Mostrar mensagens com a etiqueta Iowa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Iowa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Maioria democrata no Senado em perigo

A pouco mais de um mês das eleições intercalares de 4 de Novembro, as atenções políticas nos Estados Unidos estão principalmente dirigidas para a disputa pelo Senado. Com a Câmara dos Representantes bem segura nas mão dos republicanos, é, acima de tudo, o destino da câmara alta do Congresso que está em jogo na noite eleitoral. E, segundo as recentes sondagens, o Partido Republicano vai bem lançado para retirar a maioria no Senado aos democratas.
Para chegarem aos 51 assentos necessários para se tornarem a nova maioria na câmara alta, o GOP precisa de ganhar seis lugares ao Partido Democrata, que conta, actualmente, com 55 senadores no seu caucus. A crer nas sondagens, os republicanos são favoritos a vencer na West Virginia, no Arkansas, no Montana, no South Dakota, no Alaska e no Louisiana. Só com estas seis corridas o Partido Republicano já chegaria à maioria. 
Contudo, os democratas ambicionam ainda "roubar" um assento ao GOP. E logo num Estado onde os republicanos dominam há já várias décadas: o Kansas. Acontece, porém, que o candidato que ameaça destronar o actual ocupante do cargo, o republicano Pat Roberts, não é um democrata, mas sim um independente. Greg Orman, um ex-democrata, é um empresário de sucesso e a sua entrada na corrida foi de tal forma bem sucedida que os democratas retiraram o seu candidato, cientes de que Orman era a sua única possibilidade de derrotar o Senador Roberts. Neste momento, o concorrente independente é um ligeiro favorito a alcançar a vitória e, nesse caso, o mais provável é que, uma vez no Senado, se juntasse aos democratas. 
Assim sendo, teríamos um Senado empatado, com 50 republicanos e 50 democratas. Todavia, em caso de empate nas votações do Senado, o voto decisivo cabe ao Vice-Presidente e isso significa que, pelo menos até Janeiro de 2017, um empate no Senado favorece os democratas.
Mas calma, porque ainda não falei de dois dos três Estados que, juntamente com o Kansas, decidirão o controlo do Senado nas próximas eleições. No Colorado e no Iowa, os democratas defendem dois assentos que estão claramente em perigo para a eleição de 4 de Novembro. No Colorado, a corrida está praticamente empatada, mas, nos últimos dias, o candidato republicano, Cory Gardner, até parece levar uma ligeira vantagem em relação ao seu opositor, o senador democrata Mark Udall. No Iowa, as notícias são ainda menos animadoras para o partido de Obama. Isto porque uma sondagem do geralmente certeiro Des Moines Register colocou a candidata do GOP, Joni Ernst, seis pontos percentuais à frente do democrata Bruce Braley.
Com base neste cenário, percebemos que apenas uma perfeita conjugação de resultados permitirá ao Partido Democrata manter a sua maioria no Senado. Ou seja, precisa de contrariar as sondagens mais recentes e manter os assentos no Iowa e no Colorado do seu lado, impedir surpresas noutros Estados em que a vantagem democrata não é tão significativa quanto isso (New Hampshire, Michigan e North Carolina), ajudar o independente Orman a vencer no Kansas e depois convencê-lo a ajuntar-se ao caucus democrata no Senado.
Não parece uma tarefa nada fácil, especialmente num ano em que, ao contrário do que aconteceu em 2010 e 2012, os candidatos republicanos têm-se mostrado mais impermeáveis aos erros e às gaffes. Mas não deixa de ser verdade que, nos últimos ciclos eleitorais, os democratas têm superado as expectativas e conseguido segurar o controlo do Senado. A 4 de Novembro, tiraremos todas as dúvidas.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Closing arguments: Obama

Barack Obama encerrou, ontem, a sua campanha presidencial, naquele que terá sido a última acção de campanha a seu favor da sua vida política. Simbolicamente, o Estado escolhido foi o Iowa, onde Obama, há quase cinco anos atrás, começou a sua improvável caminhada até à Casa Branca, batendo, surpreendentemente, Hillary Clinton e John Edwards nas primárias democratas. Terminada a sua participação no trilho da campanha, Barack Obama partiu para Chicago, onde seguirá o desenrolar dos acontecimentos e fará o seu discurso de vitória ou de derrota, dependendo do que for decidido pelos eleitores norte-americanos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Depois do Iowa

