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sexta-feira, 10 de abril de 2020

À procura da vice de Biden

No seu último debate com Bernie Sanders, a 15 de Março, Joe Biden anunciou que escolheria uma mulher para sua vice-presidente, pelo que teremos um ticket misto do lado democrata face à dupla WASP formada por Donald Trump e Mike Pence. Esta foi uma excelente manobra política do antigo vice-presidente, pois dominou a narrativa (Bernie Sanders foi atrás e disse que faria o mesmo), recebeu elogios por algo que era inevitável e reduziu drasticamente o leque de opções para a sua decisão, poupando, assim, tempo e recursos a vetar nomes masculinos que nunca seriam escolhidos.
Apesar de a importância dos vice-presidentes variar de administração para administração, consoante o portfolio que é atribuído ao Veep, a escolha de Joe Biden reveste-se de importância acrescida, pois um dos segredos mais mal guardados da sua candidatura é que, caso eleito, Biden apenas governará durante um mandato, abdicando de se recandidatar, em 2024, caso vença a eleição deste ano.
Assim sendo, caso o ticket democrata saia vencedor em Novembro, a vice-presidente de Joe estará, muito provavelmente,  na pole position para as primárias democratas de 2024, partindo de uma excelente posição para suceder ao seu presidente. Assim, e não obstante ainda faltar algum tempo para conhecermos a candidata vice-presidencial democrata, importa começar a pensar nas principais potenciais candidatas a concorrerem em conjunto com Biden. 
Na altura de escolherem o seu vice, os candidatos presidenciais procuram, por norma, figuras que os complementem, que possuam características que supram as suas fraquezas, que expandam o seu apelo eleitoral, seja por atraírem um determinado grupo eleitoral ou por trazerem um vanjatoso home effect num swing state.
Assim, candidatos com menos currículo costumam escolher políticos experientes (exemplos como os de JFK, Bush 43 ou Obama) e concorrentes mais velhos procuram um running mate que transmita juventude e vivacidade (recentemente, tivemos os casos de McCain ou Romney). 
Por outro lado, também acontece que os candidatos procurem escolher vices que sejam de um espectro político-ideológico diferente e que complemente o seu apelo eleitoral. Não admira, por isso, que Trump tenha escolhido Mike Pence, uma figura do establishment republicano e que transmitiu segurança ao eleitorado evangélico, e foi, por isso, essencial para segurar a base do seu partido. 
Na escolha vice-presidencial pode também ser tido em conta o home state do candidato, pois se o escolhido for oriundo de um estado decisivo isso pode dar um ímpeto decisivo para a vitória dos votos eleitorais atribuídos por esse mesmo estado.
Mais recentemente, os candidatos à Casa Branca veem a o género e a raça como factores importantes na escolha do seu parceiro na corrida, de forma a criarem um ticket multifacetado para passarem uma mensagem de inclusão e promoverem o voto da minoria respectiva. Este factor é, por norma, mais importante para os democratas e é o caso específico de Joe Biden.
Já sabemos, por isso, que a nomeada vice-presidencial democrata será uma mulher. Ainda não sabemos, porém, o nome da escolhida, o que não acontecerá antes do Verão. Isso não invalida que se comecem a fazer as primeiras previsões e a CNN apresenta uma lista do top-ten das principais candidatas. Concordo, em geral, com esta lista e em especial com as duas primeiras classificadas, que me parecem, de facto, as mais bem posicionadas para acompanharem Biden no ticket do Partido Democrata.
A Senadora Kamala Harris tem sido apontada, desde que desistiu da sua candidatura à Casa Branca, como a principal favorita ao lugar de Veep de Biden. É jovem, traz já a experiência da corrida deste ano, provou ser competente nos debates televisivos e, acima de tudo, é afro-americana. Ora, se houve coisa que ficou provada nas mais recentes eleições é que os democratas dependem muito da afluência às urnas em grande número dos eleitores afro-americanos. Por isso, a presença de uma negra no ticket democrata seria, sem dúvida, uma excelente motivação para que isso acontecesse.
Por sua vez, Gretchen Whitmer tem vindo a subir nas casas de apostas e é vista, agora, como uma possível nomeada vice-presidencial. A sua resposta à crise da COVID-19 enquanto governadora do estado do Michigan trouxe-a para a ribalta e os ataques constantes de que é alvo por parte de Donald Trump só fizeram subir o seu perfil mediático e a solidariedade democrata. A sua juventude é um bom contraponto aos 77 anos de Biden e a sua nomeação daria uma importante vantagem aos democratas no decisivo Michigan. 
É óbvio que ainda é muito cedo para apontar com certeza a escolhida por Joe Biden,  Contudo, se a escolha tivesse de ser feita hoje, ficaria muito surpreendido se a opção não recaísse numa destas duas mulheres.

