Mostrar mensagens com a etiqueta Marco Rubio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marco Rubio. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Rubio travado no debate

Realizou-se ontem o último debate televisivo entre os candidatos presidenciais republicanos antes da primária do New Hampshire, que, para muitos deles, é totalmente decisiva e pode significar a última oportunidade de se imporem na corrida. E isso ficou bem patente ao longo da noite, com os concorrentes a mostrarem-se mais empenhados do que nunca a deixarem uma forte impressão aos eleitores. Terá sido, porventura, o melhor dos debates republicanos até ao momento.
Foi um debate com muitos momentos marcantes - o Politico reúne aqui os 11 mais explosivos - mas, sem dúvida que o que está a marcar a actualidade é a implosão de Marco Rubio, que sucumbiu ao ataque certeiro e sem piedade de Chris Christie. Num momento que ficará para a história dos debates presidenciais, o Governador de New Jersey acusou Rubio de ser totalmente inexperiente para ser presidente e referiu que o Senador da Florida pouco dizia de substancial, limitando-se a recorrer a um soundbyte previamente decorado. Marco Rubio não conseguiu rebater o ataque e piorou ainda a situação ao usar a mesma frase que havia levado à acusação por parte de Christie três vezes ao longo do debate. Mais tarde, tentou contra atacar Christie, mas o tiro saiu pela culatra, como se pode ver no vídeo que encabeça o post.
Marco Rubio, normalmente forte nos debates, saiu claramente a perder da noite de ontem e pode vir a prejudicar o momentum que conseguiu após o seu forte 3º lugar no Iowa. Terá tido a sua pior prestação de sempre em debates e pareceu acusar a pressão de estar debaixo de fogo por parte dos candidatos do establishment, que viram em Rubio o seu principal adversário pelo voto dos republicanos mais tradicionais e moderados. Chris Christie destacou-se, mas também Jeb Bush lançou alguns golpes ao seu (ex) amigo e outros ainda a Donald Trump. The Donald esteve relativamente tranquilo no debate, saindo-se bem e mostrando uma faceta menos agressiva do que o habitual (ainda que tenha mandado calar Jeb Bush), talvez fruto da sua derrota no Iowa. Por sua vez, Ted Cruz, um peixe fora de água no New Hampshire, tentou passar entre os pingos da chuva, esperando por Estados com eleitorados mais conservadores e onde a sua mensagem possa ser melhor recebida.
A dois dias da primária do granite state, falta saber qual a influência que este debate terá nos resultados finais. É possível que Donald Trump tenha feito o suficiente para aguentar a sua vantagem (que se mantém segura, mas a diminuir, segundo as últimas sondagens) e que Marco Rubio sofra alguma coisa após a sua péssima prestação - que não foi, ainda assim, um momento ups. No sentido contrário, Chris Christe poderá receber um tão desejado balão de oxigénio, ao mesmo tempo que Jeb Bush, com uma recente tímida subida nas sondagens, também poderá ver algum apoio a correr na sua direcção. John Kasich, esse, continua a não aproveitar as oportunidades para marcar pontos e dar uma nova vida à sua recandidatura. Veremos, na Terça-feira, quem sairá do New Hampshire a sorrir e quem sairá... da corrida.

Para o fim, fica um dos momentos mais curiosos e hilariantes do debate de ontem. Um vídeo a não perder:

