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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Empate com sabor a vitória para Biden


Já está. Acabou a série de debates entre os candidatos à presidência e vice-presidência dos Estados Unidos. Em vez dos quatro debates previstos (três entre Donald Trump e Joe Biden e um entre Kamala Harris e Mike Pence), houve apenas três debates, já que o segundo, em formato de town hall foi cancelado depois de o presidente ter acusado positivo para Covid-19. 

O debate de ontem à noite ficou marcado por um clima menos conflituoso do que o frente-a-frente anterior. Foi um Donald Trump bem mais disciplinado o que ontem enfrentou Joe Biden e isso resultou numa discussão mais clara, com mais substância e onde se conseguiu perceber melhor o (muito) que separa os dois candidatos à Casa Branca.

Foi, no fundo, aquilo que se esperava do debate. Depois do chorrilho de críticas que recebeu após a sua prestação anterior e da consequente queda nas sondagens que sofreu, Trump não tinha outra hipótese senão moderar a sua atitude no embate de ontem. As linhas de ataque foram as esperadas, com destaque para a insistência na polémica que envolve Hunter Biden, o filho do concorrente democrata. Ainda que não pareça estar a ter resultados, a estratégia de Donald Trump parece ser replicar o cenário de há quatro anos, quando o caso dos emails de Hillary Clinton terá sido decisivo para a vitória do republicano. Onde Trump terá marcado mais pontos foi nos ataques a Biden por este querer desinvestir na prospecção de combustíveis fósseis (um assunto que pode valer votos importantes em alguns swing states) e quando o caracterizou como um político tradicional.

Por sua vez, Joe Biden, mostrou-se até mais assertivo e enérgico relativamente ao último debate. Talvez pudesse ser mais efectivo nas respostas a ataques de Trump, mas parece que, propositadamente, não quer estar sempre a apontar as sucessivas mentiras do seu opositor, por temer que a repetição se tornasse banal e, por isso, perdesse força. Contudo, foi eficaz a falar em temas que são populares junto do eleitorado como a resposta à pandemia, o Affordable Care Act e a Segurança Social. De qualquer forma, a melhor notícia para o antigo vice de Obama é que não cometeu nenhum erro e passou incólume pela última oportunidade com que o seu opositor contava para mudar o rumo da corrida.

Agora, salvo qualquer acontecimento excepcional, não haverá grandes novidades no que resta da campanha eleitoral. Numa altura em que cerca de um terço dos eleitores já votou, resta aos candidatos cumprir parte final da sua campanha e esperar que os seus argumentos convençam os poucos indecisos que ainda restam. 

Ontem, Donald Trump precisava de uma vitória retumbante para poder sonhar com uma recuperação nas sondagens. Como isso não aconteceu, o caminho está ainda mais aberto para Joe Biden, que tem tudo para se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A última oportunidade de Trump















Decorre, hoje, na cidade de Nashville, no Tenneessee, o segundo e último debate entre os candidatos presidenciais, Donald Trump e Joe Biden. Depois do primeiro debate, que ficou para a história como um dos mais caóticos e menos civilizados de sempre, e do cancelamento do segundo debate devido ao facto de Trump ter adoecido com Covid-19, o embate de hoje pode ser decisivo para a escolha dos norte-americanos (pelo menos para os que ainda não votaram) relativamente ao futuro ocupante da Casa Branca.

Para Donald Trump, que tem surgido constantemente atrás nas sondagens, pode mesmo ser a última oportunidade que tem para alterar a dinâmica da corrida, que, neste momento, parece muito favorável ao seu opositor. Se no primeiro debate a sua prestação agressiva, com constantes interrupções a Biden, mereceu muitas críticas e o fez perder ainda mais terreno, Trump terá agora de tentar salvar a face. 

É, por isso, de esperar um comportamento bastante diferente por parte do actual inquilino da Casa Branca, talvez mais parecido com o da sua prestação no último debate com Hillary Clinton, em 2016. Na altura, Trump foi relativamente disciplinado, mantendo-se on message na maior parte do tempo, apostando no seu tema principal de combate ao sistema. Além disso, neste debate, o moderador terá a possibilidade de tirar o som aos microfones dos candidatos, pelo que a táctica de tentar destabilizar o adversário que utilizou no último debate será mais difícil de replicar.

É certo que atacará Joe Biden, em particular sobre a polémica que envolve o filho do democrata, Hunter Biden, ainda que este assunto não esteja a ter o sucesso que Trump esperaria, até porque as alegações que o rodeiam são muito duvidosas. Além disso, o nomeado republicano poderá continuar a tentar caracterizar uma presidência Biden como uma perigosa viragem à esquerda para os Estados Unidos. Talvez para tentar esvaziar essa linha de ataque, Joe Biden tomou finalmente posição, ainda que indirectamente sobre uma eventual expansão do Supremo Tribunal, anunciado que, caso eleito, encarregará uma comissão independente de estudar possíveis reformas no sistema judicial.