sábado, 11 de agosto de 2012

Paul Ryan é o escolhido

Confirmando os rumores cada vez mais consistentes dos últimos dias, Mitt Romney já escolheu o seu candidato vice-presidencial: o congressista Paul Ryan completará o ticket republicano nas eleições presidenciais de Novembro. Durante a madrugada, a campanha de Romney lançou o site romneyryan.com e, na manhã de hoje, os dois candidatos republicanos surgirão juntos num evento que servirá para oficializar a escolha de Romney.
Como já tinha referido, a opção Paul Ryan será sempre um pau de dois bicos para Romney. Por um lado, escolhe um político jovem (42 anos) e inovador, que é um dos principais pensadores do actual GOP e que excitará de igual modo as bases e o establishment do partido. Ao mesmo tempo, reveste de susbstância política e ideológica a sua campanha, muitas vezes acusada de ser inócua e de não apresentar propostas e soluções para o país.
Por outro lado, os planos de Ryan para o Medicare (tenciona transformar o programa num sistema de vouchers) poderão prejudicar as chances do ticket republicano junto do eleitorado independente. Não admira, por isso, que os democratas estejam a rejubilar pela escolha de Romney, começando já a caracterizar Paul Ryan como uma ameaça para a classe média norte-americana. Há ainda a possibilidade de o brilho de Paul Ryan (é um político dinâmico e capaz de cativar quem o ouve) ofuscar o estilo sóbrio e até algo "cinzento" de Romney.
A escolha de Paul Ryan como candidato vice-presidencial representa o primeiro grande acto audaz da campanha de Mitt Romney, que, até agora, não tinha corrido grandes riscos.  Já o timing da escolha parece perfeito, visto que nos últimos dias Barack Obama vinha a fugir nas sondagens, obrigando a campanha republicana a tomar uma atitude e a tornar-se, depois deste anúncio, o centro das atenções mediáticas da campanha presidencial. 
A partir de agora, com os quatro candidatos presidenciais conhecidos e a poucos dias do início das convenções nacionais, a disputa pela Casa Branca aumenta de intensidade. Todavia, o melhor é mesmo esperarmos alguns dias para percebermos o impacto que Paul Ryan provoca na corrida presidencial.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Os últimos rumores sobre o VP de Romney

Deve estar por dias o anúncio do candidato vice-presidencial de Mitt Romney. Como é norma nestas alturas, têm-se sucedido os rumores sobre vários nomes que podem concorrer no ticket republicano. 
Ontem, no normalmente bem informado Drudge Report, foi notícia, baseado num suposto desabafo de Barack Obama a um angariador de fundos, de que podia ser o General David Petraeus o nomeado vice-presidencial do GOP. Todavia, parece-me que não será o herói do surge do Iraque a concorrer juntamente com Romney, apesar dessa ser uma ideia que assusta, e muito, a Casa Branca. Petraeus é um soldado e, como tal, deveria sentir alguns constrangimentos éticos ao ter de enfrentar e mesmo de criticar durante aquele que tem sido, nos últimos quatro anos, o seu Commander-in-Chief. Além disso, o General Petraeus, recentemente nomeado Director da CIA por Obama, teria dificuldades em explicar como aceitou um cargo tão conceituado e de tão alta responsabilidade numa Administração em que não acredita. Por isso, parece-me que o surgimento do nome de David Petraeus nas coagitações para a vice-presidência  é mais um acto de desinformação do que um rumor fundado.
Já hoje, tem-se falado com maior insistência no nome de Paul Ryan, congressista pelo Winsconsin, para possível running mate de Mitt Romney. Ryan é uma estrela em ascensão do Partido Republicano e a principal figura do GOP a nível de política fiscal. A sua escolha seria, sem dúvida, uma boa forma de Romney dar maior substância à sua candidatura, muitas vezes acusada de apresentar poucas ideias concretas para os Estados Unidos. Contudo, com Ryan no ticket presidencial, a campanha republicana tornar-se-ia rapidamente numa espécie de referendo ao Medicare, o popular programa de assistência de saúde aos idosos, e que Paul Ryan pretende reformar profundamente.
Petraeus e Ryan seriam escolhas arrojadas, sem dúvida. Porém, até ao momento, Romney tem apostado numa campanha by the book e sem correr grandes riscos. Assim, políticos como Rob Portman ou Tim Pawlenty têm uma maior probabilidade de serem os escolhidos. Até porque se costuma dizer que o principal critério para a escolha de um candidato vice-presidência é: first, do no harm.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Romney já pensa em VPs