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A escolha acertada


Quando, na semana passada, escrevi sobre o actual frontrunner da corrida pela nomeação presidencial republicana, deixei bem claro que Donald Trump seria uma péssima escolha do GOP para representar o partido na eleição geral, onde seria facilmente derrotado pelo candidato(a) democrata. Pelo contrário, hoje escolhi falar sobre aquele que seria, na minha opinião, a melhor opção do Partido Republicano para voltar a controlar a Casa Branca: Marco Rubio.
Rubio é uma estrela em ascensão no GOP desde que foi eleito para o Senado pelo Estado da Florida, na onda republicana de 2010. Na altura, o jovem político derrotou um consagrado e experiente Charlie Crist, que tinha a vantagem de concorrer enquanto Governador da Florida, frente a um então desconhecido Rubio. Ainda assim, o republicano derrotou copiosamente a concorrência e a sua campanha assertiva, eloquente e isenta de erros catapultou-o para a ribalta nacional. Logo aí, ficou claro que Marco Rubio, que mostrou ter um discurso sólido e ser excelente a debater, estaria destinado a voos mais altos. Foi, assim, sem surpresa que o senador júnior da Florida lançou a sua candidatura à Casa Branca, constituindo-se como um dos principais adversários do seu amigo e mentor, Jeb Bush.
Rubio, de 44 anos, é um cara nova no panorama políticos dos Estados Unidos e a sua entrada em cena recorda a de Barack Obama. É jovem e carrega um simbolismo paralelo ao do 44º Presidente: como filho de cubanos, seria o primeiro presidente hispânico dos Estados Unidos. Com os republicanos cada vez mais distantes do eleitorado latino, a escolha de Rubio como nomeado poderia representar uma nova oportunidade junto deste segmento do eleitorado tão decisivo em eleições presidenciais. Mais: num campo de candidatos republicanos muito homogéneo, Rubio destaca-se.
Sendo jovem e uma cara nova em Washington, Marco Rubio seria um excelente contraponto à provável nomeada democrata, Hillary Clinton, podendo utilizar a cartada da dinastia, algo que, naturalmente, não está à disposição de Jeb Bush, um dos favoritos a conseguir a nomeação republicana.  
Além disso, com o seu estatuto de Senador pela Florida, Rubio partiria na pole-position no sunshine state que é, sem dúvida alguma, um dos Estados mais importantes na disputa pela presidência, sendo mesmo o swing state com mais votos eleitorais à disposição do seu vencedor - 29.
Finalmente, Rubio também seria uma escolha ideologicamente coerente. Não pertencendo a nenhuma franja limitada do Partido Republicano, como o libertário Rand Paul ou o cristão Evangélico Mike Huckabee, o senador da Florida é um conservador que agrada ao Tea Party ao mesmo tempo que consegue atrair alguns eleitores mais moderados. É certo que é mais conservador do que o nomeado republicano tradicional, mas, numa época em que o GOP guinou à direita, isso não é propriamente algo de surpreendente.
Contudo, até ao momento, Rubio não tem confirmado o seu potencial e os seus números nas sondagens não têm sequer conseguido atingir os dois dígitos.Ainda assim, nada está ainda perdido para Marco Rubio que tem ainda tempo para se assumir como um dos favoritos a obter a nomeação. Para o fazer, é imperioso que recorde aos eleitores republicanos (normalmente pragmáticos na escolha do seu nomeado), que, caso seja nomeado, seria uma escolha fortíssima para derrotar os democratas quando chegar o dia 8 de Novembro de 2016.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Nas mãos de Rubio

Ainda que muito lentamente, continuam as negociações entre democratas e republicanos com vista à reforma da imigração no país. Com o apoio da Casa Branca de Barack Obama, é o o chamado Gang of Eight, constituido por oito senadores dos dois partidos, que lidera o processo que deverá levar à apresentação de uma proposta que possa ser aprovada pelo Congresso norte-americano.
Aparentemente, tudo aponta para que a reforma da imigração tenha já os votos suficientes para passar no Senado, mesmo tendo em conta que necessitaria de uma maioria de pelo menos 60 senadores para ultrapassar um eventual bloqueio através de filibuster. Contudo, o Gang of Eight pretende alcançar uma super-maioria, conseguindo o apoio de 70 ou mais dos 100 senadores e uma maioria entre os representantes dos dois partidos. Dessa forma, demonstrando força e consenso, seria bem mais provável que a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos e cujos membros são bem mais voláteis e polarizados politicamente, aprovasse também esta reforma.
Com os votos democratas garantidos, assim como os de pelo menos quase uma dezena de senadores republicanos mais moderados, falta agora atrair os votos de republicanos relativamente conservadores. Para isso, a chave parece ser Marco Rubio, o senador da Florida e porventura a maior figura do Partido Republicano na actualidade. Filho de pais cubanos que imigraram para os Estados Unidos, Rubio foi um dos proponentes desta reforma que permitirá legalizar milhões de cidadãos ilegais no país e tornou-se o líder do GOP nesta questão. Com o seu apoio inequívoco, muitos dos congressistas republicanos terão maior propensão em aprovar a reforma da imigração. Caso contrário, terão na "desistência" de Rubio um excelente motivo para votarem contra.
Nos últimos tempos, Marco Rubio tem preferido manter um low profile, deixando o destaque para o Gang of Eight que integra. Todavia, é certo que terá sempre um papel determimante para o futuro da reforma da imigração. Ao apostar muito do seu capital político neste tema, Rubio tem também muito a ganhar e a perder. Se a reforma passar tranquilamente e de forma consensual no Congresso, então Rubio terá afirmado a sua liderança e será um concorrente de peso para as eleições presidenciais de 2016. Se, pelo contrário, a reforma falhar, então Rubio terá perdido a batalha que travou o seio do seu próprio partido, ao mesmo tempo que verá o voto hispânico fugir ainda mais dos republicanos, com todas as consequências eleitorais que daí advêm, como tão bem se tem visto nas últimas eleições.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Obama marca pontos no State of the Union

