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domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Oeste nada de novo

Resultados provisórios (45% dos votos apurados) dos caucuses do Nevada:

Mitt Romney - 42,6%
Newt Gingrich - 26,0%
Ron Paul - 18,4%
Rick Santorum - 13%

Como se esperava, Mitt Romney venceu facilmente os caucuses do Nevada, com um resultado que se espera chegar perto da marca dos 50%, após todos os votos estarem contados. Num Estado com uma forte comunidade mórmon e onde Romney tem uma organização de campanha montada há cinco anos, a sua vitória nunca esteve em causa e era antecipada como normal. Ainda assim, com este triunfo, o ex-Governador do Massachusetts consegue a terceira vitória em cinco eleições disputadas até ao momento e é cada vez mais o grande favorito a defrontar Obama na eleição geral de Novembro. 
Para já, a maior desilusão foi o score obtido por Ron Paul, que aposta nos caucuses e nos Estados mais pequenos, onde a sua entusiasta e jovem campanha pode ser mais eficaz. Contudo, parece que nem foi capaz de alcançar o segundo lugar, perdendo para Gingrich que, praticamente abdicando de competir no Nevada, deverá ter sido o candidato mais votado depois de Romney. E, por falar no antigo Speaker, diga-se que, afinal, os rumores que chegaram a circular sobre uma possível desistência eram infundados. Newt pretende continuar na corrida e na sua conferência de imprensa de ontem, onde atacou Mitt Romney ininterruptamente, deixou isso bem claro. 
Todavia, o voto conservador continua a ser dividido entre Gingrich e Santorum, sem que nenhum deles esteja, aparentemente, a pensar em desistir a favor do outro, de forma a criar uma mais forte e credível alternativa a Mitt Romney.  Assim sendo, Romney continua a perfilar-se como o presumível nomeado republicano. Ainda para mais quando se olha para o calendário das primárias e se percebe que Fevereiro deverá ser um mês altamente favorável para Romney, com poucas oportunidades de vitória para os seus opositores. Não seria, por isso, uma grande surpresa que Romney pudesse selar a nomeação na Super-Tuesday, a 6 de Março.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vitórias republicanas a Norte e a Oeste

Continuam as más notícias para os democratas. Ontem foi dia de eleições especiais para o Congresso dos Estados Unidos em dois distritos, um em Nova Iorque, outro no Nevada. E ambos caíram para o lado dos republicanos.
No Nevada, já se esperava que os republicanos fossem capazes de manter o assento na Câmara dos Representantes que ocupavam, mas a margem da vitória (58% contra 36%) não deixa de ser contundente, em especial tratando-se de um swing state para as eleições presidenciais do próximo ano. Assim, este resultado deve preocupar os democratas e, em especial, Barack Obama.
Por sua vez, o desfecho da eleição em Nova Iorque, num distrito que agrega as zonas de Queens e de Brooklyn, terreno onde os democratas têm uma vantagem de três para um em eleitores registados, envia um sinal alarmante para o Partido Democrata, que parece estar em perda mesmo entre as suas bases. Esta derrota é, pelo menos em parte, explicada pelo escândalo que envolveu o anterior detentor do cargo, o democrata Anthony Weiner, que se demitiu depois de um escândalo sexual, mas também pela impopularidade de Obama entre a comunidade judaica nos Estados Unidos e que compunha grande parte do eleitorado neste distrito. 
Apesar de se tratarem de apenas duas eleições especiais para a Câmara dos Representantes, com pouca ou nenhuma expressão política em termos efectivos, a verdade é que estes dois resultados comprovam a fragilidade dos democratas e do Presidente, mesmo numa altura em que os republicanos do Congresso são ainda mais impopulares. Assim, e para desfortúnio do Partido Democrata, parece que o actual clima político dos Estados Unidos se assemelha mais ao dos anos das vitórias republicanas, de 2009 e 2010, do que a 2006 e 2008, quando os democratas varreram o mapa.