Mitt Romney - O vencedor (ainda que por apenas 8 votos) no Iowa é, agora ainda mais, o grande favorito a conseguir a nomeação presidencial republicana. O próximo passo no processo de primárias é no New Hampshire, onde Romney tem surgido nas sondagens com vantagens gigantescas e onde a sua vitória é um dado adquirido há já largas semanas. Tem, por isso, uma aura de invencibilidade e o establishment do GOP continua a cerrar fileiras à sua volta. Até John McCain, com quem Romney não manteve uma relação muito positiva durante a campanha de 2008, estará a preparar-se para declarar o seu apoio ao antigo Governador do Massachusetts. 
Mas nem tudo é positivo para Romney. O seu resultado no Iowa, menos de 25%, é fraco para um vencedor e demonstra que a grande maioria dos eleitores republicanos não gosta de si ou ainda não se deixou convencer pelo político moderado do Nordeste americano. Assim sendo, com a previsível queda de alguns candidatados conservadores à medida que a corrida vai decorrendo, é possível que a congregação dos eleitores mais à Direita no GOP em torno de um ou dois concorrentes, possa dificultar um pouco a posição de Romney. Contudo, tudo se encaminha para que seja ele a defrontar Obama, em Novembro.

Rick Santorum - O antigo Senador pela Pensilvânia passou quase despercebido durante a grande maioria da campanha eleitoral até agora. Porém, depois da sucessiva ascensão e queda de todos os outros candidatos que se apresentaram como o "anti-Romney", Santorum tornou-se o último porta-estandarte do eleitorado mais conservador, ficando muito perto de vencer no Iowa. Ainda assim, o segundo lugar é um excelente resultado e garante-lhe momentum para encarar o New Hampshire com melhores perspectivas. Contudo, Santorum não tem uma grande estrutura por trás de si e teria bastantes dificuldades em disputar com Romney umas primárias longas e dispendiosas.

Ron Paul - Depois de várias sondagens o terem apontado como potencial vencedor no Iowa, o campeão da ala libertária do GOP quedou-se pela terceira posição. Mesmo assim, o resultado de Paul é digno de nota, ainda para mais quando nos lembramos, que, em 2008, apenas conseguiu 10% dos votos, tendo, em quatro anos, duplicado a sua votação. No New Hampshire ainda poderá ter uma palavra a dizer, mas Ron Paul não entra nas contas da disputa pela nomeação. Contudo, está a fazer uma excelente campanha, divulgando as suas (extravagantes) ideias políticas e, quem sabe, abrindo caminho para o seu filho, Rand Paul, que pode ser um candidato daqui a quatro ou oito anos.

Newt Gingrich - Conseguiu segurar o 4º lugar no Iowa, o que lhe garante alguma margem de manobra para ir, pelo menos até à Carolina do Sul. E será nesse Estado que Gingrich terá a sua derradeira oportunidade, tendo de vencer para poder continuar a sonhar com a nomeação republicana. Para isso, o antigo Speaker terá de disputar com Santorum o eleitorado mais conservador, mas, neste momento, é o ex-senador que leva vantagem.

Rick Perry - Um dos grandes derrotados do Iowa, onde chegou a liderar as sondagens, antes de sucumbir devido às suas más prestações nos debates televisivos. Após o seu quinto lugar nos caucuses de ontem, Perry afirmou que ia regressar ao Texas e reflectir sobre a sua permanência na corrida. Contudo, hoje, via Twitter, o Governador texano veio mostrar que continua na corrida, afirmando que iria avançar para a Carolina do Sul, onde espera que o seu sotaque sulista o ajude a recuperar. Todavia, para Perry, a corrida já acabou, mesmo que ele ainda não o tenha percebido.

Michele Bachman - Depois do seu sexto e último lugar (já que Huntsman não conta) nos caucuses do Iowa, não restava a Bachmann outra opção que não a desistência da corrida à Casa Branca. No Verão, ainda chegou a liderar as sondagens no hawkeye state, onde apostou todas as suas fichas, mas provou não ter estaleca para estas andanças.