Por sua vez, Joe Biden terá apenas de jogar à defesa no debate de hoje. Com clara vantagem nas sondagens, o Veep de Obama tem de evitar gaffes e erros não forçados. Se possível, deverá mostrar mais energia e poderá continuar a aposta do primeiro debate em falar directamente ao público, já que a sua empatia natural é umas das suas principais forças. Se passar intocado por este debate, então seu o caminho rumo à presidência estará bem mais facilitado, enquanto que Trump terá de ficar à espera de um acontecimento excepcional e/ou de um monumental erro nas sondagens para se manter na Casa Branca.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Rubio travado no debate

Realizou-se ontem o último debate televisivo entre os candidatos presidenciais republicanos antes da primária do New Hampshire, que, para muitos deles, é totalmente decisiva e pode significar a última oportunidade de se imporem na corrida. E isso ficou bem patente ao longo da noite, com os concorrentes a mostrarem-se mais empenhados do que nunca a deixarem uma forte impressão aos eleitores. Terá sido, porventura, o melhor dos debates republicanos até ao momento.
Foi um debate com muitos momentos marcantes - o Politico reúne aqui os 11 mais explosivos - mas, sem dúvida que o que está a marcar a actualidade é a implosão de Marco Rubio, que sucumbiu ao ataque certeiro e sem piedade de Chris Christie. Num momento que ficará para a história dos debates presidenciais, o Governador de New Jersey acusou Rubio de ser totalmente inexperiente para ser presidente e referiu que o Senador da Florida pouco dizia de substancial, limitando-se a recorrer a um soundbyte previamente decorado. Marco Rubio não conseguiu rebater o ataque e piorou ainda a situação ao usar a mesma frase que havia levado à acusação por parte de Christie três vezes ao longo do debate. Mais tarde, tentou contra atacar Christie, mas o tiro saiu pela culatra, como se pode ver no vídeo que encabeça o post.
Marco Rubio, normalmente forte nos debates, saiu claramente a perder da noite de ontem e pode vir a prejudicar o momentum que conseguiu após o seu forte 3º lugar no Iowa. Terá tido a sua pior prestação de sempre em debates e pareceu acusar a pressão de estar debaixo de fogo por parte dos candidatos do establishment, que viram em Rubio o seu principal adversário pelo voto dos republicanos mais tradicionais e moderados. Chris Christie destacou-se, mas também Jeb Bush lançou alguns golpes ao seu (ex) amigo e outros ainda a Donald Trump. The Donald esteve relativamente tranquilo no debate, saindo-se bem e mostrando uma faceta menos agressiva do que o habitual (ainda que tenha mandado calar Jeb Bush), talvez fruto da sua derrota no Iowa. Por sua vez, Ted Cruz, um peixe fora de água no New Hampshire, tentou passar entre os pingos da chuva, esperando por Estados com eleitorados mais conservadores e onde a sua mensagem possa ser melhor recebida.
A dois dias da primária do granite state, falta saber qual a influência que este debate terá nos resultados finais. É possível que Donald Trump tenha feito o suficiente para aguentar a sua vantagem (que se mantém segura, mas a diminuir, segundo as últimas sondagens) e que Marco Rubio sofra alguma coisa após a sua péssima prestação - que não foi, ainda assim, um momento ups. No sentido contrário, Chris Christe poderá receber um tão desejado balão de oxigénio, ao mesmo tempo que Jeb Bush, com uma recente tímida subida nas sondagens, também poderá ver algum apoio a correr na sua direcção. John Kasich, esse, continua a não aproveitar as oportunidades para marcar pontos e dar uma nova vida à sua recandidatura. Veremos, na Terça-feira, quem sairá do New Hampshire a sorrir e quem sairá... da corrida.

Para o fim, fica um dos momentos mais curiosos e hilariantes do debate de ontem. Um vídeo a não perder:

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Obama vence último debate

Terminou a época de debates presidenciais nos Estados Unidos, depois de ontem ter decorrido o terceiro e último frente-a-frente entre os dois candidatos à Casa Branca. Na Florida, Barack Obama voltou a sair-se melhor do que o seu adversário e sua vitória no debate, confirmada pela maioria dos analistas e pelas sondagens realizadas, foi provavelmente mais clara do que a do segundo debate (que alguns consideraram ter-se tratado de um empate), mas, ainda assim, não tão evidente como o triunfo de Romney no debate inaugural.
Sentindo-se à vontade na temática da política externa, Obama surgiu confiante e ao ataque, talvez acossado pela melhor momento que a campanha de Romney atravessa. Esteve bem ao nível do conteúdo, demonstrando dominar perfeitamente as matérias em discussão, e também da forma, com algumas tiradas (fruto do trabalho de casa) bem conseguidas, como quando afirmou, referindo-se a uma posição de Romney, que os anos 80 queriam a sua política externa de volta, ou quando deu o exemplo das baionetas e dos cavalos para explicar a necessidade de mudanças na afectação de recursos das forças armadas.
Em sentido contrário, Mitt Romney apostou numa postura serena, praticamente abstraindo-se de atacar ou mesmo de discordar do seu adversário. Aliás, foi notório que as suas posições no campo da política externa pouco ou nada diferiram das de Barack Obama, o que o obrigou a mudar o tema da conversa para a economia, onde Romney poderia ter mais hipóteses de somar pontos no debate. Em suma, o nomeado republicano não esteve desastrado, mas a verdade é que pareceu um pouco ausente do debate, tentando, principalmente, não cometer qualquer grande erro que comprometesse o momentum actual da sua campanha.
Após o debate de ontem, e com duas semanas de campanha até à grande noite eleitoral, é tempo de os candidatos apresentarem os seus argumentos finais. Em relação aos quatro debates, se contabilizarmos apenas as vitórias de um lado e outro, até poderiamos pensar que o saldo final foi um empate ou mesmo uma vitória para os democratas, dado que Romney venceu um debate, Obama outro, enquanto o segundo debate presidencial e o vice-presidencial foram, dependendo do ponto de vista, empates ou vitórias tangenciais democratas. Contudo, o grande momento desta campanha é, sem dúvida, a esmagadora vitória de Romney no primeiro debate, momento esse que foi um verdadeiro game changer na campanha eleitoral. Até aí, Obama era o favorito ao triunfo, mas, a partir desse momento, a corrida transformou-se totalmente, estando, agora, demasiado equilibrada para ser possível antever o vencedor final. Por isso, se tivermos que indicar quem foi o vencedor da época de debates, apenas poderemos apontar um nome: Mitt Romney.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Debate final

Realiza-se, hoje, na Lynn University, na Florida, o terceiro e último debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Moderado por Bob Schieffer, jornalista da CBS, este embate será totalmente dedicado à política externa e promete ser bastante importante na definição do vencedor da corrida pela Casa Branca.
À partida, o tema do debate favorece Barack Obama, já que o actual Presidente conseguiu muito crédito nos domínios da política externa com a morte de Osama Bin Laden. Por outro lado, Mitt Romney tem cometido vários erros relacionados com assuntos internacionais, como se viu, por exemplo, com o seu atribulado périplo europeu, ou, no último debate, com a sua fraca resposta relativamente à questão da Líbia.
Salvo qualquer surpresa de última hora, este será o último momento decisivo da campanha, pelo que os dois candidatos deverão apostar forte numa boa prestação, em especial Obama, que precisa a todo o custo de evitar uma vitória de Romney que poderia ser fatal para as suas aspirações a um segundo mandato. Mas Romney também quererá emendar a mão numa temática onde tem vacilado. Se o conseguir, então terá passado em todos os testes necessários para assumir a Presidência e ameaçará, ainda mais, o actual Commander-in-Chief.
Assim, estão reunidas todas as condições para um debate interessante e emocionante. Para quem quiser seguir em directo, Obama e Romney subirão ao palco às duas da manhã, hora portuguesa.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O momento "gotcha" do debate

Com uma ajuda da moderadora, a jornalista da CNN, Candy Crowley, Mitt Romney teve aqui aquele que foi o seu pior momento no debate de ontem e que muito contribuiu para que Barack Obama fosse considerado o vencedor da noite.

Obama contra-ataca

Depois de duas semanas terríveis na sequência de uma má prestação no primeiro debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama precisava de uma boa performance no segundo frente-a-frente com Mitt Romney, de modo a estancar a hemorragia que os seus números nas sondagens estavam a sofrer nos últimos dias. E, ontem à noite, foi mesmo isso que Obama fez, alcançando uma vitória sobre o seu adversário, num debate com um formato que lhe assentou como uma luva.
Ainda assim, os primeiros minutos de Obama não foram muito convincentes, mostrando-se algo nervoso e talvez pouco confiante, na sequência da sua fraca prestação anterior. Contudo, com o passar do tempo, o Presidente soltou-se e pareceu à vontade na interacção com os eleitores que estavam na audiência e que iam fazendo perguntas aos candidatos presidenciais. Mostrou ter a lição bem estudada e deixou a postura desinteressada do debate anterior, apresentando-se mais envolvido e motivado neste momento que podia ser decisivo para as suas aspirações a um segundo mandato. Tinha algumas linhas de ataque preparadas para encostar Romney às cordas e, em alguns momentos, conseguiu fazê-lo. Além disso, Obama foi também capaz de defender o seu mandato, ao mesmo tempo que apontava as contradições entre as posições de Mitt Romney durante as primárias e as que agora o republicano defende. No cômputo geral, Obama foi extremamente competente e bateu Romney, ainda que não tenha sido uma vitória tão clara como a do antigo Governador do Massachusetts no primeiro debate.
Apesar de, a meu ver, Romney ter saído derrotado do debate de ontem, a verdade é que não esteve mal. Mostrou uma atitude semelhante à de há duas semanas e também se mostrou capaz de dialogar e interagir com o público, o que constituiu um ponto a seu favor, tendo em conta os problemas de falta de ligação com o cidadão comum que lhe têm sido apontados. Todavia, os pontos que marcou durante o debate foram, de alguma forma, anulados pelo erro táctico que cometeu ao afirmar que Obama nunca denominou os ataques ao consulado norte-americano de Benghazi como um ataque terrorista, algo que Obama fez e que foi mesmo confirmado pela moderadora, Candy Crowley (que, por sinal, esteve muito bem). A reacção da audiência a este momento, aplaudindo o fact checking de Crowley, pareceu destabilizar Romney, que, por momentos, perdeu o fio à meada.
Agora, com esta vitória de Obama, confirmada pelas sondagens realizadas a seguir ao debate, é possível que o candidato democrata recupere algum terreno nas sondagens. Pelo menos, a sua prestação de ontem deverá servir para pausar o momentum de Romney. Mas, se há coisa que ficou provada pelo debate de ontem, foi que os dois candidatos estão à altura do momento e que não será por incompetência ou falta de jeito para debater que qualquer um deles não chegará à Casa Branca. A menos de três semanas da eleição, a corrida promete!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais um saudável Combate de Blogues