terça-feira, 15 de março de 2011

Primárias 2012: Nevada e Carolina do Sul

O Iowa e o New Hampshire são, por tradição, os Estados decisivos nas primárias presidenciais norte-americanas. Contudo, mais recentemente, foram surgindo muitas críticas ao facto de estes dois Estados, com um peso predominante na escolha dos candidatos presidenciais, serem pouco representativos da nação americana como um todo. Assim, para contrastar com estes dois Estados, um de New England e outro do Midwest, onde as minorias étnicas estão subrepresentadas, ambos os partidos acharam por bem adiantar dois outros Estados para o início do calendário das primárias: o Nevada, do Southwest e com uma enorme comunidade latina, e a Carolina do Sul, que conta com um grande número de afro-americanos.
Mais a Sul, a South Carolina conseguiu impor-se como um Estado reconhecidamente importante nas primárias presidenciais. De um lado, os republicanos têm aqui a primeira oportunidade de lutarem pela conquista de eleitores sulistas, um grupo tradicionalmente fulcral para as aspirações eleitorais de um candidato do GOP. Por sua vez, os concorrentes democratas têm de conquistar a simpatia e o voto de um conjunto de eleitores decisivos para a sua coligação eleitoral: os afro americanos, que representam cerca de metade dos eleitores democratas neste Estado. Assim, é apenas natural que a Carolina do Sul seja um dos principais alvos dos candidatos na época de primárias, ficando apenas atrás dos "dois grandes".
Em 2008, o vencedor da primária republicana foi John McCain, que venceu por curta margem o sulista Mike Huckabee, num dos momentos mais importantes para a sua nomeação. Na altura, McCain beneficiou da divisão de votos entre dois homens do Sul, Huckabee e Fred Thompson, e ainda do voto considerável em Romney. Em 2012, a Carolina do Sul deve ser o alvo dos candidatos mais conservadores, em especial de figuras provenientes do Sul dos Estados Unidos. A concorrer, Mike Huckabee deverá partir como frontrunner, mas Newt Gingrich, da vizinha Geórgia, ou estrelas do Tea Party, como Sarah Palin, Michelle Bachman ou Rick Santorum também poderão ter uma palavra a dizer.
A Oeste, o Nevada, que escolheu o caucus como modelo de eleição, não tem tido muito sucesso a conquistar notoriedade no processo das primárias. Contudo, o Estado aposta forte em 2012, decidido a tornar-se uma referência nas escolhas presidenciais dos americanos. Se do lado democrata, os kingmakers são os sindicatos dos trabalhadores dos casinos de Las Vegas, já no caso republicano é o eleitorado mórmon a ditar as leis. Em 2012, à semelhança do que aconteceu em 2008, Mitt Romney, que é mórmon, deverá vencer folgadamente, a não ser que John Huntsman, do mesmo credo, consiga estabelecer-se como um candidato viável. 
Findas as primárias nos quatro Estados que têm o privilégio de votar em primeiro lugar, é provável que haja já um favorito a conseguir a nomeação presidencial do Partido Republicano. Contudo, e como a fantástica disputa pela nomeação de 2008 tão bem demonstrou, a luta pode ser demorada, complexa e atribulada. Assim, tanto podemos assistir a um vencedor anunciado em Março, como vermos a decisão arrastar-se até ao Verão. A única certeza é que nós estaremos cá para acompanhar a corrida a par e passo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Early states"

O sistema de primárias, processo pelo qual os dois grandes partidos americanos escolhem, de quatro em quatro anos, os seus candidatos presidenciais é um dos aspectos mais interessantes do sistema político dos Estados Unidos. E uma das singulares características das primárias é a importância concedida aos chamados early states. Segundo a tradição, o Iowa e o New Hampshire têm a honra de serem os primeiros a dizerem de sua justiça relativamente aos candidatos presidenciais.

Apesar de os habitantes do Iowa e do New Hampshire  levarem muito a sério a sua responsabilidade, os críticos apontam o poder excessivo que estes dois pequenos Estados detêm na escolha dos presidentes americanos e o facto de serem dois Estados predominantemente brancos, com pouca presença de minorias étnicas. Assim, dois outros Estados passaram a votar antes da Super Tuesday (o dia onde muitos Estados vão a votos): a Carolina do Sul, com uma grande comunidade afro-americana, e o Nevada, que conta com um grande número de hispânicos.

Qualquer um destes Estados é consideravelmente pequeno e atribui muito menos delegados nas primárias do que gigantes como a Califórnia, Nova Iorque ou Texas. Contudo, os candidatos que obtêm bons resultados nas primeiras primárias ganham um importante ímpeto, assegurado pela cobertura mediática positiva, o que lhes permite angariar mais dinheiro e apoios para o resto da campanha. O exemplo recente mais paradigmático é o de Barack Obama, que, após a sua vitória no Iowa, mudou a história da luta pela nomeação democrata de 2008, que, à partida, parecia destinada para Hillary Clinton.