Jon Huntsman - Visto como o mais moderado dos candidatos republicanos, Huntsman preferiu não competir no conservador Estado do Iowa. Por isso, a sua prova de fogo é já para a semana, no New Hampshire, onde o antigo Governador do Utah deposita todas as esperanças da sua campanha.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Romney bem lançado para a nomeação

A menos de uma semana dos caucuses do Iowa, a corrida parece cada vez mais encaminhada a favor de Mitt Romney. Ontem foi conhecida uma nova sondagem que mostrou Romney e Ron Paul a lutar pela vitória no hawkeye state, com Newt Gingrich, em clara perda, a surgir num já distante terceiro lugar. 
Assim, e salvo alterações de última hora ou uma surpresa na noite eleitoral, é bastante provável que o primeiro momento das primárias presidenciais traga um bom resultado para Romney. Se vencer, ganha logo à partida um importante avanço sobre a concorrência. Mas mesmo um segundo lugar, perdendo para Paul, não deixa de ser um desfecho positivo para o antigo Governador do Massachusetts. Isto porque um triunfo de Paul no Iowa catapultaria-o para o estatuto de principal adversário de Romney, o que ajudaria este último a agregar o grosso dos eleitores republicanos em torno da sua candidatura, já que Ron Paul, com as suas ideias políticas distantes do eleitor republicano comum, é considerado inelegível numa eleição geral.
Mesmo tendo surgido vários adversários a ameaçar a sua posição de principal favorito, a verdade é que Romney foi sempre capaz de se manter à tona, não entrando em pânico e mantendo a sua mensagem. Apesar do mérito de Mitt Romney, é preciso não esquecer que os seus adversários foram os grandes responsáveis pela sua própria implosão. Michelle Bachmann, Rick Perry, Herman Cain, Newt Gingrich falharam principalmente por culpa própria, fosse por incapacidade pessoal, por terem "esqueletos no armário" ou por falta de uma estrutura de campanha à altura de uma corrida presidencial.
Depois desta fase conhecida como primária invisível, Tim Pawlenty deve estar bem arrependido de ter abandonado a sua candidatura presidencial no Verão, depois de se ter ficado por um terceiro lugar na Ames Straw Poll. Por outro lado, também outros nomes que chegaram a ser falados como possíveis candidatos, casos de Mitch Daniels, Haley Barbour ou John Thune, teriam em 2012 excelentes possibilidades de conseguir a nomeação presidencial pelo GOP. Qualquer um deles, mas especialmente Daniels, seria um adversário de peso para Romney (e até para Barack Obama). A sua oportunidade perdeu-se, mas Romney agradece e vai bem lançado para ser o nomeado republicano e defrontar Obama na disputa pela presidência dos Estados Unidos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Gingrich em perda

Depois de várias semanas em que Newt Gingrich liderou nas sondagens, novos números  relativos ao Iowa, o primeiro Estado a ir a votos (já de amanhã a duas semanas), dão a entender que a campanha do antigo Speaker pode estar em queda, como aconteceu, antes dele, com Michelle Bachmann, Rick Perry e Herman Cain. 
Segundo uma sondagem da Public Policy Polling, Newt, com apenas 14% dos votos, foi já ultrapassado por Mitt Romney (20%) e por Ron Paul (23%) no hawkeye state. Aliás, o congressista do Texas e herói da ala libertária do Partido Republicano é o grande beneficiado desta nova dinâmica da corrida, surgindo mesmo em boa posição para vencer no Iowa. Nesse caso, o grande beneficiado seria, sem dúvida, Mitt Romney, que evitaria a vitória de um adversário perigoso (Ron Paul não será nunca o nomeado republicano) no Iowa e, com a sua previsível vitória no New Hampshire, ganharia momentum para enfrentar as primárias seguintes na Carolina do Sul e na Florida.
Esta abrupta queda de Gingrich parece indicar que a campanha do georgiano está a sofrer os efeitos de várias rondas de ataques em anúncios televisivos por parte dos seus adversários, principalmente de Ron Paul. No guerra dos tv ads, Gingrich tem sido largamente derrotado pelos seus oponentes, fruto da sua menor capacidade financeira, mas também devido ao facto de a sua campanha ser menos profissional e organizada do que as de Romney e Paul. Além disso, Newt Gingrich demorou muito tempo a focar a sua atenção nos primeiros Estados e isso pode ser-lhe prejudicial no Iowa e no New Hampshire, onde os eleitores são conhecidos pornão votarem em alguém que não conheceram pessoalmente.
Nos próximos dias,haverá a quadra festiva, assim como vários eventos desportivos locais de relevo no Iowa, o que desviará as atenções da campanha eleitoral. Por isso, torna-se mais difícil para Gingrich recuperar deste momento menos positivo da sua campanha. Assim sendo, Mitt Romney volta a ser o grande favorito a obter a nomeação presidencial do GOP. Contudo, em política, duas semanas são uma eternidade e, como esta corrida eleitoral tem demonstrado tão claramente, tudo pode acontecer.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Temos corrida (pelo menos assim parece)!

