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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Hillary vira a página

Hillary Clinton alcançou ontem a sua primeira grande vitória nas primárias presidenciais do Partido Democrata. Na Carolina do Sul, 73,5% dos eleitores votaram na antiga Primeira-Dama, deixando Bernie Sanders a quase 50 pontos percentuais de diferença, naquilo que foi uma vitória a que nos norte-americanos gostam de chamar de landslide.
E foi, de facto, um triunfo esmagador para Clinton, que já havia vencido no Iowa e no Nevada, mas sempre por margens pouco consonantes com o favoritismo que a candidatura da ex-Secretária de Estado sempre reuniu. Mas ontem, num Estado com uma grande presença de eleitores afro-americanos, Hillary conseguiu uma verdadeira demonstração de força, provando que o eleitorado negro, que a havia abandonado há oito anos por causa do carácter histórico da candidatura de Barack Obama, continua a confiar na marca Clinton. 
Por outro lado, Bernie Sanders, não conseguiu fazer chegar a sua mensagem aos eleitores afro-americanos, tendencialmente menos propensos a serem seduzidos por discursos idealistas como o do Senador do Vermont do que, por exemplo, os jovens universitários do Iowa. Para eles, Sanders é um perfeito desconhecido, enquanto que Hillary Clinton tem já uma história junto dos negros norte-americanos, desde os tempos em que defendeu o Movimento dos Direitos Civis e, principalmente, devido aos anos da presidência do seu marido. Bill Clinton chegou mesmo a ser apelidado de "o primeiro presidente negro da história" e a popularidade dos Clinton tem-se mantido, desde essa altura, em alta junto dos afro-americanos.
Com esta vitória esmagadora na Carolina do Sul, Hillary Clinton pode virar a página no que tinha sido o livro das primárias até agora, em que tinha ficado aquém das expectativas. Na Super Tuesday, dos 11 Estados que vão a votos, 7 são do Sul, com grande presença de eleitores afro-americanos. Assim sendo, e tendo a Carolina do Sul como amostra, tudo aponta para uma grande noite de Hillary que poderá tornar-se, já nessa noite de 1 de Março, como a presumível nomeada democrata, começando a apontar baterias para a eleição geral do Outono.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Gingrich relança a corrida

Resultados finais da primária presidencial da Carolina do Sul:

Newt Gingrich - 40,4%
Mitt Romney - 27,8%
Rick Santorum - 17,0%
Ron Paul - 13,0%

Contados todos os votos, fica a certeza que Newt Gingrich obteve uma tremenda vitória, tendo alcançado a marca dos 40% e deixado Romney a quase 14 pontos percentuais de distância. 
Por esta altura, a campanha do antigo Governador do Massachusetts deve estar a fazer contas à vida e a preparar-se para uma campanha mais longa e complicada do que se previa há poucos dias atrás. De facto, ainda no início da semana, Romney tinha vencido o Iowa e o New Hampshire, liderava destacado na Carolina do Sul e Jon Huntsman desistia a seu favor. Contudo, um debate televisivo, alguma cobertura negativa, a desistência de Perry que passou a apoiar Gingrich e a declaração de Santorum como vencedor no Iowa foram elementos que mudaram por completo a narrativa da campanha.
Agora vem a Florida, que tem a sua primária no próximo dia 31 de Janeiro, e que deverá ser decisiva. Romney tinha vindo a mostrar muita força nas sondagens, mas, depois dos resultados de ontem, será curioso como evoluirão os números no Sunshine State. Gingrich tem momentum, mas falta-lhe o dinheiro que Romney tem em fartura. A não ser, claro está, que surjam contribuições avultadas de conservadores com muito dinheiro e que contribuam para o Super PAC do antigo Speaker. Pelo menos, Gingrich não terá de se preocupar com o eventual endorsement de Jeb Bush a Romney, como chegou a ser falado durante a noite eleitoral de ontem. O antigo Governador da Florida (e irmão de George W. Bush) já anunciou que não irá apoiar ninguém antes da primária do seu Estado.
Neste momento, a corrida parece estar reduzida a dois nomes, mas Rick Santorum não teve uma noite terrível e aguentou o último lugar do pódio. É verdade que 17% na Carolina do Sul, um Estado socialmente conservador e onde Santorum devia ser mais apelativo, não é um grande resultado, mas não me parece que o antigo Senador pela Pensilvânia esteja a pensar desistir. Numa campanha como esta, onde tudo é possível, Santorum deverá querer esperar para ver se a campanha de Gingrich implode novamente (o que não é propriamente um cenário inimaginável) ou se surge uma qualquer outra oportunidade para voltar à luta pela nomeação. Ron Paul, por sua vez, deverá ficar na corrida até ao fim, espalhando a sua mensagem e ideias libertárias.
Agora é tempo de os candidatos abandonarem a Carolina do Sul e rumarem a Sul, para a Florida, onde deverá ter lugar a mais importante primária até ao momento. Romney ainda é o favorito a vencer, mas terá de saber reagir à dura derrota de ontem. Da mesma maneira, Gingrich terá de ser capaz de lidar com a vitória, ao invés do que aconteceu quando, antes do Iowa, liderava isolado as sondagens e tomou uma série de decisões erradas que quase lhe custaram a sua candidatura presidencial. De qualquer forma, uma coisa parece certa: temos corrida!