Também em 2008, Rudy Giuliani tentou desafiar a tradição e negligenciar os primeiros Estados em detrimento das primárias que proporcionavam um maior número de delegados, como a Florida. Porém, essa estratégia falhou redondamente e Giuliani, que durante 2007 era considerado o principal favorito a conquistar a nomeação do GOP, foi votado à irrelevância depois dos péssimos resultados nos primeiros Estados.

Desta forma, as movimentações (visitas, contratação de staff, etc.) dos principais nomes nestes decisivos Estados podem ser um bom indicador das suas intenções relativamente à entrada ou não na corrida presidencial. Todavia, como se tratam de Estados bastante diferentes um dos outros, as estratégias dos candidatos divergirão bastante, tendo em conta as suas próprias características políticas e eleitorais. Assim sendo, abordarei brevemente aquilo que podemos esperar das campanhas dos presumíveis concorrentes republicanos em cada um dos early states. Campanhas essas que deverão começar a qualquer momento.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Harry Reid vence, segundo Frank Luntz

Afinal, no Nevada, Harry Reid pode mesmo derrotar Sharron Angle e continuar no Senado. Pelo menos é nisso que acredita o pollster republicano Frank Luntz, que, pelo que viu das sondagens à boca da urna, atribuiu a vitória ao democrata. Reid, que é o líder da maioria no Senado, surgiu, nas últimas sondagens, constantemente atrás da sua opositora republicana. Para já, são as primeiras boas notícias da noite para os democratas, mas a noite ainda agora começou.

Primeiras notas sobre a afluência às urnas

Os dados oficiais apurados até ao momento apontam para uma abstenção mais elevada do que era esperado no estado do Nevada, em especial no condado de Clark, que engloba a cidade de Las Vegas. Como esta zona é uma área onde os democratas são tradicionalmente fortes, estes dados podem representar más notícias para Harry Reid, que luta pela sua reeleição para o Senado.
Em sentido contrário está a West Virginia, onde os eleitores se têm deslocado às urnas em grande número, porventura animados por uma animada e disputada corrida entre o governador do estado, o democrata Joe Manchin, e o republicano John Raese. Esta eleição poderá fornecer o primeiro grande indicador em relação à batalha pelo Senado, dado que as urnas na West Virginia são das primeiras urnas a fechar, já daqui a menos de duas horas.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A importância da eleição no Nevada

Há bem pouco tempo atrás, quando se fazia a antevisão das eleições intercalares de Novembro deste ano e se analisavam as corridas mais problemáticas para os democratas, surgia, no topo da lista, a previsível derrota do líder da maioria no Senado, Harry Reid, cuja reeleição no seu Estado do Nevada parecia, então, muito complicada. Reid, há 23 anos no Senado, é uma figura que polariza o eleitorado e, além disso, a sua postura e actuação durante algumas das mais duras batalhas na câmara alta do Congresso garantiram-lhe muitos anti-corpos, alguns mesmo dentro do Partido Democrata.
Contudo, os republicanos do Nevada fizeram um favor a Reid e aos democratas e, nas primárias do seu partido, nomearam Sharron Angle - que tinha, em 2006, concorrido, sem sucesso, à Câmara dos Representantes - como a sua candidata. Acontece que Angle é uma figura com ideias bem fora do mainstream político americano. Defende, por exemplo, o abandono da ONU por parte dos Estados Unidos, a extinção do Departamento da Educação e de programas como o Medicare ou a Segurança Social. A concorrente escolhida pelo GOP acredita ainda que o aquecimento global não passa de uma fraude e chegou mesmo a falar em voltar a ilegalizar as bebidas alcoólicas, no que seria um retorno à famosa "lei seca".  Além das suas ideias políticas, Angle também tem atraído diversas polémicas, como a que se geraram em torno da sua suposta adesão à Cientologia e da sua proposta de conceder programas de massagens aos presidiários do Nevada.
Assim, não admira que, agora, várias sondagens atribuam a Harry Reid vantagem na corrida frente a Sharron Angle. É ainda previsível que, à medida que os eleitores do Nevada vão conhecendo melhor a candidata republicana e que a vantagem financeira de Reid se acentue, esta diferença entre os dois aumente ainda mais. A confirmar-se uma vitória do líder democrata em Novembro, esta será um exemplo raro de uma má escolha republicana nas suas primárias, pois os eleitores do GOP são, habitualmente, práticos e pragmáticos nas suas escolhas, elegendo o candidato que mais garantias lhes dá numa eleição geral contra o Partido Democrata. 
Porém, é possível que este caso não seja um fenómeno isolado, mas sim um sinal do crescente peso das franjas mais conservadoras, com destaque para o Tea Party, no interior do Partido Republicano, o que pode empurrar o GOP para a direita do espectro político, com óbvia repercussão nos candidatos escolhidos nas primárias do partido. Se for o caso, tratar-se-á de uma óptima notícia para os democratas, que sairão, com toda a certeza, a ganhar de um cenário deste género.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O centro responde; os democratas sorriem