Após muitos problemas técnicos, lá consegui marcar presença em mais uma versão hangout do Combate de Blogues. Desta vez, os meus colegas de discussão foram o Nuno Gouveia do Era Uma Vez na América e o Carlos Manuel Castro do EUA2012 e o moderador foi, como sempre, o Filipe Caetano. A antevisão do debate de hoje à noite entre Obama e Romney foi o tópico principal, mas também se abordaram questões como a política externa, a matemática eleitoral e a importância do eleitorado hispânico. Mas o melhor é mesmo verem o vídeo.

Um momento decisivo

Realiza-se esta noite, na Hofstra University, em Nova Iorque, o segundo debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Moderado por Candy Crowley, da CNN, o embate promete ser, pelo menos, muito importante para a determinação desta louca corrida pela Casa Branca.
Se há cerca de duas semanas, Barack Obama parecia imparável rumo a um segundo mandato, agora, após a copiosa derrota que sofreu no primeiro debate televisivo, as coisas parecem estar muito mais complicadas para o actual ocupante da Sala Oval. Nas tracking polls tem surgido constantemente atrás do seu adversário (apesar de noutras sondagens nacionais continuar a surgir à frente de Romney) e mesmo nos battleground states, onde Obama parecia mais forte do que o seu opositor republicano, a corrida está agora too close to call.
Assim, o debate desta noite surge numa altura em que a disputa presidencial está mais renhida do que nunca, podendo mesmo dizer-se que Romney começa a levar alguma vantagem. Obama está, por isso, obrigado a mudar a actual narrativa da campanha e deverá apostar forte neste frente-a-frente para o fazer. Até porque o modelo do debate de logo à noite é-lhe mais favorável, dado que se trata de um formato em town-hall, onde Obama e Romney estarão rodeados de público, que colocará questões e interagirá com os candidatos à Presidência. Desta vez, e ao contrário do debate de Denver, Barack Obama não deverá ter uma prestação tão passiva nem adoptar uma postura tão cinzenta como a do embate anterior. Sabendo que esta é uma altura crucial da campanha, terá de ser mais agressivo e mais envolvido na discussão, de forma fazer recordar aos americanos o Obama que elegeram em 2008 e não o aborrecido Presidente que viram no Colorado, há duas semanas.
Mas, como é óbvio, Romney também terá uma palavra a dizer. Após a sua indiscutível vitória no primeiro debate, não terá, é certo, a mesma vantagem no jogo das expectativas, visto que os americanos e a comunicação social já não estarão à espera de uma vitória relativamente fácil de Obama. Contudo, o candidato republicano está já muito calejado em debates deste nível e tem-se saído sempre bem, especialmente nos momentos decisivos, como quando, na época de primárias, esmagou completamente Newt Gingrich, numa altura em que o antigo Speaker parecia uma ameaça à sua nomeação, ou, mais recentemente, no debate de Denver, onde bateu Obama e melhorou substancialmente as suas hipóteses para a eleição de 6 de Novembro.
São, então, muito altas as expectativas para o embate desta noite, em Nova Iorque. Com uma corrida tão equilibrada, uma vitória num debate pode muito bem ser o facto decisivo para a determinação do vencedor na noite de 6 de Novembro. Barack Obama e Mitt Romney, cientes da importância do momento, darão certamente o seu melhor, na ânsia de vencerem a corrida à Casa Branca. Do outro lado do ecrã, milhões de norte-americanos (mas não só) estarão muito atentos ao seu desempenho.