Gingrich vence na Carolina do Sul

Segundo a Associated Press e algumas cadeias televisivas norte-americanas, Newt Gingrich terá vencido a primária da Carolina do Sul, relegando Mitt Romney para o segundo posto, com Ron Paul e Rick Santorum a disputarem o terceiro lugar. Ainda não se sabe a dimensão do triunfo, mas o facto de a vitória de Gingrich ter sido declarada bastante cedo deve indicar que ganhou com larga margem. Se, por exemplo, a diferença se situar nos double digits, então o antigo Speaker terá conseguido uma grande vitória e a corrida estará relançada. Depois da Carolina do Sul, segue-se a Florida, que deverá desempenhar um importante papel nas primárias presidenciais do GOP. Mas isso é algo com que Newt Gingrich apenas se preocupará a partir de amanhã. Hoje, para ele, é dia de celebração.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Carolina do Sul vai a votos

Chegou a tão aguardada primária da Carolina do Sul, a terceira etapa do processo de escolha do opositor de Barack Obama na eleição geral, em Novembro. Depois do Iowa (onde, afinal, foi Rick Santorum o vencedor, e não Mitt Romney) e do New Hampshire, este é o primeiro Estado do Sul a dizer de sua justiça nas primárias presidenciais. As urnas encerram às 19 horas locais (meia-noite em Portugal), e isso, aliado ao facto de hoje ser Sábado, fará com que seja mais fácil seguirmos os acontecimentos neste dia de decisões nos Estados Unidos.
Nos últimos dias, assistiu-se a uma fantástica recuperação de Newt Gingrich, que é agora o principal favorito a vencer na Carolina do Sul - Nate Silver atribui-lhe 80% de possibilidade de vitória. Depois de ter ficado em quarto lugar no Iowa em quinto no New Hampshire, a campanha do antigo Speaker foi dada (uma vez mais) como perdida. Contudo, surpreendendo tudo e todos, Newt volta à ribalta e uma vitória consistente hoje pode voltar a semear dúvidas acerca da inevitabilidade da vitória de Romney. Além disso, se Rick Santorum ficar em quarto e último lugar, atrás de Ron Paul - o que é bem possível de acontecer - é provável que abandone a corrida, deixando o caminho aberto para os seus apoiantes se deslocarem para o campo de Gingrich.
Todavia, Romney ainda terá uma palavra a dizer e não é certo que saia derrotado logo à noite. Se vencer, o antigo Governador do Massachusetts torna-se o nomeado de facto e a corrida praticamente termina. E mesmo ficando em segundo lugar, desde que muito perto de Gingrich, o jogo das expectativas pode jogar a seu favor, visto que, dadas as últimas sondagens, todos esperam um triunfo algo folgado (mais de 5% de vantagem) de Newt. 
É preciso ainda lembrar que, até há poucas semanas atrás, não se pensava que Romney pudesse competir na Carolina do Sul contra os candidatos mais conservadores. Contudo, depois do apoio da Governador do Estado, Nikky Haley, e dos triunfos anteriores (apesar de, como se sabe agora, não ter ganho no Iowa), Romney passou para a frente nas sondagens e decidiu apostar forte no The Palmetto State. É provável que essa decisão não tenha sido, afinal de contas, a mais acertada, mas, mais logo, saberemos a resposta a essa questão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gingrich sobe; Perry desiste