Christie, McDonnell e Rubio
Apesar de ainda faltarem cerca de seis meses para o início das primárias presidenciais e cerca de um ano para que o vencedor desse processo tenha de escolher a pessoa que consigo irá formar o ticket republicano, começam já a surgir alguns rumores relativamente à shortlist de Mitt Romney para o cargo de Vice-Presidente. Ao que consta, o actual favorito a conseguir a nomeação pelo GOP já reduziu as suas preferências para apenas três nomes: o Governador da Virgínia, Bob McDonnell, o Governador de New Jersey, Chris Christie e Marco Rubio, Senador pela Florida.
São opções seguras e convencionais, de políticos que se destacaram na senda de vitórias do Partido Republicano em 2009 e 2010. A intenção de Romney ao "deixar escapar" esta notícia poderá ser a de atrair os eleitores mais conservadores, dado que estes três nomes figuram entre os políticos favoritos dos movimentos Tea Party. Dos três, talvez seja Marco Rubio o mais provável candidato vice-presidencial, dado que representa a Florida, porventura o mais importante Estado numa eleição presidencial, e porque é hispânico (cubano-americano), um eleitorado decisivo e entre o qual o GOP tem perdido votos de forma preocupante. Todavia, a escolha final de Romney, ou de quem quer que seja o nomeado republicano, no que diz respeito ao seu vice-presidente, será sempre influenciada por tudo aquilo que se passar durante as primárias e por todo um conjunto de variáveis circunstanciais. Assim, a uma tão grande distância do momento de decisão, este tipo de análise, ainda que seja interessante, não passa de mera especulação.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

2012: Obama-Hillary?

Joe Biden não foi um nome consensual quando Barack Obama o escolheu para seu running mate na corrida para a Casa Branca em 2008. Na altura, muitos consideraram que ter Biden como VP minava a mensagem de esperança e mudança que a campanha de Obama apregoava. Contudo, a necessidade de sossegar o eleitorado preocupado com a falta de credenciais de Obama nas matérias de relações externas e de atrair os blue collar workers, que nas primárias democratas tinham preferido Hillary Clinton, levaram o futuro presidente a optar por Joe Biden.
Mas a vice-presidência do antigo senador pelo Estado de Delaware não tem  sido propriamente famosa. Ainda recentemente, uma sua visita a um dos Estados mais afectados pelo derrame de crude e um dos mais importantes battlegrounds na política americana, a Florida, foi um autêntico desastre. Consequentemente, já algumas vozes se começam a ouvir em defesa de uma mudança no ticket democrata para 2012. A última é a do antigo governador da Virgínia e o primeiro governador afro-americano eleito da história dos Estados Unidos, L. Douglas Wilder, que, num artigo de opinião publicado no Politico, aconselha Obama a trocar Joe Biden por Hillary Clinton na vice-presidência de um seu eventual segundo mandato.
Tal cenário parece-me pouco provável de vir a suceder. Primeiro, porque forçar Biden a abdicar do seu cargo será sempre bastante complicado, a menos que algo de anormal aconteça. O passado já provou que o actual VP é um homem de ideias próprias e que por vezes tem dificuldades em ser um bom jogador de equipa. Depois, porque a troca em causa transmitiria a impressão de uma mera jogada político-eleitoral que poderia manchar ainda mais a imagem do presidente.
Por outro lado, a vice-presidência poderia ser um grande catalisador para a candidatura de Hillary Clinton à presidência americana em 2016. Sendo pouco provável que a esposa de Bill Clinton continue no Departamento de Estado por mais um mandato, esta seria uma excelente oportunidade para Hillary se manter no centro do poder político americano e continuar a elevar o seu perfil mediático. Apesar de em Novembro de 2016 a actual Secretária de Estado norte-americana contar já com 69 anos, é bem possível que Hillary tente novamente cumprir o seu grande sonho de ser a primeira mulher presidente americana. Caso contrário, poderá ser a filha do casal mais poderoso do mundo, Chelsea Clinton, a herdar esse objectivo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

The Vice-president

Ainda na cimeira de ontem, entre as discussões mais sérias, também houve tempo para alguns fait-divers. Uma delas envolveu o Vice-presidente, Joe Biden. Biden, famoso pela sua língua afiada e pela propensão para as gaffes, foi apanhado pelos microfones das câmaras do C-SPAN, numa conversa informal, a dizer a um dos participantes da sessão que ser vice-presidente "é fácil"e que "não tem de fazer nada".
Colaboradores do vice-presidente já vieram assegurar que Joe Biden estava apenas a brincar e que as afirmações não devem ser levadas a sério, lembrando a apertada agenda do nº 2 da Administração, repleta de grandes responsabilidades.
Brincadeira ou não, a verdade é que Biden repetiu apenas uma ideia generalizada na política americana. A própria Constituição não atribui funções ao cargo de vice-presidente, excepto a substituição do Presidente, aquando da impossibilidade ou morte do Chefe de Estado. Lembre-se, também, que, inicialmente, o segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais tornava-se o vice-presidente. Ora, isto fazia com que o VP não fosse do mesmo partido do Presidente e não tivesse, assim, a sua confiança política. Com o abolir desta situação, os vice presidentes foram ganhando mais importância e visibilidade. Veja-se, por exemplo, Al Gore e Dick Cheney, os dois últimos vices, que foram muito influentes nas administrações Clinton e Bush, respectivamente.
Porém, ainda resiste a ideia que o vice-presidente é uma figura essencialmente cerimonial e decorativa, existindo mesmo várias anedotas sobre o assunto. Para terminar, deixo aqui uma das minhas preferidas: "Uma mãe tem dois filhos. Um parte para o mar, o outro torna-se vice-presidente. Depois disso, a mãe nunca mais ouviu falar de nenhum deles."