sábado, 13 de outubro de 2012

Biden vs Ryan

Como não vi em directo o debate entre os candidatos à vice-presidência dos Estados Unidos, apenas hoje me foi possível fazer a análise ao que de mais importante se passou na noite de Quinta-feira. Depois de ver a gravação, pareceu-me que Joe Biden foi o vencedor, ainda que não tenha sido, de maneira nenhuma, um triunfo com a dimensão da vitória de Mitt Romney no primeiro debate entre os nomeados presidenciais.
O debate foi interessante, com substância e entre dois candidatos que mostraram estar à altura do momento. A primeira parte do debate foi dominada pela temática da política externa, onde Joe Biden se sente como peixe na água e esteve, sem surpresas, por cima de Paul Ryan, ainda que este, apesar de não ter grande experiência nesta matéria, não se saiu mal. Nesta secção, o melhor momento do actual Vice-presidente terá sido quando respondeu às críticas lançadas por Ryan relativamente às condições de segurança do Embaixador norte-americano assassinado em Benghazi, lembrando que foi Paul Ryan, enquanto Presidente da Comissão do Orçamento na Câmara dos Representantes a reduzir em 300 milhões de euros os fundos para a segurança das embaixadas dos Estados Unidos.
Se na política externa era Biden o favorito, já nas questões do foro interno, em especial nos temas económicas, esperava-se que Ryan estivesse por cima. E, de facto, o candidato republicano atacou de forma assertiva o registo económico do primeiro mandato da dupla Obama/Biden na Casa Branca. Mas Biden, experiente nestas andanças, reagiu eficazmente e colocou pressão em Ryan para que o congressista do Wisconsin desse mais detalhes sobre a proposta de orçamento republicana. Contudo, Ryan não foi específico e voltou a não dar explicações sobre como uma administração republicana irá ser capaz de descer os impostos sem agravar o défice federal.
A nível de conteúdo, o vencedor foi, e de forma relativamente clara, Joe Biden. Mas, na forma, o Vice-presidente pecou por algumas expressões e comportamentos que demonstraram um certo desdém, se não mesmo desprezo, pelo seu adversário, chegando mesmo a rir-se enquanto Paul Ryan falava. Biden tentou, claramente, cumprir onde Obama falhou, mostrando-se dinâmico, envolvido no debate e agressivo. Por sua vez, Ryan adoptou uma postura tranquila, parecendo apenas irritado por ser repetidamente interrompido por Biden.
No fim de contas, Joe Biden pareceu-me levar a melhor sobre Paul Ryan, o que não deixa de ser natural, já que o antigo Senador do Delaware é um político mais experiente e que, em 2008, teve de passar por inúmeros debates nas primárias presidenciais democratas e por um debate vice-presidencial face a Sarah Palin. Ainda assim, o debate foi equilibrado e muitos analistas consideraram que o resultado final se saldou num empate. Por isso, o debate vice-presidencial não deverá ter grande impacto na corrida pela Casa Branca, que, desde o frente-a-frente de Obama e Romney, está mais renhida do que nunca.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Combate de blogues - Antevisão do debate entre os vices

Hoje ao final da tarde tive a honra e o prazer de participar num debate de antevisão ao frente-a-frente entre Joe Biden e Paul Ryan, juntamente com o Nuno Gouveia e o José Gomes André, do Era Uma Vez na América, e com moderação do Filipe Caetano. Para quem não viu, fica aqui o vídeo desta saudável e interessante discussão. Agora, venha o debate "a sério".

O debate vice-presidencial

Após o debate da semana passada, o primeiro entre os candidatos à Presidência, hoje é dia de debate entre os running mates de Barack Obama e Mitt Romney. Mais logo, às 2 da madrugada em Portugal, no Kentucky, Joe Biden e Paul Ryan estarão frente-a-frente para esgrimir argumentos, num debate que ganhou uma renovada importância após a péssima prestação de Obama, na semana passada, e que resultou na recolagem de Romney ao Presidente nas sondagens.
O actual Vice-Presidente está, por isso, sob intensa pressão, obrigado a uma boa performance de forma a não permitir ao ticket republicano renovar o seu momentum. Mas Biden é um político muitíssimo experiente e, em 2008, nas primárias presidenciais democratas, mostrou ser muito competente em debates, ganhando, inclusivamente, vários deles (na altura, como ocupava os últimos lugares das sondagens, ninguém prestou muita atenção a isso). Mais tarde, na eleição geral, debateu face a Sarah Palin, mas teve a ingrata tarefa de ter de enfrentar um adversário que tinha, porventura, as mais baixas expectativas de sempre numa corrida presidencial. Ainda assim, Joe Biden saiu-se muito bem e evitou a arrogância ou o paternalismo, posturas que poderiam prejudicar a sua imagem junto dos telespectadores. Biden tem a vantagem de se conseguir mostrar aos eleitores como sendo um deles, adoptando um discurso simples e directo. Contudo, essa frontalidade também lhe traz, por vezes, dissabores, porque, como se sabe, o Veep de Obama é propenso a gaffes que podem comprometer a mensagem que pretende transmitir.
Já Paul Ryan, seguro e constante, é um caso totalmente distinto. Sem qualquer tipo de experiência em debates a este nível, torna-se muito difícil de prever como será a prestação do congressista do Wisconsin. Terá certamente de ser capaz de lidar com um Biden agressivo e que atacará o seu plano fiscal. Nos últimos tempos, Ryan tem sido bastante pressionado pela imprensa para que seja mais específico em relação a um eventual orçamento de uma administração republicana. Todavia, o vice de Romney tem preferido fugir à questão, afirmando que necessita de muito tempo para essa explicação. Esse argumento, porém, não deve resultar esta noite e espera-se algo mais substancial por parte do Presidente da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes. Outro tema que pode dar que falar é a questão do aborto, novamente em voga depois de Romney ter vindo a público suavizar a sua posição que, de momento, é diferente da do seu running mate que, como católico, é um pro-life convicto.
É, então, com muito expectativa que se aguarda este debate vice-presidencial que poderá resultar no estancamento da hemorragia democrata ou para a piorar, dependendo de como se saírem Joe Biden e Paul Ryan. Por isso, mais logo, milhões de norte-americanos (e não só) estarão em frente às televisões para assistirem a um debate que, ao contrário do que costuma acontecer, pode mesmo ter um impacto decisivo na corrida pela Casa Branca.