Está a ser uma boa semana para Newt Gingrich, cuja candidatura parecia, há alguns dias, praticamente terminada. Contudo, uma boa prestação último debate e a cobertura negativa de que Romney tem sido alvo devido ao seus impostos (confessou que a maioria dos seus rendimentos são, na sua maioria, taxados a 15% por se tratarem de dividendos financeiros) valeram-lhe uma recuperação nas sondagens que já o colocam, inclusivamente, no topo da corrida na Carolina do Sul, onde decorre a próxima primária, já este Sábado.
Mas a melhor notícia para Newt é proveniente do campo de um dos seus adversários. Segundo o New York Times, Rick Perry prepara-se para desistir da sua campanha presidencial e apoiar Gingrich. Ora, a confirmar-se, este anúncio pode ser uma importante mais-valia para o antigo Speaker, já que Perry, um sulista, pode ajudá-lo a conquistar importantes votos na Carolina do Sul, onde Gingrich necessita de vencer para poder encarar a primária seguinte, na Florida, ainda com algumas esperanças de vir a ser o nomeado republicano.
Estará então a terminar a campanha de Rick Perry, que entrou em força na corrida, passando directamente para a liderança, mas que, devido às suas terríveis prestações nos debates televisivos, rapidamente caiu em desgraça e foi remetido para o fundo da tabela. Ainda assim, Perry foi porventura o único candidato que Romney verdadeiramente chegou a temer e a considerar uma ameaça para a sua candidatura. O Governador do Texas tinha currículo, dinheiro, apoios e estrutura, mas sucumbiu de forma retumbante devido aosseus  próprios erros. Pelo menos, Rick Perry pode dizer que a sua candidatura fica para a história, já que será alvo de análise em qualquer aula ou manual de marketing político, como o exemplo daquilo que não se deve fazer numa campanha eleitoral.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Temos corrida (pelo menos assim parece)!

Com o início das primárias cada vez mais perto, as várias sondagens que vão saindo relativamente aos primeiros Estados a irem a votos - Iowa, New Hampshire, Carolina do Sul - ganham uma relevância cada vez maior. Por isso, importa ir prestando atenção aos números desses estudos de opinião, para termos uma melhor noção do estado da corrida nesses locais decisivos.
Em primeiro lugar virá o Iowa, um Estado onde o eleitorado dos caucuses é tradicionalmente conservador, principalmente em questões sociais. Não admira, portanto, que Mitt Romney, que chegou a ser pro-choice, seja visto com alguma desconfiança e, apesar de agora estar a lutar pelos primeiros lugares, é duvidoso que seja o vencedor da contenda no Hawkeye state. Assim, é provável que a vitória sorria ao principal candidato da linha mais conservadora, estatuto actualmente pertencente a Newt Gingrich. E, de facto, a mais recente sondagem da Rasmussen indica nesse sentido, colocando o antigo Speaker com 32% das intenções de voto, à frente de Romney  (19%) e de Herman Cain (13%).
Depois do Iowa, as atenções viram-se para New Hampshire, onde têm lugar as primeiras primárias (sistema de voto em urna) e Estado onde o eleitorado republicano não é tão conservador. Mas esta parece a corrida mais previsível e até com um vencedor anunciado. Mitt Romney, que até montou residência no Estado, parece imbatível no granite state, com uma sondagem da Suffolk University a atribuir-lhe 41% das intenções de voto. Bem atrás, com 14%, surgem Gingrich e Ron Paul.
A confirmarem-se estas previsões, Gingrich (ou outro conservador) e Romney chegariam à primária seguinte, na Carolina do Sul, com uma vitória para cada lado. Dessa forma, a corrida nesse Estado sulista desempenharia um importante papel, em especial para o candidato mais conservador, que necessitaria de uma vitória robusta para fazer crer à ala mais à Direita do GOP que é possível bater Romney. E, nesse sentido, surgiram hoje boas notícias para Gingrich, já que uma sondagem da Polling Company coloca-o no primeiro lugar na Carolina do Sul, com 31% dos votos, ficando Herman Cain no segundo posto (17%) e Romney a fechar o pódio (16%).
A confirmarem-se estes números (e se o bom momento de Gingrich estiver para ficar), podemos ter uma corrida mais animada e equilibrada do que se chegou a pensar, quando Romney ameaçou descolar para uma vitória rápida e sem grandes discussões. E isso seria bom para o espectáculo e para todos aqueles que, como eu, gostam de assistir a uma campanha equilibrada e disputada até ao fim.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O primeiro debate