Como se esperava, foi um Obama combativo e na ofensiva que se apresentou ontem, no Congresso, para o discurso do Estado da Nação. Ao longo de cerca de uma hora no pódio, o Presidente demarcou os seus principais objectivos para os próximos tempos, destacando-se, sem surpresas, a reforma da imigração, mas havendo também referências ao controlo da compre e posse de armas de fogo (Obama pediu mesmo ao Congresso uma votação sobre legislação concreta que aborde esta questão), ao ambiente e aos cortes em programas sociais a que o ocupante da Casa Branca se opõe.
Desta vez, e ao contrário de discursos do State of the Union anteriores, Barack Obama não se focou no esforço bipartidário e na necessidade dos dois partidos chegarem a entendimentos. Com a experiência do seu primeiro mandato, onde nunca conseguiu cedências por parte do GOP, Obama abandona definitivamente a capa do Presidente conciliador, preferindo uma postura mais partidária, assertiva e lutadora. Nesse sentido, o discurso de ontem serviu para Obama tentar colocar os republicanos entre a espada e a parede, "atirando-lhes" temas em que os democratas contam com relativo apoio popular, de forma a obrigar os legisladores do GOP a votar com os democratas ou a contrariarem a vontade da maioria da população.
No fundo, foi um discurso que cumpriu os objectivos de Barack Obama e que deverá valer ao Presidente, pelo menos momentaneamente, uma pequena subida nos índices de aprovação do seu trabalho. Em sentido contrário, parece-me que o Partido Republicano teve uma má noite. John Boehner, o Speaker da Câmara dos Representantes, sentado atrás de Obama, demonstrou, ao longo do discurso uma atitude algo arrogante em relação ao seu Presidente, não demonstrando a habitual deferência para o líder do executivo que é habitual nestas ocasiões, mesmo para os políticos da oposição. 
Além disso, a resposta oficial do GOP ao discurso de Obama não correu muito bem a Marco Rubio, que pareceu nervoso e pouco à vontade. O Senador pela Florida é, normalmente, um excelente orador, mas, ontem, não esteve à altura do que é capaz de fazer e fez lembrar um outro discurso de resposta ao state of the Union, o de Bobby Jindal, de má memória para os republicanos. Houve mesmo um momento caricato durante a comunicação de Rubio, em que quase saiu do plano para beber um pouco de água.
Contudo, a noite do State of the Union é sempre complicada para o partido da oposição, que, nesta ocasião, se encontra inevitavelmente em desvantagem na forma de fazer passar a mensagem aos cidadãos norte-americanos. Assim, se aliarmos esse facto a uma boa prestação de Barack Obama e a uma fraca resposta por parte dos republicanos, só podemos estar na presença de uma noite bastante positiva para a Casa Branca e para os democratas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Romney já pensa em VPs

Christie, McDonnell e Rubio
Apesar de ainda faltarem cerca de seis meses para o início das primárias presidenciais e cerca de um ano para que o vencedor desse processo tenha de escolher a pessoa que consigo irá formar o ticket republicano, começam já a surgir alguns rumores relativamente à shortlist de Mitt Romney para o cargo de Vice-Presidente. Ao que consta, o actual favorito a conseguir a nomeação pelo GOP já reduziu as suas preferências para apenas três nomes: o Governador da Virgínia, Bob McDonnell, o Governador de New Jersey, Chris Christie e Marco Rubio, Senador pela Florida.
São opções seguras e convencionais, de políticos que se destacaram na senda de vitórias do Partido Republicano em 2009 e 2010. A intenção de Romney ao "deixar escapar" esta notícia poderá ser a de atrair os eleitores mais conservadores, dado que estes três nomes figuram entre os políticos favoritos dos movimentos Tea Party. Dos três, talvez seja Marco Rubio o mais provável candidato vice-presidencial, dado que representa a Florida, porventura o mais importante Estado numa eleição presidencial, e porque é hispânico (cubano-americano), um eleitorado decisivo e entre o qual o GOP tem perdido votos de forma preocupante. Todavia, a escolha final de Romney, ou de quem quer que seja o nomeado republicano, no que diz respeito ao seu vice-presidente, será sempre influenciada por tudo aquilo que se passar durante as primárias e por todo um conjunto de variáveis circunstanciais. Assim, a uma tão grande distância do momento de decisão, este tipo de análise, ainda que seja interessante, não passa de mera especulação.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Debate na Florida