Para fazer a antevisão deste debate estarei, a partir das 18:30, numa versão hangout do programa Combate de Blogs da TVI24.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Romney vence por KO

Antes do debate, era opinião praticamente generalizada que Mitt Romney precisava de alcançar uma vitória no seu frente a frente com Barack Obama para ser capaz de alterar o rumo da corrida presidencial, que parecia, até ontem, encaminhar-se para a reeleição do actual Presidente.
Na verdade, ontem à noite, Romney não só conseguiu sair vitorioso do debate, como amealhou um triunfo por KO, derrotando Obama sem apelo nem agravo. A diferença entre os dois candidatos à Casa Branca foi de tal ordem que, no rescaldo do debate, a atribuição da vitória ao nomeado republicano foi totalmente consensual e até a própria campanha de Obama admitiu a derrota. À Direita, os conservadores rejubilaram com a actuação de Romney, enquanto que, à Esquerda, os liberais criticaram Obama pela sua medíocre prestação.
Nos dias que antecederam este primeiro debate, a campanha democrata tentou reduzir as expectativas, lembrando que Romney havia já passado por um enorme número de debates durante as primárias republicanas, ao passo que Obama já não era posto à prova desta forma desde 2008. E, de facto, o Presidente pareceu completamente enferrujado e pouco à vontade no debate de ontem. Aliás, um dos seus principais problemas prendeu-se com a atitude com que enfrentou o debate, mostrando-se cansado, com pouca vontade de participar neste momento importante para a sua reeleição e algo condescendente em relação ao seu adversário. A nível de conteúdo, Barack Obama também desiludiu: não atacou alguns pontos sensíveis de Romney, como o comentário dos 47%, e mostrou-se algo defensivo quando viu o seu mandato ser atacado, desviando as culpas para o seu antecessor. Foi, portanto, um Barack Obama irreconhecível que esteve ontem em cima do palco, em Denver. Se quiser ser reeleito, o ainda Presidente tem de dar a volta a esta sua prestação extremamente negativa e melhorar substancialmente nos dois próximos debates.
Por seu turno, Mitt Romney esteve à altura do momento e obteve uma excelente prestação na altura em que mais precisava de o fazer. Nesse aspecto fez lembrar o Romney que, durante as primárias, destroçou Newt Gingrich num debate decisivo, quando o antigo Speaker parecia estar a tornar-se uma real ameaça para a sua nomeação pelo GOP. Confiante e seguro, Mitt Romney pareceu mais "presidencial" do que o próprio ocupante da Casa Branca e manteve, durante todo o debate, um semblante positivo que contrastou com o enfado evidente do seu oponente. Se no que diz respeito à forma esteve bem, também não esteve pior no conteúdo, ainda que não tenha sido verdadeiramente pressionado por Obama. O seu discurso foi mais moderado e centrista do que alguma vez se lhe viu nesta campanha eleitoral, o que mostra que Romney já percebeu que tem de se afastar da ala mais radical do seu partido para ter hipóteses de vencer a eleição.
No final do debate, o vencedor era inquestionável (uma sondagem da CNN mostrou que 67% dos telespectadores atribuiram o triunfo a Romney, enquanto apenas 25% consideraram ter sido Obama a estar melhor). Contudo, o impacto do desfecho do debate na corrida eleitoral é uma incógnita e teremos de estar atentos às sondagens dos próximos dias para percebermos se Romney consegue ou não uma subida nas intenções de voto dos eleitores americanos com base na noite de ontem. Normalmente, os debates não resultam em grandes mexidas nas sondagens, mas o triunfo de Romney sobre Obama foi tão esmagador que é de crer que os números da corrida voltem a apertar e que o equilíbrio volte a imperar nesta disputa pela Presidência dos Estados Unidos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O primeiro debate