Sucedem-se as primárias para as eleições intercalares de Novembro e ontem foi uma das noites mais importantes do ano nessa matéria. Foram a votos 12 Estados da União, mas, aqui, irei destacar apenas três, onde tiveram lugar as corridas mais importantes: o Arkansas, o Nevada e, claro, a Califórnia.
No Arkansas disputava-se a segunda volta das primárias democratas para o Senado, onde a senadora Blanche Lincoln tinha a forte e perigosa oposição de Bill Halter, o Lieutenant Governor do Estado, apoiado pela ala mais liberal do Partido Democrata e pelos sempre influentes sindicatos. Apesar das últimas sondagens atribuírem o favoritismo a Halter, Lincoln conseguiu a vitória nesta disputada contenda eleitoral. Para isso, muito deve agradecer ao filho pródigo do Arkansas, Bill Clinton, que, como a grande maioria do establishment democrata (Obama incluído) apoiou a ainda senadora. Porém, na eleição geral, Blanche Lincoln terá uma dificílima tarefa para bater o candidato republicano, o congressista John Boozman, que surge em todos os estudos de opinião com uma tremenda vantagem.

No Nevada, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, tem, também, uma dura batalha pela frente para conseguir a reeleição. Contudo, ontem, a sua tarefa poderá ter ficado mais acessível, fruto da vitória de Sharron Angle, a candidata apoiada pelo Tea Party, nas primárias do Partido Republicano e que as sondagens indicam ser uma concorrente mais frágil frente a Reid do que os republicanos que ontem derrotou. Mas, ontem, também outro Reid teve motivos para sorrir: Rory, filho de Harry, conseguiu a nomeação democrata para disputar a eleição para Governador do Nevada, podendo, assim, estar na forja mais uma dinastia política nos Estados Unidos, depois de outras como a Bush, a Clinton, a Biden ou a Paul.

Para o fim fica o maior Estado americano, a Califórnia. Aqui, o destaque vai para o GOP e para as vitórias de duas mulheres nas primárias para o Senado e para o cargo de Governador estadual. No primeiro caso, Carly Fiorina, ex-CEO da HP, venceu facilmente a sua oposição e disputará, em Novembro próximo, um lugar no Senado americano com a sua oponente democrata, Barbara Boxer, há 17 anos em Washington. Já na disputa pela mansão do Governador, actualmente ocupada por Arnold Schwarzenegger, Meg Whitman venceu a sua primária e enfrentará o democrata Jerry Brown, antigo governador da golden state. Em ambos os casos, os democratas são os favoritos, mas, no clima actual, estas duas corridas estão mais abertas do que seria expectável, visto que a Califórnia é um dos Estados americanos mais liberais.

A cada primária que passa fica mais definido o cenário para as importantes eleições de 2 de Novembro. Em certa medida, especialmente pela vitória da Lincoln no Arkansas, a ronda eleitoral de ontem marca a reacção dos candidatos moderados e apoiados pelo establishment partidário face aos anteriores triunfos dos políticos mais outsiders, como Joe Sestak na Pennsylvania. Mas, por outro lado, os resultados na Califórnia e no Nevada foram "simpáticos" para os democratas, tendo em conta a vitória, nas primárias do GOP, de candidatos que poderão estar mais facilmente ao alcance dos concorrentes pelo partido de Obama.