O meu início de tarde do último Domingo foi passado a assistir, via CNN Internacional, ao debate entre os candidatos ao Senado dos Estados Unidos pela Florida, que decorreu no habitual talk-show daquela cadeia norte-americana, State of the Union. E devo dizer que não dei o tempo como perdido, já que a discussão foi interessante, animada e, por vezes, até bastante "quente".
Recorde-se que esta eleição é disputada pelo republicano Rubio, pelo Governador Charlie Crist, que, concorre como independente depois de perceber que não tinha hipóteses de vencer Rubio nas primárias do GOP, e pelo congressista democrata Kendrick Meek. Contudo, segundo as sondagens, a corrida está praticamente decidida a favor de Rubio que, desde o início do Verão, cavou uma diferença para os seus adversários que é, aparentemente, intransponível. Apesar disso, no debate de ontem, os três candidatos pareciam estar a lutar por uma corrida ditada pelo photo-finish, tal foi a intensidade com que decorreu a discussão e a troca de argumentos entre si.
Num debate onde os temas económicos, como o desemprego (com números particularmente altos na Florida), o corte de impostos, ou o défice, estiveram em destaque, travou-se uma acesa discussão ideológica entre Meek e Rubio, que Crist tentou aproveitar para se colocar como a voz moderada entre os três candidatos. A nível de posições políticas, não se assistiu a nada de novo. Marco Rubio criticou o big government e clamou pela continuação dos cortes de impostos e pelo liberalismo económico; Meek defendeu as medidas da administração Obama, como o pacote de estímulos à economia e tentou definir-se como o verdadeiro representante do Partido Democrata na corrida, defendendo-se das investidas de Crist ao tradicional eleitorado democrata; por sua vez, o ainda Governador da Florida mostrou-se aberto ao compromisso, tendo a particularidade de defender temas queridos aos conservadores, como o corte de impostos, e aos liberais, como o direito ao aborto.

Mas, da discussão política e ideológica, passou-se, na parte final do debate, para uma veemente troca de acusações entre Charlie Crist e Marco Rubio. Já antes, Meek tinha evidenciado o óbvio, que Crist apenas tinha abandonado a luta pela nomeação republicana porque percebeu que não podia vencer Rubio. Porém, a disputa entre o candidato republicano e o candidato independente foi bem mais enérgica, enquanto o democrata, à parte da discussão, se limitava a sorrir. A certo ponto, Marco Rubio, depois de ser repetidamente interrompido por Charlie Crist, apelidou o Governador de heckler, ao que este replicou, dando a Rubio as boas vindas à NFL (como quem diz, bem-vindo à primeira divisão).
No fim do debate, ficou a ideia que Marco Rubio é um fortíssimo candidato, parecendo sempre à vontade diante das câmaras e com resposta pronta para todos os ataques dos seus adversários. Charlie Crist, por sua vez, jogou aqui aquela que seria, porventura, a sua última cartada nesta corrida. Foi eloquente, agressivo e utilizou a estratégia inteligente de se mostrar como o candidato moderado e aberto ao compromisso, numa época de polarização partidária. Contudo, sem apoio partidário e com as suas constantes manobras políticas (como o abandono do GOP) e mudanças de opinião com fins eleitorais, será um dos grandes derrotados de 2 de Novembro. Finalmente, Kendrick Meek, foi bastante competente e demonstrou que poderá ter um interessante futuro político à sua frente. Todavia, esta não é a sua batalha e o seu único objectivo é tentar ficar à frente de Crist, o que parece difícil de conseguir.

Os resultados finais indicarão, salvo uma enormíssima surpresa, que Marco Rubio será o novo Senador americano pelo estado da Florida. Rubio é, sem dúvida, uma das maiores promessas do Partido Republicano e esta eleição, onde defrontou dois fortíssimos opositores, é a prova viva disso mesmo. De amanhã a oito dias, termina, então, uma das mais peculiares e interessantes eleições de que há memória nos Estados Unidos, que, certamente, muitas saudades irá deixar a todos os political junkies que têm seguido com especial atenção esta apaixonante corrida no sunshine state.