Realiza-se hoje à noite (início de madrugada em Portugal), o primeiro dos quatro debates (um deles entre os candidatos vice-presidenciais) da campanha presidencial norte-americana. Na Universidade do Colorado, em Denver, e com moderação de Jim Lehrer, da PBS, os dois candidatos à Casa Branca enfrentam-se, durante hora e meia, num momento que se pode revelar decisivo para a definição do vencedor da corrida presidencial.
Barack Obama teve um mês de Setembro muito positivo e colocou-se numa posição privilegiada para alcançar um novo mandato de quatro anos à frente dos destinos dos Estados Unidos. Parte, por isso, em vantagem para este debate e deverá adoptar uma postura moderada, sem grande agressividade, tentando mostrar-se "presidencial". Foi isso, aliás, que sucedeu nos debates da campanha de 2008, que também ocorreram num momento em que Obama estava na frente das sondagens. Nessas ocasiões, Obama foi um candidato sereno e confiante, que não marcou grandes pontos nos debates, mas também não cometeu erros que lhe pudessem custar o seu estatuto de frontrunner. Há quatro anos, a estratégia de Obama foi vitoriosa já que, apesar de não ter sido brilhante nos debates, demonstrou estar pronto para ocupar a Sala Oval. Agora, o actual Presidente deverá repetir essa fórmula, evitando correr riscos, ao mesmo tempo que tentará utilizar o seu estatuto de Commander-in-Chief para se demarcar do seu opositor, que, afinal, é apenas alguém a concorrer ao seu emprego.
Para Mitt Romney este debate é fundamental. As sondagens têm mostrado que o nomeado republicano está solidamente abaixo de Obama e tem uma importante desvantagem para anular se quiser chegar à Casa Branca. Por isso, tem-se dito que Romney precisa de vencer o debate de hoje para voltar a equilibrar a corrida e que a melhor forma de o fazer é ser agressivo e atacar sem quartel o seu adversário. Contudo, essa táctica é arriscada, porque pode levar os cidadãos norte-americanos, que gostam, a nível pessoal, do seu Presidente, a simpatizarem com Barack Obama. Além disso, Romney é visto, por muitos eleitores, como alguém pouco amigável e com quem não tomariam uma cerveja. Assim sendo, uma postura demasiadamente agressiva por parte do ex-Governador do Massachusetts poderia agravar ainda mais essa sua imagem. Como tal, considero ser mais provável assistirmos a uma postura algo neutra por parte de Romney, tentando mostrar-se conhecedor de todos os dossiers que passam na secretária do Presidente e pronto a assumir a liderança dos Estados Unidos.
Num debate politico, o vencedor é também determinado pelo jogo das expectativas. Antes de cada debate, cada campanha tenta reduzir as expectativas relativas à prestação do seu candidato, de forma a ser mais fácil ao político alcançar um desempenho considerado positivo. Por exemplo, em 2008, esperava-se tão pouco de Sarah Palin que, após ter realizado um desempenho, no máximo, mediano, muitos analistas consideraram que a candidata vice-presidencial republicana havia sido a vencedora do debate frente a Joe Biden. Desta vez, assiste-se, como sempre, a este jogo, com ambas as campanhas a inflaccionarem as capacidades do adversário e a reduzirem as do seu chefe de fila. 
Seja como for, o vencedor da noite só será conhecido após o debate e resta-nos, agora, esperar pelo grande evento que colocará milhões de americanos (mas não só) em frente à televisão. Contudo, e apesar de todo o buzz mediático à volta do frente a frente entre os dois candidatos presidenciais, é bem possível que este evento não venha a ter um grande impacto na corrida pela Casa Branca. Mas isso só saberemos mais tarde. Agora, let the games begin!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Os 10 melhores momentos em debates presidenciais

A poucos dias do primeiro dos três debates presidenciais (mais um entre os candidatos à Vice-Presidência), nada melhor do que ver ou rever os dez melhores e mais importantes momentos em debates televisivos da história das eleições para a Presidência norte-americanas. Entre gaffes ou frases assertivas, há um pouco de tudo, nesta compilação da responsabilidade do Politico. 
Desde 1960, ano em que teve lugar o primeiro debate transmitido na televisão, estes eventos têm tido uma importância substancial na corrida à Casa Branca. Este ano, com Barack Obama a descolar nas sondagens, Mitt Romney aposta forte nos debates para inverter a tendência. Na próxima Quarta-feira, data do primeiro debate, veremos se surge algum momento digno de figurar nesta lista.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Os candidatos no debate de ontem

Mitt Romney - Apesar de não ter estado propriamente brilhante, Romney foi claramente o vencedor do debate de ontem. Consciente que o principal perigo vem agora da parte da Santorum, o antigo Governador do Massachusetts mostrou ter feito os trabalhos de casa e levou bastante material para atacar o seu adversário. O seu melhor momento foi quando encostou Santorum às cordas, criticando-o por ter apoiado Arlen Specter (Senador republicano que, mais tarde, se mudou para o lado democrata) e por ter várias vezes votado, no Senado, contra a sua consciência. A jogar num Estado favorável, teve a audiência do seu lado, o que ajuda sempre a transmitir a imagem de vitória. Pode ter conseguido, ontem à noite, um fôlego decisivo para vencer as primárias no Michigan e no Arizona, na próxima Terça-feira.