Com o início das primárias cada vez mais perto, as várias sondagens que vão saindo relativamente aos primeiros Estados a irem a votos - Iowa, New Hampshire, Carolina do Sul - ganham uma relevância cada vez maior. Por isso, importa ir prestando atenção aos números desses estudos de opinião, para termos uma melhor noção do estado da corrida nesses locais decisivos.
Em primeiro lugar virá o Iowa, um Estado onde o eleitorado dos caucuses é tradicionalmente conservador, principalmente em questões sociais. Não admira, portanto, que Mitt Romney, que chegou a ser pro-choice, seja visto com alguma desconfiança e, apesar de agora estar a lutar pelos primeiros lugares, é duvidoso que seja o vencedor da contenda no Hawkeye state. Assim, é provável que a vitória sorria ao principal candidato da linha mais conservadora, estatuto actualmente pertencente a Newt Gingrich. E, de facto, a mais recente sondagem da Rasmussen indica nesse sentido, colocando o antigo Speaker com 32% das intenções de voto, à frente de Romney  (19%) e de Herman Cain (13%).
Depois do Iowa, as atenções viram-se para New Hampshire, onde têm lugar as primeiras primárias (sistema de voto em urna) e Estado onde o eleitorado republicano não é tão conservador. Mas esta parece a corrida mais previsível e até com um vencedor anunciado. Mitt Romney, que até montou residência no Estado, parece imbatível no granite state, com uma sondagem da Suffolk University a atribuir-lhe 41% das intenções de voto. Bem atrás, com 14%, surgem Gingrich e Ron Paul.
A confirmarem-se estas previsões, Gingrich (ou outro conservador) e Romney chegariam à primária seguinte, na Carolina do Sul, com uma vitória para cada lado. Dessa forma, a corrida nesse Estado sulista desempenharia um importante papel, em especial para o candidato mais conservador, que necessitaria de uma vitória robusta para fazer crer à ala mais à Direita do GOP que é possível bater Romney. E, nesse sentido, surgiram hoje boas notícias para Gingrich, já que uma sondagem da Polling Company coloca-o no primeiro lugar na Carolina do Sul, com 31% dos votos, ficando Herman Cain no segundo posto (17%) e Romney a fechar o pódio (16%).
A confirmarem-se estes números (e se o bom momento de Gingrich estiver para ficar), podemos ter uma corrida mais animada e equilibrada do que se chegou a pensar, quando Romney ameaçou descolar para uma vitória rápida e sem grandes discussões. E isso seria bom para o espectáculo e para todos aqueles que, como eu, gostam de assistir a uma campanha equilibrada e disputada até ao fim.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Iowa ainda gosta de Cain

Apesar dos recentes escândalos sexuais e de uma gaffe comprometedora, a verdade é que Herman Cain não pode ser ainda riscado das contas da disputa pela nomeação republicana. Pelo menos é a ilação que se pode retirar de uma sondagem da Universidade do Iowa, que encontrou o georgiano na frente das intenções de voto dos eleitores republicanos registados para votar nos caucuses que têm lugar daqui a cerca de mês e meio, a 3 de Janeiro de 2012. Mas vejamos os resultados:

Herman Cain - 24.5 %
Ron Paul - 20.4 %
Mitt Romney - 16.3 %
Rick Perry - 7.9 % 
Newt Gingrich - 4.8 %
Rick Santorum - 4.7 %
John Huntsman - 0 %

Além da liderança de Cain, importa destacar nestes números o bom resultado do libertário Ron Paul que, caso nenhum dos outros candidatos consiga descolar, pode mesmo aspirar à vitória no Hawkeye state. Já Mitt Romney, que surge no terceiro lugar, algo distante dos dois primeiros, tem de investir mais no Iowa para poder sonhar em vencer neste Estado, o que, aliado à sua provável vitória no New Hampshire, seria o suficiente para quase "fechar" a nomeação. Newt Gingrich, por sua vez, tem um resultado que surpreende pela negativa, tendo em conta o seu bom momento nas sondagens a nível nacional. Todavia, como esta sondagem foi realizada entre 1 e 13 deste mês, é possível que os resultados dos primeiros dias, altura em que a recuperação de Gingrich ainda não se tinha feito notar de forma tão veemente, tenham prejudicado os seus  números finais. Já Santorum e Huntsman, são, como se esperava, cartas fora do baralho para os eleitores do Iowa.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O colapso de Rick Perry