Os participantes no debate de amanhã
É já amanhã, Quinta-feira, que se realiza o primeiro de vários debates entre os candidatos republicanos a obter a nomeação para as eleições presidenciais de 2012 pelo GOP, naquilo que pode ser considerado como o pontapé de saída da campanha eleitoral para as eleições que têm lugar no próximo ano. O evento decorrerá na Carolina do Sul, um dos Estados mais importantes nas primárias presidenciais americanas e o terceiro a ir a votos. 
Dos candidatos já anunciados, apenas Tim Pawlenty, Ron Paul, Rick Santorum, Herman Cain e Gary Johnson marcarão presença, enquanto que Mitt Romney e Newt Gingrich declinaram o convite. Assim sendo, este primeiro debate terá pouco ou nenhum significado, servindo quase somente para dar a conhecer alguns dos concorrentes menos mediáticos, como Cain ou Johnson. Aliás, o lento arranque da campanha e o fraco leque de candidatos que já anunciaram oficialmente a candidatura, já tinham feito com que o Politico e a NBC adiassem o seu primeiro debate, posição que não foi imitada pelo GOP da Carolina do Sul e pela FOX News, responsáveis pelo despique de amanhã.

terça-feira, 15 de março de 2011

Primárias 2012: Nevada e Carolina do Sul

O Iowa e o New Hampshire são, por tradição, os Estados decisivos nas primárias presidenciais norte-americanas. Contudo, mais recentemente, foram surgindo muitas críticas ao facto de estes dois Estados, com um peso predominante na escolha dos candidatos presidenciais, serem pouco representativos da nação americana como um todo. Assim, para contrastar com estes dois Estados, um de New England e outro do Midwest, onde as minorias étnicas estão subrepresentadas, ambos os partidos acharam por bem adiantar dois outros Estados para o início do calendário das primárias: o Nevada, do Southwest e com uma enorme comunidade latina, e a Carolina do Sul, que conta com um grande número de afro-americanos.
Mais a Sul, a South Carolina conseguiu impor-se como um Estado reconhecidamente importante nas primárias presidenciais. De um lado, os republicanos têm aqui a primeira oportunidade de lutarem pela conquista de eleitores sulistas, um grupo tradicionalmente fulcral para as aspirações eleitorais de um candidato do GOP. Por sua vez, os concorrentes democratas têm de conquistar a simpatia e o voto de um conjunto de eleitores decisivos para a sua coligação eleitoral: os afro americanos, que representam cerca de metade dos eleitores democratas neste Estado. Assim, é apenas natural que a Carolina do Sul seja um dos principais alvos dos candidatos na época de primárias, ficando apenas atrás dos "dois grandes".
Em 2008, o vencedor da primária republicana foi John McCain, que venceu por curta margem o sulista Mike Huckabee, num dos momentos mais importantes para a sua nomeação. Na altura, McCain beneficiou da divisão de votos entre dois homens do Sul, Huckabee e Fred Thompson, e ainda do voto considerável em Romney. Em 2012, a Carolina do Sul deve ser o alvo dos candidatos mais conservadores, em especial de figuras provenientes do Sul dos Estados Unidos. A concorrer, Mike Huckabee deverá partir como frontrunner, mas Newt Gingrich, da vizinha Geórgia, ou estrelas do Tea Party, como Sarah Palin, Michelle Bachman ou Rick Santorum também poderão ter uma palavra a dizer.
A Oeste, o Nevada, que escolheu o caucus como modelo de eleição, não tem tido muito sucesso a conquistar notoriedade no processo das primárias. Contudo, o Estado aposta forte em 2012, decidido a tornar-se uma referência nas escolhas presidenciais dos americanos. Se do lado democrata, os kingmakers são os sindicatos dos trabalhadores dos casinos de Las Vegas, já no caso republicano é o eleitorado mórmon a ditar as leis. Em 2012, à semelhança do que aconteceu em 2008, Mitt Romney, que é mórmon, deverá vencer folgadamente, a não ser que John Huntsman, do mesmo credo, consiga estabelecer-se como um candidato viável. 
Findas as primárias nos quatro Estados que têm o privilégio de votar em primeiro lugar, é provável que haja já um favorito a conseguir a nomeação presidencial do Partido Republicano. Contudo, e como a fantástica disputa pela nomeação de 2008 tão bem demonstrou, a luta pode ser demorada, complexa e atribulada. Assim, tanto podemos assistir a um vencedor anunciado em Março, como vermos a decisão arrastar-se até ao Verão. A única certeza é que nós estaremos cá para acompanhar a corrida a par e passo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Early states"

O sistema de primárias, processo pelo qual os dois grandes partidos americanos escolhem, de quatro em quatro anos, os seus candidatos presidenciais é um dos aspectos mais interessantes do sistema político dos Estados Unidos. E uma das singulares características das primárias é a importância concedida aos chamados early states. Segundo a tradição, o Iowa e o New Hampshire têm a honra de serem os primeiros a dizerem de sua justiça relativamente aos candidatos presidenciais.