Rick Santorum - Foi, sem dúvida, o derrotado da noite. Sendo este o último debate antes das próximas primárias e talvez mesmo o último da campanha eleitoral, Santorum tinha aqui a grande oportunidade para desferir um golpe fatal em Romney. Contudo, as suas boas prestações em anteriores debates não se repetiram e Santorum pareceu nervoso e incapaz de se defender convincentemente dos ataques dos seus adversários. Ficaram ainda mais uma vez demonstradas as dificuldades que os candidatos membros do Congresso sentem em justificar e defender o seu historial de votos no Capitólio. Para alguém que tinha tudo a ganhar no debate de ontem, Santorum jogou demasiadamente à defesa e saiu derrotado por um Romney mais dinâmico e decidido.

Newt Gingrich - Teve uma sólida prestação e voltou a uma receita que lhe deu proveitos no passado: as críticas à comunicação social. Apesar de parecer calmo e seguro de si, a verdade é que foi praticamente irrelevante no debate. Por este andar, também a sua candidatura se tornará irrelevante nesta campanha eleitoral. 

Ron Paul - Como sempre, o congressista do Texas foi coerente e apresentou as suas ideias de forma clara. Os seus ataques tiveram como único destinatário Rick Santorum e fala-se já abertamente numa alegada aliança entre si e Mitt Romney. Será que poderemos ter Paul numa eventual administração Romney?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Um debate decisivo

Como já tenho dito, os debates televisivos têm sido fundamentais na campanha presidencial em curso. Boas prestações nestes eventos têm permitido a ascensão (casos de Gingrich ou Santorum) ou a queda de candidatos (com Rick Perry a ser o exemplo mais flagrante) diante da opinião pública norte-americana. Assim sendo, o debate de hoje à noite, organizado pela CNN e realizado no Arizona, reveste-se de uma importância acrescida por ser o último antes das primárias da próxima Terça-feira - no Michigan e no Arizona - e da Super Tuesday que se realiza a 6 de Março.
Mais logo, veremos então se Rick Santorum consegue manter a pressão sobre Mitt Romney, de forma a continuar a representar uma ameaça para a nomeação do ex-Governador do Massachusetts, ou se é Romney que é capaz de afastar a principal concorrência e, finalmente, conseguir apelar aos corações e mentes dos eleitores mais conservadores. Por outro lado, é sempre conveniente prestar atenção a Newt Gingrich, que já provou ser capaz de voltar à luta pela nomeação através das suas prestações arrojadas nos debates.
O debate, com moderação de John King, tem transmissão na CNN, a partir da 1 hora da madrugada em Portugal.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A aposta de 10 mil dólares que assombrará Romney

Ontem à noite decorreu mais um debate entre os candidatos republicanos (com excepção de John Huntsman) à Casa Branca. A NBC News e o Des Moines Register foram os anfitriões do evento que teve lugar no Iowa, o Estado onde será dado o pontapé de saída da época de primárias, já no próximo dia 3 de Janeiro. 
Para este debate,  o grande ponto de interesse era saber como Newt Gingrich reagiria, agora que lidera as sondagens, e se os seus adversários partiriam para o ataque, nomeadamente Mitt Romney. E Gingrich deu uma excelente resposta,conseguindo uma boa prestação. Mas não foi o único a ter uma noite positiva, já que Michelle Bachmann, Ron Paul, Rick Santorum e Rick Perry também não estiveram nada mal.
Contudo, o grande destaque da noite vai para um passo em falso de Mitt Romney, que até aqui tinha passado incólume nos debates, saindo vencedor da maioria deles. Só que ontem, num momento em que estava a ser acossado por Perry devido ao sistema de saúde que implantou enquanto Governador do Massachusetts, Romney propôs uma aposta de 10 mil dólares ao seu adversário. Pode ter sido uma forma de expressão inocente, mas a verdade é que, numa altura em que os EUA e o mundo atravessam uma crise económica brutal, um candidato presidencial não se pode referir de forma tão leviana em relação a uma quantia que, para a maioria dos eleitores, representa uma pequena fortuna. 
Como não podia deixar de ser, os candidatos republicanos e mesmo os democratas não perdoarão este deslize de Romney e não tardarão a caracterizá-lo como estando afastado da realidade do eleitor comum. Depois de ontem, é provável que Romney aprenda uma lição que Perry também já teve de aprender da pior maneira: nos debates, pouco há a ganhar, mas muito a perder.