha democrata irá investir 25 milhões de dólares em anúncios nos swing-states. Para já, a publicidade utilizada será positiva, realçando os feitos da administração  Obama ao nível da economia, ao mesmo tempo que se lembra aos americanos a pesada herança recebida de George W. Bush.

Com esta imponente investida, a campanha de Obama pretende garantir desde já uma vantagem importante nos mais decisivos Estados em eleições presidenciais. Curiosamente, saíram hoje duas sondagens realizadas nos swing-states que demonstram que a corrida pela Casa Branca está renhida. Uma, do Politico, coloca Romney com uma pequena vantagem (48%-47%) sobre Obama, enquanto outra, da autoria da NBC, dá vantagem ao democrata (47%-45%).  Em ambas, a diferença entre os dois candidatos está perfeitamente dentro da margem de erro. Assim, os números demonstram que, a meio ano das eleições, é ainda cedo demais para antecipar um vencedor.

domingo, 6 de maio de 2012

Forward

Apesar de já estar em modo de campanha há algum tempo, Barack Obama deu ontem o pontapé de saída oficial na sua campanha de reeleição, com discursos na Virginia e no Ohio, dois Estados decisivos para o desfecho da eleição de 6 de Novembro. 
Contando com milhares de entusiastas de apoiantes a proporcionarem um ambiente apaixonado, Obama voltou a surgir com um slogan que parece estar para ficar na campanha presidencial: FOWARD, palavra que pretende transmitir a aposta nas políticas de Obama, em contraste com o regresso ao passado (leia-se, aos anos de Bush) que representaria uma vitória de Romney nas eleições do Outono. E Romney não esteve ausente dos comentários do Presidente, que fez uma clara alusão a uma famosa frase do candidato republicano, dizendo que corporations aren't people, people are people
Com base no que se viu ontem, a campanha democrata terá semelhanças e diferenças em relação a 2008. A mensagem transmitida será semelhante e Obama voltará a apostar nos temas da esperança e da mudança que tanto sucesso tiveram há quatro anos; o apelo às emoções dos eleitores, através de eventos grandiosos, multidões e com a capacidade oratória de Obama (e também de Michelle Obama, cada vez mais um sucesso de popularidade) voltará a fazer parte das vantagens da campanha democrata. 
Contudo, desta vez, o antigo Senador do Illinois terá quatro anos de decisões enquanto Presidente para defender, o que o torna mais vulnerável aos olhos do grande público. Não admira, por isso, que Obama tenha feito várias referências a Mitt Romney, com a intenção de garantir que a próxima eleição seja uma escolha entre si e um candidato cinzento, tecnocrata e que não entende as preocupações do cidadão comum (é desta forma que os democratas estão a tentar caracterizar Romney), em vez de um referendo sobre a sua Presidência.
Por outro lado, a campanha democrata de 2008 não terá as características da de 2008. Há quatro anos atrás, a candidatura de Barack Obama foi um movimento nacional, como ficou demonstrado com o anúncio da candidatura, em Springfield, no Illinois, quando Obama se propôs mudar a América e o mundo, um pouco à imagem do que fez Abraham Lincoln. Desta vez, será mais uma campanha de precisão, com Obama e os democratas a concentrarem-se nos Estados decisivos (como a Virginia e o Ohio) e em grupos específicos do eleitorado - mulheres, jovens e minorias.
Veremos, nos próximos tempos, se as decisões da campanha de Obama são as mais acertadas. Mas, pelo que se viu ontem, os democratas parecem partir com vantagens organizativas e emocionais sobre os republicanos, que não têm ainda com Romney a ligação que os democratas têm com o(s) Obama. À medida que a estrutura republicana se for colocando por detrás do seu candidato, é natural que esse handicap se desvaneça. Se isso será suficiente para evitar que Obama vá em frente (foward) para um segundo mandato, só saberemos daqui a meio ano.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Etch a Sketch