Rick Perry entrou tarde na corrida presidencial, mas quando o fez foi em força e directamente para o topo das sondagens, acabando com o grande favoritismo de Mitt Romney e colocando um travão na ascensão de Michelle Bachmann, que parecia imbatível no Iowa. Contudo, depois das suas fracas prestações nos debates televisivos, o Governador do Texas começou a perder gás. Agora, conhecendo-se os resultados das sondagens mais recentes, parece que esse momento negativo é ainda pior do que se pensava.
Uma sondagem de âmbito nacional, da responsabilidade da Fox News, devolveu Romney à liderança, com 23% dos votos, ficando Perry na segunda posição, com 19%. Em terceiro lugar, surgiu, de forma surpreendente, Herman Cain (17%), que parece estar a ganhar uma segunda vida depois de ter vencido uma sraw poll na Florida. Estes números, mais que uma subida de Romney (subiu apenas um ponto percentual desde a última sondagem) mostram claramente que Perry está em declínio, tendo descido 10% nas intenções de voto.
Mas as más notícias para Rick Perry não se ficam por aqui. Outras sondagens de nível estadual representam ainda maiores problemas para o texano, que está também em perda em dois dos mais importantes Estados nas primárias, onde liderava até há pouco tempo, o Iowa e a Florida. No primeiro, uma sondagem da American Research Group, caiu mesmo para o terceiro posto, sendo ultrapassado por Romney e por Bachmann. Já no solarengo Estado da Florida, um estudo da PPP também indicou uma quebra de Perry, que foi regelado para a segunda posição e novamente por Mitt Romney.
Estes números são deveras preocupantes para Perry, cujas hipóteses de obter a nomeação parecem começar a estar comprometidas. Para inverter a tendência, a sua campanha terá de agir e depressa de forma a inverter esta tendência negativa. Uma medida sensata (e urgente) seria a de retirar o candidato do trilho da campanha durante alguns dias, de forma a que Perry pudesse ser melhor preparado para enfrentar as perguntas dos moderadores e os ataques dos seus adversários nos debates televisivos, que têm sido o seu grande calcanhar de Aquiles. Porque se mantiver o nível das suas prestações anteriores, a campanha de Perry poderá estar moribunda ainda antes de chegarem os caucus do Iowa.

sábado, 18 de setembro de 2010

Palin abre caminho

Sarah Palin fez ontem a sua primeira grande aparição no Iowa, o primeiro estado a ir a votos nas primárias presidenciais americanas, realizando o principal discurso no Ronald Reagan Dinner, um evento organizado pelo Partido Republicano do estado. Esta presença mediática de Palin no Hawkeye State, pode tratar-se de uma importante indicação de que a ex-governadora do Alasca estará mesmo a considerar candidatar-se à presidência americana, já em 2012.
No seu discurso, Sarah Palin lembrou que as primárias já terminaram e que, agora, é tempo do GOP se unir, tendo em vista uma grande vitória nas eleições intercalares de Novembro. Apesar de não ter abordado directamente a questão de uma eventual candidatura à Casa Branca, Palin saiu deste evento como a grande representante do movimento insurgente no interior do Partido Republicano, mas também como a maior representante e símbolo do GOP a nível nacional. Contudo, isso não significa que a candidata à vice-presidência em 2008 seja a grande favorita para conseguir a nomeação republicana daqui a dois anos.Logo à partida, a grande popularidade de Sarah Palin entre o eleitorado conservador e a sua posição actual de kingmaker dentro do GOP, seria seriamente afectada por uma derrota eleitoral nas primárias ou na eleição geral de 2012. Por isso, Palin terá muito a perder se decidir avançar. Por outro lado, o caminho para a nomeação é um percurso longo, tortuoso e de final incerto. 
A história política americana diz-nos que um candidato presidencial tem de vencer um dos dois primeiros momentos das primárias (os caucuses do Iowa e as primárias de New Hampshire) para poder sonhar com a vitória. E em nenhum desses estados Sarah Palin pode contar com o seu estatuto de super estrela para ter bons resultados nas urnas. As populações do Iowa e do New Hampshire  levam muito a sério o seu papel de testar os aspirantes à presidência do país e a campanha nestes estados é feita porta-a-porta, com contacto directo com os eleitores. Assim, Palin terá de descer do altíssimo pedestal a que subiu para disputar essas corridas fundamentais.
Para já, a antiga running mate de John McCain parte atrás de Mitt Romney no New Hampshire e de Mike Huckabee no Iowa. Ambos disputaram as primárias de 2008 e já têm uma forte implantação no terreno. De qualquer forma, as hipóteses de Palin no New Hampshire são residuais e, por isso, tem de concentrar os seus esforços no Iowa, à imagem do que fez, com sucesso, Barack Obama, há dois anos. Se vencer aí, então tudo é possível.
É provável que, por esta altura, Sarah Palin ainda não tenha feito a sua decisão final. E não necessita de se apressar. Como é uma figura altamente conhecida do público americano, pode entrar na corrida mais tarde do que os seus concorrentes. Dessa forma, terá tempo para ver como se desenrolam as midterms e que clima político lhes sucederá e, quando e se optar pela candidatura, contará certamente com um grupo de activistas numeroso e entusiasta que a poderá ajudar a ganhar algum momentum e a a atenuar o défice de presença e organização no terreno dos seus adversários.
Mesmo com a influência, peso e impacto dos movimentos Tea Party nas eleições primárias republicanas, como se tem assistido no presente ciclo eleitoral, Sarah Palin terá sempre enormes dificuldades para conseguir a nomeação. Depois disso, o passo seguinte seria o de enfrentar e derrotar Barack Obama que, apesar dos seus índices de popularidade negativos, será sempre o grande favorito à vitória, especialmente frente a Sarah Palin, que conta com grandes problemas de implantação junto do eleitorado independente. Assim, certamente que Obama e os democratas estarão a torcer por Palin nas primárias republicanas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A 18 meses do Iowa