Apesar de os habitantes do Iowa e do New Hampshire  levarem muito a sério a sua responsabilidade, os críticos apontam o poder excessivo que estes dois pequenos Estados detêm na escolha dos presidentes americanos e o facto de serem dois Estados predominantemente brancos, com pouca presença de minorias étnicas. Assim, dois outros Estados passaram a votar antes da Super Tuesday (o dia onde muitos Estados vão a votos): a Carolina do Sul, com uma grande comunidade afro-americana, e o Nevada, que conta com um grande número de hispânicos.

Qualquer um destes Estados é consideravelmente pequeno e atribui muito menos delegados nas primárias do que gigantes como a Califórnia, Nova Iorque ou Texas. Contudo, os candidatos que obtêm bons resultados nas primeiras primárias ganham um importante ímpeto, assegurado pela cobertura mediática positiva, o que lhes permite angariar mais dinheiro e apoios para o resto da campanha. O exemplo recente mais paradigmático é o de Barack Obama, que, após a sua vitória no Iowa, mudou a história da luta pela nomeação democrata de 2008, que, à partida, parecia destinada para Hillary Clinton.

Também em 2008, Rudy Giuliani tentou desafiar a tradição e negligenciar os primeiros Estados em detrimento das primárias que proporcionavam um maior número de delegados, como a Florida. Porém, essa estratégia falhou redondamente e Giuliani, que durante 2007 era considerado o principal favorito a conquistar a nomeação do GOP, foi votado à irrelevância depois dos péssimos resultados nos primeiros Estados.

Desta forma, as movimentações (visitas, contratação de staff, etc.) dos principais nomes nestes decisivos Estados podem ser um bom indicador das suas intenções relativamente à entrada ou não na corrida presidencial. Todavia, como se tratam de Estados bastante diferentes um dos outros, as estratégias dos candidatos divergirão bastante, tendo em conta as suas próprias características políticas e eleitorais. Assim sendo, abordarei brevemente aquilo que podemos esperar das campanhas dos presumíveis concorrentes republicanos em cada um dos early states. Campanhas essas que deverão começar a qualquer momento.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O incrível Alvin Greene

O caso mais caricato desde ciclo eleitoral está-se a desenrolar na corrida por um lugar no Senado pelo Estado da Carolina do Sul. Aqui, o interesse reside não na disputa pela vitória, pois o senador incumbente, o republicano Jim DeMint, é o mais que provável vencedor, mas sim no seu opositor, Alvin Greene, que, surpreendentemente conseguiu a nomeação pelo Partido Democrata.
Greene, um total desconhecido de 32 anos, é um ex-militar no desemprego e com cadastro criminal. A visibilidade da sua candidatura à nomeação democrata era praticamente inexistente, não tendo sequer um site oficial. Contudo, devido à elevada abstenção no acto eleitoral, ao grande desinteresse pela corrida e ao facto de o seu nome ser o primeiro na boletim de voto, o improvável candidato venceu mesmo as primárias do seu partido com 59% dos votos.
Imediatamente a seguir à sua vitória surgiram acusações de que Greene fazia parte de uma estratégia republicana que visava a ridicularização do Partido Democrata e uma fácil reeleição para DeMint. Segundo essas teorias, o GOP teria pago o montante de apresentação de candidatura de Greene (cerca de 10 mil dólares) e incitado os seus eleitores a votarem nas primárias democratas a seu favor, aproveitando-se do facto de as primárias no Estado serem abertas. 
Apesar de não parecer provável que os republicanos estejam directamente envolvidos na candidatura de Alvin Greene, a verdade é que este é já uma dor de cabeça para o Partido Democrata, devido à fama que já alcançou no Estados Unidos esta insólita corrida ao Senado. Para piorar a situação, Greene tem proferido algumas declarações perfeitamente surreais, como quando sugeriu que, para melhorar a situação económica do país, uma solução seria o de vender cartazes da sua cara. Para ilustrar toda esta curiosa confusão na Carolina do Sul, aqui fica o vídeo de uma das famosas entrevistas de Alvin Greene à Comunicação Social.