Depois de uma excelente vitória no Illinois, Mitt Romney pretendia, seguramente, aproveitar o ciclo de notícias positivas para aumentar a sua popularidade e parecer ser o presumível nomeado republicano. Contudo, uma gaffe de um dos membros do seu senior staff, Eric Fehrnstrom, resolveu deitar essas ideias por terra e afirmou, na CNN, que, após as primárias, Romney terá muito tempo para reformular a sua imagem, como quem faz um novo desenho no popular brinquedo infantil "Etch a Sketch". 
Esta foi uma daquelas verdades que não devem ser ditas em voz alta, pelo menos não na televisão por um membro da campanha. A mudança de discurso de um candidato presidencial quando muda da campanha das primárias para a campanha da eleição geral é uma realidade para todos os políticos que concorrem para a presidência (e não só), visto que enquanto que na disputa pela nomeação se fala para as bases do partido, já na eleição geral é necessário atrair o eleitorado do centro: os independentes e os moderados.
Esta gaffe de Fehrnstrom é especialmente danosa para a campanha de Romney, porque o candidato tem já a fama de flip flopper e de ser capaz de afirmar qualquer coisa ou defender qualquer posição que o possa ajudar a ser eleito. Agora, o ex-Governador do Massachusetts, em vez da victory lap que pretenderia depois do triunfo no Illinois, é obrigado a defender-se dos ataques dos seus adversários, que tiveram nesta gaffe uma verdadeira dádiva divina. É evidente que não há campanhas infalíveis, mas, com tantas falhas já cometidas, Romney começa a ficar sem margem de erro.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Debate confirma a tendência da corrida

Ontem à noite, em New Hampshire, decorreu mais um debate entre os candidatos presidenciais republicanos. Este, organizado pelo Washington Post e pela Bloomberg, foi muito semelhante aos anteriores (em conteúdo, já que adoptou um formato diferente, em jeito de mesa redonda) e confirmou a actual tendência da corrida rumo à nomeação presidencial.
Mitt Romney esteve, mais uma vez, irrepreensível e voltou a ser o vencedor da noite. Sem erros, beneficiou ainda de uma certa timidez (ou temor) dos seus adversários, que não foram capazes de o atacar eficazmente. Na verdade, o antigo Governador do Massachusetts parece estar a um nível acima da concorrência, o que não pode ser dissociado do facto de já ter tentado a sua sorte em 2008 e de ter passado os últimos cinco anos a concorrer à Presidência dos Estados Unidos.
Por sua vez, Rick Perry repetiu mais uma prestação medíocre, parecendo pouco à vontade e sem novas armas para voltar a mudar o rumo da campanha a seu favor. As expectativas que cria para as suas presenças em debates são agora baixíssimas, mas nem assim é capaz de as superar. Não foi terrível, mas certamente que não será assim que ameaçará o estatuto de Romney. Aliás,o seu segundo lugar parece agora estar inclusivamente em risco, fruto de uma fulgurante recuperação de Herman Cain.
Cain é, de facto, a figura do momento na campanha republicana, surgindo já na primeira posição em algumas sondagens, e a sua prestação no debate de ontem pode contribuir para o seu momento positivo. Depois de Romney, Cain foi quem esteve melhor no encontro de New Hampshire, apostando forte no seu programa fiscal denominado plano 9-9-9, que promete tornar-se um dos mais fortes soundbytes da campanha. Se Rick Perry não tiver cuidado, Herman Cain pode mesmo colocar-se como a maior alternativa a Romney.
Por fim, naquilo a que podemos chamar de "resto do grupo", Newt Gingrich foi quem mais brilhou, mantendo o seu tom provocador e polémico, chegando mesmo a sugerir que os democratas autores da reforma financeira deviam ir presos. Ron Paul, Rick Santorum e John Huntsman estiveram discretos e não me parece que ainda possam ressurgir em força na campanha de 2012 (mas o mesmo já foi dito sobre Herman Cain). Finalmente, Michelle Bachmann, cuja campanha parece estar quase sem oxigénio, esteve muito distante das suas excitantes prestações nos primeiros debates e não entusiasmou ninguém, provavelmente nem ela própria. 
Está assim cumprido mais um debate na quase interminável lista deste tipo de eventos que terão lugar durante a grande maratona que é a campanha presidencial nos Estados Unidos - estão ainda marcados mais onze debates, até Março de 2012. Por agora, a sua importância é relativa, mas, com o aproximar das primárias, as suas audiências e, consequentemente, o impacto nos eleitores, aumentarão significativamente.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O colapso de Rick Perry