Quando estamos a sensivelmente ano e meio de distância do caucus do Iowa, o primeiro e decisivo acto do processo de primárias, a situação no campo republicano continua bastante tranquila, com o leque de candidatos a candidatos a pretender adiar ao máximo o pontapé de saída na campanha eleitoral para as presidenciais de 2012. Contudo, além de "incontornáveis", como Sarah Palin, Mitt Romney ou Mike Huckabee, outros nomes começam a surgir com mais insistência, como são os casos de Mitch Daniels, Haley Barbour ou John Thune.
Os concorrentes ao lugar actualmente na pertença de Barack Obama estão, então, a aguardar o desfecho das eleições intercalares de Novembro, mas isso não impede que continuem a surgir sondagens sobre as primárias do GOP que irão decidir quem desafiará Obama na eleição geral. Saiu hoje um novo estudo de opinião, da autoria do The Iowa Republican, que coloca Mike Huckabee na frente da corrida  no Iowa com 22% dos votos, ficando Romney a 4 pontos percentuais, Newt Gingrich (algo surpreendentemente) em terceiro com 14% e só depois Palin com 11% das intenções de voto. No campeonato dos pequenos, o libertário Ron Paul consegui 5%, enquanto Tim Pawlenty e John Thune quedaram-se pelo 1%.
A vitória de Huckabee não surpreende, visto que o antigo governador do Arkansas foi o vencedor do caucus do Iowa em 2008, mas estes números permitem tirar algumas indicações, especialmente a má prestação de Sarah Palin e o bom resultado de Gingrich. Fazendo um pouco de futurologia, é provável que após os dois primeiros momentos das primárias - o caucus do Iowa e as primárias de New Hampshire - a corrida esteja em grande parte limitada a dois candidatos principais: um moderado, como Romney ou Pawlenty, e um representante da ala mais conservadora do GOP, como Palin, Huckabee ou Gingrich. Desta feita, tendo em conta que Mitt Romney é o grande favorito no New Hampshire, Estado vizinho do seu Massachusetts, o Iowa assume-se como o momento-chave para os candidatos mais conservadores. Assim, estes números não são nada animadores para Sarah Palin, mas, por outro lado, podem entusiasmar Gingrich a uma eventual candidatura.
Claro que estas sondagens têm um valor limitado, numa altura em que ainda não há candidatos oficiais e em que as grandes figuras beneficiam do facto de o seu nome ser reconhecido pela maioria, enquanto que possíveis outsiders, como Pawlenty ou Mitch Daniels, pouco conhecidos a nível nacional, podem vir a beneficiar de uma campanha de proximidade, como é norma no Iowa. De qualquer forma, é sempre bom irmos vendo alguns dados, que comecem a abrir o apetite para as importantes e emocionantes decisões que estão para vir.