Rick Perry entrou tarde na corrida presidencial, mas quando o fez foi em força e directamente para o topo das sondagens, acabando com o grande favoritismo de Mitt Romney e colocando um travão na ascensão de Michelle Bachmann, que parecia imbatível no Iowa. Contudo, depois das suas fracas prestações nos debates televisivos, o Governador do Texas começou a perder gás. Agora, conhecendo-se os resultados das sondagens mais recentes, parece que esse momento negativo é ainda pior do que se pensava.
Uma sondagem de âmbito nacional, da responsabilidade da Fox News, devolveu Romney à liderança, com 23% dos votos, ficando Perry na segunda posição, com 19%. Em terceiro lugar, surgiu, de forma surpreendente, Herman Cain (17%), que parece estar a ganhar uma segunda vida depois de ter vencido uma sraw poll na Florida. Estes números, mais que uma subida de Romney (subiu apenas um ponto percentual desde a última sondagem) mostram claramente que Perry está em declínio, tendo descido 10% nas intenções de voto.
Mas as más notícias para Rick Perry não se ficam por aqui. Outras sondagens de nível estadual representam ainda maiores problemas para o texano, que está também em perda em dois dos mais importantes Estados nas primárias, onde liderava até há pouco tempo, o Iowa e a Florida. No primeiro, uma sondagem da American Research Group, caiu mesmo para o terceiro posto, sendo ultrapassado por Romney e por Bachmann. Já no solarengo Estado da Florida, um estudo da PPP também indicou uma quebra de Perry, que foi regelado para a segunda posição e novamente por Mitt Romney.
Estes números são deveras preocupantes para Perry, cujas hipóteses de obter a nomeação parecem começar a estar comprometidas. Para inverter a tendência, a sua campanha terá de agir e depressa de forma a inverter esta tendência negativa. Uma medida sensata (e urgente) seria a de retirar o candidato do trilho da campanha durante alguns dias, de forma a que Perry pudesse ser melhor preparado para enfrentar as perguntas dos moderadores e os ataques dos seus adversários nos debates televisivos, que têm sido o seu grande calcanhar de Aquiles. Porque se mantiver o nível das suas prestações anteriores, a campanha de Perry poderá estar moribunda ainda antes de chegarem os caucus do Iowa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mais um debate

Com a campanha para as eleições primárias republicanas em plena carburação, sucedem-se os debates televisivos entre os candidatos à nomeação presidencial pelo GOP. Na passada Quarta-feira, teve lugar o mais recente destes encontros, num evento organizado pela MSNBC e pelo Politico. Como estive de férias, não acompanhei este debate, que tinha como grande ponto de interesse o facto de se tratar da estreia de Rick Perry nos frente-a-frente com os seus adversários. Pelo que li, o Governador do Texas não esteve mal e conseguiu evitar eventuais gaffes que prejudicassem seriamente as suas hipóteses junto do eleitorado. Ainda assim, Mitt Romney terá sido o vencedor, conseguindo demarcar bem a diferença entre si e Perry no que diz respeito à defesa da Segurança Social, um programa muito criticado pelas alas mais conservadoras do Partido Republicano, mas acarinhado pela grande maioria da população norte-americana. Apesar de discordâncias como esta entre os candidatos republicanos, a verdade é que existem dois denominadores comuns no discurso de todos eles, como nos demonstra este curioso vídeo retirado do Political Wire: cortes nos impostos e Ronald Reagan.